19 de junho de 2026

A ofensiva conservadora e as crises, por Samuel Pinheiro Guimarães

 
Do Brasil de Fato
 
 
O diplomata brasileiro, Samuel Pinheiro Guimarães, em artigo especial para o Brasil de Fato, faz uma análise da crise no Brasil, o avanço de setores conservadores e o papel do governo federal; bem como aponta as saídas e desafios das forças progressistas.
 
por Samuel Pinheiro Guimarães*
 
1. A sociedade brasileira está diante de uma ofensiva conservadora que se aproveita de entrelaçadas crises na economia, na política, nas instituições do Estado, na imprensa e nos meios sociais para fazer avançar seus objetivos;
 
2. A suposta crise econômica ofereceu pretexto para implantar um programa neoliberal de acordo com o Consenso de Washington: privatização, abertura comercial e financeira, ajuste orçamentário, flexibilização do mercado de trabalho, redução do Estado, tudo com a aprovação do sistema financeiro nacional, por um Governo eleito pela esquerda;

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

 
3. A crise da corrupção, cujo maior evento é a Operação Lava Jato, mas também a Operação Zelotes, esta inclusive de maior dimensão, está servindo para destruir a engenharia de construção, onde se encontra o capital nacional de forma importante, com atuação internacional, e para preparar a destruição de organismos do Estado tais como a Petrobras, o BNDES, a Caixa Econômica, a Eletrobrás etc. a pretexto de que os eventos de corrupção neles investigados seriam apenas o resultado de serem estas entidades estatais;
 
4. Sua privatização, que corresponderia a sua desestatização/desnacionalização, eliminaria, segundo eles, a possibilidade de corrupção;
 
5. A crise do Judiciário, do Ministério Público e da Polícia Federal se desenvolve em várias esferas;
 
6. O Supremo Tribunal Federal tolera que um de seus membros interrompa, há mais de um ano, sob o pretexto de vista, uma ação, cujo resultado já está definido por 6 votos a 1, sobre a ilegalidade do financiamento privado de campanhas, fenômeno que está na origem da corrupção do sistema eleitoral em todos os Partidos e veículo para o exercício da influência corruptora do poder econômico na política e na Administração;
 
7. O objetivo deste juiz é aguardar até que o Congresso aprove emenda constitucional, já em tramitação por obra do Presidente da Câmara, que torna legal o financiamento privado de campanhas;
 
8. A teoria do domínio do fato, uma aberração jurídica, acolhida pelo STF, reverte o ônus da prova e, mais, torna qualquer indivíduo responsável pelos atos de outrem sob suas ordens sem que o acusador ou o juiz tenha necessidade de provar que o acusado conhecia tais fatos;
 
9. O sistema do Ministério Público permite a qualquer Procurador individual desencadear processos com base até em notícias de jornal contra qualquer indivíduo, vazar de forma seletiva estas acusações para a imprensa, que as reproduz, sem nenhum respeito pelos direitos dos supostos culpados e sem nenhuma perspectiva de reparação do dano causado pelas denúncias do Procurador nem pela imprensa que as divulgou, caso se verifique a improcedência das acusações;
 
10. A Polícia Federal exerce suas funções com extrema parcialidade, de forma midiática, criando, na sociedade a presunção de alta periculosidade de indivíduos que prende para investigação e se arvorando em poder independente do Estado;
 
11. Segundo depoimento do Presidente das entidades da Polícia Federal na Câmara dos Deputados, a Polícia Federal recebe recursos regularmente da CIA, do FBI e da DEA, no montante de USD 10 milhões anuais, depositados diretamente em contas individuais de policiais federais;
 
12. A crise política decorre da decepção e do inconformismo do PSDB e de seus aliados com a derrota nas urnas em 2014 o que o leva a procurar, por todos os meios, erodir a credibilidade e a legitimidade do Governo Dilma Rousseff e, por via transversa, do Governo Lula e assim minar as possibilidades de vitória de uma eventual candidatura de Lula em 2018;
 
