Após sua renúncia da presidência da Câmara, na noite desta sexta-feira (8), o deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), publicou em seu Twitter criticando fortemente a Rede Globo pelo direito negado de participação em matérias das quais se diz protagonista. “A TV Globo ,mais uma vez não me da o direito de participar de matérias em que sou protagonista,isso apesar de ter equipe de plantão, todos os dias, desde às 6 da manha na porta da minha casa. Fazem matérias ,ouvindo gente em vários pontos do pais e só me avisam 15 minutos antes do jornal entrar no ar. Ainda assim me ofereço para gravar e ignoram. Por isso ,estou publicando carta aberta a TV Globo sobre esse comportamento fora de qualquer padrão ético de jornalismo”, disse o peemedibista na sua rede social. O político ainda publicou na íntegra a carta destinada à emissora. Notícias ao Minuto Íntegra da carta: “CARTA ABERTA À TV GLOBO Manifesto meu mais veemente repúdio quanto ao comportamento antiético, do ponto de vista jornalístico, que a TV Globo vem adotando em relação a mim, ao dificultar a divulgação de minhas declarações em matérias envolvendo meu nome. Tem sido frequentes os pedidos em cima da hora de meu posicionamento em matérias em que sou o protagonista. O prazo é cada vez mais exíguo, oque leva à interpretação de que na verdade não há interesse em dar o meu lado, a minha versão dos fatos relatados, mas somente mostrar que estariam seguindo a mais elementar das regras do bom jornalismo: mostrar todos os lados da história. Nos últimos tempos, a produção ou reportagem do Jornal Nacional, que vai ao ar às 20:30 hs, apresentava suas demandas por volta das 19:00 hs. O prazo foi sendo reduzido gradativamente até que, nesta semana, demanda foi feita às 20:07 hs, com deadline às 20:20 hs. Nesta sexta-feira, a produção do Jornal Hoje fez pedido de nota sobre matéria a meu respeito às 13:13hs, sete minutos antes do início do jornal. Nessas duas últimas situações, me coloquei à disposição para gravar sonora, na justa reivindicação de semelhante igualdade de manifestação, já que todos os entrevistados que me atacam nos jornais da TV Globo o fazem via sonora. Ao Jornal Hoje disse, através de minha assessoria de imprensa, que “minha posição é estar à disposição para dar sonora igual àqueles que me atacam para a imparcialidade da divulgação da notícia, e que infelizmente a TV Globo não faz”. Não só não divulgaram minha resposta como informaram, mentirosamente, que eu não me manifestei. Agora à noite não poderia ser diferente. As 20:15 hs a produção da Globo pergunta à minha assessoria, via e-mail, se quero me manifestar sobre matéria pronta que seria veiculada 15 minutos depois. Novamente disseque estou à disposição para gravar. Não obtive resposta. Ou seja, o comportamento antiético comigo virou padrão.” Eduardo Cunha http://www.blogdefranciscocastro.com.br/2016/07/eduardo-cunha-pmdb-rj-publica-carta.html
O governo está promovendo uma farsa fiscal e a mídia está endossando. O déficit anunciado de R$ 139 bilhões para o ano que vem será na verdade de R$ 195 bilhões, pois embute uma previsão de receita de R$ 50 bilhões que o governo não apontou onde irá buscar. A cobrança foi feita pelo líder da oposição no Senado, Lindbergh Farias, desafiando o líder do Governo, Aloysio Nunes Ferreira, a reconhecer que o governo está rasgando seu discurso em defesa do ajuste fiscal e do saneamento das contas públicas.
_ Com o golpe, vocês assumiram o governo em nome da responsabilidade fiscal. Agora, estão rasgando este discurso. Devem assumir a incoerência, Precisam reconhecer que estão ampliando o rombo com este indicador maquiado que nos pedem para incluir na LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias para 2017) – disse o senador .
O líder do governo evitou discutir a composição do número de Meirelles dizendo em aparte que acha possível um diálogo entre situação e oposição em torno da ideia de não ultrapassar, nos gastos públicos, os limites do que a sociedade se dispõe a gastar. Este debate ocorrerá, na votação da LDO, e ainda não é clara a disposição do Congresso para acolher o rombo proposto. Lindbergh, ao 247, diz que o governo está cometendo é um verdadeiro estelionato fiscal.
Os principais analistas econômicos da grande mídia estão endossando a narrativa do ministro Henrique Meirelles, de que o governo conseguiu, com grande esforço, reduzir o déficit dos R$ 170,5 bilhões deste ano para R$ 139 bilhões no ano que vem. Os números, assim como as aparências, enganam. Ao anunciar o valor do déficit, Meirelles o apresentou como evidência de sucesso no ajuste fiscal, dizendo: “É um esforço enorme, mostra compromisso, confiança, seriedade e austeridade do governo central do Brasil”. Um número, segundo ele, destinado a criar na sociedade a certeza de que o País “pode crescer, investir, criar empregos, contratar pessoas com tranquilidade, com confiança de que não haverá no futuro um descontrole de contas e uma dificuldade de solvência do Estado brasileiro”.
“As palavras do ministro são de uma hipocrisia atroz, que não resiste ao menor esforço aritmético”, disse Lindberg ao 247. “Quando a gente vai olhar a despesa, ao invés de uma redução dos R$ 170,5 bilhões deste ano, o que enxergamos é uma ampliação para R$ 194 bilhões. Hoje, na cobertura da imprensa, não há nenhum comentário crítico a esta desrespeitosa tentativa de distorcer a realidade e enganar a sociedade. Um verdadeiro estelionato fiscal.”
As piruetas aritméticas do governo com o déficit tentam ainda fortalecer a ideia de que todo o descontrole é obra do Governo Dilma, embora seja visível a expansão do gasto na era Temer em busca de apoios para consolidar o impeachment. Ao elevar a previsão de déficit deste ano, dos R$ 96 bilhões projetados pela equipe de Dilma, para os R$ 170,5 bilhões fixados por Meirelles, o governo buscou criar um espaço fiscal para as bondades recentes, como o alívio para a dívida dos estados e os aumentos para setores de elite do funcionalismo. Foram R$ 50 bilhões com os governadores e R$ 25 bilhões com aumentos, despesas que juntas poderiam ter reduzido o déficit para a casa dos R$ 100 bilhões.
Em verdade, diz Lindbergh, nos quatro primeiros meses do governo Dilma, neste ano, o deficit estava girando em R$ 5 bilhões. Cresceu para R$ 96 bilhões quando o governo teve que pagar, à vista, as pedaladas fiscais. Descontando as pedaladas, o governo Temer é que teria produzido, raciocina o senador, um rombo de R$ 165 bilhões em apenas oito meses: período entre a posse e o fim do ano fiscal.
Os R$ 55 bilhões de novas receitas embutidos no déficit de R$ 134 bilhões anunciados por Meirelles só podem vir de duas fontes. Privatizações ou aumento de impostos, duas medidas sobre as quais o governo não tem controle. Se tais receitas se frustrarem, o déficit chegará oficialmente aos R$ 195 bilhões que o governo, como diz Lindbrgh, está dissimulando. Hoje Temer recebeu o presidente da CNI, Robson Andrade. Ouviu que o empresariado não aceita mais elevação da carga tributária mas não se comprometeu. Nem pode, depois da previsão de R$ 55 bilhões de receitas novas. Prepare-se o presidente da Fiesp, Paulo Skaff, apoiador do impeachment, para fazer seu “impostômetro” girar para a direita em breve. Impostos virão, mas nunca antes de Temer ser efetivado no cargo.
