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Blog de Urariano Mota

Vargas não é um boi, por Urariano Mota

Vargas não é um boi

por Urariano Mota

Em tempos de ameaça de golpe militar, é fundamental retomar a história com a narração do horror da ditadura:

"Ele sabe com a consciência mais desperta que vive as suas ultimas horas. Diferente do jovem em Olinda, ele pode fugir antes dos tiros, evadir-se, para assim impedir que o seu corpo inche, se alargue a tal ponto que não entre em um caixão. E por que não o faz? “Eu conversei com ele, disse que ele fugisse”, anotou Gardênia no diário. Mas Vargas lhe respondeu na sala do apartamento do Edifício Ouro: “Fugir não podia, ele me disse. Pela segurança da esposa e da filha”. E voltou a advogada: “Eu pedi que ele deixasse a criança sob meus cuidados. Ele me falou que não ia levar Nelinha para uma aventura, porque ela era uma pessoa frágil e seria também assassinada. Aí seria pior, porque a menina ficava órfã”. A primeira observação é a  consciência de que será morto, porque ele resiste a que Nelinha seja “também assassinada”. E assim o dano seria maior: a frágil Nelinha mais a orfandade da filha. E resolve ficar e se fincar.  A segunda observação é a que dá o tamanho do terror nos olhos de Vargas: ele é um homem sozinho, está sem partido. Vargas segue na contramão: desvinculado, está só, sabe que vai cair, não tem apoio, isolado se encontra. Isso mostra a medida da infâmia, ele está sem organização clandestina, mas ainda assim será divulgado como um terrorista, que desejava o fim da democracia no Brasil. Daí vêm os seus olhos de índio crescidos, a pele morena sem cor, o rosto de varíola pálido. 

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Um sonho que a repressão não destrói, por Urariano Mota

Um sonho que a repressão não destrói, por Urariano Mota

Neste 11 de setembro, dia do golpe contra Allende no Chile, divulgo esta  apresentação de José Carlos Ruy para o meu próximo romance.

"Um dia desses, conversando com minha filha, uma moça de 21 anos que estuda Letras, ela me falava, contrariada, de tantas moças e rapazes (e movimentos e artistas ‘jovens’) que parecem envelhecidos pela recusa a correr riscos, e pela vontade de ter todas as garantias e segurança que a sociedade oferece. São jovens na idade, mas não no coração, dizia ela.

Esta lembrança me ocorre no momento em que escrevo a ‘apresentação’ a este livro extraordinário a que Urariano Mota deu um título preciso: A mais longa duração da juventude. Um relato ficcional amplamente ancorado na memória dos jovens que, por volta de 1970, resistiam à ditadura no Recife, como tantos outros Brasil afora. E traziam inscrito em sua bandeira, com letras de um vermelho flamejante: ‘revolução e sexo’. Nesta ordem, adverte Urariano.

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A Batalha da Rússia, por Urariano Mota

Por Urariano Mota*

The Battle of Russia é o episódio de maior impacto da extraordinária série documental denominada "Why We Fight"

Vi ontem na Netflix. É de emocionar a luta heróica do Exército Vermelho, do povo soviético, ao vencer e destruir a máquina de guerra nazista. O documentário deixa também muitas lições históricas. Entre elas, a de que houve um tempo em que o Estado soviético foi o aliado, o mais forte e decisivo, para a derrota do nazismo.

Copio de pesquisa na internet:

"‘A Batalha da Rússia’ é um documentário realizado com imagens exclusivas, filmadas pelos soldados ou capturadas do inimigo. A história da resistência do povo soviético diante dos temidos nazistas. Em 22 de junho de 1941 a Alemanha invade a antiga URSS. O Exército de Hitler acreditava em uma batalha rápida, em poucos meses. Acreditavam poder aniquiliar as principais forças do exército soviético e ocupar a parte europeia do território com o objetivo de destruir o Estado Socialista e se apoderar de suas riquezas antes do início do temível inverno soviético. Subestimavam a capacidade de resistência soviética, do Exército Vermelho e da liderança do Partido Comunista comandado pelo secretário-geral, Josef Stalin. Em História das Guerras você terá a oportunidade de ver o quanto o exército Nazista estava profundamente enganado.

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Primo Levi comenta o depoimento de Palocci

É ISTO UM HOMEM?

