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O holocausto gay

GAYS DO III REICH
De Sodoma a Auschwitz, a matança dos homossexuais

Os homossexuais perseguidos pelo Nazismo usavam um Triângulo Rosa sob o uniforme

Por volta de 1933, Máximo Gorki iniciou uma série de artigos sobre o "humanismo proletário", sustentando a tese de que o homossexualismo, enquanto "ruína dos jovens", era um produto típico do fascismo e que, portanto, não tinha lugar no coração do povo. Na mesma época, outros escritores e homens políticos soviéticos liderados por Kalinim iniciaram uma violentíssima campanha propagandística contra os homossexuais, juntando-os a todo tipo de criminosos sociais: os bandidos, os traidores, os espiões, contra-revolucionários e agentes do imperialismo. Essa tendência alcançou seu ponto alto em março de 1934, quando um decreto assinado pelo próprio Kalinim passou a considerar as relações íntimas entre indivíduos dos sexo masculino como puníveis com prisão de três a oito anos, conforme a gravidade daquilo que foi então taxado e enquadrado como "crime".

Gorki escreveu: "Nos países fascistas, o homossexualismo, que é a ruína dos jovens, floresce impunemente. Já existe até um ditado na Alemanha (pré-nazista): eliminem-se os homossexuais e o fascismo prevalecerá". "Entretanto, na noite de 30 de junho de 1934 (apenas três meses após a aprovação da lei soviética que enterrava, de um só golpe, todas as conquistas sexuais libertárias da Revolução de Outubro), o Comando Especial de Himmler, a S.S., invadia a hospedaria de Bad Wesses, uma estância termal onde estava reunido o Estado-Maior da S.A, e exterminava quase todos os presentes.Em poucos dias foram eliminadas outras 200 pessoas, muitas das quais pouco ou nada tinham a ver com a S.S. ou com seu chefe, Ernst Roehm. Em função disso, Hitler dizia (em seu discurso de 11 de novembro de 1936 sobre o perigo racial-biológico da homossexualidade) que não titubeamos em extirpar essa peste com a própria morte, mesmo entre em nós", quando esse perigo invadiu também a Alemanha.

Ao centro, o Ernest Hoehm que vivia abertamente a sua homossexualidade e incomodava o Partido Nazista.

Em 26 de janeiro de 1938, o mesmo argumento foi repetido por Goebbels, Ministro da Propaganda, ao fazer seu primeiro ataque declarado à igreja católica, acusando-a sobretudo de imoralidade. Dizendo que os membros do clero e dirigentes das organizações juvenis católicas deveriam, se capazes, adotar a "Ordem" nacional-socialista, Goebbels afirmou: "Quando, em 1934, certas pessoas pretenderam fazer no Partido o que se faz nos conventos e entre os padres, carregando essa imoralidade para nosso meio, nós as eliminamos. Devemos ser sumamente gratos Fuhrer, que nos livrou dessa peste". Roehm, o Homossexual poderoso e valente que foi assassinado por atrapalhar os planos de Hitler, (fotos abaixo e acima)

Mas é bastante provável que Hitler jamais teria considerado seu lugar-tenente Roehm como um monstro degenerado se este não tivesse insistido demais nas idéias radicais que todos conhecemos; acontece que sua S.A. andava pregando a necessidade de uma segunda revolução para arrasar com os capitalistas (que, em troca, cortejavam Hitler) e com o exército (que a S.A. queria substituir, contra a opinião do Fuhrer); afinal, os militares eram importantes para a constituição de uma poderosa Wermacht almejada por Hitler.

Além do mais, a milícia "privada" de Roehm passara de 300 mil homens em 1932 para cerca de 3 milhões em dezembro de 1933 e tinha sido um fator decisivo na escalada de Hitler ao poder. Roehm era um dos poucos, ou melhor, o único que podia chamar o Fuhrer de "você". E, quando alguém lhe chamava a atenção para o comportamento homossexual de seu lugar-tenente, o Fuhrer respondia com justificativas do tipo: "Ah, isso acontece sempre que as pessoas ficam muito entre os militares. Tornam-se tão idiotas quanto eles. É só colocar Ernst Roehm no seu ambiente adequado e então tudo isso acabará".

Quando finalmente Roehm foi acusado, em 1934, com base no Artigo 175 do Código Penal Alemão (que punia os atos de natureza homossexual), o partido nacional-socialista não teve qualquer reação negativa: ao contrário: um indivíduo que procurou tirar proveito de uma antiga relação com Roehm foi assassinado pelas S.S.; enquanto Roehm era defendido e protegido por Heydrich. Mais tarde, a 30 de janeiro de 1939, ao falar sobre a purificação moral e a saúde biológica relativamente ao caso Roehm, Hitler disse: "Há cinco anos atrás, houve alguns membros do partido que se mancharam de culpa infame e foram fuzilados por esse crime". O caso Roehm foi de máxima importância na história do Terceiro Reich: serviu de modelo e inspiração permanente para a luta contra os inimigos do regime ou adversários pessoais.

Herschel Grynszpan, jovem judeu que matou Ernst von Rath em Paris (1938), dando aos nazistas uma boa desculpa para a “Noite de Cristal”, onde foram mortos 35 mil judeus é descrito como prostituto homossexual que sabia demais, “detalhe” que foi usado pelo advogado de defesa, com sucesso, para adiar indefinidamente seu julgamento por homicídio.

O Artigo 175 foi introduzido na legislação penal alemã no ano de 1871, para punir o "comportamento homossexual entre homens". O grande estudioso e humanista Magnus Hirschfeld lutou contra ele por muito tempo, defendendo os direitos dos homossexuais através do Comitê Científico Humanitário, ao lado de Adolf Brandt, Fritz Radzuweit e alguns mais. De todo modo, esse Artigo nunca provocou muitos problemas até o momento em que os nazistas conquistaram o poder e decidiram usá-lo como arma política e de vingança pessoal. Em 1933, houve 835 pessoas condenadas a partir de sua aplicação. Em 1934, imediatamente após o caso Roehm, o número subiu para 948; e de repente as cifras enlouquecem: em 1936, foram 5.321 os condenados; em 1939, já são enviados para os campos de concentração 24.450 pessoas acusadas de atos homossexuais.

Apesar da lei vigente, as punições contra os homossexuais tinham sido bastante reduzidas, antes da guerra 1941/18. Após a guerra, o governo constituído de partidos de esquerda também não aplicava nenhuma medida repressiva, deixando aos homossexuais a liberdade de se juntarem e se organizarem um pouco em seus bares, clubes, saunas ou através de suas revistas. Finalmente, a 16 de outubro de 1929, a Comissão Penal de Reichstag pronunciou-se a favor de uma eventual supressão do Artigo 175. Referindo-se a essa decisão, o futuro Ministro da Justiça, Frank, falou a 10 de dezembro do ano seguinte, para definir como imoral "essa tolerância que se pretende impingir a todo o povo alemão".

Apesar disso, os próprios nazistas, que tinham muitos homossexuais em suas fileiras, não apresentaram nenhuma iniciativa mais radical, nos primeiros anos de existência do seu partido. As premissas ideológicas para uma repressão com "meios mais sofisticados" foram dadas pelo jurista Rudolf Klare, especialista do Partido Nazista para assuntos relativos ao homossexualismo; de fato, em seu livro Homossexualidade e Direito Penal, Klare propunha um reforço das punições contra "esses indivíduos" que constituem maior perigo para "o povo, o Estado e a raça"; e sugeria a criação de reformatórios para as lésbicas. Referia-se também a uma "purificação completa", através do extermínio necessário de homossexuais - afirmava que "os degenerados devem ser eliminados para manter a raça pura". Parece interessante constatar que o livro em questão foi dedicado ao professor Dr. Erich Schwinge, a quem se deve "o mérito desta colaboração verdadeiramente fraterna entre professor e discípulo, sem a qual esta obra não poderia ser realizada num espaço de tempo tão breve. Eu lhe agradeço muito por isso". Atualmente, o Dr. Erich Schwinge é professor de Direito Público em Marburg.

Já com uma cobertura ideológica, a via legal para a repressão foi aberta no dia 1º de setembro de 1935. Na primavera desse ano, a Comissão Penal Alemã - à qual pertenciam dois juristas nazistas como Freisler e Thiersak - expusera com prudência sua opinião negativa sobre o eventual endurecimento na interpretação e aplicação do Artigo 175; um de seus membros mais competentes, Erich von Spach, recomendou: "O legislador deve manter a moderação num campo onde grandes investigações podem provocar grandes prejuízos". Mas na reunião do Partido em Nuremberg Goering tocou no problema pedindo "a defesa e proteção do sangue e da honra alemã; enquanto isso, Hitler mostrou-se favorável ao endurecimento do Artigo 175. Schaufler, Diretor-Geral do Ministério da Justiça enchia-se de alegria: "Foi preenchida uma séria lacuna".

Passados 26 anos do final da guerra e da abertura dos campos de concentração ainda não se estabeleceu o número exato de vítimas. Quanto aos homossexuais, poucos sobreviventes (e muito raramente) apareceram para reclamar indenizações, pagamentos ou reabilitações, inclusive porque até poucos anos atrás estavam ainda ameaçados pela vigência do Artigo 175, dependurado como uma espada de Dámocles sobre suas cabeças. Assim, a cifra oficial fala de 50.000 a 80.000 vítimas, mas provavelmente está muito longe da realidade que, como se pode imaginar, parece ser muito mais trágica.

(É preciso lembrar, por outro lado, que muitos dos condenados com base nesse Artigo não eram homossexuais, mas simplesmente opositores do regime ou inimigos pessoais dos poderosos, cabendo-lhes, portanto, a acusação considerada mais degradante).

Depois de julgados e condenados, os violadores do Artigo 175 passavam para as mãos da Gestapo (a polícia secreta do Estado) e eram enviados aos campos de concentração: Auschwitz, Dachau, Neuengame, Ravensbruek, Sachsenhausen, Natsweiler, Bergen-Belsen, Fuehlsbuettel, Fosenberg e outros mais: aí eram freqüentemente castrados e mandados para os trabalhos mais repugnantes e mais pesados que acabavam acelerando seu fim: ou então tornavam-se bode expiatório para os demais companheiros de prisão, que os maltratavam e violentavam.

Não existem muitos documentos sobre o tema, especialmente pela compreensível aversão dos homossexuais em tornar pública uma perseguição que a sociedade ainda pretende justificar e perpetuar; além disso, muitos historiadores manifestaram indiferença ante o tema, por associarem os homossexuais com delinqüentes "comuns", e reservaram todo seu interesse para os presos políticos (2 milhões de vítimas), ou para os judeus (os mais duramente atingidos: 6 milhões de mortos). Outros motivos dessa ausência de dados: o método usado pelos responsáveis dos campos de concentração para esconder seus crimes e, talvez mais importante do que todos os outros, o fato de que só sobreviveram muito poucos condenados, que poderiam contar os acontecimentos com mais precisão.

Em todo caso, apesar do esquecimento a respeito, existem raros e espantosos testemunhos. Eugen Kogon, em seu livro O Estados S.S., diz apenas: "Sobre o destino reservado (aos homossexuais), só se pode dizer que foi terrível: estão quase todos mortos".

O médico e escritor Classen Neudegg publicou uma série de artigos no jornal de Hamburgo, Humanistas; aí ele fala de muitos casos de que soube ou que viu diretamente: "Os homossexuais já tinham sido torturados e morriam lentamente de fome ou por excesso de trabalho, tudo com uma crueldade inimaginável (...). Então a porta da residência do Comandante se abre e um oficial do nosso grupo anuncia: "300 imorais serão reunidos por ordem". Fomos registrados e então percebemos que nosso grupo iria ser isolado numa companhia de punições mais rigorosas; soubemos também que no dia seguinte seríamos levados para uma grande fábrica de tijolos, para trabalhos forçados. A fama dessa fábrica em liquidar com as pessoas era absolutamente terrível". (A S.S. considerava o trabalho nas fábricas de tijolos como um terceiro grau de onde não se saía com vida; Kogon chama-as de "trituradoras"). Von Neudegg conta até mesmo sobre as experiências com fósforo em pessoas vivas - o que lhes provocava dores impossíveis de traduzir em palavras".

Nesses campos de concentração, os homossexuais eram marcados com um triângulo rosa sobre a manga ou sobre o peito, o que servia para distingüi-los dos presos políticos (triângulo vermelho), dos ladrões (verde), dos testemunhas de jeová (violeta), dos ciganos (marrom), dos judeus (amarelo) e dos criminosos (negro). Conforme relato de uma testemunha no livro de Wolfang Harthauser O grande tabu, somente no período de sua permanência em Sachsenhausen, foram eliminados a sangue frio de 300 a 400 homossexuais, mortos em conseqüência dos trabalhos forçados ou porque chegavam com os ossos dos braços e pernas quebrados. Apenas no campo número cinco de Neusustrum, um terço dos prisioneiros era composto de homossexuais. Num processo contra um guarda acusado de outros cem homicídios, foi constatado que esse homem era especialista em lançar potentes jatos de água gelada contra o preso, até levá-lo à morte. Conta-se aí que suas vítimas preferidas eram os judeus e os homossexuais.

 

Holocausto gay

Até hoje as indenizações às famílias das vítimas do holocausto guei não foram efetivadas, apesar da pressão da ONU pelo ressarcimento dos homossexuais perseguidos pelo III Reich. O problema está no acordo ratificado pelos bancos e com o próprio responsável, o governo alemão, que criou diversos empecilhos financeiros. Cerca de 15 mil gueis condenados e mortos pela hegemonia da raça ariana não têm direito nem mesmo a um memorial na capital. Recentemente o ex-prefeito de Berlim, Eberhad Diepgen, negou a grupos ativistas e famílias a construção de um monumento aos gueis.

Tudo começou em 8 de março de 1933 quando foram instituídos os primeiros campos de concentração. Berlim, considerada a capital dos movimentos humanistas e da liberdade homossexual, tornou-se palco de uma guerra homofóbica e particular. Os pontos de encontro e os cabarés foram invadidos pelos soldados da Gestapo com suas armas e licenciados pelo recém-instituído Paragrafo 175 da lei. Homossexuais e lésbicas foram arrastados aos campos de concentração onde nem ao menos eram julgados pela justiça, mas sim pelo órgão administrativo da seção. Os que tinham alguma influência ou "sobrenome" eram designados para a detenção ou deportação, mas os outros eram liquidados nos campos. Às lésbicas eram feitas algumas concessões em virtude de sua natureza como genitoras.

m 1943, Henrich Himmler autorizou a prática da castração dos deportados homossexuais, quando um grande número de pessoas morreu durante a intervenção cirúrgica. Os homossexuais sobreviventes eram designados para as tarefas mais duras em campos de trabalho forçado. Em 1944, os primeiros campos são dominados pelos aliados, e os homossexuais que sobreviveram ainda tinham medo de declarar o motivo de sua deportação por conta dos empecilhos sociais, familiares e de trabalho que viriam em seguida a um testemunho desta natureza. Para muitos deles, o retorno à liberdade significava uma auto-censura diante de uma legislação hostil ainda, período em que a grande maioria se exilou no anonimato. Tudo por culpa da ausência de uma lei que reconhecesse a perseguição por orientação sexual, pela fragilidade dos movimentos ativistas gueis nos anos 70, e pela própria sociedade, inclusive intelectuais, que escamoteavam uma realidade à qual preferiam fechar os olhos. Porém uma realidade que estava estampada na memória coletiva.

Em 1982, na França, Pierre Seell, diante de uma nova coação homofóbica, decide romper o silêncio e revela todo o tipo de sofrimento que passou nos campos. Um austríaco, Heiz Heger, depõe em seu livro toda a verdade chocante que se passava por trás dos muros de concentração. Meses depois, Martin Shermann, judeu e guei,  apresenta uma peça onde aborda pela primeira vez o holocausto guei no teatro. De Londres, a peça foi para Paris e para a  Broadway, onde o mundo conheceria a verdade atrás da iconografia oficial dos nazistas.