“Há pouco tempo, escrevemos artigo no qual afirmávamos que o golpe ameaça desconstruir os legados sociais de Lula, Ulysses Guimarães e Getúlio Vargas. Estávamos enganados. O apetite reacionário e excludente dos golpistas vai além. Eles querem também acabar com o legado social da Princesa Isabel”, escrevem, em artigo, o senador Lindbergh Farias (PT-RJ) e o colunista Marcelo Zero; “O governo Temer/Cunha não veio apenas para tirar Dilma do poder. Não veio apenas para tirar os pobres do orçamento. Veio para colocar grilhões nos trabalhadores brasileiros. Veio para colocar os pobres no tronco. Fora, Temer! Volta, Isabel!”
9 de Julho de 2016 às 16:26
Por Lindbergh Farias e Marcelo Zero
Há pouco tempo, escrevemos artigo no qual afirmávamos que o golpe ameaça desconstruir os legados sociais de Lula, Ulysses Guimarães e Getúlio Vargas.
Estávamos enganados.
O apetite reacionário e excludente dos golpistas vai além. Eles querem também acabar com o legado social da Princesa Isabel.
Com efeito, foi o que deu a entender o presidente da CNI, apoiadora do golpe, o qual, após encontro com o Interino Usurpador, anunciou que os brasileiros têm de trabalhar 80 horas por semana, ou 12 horas por dia.
Para os golpistas, essa é a solução para a crise. Obrigar os brasileiros a trabalhar até os 70 anos com uma jornada de 12 horas por dia.
Cinicamente, dizem inspirar-se na nova lei trabalhista francesa. Mentem. A nova lei de trabalho da França permite, apenas em circunstâncias excepcionais, como grave crise na empresa, a extensão da jornada até 60 horas semanais, após acordo coletivo registrado, e com a anuência e supervisão das inspetorias do trabalho. As horas que excederem 35 horas por dia continuarão a ser horas extras. Mesmo assim, a nova lei está provocando uma convulsão social na França. Será revista.
Mas o que os nossos golpistas querem é impor essas 80 horas e não pagar adicionais. É a volta da escravidão. A volta da exclusão e da desigualdade como modelo de crescimento. Querem a volta do “milagre econômico” da ditadura. Querem a volta do tripé repressão, desigualdade e exploração.
Na realidade, a sua inspiração não é a França do século XXI. Erraram de país e de século. A sua verdadeira inspiração é a Inglaterra da primeira metade do século XIX. Aquela Inglaterra descrita por Engels, a quem os golpistas carinhosamente apodam de Hegel. Aquele país bucólico e aprazível retratado no livro “A Situação da Classe Trabalhadora da Inglaterra”.
Ah! Aquelas jornadas moralizantes de 14 horas, que reerguem o caráter destruído pela preguiça. O edificante trabalho infantil, que gera cidadãos disciplinados e abnegados. A miséria amontoada e convenientemente apartada em exóticos cortiços, tão adequada à paz social. E, sobretudo, aqueles salários módicos, tão convidativos ao empreendedor.
Ah! A ausência de subversivos sindicatos. A ausência de direitos e garantias, que atrapalham o correto funcionamento da economia. E a presença omnipresente e omnisciente do Mercado. Belos tempos!
Ah! A beleza distópica de um mundo sem sistema público de saúde. Um mundo sem SUS. Apenas com planos de saúde privados. Um mundo sem educação pública. Um mundo sem Bolsa família, sem Pronatec, sem Ciência sem Fronteiras, sem Minha Casa Minha Vida, sem Enem, sem Fies, sem Prouni. Um mundo baseado na meritocracia dos privilégios. Um mundo para poucos. Um Brasil para poucos, como recomenda a nossa tradição.
O que os golpistas querem é volta da “governabilidade pela exclusão social”, algo que as classes dominantes sempre defenderam.
Ao final da Assembleia Nacional Constituinte de 1988, que construía a cidadania social brasileira, Sarney convocou cadeia nacional de rádio e televisão para alertar o país sobre o perigo de uma “explosão brutal de gastos públicos” que a nova Constituição acarretaria, tornando o país “ingovernável”.
Ulysses respondeu de forma admirável: Senhores constituintes: a Constituição, com as correções que faremos, será a guardiã da governabilidade. A governabilidade está no social. A fome, a miséria, a ignorância, a doença inassistida são ingovernáveis. A injustiça social é a negação do governo e a condenação do governo (…).
Os governos do PT seguiram Ulysses. Iniciaram construção de um país para todos, governado para todos. Governado pela inclusão e pela cidadania social.
Mas os golpistas querem agora a volta do Brasil para poucos. Do país governado pela exclusão. Da economia assentada na desigualdade, que não quer gastar dinheiro com direitos, previdência e serviços públicos para os pobres. Os golpistas acham que a cidadania social não cabe no orçamento. No orçamento caberiam apenas as taxas de juros estratosféricas e os privilégios.
Inspirados em Sarney e no Centrão reacionário da Constituinte, tão semelhante, em seu fisiologismo e conservadorismo, ao Centrão de Cunha, querem a desconstrução da cidadania social e do nosso pequeno Estado do Bem-Estar. Querem também desconstruir o Brasil, vendendo o pré-sal e todo o patrimônio publico. Querem alienar a nossa soberania.
Pensávamos que o golpe nos faria retroceder à República Velha. Nos enganamos. Querem fazer retroceder o país aos tempos da colônia dependente e escravocrata.
O governo Temer/Cunha não veio apenas para tirar Dilma do poder. Não veio apenas para tirar os pobres do orçamento.
Veio para colocar grilhões nos trabalhadores brasileiros. Veio para colocar os pobres no tronco.
Em fins de Maio, durante a reunião do G7, Shinzo Abe, primeiro-ministro do Japão, anunciou a proximidade de uma grande crise global [1] . O comentário mais divulgado pelos meios de comunicação foi que era um alarmismo exagerado, reflexo da situação difícil da economia japonesa. De qualquer modo, não faltam os que admitem a existência de perigos mas em geral atribuem-nos aos desequilíbrios financeiros da China, à recessão no Brasil ou às turbulências europeias. A situação nos Estados Unidos costuma merecer comentários prudentes, distantes de qualquer alarmismo. Apesar de o centro motor da última grande crise global (ano 2008) ter sido a explosão da bolha imobiliária estado-unidense, agora os peritos não percebem ali bolhas em plena expansão a ponto de estourar e sim tudo ao contrário: actividades financeiras, industriais e comerciais estagnadas, crescimentos anémicos e outros sinais aparentemente tranquilizantes que afastam a imagem de algum tipo de euforia descontrolada.
Mas é impossível ignorar a realidade. Os produtos financeiros derivados constituem a componente maioritária decisiva da trama especulativa global. Só cinco bancos dos Estados Unidos mais o Deutsche Bank acumularam esses frágeis activos no montante de uns 320 milhões de milhões de dólares [2] , equivalente a aproximadamente 4,2 vezes o Produto Mundial Bruto (ano 2015). Isso representa 65% da totalidade dos produtos financeiros derivados do planeta registados em Dezembro de 2015 pelo Banco da Basileia. Essa hiper-concentração financeira deveria ser um sinal de alarme e o panorama agrava-se quando constatamos que a referida massa financeira está a desinchar de maneira irresistível: em Dezembro de 2013 os derivados globais chegavam a uns US$710 milhões de milhões, apenas dois anos depois, em Dezembro de 2015, o Banco de Basileia registava US$490 milhões de milhões… em apenas 24 meses evaporaram-se US$220 milhões de milhões, cifra equivalente a cerca de 2,8 vezes do Produto Global Bruto de 2015.
