18 de junho de 2026

A estranha justiça de Bicudo e Reale Júnior, por Henrique Fontana

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Da Carta Maior

A estranha justiça de Hélio Bicudo e Miguel Reale Júnior

Nesta estranha justiça, apresentaram seu pedido de interrupção do mandato presidencial a Eduardo Cunha, silenciando sobre as denúncias contra ele.

por Henrique Fontana, Deputado federal (PT/RS)

Esta semana, o ex-promotor Hélio Bicudo e o jurista Miguel Reale Júnior entregaram na Câmara dos Deputados mais um pedido de impeachment da presidenta Dilma Rousseff. Já é o terceiro remendo ao original, diga-se. Nele pedem o impedimento de uma presidenta sob a qual não pesa nenhuma acusação de crime cometido, ou mesmo denúncia de corrupção. O remendo atual, aos insustentáveis pedidos anteriores, está apoiado na suposta reincidência do governo na prática das pedaladas ficais no ano de 2015. Vejam: de um ano fiscal que sequer terminou, sobre contas do governo que ainda não foram analisadas por técnicos e ministros do Tribunal de Contas da União, e muito menos votadas pelo Congresso Nacional, a quem cabe a última palavra. O ex-promotor e o jurista inauguram assim uma nova modalidade no Direito brasileiro: a “presunção de crime futuro”, que mais parece uma versão nacional, torta, do famoso filme “Minority Report”.

 
Nesta estranha justiça, apresentaram seu pedido de interrupção do mandato presidencial ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha. Justamente sobre o qual recaem diversas denúncias de corrupção e robustas provas da existência de contas no exterior abastecidas com dinheiro provindo de propinas e corrupção que remontam a década de 1990, conforme denúncia do Ministério Público Federal acolhida pelo Supremo Tribunal Federal. Mas sobre isto silenciam.
 
Parece ainda que não merece nenhuma linha de indignação por parte de Bicudo e Reale as denúncias de mau uso da máquina pública por Aécio Neves e seus mais de cem voos diretos Minas-Rio, o Trensalão do PSDB paulista, o Mensalão tucano de Minas Gerais, a operação Zelotes, ou as contas secretas no HSBC na Suíça.
 
Movidos pela intolerância política, ou cegos pelo ódio crescente expresso por certas camadas da sociedade e parte da grande mídia, a quem pretendem representar, o certo é que esta miopia ética embaça a visão do todo e foca apenas na parte. A que lhes interessa, fique claro. A indignação seletiva esconde uma reação, quase alérgica, a tudo que represente esquerda, movimentos sociais, distribuição de renda, políticas públicas de inclusão social. Instrumentaliza-se convenientemente o tema da corrupção, que deve ser combatida diuturnamente, para apear do poder a presidenta da República e tornar proscrito apenas um partido, criminalizando seus militantes e simpatizantes indistintamente.
 
Na perspectiva de Bicudo e Reale, o respeito ao devido processo legal, à democracia e a legitimidade conquistada nas urnas não representam nenhum impeditivo aos seus ímpetos, e a ilegitimidade do atual presidente da Câmara acusado de corrupção como condutor da insensata marcha do impeachment é apenas um detalhe. Na ânsia de retirar do poder a presidenta Dilma, o ex-promotor e o jurista promovem uma estranha noção de justiça – enviesada – que se levada a termo produziria na verdade uma vingança política para a parte litigante conservadora inconformada com o resultado das urnas de 2014.
 
*Deputado federal (PT/RS)

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13 Comentários
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  1. Nosde

    22 de outubro de 2015 6:20 pm

    Bicudo é apenas embalagem, se

    Bicudo é apenas embalagem, se lhe tirarem a advogada tutora, creio que ele nem ande . . .

  2. Francisco Andrade

    22 de outubro de 2015 6:55 pm

    curioso, …

     

    nesse mundo doido, ….  no caso do Bicudo, …. o filho será a redenção do nome do pai, … e no caso do Reale, … o filho será a danação do nome do pai….

     

     

    ironias, …. ironias….

  3. jc.pompeu

    22 de outubro de 2015 7:05 pm

    “A estranha justiça de Bicudo

    A estranha justiça de Bicudo e Reale Júnior, por Henrique Fontana

    …coisa estranha de verdade, e deprimente que beira a alçada política dos direitos humanos contra o idoso sábio, lúcido, patriota, é o filho fisiológico, titular ingrato e mal agradecido, desautorizar e desacatar e injuriar, em praça pública em rede nacional, o ilustre pai biológico e o pai maior da ética, da justiça pública, da moralidade política, da coragem cívica em prol da verdade e do zelo com a coisa pública do povo brasileiro.

    1. Roberto Monteiro

      22 de outubro de 2015 7:51 pm

      Tu tens filho?

