
O vazamento torrencial de depoimentos, a marcação cerrada sobre Lula, o pacto incondicional com os grupos de mídia, a prisão de suspeitos até que aceitem a delação premiada, essas e demais práticas adotadas pela Operação Lava Jato estavam previstas em artigo de 2004 do juiz Sérgio Moro, analisando o sucesso da Operação Mãos Limpas (ou mani pulite) na Itália.
O paper "Considerações sobre a operação Mani Pulite", de autoria de Moro é o melhor preâmbulo até agora escrito para a Operação Lava Jato. E serviu de base para a estratégia montada.
Em sete páginas, Moro analisa a operação Mãos Limpas na Itália e, a partir dai, escreve um verdadeiro manual de como montar operação similar no Brasil, valendo-se da experiência acumulada pelos juízes italianos.
Na abertura, entusiasma-se com os números grandiosos da Mãos Limpas: "Dois anos após, 2.993 mandados de prisão haviam sido expedidos; 6.059 pessoas estavam sob investigação, incluindo 872 empresários, 1.978 administradores locais e 438 parlamentares, dos quais quatro haviam sido primeiros-ministros".
Admite os efeitos colaterais, dez suicídios de suspeitos, vários assassinatos de reputação cometidos na pressa em divulgar as informações e, principalmente, a ascensão de Silvio Berlusconi ao poder.
Mas mostra as vantagens, no súbito barateamento das obras públicas italianas depois da Operação. Principalmente, chama sua atenção as possibilidades e limites da ação judiciária frente à corrupção nas democracias contemporâneas.
A lição extraída por Moro é que existe um sistema de poder a ser combatido, que é a política tradicional, com todos seus vícios e influências sobre o sistema judicial, especialmente sobre os tribunais superiores.
O sistema impede a punição dos políticos e dos agentes públicos corruptos, devido aos obstáculos políticos e “à carga de prova exigida para alcançar a condenação em processo criminal”.
O caminho então é o que ele chama de democracia – que ele entende como uma espécie de linha direta com a “opinião pública esclarecida”, ou seja, a opinião difundida pelos grandes veículos de imprensa, dando um by-pass nos sistemas formais.
“É a opinião pública esclarecida que pode, pelos meios institucionais próprios, atacar as causas estruturais da corrupção. Ademais, a punição judicial de agentes públicos corruptos é sempre difícil (...). Nessa perspectiva, a opinião pública pode constituir um salutar substitutivo, tendo condições melhores de impor alguma espécie de punição a agentes públicos corruptos, condenando-os ao ostracismo".
O jogo consiste, então, em trazer a disputa judicial para o campo da mídia.
Em sua opinião, os fatores que tornaram possível a Operação, alguns deles presentes no Brasil.
1. Uma conjuntura econômica difícil, aliada aos custos crescentes com a corrupção.
2. A abertura da economia italiana, com a integração europeia, que abriu o mercado a empresas estrangeiras.
3. A perda de legitimidade da classe política com o início das prisões e a divulgação dos casos de corrupção. Antes disso, a queda do “socialismo real”, “que levou à deslegitimação de um sistema político corrupto, fundado na oposição entre regimes democráticos e comunistas”.
4. A maior legitimação da magistratura graças a um tipo diferente de juiz que entrou nas décadas de 70 e 80, os “juízes de ataque”, nascido dos ciclos de protesto.
Um dos pontos centrais da estratégia, segundo Moro, consiste em tirar a legitimidade e a autoridade dos chefes políticos – no caso da “Mãos Limpas”, Arnaldo Forlani e Bettino Craxi, líderes do DC e do PSI – e dos centros de poder, “cortando sua capacidade de punir aqueles que quebravam o pacto do silêncio”. Segundo Moro, o processo de deslegitimação foi essencial para a própria continuidade da operação mani pulite”
A arma para tal é o uso da mídia, através da ampla publicidade das ações. Segundo Moro, na Itália teve “o efeito salutar de alertar os investigados em potencial sobre o aumento da massa de informações nas mãos dos magistrados, favorecendo novas confissões e colaborações. Mais importante: garantiu o apoio da opinião pública às ações judiciais, impedindo que as figuras públicas investigadas obstruíssem o trabalho dos magistrados”.