Infelizmente, graças a esta abertura dos primeiros deportados gueis, a coragem e a atitude das próximas gerações do holocausto nazista, hoje sabemos que foram 90 a 100 mil gueis e lésbicas presos entre 1933 e 1945, de 10 a 15 mil somente no apogeu do nazismo. Sem falar dos outros esquecidos como os masons, dos doentes, dos miseráveis, dos fiéis da Testemunhas de Jeová...

Gays e desertores condenados pelo nazismo serão reabilitados***
da Deutsche Welle, em Berlim

A nova lei da coalizão de social-democratas e verdes, anulando todas as sentenças nazistas promulgadas contra homossexuais e desertores, entrará em vigor antes de meados deste ano. A informação foi divulgada hoje, em Berlim, pelos deputados Alfred Hartenbach (SPD) e Volker Beck (Partido Verde).

Esta lei irá substituir a legislação de 1998, que previa a suspensão das sentenças mas exigia a apresentação de provas para cada caso individual. Hartenbach afirmou que, passados 57 anos depois da Segunda Guerra Mundial, já era hora de acabar com este "procedimento indigno" e estender a mão aos que sofreram injustamente.

Segundo as estimativas, durante o regime nazista foram promulgadas cerca de 500 mil condenações por motivos políticos, militares, religiosos, racistas e ideológicos. Os tribunais militares condenaram à morte mais de 30 mil desertores da Wehrmacht, o Exército de Hitler.

Cerca de 50 mil homens foram presos e torturados por homossexualismo na Alemanha nazista, sendo que 15 mil foram arrastados aos campos de concentração. O parágrafo 175 da lei do Terceiro Reich previa pena de até dez anos de prisão e reeducação para os gays. As lésbicas não foram perseguidas. Hoje restam apenas 300 sobreviventes.

Os políticos alemães negaram-se, durante décadas, a promover a reabilitação dessas vítimas. Em 1998, por exemplo, o governo da coalizão CDU/CSU e Partido Liberal impediu a aprovação de um projeto de lei para suspender todas a penas contra os homossexuais.

Em dezembro de 2000, finalmente, o Parlamento Federal decidiu por unanimidade reabilitar essas vítimas, lamentando também na sua decisão que o parágrafo 175 da lei nazista - que legitimava a perseguição de gays - tivesse vigorado na Alemanha até 1969.

* Artigo publicado pela primeira vez em 1972, no Boletim de Cidams, 3. Posteriormente, várias revistas e jornais do mundo inteiro reproduziram-no, sobretudo na Itália, Suíça, França e Argentina. A versão aqui reproduzida foi publicada no site do grupo Nuances de Porta Alegre. ** Artigo extraído do site portal marccelus em Salvador, Bahia, 26/12/09.
*** deutsche welle, berlim. publicado em 01 de fevereiro - confira : http://portal.marccelus.com/

Homossexuais na Alemanha Nazista

Os homossexuais constituíam um dos grupos perseguidos pelo regime nazi. Antes do Terceiro Reich, Berlim era considerada uma cidade liberal, com bares e cabarés frequentados pela comunidade homossexual. Magnus Hirschfeld tinha começado aí, um movimento pelos direitos dos homossexuais durante o virar do século. Contudo, estes movimentos foram duramente reprimidos pelo Partido Nazi. A ideologia nazi sustentava que a homossexualidade era incompatível com o Nacional Socialismo, já que não permitia a reprodução, necessária para perpeturar a raça superior. Da mesma forma, a masturbação era considerada perniciosa pelo Reich.

Ernst Röhm, líder da Sturmabteilung, a primeira milícia do Partido Nazi, um dos homens de confiança de Hitler que o ajudou a ascender ao poder, era homossexual e foi assassinado em 1934 na Noite das Facas Longas. O mesmo se passava com outros líderes, como Edmund Heines.

Hitler protegeu, inicialmente, Röhm de outros elementos do Partido Nazi que consideravam a sua homossexualidade como uma violação grave da política fortemente homofóbica do partido. Hitler, mais tarde, ao considerar que esta podia ser, de facto, uma ameaça à consolidação do partido no poder, autorizou a sua execução na chamada Noite das facas longas. Durante o holocausto, a perseguição continuou, tendo muitos sido enviados para campos de concentração. As estimativas sobre o número de homossexuais mortos nos campos varia muito, entre 5 e 15 mil, consoante os autores consultados.
O sofrimento dos homossexuais não terminou depois do fim da guerra, uma vez que as leis anti-homossexuais dos Nazis não foram suprimidas, tal como aconteceu com as leis anti-semíticas, por exemplo. Alguns homossexuais foram obrigados a terminar a pena a que estavam condenados pelo Governo Militar Aliado do pós-guerra na Alemanha. Outros, ao regressar a casa e aos seus países de origem tiveram que manter o silêncio sobre o seu sofrimento, por medo de discriminação, pois as chamadas leis sobre a sodomia só acabariam por cair na Europa Ocidental nos anos 1960 e 1970.

O Programa Lebensborn cuidava para que o ariano sadio tivesse a sua descendência assegurada. Mulheres eram incentivadas a ter filhos com esses homens que representavam a raça pura do Reich de mil anos.

Depois da Primeira Guerra Mundial, no período da história alemão conhecido como a República de Weimar, a homossexualidade masculina na Alemanha, particularmente em Berlim, gozavam de maior liberdade e aceitação do que em qualquer outra parte do mundo. Contudo, a partir da tomada de poder por Hitler, os gays e, em menor grau, as lésbicas, passaram a ser dois de entre vários grupos sociais a serem atacados pelo Partido Nazi, acabando por ser também vítimas do Holocausto.
A partir de 1933, as organizações gays foram banidas, livros académicos sobre homossexualidade e, mais genericamente, sobre sexualidade humana, foram queimados, e alguns homossexuais do Partido Nazi foram assassinados. A Gestapo compilou listas de nomes de homossexuais, que foram obrigados a adaptar-se à norma sexual Nazi.

Estima-se que em 1928 existiam cerca de 1,2 milhões de homossexuais na Alemanha. Entre 1933 e 1945, mais de 100 mil homens foram registados pela polícia como homossexuais (as "Listas Rosa"), e destes, aproximadamente 50 mil foram oficialmente condenados. A maior parte destes homens foi aprisionado e entre 5 a 15 mil enviados para campos de concentração. O investigador Ruediger Lautman acredita que a taxa de mortalidade de homossexuais presos em campos de concentração poderá ter atingido os 60%, pois os homossexuais presos nesses "campos da morte" para além de serem tratados de forma extraordinariamente cruel pelos guardas, eram também perseguidos pelos outros prisioneiros.Depois da guerra, o sofrimento dos homossexuais nos campos de concentração nazi não foi reconhecido em muitos países, tendo algumas potências aliadas recusado a libertação ou repatriação destes homens. Alguns dos que ficaram presos, escaparam e foram de novo presos, baseados em factos ocorridos durante no período nazi. Apenas nos anos 1980 começaram a surgir governos a reconhecer os homossexuais como vítimas do Holocausto, e apenas em 2002 o governo alemão pediu formalmente desculpa à comunidade gay.

Antes do Terceiro Reich, Berlim era considerada uma cidade liberal, com numerosos cabarés, clubes nocturnos e bares gays, onde berlinenses e turistas (gays ou não) se divertiam com espectáculos de travesti. Hitler, no seu livro Mein Kampf, denunciou estes costumes como prostituição, sífilis e degeneração cultural, responsabilizando parcialmente os judeus. Por essa época, Berlim era sede das organizações LGBT mais dinâmicas e activas do mundo. O médico judeu Magnus Hirschfeld fundou em 1897, com Eduard Oberg, Max Spohr e Franz Josef von Bülow, o Comité Científico Humanitário (Wissenschaftlich-humanitäre Komitee), com o objectivo de lutar contra o Parágrafo 175 que ilegalizava as relações sexuais entre homens e de obter o reconhecimento para os homossexuais e transgêneros, que é considerada a primeira organização pública de defesa dos direitos dos gays. Estes progressos da comunidade gay foram rapidamente eliminados com a chegada ao poder do Partido Nazi de Hitler.

 

O nazismo declarou a sua incompatibilidade com a homossexualidade pois os gays não se reproduziam e, logo, não perpetuavam a raça ariana. Pelas mesmas razões, a masturbação foi também considerada prejudicial ao Reich, mas seria apenas ligeiramente reprimida. Os nazis temiam ainda o "contágio" gay. Hitler acreditava que a homossexualidade era um "comportamento degenerativo" que ameaçava a capacidade do estado e o "carácter masculino" da nação.

Os homens gays eram denunciados como "inimigos do estado" e acusados de "corromper" a moral pública e ameaçar o crescimento populacional alemão. Os líderes nazis, como Himmler, consideravam também que os homossexuais eram uma raça à parte e promoveram experiências médicas que tentavam encontrar alguma deficiência hereditária que muitos membros do partido julgavam ser a causa da homossexualidade. Enquanto muitos líderes nazis defendiam que os homossexuais deviam ser exterminados, outros pretendiam legislação que banisse sexo entre homens ou entre mulheres.

Ernst Röhm, o chefe da SA que Hitler considerava uma ameaça potencial, manteve a sua homossexualidade oculta até que em 1925 um jornal do Partido Social Democrático da Alemanha publicou um conjunto das suas cartas de amor para outros homens. A partir dessa altura, Röhm deixou de esconder a sua sexualidade (tal como Edmund Heines e outros líderes da SA), aderindo mesmo à Liga dos Direitos Humanos, a maior organização alemã de direitos dos homossexuais.

Em 10 de maio de 1933, em Berlim, nazistas queimaram obras de autores de origem judaica, a biblioteca do Institut für Sexualwissenschaft, e outras obras consideradas "não-alemãs". Em finais de fevereiro de 1933, à medida que a influência moderadora de Ernst Röhm enfraquecia, o Partido Nazista lançou uma expurgo dos clubes homossexuais (gays, lésbicas e bissexuais, nessa altura conhecidos como "homófilos") de Berlim, ilegalizou as publicações de conteúdo sexual e baniu as organizações gays. Em consequência, muita gente abandonou a Alemanha (incluindo, por exemplo, Erika Mann). Em março de 1933, o principal administrador do Institut für Sexualwissenschaft (Instituto para o Estudo da Sexualidade), Kurt Hiller, foi internado num campo de concentração.

http://www.ggb.org.br/nazismo_artigo.html

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O texto comete pelo menos um grande erro histórico ao tentar nos fazer crer que Ernst Röhm foi assassinado por causa de sua homossexualidade. Ledo engano. Ele foi morto por ordem de Hitler como parte do processo de consolidação de seu poder pessoal. A homossexualidade de Röhm era uma questão menor que nem mesmo serviu como justificativa pública para a execução. Oficialmente ele foi acusado de traição. O que o condenou, e a todas as lideranças da SA, foi o excesso de poder que detinham em suas mãos com o comando de mais de um milhão de paramilitares, os camisas marrons, poder que Hitler temia podia ser usado contra ele. Röhm foi umas das pessoas mais próximas a Hitler, que sempre soube da sua homossexualidade sem nunca dar-lhe maior importância.

A seleção de fotos também é catastrófica. Homens nus fazendo exame médico são gays? Homens fantasiados de mulher são gays? Um soldado que pousa sua mão no ombro de outro é gay? Soldados posando para foto com uma das pernas levantadas são gays? É uma incrível seleção de clichês da homossexualidade em imagens.

 

Agora é o escritor Gorki o perseguido. Antes era o Monteiro Lobato, o racista.  A opinião de Gorki está pautada no tempo em que viveu. Aliás qualquer pessoa para falar de Gorki precisa lavar a boca antes. Leiam "Ganhando o meu pão" e calem a boca. Um gigante da literatura russa.

Quanto a questão dos homossexuais, pelo menos no museu do campo de concentração de Dachau, que eu visitei,  existem diversas referencias aos homossexuais que ali estiveram presos e acabaram mortos. 

 

Assustador  o que o preconceito pode gerar. 

 

Agora eu entendi como eles puderam cometer tantas atrocidades, eram todos gays. So assim para entender a lógica das suas ações. Obrigado Nassif, me ajudou a entender porque o moviemnto deles é tão violento e como os nazistas eles vivem pondo a culpa nos judeus.

 

Paulo Renato, o comando era de Hitler e da SS e não de algum movimento ou liderança gay. Inclusive se você ler o texto corretamente e/ou assistir ao vídeo postado num comentário, verás que  os militares gays  próximos a Hitler foram todos assassinados. Se há tantas referências aos gays neste texto isto se deve ao tema, não havia como fugir do recorte.  Interessante se notar no documentário que os gays era monitorados pela Gestapo, mesmo os suspeitos de serem homossexuais era colocados sob arresto, sendo que aqueles que foram enviados para os campos de concentração não voltaram, sofreram as piores atrocidades possíveis até a morte. E olhe lá que o entulho autoritário homofóbico do nazismo foi abolido somente recentemte, o que contribuiu para que esse assunto não viesse à tona. Pela lei alemã a homossexualidade continuou sendo crime até recentemente, motivo pelo qual levou  os sobreviventes do holocausto gay  a ficarem em silêncio para não serem presos novamente. O Estado alemão pediu desculpas aos gays pelo holocausto, monumentos estão sendo erguidos em memória das vítimas. Lutemos para que o mundo continue avançando, para que não haja retrocessos no sentido do obscurantismo, o que não é de todo descartado, vejo o fundamentalismo religioso como uma das causas pelas quais poderemos retornar à Idade Média.

 

 

...spin

 

 

Aqui está um exemplo de como o texto é ruim. O companheiro embirutou:

Foi em diamantina onde nasceu j.k.
E a princesa leopoldina lá resolveu se casar
Mas chica da silva tinha outros pretendentes
E obrigou a princesa a se casar com tiradentes
Laiá, laiá, laiá, o bode que deu vou te contar

Joaquim josé, que também é da silva xavier
Queria ser dono do mundo
E se elegeu pedro segundo
Das estradas de minas, seguiu p'rá são paulo
E falou com anchieta
O vigário dos índios
Aliou-se a dom pedro
E acabou com a falseta
Da união deles dois ficou resolvida a questão
E foi proclamada a escravidão

Assim se conta essa história
Que é dos dois a maior glória
A leopoldina virou trem
E dom pedro é uma estação também
Oô, oô, oô, o trem té atrasado ou já passou

 

Isso também, é que estou vendo Bento 16 neste estádio, nada não, só curiosidade histórica

 

 

...spin

 

 

Nassif

Não entendí esse destaque a um texto (?) sem pé nem cabeça.

Quem é o autor ? Saiu de onde ? O que é aquele GGB (autor) lá no começo do post ?

E qual a importância desse "material'" fartamente ilustrado?

Sô burro demais ou  tô senil demais pra acompanhar o blog ?

 

Mario Siqueira, nem tanto né. Aproveitei muita coisa bacana, eu não sabia que Hitler teve um assessor tão próximo fora do armário, embora o mesmo tenha sido assassinado a mando dele(Hitler)

 

Não sou o autor da postagem mas vou tentar responder.

Dar o destaque me pareceu excelente, trata-se de coisas pouco divulgadas (como o drama dos ciganos também)

Parece repetitivo ou até contraditório porque são 3 textos de autores (e talvez fontes) diferentes para o mesmo assunto. As imagens deviam ilustrar os blogs de onde vieram. Não são imprescindíveis, mas deve ser mais fácil deixá-las que ficar editando em outro blog (aqui, p.ex., eu tiro imagens e às vezes somem parágrafos junto.)

GGB é Grupo Gay da Bahia, que sob a direção de Luiz Mott é uma ong das mais atuantes no Brasil. É a que faz o levantamento junto a secretarias de segurança dos crimes de ódio.

 

"Se você pode sonhar, você pode fazer" - Walt Disney

Gunter, obrigado pela contribuição, o importante do texto são as informações que ele traz,  parece ser um compêndio de vários outros artigos, tem mais aqui, para quem não se importar com o formato:

De Sodoma a Auschwitz, a matança dos homossexuais

Artigo sobre o extermínio de homossexuais durante a Alemanha nazista. Fonte: http://www.estoufelizassim.hpg.ig.com.br/index.html

Os homossexuais perseguidos pelo Nazismo usavam um Triângulo Rosa sob o uniforme.