Enviado por Urariano Mota

Primo Levi comenta o depoimento de Palocci 

“Agora, todo o mundo está raspando com a colher o fundo da gamela para aproveitar as últimas partículas de sopa; daí, uma barulheira metálica indicando que o dia acabou. Pouco a pouco faz-se silêncio. Do meu beliche, no terceiro andar, vejo e ouço o velho  rezando em voz alta, com o boné na mão, meneando o busto violentamente.Ele agradece a Deus porque não foi escolhido. Insensato! Não vê, na cama ao lado, Beppo, o grego, que tem 20 anos e depois de amanhã irá para o gás e bem sabe disso, e fica deitado olhando fixamente a lâmpada sem falar, sem pensar? Não sabe, o velho, que da próxima vez será a sua vez? Não compreende que aconteceu, hoje, uma abominação que nenhuma reza propiciatória, nenhum perdão, nenhuma expiação, nada que possa fazer, chegará nunca a reparar?”

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José Carlos Ruy apresenta 'A Mais Longa Duração da Juventude'

José Carlos Ruy apresenta 'A Mais Longa Duração da Juventude'

Para quem conhece a militância política de  José Carlos Ruy, ele não precisa de apresentação. Mas para quem não o conhece, posso falar do pouco que eu conheço. A primeira vez em que soube do seu nome, ele era editor de Cultura do Portal Vermelho. Depois, nos conhecemos um pouco mais no Alto da Sé, em Olinda, onde uma cachacinha acompanhou a nossa conversa, eu, ele e o escritor Marco Albertim. A saudade é tão grande daquela noite, que nem é bom falar.

Então, eu soube que ele havia sido da redação do jornal Movimento, enquanto militava no Partido Comunista do Brasil. E que ele trabalhara como editor na Abril, enquanto editava de coração o jornal A Classe Operária. Quero dizer, do ponto de vista da militância política, ele é um dos intelectuais da tradição comunista no Brasil.

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Mark Twain e a supremacia branca, por Urariano Mota

Mark Twain e a supremacia branca, por Urariano Mota

Em tempos de supremacistas brancos que procuram saber o  sangue puro de onde vieram, penso que é hora de trazer o gênio de Mark Twain. Ele já resolveu a questão há muitos anos, quando pesquisou a origem histórica dos seus antepassados muito além do DNA. Em dúvida, acompanhem o resultado da pesquisa de Mark Twain sobre uma das melhores famílias dos Estados Unidos.

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Lula e a esperança, por Urariano Mota

Lula e a esperança, por Urariano Mota

A maior liderança popular do Brasil – mais de um brasileiro diria que de toda América Latina, e mais de um latino diria que de todas Américas, e mais de um pernambucano diria que de todo o mundo -, ou em resumo com modéstia, o ex e futuro presidente Lula está de volta ao Recife. De volta, é só um modo de dizer. Ninguém reencontra o mesmo rio, mas me refiro a outro sentido também. Quero dizer, Lula encontra um Pernambuco devastado, numa decadência profunda que é bem o retrato do Brasil. Aqui, em matéria de desgraça humana e material, Pernambuco reflete todos os lugares brasileiros. E acompanha, quando não lidera, as consequências do  golpe que sofremos, de anulação de todos os direitos e garantias.

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Ah, quanta paixão existe na alma revolucionária, por Memélia Moreira

Belíssima crítica, lindo texto de Memélia Moreira sobre o romance "A Mais Longa Duração da Juventude":

PAIXÃO SEGUNDO URARIANO

MEMÉLIA MOREIRA

Pátio de São Pedro, Recife, que concentra uma das mais majestosas representações da Arquitetura Colonial brasileira e onde os revolucionários acreditavam estar a salvo do inimigo.

Nos terríveis anos da ditadura mantive correspondência com alguns dos mais notórios presos políticos do Presídio Tiradentes, em São Paulo. Todos eles gloriosos militantes da Ala Vermelha do PCdoB. Tanto com meu irmão #Sonsonho, de quem guardo muitas cartas com o abominável sêlo do DOPS, liberando a correspondência, quanto com Hélio Cabral de Souza e Alípio Raimundo Viana Freire. Com meu irmão, conversas familiares, rumos do país e, principalmente, conselhos para que eu não me desviasse na profissão de jornalista. Foi meu irmão, Antonio de Neiva Moreira Neto, quem me fez fincar pé na causa indígena. Ele dizia que todas as trincheiras contra a ditadura eram valiosas. Com Hélio Cabral falávamos da guerra do Vietnam, com a certeza absoluta de que a História daria vitória aos guerrilheiros #viets E de música. Foi ele quem desenvolveu em mim o gosto pela música do mais profundo Goiás. 

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Por que ocupam a Câmara Municipal de São Paulo?, por Urariano Mota

Por que ocupam a Câmara Municipal de São Paulo?

por Urariano Mota

Falam as notícias desta sexta-feira:

“O plenário da Câmara Municipal de São Paulo continua ocupado após 70 integrantes de diversos movimentos sociais invadirem o espaço com bandeiras e cartazes.

