11 de julho de 2026

Cardozo confirma penas mais duras para crimes em manifestações

Sugerido por Flávio Faria

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Da Agência Brasil

Cardozo confirma agravamento de penas para crimes cometidos em manifestações

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, confirmou hoje (18) que, até o final desta semana, deve apresentar à Casa Civil da Presidência da República um projeto para regulamentar as manifestações de rua. Ele confirmou que irá propor um endurecimento das penas aplicadas aos condenados por crimes previstos no Código Penal que forem cometidos durante protestos, como os que, desde junho de 2013, tomaram as ruas das principais cidades do país.

“Há certos delitos que estão [tipificados] no Código Penal, mas que estão ocorrendo em manifestações lícitas, praticados por pessoas que desvirtuam os atos para danificar o patrimônio público e privado, lesionar [outras pessoas] e, agora, lamentavelmente, cometer homicídios. Por isso, estamos discutindo uma elevação das penas para esses casos. Ou seja, um agravamento da pena”, disse Cardozo ao explicar que o principal objetivo do projeto de lei será disciplinar dispositivos legais, como o que proíbe o anonimato em manifestações populares.

De acordo com Cardozo, o projeto deverá ser encaminhado ao Congresso Nacional em regime de urgência para que seja aprovado e possa entrar em vigor “o quanto antes”. O ministro explicou que a iniciativa não pode ser confundida com uma tentativa de limitar o direito à liberdade de expressão ou de reunião.

 
“O conteúdo da lei está sendo alinhavado e será objeto de apreciação, mas não queremos – e nem poderíamos – cercear a liberdade de manifestação ou de reunião previstas na Constituição”, afirmou Cardozo. “A lei vai disciplinar procedimentos [já existentes] para garantir a todos os cidadãos o direito de participar [de forma pacífica e com segurança] das manifestações. Para garantir a integridade de quem está na região. Dos jornalistas e de quem estiver acompanhando os atos por obrigação”, acrescentou Cardozo.
 
A elaboração do projeto de lei foi um dos temas discutidos durante reunião com representantes de entidades de empresas de comunicação e de jornalistas. Participaram do encontro representantes da Associação Nacional de Jornais (ANJ), Associação Brasileira de Rádio e Televisão (Abratel), Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), Associação Nacional de Editores de Revistas (Aner), Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal.
 
Ao fim da reunião, o ministro voltou a defender a padronização dos procedimentos das polícias durante os atos públicos. A medida vinha sendo discutida e, na última quinta-feira, foi debatida durante a 53ª Reunião do Colégio Nacional de Secretários de Segurança Pública, em Aracaju. O  manual de procedimentos permitiria aos policiais saber como atuar em atos públicos e ajudaria os cidadãos a identificar eventuais abusos da força repressiva. Além disso, Cardozo defende que o manual traga um capítulo específico sobre como garantir a integridade dos jornalistas. A proposta do ministério é que o manual esteja pronto até meados de março.
 
Uma medida para punir os crimes contra a imprensa foram a criação de um observatório nacional para acompanhar os casos contra jornalistas, propondo medidas corretivas e punitivas quando necessário. Outra medida é passar para a esfera federal a apuração dos crimes, medida que o presidente do presidente do Colégio Nacional de Secretários Estaduais de Segurança Pública, o secretário de Rondônia, Marcelo Bessa, defendeu com ressalvas.
 
“O entendimento unânime do colégio de secretários é mais moderado. A federalização não pode ser adotada como regra, mas como subsídio, quando ficar demonstrado que o estado não tem capacidade ou isenção necessária para investigar ou for omisso”, disse Bessa, que elogiou a proposta de padronização da atuação policial e, principalmente, a capacitação dos policiais para lidar com as manifestações e, ao mesmo tempo, assegurar a integridade dos jornalistas.

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21 Comentários
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  1. vera lucia venturini

    19 de fevereiro de 2014 11:49 am

    Ai, que o homem ficou

    Ai, que o homem ficou nervoso! Agora vai..