De Sodoma a Auschwitz, a matança dos homossexuais

Por volta de 1933, Máximo Gorki iniciou uma série de artigos sobre o "humanismo proletário", sustentando a tese de que o homossexualismo, enquanto "ruína dos jovens", era um produto típico do fascismo e que, portanto, não tinha lugar no coração do povo. Na mesma época, outros escritores e homens políticos soviéticos liderados por Kalinim iniciaram uma violentíssima campanha propagandística contra os homossexuais, juntando-os a todo tipo de criminosos sociais: os bandidos, os traidores, os espiões, contra-revolucionários e agentes do imperialismo. Essa tendência alcançou seu ponto alto em março de 1934, quando um decreto assinado pelo próprio Kalinim passou a considerar as relações íntimas entre indivíduos dos sexo masculino como puníveis com prisão de três a oito anos, conforme a gravidade daquilo que foi então taxado e enquadrado como "crime".

Gorki escreveu: "Nos países fascistas, o homossexualismo, que é a ruína dos jovens, floresce impunemente. Já existe até um ditado na Alemanha (pré-nazista): eliminem-se os homossexuais e o fascismo prevalecerá". "Entretanto, na noite de 30 de junho de 1934 (apenas três meses após a aprovação da lei soviética que enterrava, de um só golpe, todas as conquistas sexuais libertárias da Revolução de Outubro), o Comando Especial de Himmler, a S.S., invadia a hospedaria de Bad Wesses, uma estância termal onde estava reunido o Estado-Maior da S.A, e exterminava quase todos os presentes.

Em poucos dias foram eliminadas outras 200 pessoas, muitas das quais pouco ou nada tinham a ver com a S.S. ou com seu chefe, Ernst Roehm. Em função disso, Hitler dizia (em seu discurso de 11 de novembro de 1936 sobre o perigo racial-biológico da homossexualidade) que não titubeamos em extirpar essa peste com a própria morte, mesmo entre em nós", quando esse perigo invadiu também a Alemanha.

Hitler, até hoje se especula sobre a sua suposta homossexualidade, mas nada foi provado.

Ao centro, o Ernest Hoehm que vivia abertamente a sua homossexualidade e incomodava o Partido Nazista.

Em 26 de janeiro de 1938, o mesmo argumento foi repetido por Goebbels, Ministro da Propaganda, ao fazer seu primeiro ataque declarado à igreja católica, acusando-a sobretudo de imoralidade. Dizendo que os membros do clero e dirigentes das organizações juvenis católicas deveriam, se capazes, adotar a "Ordem" nacional-socialista, Goebbels afirmou: "Quando, em 1934, certas pessoas pretenderam fazer no Partido o que se faz nos conventos e entre os padres, carregando essa imoralidade para nosso meio, nós as eliminamos. Devemos ser sumamente gratos Fuhrer, que nos livrou dessa peste".

Roehm, o Homossexual poderoso e valente que foi assassinado por atrapalhar os planos de Hitler.

  Mas é bastante provável que Hitler jamais teria considerado seu lugar-tenente Roehm como um monstro degenerado se este não tivesse insistido demais nas idéias radicais que todos conhecemos; acontece que sua S.A. andava pregando a necessidade de uma segunda revolução para arrasar com os capitalistas (que, em troca, cortejavam Hitler) e com o exército (que a S.A. queria substituir, contra a opinião do Fuhrer); afinal, os militares eram importantes para a constituição de uma poderosa Wermacht almejada por Hitler.

Além do mais, a milícia "privada" de Roehm passara de 300 mil homens em 1932 para cerca de 3 milhões em dezembro de 1933 e tinha sido um fator decisivo na escalada de Hitler ao poder. Roehm era um dos poucos, ou melhor, o único que podia chamar o Fuhrer de "você". E, quando alguém lhe chamava a atenção para o comportamento homossexual de seu lugar-tenente, o Fuhrer respondia com justificativas do tipo: "Ah, isso acontece sempre que as pessoas ficam muito entre os militares. Tornam-se tão idiotas quanto eles. É só colocar Ernst Roehm no seu ambiente adequado e então tudo isso acabará".

Quando finalmente Roehm foi acusado, em 1934, com base no Artigo 175 do Código Penal Alemão (que punia os atos de natureza homossexual), o partido nacional-socialista não teve qualquer reação negativa: ao contrário: um indivíduo que procurou tirar proveito de uma antiga relação com Roehm foi assassinado pelas S.S.; enquanto Roehm era defendido e protegido por Heydrich. Mais tarde, a 30 de janeiro de 1939, ao falar sobre a purificação moral e a saúde biológica relativamente ao caso Roehm, Hitler disse: "Há cinco anos atrás, houve alguns membros do partido que se mancharam de culpa infame e foram fuzilados por esse crime". O caso Roehm foi de máxima importância na história do Terceiro Reich: serviu de modelo e inspiração permanente para a luta contra os inimigos do regime ou adversários pessoais.

Herschel Grynszpan, jovem judeu que matou Ernst von Rath em Paris (1938), dando aos nazistas uma boa desculpa para a “Noite de Cristal”, onde foram mortos 35 mil judeus é descrito como prostituto homossexual que sabia demais, “detalhe” que foi usado pelo advogado de defesa, com sucesso, para adiar indefinidamente seu julgamento por homicídio.

O Artigo 175 foi introduzido na legislação penal alemã no ano de 1871, para punir o "comportamento homossexual entre homens". O grande estudioso e humanista Magnus Hirschfeld lutou contra ele por muito tempo, defendendo os direitos dos homossexuais através do Comitê Científico Humanitário, ao lado de Adolf Brandt, Fritz Radzuweit e alguns mais. De todo modo, esse Artigo nunca provocou muitos problemas até o momento em que os nazistas conquistaram o poder e decidiram usá-lo como arma política e de vingança pessoal. Em 1933, houve 835 pessoas condenadas a partir de sua aplicação. Em 1934, imediatamente após o caso Roehm, o número subiu para 948; e de repente as cifras enlouquecem: em 1936, foram 5.321 os condenados; em 1939, já são enviados para os campos de concentração 24.450 pessoas acusadas de atos homossexuais.

Apesar da lei vigente, as punições contra os homossexuais tinham sido bastante reduzidas, antes da guerra 1941/18. Após a guerra, o governo constituído de partidos de esquerda também não aplicava nenhuma medida repressiva, deixando aos homossexuais a liberdade de se juntarem e se organizarem um pouco em seus bares, clubes, saunas ou através de suas revistas. Finalmente, a 16 de outubro de 1929, a Comissão Penal de Reichstag pronunciou-se a favor de uma eventual supressão do Artigo 175. Referindo-se a essa decisão, o futuro Ministro da Justiça, Frank, falou a 10 de dezembro do ano seguinte, para definir como imoral "essa tolerância que se pretende impingir a todo o povo alemão".

Apesar disso, os próprios nazistas, que tinham muitos homossexuais em suas fileiras, não apresentaram nenhuma iniciativa mais radical, nos primeiros anos de existência do seu partido. As premissas ideológicas para uma repressão com "meios mais sofisticados" foram dadas pelo jurista Rudolf Klare, especialista do Partido Nazista para assuntos relativos ao homossexualismo; de fato, em seu livro Homossexualidade e Direito Penal, Klare propunha um reforço das punições contra "esses indivíduos" que constituem maior perigo para "o povo, o Estado e a raça"; e sugeria a criação de reformatórios para as lésbicas. Referia-se também a uma "purificação completa", através do extermínio necessário de homossexuais - afirmava que "os degenerados devem ser eliminados para manter a raça pura". Parece interessante constatar que o livro em questão foi dedicado ao professor Dr. Erich Schwinge, a quem se deve "o mérito desta colaboração verdadeiramente fraterna entre professor e discípulo, sem a qual esta obra não poderia ser realizada num espaço de tempo tão breve. Eu lhe agradeço muito por isso". Atualmente, o Dr. Erich Schwinge é professor de Direito Público em Marburg.

Já com uma cobertura ideológica, a via legal para a repressão foi aberta no dia 1º de setembro de 1935. Na primavera desse ano, a Comissão Penal Alemã - à qual pertenciam dois juristas nazistas como Freisler e Thiersak - expusera com prudência sua opinião negativa sobre o eventual endurecimento na interpretação e aplicação do Artigo 175; um de seus membros mais competentes, Erich von Spach, recomendou: "O legislador deve manter a moderação num campo onde grandes investigações podem provocar grandes prejuízos". Mas na reunião do Partido em Nuremberg Goering tocou no problema pedindo "a defesa e proteção do sangue e da honra alemã; enquanto isso, Hitler mostrou-se favorável ao endurecimento do Artigo 175. Schaufler, Diretor-Geral do Ministério da Justiça enchia-se de alegria: "Foi preenchida uma séria lacuna".

Passados 26 anos do final da guerra e da abertura dos campos de concentração ainda não se estabeleceu o número exato de vítimas. Quanto aos homossexuais, poucos sobreviventes (e muito raramente) apareceram para reclamar indenizações, pagamentos ou reabilitações, inclusive porque até poucos anos atrás estavam ainda ameaçados pela vigência do Artigo 175, dependurado como uma espada de Dámocles sobre suas cabeças. Assim, a cifra oficial fala de 50.000 a 80.000 vítimas, mas provavelmente está muito longe da realidade que, como se pode imaginar, parece ser muito mais trágica.

(É preciso lembrar, por outro lado, que muitos dos condenados com base nesse Artigo não eram homossexuais, mas simplesmente opositores do regime ou inimigos pessoais dos poderosos, cabendo-lhes, portanto, a acusação considerada mais degradante).

Depois de julgados e condenados, os violadores do Artigo 175 passavam para as mãos da Gestapo (a polícia secreta do Estado) e eram enviados aos campos de concentração: Auschwitz, Dachau, Neuengame, Ravensbruek, Sachsenhausen, Natsweiler, Bergen-Belsen, Fuehlsbuettel, Fosenberg e outros mais: aí eram freqüentemente castrados e mandados para os trabalhos mais repugnantes e mais pesados que acabavam acelerando seu fim: ou então tornavam-se bode expiatório para os demais companheiros de prisão, que os maltratavam e violentavam.

Não existem muitos documentos sobre o tema, especialmente pela compreensível aversão dos homossexuais em tornar pública uma perseguição que a sociedade ainda pretende justificar e perpetuar; além disso, muitos historiadores manifestaram indiferença ante o tema, por associarem os homossexuais com delinqüentes "comuns", e reservaram todo seu interesse para os presos políticos (2 milhões de vítimas), ou para os judeus (os mais duramente atingidos: 6 milhões de mortos). Outros motivos dessa ausência de dados: o método usado pelos responsáveis dos campos de concentração para esconder seus crimes e, talvez mais importante do que todos os outros, o fato de que só sobreviveram muito poucos condenados, que poderiam contar os acontecimentos com mais precisão.

Em todo caso, apesar do esquecimento a respeito, existem raros e espantosos testemunhos. Eugen Kogon, em seu livro O Estados S.S., diz apenas: "Sobre o destino reservado (aos homossexuais), só se pode dizer que foi terrível: estão quase todos mortos".

O médico e escritor Classen Neudegg publicou uma série de artigos no jornal de Hamburgo, Humanistas; aí ele fala de muitos casos de que soube ou que viu diretamente: "Os homossexuais já tinham sido torturados e morriam lentamente de fome ou por excesso de trabalho, tudo com uma crueldade inimaginável (...). Então a porta da residência do Comandante se abre e um oficial do nosso grupo anuncia: "300 imorais serão reunidos por ordem". Fomos registrados e então percebemos que nosso grupo iria ser isolado numa companhia de punições mais rigorosas; soubemos também que no dia seguinte seríamos levados para uma grande fábrica de tijolos, para trabalhos forçados. A fama dessa fábrica em liquidar com as pessoas era absolutamente terrível". (A S.S. considerava o trabalho nas fábricas de tijolos como um terceiro grau de onde não se saía com vida; Kogon chama-as de "trituradoras"). Von Neudegg conta até mesmo sobre as experiências com fósforo em pessoas vivas - o que lhes provocava dores impossíveis de traduzir em palavras".

Nesses campos de concentração, os homossexuais eram marcados com um triângulo rosa sobre a manga ou sobre o peito, o que servia para distingüi-los dos presos políticos (triângulo vermelho), dos ladrões (verde), dos testemunhas de jeová (violeta), dos ciganos (marrom), dos judeus (amarelo) e dos criminosos (negro). Conforme relato de uma testemunha no livro de Wolfang Harthauser O grande tabu, somente no período de sua permanência em Sachsenhausen, foram eliminados a sangue frio de 300 a 400 homossexuais, mortos em conseqüência dos trabalhos forçados ou porque chegavam com os ossos dos braços e pernas quebrados. Apenas no campo número cinco de Neusustrum, um terço dos prisioneiros era composto de homossexuais. Num processo contra um guarda acusado de outros cem homicídios, foi constatado que esse homem era especialista em lançar potentes jatos de água gelada contra o preso, até levá-lo à morte. Conta-se aí que suas vítimas preferidas eram os judeus e os homossexuais.

 

Holocausto gay

Até hoje as indenizações às famílias das vítimas do holocausto guei não foram efetivadas, apesar da pressão da ONU pelo ressarcimento dos homossexuais perseguidos pelo III Reich. O problema está no acordo ratificado pelos bancos e com o próprio responsável, o governo alemão, que criou diversos empecilhos financeiros. Cerca de 15 mil gueis condenados e mortos pela hegemonia da raça ariana não têm direito nem mesmo a um memorial na capital. Recentemente o ex-prefeito de Berlim, Eberhad Diepgen, negou a grupos ativistas e famílias a construção de um monumento aos gueis.

Tudo começou em 8 de março de 1933 quando foram instituídos os primeiros campos de concentração. Berlim, considerada a capital dos movimentos humanistas e da liberdade homossexual, tornou-se palco de uma guerra homofóbica e particular. Os pontos de encontro e os cabarés foram invadidos pelos soldados da Gestapo com suas armas e licenciados pelo recém-instituído Paragrafo 175 da lei. Homossexuais e lésbicas foram arrastados aos campos de concentração onde nem ao menos eram julgados pela justiça, mas sim pelo órgão administrativo da seção. Os que tinham alguma influência ou "sobrenome" eram designados para a detenção ou deportação, mas os outros eram liquidados nos campos. Às lésbicas eram feitas algumas concessões em virtude de sua natureza como genitoras.

Em 1943, Henrich Himmler autorizou a prática da castração dos deportados homossexuais, quando um grande número de pessoas morreu durante a intervenção cirúrgica. Os homossexuais sobreviventes eram designados para as tarefas mais duras em campos de trabalho forçado. Em 1944, os primeiros campos são dominados pelos aliados, e os homossexuais que sobreviveram ainda tinham medo de declarar o motivo de sua deportação por conta dos empecilhos sociais, familiares e de trabalho que viriam em seguida a um testemunho desta natureza. Para muitos deles, o retorno à liberdade significava uma auto-censura diante de uma legislação hostil ainda, período em que a grande maioria se exilou no anonimato. Tudo por culpa da ausência de uma lei que reconhecesse a perseguição por orientação sexual, pela fragilidade dos movimentos ativistas gueis nos anos 70, e pela própria sociedade, inclusive intelectuais, que escamoteavam uma realidade à qual preferiam fechar os olhos. Porém uma realidade que estava estampada na memória coletiva.

Em 1982, na França, Pierre Seell, diante de uma nova coação homofóbica, decide romper o silêncio e revela todo o tipo de sofrimento que passou nos campos. Um austríaco, Heiz Heger, depõe em seu livro toda a verdade chocante que se passava por trás dos muros de concentração. Meses depois, Martin Shermann, judeu e guei,  apresenta uma peça onde aborda pela primeira vez o holocausto guei no teatro. De Londres, a peça foi para Paris e para a  Broadway, onde o mundo conheceria a verdade atrás da iconografia oficial dos nazistas.

Infelizmente, graças a esta abertura dos primeiros deportados gueis, a coragem e a atitude das próximas gerações do holocausto nazista, hoje sabemos que foram 90 a 100 mil gueis e lésbicas presos entre 1933 e 1945, de 10 a 15 mil somente no apogeu do nazismo. Sem falar dos outros esquecidos como os masons, dos doentes, dos miseráveis, dos fiéis da Testemunhas de Jeová...