Os manifestantes pedem o fim das restrições no passe livre estudantil e protestam contra os projetos de lei (PL) 364 (venda do estádio do Pacaembu),  367 (pacote de concessões à iniciativa privada) e 404 (venda de imóveis iguais ou inferior a 10 mil metros quadrados) e pedem a realização de um plebiscito para que a sociedade possa decidir sobre as privatizações. O presidente da Câmara não atendeu ao pedido dos estudantes de retirada dos três projetos de lei e disse que isso não é possível ser feito devido ao regimento da Casa.

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Temer, novo palavrão da língua, por Urariano Mota

Temer, novo palavrão da língua

por Urariano Mota

Bem sei que a pesquisa no google não é bom método de ciência. Por experiência sei que esse buscador reflete o que é notícia na imprensa e na rede. Mas sei que ainda assim, mesmo sem espelhar um método científico, todos nos aproximamos dele como um dos indicadores de pesquisa, para filtrar suas informações com melhor crítica e peso. Por isso ao google recorremos. E no caso do Temer palavrão, o que encontramos tem sabor de uma descoberta.

Convido o leitor para um breve teste. Se buscar agora a frase Temer criminoso, terá 899.000 resultados. Se for atrás do Temer ladrão, pegará 725.000. Se procurar Temer corrupto, achará 685.000. Se procurar Temer puta, tê-lo-á em 599.000 soluções. Temer cu, 585.000.  Temer 171, 525.000. Temer merda, 484.000.  Temer pornográfico, 479.000. Temer canalha, 435.000. Temer safado, 369.000.

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Rap da liberdade para José Amaro Correia, o nosso Mário Sapo, por Urariano Mota

Rap da liberdade para José Amaro Correia, o nosso Mário Sapo

por Urariano Mota

Em um trecho do Dicionário Amoroso do Recife, escrevi:

“José Amaro Correia, Zé Amaro, ou Mário Sapo, como o chamamos, era e continua a ser um socialista, militante político, preso em 1973 no DOI-CODI no Recife...

Quando eu lhe pergunto se depois de tanta luta, se alguma vez ele não pensou em desistir, ele, que sei estar com problemas circulatórios, pressão alta, e que piora todas as vezes em que se emociona, ele me responde:

— Desistir? Nunca! Às vezes me dá uma preguiça. Mas dá e passa.

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A poesia de Ñasaindy Barrett, filha da eterna Soledad, por Urariano Mota

 

A poesia de Ñasaindy Barrett, filha da eterna Soledad

por Urariano Mota

Todo o mundo agora pode conhecer o livro “Do que foi pra ser Agora”, a poesia que a  ditadura brasileira gerou contra a sua vontade. Os cristãos diriam que é uma bênção o lançamento do livro pela Editora Mondrongo, do editor e poeta Gustavo Felicíssimo. Mas eu digo que é poesia e verdade, no sentido de Goethe. E nesse caso, de resistência e vida também. Entendam por quê.  

A poetisa Ñasaindy Barrett de Araújo é a única filha de Soledad Barrett, a guerreira de quatro povos assassinada no Recife em 1973. Ñasaindy nasceu em Cuba, por força da militância política dos pais,. Soledad Barrett Viedma, paraguaia, e José Maria Ferreira de Araújo, brasileiro. Ambos foram assassinados pela repressão no Brasil. Ele em 1970, em São Paulo depois de preso e torturado. Soledad Barrett em 1973, no  Recife, delatada pelo companheiro, o militante infiltrado Cabo Anselmo.

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Para José Dirceu, por Urariano Mota

Imagem Reprodução

Para José Dirceu, por Urariano Mota

Leio na Folha de São Paulo a noticia de que a mãe de José Dirceu foi enterrada em Minas Gerais, Notícia curta, da qual anoto.

“Segundo amigos da família, Dona Olga era poupada do noticiário sobre seu filho desde a explosão do escândalo do Mensalão, em 2005. Sempre assistia a filmes em canal fechado.

Preso em novembro de 2013, o ex-ministro pediu que a mãe não fosse informada sobre a detenção antes do Ano Novo. Para justificar a ausência dele nas festas do fim de ano, a família disse à matriarca que Dirceu estava fora do país.