      Talvez um dia, precises de um.

  4. Fábio de Oliveira Ribeiro

    22 de outubro de 2015 7:13 pm

    Ambos não são juristas, mas

    Ambos não são juristas, mas apenas vilões velhos e velhacos.

    Bicudo destila seu ódio irracional pelo PT. Ele queria ser nomeado para o STF e não foi?

    Reale Junior encena o golpe de estado tentado por seu pai contra Getúlio Vargas. Ele elaborou uma tese pseudo-jurídica porque não tem coragem de usar um revólver?

    Não avançamos na história, voltamos à década de 1950 com ajuda de velhotes hipócritas, histéricos e histriônicos. Difícil dizer em que categoria colocar FHC, José Serra e Aloysio Nunes.

  5. Maria Luisa

    22 de outubro de 2015 7:14 pm

    Impostores

    Mas esse empeachment é tão fuleiro, tão gopista, que eles estão apelando para deus e o diabo na terra do sol. Se uma coisas dessa passa, é o fim da esperança por um novo Brasil. Pelo menos perderemos muitos anos, lutando contra impostores.

  6. JKLM

    22 de outubro de 2015 7:26 pm

    Cunha o impeachment do governo da Suiça

    Por Hylda Cavalcanti, no Blog do Altamiro Borges

  7. eduardo outro

    22 de outubro de 2015 7:42 pm

    BICUDO

    Pelo passado irretocável de Helio Bicudo fiquei bastante preocupado quando o vi fazendo propaganda para Serra presidente. Depois considerei aquilo coisa de foro íntimo e que eu não tinha direito de julgá-lo, até porque a divergência de idéias é o fundamento da Democracia. Vendo-o hoje, alicerçando os golpistas, ao lado desses ícones da direita, silencioso diante dos desmandos “dos outros”, destilando um ódio doentio a Lula e ao PT, concluo que seu passado não é irretocável, é apenas não conhecido. Com relação a Reale Junior, nenhuma surpresa.

  8. Vânia

    22 de outubro de 2015 7:42 pm

    *

  9. antonio francisco

    22 de outubro de 2015 8:06 pm

    Conta na Suiça? – Não é dele, é do irmão gêmeo, Kkkk!

    Cunha chora ao ver xerox de seu passaporte na Suiça e assume que tem um irmão gêmeo desaparecido

    (do Blog Sensacionalista)

     

    http://sensacionalista.uol.com.br/2015/10/16/cunha-chora-ao-ver-xerox-de-seu-passaporte-na-suica-e-assume-que-tem-um-irmao-gemeo-desaparecido/

    1. José Muladeiro

      23 de outubro de 2015 12:03 am

      Seu irmão foi sequestrado…

      O inquérito para apurar o sequestro de seu irmão  está na gaveta do Janot. Seu irmão gêmeo foi sequestrado  e escondido numa cidade do interior de Minas, para onde foi levado de avião para um aeroporto clandestino. Dizem que o dono do aeroporto estipulou uma condição para libertar o seu irmão.  

  10. Luiz Antonio Antunes Machado

    22 de outubro de 2015 9:53 pm

    DEPRIMENTE

    O tal reale jr é atirador a soldo, mas o Hélio Bicudo ? Achei deprimente, com sua trajetória, entregar um pedido de impeachmente, seja de quem for, nas mãos de um deputado comprometido como é Eduardo Cunha. Pode ser que o atual presidente da câmara prove sua inocência, tudo é possível no atual estado de coisas. Mas me permito a ficar deprimido com este gesto simbólico do Bicudo. É de perder a esperança nas pessoas corretas deste país.

  11. João de Paiva

    23 de outubro de 2015 5:06 am

    Sobre Hélio Bicudo basta ler

    Sobre Hélio Bicudo basta ler o que escreveu o filho dele; mais: quatro dos filhos do ex-promotor reprovam catègoricamente a conduta golpista e a guinada conservadora do pai; esses filhos afirmam que HB, após a doença da esposa, se tornou amargo, rancoroso e vingativo. Não é preciso que comentemos, basta reproduzirmos as cartas desses filhos.

    Quanto ao outro, Miguel Reale Júnior, que foi ministro da justiça de FHC – assim  como o ‘ínclito’ e ‘impoluto’ Renan Calheiros – ele se vale do sobrenome famoso do pai, com a pretensão de obter algum respeito e credibilidade. Mas não passa de um ‘professor’ e ‘jurista’ de visão rasa, que a exemplo de Gilmar Mendes, Carlos Sampaio e Demóstenes Torres pratica a mais comezinha, mesquinha e suja política, usando dos títulos de catedrático e profissional do Direito, para dar verniz acadêmico á política da casa grande.

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