Gays e desertores condenados pelo nazismo serão reabilitados***
da Deutsche Welle, em Berlim

A nova lei da coalizão de social-democratas e verdes, anulando todas as sentenças nazistas promulgadas contra homossexuais e desertores, entrará em vigor antes de meados deste ano. A informação foi divulgada hoje, em Berlim, pelos deputados Alfred Hartenbach (SPD) e Volker Beck (Partido Verde).

Esta lei irá substituir a legislação de 1998, que previa a suspensão das sentenças mas exigia a apresentação de provas para cada caso individual. Hartenbach afirmou que, passados 57 anos depois da Segunda Guerra Mundial, já era hora de acabar com este "procedimento indigno" e estender a mão aos que sofreram injustamente.

Segundo as estimativas, durante o regime nazista foram promulgadas cerca de 500 mil condenações por motivos políticos, militares, religiosos, racistas e ideológicos. Os tribunais militares condenaram à morte mais de 30 mil desertores da Wehrmacht, o Exército de Hitler.

Cerca de 50 mil homens foram presos e torturados por homossexualismo na Alemanha nazista, sendo que 15 mil foram arrastados aos campos de concentração. O parágrafo 175 da lei do Terceiro Reich previa pena de até dez anos de prisão e reeducação para os gays. As lésbicas não foram perseguidas. Hoje restam apenas 300 sobreviventes.

Os políticos alemães negaram-se, durante décadas, a promover a reabilitação dessas vítimas. Em 1998, por exemplo, o governo da coalizão CDU/CSU e Partido Liberal impediu a aprovação de um projeto de lei para suspender todas a penas contra os homossexuais.

Em dezembro de 2000, finalmente, o Parlamento Federal decidiu por unanimidade reabilitar essas vítimas, lamentando também na sua decisão que o parágrafo 175 da lei nazista - que legitimava a perseguição de gays - tivesse vigorado na Alemanha até 1969.

* Artigo publicado pela primeira vez em 1972, no Boletim de Cidams, 3. Posteriormente, várias revistas e jornais do mundo inteiro reproduziram-no, sobretudo na Itália, Suíça, França e Argentina. A versão aqui reproduzida foi publicada no site do grupo Nuances de Porta Alegre.
** Artigo extraído do site glsplanet.com em 04 de julho de 2001.
*** deutsche welle, berlim. publicado em 01 de fevereiro

Homossexuais na Alemanha Nazi

Os homossexuais constituíam um dos grupos perseguidos pelo regime nazi. Antes do Terceiro Reich, Berlim era considerada uma cidade liberal, com bares e cabarés frequentados pela comunidade homossexual. Magnus Hirschfeld tinha começado aí, um movimento pelos direitos dos homossexuais durante o virar do século. Contudo, estes movimentos foram duramente reprimidos pelo Partido Nazi.
A ideologia nazi sustentava que a homossexualidade era incompatível com o Nacional Socialismo, já que não permitia a reprodução, necessária para perpeturar a raça superior. Da mesma forma, a masturbação era considerada perniciosa pelo Reich.

Ernst Röhm, líder da Sturmabteilung, a primeira milícia do Partido Nazi, um dos homens de confiança de Hitler que o ajudou a ascender ao poder, era homossexual e foi assassinado em 1934 na Noite das Facas Longas. O mesmo se passava com outros líderes, como Edmund Heines.

Hitler protegeu, inicialmente, Röhm de outros elementos do Partido Nazi que consideravam a sua homossexualidade como uma violação grave da política fortemente homofóbica do partido. Hitler, mais tarde, ao considerar que esta podia ser, de facto, uma ameaça à consolidação do partido no poder, autorizou a sua execução na chamada Noite das facas longas. Durante o holocausto, a perseguição continuou, tendo muitos sido enviados para campos de concentração. As estimativas sobre o número de homossexuais mortos nos campos varia muito, entre 5 e 15 mil, consoante os autores consultados.
O sofrimento dos homossexuais não terminou depois do fim da guerra, uma vez que as leis anti-homossexuais dos Nazis não foram suprimidas, tal como aconteceu com as leis anti-semíticas, por exemplo. Alguns homossexuais foram obrigados a terminar a pena a que estavam condenados pelo Governo Militar Aliado do pós-guerra na Alemanha. Outros, ao regressar a casa e aos seus países de origem tiveram que manter o silêncio sobre o seu sofrimento, por medo de discriminação, pois as chamadas leis sobre a sodomia só acabariam por cair na Europa Ocidental nos anos 1960 e 1970.

O Programa Lebensborn cuidava para que o ariano sadio tivesse a sua descendência assegurada. Mulheres eram incentivadas a ter filhos com esses homens que representavam a raça pura do Reich de mil anos.

Depois da Primeira Guerra Mundial, no período da história alemão conhecido como a República de Weimar, a homossexualidade masculina na Alemanha, particularmente em Berlim, gozavam de maior liberdade e aceitação do que em qualquer outra parte do mundo. Contudo, a partir da tomada de poder por Hitler, os gays e, em menor grau, as lésbicas, passaram a ser dois de entre vários grupos sociais a serem atacados pelo Partido Nazi, acabando por ser também vítimas do Holocausto.
A partir de 1933, as organizações gays foram banidas, livros académicos sobre homossexualidade e, mais genericamente, sobre sexualidade humana, foram queimados, e alguns homossexuais do Partido Nazi foram assassinados. A Gestapo compilou listas de nomes de homossexuais, que foram obrigados a adaptar-se à norma sexual Nazi.

Estima-se que em 1928 existiam cerca de 1,2 milhões de homossexuais na Alemanha. Entre 1933 e 1945, mais de 100 mil homens foram registados pela polícia como homossexuais (as "Listas Rosa"), e destes, aproximadamente 50 mil foram oficialmente condenados. A maior parte destes homens foi aprisionado e entre 5 a 15 mil enviados para campos de concentração. O investigador Ruediger Lautman acredita que a taxa de mortalidade de homossexuais presos em campos de concentração poderá ter atingido os 60%, pois os homossexuais presos nesses "campos da morte" para além de serem tratados de forma extraordinariamente cruel pelos guardas, eram também perseguidos pelos outros prisioneiros.

Depois da guerra, o sofrimento dos homossexuais nos campos de concentração nazi não foi reconhecido em muitos países, tendo algumas potências aliadas recusado a libertação ou repatriação destes homens. Alguns dos que ficaram presos, escaparam e foram de novo presos, baseados em factos ocorridos durante no período nazi. Apenas nos anos 1980 começaram a surgir governos a reconhecer os homossexuais como vítimas do Holocausto, e apenas em 2002 o governo alemão pediu formalmente desculpa à comunidade gay.


Este período da história mantém-se, contudo, rodeado em controvérsia. Em 2005, o Parlamento Europeu adoptou uma resolução relacionada com o Holocausto em que a perseguição nazi aos homossexuais não foi referida.


Antes do Terceiro Reich, Berlim era considerada uma cidade liberal, com numerosos cabarés, clubes nocturnos e bares gays, onde berlinenses e turistas (gays ou não) se divertiam com espectáculos de travesti. Hitler, no seu livro Mein Kampf, denunciou estes costumes como prostituição, sífilis e degeneração cultural, responsabilizando parcialmente os judeus.
Por essa época, Berlim era sede das organizações LGBT mais dinâmicas e activas do mundo. O médico judeu Magnus Hirschfeld fundou em 1897, com Eduard Oberg, Max Spohr e Franz Josef von Bülow, o Comité Científico Humanitário (Wissenschaftlich-humanitäre Komitee), com o objectivo de lutar contra o Parágrafo 175 que ilegalizava as relações sexuais entre homens e de obter o reconhecimento para os homossexuais e transgêneros, que é considerada a primeira organização pública de defesa dos direitos dos gays.
Estes progressos da comunidade gay foram rapidamente eliminados com a chegada ao poder do Partido Nazi de Hitler.

O nazismo declarou a sua incompatibilidade com a homossexualidade pois os gays não se reproduziam e, logo, não perpetuavam a raça ariana. Pelas mesmas razões, a masturbação foi também considerada prejudicial ao Reich, mas seria apenas ligeiramente reprimida. Os nazis temiam ainda o "contágio" gay.
Hitler acreditava que a homossexualidade era um "comportamento degenerativo" que ameaçava a capacidade do estado e o "carácter masculino" da nação. Os homens gays eram denunciados como "inimigos do estado" e acusados de "corromper" a moral pública e ameaçar o crescimento populacional alemão.
Os líderes nazis, como Himmler, consideravam também que os homossexuais eram uma raça à parte e promoveram experiências médicas que tentavam encontrar alguma deficiência hereditária que muitos membros do partido julgavam ser a causa da homossexualidade. Enquanto muitos líderes nazis defendiam que os homossexuais deviam ser exterminados, outros pretendiam legislação que banisse sexo entre homens ou entre mulheres.
Ernst Röhm, o chefe da SA que Hitler considerava uma ameaça potencial, manteve a sua homossexualidade oculta até que em 1925 um jornal do Partido Social Democrático da Alemanha publicou um conjunto das suas cartas de amor para outros homens. A partir dessa altura, Röhm deixou de esconder a sua sexualidade (tal como Edmund Heines e outros líderes da SA), aderindo mesmo à Liga dos Direitos Humanos, a maior organização alemã de direitos dos homossexuais.

Os judeus alemães tiveram papel proeminente nos movimentos pelos direitos dos gays na Alemanha. A comunidade de artistas e realizadores de cinema judeus na Alemanha tinha, nessa época, uma grande concentração de homossexuais. Os judeus alemães, como Magnus Hirschfeld, foram duramente criticados. Foram demonizados pelas suas ideias controversas que eram chocantes para muita gente na Europa. Apesar de não estar envolvido nos debates em curso na Alemanha, Sigmund Freud, um judeu austríaco, também foi acusado pelos nazis devido às suas ideias controversas sobre sexualidade, particularmente sobre alguns dos seus conceitos incestuosos como o complexo de Édipo ou o complexo de Electra.

Em 10 de maio de 1933, em Berlim, nazistas queimaram obras de autores de origem judaica, a biblioteca do Institut für Sexualwissenschaft, e outras obras consideradas "não-alemãs".
Em finais de fevereiro de 1933, à medida que a influência moderadora de Ernst Röhm enfraquecia, o Partido Nazista lançou uma expurgo dos clubes homossexuais (gays, lésbicas e bissexuais, nessa altura conhecidos como "homófilos") de Berlim, ilegalizou as publicações de conteúdo sexual e baniu as organizações gays. Em consequência, muita gente abandonou a Alemanha (incluindo, por exemplo, Erika Mann). Em março de 1933, o principal administrador do Institut für Sexualwissenschaft (Instituto para o Estudo da Sexualidade), Kurt Hiller, foi internado num campo de concentração.

A 6 de maio de 1933, a Deutsche Studentenschaft organizou um ataque ao Instituto. Alguns dias depois a biblioteca e os arquivos do Instituto foram levados e publicamente queimados em Opernplatz ("Praça da Ópera", em Berlim). Cerca de 20 mil livros e revistas científicas, 5 mil fotografias e imagens, foram destruídos. Os nomes e endereços dos ficheiros do Instituto foram, também por essa altura, confiscados. Joseph Goebbels aproveitou a ocasião para, perto da fogueira, fazer um discurso político para uma multidão de 40 mil pessoas. Os líderes da Deutsche Studentenschaft proclamaram os seus Feuersprüche (decretos de fogo, "contra o espírito antialemão"), que levaram a que os livros de autores Judeus, mas também os livros antimilitaristas (como os de Erich Maria Remarque), fossem retirados das livrarias públicas e da Universidade de Humboldt para serem também queimados. O activista radical Adolf Brand foi dos poucos que não abandonou o país, mantendo-se corajosamente na Alemanha por mais cinco meses, após a queima dos livros. No entanto, a perseguição que lhe foi movida acabou por levá-lo de vencida e, em novembro de 1933, foi forçado a anunciar o fim dos movimentos organizados de emancipação sexual na Alemanha.

Na noite de 29 de junho de 1934, Hitler promoveu a Noite das Facas Longas, participando pessoalmente na prisão de Ernst Röhm, o líder da SA ("camisas pardas") que posteriormente seria assassinado conjuntamente com dezenas de outros oficiais. A homossexualidade de Röhm e dos seus oficiais foi utilizada por Hitler para aplacar a fúria que se apoderou das fileiras da SA. A esta purga seguir-se-ia o endurecimento da legislação contra a homossexualidade e a prisão de homossexuais com auxílio, ao que parece, da lista de nomes obtida no Instituto. Muitos milhares de prisioneiros acabaram em campos de concentração; outros, como John Henry Mackay, suicidaram-se.
Heinrich Himmler, que tinha inicialmente apoiado Röhm com o argumento que as acusações de homossexualidade contra ele eram maquinações judias, tornou-se muito activo na repressão aos homossexuais. Declarou: "Temos que exterminar esta gente pela raíz (...); os homossexuais têm de ser eliminados[2]."
Pouco depois da purga de 1934, uma divisão especial da Gestapo foi instruída para compilar uma lista de homens gays. Em 1936, Heinrich Himmler, chefe da SS, criou o "Gabinete Central do Reich para o Combate à Homossexualidade e ao Aborto."

Inicialmente os homens gays não tiveram o mesmo tratamento que os judeus; a Alemanha Nazi incluía os gays alemães como parte da raça ariana pura e tentou forçá-los à conformidade sexual e social. Os homens gays que não conseguissem ou não quisessem fingir uma mudança de orientação sexual eram enviados para campos de concentração ao abrigo da campanha de Arbeit macht Frei ("Libertação pelo Trabalho)."

Mais de um milhão de gays alemães foram identificados, dos quais cerca de 100 mil foram acusados e 50 mil condenados a penas de prisão por homossexualidade[3]. Centenas de homens gays que viveram sob ocupação nazi foram castrados por ordem dos tribunais[4].

Muitos dos perseguidos ao abrigo dessas leis nunca se identificaram como gays. De facto, tais leias "anti-homossexuais" mantiveram-se depois da guerra por todo o mundo ocidental até aos anos 1960 e 1970, de tal forma que muitos gays nunca se sentiram confortáveis para contar suas histórias de sofrimento à mão dos Nazis até aos anos 1970, quando a maioria dos países suprimiu as leis relacionadas com a sodomia.
As estimativas variam fortemente quanto ao número de homens gays que morreram nos campos de concentração durante o Holocausto, situando-se entre os 5 e os 15 mil. Os números mais elevados incluem gays que eram judeus e/ou comunistas. Os registos referentes às razões do internamento em muitos casos não existem, tornando difícil estimar com precisão quantos homens gays pereceram nos campos da morte (ver triângulo rosa).

Os homens gays sofreram tratamentos invulgarmente cruéis nos campos de concentração. Além de serem agredidos pelos guardas alemães, eram perseguidos muitas vezes também pelos outros prisioneiros. Sob a política Arbeit macht frei ("Libertação pelo Trabalho") nos campos de trabalhos forçados, recebiam regularmente os trabalhos mais pesados ou perigosos. Os soldados da SS utilizaram muitas vezes o triângulo rosa, que os homens gays eram obrigados a usar, como alvo para prática de tiro.

Esse tratamento cruel pode ser atribuído tanto às opiniões dos guardas da SS como às atitudes homofóbicas generalizadas na sociedade alemã da época. A marginalização dos gays na Alemanha reflectia-se nos campos de concentração. Muitos foram espancados até a morte por outros prisoneiros. Outros morreram às mãos de médicos nazis em experiências "científicas" destinadas a localizar o "gene gay" de forma a encontrar "curas" para as futuras crianças arianas que fossem gays.