    Ministro Cardoso, você tem acompanhado o que está acontecendo na Venezuela? Você está informado que tentaram o golpe novamente naquele país, só que desta vez pela web. Você está informado que as fotos propagadas pela web e pelos meios de comunicação da “gigantesca manifestação” era de uma procissão para Nossa Senhora de tempos atrás. Você está informado que as fotos propagadas da repressão do governo foram feitas em manifestações no Brasil, no Egito, na Bulgária (é até hilário ver os guardas com roupas pesadas de inverno prendendo manifestantes no verão da Venezuela). Dá uma olhada na Opera Mundi.

    Ministro Cardoso, você está informado que o Lopez (e seu voluntarismo político) foi usado como bucha de canhão para organizar manifestações violentas e havia um plano para mata-lo e culpar o governo da Venezuela para convulsionar o país. Daí a expulsão dos “diplomatas americanos” e a manifestação do presidente da Colômbia sobre a possível prisão de colombianos na Venezuela.E que por isso Lopes está sob a guarda do governo venezuelano.

    Ministro, eu estou desconfiada de que os Estados Unidos implantaram um novo modelo para derrubar governos democraticamente eleitos e que contrariam os seus interesses na América Latina.

    Ministro, se algo assim fosse tentado no Brasil a Abin identificaria o plano como fez o serviço secreto venezuelano?

     

    1. EJ

      19 de fevereiro de 2014 12:58 pm

      Agilidade

      O ministro é de uma (falta de) agilidade espantosa. Estamos praticamente em março. Decorreram já 8(oito) meses das manifestações nem pacíficas nem espontâneas. Os bandidos, de todas as denominações publicam a cada dia ameaças nas redes sociais, repercutidas “inocentemente” (????) pela mídia e defendidas por intectuais “bem” ???? intencionados. E só agora ele vem falar de lei e preocupado em limitar as ações das polícias (só rindo) e defender só os jornalistas (que se fazem de vítimas, quando foram e alguns ainda são cúmplices da baderna).

      Por outro lado, a mídia (isenta, imparcial, sincera e honestíssima, como todos sabem) inunda, diuturnamente, os rádios, TVs, jornais, revistas e blogs de notícias CONTRA a Copa, muitas vezes com mentiras ou meias verdades, desde que o Brasil foi escolhido como sede. A propaganda contra, umbilicalmente ligada à política, na pré-campanha eleitoral para 2014, intensificou-se desde o ano passado. Que fez o governo? Que fez a inútil SECOM (utilíssima para a mídia de oposição, desculpem o pleonasmo)? Nada. Absolutamente NADA.

      E Dilma, sonhando…

      Fico com a TV Afiada: http://www.conversaafiada.com.br/tv-afiada/2014/02/13/presidenta-ta-tudo-sob-controle/

    2. Zanchetta

      19 de fevereiro de 2014 2:16 pm

      Querida, essa tática de

      Querida, essa tática de mostrar coisas absurdas sobre manifestações para depois “descobrir” a inverdade já está muito manjada… Foram os próprios progressistas que jogaram isso na Rede…

    3. Zanchetta

      19 de fevereiro de 2014 2:24 pm

      Quer ver algo interessante lá

      Quer ver algo interessante lá na Bulgária???

      [video:https://www.youtube.com/watch?v=suHV3TlLe_M#t=33%5D

    4. Frederico69

      19 de fevereiro de 2014 2:53 pm

      Vera iriam descobrir sim

      assim que estiver executado.

      assim como só descobriram os distúrbios mentais do batman depois  de colocar o cara no supremo.

    5. Motta Araujo

      20 de fevereiro de 2014 2:23 am

      Minha cara, a coisa é bem

      Minha cara, a coisa é bem mais simples. Por questão de auto sobrevivencia as populações jogam fora do navio aqueles que querem afundar o navio, a Venezuela simplesmente não vai sobreviver com esse bando de trastes que a governa,

      é questão é saber se o Pais vai continuar a existir, os EUA poderiam derrubar Maduro em tres dias, bastava suspender a compra de petroleo venezuelano.

  2. J. P. Moura

    19 de fevereiro de 2014 11:58 am

    e preciso salvar a copa da FIFA!

    acordando tarde como sempre, o governo sai para salvar a copa da FIFA e impedir que as manifestações desestabilizem a eleição já dificil da Dilma

  3. robertto

    19 de fevereiro de 2014 12:15 pm

    Esse monstrengo em forma de

    Esse monstrengo em forma de lei, veja bem que tiro no pé.

