20 de junho de 2026

As mulheres que ignoraram sua identidade para viver como homens na Albânia

Sugerido por Tamára Baranov

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Do Estadão

As últimas virgens da Albânia

Por Claudia Belfort
 
 
Responda em dois segundos se esse retrato é de um homem ou de uma mulher.
 
Responda em outros dois segundos se a pessoa fotografada parece viva ou morta.
 
Saiba, é uma mulher e ela está morta.
 
A foto faz parte de um documentário que a fotógrafa norteamericana Jill Peters está desenvolvendo sobre as últimas virgens juramentadas da Albânia. Remanescentes de uma tradição quase extinta – hoje elas não chegam a 100 – essas mulheres ignoraram suas identidades para viver como homem. Não por uma afirmação de sexualidade,  mas para sobreviver às rígidas restrições impostas às mulheres entre comunidades das montanhas dos Balcãs, sudeste da Europa.

 
Os camponeses dessa região viveram por 500 anos sob as normas do Kanum, um código de honra que vigorou até o início do século XX, e que limitava às mulheres os cuidados da casa e dos filhos. Só. Elas eram proibidas de ter uma profissão, trabalhar, dirigir, beber, fumar, não tinham direito a herança e tornavam-se propriedades do marido. Elas não podiam cantar. “Naquela época ser mulher e ser um animal era a mesma coisa”, disse uma virgem juramentadas, Pashe Keqi, numa entrevista ao The New York Times. Ela nascera em 1930.
 
O Kanum permitia, no entanto, que a mulher se proclamasse homem, passando consequentemente a viver sob as mesmas regras deles. A partir de então podiam podiam trabalhar e tornar-se patriarcas, sendo muitas vezes o único “homem” do clã.
 
Essa regra do Kanum tem origem nas precárias condições de sobrevivência nas montanhas da Albânia, agravada pelos crimes de vendeta, outra tradição no país, que chegava a dizimar todos os integrantes do sexo masculino numa família. Na ausência de um herdeiro, a mulher mais velha do clã era obrigada  a proclamar-se virgem para garantir o sustento e a honra dos familiares. Outras proclamavam-se homem  para ter autonomia e evitar o casamento arranjado.
 
Para isso, elas faziam um juramento público de virgindade e celibato, cortavam os cabelos e adotavam trajes e gestos masculinos para a vida toda. Deixariam a condição de serva se também deixassem a de mulher, se renunciassem ao sexo, à maternidade e à identidade.
 
É, de um certo modo, um matar a si mesma.

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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13 Comentários
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  1. Jorge Nogueira Rebolla

    21 de setembro de 2013 3:55 pm

    Vale a pena ver de novo?

    Por Vaas

    Virgens Juramentadas

  2. 21 de setembro de 2013 4:13 pm

    Nunca tinha ouvido falar

    Nunca tinha ouvido falar sobre isso.  ou seja, uma morte em vida!!

  3. Anarquista Lúcida

    21 de setembro de 2013 4:40 pm

    Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come…

    Mas trata-se de uma escolha entre duas perdas de identidade, nao? De um lado, perda da sexualidade e da maternidade; de outra, a seus direitos de gente, virar uma coisa, propriedade de alguém. Sendo os homens dessa comunidade como deveriam ser, dados esses costumes, ainda acho a soluçao tomada por essas mulheres a menos ruim. 