Pierre Seel, um sobrevivente francês gay do Holocausto, teve a coragem de contar as suas experiências sob controlo Nazi. Quando estes subiram ao poder e ocuparam a sua cidade natal, Mulhouse, na Alsácia-Lorena, o seu nome constava de uma lista de gays e ele foi mandado apresentar na esquadra da polícia. Obedeceu para proteger a sua família de possíveis retaliações. Ao chegar à esquadra, ele e outros homens gays foram espancados. A alguns, que tentaram resistir, foram-lhe arrancadas as unhas. Outros foram violados com réguas de madeira partidas e tiveram os intestinos perfurados, causando graves hemorragias. Depois de ser preso, foi enviado para o campo de concentração de Schirmeck, onde foi forçado a assistir, conjuntamente com os outros prisioneiros em formatura, à execução do seu jovem namorado de Mulhouse que tinha apenas dezoito anos. Steel conta que os guardas o despiram completamente, enfiaram-lhe um balde de metal na cabeça e atiçaram os seus cães pastores alemães, que o morderam até a morte.
Esses tratamentos cruéis explicam a alta taxa de mortalidade dos homens gays nos campos de concentração quando comparada com a de outros "grupos anti-sociais". Um estudo de Ruediger Lautmann concluiu que 60% dos homens gays internados em campos de concentração não sobreviveram, comparado com 41% dos prisioneiros políticos e 35% de Testemunhas de Jeová. O estudo refere também que as taxas de sobrevivência de homens gays foram ligeiramente maiores para os que eram originários das classes média ou alta ou para os que eram bissexuais casados e com filhos.

Os prisioneiros homossexuais dos campos de concentração não foram considerados vítimas de perseguição Nazi a seguir à guerra[5]. As indemnizações e pensões sociais atribuídas a outros grupos de prisioneiros foram negadas aos gays, que continuavam a ser considerados criminosos — as leis antigay nazis apenas foram banidas em 1994, embora tanto a Alemanha Ocidental como a Alemanha Oriental tenham liberalizado as suas leis criminais contra a homossexualidade entre adultos nos finais dos anos 1960.
Os sobreviventes gays do Holocausto podiam ser re-encarcerados por "ofensas repetidas", e foram mantidos nas listas de "criminosos sexuais". Sob o Governo Militar Aliado da Alemanha, a seguir ao final da Guerra, alguns homossexuais foram forçados a cumprir as suas penas de prisão até o fim, independentemente do tempo passado em campos de concentração.

As políticas antigay dos nazis e a sua destruição dos primeiros movimentos pelos direitos dos gays não foram considerados objectos dignos de estudo pelos historiadores e académicos que se debruçaram sobre o Holocausto. Apenas nos aos 1970 e 1980 começaram a surgir algumas abordagens ao tema, com sobreviventes do Holocausto a publicar as suas memórias, peças de teatro como Bent, pesquisa académica e documentários sobre a homofobia Nazi e a destruição das organizações pelos direitos dos gays.
Em 2005, o Parlamento Europeu assinalou o 60.º aniversário da libertação do campo de concentração de Auschwitz-Birkenau com um minuto de silêncio e a aprovação de uma resolução que incluía o seguinte texto:
...27 de Janeiro de 2005, o sexagésimo aniversário da libertação do campo de morte de Auschwitz-Birkenau na Alemanha Nazi, onde um total de até 1,5 milhões de judeus, ciganos, polacos, russos e prisioneiros de outras nacionalidades, e homossexuais, foram assassinados, é não só uma ocasião suprema para que os cidadãos europeus relembrem e condenem o enorme horror e tragédia do Holocausto, mas também para salientar o perturbador aumento de anti-semitismo, e especialmente de incidentes anti-semitas na Europa, e para aprender de novo as abrangentes lições sobre os perigos de discriminar pessoas com base na raça, na etnia, na religião, na posição social, nas opções políticas ou na orientação sexual,... Em 6 de maio de 2008, uma rua de Berlim receberá o nome de Magnus Hirschfeld, precisamente na margem oposta do rio Spree, onde se situava o Instituto para o Estudo da Sexualidade. É a data do 75.º aniversário da destruição do Instituto, em 1933. E a 27 de maio de 2008 deverá ser inaugurado oficialmente o memorial de Berlim aos homossexuais perseguidos durante o período Nazi.

O triângulo rosa (Alemão: rosa Winkel) foi um dos símbolos usados nos campos de concentração nazistas. Indicava quais homens haviam sido capturados por práticas homossexuais. Todos os capturados pelos nazistas recebiam algum emblema em suas roupas. Judeus recebiam um emblema amarelo e mulheres tidas como "anti-sociais" (inclusive, mas não apenas lésbicas), o triângulo preto. É portanto, o símbolo mais antigo existente que representa a comunidade homossexual.[1][2]

O triângulo rosa de-ponta-cabeça passa a ser um dos símbolos de movimentos internacionais favoráveis às minorias sexuais, sendo, no entanto, um pouco menos popular que a bandeira arco-íris.
Parágrafo 175

O Parágrafo 175, conhecido formalmente como §175 StGB e também como "Section 175" na língua inglesa, foi uma medida do Código Criminal Germânico em vigor de 15 de maio de 1871 a 10 de março de 1994. O Parágrafo 175 considerava as relações homossexuais como crime, sendo que nas primeiras edições também criminalizava as relações sexuais humanas com animais, conhecidas como bestialidade.

Esta senhora alemã da foto aí em cima é charlotte von mahlsdorf. Ela nasceu em 1928 com o nome de lothar berfelde, na cidade de mahlsdorf, que lhe serve de sobrenome, e faleceu em 2002.
charlotte era travesti e sem abrir mão do desejo de ser mulher resistiu ao nazismo.
habitualmente, charlotte usava colares de pérolas com os quais sempre foi fotografada.
charlotte escreveu i am my own wife [sou minha própria esposa]

O dispositivo legal sofreu várias emendas ao longo do tempo. Quando os nazistas assumiram o poder em 1935, as condenações através do Parágrafo 175 aumentaram na ordem de magnitude de 10 vezes. Milhares de pessoas morreram nos campos de concentração, independentemente da culpa ou inocência relativas às suas práticas sexuais. Após o fim da Segunda Grande Guerra, a Alemanha foi dividida, e o Muro de Berlim foi a expressão concreta dessa divisão. A Alemanha Oriental (comunista) em 1950 e a Alemanha Ocidental (capitalista), em 1969, revogaram alguns dispositivos do Parágrafo 175. A rigidez do parágrafo em questão foi atenuada em 1973 e finalmente revogada em 1994, com a reunificação da Alemanha.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

...spin

 

 

Eu sei porque ele repetiu.

 

http://4.bp.blogspot.com/_PCDKaAWSC6A/S9gK5xTqojI/AAAAAAAAAjU/IwCaHBdZbyw/s1600/nazi_ratzinger.jpg

Na foto o Papa Pio XII com Hitler, e ai ao lado o futuro Papa, Bento 16, que naquela época integrava a juventude Hitlerista. Até que ponto a doutrina nazi terá entortado a cabeça do futuro Papa. Mas é importante ressaltar que ele(o futuro Papa) foi obrigado a integrar a Juventude Hitlerista e o mesmo não fazia parte do partido da nazista nem era adepto da sua doutrina, só estou comentando isso por questão de curiosidade.

 

 

...spin

 

 

O bonél do papapio, Hitler não usou. Talvez nao tenha tido tempo.

 

Note como Hitler olha para Pio XII. Hitler gostava de umas capas diferentes, pareciam mantos. Acho que ele deve ter tomado o modelito das roupas do papapio para confeccionar os dele.

 

Gostaria de salientar que o escritor russo Maximo Gorki, citado lá no início do texto era comunista e amigo pessoal do Lênin.

 

Veja que horror

 

O texto aplica a prática corrente da equiparação do "comunismo" com o nazismo. Para falar do nazismo, é indispensável fazer também a menção ao "comunismo".

Não menciona o texto que, na época, na maioria dos países havia legislação anti-homossexual. Oscar Wilde foi punido por tal "crime" na civilizada Grã-Bretanha.

Até 2003, vários Estados americanos tinham, nos seus estatutos, o crime de sodomia:

http://en.wikipedia.org/wiki/Sodomy_laws_in_the_United_States

(No mapa, os Estados em vermelho. Não aboliram por livre e espontânea vontade de seus legisladores, mas por uma decisão da Suprema Corte.)

Naturalmente, os comunistas, em seus piores momentos, também manifestavam os preconceitos de sua época.

O que o texto não diz é que, após a Revolução de 1917, os novos Códigos Penais de 1922 e 1926 NÃO INCLUÍAM o dispositivo que criminalizava o homossexualismo, como prescrevia o artigo 995 do Código Penal czarista de 1932. Nisso, o novo regime socialista (como em outras áreas) inovava a nível mundial.

Nos anos 30, uma tendência conservadora em termos de costumes foi reforçada, revertendo conquistas da primeira década da revolução, não só na questão do homossexualismo, mas no enfoque ao sexo em geral e no papel da mulher (além do retorno do nacionalismo russo, culto à autoridade e outras práticas do antigo regime).

O isolamento da revolução, na URSS, e o peso da tradição estava cobrando seu preço.

No entanto, o que nunca houve, no socialismo, foi a biologização de uma suposta superioridade e noções de degeneração, como nas teorizações nazistas. É da essência do nazismo e do fascismo a hierarquização do ser humano em superiores e inferiores e a atribução disso a causas biológicas, intrínsicas ao indivíduo.

Os erros dos comunistas, por ignorância e por estarem mergulhados (como todos) na cultura da sua época, são erros passíveis de correção. Hoje, nenhum partido ou militante comunista digno do nome sustenta posições homofóbicas. O que não pode se dizer da fascistada (inclusive a que se manifesta aqui no blog).

 

Oi Morales,

"O que o texto não diz é que..."

De certo modo, o primeiro texto diz sim : "todas as conquistas sexuais libertárias da Revolução de Outubro"

Eu mesmo já comentei uma vez sobre o libertarismo dos primeiros tempos da Revolução, isso é conhecido, tanto em relação a gays mas principalmente em relação ao papel da mulher. Entre Bolsonaro de hoje e seu avatar não há problemas pra escolher. E houve uma "primavera" artística também. Não vingou, paciência.

Não se preocupe com essas associações de comunismo a nazismo. Pode até haver propaganda no meio, mas em geral a intenção é relatar totalitarismos.

E como disse Maria utt, números não são tudo. O importante é ver a disseminação do preconceito. Os anos do Macartismo também não foram lá grande coisa. O Fascismo foi um porre (mas deu origem ao meu filme favorito, Um Dia Muito Especial). A Revolução Cultural também nada simpática...

Socialistas e burgueses/religiosos são bodes expiatórios uns dos outros. Mas o que une palestinos e judeus ortodoxos no século XXI? Ambos proíbem a Parada Gay em Jerusalém.

Blz, ainda bem que não nos reproduzimos... Imagine se sim! kkk

Não dá pra colocar a Inglaterra vitoriana e de Wilde no balaio, era outra época, mas manteve várias restrições até 1971. A Alemanha Ocidental até mais tarde (e reverteu o aborto, que era permitido na Al. Or.). Se você cita Wilde, final do século XIX, para uma avaliação do entorno da 2a. Guerra, não pode também reclamar muito de estenderem o totalitarismo soviético, dos anos 30 aos 60, para antes e depois, né? E no tempo da Rainha Vitória, Marx e Engels não foram assim também os "supersimpatizantes". Smith e Ricardo foram? Supostamente não também. Keynes? Talvez, né?

E tem as diferenças qualitativas. Prender por dois anos e exilar na França é um pouco diferente do que ocorreu na 2a. Guerra...

Enfim, entre mortos e feridos não se salva ninguém. Castro se desculpou recentemente, né? Ponto pra ele. Mas na Europa apenas a Itália e os países do ex-Comecon não legalizaram a parceria civil. E a Hungria talvez venha a ser o primeiro país do mundo a deslegalizar. Então a influência reminiscente do stalinismo, misturada com o rancor católico e ortodoxo após o fim do socialismo real, foram fortes. No final os estados burgueses e protestantes da Europa Ocidental entenderam melhor o caminho da antropologia.

E depois vai por fases. Nos anos 70/80 tanto esquerda como direita flertavam com movimentos libertários. Agora o fazem com os religiosos.

Para o Brasil atual você está certo. O PSoL e o PSTU têm o melhor posicionamento. Hoje. O PV e o PT já tiveram seus dias. Mas vamos à praxis : quais governadores brasileiros, e de que partidos, sancionaram leis antihomofobia?

Há muitos outros cruzamentos pra falar, p.ex. de como a colonização levou a homofobia para a Ásia, e várias outras coisas.

Por favor, não simplique demais. Pode defender os ideais e conceitos socialistas. Pode lembrar da postura atual da maioria dos partidos, que é reconhecida. Mas não vamos reescrever a história.

 

"Se você pode sonhar, você pode fazer" - Walt Disney

Então por quê o texto começa com um nariz de cera antissoviético? A introdução não tem absolutamente nada a ver com o que se segue, está ali somente para dizer que os regimes "totalitários" se igualavam na repressão ao homossexualismo. E, o que é mais interessante, induz o leitor a pensar que a escalada homofóbica do nazismo se deu APÓS a repressão aos gays na URSS, posto que o texto, como outros leitores notaram, custa a vencer a ambiguidade da sua condenação ao nazismo.

Não vou nem enveredar aqui pela contestação ao simplismo do nivelamento do período estalinista e do nazismo como "totalitarismos" iguais em forma e inspiração. Isso é assunto para outro post. Vou ficar apenas numa constatação rasa: o texto, como descrição de um período histórico, pode ser relevante, mas politicamente é muito ruim. Os gays merecem narrativas mais condizentes com o conteúdo emancipador do combate à homofobia.

 

Oi Luiz, não brigue tanto assim com seu xará (Luiz Mott).

Por favor, já tivemos que aguentar esta semana um tópico no fórum que fala que todo "viado classe média é reacionário". Se as pessoas querem contrapor reducionismos, por que não vá lá contestar esse?

Tem imprecisão na comparação, é claro, mas há coisas a falar também do seja-lá-o-que-for do período stalinista. Isso é sair de foco. O autor tem razão em falar de repressões insidiosas, misturou um pouco, lembrou do período libertário de Lênin e pronto. Entenda broncas pessoais, do mesmo modo que nós entendemos as nossas. Não vai sair eleição disso, nem naquela época eleições eram consideradas o que nunca foram (caminho pra socialismo) e pronto. Fiquemos com as ambíguas relações gays e nazis. E o texto e só histórico mesmo, inspirado em depoimentos da Alem. Oc etc, não serve para ser político. Acho que nem quer.

Não acho que induz a isso que diz não. Ninguém acha que o nazismo foi inspirado pela URSS em nada. Por minha leitura trata-se da constatação que são efeitos paralelos e coincidentes. Como o liberalismo subir nos EEUU e Reino Unido nos anos 80, um não provocou o outro. Como os imperialismos europeus do século XIX, a força inicial é a mesma, se não fosse Inglaterra a primeira seria a França, etc.

Quanto a um texto sério colocando as diferenças entre franquismo, fascismo italiano, nazismo, stalinismo e Revolução Cultural, que sempre entram numa mesma salada, sim, é importante. Raramente os vemos. Se você puder redigir certamente (quase) todos vão apreciar.

Temos uma enorme concordância (acho e espero), além de que é necessário discursos mais condizentes : o combate à homofobia é super-emancipador. Na verdade seria emancipador mais dos héteros, que se reprimem em tanta coisa (assunto um dia para um post...) De um certo modo gays & lésbicas talvez possam até ser considerados um tanto emancipados (com todas as variantes possíveis), mas pagando a conta pesada disso.

Nas culturas latino-americanas agora a questão é reduzir essa conta.

Mudando de pato pra ganso, você e o Morales viram que a mais importante ong LGBT do Perú apoia Humala e ele aceitou? Ô bofe! kkk

Desculpa a brincadeira, mas se eu não uso óculos cor-de-rosa, também não os uso cinza. Sou assim mesmo e aproveitemos o que der pra aproveitar, né?

Abraços.

 

 

"Se você pode sonhar, você pode fazer" - Walt Disney

Conte conosco. Lutamos pela emancipação humana, caro amigo. Um abraço!

 

Maravilha, Luiz. Agradeço.

Sei que compartilhamos de um grande conjunto de valores anos em comum.

Um abraço!

 

"Se você pode sonhar, você pode fazer" - Walt Disney

Também acho, Luiz. Nariz de cera suspeitíssimo esse dado a partir da citação de Gorki.

