16 de junho de 2026

Como Aécio Neves e Campos inviabilizaram o Rede de Marina

O jogo do poder e a falsidade do discurso.

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Aparentemente a estratégia de Aécio e Eduardo Campos teve êxito contra Marina.

Responsáveis pela  antecipação da corrida eleitoral como estratégia para conter Marina Silva, os presidenciáveis do PSDB e PSB, conseguiram muito mais do que almejavam, conseguiram impedir a criação do Rede.

O que era um movimento que visava simplesmente minimizar possíveis perdas em suas estruturas partidárias, teve um êxito acima do esperado, que culminou com a inviabilização do partido de Marina para o próximo pleito presidencial.

Pois bem.

Atingido o objetivo, resta tratar dos despojos.

O mais rutilante de todos, sem dúvida alguma, é a própria Marina, com seu potencial de candidata.

E, todas as formas de aproveitamento são utilizadas.

A primeira, por óbvio, tem dupla intenção (ou múltiplas intenções), busca ao mesmo tempo cooptar (trazer) Marina para seu bloco de apoio e colar seus nomes (mais fracos) a imagem dela.

Isso, com um discurso que beira o cinismo, pois o fracasso desta na criação do Partido Rede tentará ser debitado a candidatura da atual presidente Dilma Roussef.

Talvez o remédio tenha sido forte demais e tenha matado o doente, mas, para bons entendedores, todos sabemos quem exagerou na dose.

Reporto-me a comentário feito neste blog em março deste ano para fins de contextualizar a análise:

Pois bem, este é o quadro inicial…

Marina e José Serra (estáticos)  queriam  apenas manter o status quo de pré- candidatos, não desejavam antecipar a disputa pela sucessão, e isso por um singelo motivo, são pessoas de projeção nacional, não precisavam de uma larga exposição na mídia para serem conhecidos, e assim viabilizarem,  ainda que minimamente, suas candidaturas, notadamente  em um período tão distante do pleito eleitoral

Nesse contexto, tal circunstância não se aplica aos “candidatos” Aécio Neves e Eduardo Campos, desconhecidos em termos de Brasil, na qualidade de candidatos à Presidência da República.

Este é o quadro inicial, estático.

Uns querem a inércia, enquanto outros, tensionam a largada.

Vamos aos componentes que precipitaram o inicio da sucessão.

Nesse quadro, de plano pode-se ponderar que tal análise não é totalmente verdadeira em relação a Marina, visto que ela, nesse momento,  está “estruturando” um novo partido e, se isso não for antecipação de disputa, o que seria…

Entretanto, neste ponto, o problema é que tal iniciativa, em tese, se amolda a necessidade primária no campo da política eleitoral, pois, Marina não tem base de apoio real, não tem estrutura partidária efetiva, em outros termos, sua movimentação era, e é, questão de sobrevivência política.  

Anoto que, nesse caso, a disputa eleitoral antecipada é prejudicial para Marina, uma vez que tolhe a sua iniciativa, pois, em um momento em que ela está criando um novo partido, a última coisa que ela poderia querer é que se acirrasse a disputa pela presidência, ainda que tenha ela como possível candidata (fato irrelevante, frente a sua flagrante condição de virtual candidata).

Por paradoxal que seja, em relação às pretensões de Marina, certamente essa iniciativa foi  um dos motivos que anteciparam a abertura da sucessão pelos demais candidatos, ou melhor, essa iniciativa talvez (com certeza) não tenha sido só dos candidatos, mas dos partidos (considerados em sua estrutura e grupos de interesses ) potencialmente ameaçados em sua base de poder e influência, os quais, de pronto, contaram com a adesão dos candidatos Aécio e Campos.

É que, não há melhor forma de manter a coesão (ou mesmo agregar novos aliados) em um momento de reestruturações partidárias, que o lançamento de uma candidatura relativamente viável.

Assim, uma ação aparentemente descolada da conjuntura política, quase um fato isolado, acarretou mudanças até então imprevistas em relação sua tempestividade.

(íntegra do texto http://www.advivo.com.br/comentario/re-acompanhada-de-campos-dilma-anuncia-investimentos-para-o-ne-5)

Prosseguindo.

Os atuais movimentos partidários em relação aos presidenciáveis, Aécio e Campos, portanto, destinam-se primordialmente a manter seus candidatos na mídia, quaisquer que sejam os fatos que tenham o condão de viabilizar tal inserção.

Assim, vemos diariamente o Aécio, sempre tentando colar seu nome a pessoas com maior expressão, nem mesmo Serra escapa disto.

Campos, ao tentar utilizar a mesma estratégia, como já foi dito, esbarra em seu próprio ego, pois, quando sua exposição midiática se dá com alguém que tem sua imagem mais fortemente repercutida pelos meios de comunicação, sempre ficará em posição inferior.

Neste caso,tal estratégia  não serve nem mesmo para que este se torne conhecido, uma vez que o prejuízo é maior, visto que acarreta a destruição da imagem política de um político forte (o que estaria em total contradição com a figura submissa atual).

Entretanto, uma ultima questão.

Frente ao campo político em que se situa, Campos, se alterar sua estratégia, é quem, na realidade tem o maior potencial para crescer a sombra do nati morto Rede.

Nesse caso, novamente a estratégia de Aécio e do PSDB pode se revelar, mais tarde, no caso de Campos se referenciar como o adversário viável contra Dilma, como o maior equívoco da história deste partido, com conseqüências imprevisíveis.   

Resta estar atento aos próximos movimentos, a partir deles se delineará o novo quadro.

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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