  4. joao

    21 de setembro de 2013 4:44 pm

    Por Vaas Virgens Juramentadas

    esquentaram ou foi LN

    https://jornalggn.com.br/blog/luisnassif/as-virgens-juramentadas-da-albania

  5. Adriana M Carvalho

    21 de setembro de 2013 5:09 pm

    Ser sapatão não é o nosso maior problema!.
    ATIVISMO GAY, dominado por gays homens  usa o homossexual feminino para tentar aliviar o grande preconceito que qualquer sociedade tem sobre o homossexualismo masculino….Estranhamente,de todas as lutas que nós mulheres travamos, a única, em destaque, principalmente pela mídia, que é dominado por gays homens, é o direito de ser homossexual.As mulheres ainda são exploradas, abandonas, não tem poder nem econômico, nem político; ganham menos que os homens. Para o mercado de trabalho, matrimonial e  social ainda temos que seguir os padrões de beleza, juventude e magreza!…..Nós e nossos filhos não temos uma boa educação, saúde, habitação ou segurança, mais parece que o ÚNICO E O MAIOR PROBLEMA que temos e de ser SAPATÃO!. …..Será que, se? o homossexualismo fosse só feminino haveria tanta gente discutindo o problema e defendendo a causa???!….O mais estranho é que, o homossexualismo masculino causa um grande mal a nós mulheres, quantas mulheres são mortas pela bulimia e anorexia, conseqüência de padrões de beleza criado por estilistas, que na suas grande maioria são gays!. 

    1. ana s.

      21 de setembro de 2013 6:25 pm

      Esse é um dos comentários

      Esse é um dos comentários mais absurdos que já li por aqui – e olha que o páreo é duro.

      Kd o Gunter?

      1. Tamára Baranov

        21 de setembro de 2013 8:42 pm

        A começar pelo termo

        A começar pelo termo ‘homossexualismo’, impregnado de conotações patológicas. Aliás, se repararmos bem, o ismo é sempre usado pelos fundamentalistas e fascistas para subliminarmente afirmar que gays são doentes. Isso quando não reduzem a orientação a opção sexual ou prática homossexual.

         

        Gunnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnterrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

        1. Ivan de Union

          21 de setembro de 2013 9:06 pm

          UFA!  Finalmente duas

          UFA!  Finalmente duas mulheres falaram o que eu queria falar sem ser acusado de nada.

          Que horror de comentario!

    2. tonicco

      21 de setembro de 2013 9:02 pm

       Interessante este olhar pelo

       Interessante este olhar pelo lado da psicanálise.  Só ela para nos mostrar o fundo da nossa alma.

    3. Adriana M Carvalho

      21 de setembro de 2013 10:07 pm

      Essa discurssão só interessa ao gays homens

      Os mais interessados e os mais beneficiados sobre o debate diário do homossexualismo feminino, são os gays homens, esse assunto é um cavalo de troia. O homossexualismo feminino é INFINITAMENTE MENOR que o masculino, essa é a última preocupação feminina, mais mesmo assim, está na mídia diariamente.
      Temos problemas muitos mais sérios, como o aborto, mais como o homem não fica gravido, esse assunto é negligenciado……. SEM DÚVIDA NENHUMA, um dia que o homem  gerar filhos,o aborto será discutido igual ao homossexualismo na mídia, ESTARÁ TODO SANTO DIA!. 

  6. Ricardo Cavalcanti-Schiel

    21 de setembro de 2013 5:37 pm

    Ignorar? Identidade?

    “Ignoraram sua identidade”…

    Meu Deus, que bestialidade antropológica!!!

  7. Marisa

    21 de setembro de 2013 7:59 pm

    Morrer ou morrer, não havia

    Morrer ou morrer, não havia outra alternativa. Chocante.

  8. IV Avatar do Rio OOOOOOooo

    21 de setembro de 2013 11:30 pm

    Uma pena que o vídeo é em

    Uma pena que o vídeo é em ingles

    “Feudos de sangue ainda são prolíficos na Albânia, onde um olho por um olho é normal. A prática mais estranho foi que os homens de uma mesma família são mortos e uma mulher sobreviver torna-se o homem de família.”

    TVBalkanTVBalkan 5 Meses AtrásHey , essa tradição também estava presente entre sérvios , croatas e búlgaros nas zonas rurais da Sérvia , no oeste e no Kosovo , Montenegro, Herzegovina , Bulgária e algumas partes da Dalmácia.

    [video:https://www.youtube.com/watch?v=4KgS3G9W-XM%5D

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