Dona Olga, que nos últimos anos apresentava falhas de lucidez, também não soube que a casa onde morava fora confiscada, em maio do ano passado, por decisão do juiz Sergio Moro. “

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A prova da falta de provas na condenação de Lula pelo juiz Sérgio Moro, por Urariano Mota

A prova da falta de provas na condenação de Lula pelo juiz Sérgio Moro

por Urariano Mota

Pensei em escrever que revolta a inteligência a última sentença de Sérgio Moro contra o ex-presidente Lula. Acrescentaria que não é possível, hoje, ser um humanista que não se revolte contra o concerto da direita brasileira. Mas acalmo, sereno o discurso e passo a indicar a prova da sentença sem provas do senhor Sérgio Moro. Acompanhem por favor

https://drive.google.com/file/d/0B1trF11ZWhAPRzNIMVRNdzV5SEU/view

A primeira coisa a observar, de passagem, é que a concordância verbal e a civilização brasileira não são o forte do senhor Sérgio Moro. Sem pesquisa ou esforço de correção, notamos erros primários:

“o ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva não está sendo julgado por sua opinião política e também não se encontra em avaliação as políticas por ele adotadas durante o período de seu Governo...

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Em Recife ou no Recife? De Recife ou do Recife?, por Urariano Mota

Em Recife ou no Recife? De Recife ou do Recife?

por Urariano Mota

Em recente discussão no Face, vi que não é pacífico o gênero do nome da nossa cidade. Daí que vale a pena retomar um trecho do Dicionário Amoroso do Recife, que publiquei em 2014.

O nome “recife” é sinônimo de “arrecife” nos dicionários. O batismo da cidade veio desses muros aflorados por milênios na costa pernambucana: arrecife ou recife. O nome é masculino desde a origem. No entanto, sei por experiência que devemos sair da visão etimológica, porque ela se esvai nos costumes dos dias presentes. Imaginem o que seria a comunicação se conversássemos usando palavras no significado etimológico. Cairíamos numa comédia do diálogo entre um homem do século XVI com outro do século XXI.

Penso que devemos partir do histórico mais perto do presente. Melhor, devemos vir do histórico que se fez civilização, dos poetas e escritores que falaram e falam da cidade no gênero que ficou, por força da arte e do pensamento. Pois não é próprio e legítimo estabelecer pontes entre o gênero prático e o gênio poético?

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Amado Batista e a tortura voltam, por Urariano Mota

Amado Batista e a tortura voltam

por Urariano Mota

“Eu acho que mereci a tortura. Fiz coisas erradas, os torturadores me corrigiram, assim como uma mãe que corrige um filho. Acho que eu estava errado por estar contra o governo e ter acobertado pessoas que queriam tomar o país à força. Fui torturado, mas mereci”.

A frase acima é do compositor de pérolas Amado Batista. Em 2013, quando comentei essa brutalidade, pude escrever:

A primeira coisa que destaco na frase do cantor Amado é a mentira, sob duas faces. Na que mais aparece, a mentira objetiva, da realidade a que se refere, pois a ninguém deve ser dada a punição da tortura, e no caso de Amado com o agravo do adjetivo “merecida”. Na outra face, mentira subjetiva mesmo, porque o não muito Amado desloca a dor sofrida para a felicidade da ética, aquela em que fazemos o justo, ainda que seja desconfortável.

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A ficção de Michel Temer, por Urariano Mota

A ficção de Michel Temer

por Urariano Mota

Todos vimos uma das mais repetidas notícia desta semana: o presidente Michel Temer discursou contra a denúncia de corrupção passiva apresentada pelo procurador-geral da República Rodrigo Janot. Penso que se depois de um  longo sono acordássemos de repente em junho de 2017, pensaríamos estar diante de um capítulo de medíocre telenovela do Brasil. Lá na telinha, um ator no papel do Conde Drácula em traje civil discursava:

“Os senhores sabem que eu fui denunciado por corrupção passiva. Note, vou repetir a expressão, corrupção passiva a essa altura da vida, sem jamais ter recebido valores, nunca vi o dinheiro para cometer ilícitos....

Eu digo, meus amigos, minhas amigas, sem medo de errar, que a denúncia é uma ficção.... E eu volto a dizer: a denúncia de que sou corrupto é uma ficção”.

Para se defender com a maior cara de madeira, que não tem outra, o presidente Michel Temer valeu-se de um erro comum em políticos profissionais e até em jornalistas. A saber, que o outro nome da mentira é ficção, porque, num círculo vicioso, toda mentira seria ficção e toda ficção é mentira. Menos, ou melhor, o erro dessa fama é quase absoluto. Para não entrar numa pesada definição de conceitos, lembro de imediato uma opinião definidora sobre o que vem a ser a a grande ficção, que Engels viu na Comédia Humana: 

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12 poetas do Recife no rádio, por Urariano Mota

Por Urariano Mota*

O projeto nasceu para a Rádio Frei Caneca, emissora pública, que em fase experimental toca música. Eu pensava, e penso ainda, que a poesia pode entrar no rádio como se fosse música nos intervalos das canções. Talvez com um anúncio: “a rádio que toca poesia”.  É possível, desde que o poema seja bem lido e organizado em um ambiente receptivo. Afinal, todo ouvinte é uma pessoa, e toda pessoa é capaz e carente de poesia.