13. Contam os partidos e políticos conservadores com a campanha sistemática da televisão, jornais e revistas, com base em denúncias vazadas, com a campanha de intimidação na Internet, com as manifestações populares, com o desemprego crescente causado pela política de corte de investimentos e de elevação estratosférica de juros, os maiores do mundo, para fazer baixar os índices de aprovação do Governo e da Presidenta e poder argumentar com a legitimidade e a necessidade de depô-la pelo impeachment;
 
14. A crise na imprensa e nos meios de comunicação se desenvolve em um ambiente em que as televisões, rádios, jornais e revistas recebem paradoxalmente enormes recursos do Governo para a ele fazer oposição sistemática, erodir a confiança da população no sistema político e nos partidos, em especial nos partidos progressistas, de esquerda, poupando os partidos conservadores tais como o PSDB, que recebeu tantas doações para sua campanha de 2014 quanto o PT e das mesmas empresas ora acusadas pelo juiz Moro;
 
15. A crise social se desenvolve na Internet, onde circula todo tipo de ofensa racista, homofóbica, antifeminina, antiprogressista e fascista, contra os políticos e partidos de esquerda, gerando um clima de hostilidade e ódio e estimulando a agressão física
 
16. No Congresso, os setores mais conservadores elegeram grande número de deputados e, tendo conquistado a Presidência da Câmara dos Deputados, fazem avançar, a toque de caixa, sem nenhuma atenção à necessidade de debate pelos parlamentares e pela sociedade, uma ampla pauta de projetos conservadores que inclui, entre os principais, a redução da maioridade penal, a ampliação do uso de armas, o financiamento privado das campanhas;
 
17. O objetivo máximo desta grande ofensiva política e econômica conservadora é a tomada do poder através do impeachment da Presidenta Dilma e/ou a desmoralização do PT que leve a sua derrota fragorosa nas eleições de 2016, a qual preparará sua derrota final e “desaparecimento” nas eleições de 2018;
 
18. O processo político do impeachment da Presidenta Dilma não avança por estarem o PSDB e PMDB divididos quanto a sua conveniência no atual momento do calendário político e econômico;
 
19. Os três possíveis candidatos do PSDB à Presidência da República, quais sejam, Aécio Neves, Geraldo Alckmin e José Serra tem opiniões diferentes sobre sua conveniência;
 
20. A Aécio Neves interessa o impeachment de Dilma Rousseff e de Michel Temer por crime eleitoral, declarado pelo TSE, logo que possível pois isto levaria a uma eleição em 90 dias onde espera que, como presidente nacional do PSDB e candidato que teria perdido a eleição devido a “fraude”, agora se beneficiaria devido a sua campanha persistente pela ilegitimidade dos resultados eleitorais de 2014, o que o faria o candidato do PSDB com melhor perspectiva de vitória;
 
21. A Geraldo Alckmim interessa que o processo político, econômico e social desgaste longa e duradouramente o Governo Dilma e o PT até que as eleições municipais se realizem em 2016, com fragorosa derrota do PT e do PMDB e que tenha tempo de construir sua candidatura, com base no Governo de São Paulo, enquanto a candidatura de Aécio se enfraqueceria com o tempo como resultado de eventuais denúncias;
 
22. A José Serra interessa também que o impeachment não ocorra agora, que o Governo se desgaste para que tenha tempo de reconstruir sua imagem e eventualmente possa se candidatar pelo PSDB em 2018 ou até mesmo pelo PMDB, que insiste em ter candidato próprio mas sem nome hoje viável. Afinal, Serra foi fundador do PMDB e voltaria a sua casa, construindo sua candidatura junto à classe média nacional, através de sua atuação no Senado, com toda cobertura favorável da imprensa;
 
23. Para o PMDB, o impeachment da Presidenta representa o fim de um Governo onde ocupa a Vice-Presidência e ao qual dá apoio enquanto que um longo processo de desgaste da Presidenta, do Governo e do PT também o atingiria como partido aliado, enquanto a imprensa desgasta sua imagem na opinião pública como partido oportunista e corrupto;
 