Não foi um acidente e sim o resultado da interacção perversa, a nível mundial, entre a especulação financeira e a chamada economia real. Durante um longo período esta última pode suster uma desaceleração gradual evitando a derrocada, graças à financiarização do sistema que permitiu às grandes empresas, aos estados e aos consumidores do países ricos endividarem-se e assim consumir e investir. O declínio da dinâmica económica dos capitalismos centrais pôde ser desacelerado (ainda que não revertido) não só com negócios financeiros. A entrada de mais de 200 milhões de operários industriais chineses mal pagos no mercado mundial permitiu abastecer com manufacturas baratas os países ricos e a derrocada do bloco soviético brindou ao Ocidente um novo espaço colonial: a União Europeia ampliou-se para Leste, capitais da Europa e dos Estados Unidos estenderam seus negócios.
Foi assim que os Estados Unidos e seus sócios-vassalos da NATO continuaram em frente com os gastos militares e as guerras. Enormes capitais acumulados bloqueados por uma procura que crescia cada vez menos puderam rentabilizar-se comprando papéis de dívida ou jogando na bolsa. Grandes bancos e mega especuladores incharam seus activos com complexas operações financeiras legais e ilegais. Os neoliberais assinalavam que se tratava de um “círculo virtuoso” em que as economias real e financeira cresciam apoiando-se mutuamente. Mas a festa foi-se esgotando enquanto se reduziam as capacidades de pagamento dos devedores esmagados pelo peso das suas obrigações.
A crise de 2008 foi o ponto de inflexão. Em Dezembro de 1998 os derivados globais chegavam a uns US$80 milhões de milhões, equivalente a 2,5 vezes o Produto Global Bruto desse ano. Em Dezembro de 2003 eles alcançavam os US$200 milhões de milhões (5,3 vezes o PGB) e em meados de 2008, em plena euforia financeira, saltaram para os US$680 milhões de milhões (11 vezes o PGB). A recessão de 2009 os fez cair: em meados desse ano haviam baixado para US$590 milhões de milhões (9,5 vezes do PGB). Acabara a euforia especulativa e a partir daí as cifras nominais estancaram ou subiram muito pouco, reduzindo sua importância em relação ao PGB. Em Dezembro de 2013 rondavam os US$719 milhões de milhões (9,3 vezes o PGB) e a seguir verificou-se o grande desinchar: US$610 milhões de milhões em Dezembro de 2014 (7,9 vezes o PGB) que em Dezembro de 2015 caiu para US$490 milhões de milhões (6,2 vezes o PGB).
O aparente “círculo virtuoso” havia mostrado o seu verdadeiro rosto: na realidade tratava-se de um círculo vicioso em que o parasitismo financeiro expandira-se graças às dificuldades da economia real à qual drogava enquanto a carregava de dívidas cuja acumulação acabou por arrefecer o seu dinamismo – o que por sua vez bloqueou o crescimento da esfera financeira.
A primeira etapa de interacção expansiva anunciava a segunda de interacção negativa, do arrefecimento mútuo actualmente em curso que por sua vez anuncia a terceira, de arrefecimento financeiro a marchar em direcção ao colapso e com crescimentos anémicos, estancamentos e recessões suaves da economia real aproximando-se da depressão prolongada – tudo isso como parte do provável desinchar entrópico do conjunto do sistema.
A financiarização integral da economia faz com que a sua contracção comprima a economia real, reduza o seu espaço de desenvolvimento. O peso das dívidas públicas e privadas, a crescente volatilidade dos mercados submetidos ao canibalismo especulativo, grandes bancos na corda bamba e outros factores negativos afogam a estrutura produtiva.
Por outro lado o sistema global não se reduz a um conjunto de processos económicos. Encontramo-nos perante uma realidade complexa que inclui uma ampla variedade de componentes inter-relacionados (geopolíticos, culturais, militares, institucionais, etc). Isso significa que a crise pode desencadear-se a partir de diferentes geografias e focos de actividade social. Exemplo: um facto político como a decisão do eleitorado da Grã-Bretanha de sair da União Europeia poderia ter sido o detonador, tal como antecipava George Soros que esperava uma “Sexta-feira negra” seguida por uma reacção em cadeia de turbulências fora de controle se na quinta-feira 23 de Junho triunfasse o Brexit [3] . O desastre não se verificou, mas podia ter ocorrido… ainda que a sacudidela fosse bastante forte [4] .
Poderia ser uma onda de protestos sociais na Europa, mais extensa e radicalizada do que a verificada recentemente em França, ou a derrocada do Deutsche Bank que acumula papéis voláteis num montante da ordem dos US$70 milhões de milhões, quase equivalente ao Produto Mundial Bruto [5] . Também a economia italiana apresenta a sua quota de riscos, afectada pela degradação acelerada dos bancos encurralados pelos não pagamentos dos seus devedores, que em Março de 2016 somavam uns 200 mil milhões de euros (equivalente a 12% do PIB italiano) [6] . E naturalmente o Japão surge como um importante candidato à derrocada com uma dívida pública de US$9 milhões de milhões que representa 220% do seu PIB, não tendo conseguido sair da deflação e com as suas exportações a perderem competitividade [7] .
Os Estados Unidos, centro da economia global (sobretudo da sua hipertrofia financeira), são naturalmente o motor potencial de futuras tormentas globais. Ali nos últimos meses acumularam-se sinais recessivos: desde a tendência persistente para a baixa na produção industrial a partir de fins de 2014 [8] até a ascensão contínua de dívidas industriais e comerciais não pagas (que já alcançaram o nível dos fins de 2008 – aumentaram quase 140% entre o último trimestre de 2014 e o primeiro trimestre de 2016) [9] , passando pela queda do conjunto de vendas (grossistas, retalhistas e industriais) ao mercado interno desde o último quadrimestre de 2014 [10] e das exportações desde Novembro do mesmo ano [11] .
A isto devemos acrescentar uma dívida pública nacional que continua a aumentar. Já superou a barreira dos US$19 milhões de milhões (quase 106% do PIB) que, somada às dívidas privadas, chega aos US$64 milhões de milhões (3,5 vezes o PIB de 2015) [12] – e também com sinais claros de deterioração social como o facto de que umas 45 milhões de pessoas actualmente recebem ajudas alimentares por parte do Estado [13] . A agência encarregada de monitorar os programa alimentares governamentais, FRAC na sua sigla em inglês, assinalava no seu últimos relatório que “mais de 48,1 milhões de estado-unidenses vivem em lares que lutam contra a fome” [14] .
Para um número crescente de peritos, sobretudo os especialistas em temas financeiros, a pergunta decisiva não é se a crise se vai verificar ou não e sim quando vai ocorrer. Para alguns poderia assumir a forma de uma explosão financeira no estilo da que se verificou em 2008 ou em eventos anteriores desse tipo. Para outro, o que está para chegar é uma grande implosão do sistema.