Depois de mais de 2 meses sem resposta,  apresentei o roteiro à Rádio Universitária  99.9 FM, no Recife. Então gravei o texto com a técnica, e o jornalista Roberto Souza lançou a poesia no ar, no programa O Redator Comunitário, por mais de duas semanas. A cada manhã subia um ou uma poeta. Vocês bem podem imaginar o que aconteceu. O ouvinte primeiro teve um espanto, depois um acostumado espanto, e mais adiante a espera dos minutos de poesia.  

Como o projeto não visa lucro ou pagamento autoral,  divulgo a seguir o roteiro dos 12 poetas do Recife. Qualquer rádio do Brasil fique à vontade para usá-lo. O importante é que a poesia sobreviva.

A seguir, a poesia pra tocar no rádio.

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Ariano Suassuna, erudito e popular, por Urariano Mota

Por Urariano Mota*

Há três anos, em um 24 de julho, assim falavam as notícias:

“O velório de Ariano Suassuna, realizado no Palácio do Campo das Princesas, no Centro do Recife, foi encerrado na tarde desta quinta-feira (24). Iniciado na noite anterior, ele ficou aberto durante toda a madrugada e recebeu grande número de parentes, amigos e fãs do escritor. 

Em cima do caixão, foram colocadas bandeiras do Sport, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), do estado de Pernambuco e do Brasil. O enterro está previsto para acontecer no Cemitério Morada da Paz, em Paulista, Grande Recife, por volta das 16h”.

Mas as notícias nada falavam do clima real, do povo real, no enterro de Ariano Suassuna. Eu estava na fila, do lado de fora do Palácio do Governo, à espera da ordem para que todos pudessem entrar em ordem até o caixão. Mas a fila não se movia. Nela, apenas se ouviam murmúrios de um povo que se conformou à fila de inúteis esperas, sob o sol ou sob a chuva como um destino. Na longa conformação as pessoas se lamentavam: “disseram que depois da missa a gente podia entrar. Mas já faz mais de hora que a missa acabou”. Eu olhava meu relógio, que parecia também ganhar a imobilidade da fila: 30 minutos, quarenta minutos... Juro que eu temia ouvir a qualquer momento um grito de lá da frente:

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Para o amor maduro, por Urariano Mota

Por Urariano Mota*

Neste Dia dos Namorados, salvo do esquecimento esta crônica para os casais de todas as idades. 

Assim como nas sucessões do tempo de toda a natureza, da flor que fenece e cai e se ergue em outra a partir dos grãos derramados, assim como a onda do mar que se espraia e se desfaz e se refaz dos seus restos em nova onda, assim também o amor se faz um sentimento de marcas e rugas que entranham à vista o sol que se foi e se organiza em nova pele. Tem um sabor íntimo do vinho de que se aprendeu a gostar, uma cumplicidade de lições apreendidas ao toque sem palavras, que o primeiro fogo não poderia construir.

Pois não é próprio do fogo o consumo e o autoconsumo voraz no incêndio, mas lento depois até as brasas que por fim esfriam? Pois sendo próprio do fogo a destruição inexorável, linear e de sentido único, do começo para o fim e sempre, é no entanto mais próprio da pessoa humana o guardar semelhança com os fenômenos naturais, mas sem se deixar reduzir ao que não tem o salto e a qualidade da gente.

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O terror em Londres e o Brasil, por Urariano Mota

O terror em Londres e o Brasil

por Urariano Mota

No mais recente atentado terrorista em Londres, os jornais chamaram a atenção para uma importante autoridade policial, que dirige a segurança para os ingleses. As notícias falavam, sem atentar para o histórico da figura:  

“Cressida Dick, comissária da polícia de Londres, informou ao início da manhã deste domingo que o ataque em Londres fez sete vítimas mortais e feriu 48 pessoas. Os três atacantes foram abatidos e, nesta altura, a polícia acredita que a situação está "sob controlo", mas as áreas afetadas vão continuar interditas e os agentes prosseguirão com as buscas para assegurar que a ameaça foi totalmente neutralizada”.