24. Os interesses de Michel Temer, de Renan Calheiros e de Eduardo Cunha são divergentes. Cunha acredita poder ser o candidato do PMDB à Presidência, assumindo a liderança da ofensiva conservadora no Congresso e o papel de defensor do Congresso, mas enfrenta o desgaste das denúncias de corrupção. Michel Temer sabe que a condenação por crime eleitoral de Dilma Rousseff pelo TSE também o arrastaria enquanto que a condenação de Dilma pela rejeição das contas de 2014 pelo TCU e pelo Congresso o levariam à Presidência. Renan disputa com Temer influência no PMDB e imagina poder ser candidato em 2018 com o enfraquecimento dos demais;
 
25. No PT, a situação é talvez ainda mais grave;
 
26. O programa econômico conservador, ao cortar investimentos públicos e as despesas de custeio do Governo, aumenta o desemprego e afeta a demanda o que reduz as perspectivas de lucro, contrai os investimentos privados, estabelece a desconfiança nos “mercados” e reduz as receitas normais tributárias, aumentando o déficit público;
 
27. Ao aumentar a taxa de juros, o Governo (Banco Central) aumenta as despesas do Governo e a relação dívida/PIB, reduz a atividade econômica e as perspectivas de lucro e provoca a queda da arrecadação. Ao não conseguir o aumento de receitas normais pela dificuldade em elevar tributos, passa a apelar para a venda de ativos o que é uma forma disfarçada de privatização, com resultados apenas temporários;
 
28. Ao provocar o desemprego, ao apoiar medidas desfavoráveis aos trabalhadores como alterações no seguro desemprego, no abono salarial e outras, e ao provocar a redução do crescimento o Governo mina a sua base de apoio social e político e as bases sociais e políticas do PT;
 
29. A retração da demanda, o aumento das taxas de juros, a contração das atividades do BNDES, a redução das oportunidades de investimento, a perspectiva de aumento de tributos afetam os interesses dos empresários e aumenta o seu descontentamento com o Governo e sua política;
 
30. Não há liderança no PT além de Lula que, por seu lado, não vê como abandonar o programa econômico do Governo Dilma sem acelerar sua queda, mas reclama da incapacidade da Presidenta para o exercício da política;
 
31. As pesquisas de opinião podem vir a revelar níveis de rejeição muito superiores aos que ocorreram na véspera do impeachment de Collor. Caso os níveis de aprovação caiam abaixo de 5%, o desânimo e a desmobilização dos movimentos sociais e dos sindicatos, a perplexidade dos congressistas, a posição dos candidatos a prefeito em 2016, as contínuas denúncias do Ministério Público (na realidade de procuradores individuais) contra políticos vinculados ao PT e contra o próprio Lula, a agressividade social e intimidatória conservadora podem gerar situação de gravíssimo perigo político para sobrevivência da democracia;
 
32. O Governo, apático, atordoado e intimidado, parece acreditar em sua pureza que fará que, ao final, sobreviva, único puro, à tempestade de denúncias que atingem políticos e partidos sem compreender que o objetivo da ofensiva conservadora não é lutar contra a corrupção e moralizar o país mas sim derrubá-lo e recuperar a hegemonia completa na sociedade e no Estado;
 
33. O Governo se retrai, não age politicamente nem mobiliza os movimentos sociais e os setores que poderiam apoiá-lo no enfrentamento a esta ofensiva conservadora que fará o Brasil recuar anos em sua trajetória de luta contra as desigualdades e suas vulnerabilidades, e de construção de um país mais justo, menos desigual, mais democrático, mais próspero e mais soberano;
 
34. É urgente a mobilização de todas as forças sociais progressistas para combater o desemprego causado pelo programa de ajuste, que está, isto sim, gerando imensa crise econômica e social, para defender a democracia e seus representantes legítimos, para defender as conquistas dos trabalhadores, para defender a empresa nacional, para defender o desenvolvimento do país, para defender a soberania nacional e a capacidade de autodeterminação da sociedade brasileira;
 
35. Para defender o Brasil.
 
*Diplomata brasileiro, foi secretário-geral das Relações Exteriores do Ministério das Relações Exteriores e ministro-chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República do Governo Lula.