    Não é possível que desde o ano passado não se tenha feito uma ação mais concreta para desmantelar as redes de anonimos e bbs.

    Aí agora, o governo acuado cria um trambolho desse.

    E isso que é um governo que conta com apelo popular, mostrando outra vez que está refém de pequenos grupos e interesses.

  4. Ivan de Union

    19 de fevereiro de 2014 12:16 pm

    “Uma medida para punir os

    “Uma medida para punir os crimes contra a imprensa foram a criação de um observatório nacional para acompanhar os casos contra jornalistas, propondo medidas corretivas e punitivas quando necessário”:

    Essa sim, eh a verdadeira agenda desse item.  Dos crimes DA imprensa…  nada.

  5. ruyacquaviva

    19 de fevereiro de 2014 1:27 pm

    O aumento das penas vai ter

    O aumento das penas vai ter um efeito psicológico passageiro. É muito importante criar procedimentos e forças tarefa para agilizar o processo contra aqueles que praticarem a violência durante manifestações. Mais do que a gravidade da pena, é a certeza da punição que inibe o crime.

    Agilizar os procedimentos legais para processar os crimes cometidos durante manifestações irá neutralizar a sensação segurança quanto ao anonimato e a impunidade para esses crimes que as pessoas tem ao se verem em meio a uma multidão.

    O aumento das penas pode até assustar, mas não convence se os que são presos por atos violentos forem rapidamente soltos pela justiça e o processo se arrastar por anos.

    Infelizmente a ação necessária depende da colaboração do judiciário que por inúmeras vezes deixou a cidadania na mão e mostrou completo descaso com as necessidades da sociedade.

  6. Motta Araujo

    19 de fevereiro de 2014 1:38 pm

    Nunca foram necessarias novas

    Nunca foram necessarias novas leis para por ordem nas ruas, basta coragem pra enfrentar os lobies intelectualoides

    especialmente nas midias. Os governadores em geral tiraram todo apoio as policias com medo das eleições, chegando ao cumulo de pretender uma policia desarmada para enfrentar blac blocs. Novas leis  para ganhar tempo enquanto não se faz nada, enrolação é a arma desses governantes de opereta, falta a personalidade para assumir que cabe ao Estado garantir a ordem no espaço publico, leis já tem de sobra.

    1. Frederico69

      19 de fevereiro de 2014 2:27 pm

      é isso aí

      lei nesse país é o que não falta, falta mesmo é a justiça usá-las para o bem.

  7. DUDE

    19 de fevereiro de 2014 2:05 pm

    E O TRÁFICO DE DROGAS?

    Não sou contra esta iniciativa para conter a violência em protestos,como não sou contra os protestos, mas sem violência é claro.

    Porém,  é imperativo que imediatamente se pense em majorar as penas para o tráfico de drogas. Os grandes traficantes estão fazendo a desgraça de nosso povo trabalhador.

    E também melhor critério para os crimes cometidos no trânsito. Estes devem também ser revistos, inclusive não só com penas que atinjam a liberdade, como também o patrimônio daqueles que o cometem, que deveriam ficar, desde logo,  sequestrados para o pagamento dos danos e multas em caso de condenação.

  8. Frederico69

    19 de fevereiro de 2014 2:12 pm

    o ministro coió

    quando vamos ter uma lei que nos proteja dos crimes da imprensa.

    dada a inoperância da justiça no país estamos começando a ver a população justiçando com as próprias mãos.

  9. Zanchetta

    19 de fevereiro de 2014 2:13 pm

    Será que vai valer para

    Será que vai valer para depredações em fazendas?

  10. Juliano Santos

    19 de fevereiro de 2014 3:13 pm

    A lamentável morte do

    A lamentável morte do cinegrafista é a oportunidade para o governo desmontar os grupos oportunistas que se infiltram nos movimentos da oposição de esquerda para promover a violência com o sabido intuito de criar caos e desgastar o governo.

    Sei que a polícia civil do Rio está com um trabalho de inteligência nesse sentido. Deve haver um a nível federal e que se articula com os serviços de segurança estaduais. Senão, esse é o governo mais suicida de todos os tempos.

