Sacar o poema do bolso/é o que sobra.
por Romério Rômulo
Nada faz sentido.
Eu nunca atei o nó da verdade
e as Bolsas de Valores mostram que estou certo.
Quando A sobe, B desce e a montanha fica parada
o Morro do Cachorro, à minha frente
fala pela voz de Carlos Scliar:
“Eu sou uma montanha pintada. E você?”
Cada montanha pintada cabe meus braços
e o que mais seja de mim.
Meu ato pela noite sempre foi vadio.
Nada tirei dos pastos e das carnes.
Nada tirei.
E quando o fosso da vida me cancela
sofro uns retardos.
O tempo virulento come tudo.
Sacar um poema do bolso, como os loucos
é o que sobra.
Romério Rômulo (poeta prosador) nasceu em Felixlândia, Minas Gerais, e mora em Ouro Preto, onde é professor de Economia Política da UFOP e um dos fundadores do Instituto Cultural Carlos Scliar – Rio de Janeiro RJ.
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