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

16 Comentários
...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  1. Zazof

    19 de agosto de 2015 12:16 pm

    Essa crise política começou

    Essa crise política começou com as passeatas de 2013, aquelas da Copa das Confederações. Os primeiros a encher as ruas foram os manifestantes de Natal seguidos pelos de São Paulo, e daí para todo o país. Obviamente, os paulistas receberam maior destaque da mídia, que deflagrou contra o governo do PT, paradoxalmente, uma pauta de mudanças progressistas, como melhoria do transporte público, do serviço de saúde, da qualidade da educação, da política ambiental, da segurança pública, além da guerra contra a corrupção, pautas esquerdistas desde que as Américas são as Américas. Só que, devidamente manipulada, a pauta trouxe às ruas o que há de mais nefasto na fauna brasileira, como os pró ditadura militar, os pró tortura, os contra pobres, os pró latifúndio, os pró desigualdade, os pró burrice (aqui dou destaque aos anti Paulo Freire), e outras bestas. Pregam a divisão do Brasil em dois, ou melhor, querem conservar os dois Brasis – o da casa grande e o da senzala, ou o dos que não dormem de fome e o dos que não dormem de medo dos que não comem.

    Durante aquelas passeatas, eu queria ouvir a presidenta interpretando corretamente o clamor das ruas e respondendo à altura do posto em que está, acima das pseudo-ideologias e em cadeia nacional:

    1.      A saúde pública está ruim? Então lanço amanhã mesmo um projeto de universalização do SUS!

    2.      A educação pública está terrível? Então amanhã entregaremos ao congresso um projeto de federalização e universalização da educação!

    3.      Transporte? De fato, o crescimento econômico que vivemos no governo Lula pressionou vários dos serviços urbanos. Vamos redefinir nosso conceito de desenvolvimento, movê-lo para além do crescimento econômico, quem sabe conseguimos incorporar as questões ambientais, a descentralização da produção, das decisões, e repensar junto aos municípios a forma mais adequada de transporte público.

    4.      De fato, as cidades estão perigosas, mas sabemos que a solução final do problema da violência não está na polícia, mas na contenção da desigualdade social que divide o país em dois. Uma reforma do código penal, com redução de penas e uso de medidas socioeducativas ajudaria no curto prazo, e uma ampla reforma tributária, com taxação de fortunas e contenção da sonegação asseguraria que as pautas anteriores fossem cumpridas e, assim, que o problema da violência fosse sanado no prazo de uma geração.

    Mas não! O governo caiu no balão de ensaio da mídia e não se posicionou. Ficou em cima do muro. Ficou com medo da mídia. Tucanou! Agora a democracia corre risco. Como ainda defender o PT? E onde está a oposição progressista e responsável? Quem vai unir a militância que defende as ideias acima? Somos muitos. Por enquanto, permaneço defendendo o governo contra as mentiras veiculadas, já que não há foro possível para as críticas verdadeiras.

  2. renato arthur

    19 de agosto de 2015 12:38 pm

    Ser explorado será sempre o destino do Brasil?

    Extremamente lúcido. Como o sistema neoliberal e seus agentes políticos ( antigamente no Brasil ocupavam a Casa Grande), sempre consideraram que esse País e sua riquesa lhes pertencem, tanto que se tornaram grandes latifundiários  e que  seu destino seria de exploração.  Consideram uma usurpação e uma ofensa, um grupo político defensor de trabalhadores ter ocupado “momentaneamente” um  poder  que não lhes é “legítimo”. Isto não pode ser tolerado e nem permitido e todas as forças aqui constituidas como IMPRENSA, Judiciário, Parlamento, Militar e Igreja  foram instituído para assegurar esse poder do qual se legitimaram.

  3. atenir

    19 de agosto de 2015 12:40 pm

    O governo e o PT não precisam

    O governo e o PT não precisam de inimigos. Eles são autodestrutivos.