Cabem duas hipóteses extremas. A primeira é que a acumulação de deteriorações gere cedo ou tarde um salto qualitativo devastador. A história do capitalismo está marcada por uma sucessão de crises de diferentes magnitudes. Olhando o passado seria razoável supor um desenlace sob a forma de hiper-crise.
A segunda hipótese é que a perda de dinamismo do sistema não seja um fenómeno passageiro e sim uma tendência pesada que obriga a superar a ideia de grande turbulência repentina, de tsunami arrasador, e introduzir o conceito de “decadência”, de envelhecimento prolongado, de degradação civilizacional – o que não exclui as crises e sim incorpora-as a um percurso descendente em que o sistema se vai apagando, desarticulando, caotizando, perdendo vitalidade, racionalidade.
Larry Summers, ex-secretário do Tesouro dos Estados Unidos, relançou recentemente com grande repercussão mediática a teoria do “estancamento secular” segundo a qual as grandes potências tradicionais estão a entrar numa era de estancamento produtivo prolongado arrastando o conjunto do sistema global [15] . Recuperava desse modo as ideias de Alvin Hansen expostas em plena crise dos anos 1930. Por sua vez, académicos importantes como Robert Gordon [16] , Tyler Cowen [17] ou Jan Vijg [18] apoiavam esse ponto de vista a partir da visão da ineficácia crescente da mudança tecnológica em termos de crescimento económico. Este último autor assinalava o paralelismo entre a decadência estado-unidense e as do Império Romano e da China na era da dinastia Qing (entre meados do século XVII e princípios do século XX). Nos anos 1970, quando se iniciava a longa crise global que chega até os nossos dias, Orio Giarini e Henri Loubergé, então na Universidade de Genebra, haviam elaborado a hipótese dos “rendimentos decrescentes da tecnologia” a partir do processamento de uma grande massa de informação empírica [19] . Pelo seu lado, o historiador Fernand Braudel assinalava que a grande crise dessa década era o começo de uma fase cíclica descendente de longa duração [20] . A partir de uma visão marxista, Roger Dangeville, também nessa época, afirmava que o capitalismo enquanto sistema global havia entrado na sua etapa senil [21] . Eu retomei essa hipótese desde fins dos anos 1990 [22] , que mais adiante foi assumida por Samir Amin [23] e outros autores.
Agora os sinais de alarme multiplicam-se, desde desajustamentos financeiros graves até perturbações geopolíticas carregadas de guerra e desestabilizações, desde crises institucionais até declinações económicas. Nos anos 1990 os comentaristas ocidentais maravilhavam-se diante do espectáculo da implosão da URSS. É provável que dentro de não muito tempo comecem a horrorizar-se diante de desastres muito maiores centrados no Ocidente.
[1] Philippe Mesmer, “L’alarmisme de Shinzo Abe surprend le G7”, Le Monde, 26/05/2016. [2] Tyler Durden, “Is Deutsche Bank The Next Lehman?”, Zero Hedge, http://www.zerohedge.com/news/2015-06-12/deutsche-bank-next-lehman Michael Snyder, “Financial Armageddon Approaches”, INFOWARS, http://www.infowars.com/... [3] Antoine Gara, “George Soros Says Brace For ‘Black Friday’ If Brexit Vote Succeeds”, Forbes, Jun 21, 2016, http://www.forbes.com/... [4] Wolf Richter, “European Banks Get Crushed, Worst 2-Day Plunge Ever, Italian Banks to Get Taxpayer Bailout, Contagion Hits US Banks”, Wolf Street, June 27, 2016, wolfstreet.com/… [5] Michael T. Snyder, “Will Deutsche Bank Survive This Wave Of Trouble Or Will It Be The Next Lehman Brothers?”, Smarter Analyst, May 23, 2016, http://www.smarteranalyst.com/... [6] Jeffrey Moore, “Will Italian banks spark another financial crisis?”, Global Risk Insights, March 7, 2016. [7] Takashi Naakamichi, “Japan emerges as key victim in fallout from Brexit”, Market Watch,June 27, 2016. [8] U.S. Board of Governors of the Federal Reserve System, “Industrial Production and Capacity Utilization”. [9] Worlf Richter, “Business Loan Delinquencies Spike to Lehman Moment Level”, May 19, 2016, wolfstreet.com/2016/05/19/delinquencies-of-commercial-industrial-loans-spike/ [10] FRED – Federal Reserve Bank of St. Louis, Total Business Sales. [11] U.S. Census Bureau, “U.S. International Trade in Goods and Services”. [12] FRED – Federal Reserve Bank of St. Louis, All Sectors; Debt Securities and Loans. [13] United States Department of Agriculture, Food and Nutrition Service. [14] FRAC, Food Research & Action Center, “U.S. Makes Progress Addressing Food Hardship, but One in Six American Households Still Struggle to Put Food on the Table”, June 30, 2016, frac.org/… [15] Laurence. H. Summers, “Reflections on the New Secular Stagnation Hypothesis”, Secular Stagnation: Facts, Causes, and Cures, CEPR Press, 2014. [16] Robert J. Gordon, “Is US Economic Growth over? Faltering Innovation confronts the six Headwinds”, NBER Working paper series, 18315, August.2012.”The turtle’s progress: Secular stagnation meets the headwinds”, Secular Stagnation:Facts, Causes, and Cures, CEPR Press, 2014. [17] Tyler Cowen, “The Great Stagnation”, Dutton, 2011. [18] Jan Vijg,”The American Technological Challenge: Stagnation and Decline in the 21st Century”, Algora Publishing, 2011. [19] Orio Giarini y Henri Loubergé,”La Civilisation technicienne à la dérive. Les rendements décroissants de la technologie”, Dunod, Paris, 1979 [20] Fernand Braudel, “Civilisation matérielle, économie et capitalisme, XV e XVIII e Siècle”, tome I, Armand Colin, Paris, 1979. [21] Roger Dangeville, “Marx-Engels. La crise”, Editions 10/18, Paris 1978 [22] Jorge Beinstein, “La larga crisis de la economía global”, Corregidor, Buenos Aires, 1999 y “Capitalismo senil. A grande crise da economia global”, Record, Rio de Janeiro, 2001. [23] Samir Amin, “Au-delà du capitalisme sénile”, PUF, Paris, 2002.
[*] Doutorado de Estado em Ciências Económicas (Universidade do Franche Comté, Besançon, França), especialista em prognósticos económicos. Foi consultor de organismos internacionais e de governos, dirigiu numerosos programas de investigação e foi titular de cátedras de economia internacional e prospectiva tanto na Europa como na América Latina. É professor titular das cátedras livres “Globalização e Crise” nas Universidades de Buenos Aires e Córdoba (Argentina) e de Havana (Cuba) e director do Centro de Prospectiva y Gestión de Sistemas (Cepros). Sua página web é http://beinstein.lahaine.org/
Webster Franklin
10 de julho de 2016 3:44 amEduardo Cunha (PMDB-RJ) publica carta aberta à Globo detonando a
Blog do Francisco Castro
Eduardo Cunha (PMDB-RJ) publica carta aberta à Globo detonando a emissora
By: Francisco Castro on 13:42
Nos últimos tempos, a produção ou reportagem do Jornal Nacional, que vai ao ar às 20:30 hs, apresentava suas demandas por volta das 19:00 hs. O prazo foi sendo reduzido gradativamente até que, nesta semana, demanda foi feita às 20:07 hs, com deadline às 20:20 hs. Nesta sexta-feira, a produção do Jornal Hoje fez pedido de nota sobre matéria a meu respeito às 13:13hs, sete minutos antes do início do jornal. Nessas duas últimas situações, me coloquei à disposição para gravar sonora, na justa reivindicação de semelhante igualdade de manifestação, já que todos os entrevistados que me atacam nos jornais da TV Globo o fazem via sonora. Ao Jornal Hoje disse, através de minha assessoria de imprensa, que “minha posição é estar à disposição para dar sonora igual àqueles que me atacam para a imparcialidade da divulgação da notícia, e que infelizmente a TV Globo não faz”. Não só não divulgaram minha resposta como informaram, mentirosamente, que eu não me manifestei. Agora à noite não poderia ser diferente. As 20:15 hs a produção da Globo pergunta à minha assessoria, via e-mail, se quero me manifestar sobre matéria pronta que seria veiculada 15 minutos depois. Novamente disseque estou à disposição para gravar. Não obtive resposta. Ou seja, o comportamento antiético comigo virou padrão.”
