A Polícia Federal deflagrou a nona fase da Operação Compliance Zero mirando no senador Jaques Wagner (PT), atual líder do governo Lula no Senado. A investigação, autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, apura supostas fraudes e irregularidades envolvendo o Banco Master e aponta o parlamentar baiano como suposto beneficiário de vantagens indevidas que variam entre 3,5 milhões e 8 milhões de reais.
Os mandados de busca e apreensão foram cumpridos em endereços na Bahia, em São Paulo e no Distrito Federal, embora o gabinete e o escritório oficial do senador no Congresso tenham sido poupados por recomendação da Procuradoria-Geral da República.
De acordo com as investigações da PF, Jaques Wagner teria supostamente atuado politicamente dentro do Congresso Nacional em favor de pautas estratégicas e de forte interesse econômico para o Banco Master. O senador já negou as acusações. A PF apontou supostas interlocuções e a tramitação de propostas como emendas relativas ao Fundo Garantidor de Créditos e regras de crédito consignado em períodos muito próximos a transações contratuais com empresas ligadas ao núcleo familiar do petista.
As suspeitas da Polícia Federal também indicam uma relação indireta com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. A tese dos investigadores é que o senador teria recebido benefícios intermediados por Augusto Lima, empresário amigo de Wagner, apontado como aliado de Vorcaro. Entre as supostas vantagens entregues ao parlamentar estariam viagens, voos em aeronaves particulares, ingressos para shows internacionais e um apartamento de alto padrão em construção no bairro do Horto, em Salvador, avaliado em cerca de 2,4 milhões de reais. O senador concedeu entrevistas negando as vantagens indevidas.
Durante as buscas realizadas na residência do senador, os agentes federais apreenderam uma quantia em dinheiro guardada em moeda estrangeira. O valor exato total não foi divulgado de forma oficial pela corporação, mas as cédulas de dólares estavam armazenadas em envelopes timbrados do próprio Senado Federal. Wagner justificou publicamente a existência desse montante, garantindo que o dinheiro tem origem totalmente declarada e legítima, sendo fruto exclusivo de diárias de viagens oficiais internacionais pagas pela própria casa legislativa ao longo de seus mandatos como parlamentar. Segundo o Portal da Transparência do Senado, entre 2019 e 2026, o senador realizou 27 viagens internacionais e recebeu US$ 66,8 mil em diárias.
Cargo em xeque
Apesar da operação ter provocado discussões de bastidores e pressões por parte de deputados e integrantes do próprio partido sobre a conveniência política de sua saída, Jaques Wagner declarou que não pretende se afastar e não entregará a liderança do governo no Senado por iniciativa própria.
O senador revelou, em entrevista à Band, ter recebido uma ligação telefônica de solidariedade do presidente Lula após a ação policial e reforçou que a permanência na função depende única e exclusivamente da decisão do chefe do Executivo, por se tratar de um cargo de confiança da presidência da República.
Outro lado
Em manifestação pública e por meio de nota de sua assessoria, o senador Jaques Wagner rechaçou categoricamente todas as suspeitas levantadas pela Polícia Federal. Ele garantiu estar absolutamente tranquilo em relação às investigações e afirmou que sua relação com Daniel Vorcaro é zero, destacando que jamais recebeu recursos financeiros do Banco Master.
Sobre o imóvel em Salvador, o petista explicou que se trata apenas de uma intenção futura de compra intermediada por seu amigo Augusto Lima, investidor, com o intuito de ajudar a filha a adquirir o imóvel, mas sem que tenha ocorrido qualquer transferência patrimonial para o seu nome.
A defesa de Augusto Lima também se pronunciou, qualificando as buscas realizadas como desnecessárias e ressaltando que o empresário está há meses totalmente à disposição das autoridades competentes para comprovar a estrita licitude de todos os seus atos.
Leia a nota emitida pela defesa de Jaques Wagner abaixo:
Nota à imprensa
O senador Jaques Wagner (PT-BA) esclarece que não é réu, não foi denunciado e não foi acusado em nenhum processo relacionado aos fatos investigados. O parlamentar acompanha com tranquilidade o andamento das investigações e mantém a confiança na condução delas.
Cabe esclarecer que o apartamento mencionado jamais integrou o patrimônio do parlamentar. O senador também nega atuação em favor do Banco Master ou qualquer outra instituição financeira.
Sobre os valores em espécie apreendidos, a assessoria informa que o montante é fruto de diárias legais, declaradas e não utilizadas em missões internacionais oficiais. Por fim, o senador Jaques Wagner reitera que permanece à inteira disposição das autoridades para prestar quaisquer esclarecimentos, com a certeza de que a verdade prevalecerá.
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