
por Jeferson Miola
Apesar de paradoxal na percepção do leigo, operadores do direito consideram juridicamente ajustada a decisão do TSE de não cassar a chapa Dilma/Temer.
O grande responsável pela estupefação e anarquia jurídica reinante atende pelo nome de Gilmar Mendes, o tucano do PSDB do Mato Grosso [Estado onde, segundo seu ex-colega Joaquim Barbosa, ele tem capangas] que atua como juiz no TSE e no STF.
A questão, em si, não é o julgamento atual, mas a abertura da AIME [Ação de Impugnação de Mandato Eletivo] no imediato pós-eleitoral de 2014 e os acidentes processuais derivados da interveniência dolosa de Gilmar Mendes.
A posição dele, consagrada vitoriosa no TSE, é contraditória com a posição inicial que ele defendeu no Tribunal em agosto de 2015 em conflito com a Constituição, que determina que “o mandato eletivo poderá ser impugnado ante a Justiça Eleitoral no prazo de quinze dias contados da diplomação” [CF, art. 14, §10].
Com a maioria conquistada no Tribunal, a continuidade inconstitucional da AIME passou a ser uma arma de reserva nas mãos do Gilmar e do PSDB para golpearem Dilma no caso de fracasso da estratégia do impeachment fraudulento.
Dilma exercia a Presidência e então, para agravar a instabilidade política já em nível crítico, ele recorreu do arquivamento da AIME recomendado pela relatora Maria Thereza de Assis Moura. Defendeu, na ocasião, a continuidade do julgamento apresentando provas, testemunhos e diligências que extrapolam a petição original e que, agora, em junho de 2017, ele decidiu invalidar – não só porque inadmissíveis à luz da processualística, mas sobretudo para manter Temer na presidência.
É certo que se Dilma ainda estivesse na presidência, a posição do Gilmar teria sido diametralmente oposta, e ele então militaria e votaria pela condenação da petista no TSE.
Durante as longas sessões do julgamento, Gilmar tergiversou que nunca pretendeu “cassar o mandato de Dilma, mas, sim, achava fundamental conhecer as entranhas do sistema” [sic]. Esta hipocrisia tem equivalência de peso e valor com a delinquência de Aécio Neves, que promoveu a AIME “apenas” para “encher o saco do PT!“.
Durante o julgamento, Gilmar agrediu o MP, constrangeu o relator Herman Benjamim e fez uma enorme ginástica hermenêutica para justificar seu posicionamento político-partidário. Com o olho na conjuntura, Gilmar fez declarações que seriam aceitáveis na boca de políticos e atores partidários; nunca, porém, na de juízes isentos e imparciais: “Não cabe ao TSE resolver a crise política do país“; “Não é algum fricote processualista que se quer proteger, mas o equilíbrio do mandato“; “Não se substitui um presidente a toda a hora, mesmo que se queira“.
Gilmar se tornou um personagem central da dinâmica política, o que seria uma realidade gravíssima não estivesse o Brasil sob a vigência de um regime de exceção. Numa democracia e na plenitude do Estado de Direito, nenhum juiz jamais poderia ter tal ascendência política sobre a política, sobre os políticos e os poderes executivo e legislativo – seja um Sérgio Moro da primeira instância; seja um juiz da máxima instância do judiciário.
Gilmar Mendes não reúne as condições para continuar atuando no judiciário brasileiro, menos ainda como juiz do TSE e do STF, porque sua trajetória de partidarismo com exibicionismo midiático é incompatível com a Lei e o Código de Ética da Magistratura, com os Códigos de Processo Penal e Civil e com a Constituição Brasileira.
Gilmar não atua com a isenção e a imparcialidade requeridas a um juiz, mas sim como um agente político-partidário com interesses ideológicos identificados. A parcialidade é a única variável constante da atuação dele com toga. Para predizer o destino do golpe, basta mirar os passos dele.
Em março de 2016 Gilmar não só validou como usou, com espantoso cinismo, a interceptação e divulgação criminosa que o juiz Moro fez dos telefonemas da Presidente Dilma, para justificar o impedimento da posse de Lula na Casa Civil. Ele agora, com idêntico cinismo, atua como advogado de defesa do Temer e do Aécio e desqualifica as conversas mafiosas que ambos mantiveram com o empresário corruptor Joesley Batista para coordenarem as práticas criminosas.