 

O que eu achei sobre esse artigo:

"* Artigo publicado pela primeira vez em 1972, no Boletim de Cidams, 3. Posteriormente, várias revistas e jornais do mundo inteiro reproduziram-no, sobretudo na Itália, Suíça, França e Argentina. A versão aqui reproduzida foi publicada no site do grupo Nuances de Porta Alegre."

http://www.midiaindependente.org/eo/red/2002/05/27011.shtml

 

raquel_, muito interessante mesmo, ao que tudo indica outros textos foram sendo acrescentado ao original. Vou postar aqui, até mesmo como forma de salvar o texto que deu origem a este compêndio, com vc sabe, sites costumam ser excluidos, vou guardar aqui então:

De Sodoma a Auschwitz, a matança dos homossexuais*
Por Queer anti-nazi! 27/05/2002 às 16:31

 

Artigo sobre o extermínio de homossexuais durante a Alemanha nazista. Fonte: http://www.estoufelizassim.hpg.ig.com.br/index.html

 

De Sodoma a Auschwitz, a matança dos homossexuais*

Por volta de 1933, Máximo Gorki iniciou uma série de artigos sobre o "humanismo proletário", sustentando a tese de que o homossexualismo, enquanto "ruína dos jovens", era um produto típico do fascismo e que, portanto, não tinha lugar no coração do povo. Na mesma época, outros escritores e homens políticos soviéticos liderados por Kalinim iniciaram uma violentíssima campanha propagandística contra os homossexuais, juntando-os a todo tipo de criminosos sociais: os bandidos, os traidores, os espiões, contra-revolucionários e agentes do imperialismo. Essa tendência alcançou seu ponto alto em março de 1934, quando um decreto assinado pelo próprio Kalinim passou a considerar as relações íntimas entre indivíduos dos sexo masculino como puníveis com prisão de três a oito anos, conforme a gravidade daquilo que foi então taxado e enquadrado como "crime".

A tortura, castração e morte nos campos de concentraçãoGorki escreveu: "Nos países fascistas, o homossexualismo, que é a ruína dos jovens, floresce impunemente. Já existe até um ditado na Alemanha (pré-nazista): eliminem-se os homossexuais e o fascismo prevalecerá. "Entretanto, na noite de 30 de junho de 1934 (apenas três meses após a aprovação da lei soviética que enterrava, de um só golpe, todas as conquistas sexuais libertárias da Revolução de Outubro), o Comando Especial de Himmler, a S.S., invadia a hospedaria de Bad Wesses, uma estância termal onde estava reunido o Estado-Maior da S.A, e exterminava quase todos os presentes. Em poucos dias foram eliminadas outras 200 pessoas, muitas das quais pouco ou nada tinham a ver com a S.S. ou com seu chefe, Ernst Roehm. Em função disso, Hitler dizia (em seu discurso de 11 de novembro de 1936 sobre o perigo racial-biológico da homossexualidade) que não titubeamos em extirpar essa peste com a própria morte, mesmo entre em nós", quando esse perigo invadiu também a Alemanha.

Em 26 de janeiro de 1938, o mesmo argumento foi repetido por Goebbels, Ministro da Propaganda, ao fazer seu primeiro ataque declarado à igreja católica, acusando-a sobretudo de imoralidade. Dizendo que os membros do clero e dirigentes das organizações juvenis católicas deveriam, se capazes, adotar a "Ordem" nacional-socialista, Goebbels afirmou: "Quando, em 1934, certas pessoas pretenderam fazer no Partido o que se faz nos conventos e entre os padres, carregando essa imoralidade para nosso meio, nós as eliminamos. Devemos ser sumamente gratos Fuhrer, que nos livrou dessa peste".

Mas é bastante provável que Hitler jamais teria considerado seu lugar-tenente Roehm como um monstro degenerado se este não tivesse insistido demais nas idéias radicais que todos conhecemos; acontece que sua S.A. andava pregando a necessidade de uma segunda revolução para arrasar com os capitalistas (que, em troca, cortejavam Hitler) e com o exército (que a S.A. queria substituir, contra a opinião do Fuhrer); afinal, os militares eram importantes para a constituição de uma poderosa Wermacht almejada por Hitler.

Além do mais, a milícia "privada" de Roehm passara de 300 mil homens em 1932 para cerca de 3 milhões em dezembro de 1933 e tinha sido um fator decisivo na escalada de Hitler ao poder. Roehm era um dos poucos, ou melhor, o único que podia chamar o Fuhrer de "você". E, quando alguém lhe chamava a atenção para o comportamento homossexual de seu lugar-tenente, o Fuhrer respondia com justificativas do tipo: "Ah, isso acontece sempre que as pessoas ficam muito entre os militares. Tornam-se tão idiotas quanto eles. É só colocar Ernst Roehm no seu ambiente adequado e então tudo isso acabará".

Quando finalmente Roehm foi acusado, em 1934, com base no Artigo 175 do Código Penal Alemão (que punia os atos de natureza homossexual), o partido nacional-socialista não teve qualquer reação negativa: ao contrário: um indivíduo que procurou tirar proveito de uma antiga relação com Roehm foi assassinado pelas S.S.; enquanto Roehm era defendido e protegido por Heydrich. Mais tarde, a 30 de janeiro de 1939, ao falar sobre a purificação moral e a saúde biológica relativamente ao caso Roehm, Hitler disse: "Há cinco anos atrás, houve alguns membros do partido que se mancharam de culpa infame e foram fuzilados por esse crime". O caso Roehm foi de máxima importância na história do Terceiro Reich: serviu de modelo e inspiração permanente para a luta contra os inimigos do regime ou adversários pessoais.

Foto da época durante a perseguiçãoO Artigo 175 foi introduzido na legislação penal alemã no ano de 1871, para punir o "comportamento homossexual entre homens". O grande estudioso e humanista Magnus Hirschfeld lutou contra ele por muito tempo, defendendo os direitos dos homossexuais através do Comitê Científico Humanitário, ao lado de Adolf Brandt, Fritz Radzuweit e alguns mais. De todo modo, esse Artigo nunca provocou muitos problemas até o momento em que os nazistas conquistaram o poder e decidiram usá-lo como arma política e de vingança pessoal. Em 1933, houve 835 pessoas condenadas a partir de sua aplicação. Em 1934, imediatamente após o caso Roehm, o número subiu para 948; e de repente as cifras enlouquecem: em 1936, foram 5.321 os condenados; em 1939, já são enviados para os campos de concentração 24.450 pessoas acusadas de atos homossexuais.

Apesar da lei vigente, as punições contra os homossexuais tinham sido bastante reduzidas, antes da guerra 1941/18. Após a guerra, o governo constituído de partidos de esquerda também não aplicava nenhuma medida repressiva, deixando aos homossexuais a liberdade de se juntarem e se organizarem um pouco em seus bares, clubes, saunas ou através de suas revistas. Finalmente, a 16 de outubro de 1929, a Comissão Penal de Reichstag pronunciou-se a favor de uma eventual supressão do Artigo 175. Referindo-se a essa decisão, o futuro Ministro da Justiça, Frank, falou a 10 de dezembro do ano seguinte, para definir como imoral "essa tolerância que se pretende impingir a todo o povo alemão".

Apesar disso, os próprios nazistas, que tinham muitos homossexuais em suas fileiras, não apresentaram nenhuma iniciativa mais radical, nos primeiros anos de existência do seu partido. As premissas ideológicas para uma repressão com "meios mais sofisticados" foram dadas pelo jurista Rudolf Klare, especialista do Partido Nazista para assuntos relativos ao homossexualismo; de fato, em seu livro Homossexualidade e Direito Penal, Klare propunha um reforço das punições contra "esses indivíduos" que constituem maior perigo para "o povo, o Estado e a raça"; e sugeria a criação de reformatórios para as lésbicas. Referia-se também a uma "purificação completa", através do extermínio necessário de homossexuais - afirmava que "os degenerados devem ser eliminados para manter a raça pura". Parece interessante constatar que o livro em questão foi dedicado ao professor Dr. Erich Schwinge, a quem se deve "o mérito desta colaboração verdadeiramente fraterna entre professor e discípulo, sem a qual esta obra não poderia ser realizada num espaço de tempo tão breve. Eu lhe agradeço muito por isso". Atualmente, o Dr. Erich Schwinge é professor de Direito Público em Marburg.

Já com uma cobertura ideológica, a via legal para a repressão foi aberta no dia 1º de setembro de 1935. Na primavera desse ano, a Comissão Penal Alemã - à qual pertenciam dois juristas nazistas como Freisler e Thiersak - expusera com prudência sua opinião negativa sobre o eventual endurecimento na interpretação e aplicação do Artigo 175; um de seus membros mais competentes, Erich von Spach, recomendou: "O legislador deve manter a moderação num campo onde grandes investigações podem provocar grandes prejuízos". Mas na reunião do Partido em Nuremberg Goering tocou no problema pedindo "a defesa e proteção do sangue e da honra alemã; enquanto isso, Hitler mostrou-se favorável ao endurecimento do Artigo 175. Schaufler, Diretor-Geral do Ministério da Justiça enchia-se de alegria: "Foi preenchida uma séria lacuna".

Passados 26 anos do final da guerra e da abertura dos campos de concentração ainda não se estabeleceu o número exato de vítimas. Quanto aos homossexuais, poucos sobreviventes (e muito raramente) apareceram para reclamar indenizações, pagamentos ou reabilitações, inclusive porque até poucos anos atrás estavam ainda ameaçados pela vigência do Artigo 175, dependurado como uma espada de Dámocles sobre suas cabeças. Assim, a cifra oficial fala de 50.000 a 80.000 vítimas, mas provavelmente está muito longe da realidade que, como se pode imaginar, parece ser muito mais trágica.

(É preciso lembrar, por outro lado, que muitos dos condenados com base nesse Artigo não eram homossexuais, mas simplesmente opositores do regime ou inimigos pessoais dos poderosos, cabendo-lhes, portanto, a acusação considerada mais degradante).

Depois de julgados e condenados, os violadores do Artigo 175 passavam para as mãos da Gestapo (a polícia secreta do Estado) e eram enviados aos campos de concentração: Auschwitz, Dachau, Neuengame, Ravensbruek, Sachsenhausen, Natsweiler, Bergen-Belsen, Fuehlsbuettel, Fosenberg e outros mais: aí eram freqüentemente castrados e mandados para os trabalhos mais repugnantes e mais pesados que acabavam acelerando seu fim: ou então tornavam-se bode expiatório para os demais companheiros de prisão, que os maltratavam e violentavam.

Não existem muitos documentos sobre o tema, especialmente pela compreensível aversão dos homossexuais em tornar pública uma perseguição que a sociedade ainda pretende justificar e perpetuar; além disso, muitos historiadores manifestaram indiferença ante o tema, por associarem os homossexuais com delinqüentes "comuns", e reservaram todo seu interesse para os presos políticos (2 milhões de vítimas), ou para os judeus (os mais duramente atingidos: 6 milhões de mortos). Outros motivos dessa ausência de dados: o método usado pelos responsáveis dos campos de concentração para esconder seus crimes e, talvez mais importante do que todos os outros, o fato de que só sobreviveram muito poucos condenados, que poderiam contar os acontecimentos com mais precisão.

Em todo caso, apesar do esquecimento a respeito, existem raros e espantosos testemunhos. Eugen Kogon, em seu livro O Estados S.S., diz apenas: "Sobre o destino reservado (aos homossexuais), só se pode dizer que foi terrível: estão quase todos mortos".

O médico e escritor Classen Neudegg publicou uma série de artigos no jornal de Hamburgo, Humanistas; aí ele fala de muitos casos de que soube ou que viu diretamente: "Os homossexuais já tinham sido torturados e morriam lentamente de fome ou por excesso de trabalho, tudo com uma crueldade inimaginável (...). Então a porta da residência do Comandante se abre e um oficial do nosso grupo anuncia: "300 imorais serão reunidos por ordem". Fomos registrados e então percebemos que nosso grupo iria ser isolado numa companhia de punições mais rigorosas; soubemos também que no dia seguinte seríamos levados para uma grande fábrica de tijolos, para trabalhos forçados. A fama dessa fábrica em liquidar com as pessoas era absolutamente terrível". (A S.S. considerava o trabalho nas fábricas de tijolos como um terceiro grau de onde não se saía com vida; Kogon chama-as de "trituradoras"). Von Neudegg conta até mesmo sobre as experiências com fósforo em pessoas vivas - o que lhes provocava dores impossíveis de traduzir em palavras".

Nesses campos de concentração, os homossexuais eram marcados com um triângulo rosa sobre a manga ou sobre o peito, o que servia para distingüi-los dos presos políticos (triângulo vermelho), dos ladrões (verde), dos testemunhas de jeová (violeta), dos ciganos (marrom), dos judeus (amarelo) e dos criminosos (negro). Conforme relato de uma testemunha no livro de Wolfang Harthauser O grande tabu, somente no período de sua permanência em Sachsenhausen, foram eliminados a sangue frio de 300 a 400 homossexuais, mortos em conseqüência dos trabalhos forçados ou porque chegavam com os ossos dos braços e pernas quebrados. Apenas no campo número cinco de Neusustrum, um terço dos prisioneiros era composto de homossexuais. Num processo contra um guarda acusado de outros cem homicídios, foi constatado que esse homem era especialista em lançar potentes jatos de água gelada contra o preso, até levá-lo à morte. Conta-se aí que suas vítimas preferidas eram os judeus e os homossexuais.

Holocausto guei**

 

Até hoje as indenizações às famílias das vítimas do holocausto guei não foram efetivadas, apesar da pressão da ONU pelo ressarcimento dos homossexuais perseguidos pelo III Reich. O problema está no acordo ratificado pelos bancos e com o próprio responsável, o governo alemão, que criou diversos empecilhos financeiros. Cerca de 15 mil gueis condenados e mortos pela hegemonia da raça ariana não têm direito nem mesmo a um memorial na capital. Recentemente o ex-prefeito de Berlim, Eberhad Diepgen, negou a grupos ativistas e famílias a construção de um monumento aos gueis.

15 mil mortosTudo começou em 8 de março de 1933 quando foram instituídos os primeiros campos de concentração. Berlim, considerada a capital dos movimentos humanistas e da liberdade homossexual, tornou-se palco de uma guerra homofóbica e particular. Os pontos de encontro e os cabarés foram invadidos pelos soldados da Gestapo com suas armas e licenciados pelo recém-instituído Paragrafo 175 da lei. Homossexuais e lésbicas foram arrastados aos campos de concentração onde nem ao menos eram julgados pela justiça, mas sim pelo órgão administrativo da seção. Os que tinham alguma influência ou "sobrenome" eram designados para a detenção ou deportação, mas os outros eram liquidados nos campos. Às lésbicas eram feitas algumas concessões em virtude de sua natureza como genitoras.

Em 1943, Henrich Himmler autorizou a prática da castração dos deportados homossexuais, quando um grande número de pessoas morreu durante a intervenção cirúrgica. Os homossexuais sobreviventes eram designados para as tarefas mais duras em campos de trabalho forçado. Em 1944, os primeiros campos são dominados pelos aliados, e os homossexuais que sobreviveram ainda tinham medo de declarar o motivo de sua deportação por conta dos empecilhos sociais, familiares e de trabalho que viriam em seguida a um testemunho desta natureza. Para muitos deles, o retorno à liberdade significava uma auto-censura diante de uma legislação hostil ainda, período em que a grande maioria se exilou no anonimato. Tudo por culpa da ausência de uma lei que reconhecesse a perseguição por orientação sexual, pela fragilidade dos movimentos ativistas gueis nos anos 70, e pela própria sociedade, inclusive intelectuais, que escamoteavam uma realidade à qual preferiam fechar os olhos. Porém uma realidade que estava estampada na memória coletiva.

Em 1982, na França, Pierre Seell, diante de uma nova coação homofóbica, decide romper o silêncio e revela todo o tipo de sofrimento que passou nos campos. Um austríaco, Heiz Heger, depõe em seu livro toda a verdade chocante que se passava por trás dos muros de concentração. Meses depois, Martin Shermann, judeu e guei,  apresenta uma peça onde aborda pela primeira vez o holocausto guei no teatro. De Londres, a peça foi para Paris e para a  Broadway, onde o mundo conheceria a verdade atrás da iconografia oficial dos nazistas.