    A incapacidade política de Dilma beira ao absurdo, para alguem que o ocupa o mais alto cargo na política.

    Com a atuação “republicana” da PF não vai faltar escandalo contras os proprios membros do governo.

    Sinceramente, esse governo merece tudo isso que está aí…a maior parte da crise, tanto política como economico, é culpa quase que exclusiva desse governo.

  4. Fábio de Oliveira Ribeiro

    19 de agosto de 2015 12:45 pm

    A ofensiva conservadora só

    A ofensiva conservadora só pode resultar numa coisa:

    Dear Because the coup attempt staged by US Party in Brazil () American athletes will run high risks in the Olympics of Rio.

    Dear Because the coup attempt by US Party in Brazil () American athletes will run high risks in the Olympics of Rio.

     

    1. Eliane Faccion

      19 de agosto de 2015 12:49 pm

      Seriíssmo

      Com a colaboração da DEA na PF brasileira, Fábio chama a atenção para a provável ofensiva conservadora nas Olimpíadas do Rio !

  5. BRAGA-BH

    19 de agosto de 2015 12:55 pm

    Onde se encontra este cara?

    Onde se encontra este cara? Ele deveria ser Conselheiro da Presidenta. Se este cargo não existir, crie-se!!

  6. Astronauta

    19 de agosto de 2015 1:04 pm

    Objetivo

    Não podemos nos enganar com o objetivo do articulista.

    Embora tenha feito críticas severas ao PT e governo, ele põe nas mãos dos setores progressistas da sociedade a responsabilidade pelas ações daqui para frente.

    Ficar falando que Dilma se rendeu ao Consenso de Washington, me parece, são águas passadas.

    Cabe a cada um de nós, nas atividades em que estamos inseridos, articular para, coletivamente, fazer frente ao que está por vir.

    Convenhamos, pelo que foi exposto, o futuro se pronuncia sombrio. 

  7. Renato Lazzari

    19 de agosto de 2015 1:19 pm

    Ah, se fosse apenas no

    Ah, se fosse apenas no Brasil…

    Desde 2008, quando o capitalismo criou a “crise” que o mundo todo está assim, desesperado e medroso. E a gente sabe: quem tá com medo tende a ser conservador mesmo. Salvar a própria pele. Ainda mais vendo que a tal “crise” é, na verdade, um movimento para concentrar ainda mais poderes econômico e político. Sim, essa é a vocação do capitalismo: a concentração e o acúmulo de poderes, e é bom que seja assim. O que não dá é para continuar sem um aparato institucional que minimize os efeitos colaterais desse sistema, ou seja, sem estados no mínimo tão fortes quanto esse capital e sem interferência privada no que é público.

  8. Severino Januário

    19 de agosto de 2015 1:24 pm

    Está tudo aí e aí está também

    Está tudo aí e aí está também nosso dilema – Ter que defender a ferro e fogo a Democracia e a continuidade de um governo de esquerda eleito democraticamente, e ao mesmo tempo ter que exigir deste mesmo governo que se distancie da armadilha neoliberal para onde foi tangido pelos próprios golpistas que ameaçam a Democracia, mas que aos olhos do governo não se trata de armadilha e sim de um “mapa do caminho”. A saída para o Governo será identificar e isolar os principais atores do avanço conservador, como o senador Serra, barrando seus avanços com atitude política efetiva. E como não há agora condição alguma para trocar de ministro da Fazenda, ir suavizando progressivamente suas medidas de austeridade e arrocho, enquanto vai ao mesmo tempo dando curso a medidas de fortalecimento das estatais, à sequência acelerada das obras em curso e ao soerguimento das empresas de engenharia atingidas pelo fogo inimigo. E já que o fogo inimigo é essencialmente político e não jurídico, agir também politicamente sobre ele.

  9. aliancaliberal

    19 de agosto de 2015 1:31 pm

    Resumo do texto:
    O governo

    Resumo do texto:

    O governo não tem nada a ver com a crise , tudo é causado por ações de terceiros.