Moro admite que a divulgação indiscriminada de fatos traz o risco de “lesão indevida à honra do investigado ou acusado”. Mas é apenas um dano colateral menor.
Recomenda cuidado na divulgação dos fatos, mas “não a proibição abstrata de divulgação, pois a publicidade tem objetivos legítimos e que não podem ser alcançados por outros meios".
Segundo Moro, “para o desgosto dos líderes do PSI, que, por certo, nunca pararam de manipular a imprensa, a investigação da “mani pulite” vazava como uma peneira. Tão logo alguém era preso, detalhes de sua confissão eram veiculados no “L’Expresso”, no “La Republica” e outros jornais e revistas simpatizantes”.
Para ele, apesar da Mãos Limpas não sugerir aos procuradores que deliberadamente alimentassem a imprensa, “os vazamentos serviram a um propósito útil. O constante fluxo de revelações manteve o interesse do público elevado e os líderes partidários na defensiva. Craxi, especialmente, não estava acostumado a ficar na posição humilhante de ter constantemente de responder às acusações e de ter sua agenda política definida por outros”.
Segundo Moro, a estratégia consiste em manter o suspeito na prisão, espalhar a suspeita de que outros já confessaram e “levantar a perspectiva de permanência na prisão pelo menos pelo período da custódia preventiva no caso da manutenção do silêncio ou, vice-versa, de soltura imediata no caso de uma confissão (uma situação análoga do arquétipo do famoso “dilema do prisioneiro”)”.
Ou seja, a prisão – e a perspectiva de liberdade – é peça central para induzir os prisioneiros à delação. Mas há que se revestir a estratégia de todos os requisitos legais, para "tentar-se obter do investigado ou do acusado uma confissão ou delação premiada, evidentemente sem a utilização de qualquer método interrogatório repudiado pelo Direito. O próprio isolamento do investigado faz-se apenas na medida em que permitido pela lei”.
Moro deixa claro que o isolamento na prisão “era necessário para prevenir que suspeitos soubessem da confissão de outros: dessa forma, acordos da espécie “eu não vou falar se você também não”, não eram mais uma possibilidade.
Assim como nas Mãos Limpas, a Lava Jato procura definir a montagem de um novo centro de poder.
Em sua opinião, o inimigo a ser combatido é o sistema político tradicional, composto por partidos que estão no poder, o esquema empresarial que os suporta e o sistema jurídico convencional, suscetível de pressões.
O novo poder será decorrente da parceria entre jovens juízes, procuradores, delegados – ou seja, eles próprios - com o que Moro define como “opinião pública esclarecida” – que vem a ser os grupos tradicionais de mídia.
Nesse jogo, assim como no xadrez, a figura a ser tombada é a do Rei adversário. Enquanto o Rei estiver de pé será difícil romper a coesão do seu grupo, os laços de lealdade, ampliando as delações premiadas.
Fica claro, para o Grupo de Trabalho da Lava Jato, que o Bettino Craxi a se mirar, o Rei a ser derrubado, é o ex-presidente Lula. O vazamento sistemático de informações, sem nenhum filtro, é peça central dessa estratégia.
Para a operação de guerra da Lava Jato funcionar, sem nenhum deslize legal – que possa servir de pretexto para sua anulação - há a necessidade da adesão total do grupo de trabalho e dos aliados da mídia às teses de Moro.