Infelizmente, graças a esta abertura dos primeiros deportados gueis, a coragem e a atitude das próximas gerações do holocausto nazista, hoje sabemos que foram 90 a 100 mil gueis e lésbicas presos entre 1933 e 1945, de 10 a 15 mil somente no apogeu do nazismo. Sem falar dos outros esquecidos como os masons, dos doentes, dos miseráveis, dos fiéis da Testemunhas de Jeová...

Gays e desertores condenados pelo nazismo serão reabilitados***
da Deutsche Welle, em Berlim

A nova lei da coalizão de social-democratas e verdes, anulando todas as sentenças nazistas promulgadas contra homossexuais e desertores, entrará em vigor antes de meados deste ano. A informação foi divulgada hoje, em Berlim, pelos deputados Alfred Hartenbach (SPD) e Volker Beck (Partido Verde).

Esta lei irá substituir a legislação de 1998, que previa a suspensão das sentenças mas exigia a apresentação de provas para cada caso individual. Hartenbach afirmou que, passados 57 anos depois da Segunda Guerra Mundial, já era hora de acabar com este "procedimento indigno" e estender a mão aos que sofreram injustamente.

Segundo as estimativas, durante o regime nazista foram promulgadas cerca de 500 mil condenações por motivos políticos, militares, religiosos, racistas e ideológicos. Os tribunais militares condenaram à morte mais de 30 mil desertores da Wehrmacht, o Exército de Hitler.

Cerca de 50 mil homens foram presos e torturados por homossexualismo na Alemanha nazista, sendo que 15 mil foram arrastados aos campos de concentração. O parágrafo 175 da lei do Terceiro Reich previa pena de até dez anos de prisão e reeducação para os gays. As lésbicas não foram perseguidas. Hoje restam apenas 300 sobreviventes.

Os políticos alemães negaram-se, durante décadas, a promover a reabilitação dessas vítimas. Em 1998, por exemplo, o governo da coalizão CDU/CSU e Partido Liberal impediu a aprovação de um projeto de lei para suspender todas a penas contra os homossexuais.

Em dezembro de 2000, finalmente, o Parlamento Federal decidiu por unanimidade reabilitar essas vítimas, lamentando também na sua decisão que o parágrafo 175 da lei nazista - que legitimava a perseguição de gays - tivesse vigorado na Alemanha até 1969.

 

* Artigo publicado pela primeira vez em 1972, no Boletim de Cidams, 3. Posteriormente, várias revistas e jornais do mundo inteiro reproduziram-no, sobretudo na Itália, Suíça, França e Argentina. A versão aqui reproduzida foi publicada no site do grupo Nuances de Porta Alegre.
** Artigo extraído do site glsplanet.com em 04 de julho de 2001.
*** deutsche welle, berlim. publicado em 01 de fevereiro

 

 

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É.

Mas todas essas não tem o nome do autor. O que é esquisito, né?

Penei, mas descobri uma versão em italiano desse mesmo artigo:

http://www.oliari.com/storia2/sodoma_auschwitz.html

http://docs.google.com/viewer?a=v&q=cache:UxcAqn1CRwsJ:www.fondazionemas...

Pelo o que eu entendi o tal autor do texto é esse cara aqui:

http://it.wikipedia.org/wiki/Massimo_Consoli

 

Que investigação bem feita raquel_, achei isso na wikipedia, interessante que todos os textos disto que terminou virando uma copilação, com acréscimo de fotos, videos, link para peça de teatro, etc, não distoam um do outro, enfim, são informações confiáveis, claro, há alguma diferença em termos de quantidade de homossexuais mortos nos campos de concentração, as cifras variam de 5.000 a 50.000, com certeza foram milhares, a Gestapo tinha um caderninho e sabia tim por tim sobre a vida privada de cada alemão:Homossexuais na Alemanha Nazi Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre. Ernst Röhm, oficial nazista que era homossexual assumido.[1]

Os homossexuais constituíam um dos grupos perseguidos pelo regime nazi. Antes do Terceiro Reich, Berlim era considerada uma cidade liberal, com bares e cabarés frequentados pela comunidade homossexual. Magnus Hirschfeld tinha começado aí, um movimento pelos direitos dos homossexuais durante o virar do século. Contudo, estes movimentos foram duramente reprimidos pelo Partido Nazi.

A ideologia nazi sustentava que a homossexualidade era incompatível com o Nacional Socialismo, já que não permitia a reprodução, necessária para perpetuar a raça superior. Da mesma forma, a masturbação era considerada perniciosa pelo Reich.

Ernst Röhm, líder da Sturmabteilung (SA), a primeira milícia do Partido Nazi, um dos homens de confiança de Hitler que o ajudou a ascender ao poder, era homossexual e foi assassinado em 1934 na Noite das Facas Longas. O mesmo se passava com outros líderes, como Edmund Heines.

Hitler protegeu, inicialmente, Röhm de outros elementos do Partido Nazi que consideravam a sua homossexualidade como uma violação grave da política fortemente homofóbica do partido. Hitler, mais tarde, ao considerar que esta podia ser, de facto, uma ameaça à consolidação do partido no poder, autorizou a sua execução na chamada Noite das facas longas. Durante o holocausto, a perseguição continuou, tendo muitos sido enviados para campos de concentração. As estimativas sobre o número de homossexuais mortos nos campos varia muito, entre 5 e 15 mil, consoante os autores consultados.

O sofrimento dos homossexuais não terminou depois do fim da guerra, uma vez que as leis anti-homossexuais dos Nazis não foram suprimidas, tal como aconteceu com as leis anti-semíticas, por exemplo. Alguns homossexuais foram obrigados a terminar a pena a que estavam condenados pelo Governo Militar Aliado do pós-guerra na Alemanha. Outros, ao regressar a casa e aos seus países de origem tiveram que manter o silêncio sobre o seu sofrimento, por medo de discriminação, pois as chamadas leis sobre a sodomia só acabariam por cair na Europa Ocidental nos anos 1960 e 1970.

Índice [esconder]

[editar] Introdução

Depois da Primeira Guerra Mundial, no período da história alemão conhecido como a República de Weimar, a homossexualidade masculina na Alemanha, particularmente em Berlim, gozavam de maior liberdade e aceitação do que em qualquer outra parte do mundo. Contudo, a partir da tomada de poder por Hitler, os gays e, em menor grau, as lésbicas, passaram a ser dois de entre vários grupos sociais a serem atacados pelo Partido Nazi, acabando por ser também vítimas do Holocausto.

A partir de 1933, as organizações gays foram banidas, livros académicos sobre homossexualidade e, mais genericamente, sobre sexualidade humana, foram queimados, e alguns homossexuais do Partido Nazi foram assassinados. A Gestapo compilou listas de nomes de homossexuais, que foram obrigados a adaptar-se à norma sexual Nazi.

Estima-se que em 1928 existiam cerca de 1,2 milhões de homossexuais na Alemanha. Entre 1933 e 1945, mais de 100 mil homens foram registados pela polícia como homossexuais (as "Listas Rosa"), e destes, aproximadamente 50 mil foram oficialmente condenados. A maior parte destes homens foi aprisionado e entre 5 a 15 mil enviados para campos de concentração. O investigador Ruediger Lautman acredita que a taxa de mortalidade de homossexuais presos em campos de concentração poderá ter atingido os 60%, pois os homossexuais presos nesses "campos da morte" para além de serem tratados de forma extraordinariamente cruel pelos guardas, eram também perseguidos pelos outros prisioneiros.

Depois da guerra, o sofrimento dos homossexuais nos campos de concentração nazi não foi reconhecido em muitos países, tendo algumas potências aliadas recusado a libertação ou repatriação destes homens. Alguns dos que ficaram presos, escaparam e foram de novo presos, baseados em factos ocorridos durante no período nazi. Apenas nos anos 1980 começaram a surgir governos a reconhecer os homossexuais como vítimas do Holocausto, e apenas em 2002 o governo alemão pediu formalmente desculpa à comunidade gay.

Este período da história mantém-se, contudo, rodeado em controvérsia. Em 2005, o Parlamento Europeu adoptou uma resolução relacionada com o Holocausto em que a perseguição nazi aos homossexuais não foi referida.

[editar] A subida do Nazismo ao poder

Antes do Terceiro Reich, Berlim era considerada uma cidade liberal, com numerosos cabarés, clubes nocturnos e bares gays, onde berlinenses e turistas (gays ou não) se divertiam com espectáculos de travesti. Hitler, no seu livro Mein Kampf, denunciou estes costumes como prostituição, sífilis e degeneração cultural, responsabilizando parcialmente os judeus.

Por essa época, Berlim era sede das organizações LGBT mais dinâmicas e activas do mundo. O médico judeu Magnus Hirschfeld fundou em 1897, com Eduard Oberg, Max Spohr e Franz Josef von Bülow, o Comité Científico Humanitário (Wissenschaftlich-humanitäre Komitee), com o objectivo de lutar contra o Parágrafo 175 que ilegalizava as relações sexuais entre homens e de obter o reconhecimento para os homossexuais e transgêneros, que é considerada a primeira organização pública de defesa dos direitos dos gays.

Estes progressos da comunidade gay foram rapidamente eliminados com a chegada ao poder do Partido Nazi de Hitler.

O nazismo declarou a sua incompatibilidade com a homossexualidade pois os gays não se reproduziam e, logo, não perpetuavam a raça ariana. Pelas mesmas razões, a masturbação foi também considerada prejudicial ao Reich, mas seria apenas ligeiramente reprimida. Os nazis temiam ainda o "contágio" gay.

Hitler acreditava que a homossexualidade era um "comportamento degenerativo" que ameaçava a capacidade do estado e o "carácter masculino" da nação. Os homens gays eram denunciados como "inimigos do estado" e acusados de "corromper" a moral pública e ameaçar o crescimento populacional alemão.

Os líderes nazis, como Himmler, consideravam também que os homossexuais eram uma raça à parte e promoveram experiências médicas que tentavam encontrar alguma deficiência hereditária que muitos membros do partido julgavam ser a causa da homossexualidade. Enquanto muitos líderes nazis defendiam que os homossexuais deviam ser exterminados, outros pretendiam legislação que banisse sexo entre homens ou entre mulheres.

Ernst Röhm, o chefe da SA que Hitler considerava uma ameaça potencial, manteve a sua homossexualidade oculta até que em 1925 um jornal do Partido Social Democrático da Alemanha publicou um conjunto das suas cartas de amor para outros homens. A partir dessa altura, Röhm deixou de esconder a sua sexualidade (tal como Edmund Heines e outros líderes da SA), aderindo mesmo à Liga dos Direitos Humanos, a maior organização alemã de direitos dos homossexuais.

Os judeus alemães tiveram papel proeminente nos movimentos pelos direitos dos gays na Alemanha. A comunidade de artistas e realizadores de cinema judeus na Alemanha tinha, nessa época, uma grande concentração de homossexuais. Os judeus alemães, como Magnus Hirschfeld, foram duramente criticados. Foram demonizados pelas suas ideias controversas que eram chocantes para muita gente na Europa. Apesar de não estar envolvido nos debates em curso na Alemanha, Sigmund Freud, um judeu austríaco, também foi acusado pelos nazis devido às suas ideias controversas sobre sexualidade, particularmente sobre alguns dos seus conceitos incestuosos como o complexo de Édipo ou o complexo de Electra.

[editar] Expurgo Em 10 de maio de 1933, em Berlim, nazistas queimaram obras de autores de origem judaica, a biblioteca do Institut für Sexualwissenschaft, e outras obras consideradas "não-alemãs".

Em finais de fevereiro de 1933, à medida que a influência moderadora de Ernst Röhm enfraquecia, o Partido Nazista lançou uma expurgo dos clubes homossexuais (gays, lésbicas e bissexuais, nessa altura conhecidos como "homófilos") de Berlim, ilegalizou as publicações de conteúdo sexual e baniu as organizações gays. Em consequência, muita gente abandonou a Alemanha (incluindo, por exemplo, Erika Mann). Em março de 1933, o principal administrador do Institut für Sexualwissenschaft (Instituto para o Estudo da Sexualidade), Kurt Hiller, foi internado num campo de concentração.

A 6 de maio de 1933, a Deutsche Studentenschaft organizou um ataque ao Instituto. Alguns dias depois a biblioteca e os arquivos do Instituto foram levados e publicamente queimados em Opernplatz ("Praça da Ópera", em Berlim). Cerca de 20 mil livros e revistas científicas, 5 mil fotografias e imagens, foram destruídos. Os nomes e endereços dos ficheiros do Instituto foram, também por essa altura, confiscados. Joseph Goebbels aproveitou a ocasião para, perto da fogueira, fazer um discurso político para uma multidão de 40 mil pessoas. Os líderes da Deutsche Studentenschaft proclamaram os seus Feuersprüche (decretos de fogo, "contra o espírito antialemão"), que levaram a que os livros de autores Judeus, mas também os livros antimilitaristas (como os de Erich Maria Remarque), fossem retirados das livrarias públicas e da Universidade de Humboldt para serem também queimados. O activista radical Adolf Brand foi dos poucos que não abandonou o país, mantendo-se corajosamente na Alemanha por mais cinco meses, após a queima dos livros. No entanto, a perseguição que lhe foi movida acabou por levá-lo de vencida e, em novembro de 1933, foi forçado a anunciar o fim dos movimentos organizados de emancipação sexual na Alemanha.

Na noite de 29 de junho de 1934, Hitler promoveu a Noite das Facas Longas, participando pessoalmente na prisão de Ernst Röhm, o líder da SA ("camisas pardas") que posteriormente seria assassinado conjuntamente com dezenas de outros oficiais. A homossexualidade de Röhm e dos seus oficiais foi utilizada por Hitler para aplacar a fúria que se apoderou das fileiras da SA. A esta purga seguir-se-ia o endurecimento da legislação contra a homossexualidade e a prisão de homossexuais com auxílio, ao que parece, da lista de nomes obtida no Instituto. Muitos milhares de prisioneiros acabaram em campos de concentração; outros, como John Henry Mackay, suicidaram-se.

Heinrich Himmler, que tinha inicialmente apoiado Röhm com o argumento que as acusações de homossexualidade contra ele eram maquinações judias, tornou-se muito activo na repressão aos homossexuais. Declarou: "Temos que exterminar esta gente pela raíz (...); os homossexuais têm de ser eliminados[2]."

Pouco depois da purga de 1934, uma divisão especial da Gestapo foi instruída para compilar uma lista de homens gays. Em 1936, Heinrich Himmler, chefe da SS, criou o "Gabinete Central do Reich para o Combate à Homossexualidade e ao Aborto."

Inicialmente os homens gays não tiveram o mesmo tratamento que os judeus; a Alemanha Nazi incluía os gays alemães como parte da raça ariana pura e tentou forçá-los à conformidade sexual e social. Os homens gays que não conseguissem ou não quisessem fingir uma mudança de orientação sexual eram enviados para campos de concentração ao abrigo da campanha de Arbeit macht Frei ("Libertação pelo Trabalho)."

Mais de um milhão de gays alemães foram identificados, dos quais cerca de 100 mil foram acusados e 50 mil condenados a penas de prisão por homossexualidade[3]. Centenas de homens gays que viveram sob ocupação nazi foram castrados por ordem dos tribunais[4].

Muitos dos perseguidos ao abrigo dessas leis nunca se identificaram como gays. De facto, tais leias "anti-homossexuais" mantiveram-se depois da guerra por todo o mundo ocidental até aos anos 1960 e 1970, de tal forma que muitos gays nunca se sentiram confortáveis para contar suas histórias de sofrimento à mão dos Nazis até aos anos 1970, quando a maioria dos países suprimiu as leis relacionadas com a sodomia.

[editar] Campos de concentração

As estimativas variam fortemente quanto ao número de homens gays que morreram nos campos de concentração durante o Holocausto, situando-se entre os 5 e os 15 mil. Os números mais elevados incluem gays que eram judeus e/ou comunistas. Os registos referentes às razões do internamento em muitos casos não existem, tornando difícil estimar com precisão quantos homens gays pereceram nos campos da morte (ver triângulo rosa).