    Mas essa tarefa certamente não está sendo liderado pelo Cardozo, que me parece age mais como relações públicas.

    Mas concordo com o AA. Não há necessidade de lei para agravamento de penas. Não estão falando que esses rapazes do rojão podem pegar até 35 anos? Então, não precisa aumentar a punição, basta trabalhar para evitar ao máximo que isso se repita. Enfim, inteligência  

  11. C. Acácio

    19 de fevereiro de 2014 4:00 pm

    O ministro só sai debaixo dos

    O ministro só sai debaixo dos lençóis para ficar diante dos holofotes da mídia. Como esperar da instituição que dirige ,    iniciativas que contrariem interesses dos que lhes dirigem os holofotes …

  12. janes salete

    19 de fevereiro de 2014 4:11 pm

    J. P. Moura: quem está

    J. P. Moura: quem está cordando tarde parece ser você. Por que não houveram protestos quando foi anunciada a copa no Brasil quando o país foi escolhido? Tenho absoluta certeza que esses protestos não aconteceram na épova, porque a imprensa (a que induz vocês a serem cobaias) se mostrava muito a favor da vinda da copa para o Brasil. Explique por que não protestaram na época que era para protestar, antes de começarem as obras? Oportunismo barato dos que são apenas seguidores do quanto pior melhor..Responsabilidade, é o mínimo que se espera de um cidadão. Berrar que está tudo errado, é a coisa mais fácil de se fazer. Agora, participar e fazer a sua parte (não apenas berrar e nem sabe direito o porquê) é o que desabona esses protestos turbinados pelos reais assaltantes do dinheiro público.

  13. sergior

    19 de fevereiro de 2014 5:05 pm

    Dilma decreta Estado de Exceção e envia Exército para conflito n

    Dilma decreta Estado de Exceção e envia Exército para conflito no sul da Bahia

    O sul da Bahia é um crescente palco de conflitos, cada vez mais violento em razão da inoperância do Estado em definir um ordenamento territorial que cumpra a Constituição Federal. Mortes, assassinatos e campanhas racistas contra os indígenas, como nos outdoor, são uma constante há anos. Militarização do problema político pode levar uma situação ainda mais grave

    A reportagem é de Felipe Milanez, publicada por Carta Capital, 18-02-2014.

    A presidenta Dilma Rousseff decidiu pela suspensão da ordem e a implantação do Estado de Exceção para lidar com o crescente conflito por terras. A medida segue o trâmite legal que autoriza a exceção, estabelece um período no tempo (trinta dias), e no espaço: o Sul da Bahia. O motivo é um problema de ordem civil, que decidiu-se enfrentar por braço militar: a regularização das terras indígenas. O uso do Exército contra civis foi determinado para “prevenir o agravamento dos conflitos que vêm ocorrendo entre índios tupinambás e produtores rurais”, publicado na segunda-feira 17 de fevereiro, seguindo Portaria do Ministério da Defesa que dispõe sobre a Garantia da Lei e da Ordem. Cerca de 500 soldados foram deslocados. As Forças Armadas vão agir de uma forma ampla na região de Buerarema. A medida de exceção é valida, a princípio, até 14 de março.

    O Exército, junto da Polícia Federal e da Força Nacional, tem sido frequentemente utilizado pela presidenta para tratar questões indígenas. Em seu mandato, a Polícia Federal assassinou dois indígenas, Adenilson Kirixi Munduruku (7 de novembro de 2012, no Pará), e Oziel Terena (30 de maio de 2013, no Mato Grosso do Sul). Ambos crimes terminaram com as forças de Estado protegidas pela impunidade.

    Em dezembro do ano passado, no sul do Amazonas, indígenas Tenharim buscaram refúgio em um quartel do Exército para se protegerem de um genocídio organizado pela elite local, que incitou o ódio racial contra os índios e mobilizou uma multidão para ataca-los – algo que lembra o que se fazia, na mesma região, durante as correrias dos seringais. As investigações da Polícia Federal contra essa tentativa de se produzir um massacre, um brutal crime contra a humanidade, tampouco chegaram a conclusões sobre culpados.