A homogeneidade do GT só foi possível graças à atuação do Procurador Geral da República Rodrigo Janot, que selecionou um a um os procuradores da força tarefa; e da liberdade conferida à Polícia Federal do Paraná para constituir seu grupo. O fato de procuradores paranaenses e delegados já orbitarem em torno do ex-senador Flávio Arns certamente favoreceu a homogeneização. E, obviamente, a ausencia de José Eduardo Cardozo no Ministério da Justiça.
Para ganhar a adesão dos grupos de mídia, o pacto tácito incluiu a blindagem dos políticos aliados. Explica-se por aí a decisão de Janot de isentar Aécio Neves das denúncias do doleiro Alberto Yousseff, sem que houvesse reclamações do Grupo de Trabalho.
A falta de cuidados com o desmonte da cadeia do petróleo também se explica por aí. Na opinião de Moro e da Lava Jato a corrupção nas obras públicas decorre de uma economia fechada, preocupada em privilegiar as empresas nacionais. É o que está por trás das constantes tentativas de avançar sobre o BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social) – o similar italiano do BNDES foi um dos alvos preferenciais da Mãos Limpas.
No fundo, o arcabouço institucional brasileiro está sendo redesenhado por um autêntico Tratado de Yalta, em torno do novo poder que se apresenta: juízes, procuradores da República e delegados federais associados aos grupos de mídia.
A grande contribuição à força Lava Jato foi certamente a enorme extensão da corrupção desvendada. sem paralelo na história recente do país e sem a sutileza dos movimentos de privatização e dos mercados de juros e câmbio.
A única coisa que Moro não entendeu – ou talvez tenha entendido – é que a ascensão de Silvio Berlusconi não foi um acidente de percurso. Foi o rei posto – a mídia nada virtuosa – sobre os escombros do rei morto – um sistema político corrupto.
A ideia de que a mídia é um território neutro, onde se disputam espaços e ideias é pensamento muito ingênuo para estrategistas tão refinados.
© 2013-2016 GGN - O Jornal de Todos os Brasis
Comentários
de mãos limpas ou de mãos lavadas?
qua, 14/10/2015 - 09:13
em artigo sobre a operação Mãos Limpas, Sérgio Moro demonstra plena consciência de um grotesco desdobramento político daquela ação judicial:
“Tendo ou não Berlusconi alguma responsabilidade criminal, não deixa de ser um paradoxo que ele tenha atingido tal posição na Itália mesmo após a operação mani pulite.”
Sérgio Moro, “Considerações sobre a operação Mani Pulite”, 2004
como depois uma cruzada contra a corrupção se torna Primeiro Ministro da Itália um grande empresário da mídia local, investigado pelos procuradores milaneses por suspeita de corrupção de agentes fiscais?
tratou-se de fortuito paradoxo ou conseqüência direta de graves erros cometidos na condução da Mãos Limpas? quais foram estes erros? não estariam eles sendo repetidos na operação lava Jato, cujo flagrante modelo é a Mãos Limpas?
com efeito, o vazamento seletivo dos detalhes das delações, tanto na Itália quanto agora na Lava Jato, se vale de uma grande mídia não apenas conservadora quanto tão envolvida na corrupção quanto os investigados.
segundo o artigo de Moro, os vazamentos objetivavam:
1. garantir a iniciativa política. “O constante fluxo de revelações manteve o interesse do público elevado e os líderes partidários na defensiva”.
2. favorecer novas confissões. “A publicidade conferida às investigações teve o efeito salutar de alertar os investigados em potencial sobre o aumento da massa de informações nas mãos dos magistrados, favorecendo novas confissões e colaborações.”;
3. angariar apoio da opinião pública. “Mais importante: garantiu o apoio da opinião pública às ações judiciais, impedindo que as figuras públicas investigadas obstruíssem o trabalho dos magistrados”;
ao dar exclusividade a uma mídia corrupta no vazamento de informações, se abre a oportunidade para que estes veículos também manipulem a opinião pública segundo seus próprios interesses. os quais são, evidentemente, contrários ao desmantelamento de uma corrupção sistêmica. desta forma, a opinião pública acaba conduzida a apoiar políticos com interesses inversos aos objetivos da operação.
