no Observatório do Terceiro Setor
Piauí: o estigma do fim do mundo
por Márcia Moussallem
Resolvi escrever esse artigo inspirado em alguns amigos que infelizmente não conhecem o estado do Piauí e que só repetem o que muitos brasileiros, de norte a sul do Brasil, dizem: “O Piauí é o fim do mundo”. É lamentável pois essa frase só demonstra o preconceito, discriminação, estereótipos e total ausência de conhecimento sobre a grandiosidade desse estado.
O nome Piauí vem do Tupi-Guarani e significa “Rio dos Piaus”. Também é conhecido como “Terra dos Pajés”. Teresina, a sua Capital, tem uma localização estratégica entre o Rio Parnaíba e o Rio Poti. Por conta disso, é conhecida como a “Mesopotâmia brasileira” e foi a primeira capital planejada do Brasil, fundada em 1852.
O Piauí está localizado na região nordeste, é o 11º maior estado brasileiro, possuindo 224 municípios. A população estimada é de 3.384.547 habitantes-IBGE 2025. O índice de desenvolvimento humano é considerado médio (0,697). Possui um patrimônio histórico, ambiental e cultural de grande relevância. Entre eles: Delta do Parnaíba; Parque Nacional Serra da Capivara (Patrimônio Mundial da Unesco); Parque Nacional de Sete Cidades; Cânions do Viana entre outros. É destaque na literatura, artesanato, gastronomia, folclore, e religiosidade popular.
Entretanto, não poderia deixar de salientar que a história da região nordeste é marcada pelo abandono e ausência de investimentos socioeconômicos, em que tanto os governantes como o empresariado sempre priorizaram e favoreceram as regiões sul e sudeste do Brasil. As consequências foram nefastas e acarretaram indicadores desfavoráveis e pobreza extrema, especialmente em estados como o Piauí.
Todavia, a conjuntura política do Brasil, tanto no âmbito nacional como local, a partir do ano 2000, é alterada por meio da emergência de governos progressistas, o que ocasionou um novo cenário de crescimento e desenvolvimento para a região nordeste.
Assim, o estado do Piauí avança para um outro patamar, com vista à construção de uma política de compromisso e responsabilidade com a melhoria da qualidade de vida da população. A presença de governos progressistas e a base de aliados foram cruciais nesse processo, como por exemplo: Wellington Dias, governador por quatro mandatos e dois como senador pelo PT (Partido dos Trabalhadores). Atual Ministro do Desenvolvimento e Assistência social, Família e Combate à forme do Brasil (governo Lula); entre outros políticos de atuação no estado.
Cabe destacar o atual governador do Piauí, Rafael Fonteles, eleito em 2022 aos 37 anos, pelo PT (Partido dos Trabalhadores) sendo um dos mais jovens governadores eleitos e atualmente candidato à reeleição em 2026. Seu projeto de governo tem sido reconhecido nacionalmente como estratégico para o desenvolvimento econômico e social do estado.
Ressaltam-se alguns indicadores que já são uma realidade efetiva. Entre eles: Principal Polo de Saúde e excelência do Nordeste, com hospitais públicos, particulares e clínicas especializadas. Na saúde pública conta com inovações tecnológicas, estrutura do SUS e ampliação da atenção especializada com o Programa “Piauí Saúde Digital”, referência nacional em telessaúde, em que especialistas atendem por meio de um aplicativo todos os 224 municípios. Teresina é reconhecida como uma das capitais de grandes avanços nesse campo, contando com hospitais e instituições públicas na garantia da qualidade, diminuição da fila de atendimentos, exames e cirurgias.
Na educação, o Piauí, é único estado que universalizou o ensino de tempo integral e técnico, sendo que 80% das escolas estaduais funcionam nesse molde. Além disso, foi reconhecido pela Unesco no que diz respeito a inovação tecnológica, inteligência artificial e robótica, estando presente como disciplina no currículo no Ensino Médio. No Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), as escolas públicas e privadas são a melhores do Brasil. O estado também conta com universidades públicas (federal e estadual) e institutos federais.
Na segurança pública, possui uma Política Estadual de Segurança de qualidade e assistência humanizada. Segundo dados do anuário de segurança pública divulgados em 2026, o Piauí é o oitavo estado menos violento do norte e nordeste. É pioneiro no Brasil na apreensão de celulares roubados e sua devolução aos proprietários, bem como veículos e motos. Os resultados positivos são frutos de investimentos em inteligência, planejamento, tecnologia, integração das forças de segurança e prevenção, e valorização das polícias.
Na assistência social, tem avançado na redução da pobreza por meio de programas como “Qualifica Piauí”, transferência de renda e o aumento da rede de atendimento-Suas. Um outro Programa inovador é o “Orçamento Participativo Digital do Piauí (OPA)” que permite à população decidir os investimentos do governo estadual. Os eixos principais são: a participação popular direta, transparência nos gastos e fortalecimento da cidadania.
É preciso evidenciar os investimentos estruturais de grande magnitude, como o Porto Piauí, localizado em Luís Correia, importante terminal de energia limpa e escoamento da produção de hidrogênio verde. Centralidade na exportação estratégica, matriz limpa e parcerias internacionais/ investimentos financeiros. Segundo dados de 2025 da ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica), o Piauí lidera o ranking nacional de matriz energética renovável (99,75%) e ocupa a 3ª posição na produção de energia solar e eólica.
É notório que todos os avanços acima citados marcam uma nova etapa de crescimento e desenvolvimento do estado. O Piauí é o paraíso? Claro que não. Os desafios existem, seja na superação das desigualdades nos seus diversos municípios, na expansão do saneamento básico, no controle dos desmatamentos, queimadas, poluição dos rios, entre outros aspectos a serem resolvidos.
Por fim, esse pequeno artigo é uma demonstração real do estado do Piauí, que não é o fim do mundo e nunca foi – mesmo diante de uma história marcada pelo abandono e muitas dificuldades. Povo guerreiro e forte, como sol que brilha com todo seu esplendor todos os dias. Da vida pulsante da arte de Nonato Oliveira, da poesia resistente de Torquato Neto, da ousadia de Arnaldo Albuquerque e tantos outros que nos encantam.
Majestoso Piauí!
*A opinião dos colunistas não reflete, necessariamente, a opinião do Observatório do Terceiro Setor.
Márcia Moussallem – Assistente Social e Socióloga. Mestra e Doutora em Serviço Social (PUC/SP); MBA em Gestão para Organizações do Terceiro Setor. Professora Universitária. Publicou seis livros. Colunista do Observatório do Terceiro Setor.
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