    O que ocorre agora na Bahia é um desenrolar de uma crise que se estende ao longo dos últimos anos no que toca aos direitos indígenas: a incapacidade do governo de fazer cumprir a Constituição. E a saída escolhida é a mais perigosa.

    A medida foi condenada pelo Conselho Indigenista Missionário (CIMI) que, em comunicado, alertou para o perigo da militarização do conflito e expôs que a verdadeira justificativa utilizada pelo Planalto para determinar a Exceção seria a de expulsar os indígenas das terras que reivindicam, em vias de conclusão de processo administrativo de regularização: “Este argumento não é verdadeiro, já que muitos dos ataques contra a população indígena partem de não índios contrários à conclusão do processo administrativo.  Por outro lado, muitos dos pequenos agricultores já afirmaram que apenas aguardam as indenizações para saírem das terras.”

    No meio desse debate, o uso das forças armadas visa intimidar e despolitizar o problema, trazer para uma esfera autoritária a possibilidade de decisão suprema que se impõe com a garantia da força maior. Nesse processo, inúmeros direitos individuais são ameaçados, principalmente os direitos dos mais vulneráveis.

    A literatura sobre o Estado de Exceção é um tanto atual no pensamento critico, principalmente pelas contribuições do filósofo italiano Giorgio Agamben, e da filósofa belga Chantal Mouffe. A discussão remonta ao teórico nazista Carl Schmitt, que produziu uma influente e importante reflexão sobre o tema. Para Schmitt, o estudo da exceção se revela mais interessante do que sobre a própria regra em si. “A regra não prova nada: a exceção prova tudo.” É pela exceção que o poder real se mostra como um mecanismo, e se torna a regra pela repetição. O fim seria a ditadura.

    Agamben usou a teoria para, além de abrir uma grande janela reflexiva, descrever os tempos de Bush e da guerra civil global. É uma medida que ele situa entre o político e o legal, uma terra sem dono. E, o que é mais grave, alertou, indo muito além da interpretação de Schmitt: “o estado de Exceção tende a se tornar cada vez mais um paradigma dominante de governo na política contemporânea”.

    O governo federal editou, em dezembro passado, o manual chamado “Garantia da Lei e da Ordem” (Portaria Normativa número 3, do Ministério da Defesa, também conhecida como GLO). O manual foi duramente criticado e sofreu uma revisão, sendo a segunda edição publicada em fevereiro 2014. A regra dispõe sobre o uso das Forças Armadas, de forma excepcional, e portanto, de suspensão da própria ordem, para a “garantia da lei e da ordem”, assim como a suspensão de direitos civis, em situações de “não guerra”. A exceção é apresentada como uma medida constitucional, citando o artigo 142, com referências vagas a “razoabilidade”, “proporcionalidade” e “legalidade”. Há países onde o estado de Exceção está previsto na lei, como no Brasil e na França, e onde ele não está previsto em lei.

    Para todos os fins, de acordo com a GLO, basta a decisão soberana da Exceção, ou seja, basta a presidenta determinar. A decisão compete exclusivamente ao Presidente da República, em decisão comunicada ao Ministro da Defesa. E não é preciso, como no caso de guerra, ser consultado o Congresso Nacional.

    O fato de estar na lei implica algumas regras, o que pode parecer contraditório uma vez que a própria suspensão da regra é determinada pela regra. A “garantia da lei e da ordem”, como aplicada agora, é uma revelação da incapacidade do governo em resolver as disputas pelas vias legais, pelos processos administrativos e judiciais, como deveria ocorrer a regularização das terras indígenas.

    Essa norma GLO é algo assustadora para os que esperam uma vida longa à democracia. Na primeira versão, de 2013, os inimigos na GLO eram definidos como “forças oponentes”, apresentados de forma distinta de um “inimigo militar”, que deve ser eliminado. Entre as “forças oponentes” descritas haviam formas políticas de reivindicação coletiva de direitos: “movimentos e organizações”. Os Tupinambá, assim como os Tenharim, assim como um grupo de amigos no Facebook, seriam todos organizações e movimentos. Entre as ameaças graves havia, por exemplo, a de “paralização de atividades produtivas”.