  10. Guilherme Miozzo

    19 de agosto de 2015 1:36 pm

    Empresas Públicas

    Me preocupa o item 3, a opinião pública esta ganhando corpo contra empresas públicas, assim que pegarem o poder vão privatizar todas e muito rápido, vão desidrata-las e vender assim que possível. Com o salto nos lucros nessas empresas a única forma de conseguir apoio para venda das empresas seria com o uma investigação que desmoralizasse as empresas públicas.

  11. Athos

    19 de agosto de 2015 2:35 pm

    Resumindo, temos um Governo

    Resumindo, temos um Governo que não defende os interesses do Brasil.

    Que erro do Lula!

    Um verdadeiro poste!

  12. trovinho

    19 de agosto de 2015 3:42 pm

    ENTRE BOLSONARO E LOBÃO!

    A Biologia ensina que a alta letalidade de uma infecção viral é ruim para o próprio vírus, pois o mesmo fica sem o hospedeiro posterior, que já caiu morto, quebrando a cadeia da infecção. Por isso, a raposice do Capital também deve contentar-se com os ovos de ouro da galinha. A m. é que a classe “comédia” vive dissociada num mundo virtual aonde PPPP’s não existem e a dor é naturalizada com teses classistas, sexistas e racistas, que racionalizam o ódio resultado de sua vulnerabilidade e que precisa de cultura e lazer para ser elaborado. Fundir-se na massa golpista, ansiolítica e reforçadora de egos é mais um recurso faixa preta para os bem nascidos e mal criados; não passa de um pedido de socorro para um general custer chacineiro qualquer!