Os motivos para o impedimento do Gilmar Mendes são abundantes – menos pela posição que defendeu no julgamento do TSE, e mais pela trajetória nefasta de militante partidário.
Gilmar atua como um agente político-partidário e com o desembaraço político que seria admissível para os operadores da política escolhidos pelo voto popular, mas jamais para juízes. É passada a hora do julgamento do impeachment de Gilmar Mendes no Senado, onde vários pedidos foram protocolados, conforme prevê o artigo 52 da Constituição brasileira.
alexis
13 de junho de 2017 11:06 amPor trás do Gilmar
Atrás do resultado da votação, antes do voto de Minerva do Gilmar Mendes, existe o voto do trio de juizecos que foi contra o Ministro Benjamin. Temer colocou dois juízes da sua conta, poucas semanas atrás. O Napoleão encabeçou a votação, da mesma forma em que o Ministro Celso de Mello o faz quando é necessário rebater ao relator e provocar o voto manada na sequência. Gilmar veio apenas a sacramentar um acordo anterior, de bastidores. Acordos existem para objetivos comuns. Assim, desta história eu destacaria aquele “objetivo comum”, aquilo que está por trás do voto, o verdadeiro poder golpista do Brasil, que trabalha por trás das cortinas.
Pedro Rinck
13 de junho de 2017 11:24 amEssa conduta do Gilmar
Essa conduta do Gilmar constitui atentado ao princípio constiotucional do venire contra factum proprium.
romulus
13 de junho de 2017 11:41 am“ACORDÃO”: COMEÇA O FIM DA LAVA JATO
“ACORDÃO”: COMEÇA O FIM DA LAVA JATO (“TOO BIG TO FAIL”, ESTÚPIDO!)
Por Romulus & Núcleo Duro
– A Medida Provisória que permite ao Banco Central celebrar acordos de leniência – secretos! – com os Bancos muda o jogo.
– Esvazia sobremaneira o poder de chantagem da Força Tarefa da Lava a Jato – e de Palocci! – sobre o Mercado: a “bomba atômica” está em vias de virar uma…
– … biribinha (!)
– Esse fato – tomado isoladamente – é ruim para o PT. E para Lula (!)
– Mas…
– Sempre se pode contar com a estupidez dos Procuradores de Curitiba. Eles que – até agora! – ainda não entenderam que o Acordão é…
– … I-NE-VI-TÁ-VEL!
– Por quê?
– Ora, “é o too big to fail, estúpido!”.
– No caso, literalmente “estúpidos” M E S M O.
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nilo filho
13 de junho de 2017 11:54 amPara se ver: Paulo Henrique
Para se ver: Paulo Henrique Amorim no Conversa Afiada (12/06/2017): “Juiz Parcial não pode Julgar”
https://www.youtube.com/watch?v=S6D-53rct2k
Andre Araujo
13 de junho de 2017 1:07 pmNão existe realismo politico
Não existe realismo politico que indique a esta altura a viabilidade e a logica de semelhante processo msmo porque o Ministro Gilmar é hoje um defensor do establishment politico frente ao poder investigatorio.
Juliano Santos
13 de junho de 2017 1:51 pmQuando e se o Gilmar for
Quando e se o Gilmar for impeachado volto a acreditar no Brasil como país sério de novo. Enquanto isso acompanho como se fosse uma novela mexicana.
Wilson Ramos
13 de junho de 2017 2:26 pma culpa é nossa!
o que permite que crápulas como Gilmar Mendes façam e desfaçam, de acordo com o interesse da quadrilha que integra, é a nossa omissão em rejeitar as condutas no nascedouro. Ficamos aqui discutindo se o TSE não deveria aproveitar que o processo maroto, que já deveria estar arquivado a 2 anos não fosse a traficância de Gilmar, possa ser usado de forma oportunística para afastar o sub-chefe traidor, MT. De pegadinha em pegadinha, nossa Supremacia Tabajara Federal (STF) vai descumprindo o papel que nós, o povo, demos a ela. Deveriam sim é ser demitidos, por incompetência para a função que aceitaram e não revelam capacidade de exercer.