Eduardo Cunha http://www.blogdefranciscocastro.com.br/2016/07/eduardo-cunha-pmdb-rj-publica-carta.html
Webster Franklin
10 de julho de 2016 4:09 amLindbergh: Temer e Meirelles cometem estelionato fiscal
Brasil 247
Lindbergh: Temer e Meirelles cometem estelionato fiscal
Tereza Cruvinel
8 de Julho de 2016
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O governo está promovendo uma farsa fiscal e a mídia está endossando. O déficit anunciado de R$ 139 bilhões para o ano que vem será na verdade de R$ 195 bilhões, pois embute uma previsão de receita de R$ 50 bilhões que o governo não apontou onde irá buscar. A cobrança foi feita pelo líder da oposição no Senado, Lindbergh Farias, desafiando o líder do Governo, Aloysio Nunes Ferreira, a reconhecer que o governo está rasgando seu discurso em defesa do ajuste fiscal e do saneamento das contas públicas.
_ Com o golpe, vocês assumiram o governo em nome da responsabilidade fiscal. Agora, estão rasgando este discurso. Devem assumir a incoerência, Precisam reconhecer que estão ampliando o rombo com este indicador maquiado que nos pedem para incluir na LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias para 2017) – disse o senador .
O líder do governo evitou discutir a composição do número de Meirelles dizendo em aparte que acha possível um diálogo entre situação e oposição em torno da ideia de não ultrapassar, nos gastos públicos, os limites do que a sociedade se dispõe a gastar. Este debate ocorrerá, na votação da LDO, e ainda não é clara a disposição do Congresso para acolher o rombo proposto. Lindbergh, ao 247, diz que o governo está cometendo é um verdadeiro estelionato fiscal.
Os principais analistas econômicos da grande mídia estão endossando a narrativa do ministro Henrique Meirelles, de que o governo conseguiu, com grande esforço, reduzir o déficit dos R$ 170,5 bilhões deste ano para R$ 139 bilhões no ano que vem. Os números, assim como as aparências, enganam. Ao anunciar o valor do déficit, Meirelles o apresentou como evidência de sucesso no ajuste fiscal, dizendo: “É um esforço enorme, mostra compromisso, confiança, seriedade e austeridade do governo central do Brasil”. Um número, segundo ele, destinado a criar na sociedade a certeza de que o País “pode crescer, investir, criar empregos, contratar pessoas com tranquilidade, com confiança de que não haverá no futuro um descontrole de contas e uma dificuldade de solvência do Estado brasileiro”.
“As palavras do ministro são de uma hipocrisia atroz, que não resiste ao menor esforço aritmético”, disse Lindberg ao 247. “Quando a gente vai olhar a despesa, ao invés de uma redução dos R$ 170,5 bilhões deste ano, o que enxergamos é uma ampliação para R$ 194 bilhões. Hoje, na cobertura da imprensa, não há nenhum comentário crítico a esta desrespeitosa tentativa de distorcer a realidade e enganar a sociedade. Um verdadeiro estelionato fiscal.”
As piruetas aritméticas do governo com o déficit tentam ainda fortalecer a ideia de que todo o descontrole é obra do Governo Dilma, embora seja visível a expansão do gasto na era Temer em busca de apoios para consolidar o impeachment. Ao elevar a previsão de déficit deste ano, dos R$ 96 bilhões projetados pela equipe de Dilma, para os R$ 170,5 bilhões fixados por Meirelles, o governo buscou criar um espaço fiscal para as bondades recentes, como o alívio para a dívida dos estados e os aumentos para setores de elite do funcionalismo. Foram R$ 50 bilhões com os governadores e R$ 25 bilhões com aumentos, despesas que juntas poderiam ter reduzido o déficit para a casa dos R$ 100 bilhões.
Em verdade, diz Lindbergh, nos quatro primeiros meses do governo Dilma, neste ano, o deficit estava girando em R$ 5 bilhões. Cresceu para R$ 96 bilhões quando o governo teve que pagar, à vista, as pedaladas fiscais. Descontando as pedaladas, o governo Temer é que teria produzido, raciocina o senador, um rombo de R$ 165 bilhões em apenas oito meses: período entre a posse e o fim do ano fiscal.
Os R$ 55 bilhões de novas receitas embutidos no déficit de R$ 134 bilhões anunciados por Meirelles só podem vir de duas fontes. Privatizações ou aumento de impostos, duas medidas sobre as quais o governo não tem controle. Se tais receitas se frustrarem, o déficit chegará oficialmente aos R$ 195 bilhões que o governo, como diz Lindbrgh, está dissimulando. Hoje Temer recebeu o presidente da CNI, Robson Andrade. Ouviu que o empresariado não aceita mais elevação da carga tributária mas não se comprometeu. Nem pode, depois da previsão de R$ 55 bilhões de receitas novas. Prepare-se o presidente da Fiesp, Paulo Skaff, apoiador do impeachment, para fazer seu “impostômetro” girar para a direita em breve. Impostos virão, mas nunca antes de Temer ser efetivado no cargo.
http://www.brasil247.com/pt/blog/terezacruvinel/242931/Lindbergh-Temer-e-Meirelles-cometem-estelionato-fiscal.htm
Webster Franklin
10 de julho de 2016 4:18 amVOLTA, ISABEL!
Brasil 247
“Há pouco tempo, escrevemos artigo no qual afirmávamos que o golpe ameaça desconstruir os legados sociais de Lula, Ulysses Guimarães e Getúlio Vargas. Estávamos enganados. O apetite reacionário e excludente dos golpistas vai além. Eles querem também acabar com o legado social da Princesa Isabel”, escrevem, em artigo, o senador Lindbergh Farias (PT-RJ) e o colunista Marcelo Zero; “O governo Temer/Cunha não veio apenas para tirar Dilma do poder. Não veio apenas para tirar os pobres do orçamento. Veio para colocar grilhões nos trabalhadores brasileiros. Veio para colocar os pobres no tronco. Fora, Temer! Volta, Isabel!”
9 de Julho de 2016 às 16:26
Por Lindbergh Farias e Marcelo Zero
Há pouco tempo, escrevemos artigo no qual afirmávamos que o golpe ameaça desconstruir os legados sociais de Lula, Ulysses Guimarães e Getúlio Vargas.
Estávamos enganados.
O apetite reacionário e excludente dos golpistas vai além. Eles querem também acabar com o legado social da Princesa Isabel.