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O amor antes do ponto, por Urariano Mota

O amor antes do ponto, por Urariano Mota

Há quem pense que a carência de tudo era a causa “determinante”, para usar uma palavra das discussões da época, a causa fundamental para o que amávamos então. Assim como a economia determinava a história, a política, a sociedade, enfim, todo o universo material e espiritual, porque assim nos teria ensinado Marx – e sempre conforme o jargão simplificador das nossas encarniçadas discussões -, assim também a nossa carência de afeto seria a essência do que amávamos. Quando ouvíamos Tenderly com Ella Fitzgerald, ou os agudos do pistom de Louis Armstrong, quando ali nos encantávamos com a música, que nos deixava como almas penadas de carinho a flutuar, isso devia ser consequência do determinante, o coração que era só fome. Escapava de nós, digamos, a dialética do subjetivo e do objeto, para usar uma categoria mais filosófica. Mas não. Penso que o surgimento de Eva estava além dos argumentos da simplificação e do sofisticado. Stars fell on Alabama, penso, cantava na surdina. Desde a primeira noite, quando não foi possível tê-la plena, naquela agonia em pé, encostado à parede de tabique. Amor apressado, veloz, porque lá fora me esperava para ter uma dormida Olavo Carijó. Maldito. Por que sempre haverá um dever na hora da mais sublime felicidade? É como uma punição, um freio ou uma interdição dos poderes ocultos do sagrado evangelho, de Deus, não se poder abandonar ao prazer, ao amor livre e liberado. É como se não pudesse haver um justo e honrado momento em nossas vidas para um Summertime. Numa manhã, acordar cantando e abrir as asas, voar pelo céu, mas até essa manhã não há nada que possa nos ferir, será? Ainda assim, naqueles minutos concedidos pela carência, guardo a sua delicadeza e graça ao tocar a porta do quarto onde eu ainda estava sozinho. Tocou a porta, que cedeu. Não julgava que ela viesse, não acreditava que o convite feito numa voz cheia da coragem dos bêbados, falada entredentes na pia do corredor, “deixo a porta encostada”, numa ousadia que não sei onde fui buscar, mas sei, foi a ousadia da necessidade, eu duvidava que ela aceitasse o convite feito sem as flores da corte cavalheiresca. Gutural, com a falta de educação dos brutos: “deixo a porta encostada”. Apesar disso, ela acedeu, acendeu e ascendeu para mim.

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A beleza na Miss que envelhece, por Urariano Mota

A beleza na Miss que envelhece, por Urariano Mota

A imprensa fala hoje, entre um Trump e Temer, do próximo Concurso Miss Universo 2017.  Há leitores para tudo, em especial para o que distrai das angústias da vida.  E para as candidatas, agora, tudo é agitação e vivas a seus encantadores corpos.  Muito bem, aplausos. Mas o que virá para elas quando chegar o futuro que voa tão rápido nos próximos dias?

Penso numa senhora que certa vez me concedeu uma entrevista. Ela, Vera Lúcia Torres Bezerra, era então uma mulher a quem a educação e a gentileza não deveriam perguntar a idade.

Em uma discreta graça, que a maldade chamaria coquete, de passagem ela contou que foi Miss em 1963 quando possuía apenas 16 anos! Ah. Pela implacável aritmética em 2010, devíamos ter 2010 -1963 = 47. E quarenta e sete mais dezesseis, sessenta e três.  Mas isso era segredo, ela falava com uma graça maior, porque mocinhas menores de idade não poderiam participar do concurso. Então, pelas normas legais, se ela foi Miss aos dezoito, estaria  na ocasião por volta  dos sessenta e cinco anos. Mas a Lei e a cruel Aritmética de nada sabem. Entendam, não é bem que as pessoas, as mulheres em particular, e Vera Lúcia em especial, não sintam nem sofram quarenta e sete mais dezesseis anos. Sentem, percebem, sofrem, se desesperam ou se acomodam a esse inexorável. Não quero ser, nem poderia em razão de natural deficiência, um Catão, um copiador de procedimentos de Plutarco, a invocar ética dura e pesada moral. Mas pessoas como Vera Lúcia penetram em nossa consciência como uma antecipação do que seremos. O que nos salva ou nos salvará quando tudo for perdido?

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A ditadura ainda não é um fantasma, por Urariano Mota

A ditadura ainda não é um fantasma

por Urariano Mota

Na semana passada, com o Exército nas ruas de Brasília para reprimir a “baderna” nos protestos contra Temer, mais de uma pessoa lembrou as imagens do golpe de 1964. Nessa associação entre o que foi e o presente, alguns analistas falaram em fantasmas da ditadura que voltavam às ruas.  Mas penso que não é fantasma um regime ainda insepulto, apesar do novo tempo da democracia que vivemos. Quero dizer, não pode estar morto esse tempo que não foi assimilado como tragédia. Os crimes contra os direitos humanos dessa época ainda estão impunes. E mais grave, o drama humano dos assassinados e guerreiros não é sequer conhecido pelos mais jovens.  