A única forma de o Brasil voltar à pretensão de um dia se tornar um país é anular os atos de abuso de poder que nos trouxeram à situação ridícula em que estamos e damos mostra de estarmos confortáveis com ela. Começando pela anulação do impeachment, que já tem pedido em processo e teria o condão de superar todo o quebra cabeça em que estamos metidos, tentando advinhar se a melhor seqüencia de pegadinha é direta, indireta, sangria de MT, etc. Até para o grupo golpista a saída da anulação está se encaminhando com a mais oportuna. E é por aí que terão que ir, já que não passam de oportunistas.
democracia direta
13 de junho de 2017 2:41 pmTODA ESSA DESGRAÇA É CULPA DO LULA!
Ele pegou o Brasil sem turbulências, e tinha amplo apoio do povo e do congresso, numa época de ouro da economia mundial. Enquanto nossos vizinhos conquistaram o direito de convocar o PLEBISCITO DESTITUINTE dos políticos com seus ABAIXO ASSINADOS, como se faz desde o século 13 no mundo desenvolvido, o Lula não avançou 1 milímetro em nossos direitos de cidadania. Por causa dele, hoje não adianta pedir o impeachment de juízes, como o Gilmar Mendes, que o presidente do senado engaveta. Se tivéssemos tal direito, duvido que ele tivesse a ousadia de engavetar tais pedidos, que se acumulam no senado. Por isso diversos juízes de Suprema Corte juízes de Suprema Corte já foram cassados nos Estados Unidos, onde não existe nem 10% da corrupção que vemos por aqui. Confiram o sistema político que o Lula e o PT não aceitam, e não se dispõe a exigir em suas faixas, carros de som, programas de TV, etc: http://democraciadiretabrasileira.blogspot.com.br/2017/01/por-que-somos-subdesenvolvidos.html?view=flipcard O Lula não quer que o povo interfira em seus “negócios”…
Egomet Leão
13 de junho de 2017 5:40 pmSou defensor e propagandista
Sou defensor e propagandista de um mote que coloca a Justiça brasileira em seu devido lugar: a lata de lixo.
Entretanto, no caso desse ministro, vulgo Gilmar Mendes, o caso é inteiramente outro; estamos lidando com marginal.
Da espécie mais vagabunda.
Padilha Novo
13 de junho de 2017 9:26 pmClaro. Claro. Os USA não têm
Claro. Claro. Os USA não têm interesse no Brasil, nem mesmo no pré-sal. Eles estavam espionando a Presidente, a Petrobras e sabe o que mais por questão de vicio. Como estão viciados em espionar e como o pessoal não tinha o que fazer resolveram fazer essas espionagens. Como eles são bonzinhos, não houve interesse nisso, nem mesmo maldade.
Marcos I Mendes
13 de junho de 2017 10:10 pmGilmar fica!!!
E…, cuidado senhores: logo ele será imperador do Brazil e poderá colocá-los na masmorra. Temei-vos!
Temer não fica até 2018. Tem de haver eleição indireta para afastar a Jararaca, que deveria estar tomando chá com o Snowden, sempre repito.
O motivo da suspensão do voto direto será culpa do “terrorismo”. Mas para ele aparecer o povo tem de ir às ruas. Mas, cara, o povo não vai. E o Temer está aí para o povo ter um motivo para ir. Esse embaixador já está de saco cheio de tanto esperar. Neste país degaullado, nem golpe sai como o script americano. Nada simples, como em 64 ou no Paraguai, na Korea. Os argentinos já foram diretos para o matadouro. Hahahahah. E vamos ver o que os qataris vão fazer, além da copa de 22.
Então. Como animar o povo a sair de casa no inverno? É só incitá-lo, como os coxinhas, e dar grana para algum grupo produzir as bandeiras da decência. Nada que uma televisão não possa fazer, né?
Ah, essa briguinha de comadres, de longa data, entre never e careca, nunca dá em nada. Ou é impressão minha?
Minha dúvida continua: que partido vai ganhar a eleição depois da escalação da Carminha? O PIDP ou o PGA?
Sim. É claro que não importa.