Com efeito, foi o que deu a entender o presidente da CNI, apoiadora do golpe, o qual, após encontro com o Interino Usurpador, anunciou que os brasileiros têm de trabalhar 80 horas por semana, ou 12 horas por dia.
Para os golpistas, essa é a solução para a crise. Obrigar os brasileiros a trabalhar até os 70 anos com uma jornada de 12 horas por dia.
Cinicamente, dizem inspirar-se na nova lei trabalhista francesa. Mentem. A nova lei de trabalho da França permite, apenas em circunstâncias excepcionais, como grave crise na empresa, a extensão da jornada até 60 horas semanais, após acordo coletivo registrado, e com a anuência e supervisão das inspetorias do trabalho. As horas que excederem 35 horas por dia continuarão a ser horas extras. Mesmo assim, a nova lei está provocando uma convulsão social na França. Será revista.
Mas o que os nossos golpistas querem é impor essas 80 horas e não pagar adicionais. É a volta da escravidão. A volta da exclusão e da desigualdade como modelo de crescimento. Querem a volta do “milagre econômico” da ditadura. Querem a volta do tripé repressão, desigualdade e exploração.
Na realidade, a sua inspiração não é a França do século XXI. Erraram de país e de século. A sua verdadeira inspiração é a Inglaterra da primeira metade do século XIX. Aquela Inglaterra descrita por Engels, a quem os golpistas carinhosamente apodam de Hegel. Aquele país bucólico e aprazível retratado no livro “A Situação da Classe Trabalhadora da Inglaterra”.
Ah! Aquelas jornadas moralizantes de 14 horas, que reerguem o caráter destruído pela preguiça. O edificante trabalho infantil, que gera cidadãos disciplinados e abnegados. A miséria amontoada e convenientemente apartada em exóticos cortiços, tão adequada à paz social. E, sobretudo, aqueles salários módicos, tão convidativos ao empreendedor.
Ah! A ausência de subversivos sindicatos. A ausência de direitos e garantias, que atrapalham o correto funcionamento da economia. E a presença omnipresente e omnisciente do Mercado. Belos tempos!
Ah! A beleza distópica de um mundo sem sistema público de saúde. Um mundo sem SUS. Apenas com planos de saúde privados. Um mundo sem educação pública. Um mundo sem Bolsa família, sem Pronatec, sem Ciência sem Fronteiras, sem Minha Casa Minha Vida, sem Enem, sem Fies, sem Prouni. Um mundo baseado na meritocracia dos privilégios. Um mundo para poucos. Um Brasil para poucos, como recomenda a nossa tradição.
O que os golpistas querem é volta da “governabilidade pela exclusão social”, algo que as classes dominantes sempre defenderam.
Ao final da Assembleia Nacional Constituinte de 1988, que construía a cidadania social brasileira, Sarney convocou cadeia nacional de rádio e televisão para alertar o país sobre o perigo de uma “explosão brutal de gastos públicos” que a nova Constituição acarretaria, tornando o país “ingovernável”.
Ulysses respondeu de forma admirável: Senhores constituintes: a Constituição, com as correções que faremos, será a guardiã da governabilidade. A governabilidade está no social. A fome, a miséria, a ignorância, a doença inassistida são ingovernáveis. A injustiça social é a negação do governo e a condenação do governo (…).
Os governos do PT seguiram Ulysses. Iniciaram construção de um país para todos, governado para todos. Governado pela inclusão e pela cidadania social.
Mas os golpistas querem agora a volta do Brasil para poucos. Do país governado pela exclusão. Da economia assentada na desigualdade, que não quer gastar dinheiro com direitos, previdência e serviços públicos para os pobres. Os golpistas acham que a cidadania social não cabe no orçamento. No orçamento caberiam apenas as taxas de juros estratosféricas e os privilégios.
Inspirados em Sarney e no Centrão reacionário da Constituinte, tão semelhante, em seu fisiologismo e conservadorismo, ao Centrão de Cunha, querem a desconstrução da cidadania social e do nosso pequeno Estado do Bem-Estar. Querem também desconstruir o Brasil, vendendo o pré-sal e todo o patrimônio publico. Querem alienar a nossa soberania.
Pensávamos que o golpe nos faria retroceder à República Velha. Nos enganamos. Querem fazer retroceder o país aos tempos da colônia dependente e escravocrata.
O governo Temer/Cunha não veio apenas para tirar Dilma do poder. Não veio apenas para tirar os pobres do orçamento.
Veio para colocar grilhões nos trabalhadores brasileiros. Veio para colocar os pobres no tronco.
Fora, Temer! Volta, Isabel!
http://www.brasil247.com/pt/247/economia/243050/Volta-Isabel!.htm
antonio francisco
10 de julho de 2016 10:02 amLadroagens no fundo de pensão dos Correios segundo a Istoé
http://istoe.com.br/o-operador-que-quebrou-previdencia-dos-correios/
E a Folha de São Paulo informa que um ex-governador de Sampa está indicado para cargo nos Correios:
http://www1.folha.uol.com.br/poder/2016/07/1789983-kassab-indica-ex-governador-de-sp-para-cargo-nos-correios.shtml
antonio francisco
10 de julho de 2016 10:18 amNicolelis premiado nos Estados Unidos
http://www.ebc.com.br/tecnologia/2016/07/nicolelis-e-premiado-por-contribuir-com-tecnologias-emergentes
Nicolelis em sua página no Facebook
Acabo de receber a notícia do recebimento do IEEE Daniel E. Noble Award for Emerging Technologies pela invençāo das interfaces cérebro-máquina. Anúncio da Duke University aqui.
https://www.neuro.duke.edu/…/miguel-nicolelis-wins-emerging…
Almeida
10 de julho de 2016 11:16 amO Colapso dos Derivativos.
Alertas vermelhos: Sinais de implosão na economia global – O capitalismo global à deriva
por Jorge Beinstein [*]
Em fins de Maio, durante a reunião do G7, Shinzo Abe, primeiro-ministro do Japão, anunciou a proximidade de uma grande crise global [1] . O comentário mais divulgado pelos meios de comunicação foi que era um alarmismo exagerado, reflexo da situação difícil da economia japonesa. De qualquer modo, não faltam os que admitem a existência de perigos mas em geral atribuem-nos aos desequilíbrios financeiros da China, à recessão no Brasil ou às turbulências europeias. A situação nos Estados Unidos costuma merecer comentários prudentes, distantes de qualquer alarmismo. Apesar de o centro motor da última grande crise global (ano 2008) ter sido a explosão da bolha imobiliária estado-unidense, agora os peritos não percebem ali bolhas em plena expansão a ponto de estourar e sim tudo ao contrário: actividades financeiras, industriais e comerciais estagnadas, crescimentos anémicos e outros sinais aparentemente tranquilizantes que afastam a imagem de algum tipo de euforia descontrolada.
Mas é impossível ignorar a realidade. Os produtos financeiros derivados constituem a componente maioritária decisiva da trama especulativa global. Só cinco bancos dos Estados Unidos mais o Deutsche Bank acumularam esses frágeis activos no montante de uns 320 milhões de milhões de dólares [2] , equivalente a aproximadamente 4,2 vezes o Produto Mundial Bruto (ano 2015). Isso representa 65% da totalidade dos produtos financeiros derivados do planeta registados em Dezembro de 2015 pelo Banco da Basileia. Essa hiper-concentração financeira deveria ser um sinal de alarme e o panorama agrava-se quando constatamos que a referida massa financeira está a desinchar de maneira irresistível: em Dezembro de 2013 os derivados globais chegavam a uns US$710 milhões de milhões, apenas dois anos depois, em Dezembro de 2015, o Banco de Basileia registava US$490 milhões de milhões… em apenas 24 meses evaporaram-se US$220 milhões de milhões, cifra equivalente a cerca de 2,8 vezes do Produto Global Bruto de 2015.