Os homens gays sofreram tratamentos invulgarmente cruéis nos campos de concentração. Além de serem agredidos pelos guardas alemães, eram perseguidos muitas vezes também pelos outros prisioneiros. Sob a política Arbeit macht frei ("Libertação pelo Trabalho") nos campos de trabalhos forçados, recebiam regularmente os trabalhos mais pesados ou perigosos. Os soldados da SS utilizaram muitas vezes o triângulo rosa, que os homens gays eram obrigados a usar, como alvo para prática de tiro.

Esse tratamento cruel pode ser atribuído tanto às opiniões dos guardas da SS como às atitudes homofóbicas generalizadas na sociedade alemã da época. A marginalização dos gays na Alemanha reflectia-se nos campos de concentração. Muitos foram espancados até a morte por outros prisoneiros. Outros morreram às mãos de médicos nazis em experiências "científicas" destinadas a localizar o "gene gay" de forma a encontrar "curas" para as futuras crianças arianas que fossem gays.

Pierre Seel, um sobrevivente francês gay do Holocausto, teve a coragem de contar as suas experiências sob controlo Nazi. Quando estes subiram ao poder e ocuparam a sua cidade natal, Mulhouse, na Alsácia-Lorena, o seu nome constava de uma lista de gays e ele foi mandado apresentar na esquadra da polícia. Obedeceu para proteger a sua família de possíveis retaliações. Ao chegar à esquadra, ele e outros homens gays foram espancados. A alguns, que tentaram resistir, foram-lhe arrancadas as unhas. Outros foram violados com réguas de madeira partidas e tiveram os intestinos perfurados, causando graves hemorragias. Depois de ser preso, foi enviado para o campo de concentração de Schirmeck, onde foi forçado a assistir, conjuntamente com os outros prisioneiros em formatura, à execução do seu jovem namorado de Mulhouse que tinha apenas dezoito anos. Steel conta que os guardas o despiram completamente, enfiaram-lhe um balde de metal na cabeça e atiçaram os seus cães pastores alemães, que o morderam até a morte.

Esses tratamentos cruéis explicam a alta taxa de mortalidade dos homens gays nos campos de concentração quando comparada com a de outros "grupos anti-sociais". Um estudo de Ruediger Lautmann concluiu que 60% dos homens gays internados em campos de concentração não sobreviveram, comparado com 41% dos prisioneiros políticos e 35% de Testemunhas de Jeová. O estudo refere também que as taxas de sobrevivência de homens gays foram ligeiramente maiores para os que eram originários das classes média ou alta ou para os que eram bissexuais casados e com filhos.

[editar] Pós-Guerra O Homomonument em Amsterdã, Países Baixos, feito em homenagem aos homossexuais mortos pela Alemanha nazista.

Os prisioneiros homossexuais dos campos de concentração não foram considerados vítimas de perseguição Nazi a seguir à guerra[5]. As indemnizações e pensões sociais atribuídas a outros grupos de prisioneiros foram negadas aos gays, que continuavam a ser considerados criminosos — as leis antigay nazis apenas foram banidas em 1994, embora tanto a Alemanha Ocidental como a Alemanha Oriental tenham liberalizado as suas leis criminais contra a homossexualidade entre adultos nos finais dos anos 1960.

Os sobreviventes gays do Holocausto podiam ser re-encarcerados por "ofensas repetidas", e foram mantidos nas listas de "criminosos sexuais". Sob o Governo Militar Aliado da Alemanha, a seguir ao final da Guerra, alguns homossexuais foram forçados a cumprir as suas penas de prisão até o fim, independentemente do tempo passado em campos de concentração.

As políticas antigay dos nazis e a sua destruição dos primeiros movimentos pelos direitos dos gays não foram considerados objectos dignos de estudo pelos historiadores e académicos que se debruçaram sobre o Holocausto. Apenas nos aos 1970 e 1980 começaram a surgir algumas abordagens ao tema, com sobreviventes do Holocausto a publicar as suas memórias, peças de teatro como Bent, pesquisa académica e documentários sobre a homofobia Nazi e a destruição das organizações pelos direitos dos gays.

Em 2005, o Parlamento Europeu assinalou o 60.º aniversário da libertação do campo de concentração de Auschwitz-Birkenau com um minuto de silêncio e a aprovação de uma resolução que incluía o seguinte texto:

Cquote1.png ...27 de Janeiro de 2005, o sexagésimo aniversário da libertação do campo de morte de Auschwitz-Birkenau na Alemanha Nazi, onde um total de até 1,5 milhões de judeus, ciganos, polacos, russos e prisioneiros de outras nacionalidades, e homossexuais, foram assassinados, é não só uma ocasião suprema para que os cidadãos europeus relembrem e condenem o enorme horror e tragédia do Holocausto, mas também para salientar o perturbador aumento do antissemitismo, e especialmente dos incidentes antissemitas na Europa, e para aprender de novo as abrangentes lições sobre os perigos de discriminar pessoas com base na raça, na etnia, na religião, na posição social, nas opções políticas ou na orientação sexual,... Cquote2.png

Em 6 de maio de 2008, uma rua de Berlim receberá o nome de Magnus Hirschfeld, precisamente na margem oposta do rio Spree, onde se situava o Instituto para o Estudo da Sexualidade. É a data do 75.º aniversário da destruição do Instituto, em 1933. E a 27 de maio de 2008 deverá ser inaugurado oficialmente o memorial de Berlim aos homossexuais perseguidos durante o período Nazi.

 

 

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O kink

http://pt.wikipedia.org/wiki/Homossexuais_na_Alemanha_Nazi

 

 

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Verdade. E Fidel Castro foi o único líder político, que conheço, que pediu desculpas públicas pelo modo com que o regime tratou homossexuais.

 

Sem mais. Você foi definitivo.

 

O Extermínio dos Ucranianos pelos comunistas

http://www.youtube.com/watch?v=4DH9Qntlq2U&feature=related

 

De novo?! Até quando vão insistir nesta mentira? Os ucranianos estão sendo submetidos a um bombardeio ideológico formidável. Ressuscitam-se bandidos pró-fascistas como "líderes" nacionalistas (Stephen Bandera), martela-se esta palhaçada do "Holodomor" como se fosse real, tudo para justificar a "liderança" capitulacionista antirrussa alaranjada dos Yuschenkos e Timoshenkos da vida. Desafio qualquer um a encontrar um historiador sério (Conquests e Services da vida não valem) que endosse essa armação.

Este vídeo é um pedaço de um filme ("The Soviet Story") que foi financiado pelos partidos de extrema-direita que têm assento no Parlamento Europeu. Lixo em seu estado mais puro. Meus gatos produzem coisas muito melhores em suas caixas de areia.

 

Que horror ......... o desrespeito à memória de quem foi vítima de tais atrocidades. Algo como Ahmadnejad dizer que o HOLOCAUSTO judeu foi uma invenção , ou o coronel USTRA afirmar que as tortura do período militar são delírios .

 

Memories of Survivors and Witnesses of
the Ukrainian Genocide of 1932-1933

http://www.ukrainiangenocide.org/survivors.html

 

exilio interno de comunidades inteiras, como por exemplo os chechenos!  assassinato de milhares de prisioneiros de guerra poloneses,  o comunismo na antiga URSS era tão odiado, que nem 20 anos apos o fim desta, praticamente foram eliminados todos os simbolos dessa era!

 

"A verdade é a melhor camuflagem. Ninguém acredita nela." MAX FRICH

Vai falar de Katyn de novo, Mário? Então deixe eu te dar uma informação secreta, só pra você. O único documento que afirma categoricamente que os soviéticos realizaram a matança foi produzido pela Gestapo. É nesse documento que todos os historiadores que defendem esta tese se baseiam. Porém, pelo menos um historiador relata que a Sra. Kathleen Harriman, filha de Averell Harriman - entre outras coisas interessantes, embaixador estadunidense na URSS a partir de 1943 - esteve em Katyn em 1944, a convite da comissão soviética que então estava no local. Para além de detalhes macabros que não interessa comentar, a Sra. Harriman saiu convencida de que o massacre ocorreu DEPOIS da primavera de 1940 - que é, como sabemos, a época em que os soviéticos supostamente o perpetraram. Mas há mais: Harriman constata que os bolsos dos casacos dos oficiais poloneses haviam sido revirados pelos alemães - mas aparentemente alguns documentos haviam ficado para trás: em um dos casacos, ela testemunhou ter sido encontrado um documento datado do verão de 1941... acho que fica meio difícil um sujeito ir para a vala num ano com um papel no bolso datado do ano seguinte, pois não?

 

Será mesmo que o comunismo foi morto e enterrado na terra de putinho, quer dizer Puttin. Sobre o Partido Comunista da Federação Russa. Desde sua fundação até os dias atuais, o PCFR é o segundo maior partido político da Rússia, o maior da oposição. Em todas as eleições desde o fim da União Soviética, o candidato do PCFR terminou a disputa em segundo lugar. Em 1996, Ziuganov obteve apoio de 32% do eleitorado, contra 32% de Boris Yeltsin. Em 2000, Ziuganov obteve 29% contra 53% de Vladimir Putin. Em 2004, Putin obteve 71% dos votos, contra apenas 14% de Nikolay Kharitonov. Em 2008, Ziuganov obteve quase 18% dos votos. Ele conseguiu até passar Dmitri Medvedev em algumas vilas e cidades pequenas. Após a eleição, Ziuganov afirmou que seus eleitores descobriram vários casos de fraude eleitoral e que ele deveria ter tido pelo menos 30% dos votos. Ele afirmou ainda que iria questionar os resultados na Justiça Eleitoral. Algumas semanas depois, o Comitê Eleitoral Russo admitiu que a maioria das reclamações do PCFR tinham fundamento, mas que não iria questionar o resultado final das eleições. Wikipedia

 

 

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eu acredito que vc saiba que RUSSIA não e URSS, que a união envolvia dezenas de republicas, e eu estou falando de todas e não apenas da russia!  ampliem seus horizontes,  bom na Russia comuna tem vergonha de dizer se-lo!

 

"A verdade é a melhor camuflagem. Ninguém acredita nela." MAX FRICH

Além do que, para se legitimar, Putin tem recorrido a extenso resgate da simbologia soviética (comemoração da vitória na II Guerra com ampla exibição dos símbolos soviéticos, restabelecimento do hino soviético - música - com letra diferente, etc.).

Todas as pesquisas feitas por institutos de opinião burgueses dão resultados como este:

http://www1.folha.uol.com.br/mundo/855145-russos-lamentam-o-fim-da-urss-e-sonham-com-a-volta-dos-dias-de-protagonismo-politico.shtml

Sobre os dados, o artigo, naturalmente, tenta "endireitar", "explicando" porque os russos teriam saudades da "tirania comunista" (menciona que os jovens a favor da URSS seriam somente 17%, mas não menciona a lavagem cerebral produzida pelas escolas e pela mídia privada desde 1991 CONTRA o passado soviético e não explica porque precisamente o mais velhos, que viveram sob o regime - e, supostamente sofreram suas mazelas - são os que mais lamentam a sua destruição).

Agora, o mais incrível (do ponto de vista dos manipuladores burgueses da história) é que, na Ucrânia, apesar dos atuais ocupantes do governo e toda a mídia e "establishment", nacionalistas de direita, envidarem o máximo esforço para denegrir o passado soviético de todas as formas, as pesquisas ainda dão altas taxas de nostalgia pelo passado soviético:

http://www.uceps.org/eng/poll.php?poll_id=288

"Do you aspire to the restoration of the Soviet Union and socialistic system? (regional distribution)

 WestCenterSouthEastUkraineYes5.021.327.225.120.4Yes, but I understand that it`s unreal11.331.446.226.628.3No83.646.926.247.751.3 

The poll was held on December 20-27, 2005. 2009 respondents aged above 18 years were polled in all regions of Ukraine. The sample theoretical error does not exceed 2.3%.

Ou seja, 48,7% dos ucranianos aspiram a restauração da União Soviética e do sistema socialista (ainda que 28,3% considerem esta desejada possibilidade irreal).

 

Ernest Hoehm foi morto porque era uma exigencia do exercito alemão a desmobilização da SA, não por ser gay.  Dois anos depois, usando a mesma desculpa Hitler acusou o General Fritsch de ser homossexual, e exigiu sua demissão do alto-comando do exercito alemão, para isso contaram com o auxilio de um homossexual que acusou o general de ser seu amante, depois desmentiu,  mas sua coloboração foi fundamental.

Holocausto gay e um termo forte como disse em outro post, os numeros são claros, usando os dados do proprio texto, que entendo ter sido feito pelo Grupo Gay da Bahia, o que tira um pouco sua credibilidade,

mas usando os numeros que o texto informa, 1,2 milhoes de gays na alemanha em 28, ao final da guerra somente 15.000 foram mortos, somente pelos numeros que envolveram a SGM onde milhões morreram. ou seja menos de 1,25% dos gays foram mortos. Isso considerando que eram todos alemães, mas para os campos de exterminio eram enviados homossexuais da europa toda, o que reduziria ainda mais o percentural.  Para se ter uma ideia do que é realmente o holocausto, a Polonia tinha 35,1 milhões de habitantes, os alemães executaram 7 milhões de cidadãos poloneses, excluindo-se desse numero os judeus que eram 14% da população, o resultado e de quase 20% da população polonesa morta, nem usei judeus, pois a proporção seria ainda maior, 

o termo holocausto Gay para isso atende apenas a necessidades propagandisticas!

 

 

"A verdade é a melhor camuflagem. Ninguém acredita nela." MAX FRICH

Somente 15.000 foram mortos?

Meu caro, você está falando de vidas humanas

"De qualquer modo, que significa exatidão estatística com ordens de grandeza tão astronômicas? Seria menor o horror do holocausto se os historiadores concluíssem que exterminou não 6 milhões (estimativa original por cima, e quase certamente exagerada), mas 5 ou mesmo 4 milhões? E se os novecentos dias de sítio alemão a Leningrado (194 14) mataram 1 milhão ou apenas três quartos ou meio milhão de fome e exaustão? Na verdade, podemos realmente apreender números além da realidade aberta à intuição física? Que significa para o leitor médio desta página que, de 5,7 milhões de prisioneiros de guerra russos na Alemanha, 3,3 milhões morreram (Hirschfeld, 1986)?" Hobsbawm. A era dos extremos.

Não tente relativizar a gravidade do ato somente como tentativa tosca de argumentação. Números não apreendem crueldade. Frequentemente, aliás, servem de ferramenta a ela. Afinal, o que são "apenas" 15000 mortes?

 

se vc fosse honesto, colocaria a continuação onde falo que considerando o numero de pessoas mortas na SGM, os 15.000 era um numero pequeno.  Mas honestidade não é o seu forte!

 

"A verdade é a melhor camuflagem. Ninguém acredita nela." MAX FRICH

O Mário respeita a Maria Utt, que fogo que vc tem nessa periquita, garoto!

 

passa Raquel!  eu não estou falando com vc!

 

"A verdade é a melhor camuflagem. Ninguém acredita nela." MAX FRICH

raquel_ ele confunde tudo, vou até deixar de usar este nick para ver se ele(Baya) para de pegar no teu pé, em toda postagem que trata de homofobia ele surta....rssss

 

Blablablaya,

Pára de sonhar comigo, filho.

Eu sei que a minha imagem de dominatrix comunista te assombra todas as noites, mas isso passa.

Fica tranquilo.

 

Dominatrix é ótimo! Wow!

 

"Se você pode sonhar, você pode fazer" - Walt Disney

 

roupinha de couro vermelha e chicotinho???

 

"A verdade é a melhor camuflagem. Ninguém acredita nela." MAX FRICH

Sodoma?? o que tem a ver Sodoma com esse suposto holocausto?

 

Vale a pena conhecer a peça "Bent", que fala de uma experiência nesse período horrendo da história:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Bent_(pe%C3%A7a)

Também o filme "O Einstein do Sexo", que conta as dificuldades de Magnus Hirschfeld durante o entre guerras

http://pt.wikipedia.org/wiki/Magnus_Hirschfeld

http://en.wikipedia.org/wiki/Der_Einstein_des_Sex

 

"Se você pode sonhar, você pode fazer" - Walt Disney