    A segunda edição, de 2014, feita após os vários protestos da sociedade contra essa Portaria do Ministério da Defesa, retirou as referências às forças oponentes e aos movimentos e organizações. E no que toca às “ameaças”, agora lê-se: “A tropa empregada numa Op GLO poderá fazer face a atos ou tentativas potenciais  capazes de comprometer a preservação da ordem pública ou ameaçar a incolumidade das pessoas e do patrimônio.”

    Estas expressões genéricas deixam brechas para que tudo seja decido pelo “soberano”, dando mais margens ainda para a Exceção e para a força da decisão política em mão militar. Qual a legitimidade de um militar para definir, em operação contra civis, o que é uma tentativa potencial de comprometer a ordem pública, ou uma ameaça a incolumidade de pessoas, no meio de um conflito entre um povo indígena e não indígenas no sul da Bahia?

    A referência anterior deixava claro os inimigos e os atos a serem combatidos: as “forças oponentes”, os “movimentos e organizações”. O poder discricionário agora aumentou e atenta mais gravemente aos direitos humanos. Nesse caso, o risco maior é, como sempre ocorre nos casos de exceção, aos mais vulneráveis, ou sejam, as “minorias”.

    O país vive um momento de ódio às minorias, que é mobilizado por aqueles que não querem que seus privilégios sejam tocados. Quem são as “minorias” (que podem ser a verdadeira “maioria da população”)?

    Estas “minorias” que reivindicam direitos são equivalentes ao “tudo o que não presta”, segundo definiu o deputado federal ruralista Luis Carlos Heinze, do PP/RS, em vídeo divulgado pela Mobilização Nacional Indígena e com ampla circulação nas redes sociais. “Tudo o que não presta” são os “índios, quilombolas, gays e lésbicas”.

    Na imprensa, os problemas sociais têm sido “racializados” em textos de articulistas e jornalistas enviados para essas áreas, na busca de “traços” raciais que impliquem em deslegitimar direitos políticos, “traços” raciais que sirvam para desconstruir identidades, traços que são medidos como se fazia na antiga craniologia.

    Nesse mesmo sentido racialista foi descrita a viúva de Ivan Tenharim, líder tenharim morto (morte matada ou por acidente, as investigações da Polícia Federal não foram a fundo), por enviado da Folha de S. Paulo para a zona de conflito: “uma mulher miúda com poucos traços indígenas”. A descrição racial foi aproveitada, em seguida, por um colunista do mesmo jornal para sustentar não tratarem-se estes entrevistados pelo repórter, com base em suas descrições, de elementos da categoria “índios” – como se a discussão anatômica girasse em torno de alguma espécie não humana.

    Os Tupinambá são frequentemente descritos e categorizados, colocados em um mapa de cores, de réguas métricas, para aparecerem como não portadores de “traços indígenas” – de forma a “animalizá-los” (como diria Frantz Fanon em Os Condenados da Terra), e deslegitimar suas reivindicações políticas. Na revista Veja os Tupinambá foram apresentados como “Os novos canibais”, que usam cocares de “penas de galinha”, são “negros” e “professam o candomblé”, “tribo composta de uma maioria de negros e mulatos, mas também tem brancos de cabelos louros”.

    O uso sistemático da Força Nacional nos trabalhos de estudo da implantação de usinas hidrelétricas dentro do território Munduruku, contra a vontade dos índios e em desrespeito à Constituição e convenções internacionais das quais o país é signatário, mostra que, pelo menos no que toca aos direitos indígenas, o Estado de Exceção é uma violenta realidade cotidiana. Nesse caso, o CIMI trata da “militarização como um instrumento político”, e fala do “diálogo com a ‘ponta da baioneta’ no pescoço dos povos indígenas”.

    A solução encontrada pelo governo para todos esses problemas de racismo, xenofobia, intolerância, ameaça de genocídio: o Exército, a Força Nacional, a Polícia Federal, a Exceção.

    Essa “Exceção” formalmente autorizada na Bahia, a partir da regulamentação recente da Portaria do Ministério da Defesa, e com a iminência da aprovação de uma nova lei “antiterrorismo” feita sob medida para um ano que se anuncia de fortes turbulências políticas, é uma profunda ameaça à democracia. Mais grave: pode se revelar uma nova técnica permanente de governo, como sugere Agamben.