Não foi um acidente e sim o resultado da interacção perversa, a nível mundial, entre a especulação financeira e a chamada economia real. Durante um longo período esta última pode suster uma desaceleração gradual evitando a derrocada, graças à financiarização do sistema que permitiu às grandes empresas, aos estados e aos consumidores do países ricos endividarem-se e assim consumir e investir. O declínio da dinâmica económica dos capitalismos centrais pôde ser desacelerado (ainda que não revertido) não só com negócios financeiros. A entrada de mais de 200 milhões de operários industriais chineses mal pagos no mercado mundial permitiu abastecer com manufacturas baratas os países ricos e a derrocada do bloco soviético brindou ao Ocidente um novo espaço colonial: a União Europeia ampliou-se para Leste, capitais da Europa e dos Estados Unidos estenderam seus negócios.
Foi assim que os Estados Unidos e seus sócios-vassalos da NATO continuaram em frente com os gastos militares e as guerras. Enormes capitais acumulados bloqueados por uma procura que crescia cada vez menos puderam rentabilizar-se comprando papéis de dívida ou jogando na bolsa. Grandes bancos e mega especuladores incharam seus activos com complexas operações financeiras legais e ilegais. Os neoliberais assinalavam que se tratava de um “círculo virtuoso” em que as economias real e financeira cresciam apoiando-se mutuamente. Mas a festa foi-se esgotando enquanto se reduziam as capacidades de pagamento dos devedores esmagados pelo peso das suas obrigações.
A crise de 2008 foi o ponto de inflexão. Em Dezembro de 1998 os derivados globais chegavam a uns US$80 milhões de milhões, equivalente a 2,5 vezes o Produto Global Bruto desse ano. Em Dezembro de 2003 eles alcançavam os US$200 milhões de milhões (5,3 vezes o PGB) e em meados de 2008, em plena euforia financeira, saltaram para os US$680 milhões de milhões (11 vezes o PGB). A recessão de 2009 os fez cair: em meados desse ano haviam baixado para US$590 milhões de milhões (9,5 vezes do PGB). Acabara a euforia especulativa e a partir daí as cifras nominais estancaram ou subiram muito pouco, reduzindo sua importância em relação ao PGB. Em Dezembro de 2013 rondavam os US$719 milhões de milhões (9,3 vezes o PGB) e a seguir verificou-se o grande desinchar: US$610 milhões de milhões em Dezembro de 2014 (7,9 vezes o PGB) que em Dezembro de 2015 caiu para US$490 milhões de milhões (6,2 vezes o PGB).
O aparente “círculo virtuoso” havia mostrado o seu verdadeiro rosto: na realidade tratava-se de um círculo vicioso em que o parasitismo financeiro expandira-se graças às dificuldades da economia real à qual drogava enquanto a carregava de dívidas cuja acumulação acabou por arrefecer o seu dinamismo – o que por sua vez bloqueou o crescimento da esfera financeira.
A primeira etapa de interacção expansiva anunciava a segunda de interacção negativa, do arrefecimento mútuo actualmente em curso que por sua vez anuncia a terceira, de arrefecimento financeiro a marchar em direcção ao colapso e com crescimentos anémicos, estancamentos e recessões suaves da economia real aproximando-se da depressão prolongada – tudo isso como parte do provável desinchar entrópico do conjunto do sistema.
A financiarização integral da economia faz com que a sua contracção comprima a economia real, reduza o seu espaço de desenvolvimento. O peso das dívidas públicas e privadas, a crescente volatilidade dos mercados submetidos ao canibalismo especulativo, grandes bancos na corda bamba e outros factores negativos afogam a estrutura produtiva.
Por outro lado o sistema global não se reduz a um conjunto de processos económicos. Encontramo-nos perante uma realidade complexa que inclui uma ampla variedade de componentes inter-relacionados (geopolíticos, culturais, militares, institucionais, etc). Isso significa que a crise pode desencadear-se a partir de diferentes geografias e focos de actividade social. Exemplo: um facto político como a decisão do eleitorado da Grã-Bretanha de sair da União Europeia poderia ter sido o detonador, tal como antecipava George Soros que esperava uma “Sexta-feira negra” seguida por uma reacção em cadeia de turbulências fora de controle se na quinta-feira 23 de Junho triunfasse o Brexit [3] . O desastre não se verificou, mas podia ter ocorrido… ainda que a sacudidela fosse bastante forte [4] .
Poderia ser uma onda de protestos sociais na Europa, mais extensa e radicalizada do que a verificada recentemente em França, ou a derrocada do Deutsche Bank que acumula papéis voláteis num montante da ordem dos US$70 milhões de milhões, quase equivalente ao Produto Mundial Bruto [5] . Também a economia italiana apresenta a sua quota de riscos, afectada pela degradação acelerada dos bancos encurralados pelos não pagamentos dos seus devedores, que em Março de 2016 somavam uns 200 mil milhões de euros (equivalente a 12% do PIB italiano) [6] . E naturalmente o Japão surge como um importante candidato à derrocada com uma dívida pública de US$9 milhões de milhões que representa 220% do seu PIB, não tendo conseguido sair da deflação e com as suas exportações a perderem competitividade [7] .
Os Estados Unidos, centro da economia global (sobretudo da sua hipertrofia financeira), são naturalmente o motor potencial de futuras tormentas globais. Ali nos últimos meses acumularam-se sinais recessivos: desde a tendência persistente para a baixa na produção industrial a partir de fins de 2014 [8] até a ascensão contínua de dívidas industriais e comerciais não pagas (que já alcançaram o nível dos fins de 2008 – aumentaram quase 140% entre o último trimestre de 2014 e o primeiro trimestre de 2016) [9] , passando pela queda do conjunto de vendas (grossistas, retalhistas e industriais) ao mercado interno desde o último quadrimestre de 2014 [10] e das exportações desde Novembro do mesmo ano [11] .
A isto devemos acrescentar uma dívida pública nacional que continua a aumentar. Já superou a barreira dos US$19 milhões de milhões (quase 106% do PIB) que, somada às dívidas privadas, chega aos US$64 milhões de milhões (3,5 vezes o PIB de 2015) [12] – e também com sinais claros de deterioração social como o facto de que umas 45 milhões de pessoas actualmente recebem ajudas alimentares por parte do Estado [13] . A agência encarregada de monitorar os programa alimentares governamentais, FRAC na sua sigla em inglês, assinalava no seu últimos relatório que “mais de 48,1 milhões de estado-unidenses vivem em lares que lutam contra a fome” [14] .
Para um número crescente de peritos, sobretudo os especialistas em temas financeiros, a pergunta decisiva não é se a crise se vai verificar ou não e sim quando vai ocorrer. Para alguns poderia assumir a forma de uma explosão financeira no estilo da que se verificou em 2008 ou em eventos anteriores desse tipo. Para outro, o que está para chegar é uma grande implosão do sistema.