Nos limites deste espaço, divulgo um trecho do meu próximo romance “A mais longa duração da juventude” nas linhas a seguir.

Por que Soledad Barrett caiu no vulgaríssimo laço do Cabo Anselmo? Eu não posso, ninguém pode escrever um teorema das relações humanas. Para os sentimentos não há um conjunto de frases lógicas, num crescendo que se revela ao fim um desastre. Numa tragédia, CQD, Como Queríamos Demonstrar. Não sou mecânico ou cruel, porque falo à luz da viva experiência. Nos anos da ditadura, os militantes mais ardorosos queriam imprimir no coração o imediato de suas convicções partidárias. Às vezes nem era preciso gravar a impressão do panfleto, porque já estava inscrito. Quero dizer, havia mistura de sentimentos, vários, dos mais piedosos da formação cristã a palavras de ordem....

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Temer, o presidente-fantasma, por Urariano Mota

Temer, o presidente-fantasma, por Urariano Mota

Entre os significados da palavra fantasma, podemos ver no Dicionário Aulete:

“Suposta aparição de pessoa que já morreu; alma penada; ASSOMBRAÇÃO; ESPECTRO”. Ou então, a seguir: “Imagem sobrenatural que alguém julga ver”. E mais adiante: “Pessoa que apenas aparenta ou representa um papel que deveria ter”

E mais nos ajuda o bom dicionário:

“Seguindo um substantivo, ao qual se liga por hífen, tem valor de adjetivo e significa 'não existente, fictício, criado para iludir, especialmente com fins fraudulentos’ ”.

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Lula e o caso do Tríplex, por Urariano Mota

Arte: Greg/DP

Lula e o caso do Tríplex

por Urariano Mota

No depoimento do ex-presidente Lula ao juiz Sérgio Moro, o destaque do interrogatório foi o famoso tríplex do Guarujá. Esse  maravilhoso e paradisíaco superapartamento, luxuoso e digno de um dos maiores líderes políticos do planeta, encheu mais os nossos olhos e ouvidos que o profundo riacho do Ipiranga cantado no Hino Nacional.  

A esta altura, acredito que o tríplex se tornou mais que um caso judicial e político. Pelas perguntas que iam e voltavam, pela riqueza de abordagens, pelos diferentes ângulos levantados por Moro, pelo vulto do vilão, personagens e  crime, o apartamento se fez também o caso do tríplex 174 da literatura policial. Não custa nada lembrar as principais características do gênero.  

Desde Edgar Allan Poe, com Os Assassinatos da Rua Morgue, a literatura policial se caracteriza pelos elementos básicos de crime, investigação e descoberta do criminoso. Mas, sabemos: do começo ao fim o desenlace deve ter uma razão lógica e possível.  O narrador, ou a voz que conduz, não pode cometer erros técnicos ao falar do método do crime e da investigação. Os personagens e o ambiente devem ser reais. Percebem? O que haveria de mais concreto que o fabuloso tríplex na praia do Guarujá no tempo da delicadeza da propina?

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Para o dia das mães, por Urariano Mota

Para o dia das mães, por Urariano Mota

Neste domingo, penso que é de justiça um trecho do romance “O filho renegado de Deus”, que publiquei na Bertrand Brasil em 2013. Estas são as linhas: 

“Maria, perdoa por agora eu não te chamar de mãe. Assim não te chamo já porque não quero me curvar à degeneração do sentimento, ainda que eu saiba ser filho do sentimento. Por enquanto és Maria, mais mulher, santa que todo casto e pervertido cristão ama. Perdoa-me, por ora. Assim te chamar Maria é um tributo a todas as mulheres como tu, mulheres que deveriam ser abraçadas todas, em lugar de destruídas, como as marias, mariazinhas sem nada, a não ser o sexo e o nome comum. Já vês, com o mesmo discernimento fino dos teus últimos dias, em que vias e mergulhavas num silêncio sozinha, porque não querias magoar a quem amavas, já vês a contradição e o paradoxo do que tenho em ti e como eu te guardo em mim. Pois como posso te remeter àquela que para todo cristão está no céu e ao mesmo tempo te repor na terra, no destino costumeiro de toda desgraçada? Não haveria nisso um descaminho, um desvirtuamento, por querer dar a graça divina a teus vestidos podres e sujos de doméstica? Ou seria, de modo mais próprio, a subversão da subversão, porque traz de volta à terra o que fora deslocado para o céu? Aqui não nego na terra a majestade das tuas vestes que fediam, como depois o disseram. Prefiro este caminho, o de ver o céu, a humanidade magnífica no que tens de despojada, nua, no teu doce leite de índia. Sim, Maria, agora sei e repito e te repito e me reforço em todas as minhas carnes, que sou filho do teu doce leite de índia. Digo isso e assim e desta maneira paro, porque preciso respirar, inspirar, preciso de ar como naquele instante em que me salvaste do soco de Dirico no fígado. E tão primário, elementar e fundamental é o leite que bebi em teus seios, e dele venho bebendo pelo resto da vida, o que talvez não adivinhavas, porque eu próprio até então não sabia desse elementar elemento. Pois sou filho do teu leite, quase diria, sou filho do teu enorme afeto, como outros são filhos do leite de Marias brancas, negras, amarelas, ruivas, pardas, marias. Das Marias desgraçadas, de modo mais preciso. Da precisa Maria Desgraçada que um dia foste.