  14. sergior

    19 de fevereiro de 2014 5:07 pm

    Que legado a Copa do Mundo deixará para as nossas cidades?

    Que legado a Copa do Mundo deixará para as nossas cidades?

    Publicado em06/02/14por

    Esta semana conversei com o Portal Terra sobre o legado que a Copa do Mundo deixará para o Brasil. Confiram abaixo.

    Para a urbanista Raquel Rolnik, o legado urbanístico que a Copa do Mundo vai deixar para o País não será significativo

    Paula Bianchi

    Tidos pelo poder público como uma vitrine para o País e uma oportunidade de investimentos, os grandes eventos que serão realizados no Brasil acabaram servindo de estopim para uma série de reivindicações, que eclodiram nas agora conhecidas como jornadas de junho. Essas reivindicações seguem se desdobrando, causando dor de cabeça aos governantes e perplexidade aos estudiosos. No centro da questão, por sediar a final da Copa do Mundo e as Olimpíadas e fazer parte do imaginário estrangeiro do Brasil, a cidade do Rio de Janeiro e os seus 6 milhões de habitantes servem de laboratório, e se veem entre as promessas de uma cidade melhor e a realidade caótica de má qualidade dos serviços públicos e obras aquém do anunciado.

    Para a urbanista Raquel Rolnik, professora da Universidade de São Paulo e relatora especial do Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) para o Direito à Moradia Adequada, que acompanha de perto o processo desde 2009, a principal discussão que se coloca é o direito à cidade e a necessidade de se investir em uma cidade realmente para todos. “Não é comprar casa, comprar moto. Tem uma dimensão publica essencial que é a urbanidade e que precisa ser resolvida”, afirma.

    Leia a seguir os principais trechos da entrevista.

    Terra: A cinco meses da Copa, que tipo de legado o evento deixa para a cidade do Rio de Janeiro?
    Raquel Rolnik: O legado urbanístico que a Copa do Mundo vai deixar não é significativo. Alguns projetos viários e de infraestrutura relacionados com os deslocamentos necessários para o evento, como BRTs, novas vias de ligação com os estádios e entre aeroportos e zonas hoteleiras e estádios, estão sendo feitos, mas essas não eram as prioridades de mobilidade. Não há outros legados do ponto de vista urbanístico que possam ser mencionados. Ações esperadas, como a despoluição da Baía de Guanabara e a melhoria das condições de saneamento gerais da cidade, não foram realizadas. Por outro lado, para a implantação desses projetos de infraestrutura foi necessário remover comunidades e assentamentos que se encontravam naqueles locais há décadas sem que uma alternativa adequada de moradia tenha sido oferecida. Para as pessoas diretamente atingidas, ao invés de um legado, a Copa deixa um ônus.

    Terra: Essas remoções foram feitas de forma irregular?
    Raquel: Os procedimentos adotados durantes as remoções não correspondem ao marco internacional dos direitos humanos, que inclui o direito a moradia adequada, nem respeitam a forma como elas devem ocorrer. O direito a informação, a transparência e a participação direta dos atingidos na definição das alternativas e de intervenção sobre as suas comunidades não foi obedecido. As pessoas receberam compensações insuficientes para garantir seu direito à moradia adequada em outro local e, em grande parte dos casos, não houve reassentamento onde as condições pudessem ser iguais ou melhores daquelas em que se encontravam. Nos casos em que aconteceu algum tipo de reassentamento para o Minha Casa Minha Vida, esse se deu em áreas muito distantes dos locais originais de moradia, prejudicando os moradores no acesso aos locais de trabalho, meio de sobrevivência e a rede socioeconômica que sustenta na cidade.