Cabem duas hipóteses extremas. A primeira é que a acumulação de deteriorações gere cedo ou tarde um salto qualitativo devastador. A história do capitalismo está marcada por uma sucessão de crises de diferentes magnitudes. Olhando o passado seria razoável supor um desenlace sob a forma de hiper-crise.
A segunda hipótese é que a perda de dinamismo do sistema não seja um fenómeno passageiro e sim uma tendência pesada que obriga a superar a ideia de grande turbulência repentina, de tsunami arrasador, e introduzir o conceito de “decadência”, de envelhecimento prolongado, de degradação civilizacional – o que não exclui as crises e sim incorpora-as a um percurso descendente em que o sistema se vai apagando, desarticulando, caotizando, perdendo vitalidade, racionalidade.
Larry Summers, ex-secretário do Tesouro dos Estados Unidos, relançou recentemente com grande repercussão mediática a teoria do “estancamento secular” segundo a qual as grandes potências tradicionais estão a entrar numa era de estancamento produtivo prolongado arrastando o conjunto do sistema global [15] . Recuperava desse modo as ideias de Alvin Hansen expostas em plena crise dos anos 1930. Por sua vez, académicos importantes como Robert Gordon [16] , Tyler Cowen [17] ou Jan Vijg [18] apoiavam esse ponto de vista a partir da visão da ineficácia crescente da mudança tecnológica em termos de crescimento económico. Este último autor assinalava o paralelismo entre a decadência estado-unidense e as do Império Romano e da China na era da dinastia Qing (entre meados do século XVII e princípios do século XX). Nos anos 1970, quando se iniciava a longa crise global que chega até os nossos dias, Orio Giarini e Henri Loubergé, então na Universidade de Genebra, haviam elaborado a hipótese dos “rendimentos decrescentes da tecnologia” a partir do processamento de uma grande massa de informação empírica [19] . Pelo seu lado, o historiador Fernand Braudel assinalava que a grande crise dessa década era o começo de uma fase cíclica descendente de longa duração [20] . A partir de uma visão marxista, Roger Dangeville, também nessa época, afirmava que o capitalismo enquanto sistema global havia entrado na sua etapa senil [21] . Eu retomei essa hipótese desde fins dos anos 1990 [22] , que mais adiante foi assumida por Samir Amin [23] e outros autores.
Agora os sinais de alarme multiplicam-se, desde desajustamentos financeiros graves até perturbações geopolíticas carregadas de guerra e desestabilizações, desde crises institucionais até declinações económicas. Nos anos 1990 os comentaristas ocidentais maravilhavam-se diante do espectáculo da implosão da URSS. É provável que dentro de não muito tempo comecem a horrorizar-se diante de desastres muito maiores centrados no Ocidente.
[1] Philippe Mesmer, “L’alarmisme de Shinzo Abe surprend le G7”, Le Monde, 26/05/2016.
[2] Tyler Durden, “Is Deutsche Bank The Next Lehman?”, Zero Hedge, http://www.zerohedge.com/news/2015-06-12/deutsche-bank-next-lehman
Michael Snyder, “Financial Armageddon Approaches”, INFOWARS, http://www.infowars.com/...
[3] Antoine Gara, “George Soros Says Brace For ‘Black Friday’ If Brexit Vote Succeeds”, Forbes, Jun 21, 2016, http://www.forbes.com/...
[4] Wolf Richter, “European Banks Get Crushed, Worst 2-Day Plunge Ever, Italian Banks to Get Taxpayer Bailout, Contagion Hits US Banks”, Wolf Street, June 27, 2016, wolfstreet.com/…
[5] Michael T. Snyder, “Will Deutsche Bank Survive This Wave Of Trouble Or Will It Be The Next Lehman Brothers?”, Smarter Analyst, May 23, 2016, http://www.smarteranalyst.com/...
[6] Jeffrey Moore, “Will Italian banks spark another financial crisis?”, Global Risk Insights, March 7, 2016.
[7] Takashi Naakamichi, “Japan emerges as key victim in fallout from Brexit”, Market Watch,June 27, 2016.
[8] U.S. Board of Governors of the Federal Reserve System, “Industrial Production and Capacity Utilization”.
[9] Worlf Richter, “Business Loan Delinquencies Spike to Lehman Moment Level”, May 19, 2016, wolfstreet.com/2016/05/19/delinquencies-of-commercial-industrial-loans-spike/
[10] FRED – Federal Reserve Bank of St. Louis, Total Business Sales.
[11] U.S. Census Bureau, “U.S. International Trade in Goods and Services”.
[12] FRED – Federal Reserve Bank of St. Louis, All Sectors; Debt Securities and Loans.
[13] United States Department of Agriculture, Food and Nutrition Service.
[14] FRAC, Food Research & Action Center, “U.S. Makes Progress Addressing Food Hardship, but One in Six American Households Still Struggle to Put Food on the Table”, June 30, 2016, frac.org/…
[15] Laurence. H. Summers, “Reflections on the New Secular Stagnation Hypothesis”, Secular Stagnation: Facts, Causes, and Cures, CEPR Press, 2014.
[16] Robert J. Gordon, “Is US Economic Growth over? Faltering Innovation confronts the six Headwinds”, NBER Working paper series, 18315, August.2012.”The turtle’s progress: Secular stagnation meets the headwinds”, Secular Stagnation:Facts, Causes, and Cures, CEPR Press, 2014.
[17] Tyler Cowen, “The Great Stagnation”, Dutton, 2011.
[18] Jan Vijg,”The American Technological Challenge: Stagnation and Decline in the 21st Century”, Algora Publishing, 2011.
[19] Orio Giarini y Henri Loubergé,”La Civilisation technicienne à la dérive. Les rendements décroissants de la technologie”, Dunod, Paris, 1979
[20] Fernand Braudel, “Civilisation matérielle, économie et capitalisme, XV e XVIII e Siècle”, tome I, Armand Colin, Paris, 1979.
[21] Roger Dangeville, “Marx-Engels. La crise”, Editions 10/18, Paris 1978
[22] Jorge Beinstein, “La larga crisis de la economía global”, Corregidor, Buenos Aires, 1999 y “Capitalismo senil. A grande crise da economia global”, Record, Rio de Janeiro, 2001.
[23] Samir Amin, “Au-delà du capitalisme sénile”, PUF, Paris, 2002.
Ver também:
Crises, os desenlaces possíveis Resenha do livro Le capital fictif, de Cédric Durand O capital fictício, como a finança se apropria do nosso futuro The Epic Collapse of Deutsche Bank
[*] Doutorado de Estado em Ciências Económicas (Universidade do Franche Comté, Besançon, França), especialista em prognósticos económicos. Foi consultor de organismos internacionais e de governos, dirigiu numerosos programas de investigação e foi titular de cátedras de economia internacional e prospectiva tanto na Europa como na América Latina. É professor titular das cátedras livres “Globalização e Crise” nas Universidades de Buenos Aires e Córdoba (Argentina) e de Havana (Cuba) e director do Centro de Prospectiva y Gestión de Sistemas (Cepros). Sua página web é http://beinstein.lahaine.org/
O original encontra-se em http://www.resumenlatinoamericano.org/
Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .
alfeu
10 de julho de 2016 10:29 pm*
Esquerda brasileira perdeu as ruas porque é ruim na internet, diz ativista digital espanhol
http://www.sul21.com.br/jornal/esquerda-brasileira-perdeu-as-ruas-porque-e-ruim-na-internet-diz-ativista-digital-espanhol/