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Severina doce, fraterna e companheira, por Urariano Mota

Severina doce, fraterna e companheira

por Urariano Mota

Para o 13 de maio, copio um trecho do meu romance “A mais longa duração da juventude” https://www.amazon.com/longa-dura%C3%A7%C3%A3o-juventude-Portuguese-ebook/dp/B01N48T0JU :  

Nunca será demais ou excessivo o tributo que devemos à generosidade da mulher anônima. Em mais de uma oportunidade, o seu coração nos fez abrigo quando tudo era terror de Estado. Penso na cozinheira da pensão, dona Severina, uma senhora negra, analfabeta, que lia como ninguém as necessidades dos fodidos. Mais e melhor que a Irene de Manuel Bandeira, “Irene boa, Irene preta, Irene sempre de bom humor”, maior foi Severina, porque a sua bondade era ativa, não era aquela da criada perfeita, sempre a serviço dos patrões, que por isso entrará no céu, apesar de negra. Não, sob risco, na conspiração sem palavras e sem bandeira, muda, quanto devemos a ela? Severina lia em nossos olhos a angústia, e um sorriso se insinuava em seu rosto, quando nos olhava com olhos graúdos como se nos dissesse: “Eu te compreendo, futuro. Se para a humanidade houver algum, eu te compreendo, futuro camarada”. Esta lembrança vem na escrita. A gente tem que escrever para não ser um filho da puta, ou um ingrato, pior que os gatos domésticos. Por quê? Eu pagava somente a minha vaga e alimentação. Almoçava lá embaixo, mas lá em cima, Luiz do Carmo estava trancado sem comer. Então eu comia até a metade do meu prato. E ao me levantar da mesa com os meus 50% deixados, eu falava para me justificar do modo exótico de comer:

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Teremos festa no 8 de maio francês?, por Guilherme Cavalheiro

Sugestão de Urariano Mota

Amigos, divulgo a seguir a reflexão crítica de Guilherme Cavalheiro, cientista político que hoje vive e trabalha na França. Ele está no olho do furacão e vê por nós o que a tevê nos esconde.

Teremos festa no 8 de maio francês? *

Guilherme Cavalheiro

A França comemora nessa segunda-feira mais uma vitória contra fascistas, racistas, antissemitas e conservadores de todos os matizes. Falo do feriado nacional de 8 de maio, comemoração da vitória contra os nazistas em 1945. Mas poderia estar falando também da provável vitória contra o Front National, partido fundado por fascistas, racistas, antissemitas e conservadores de todos matizes. Infelizmente, se em 2002 Jacques Chirac esmagava a besta imunda com 82% dos votos, a bestinha Le Pen ganhará no mínimo o apoio de 40% dos eleitores no domingo, 7 de maio, mais que dobrando o resultado de seu pai. Do que escapamos com a vitória de Emmanuel Macron ?

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Como receber os gringos que invadirão o Brasil, por Urariano Mota

Como receber os gringos que invadirão o Brasil

por Urariano Mota

A BBC Brasil anunciou ontem http://www.bbc.com/portuguese/brasil-39802863 :

“Tropas americanas foram convidadas pelo Exército brasileiro a participar de um exercício militar na tríplice fronteira amazônica entre Brasil, Peru e Colômbia em novembro deste ano.

Segundo o Exército, a Operação América Unida terá dez dias de simulações militares comandadas a partir de base multinacional formada por tropas dos três países da fronteira e dos Estados Unidos.

Descrita pelas Forças Armadas como uma experiência inédita no Brasil, a base internacional temporária abrigará itens de logística como munição, aparato de disparos e transporte e equipamentos de comunicação, além das tropas. O Exército afirma que também convidou ‘observadores militares de outras nações amigas e diversas agências e órgãos governamentais’".

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