  13. Gabriel Moreno

    19 de agosto de 2015 3:48 pm

    É preciso um duplo movimento
    É preciso um duplo movimento de defesa do governo e de crítica à esquerda dele, em relação ao seu ajuste fiscal. A equação que reúne ambos os movimentos, aparentemente contraditórios, apenas o é no nível do discurso.  Na verdade é muito fácil equacioná-los, pois se trata de um lado de defender a normalidade democrática que emerge das urnas e, por outro lado, se posicionar contra as forças conservadoras que tentam derrubar essa normalidade e/ou impor a sua pauta. Ou seja, na verdade, ambos os movimentos são complementares. De um ponto de vista estratégico, tomar as ruas, organizar-se e voltar a fazer política é fundamental. Tanto do ponto de vista “micro”, ou seja, promovendo discussões, criando polêmicas, levando o debate para o cotidiano (sem medo, sem receio e sem cair nas provocações da direita), como do ponto de vista “macro”, ou seja, militando em partidos, movimentos sociais, sindicatos etc.  O reacionarismo, neste momento, tem: congresso, judiciário, mídia e, talvez, boa parte da mente e coração das pessoas, movidas pela ideologia que estes promovem. O progressismo contém: o poder executivo (frágil, combalido pelas demais forças), movimentos sociais um tanto desarticulados e fragmentados, poder de esclarecimento e vontade militante. Se deixarmos, além do que a direita já tem, terem também o monopólio das ruas, aí acabou-se tudo. O lado bom é que o reacionarismo, que adquiriu contornos extremados recentemente, se desmoraliza com extrema facilidade. É formado por analfabetos políticos que servem como massa de manobra aos verdadeiros interesses políticos. Deixar as ruas para esse bando de lunáticos, que não fala coisa com coisa e que tem mentalidade violenta, autoritária e fascista, chega a ser ofensivo para nós. Mas é também preciso sair da armadilha do “PiG”, que pauta as discussões políticas nacionais e que colocam a esquerda dentro de uma arapuca. Aí sim há uma linha muito sutil, porque a crítica ao governo (necessária, pela esquerda) se confunde muito facilmente com a confusão e a manipulação que eles promovem no noticiário, desgastando o governo no que ele tem de progressista (e, por extensão, à toda a esquerda). Não cabe também subestimar os fascistas e os extremistas. Sim, eles se desmoralizam, mas isso não significa que eles não têm importância e que eles não estão avançando. Eles, na verdade, conquistaram duas coisas recentemente: uma, é a saída do ambiente privado (no qual falavam aos cochichos as suas barbaridades, reprimidos por uma realidade social que não os tolerava) para o público, e esse é o primeiro passo para eles se organizarem politicamente. O que, na verdade, é apenas uma questão de tempo. A outra é uma espécie de fascismo disperso que se verifica no ar, no ambiente, e que permeia todos os discursos e todas as ações de absolutamente todos os brasileiros, sem medo de generalizar. A professora Marilena Chauí diz, acertadamente, que a classe média é uma das mais fascistas e violentas de todo o mundo. Ela sempre assim foi, o dado é que, agora, ela tomou coragem e tornou isso público. Não se pode subestimar a violência fascista da classe média. Esta, é o grande “meio-de-campo” da sociedade brasileira, incorporando, em si (como uma esponja, que retém e transporta certos valores), a realidade social dos ricos (fascista, excludente) e a realidade social dos pobres (a realidade “real”, da vida sofrida e da convivência humana). Se ela se mediar pelos primeiros valores acima, desmonta-se toda a estrutura social brasileira e, por consequência, toda possibilidade de convívio humano. Ao termos, numa rede de televisão aberta, um apresentador falando que “bandido bom é bandido morto”, outro falando que pobre é tudo vagabundo, um terceiro dizendo que “petista é tudo nojento” (numa reação passional, quase biológica, portanto apolítica), é porque o fascismo já está se espalhando pela sociedade. Nele, a destruição de valores fundamentais, o fim da convivência plural, a negação do outro e a afirmação da violência. Ao mesmo tempo, a desmoralização da esquerda, que se dá por negação dos valores que estão no campo oposto e o fim de qualquer possibilidade de mudança. Para tudo isso acontecer, basta a inação das forças progressistas, basta o não-enfrentamento. A auto-desmoralização, infelizmente, não é suficiente para os conter, e isso por dois motivos: o primeiro, é que o sentimento anti-petista e anti-esquerda é mais forte na sociedade, enevoando todo o resto da discussão e dando a eles “carta branca” para atuarem, por mais bárbaros que sejam; em segundo lugar, porque eles não tem auto-crítica e não tem reflexão, portanto não se detendo por movimentos de auto-desmoralização e também agindo de maneira muito mais rápida e imediata, pois a reflexão é por si só mais lenta e fragmentada.

  14. Carlos Prado

    19 de agosto de 2015 3:58 pm

    Não será melhor novas eleições???

     

     

    Diante desse quadro narrado com clareza cristalina e eficentemente conciso, listado pelo autor em mais de 30 itens, todos da MAIOR importância para o humanismo, ou seja,  e para a social democracia (não a do PSDB que nunca existiu) brasileira, penso que a melhor (talvez única) saída seria novas eleições, nesse caso com fôlego para os raros ”homens bem da esquerda” se rearrumarem e afastar o que é – este sim opior  de todos os meles, ou seja, a vigente agenda neoliberal.

    Votei na Dilma e o faria de novo, mas do jeito que as coisas ficaram e  estão, penso que nem o próprio PSDB eleito esfarinharia tão rapidamente nossas conquistas democráticas.  Não adianta  aqui listar culpados ou fazer mea culpa.

    Seria melhor e, com todos os riscos que se corre, sei disso, ainda assim, acho o melhor caminho optar pela chance de novas eleições e ai, talvez o próprio Lula ou outro decente (talvez CGomes) se eleger e pararmos de fazer e rezar a agenda neoliberal tal como estamos fazendo agora (já por teimosia).

    A pensar – e pensar rápido, eis que senão só nos restará tocar um tango argentino.

  15. Orlando Jr.

    20 de agosto de 2015 4:33 am

    Polícia Federal recebe regularmente recursos do FBI, CIA e DEA.

    Como isto é possível? Quando passou a ser constitucional? A quem servem estes policiais ao governo brasileiro ou americano?

Recomendados para você

Recomendados