    Famílias da Vila do Metrô, ao lado da comunidade da Mangueira, tiveram casas derrubadas a fim de reordenar o espaço e criar um polo automotivo no local Foto: Daniel Ramalho / Terra
    Famílias da Vila do Metrô, ao lado da comunidade da Mangueira, tiveram casas derrubadas a fim de reordenar o espaço e criar um polo automotivo no local

    Foto: Daniel Ramalho / Terra

    Terra: Isso tem alguma relação com a Copa ser realizada em um país em desenvolvimento. Em outras nações que receberam o campeonato esse processo se deu de uma forma diferente?
    Raquel: Aquilo que se incide de uma forma diferenciada sobre o Brasil e que podemos estender para outros casos, como a Índia na organização dos Commonwealth Games, e também da África do Sul na Copa do Mundo, é a existência de assentamentos informais de baixa renda consolidados. Essas comunidades são as mais vulneráveis as violações aos direitos de moradia, o que não quer dizer que em outros países isso tenha sido respeitado.

    Terra: Desde junho, milhares de pessoas saíram às ruas em protesto tanto contra a qualidade e o preço do transporte quanto contra os gastos com os megaeventos. O grito “não vai ter Copa” se tornou uma bandeira comum a diversos grupos. O que essas manifestações expressam e o que podemos esperar para 2014?
    Raquel: Me parece que a sociedade brasileira tem demonstrado o seu descontentamento em relação ao modelo de crescimento econômico e de inclusão social que estamos vivendo. Esse modelo, baseado na ampliação do acesso ao consumo, não enfrentou e não resolveu a questão da cidade para todos. Ou seja, não se criou um modelo de desenvolvimento urbano que rompa com a ideia de uma cidade excludente, para poucos. As manifestações tem um conteúdo bastante claro de reivindicação de direitos, especialmente do direito à cidade, expresso através do direito ao espaço publico e ao serviço publico de qualidade, entre outras questões.

    Terra: Você comentou que as obras de transporte que estão sendo realizadas não seriam as mais necessárias. O que seria uma prioridade para o Rio?
    Raquel: Toda a relação com a população da Baixada Fluminense é absolutamente prioritária, assim como o eixo Niterói-São Gonçalo, que são os locais que enfrentam os maiores gargalos de mobilidade e que beneficiariam o maior número de habitantes.

    Terra: O Rio sofre com o crescimento da especulação imobiliária, que se reflete nos preço dos imóveis e na alta do custo de vida. Qual o efeito disso a longo prazo na cidade?
    Raquel: Talvez o Rio seja o local onde isto esteja acontecendo com maior intensidade, mas a especulação também afeta outras cidades. O efeito é a expulsão dos setores de menor renda das áreas mais urbanizadas, com acesso a serviços, oportunidades etc. Há um descolamento em direção a periferias desqualificadas, sem urbanidade, com impactos enormes sobre a mobilidade e as condições de vida da população. Além de gerar, e isso já está claro em São Paulo e no Rio, um aumento na quantidade de pessoas morando na rua e sem teto. Não há um censo, mas nós já observamos que há um número cada vez maior de pessoas que não tem condições de morar em local algum. Esses números são alarmantes. É a população que hoje está ou vivendo nas ruas ou nas ruas promovendo ocupações e protestos.

    Terra: Quais os principais desafios do Rio?
    Raquel: O Rio, assim como outras metrópoles do Brasil, é uma cidade partida. O maior desafio é a inclusão territorial, fazer uma cidade que seja realmente para todos. Não é comprar casa, comprar moto. Tem uma dimensão pública essencial que é a urbanidade e que precisa ser resolvida. Tenho acompanhado o tema dos megaeventos desde que apresentei um relatório temático ao conselho de direitos humanos da ONU em 2009 fazendo uma espécie deoverview da questão no mundo com foco na moradia. A partir daí o conselho votou uma resolução definindo claramente que a preparação dos megaeventos deveria levar em consideração e respeitar o direito a moradia para todos. Acredito que os procedimentos ao longo desses anos, devido a própria organização das populações atingidas, aos comitês em torno da Copa, à sensibilidade dos meios de comunicação para reportar esse tema, estão melhorando. Nos primeiros casos que vi no Rio de Janeiro, o trator já ia derrubando as casas com as coisas das pessoas dentro. Houve aumento no valor dos benefícios, acabou de sair uma portaria do governo federal em relação a essa questão, mas isso ainda é insuficiente em relação aos desafios que temos nesse campo.

  15. Antonio C.

    19 de fevereiro de 2014 6:01 pm

    Comentário.

    Cardozo, como andam as suas relações com o STF?

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