assim foi na Itália. assim está sendo no Brasil.
enquanto a Lava Jato se limitar ao cu fácil da vaca, sem jamais enfrentar seu verdadeiro desafio, o cu do touro, o sistema judicial que a conduz pode até manter suas mãos limpas, mas não terá sua consciência tranqüila. seus erros grotescos conduzirão a conseqüências grotescas.
a Lava Jato é um processo imbricado inevitavelmente com a política. não pode ser reduzida a seus aspectos puramente técnicos jurídicos. trata-se fundamentalmente de financiamento empresarial de campanha eleitoral, com objetivo de apropriar-se de recursos públicos.
os grandes empreiteiros financiam as campanhas como um investimento cujo retorno se dá por inúmeros favorecimentos em concorrências, aditivos de contratos, superfaturamentos, etc... este mecanismo está agora exposto.
mas se os bravos procuradores da força tarefa forem destemidos o suficiente para penetrar no coração das trevas da corrupção sistêmica, não podem deixar de investigar doações vindas dos banqueiros. estes obtém o retorno de seu investimento nas campanhas eleitorais através da Selic, dos swaps cambiais, e da política econômica voltada para os interesses do mercado financeiro. seus operadores são o Copom, o BC e o Ministério da Fazenda, fazendo com que 45% do orçamento público se destine ao pagamento de juros.
como afirma Moro no artigo citado: “Além disso, a ação judicial não pode substituir a democracia no combate à corrupção”.
sendo assim, após a Lava Jato os banqueiros ainda se manterão, através de seu financiamento de campanhas, como os verdadeiros “donos” de uma política econômica anti-democrática? teremos também a ascensão de políticos comprometidos com a corrupção, como Berlusconi, enfraquecendo a Democracia?
.
CORREÇÃO
qua, 14/10/2015 - 11:05
Tem um erro no artigo: Betino Craxxi era líder do PSI, "partido socialista italiano", e não do PCI (partido comunista italiano).
O PCI jamais chegou a conquistar a chefia de governo ou presidência da República. O maior partido comunista do Ocidente foi sabotado pela "Estratégia da Tensão" articulada pelas elites tradicionais italianas (as mesmas que foram alvo da Mani Pulite) e pelos operativos da OTAN (Organização "Terrorista" do Atlântico Norte).
A Estratégia da Tensão incluiu, p.ex., a infiltração da Brigate Rosse por agentes da CIA e o financiamento de organizações terroristas e paramilitares neofascistas.
Aliás, o PCI foi o único grande partido italiano que não foi atingido pela Mani Pulite, que foi direcionada muito mais à Democracia Cristã (centro-direita) e PSI (centro-esquerda).
Infelizmente, o grotesco cruzamento de Mussolini com Silvio Santos que atende pelo nome de Berlusconi foi quem teve melhores condições de tirar proveito da decadência da política tradicional.
Para isso concorreram também os próprios PCI e PSI, por terem apoiado a grande operação repressiva que os líderes da Democracia Cristã (secretamente em conjunto com a OTAN) lançaram contra a esquerda autonomista e extraparlamentar. Período conhecido por lá como "Anos de Chumbo", porque se tratou, de fato, de um estado de exceção.
Embora Flávio Dino seja muito
seg, 01/02/2016 - 09:36
Embora Flávio Dino seja muito amigo do Moro, estudaram juntos, o governador do MA afirma que o sinal amarelo foi disparando, isso referindo-se a linha fora da curva da Lava Jato, ele confirma o que o Nassif narra sobre a obsessão de Moro pela Mãos Limpas, vide a partir do min. 18:00 que Dino critica a indústria da delação e os ataques ao instituto da leniência, bem como os ataques a Lula, os abusos da mídia, etc. A Lava Jato importada da Itália foi piorada, se lá todos os espectros políticos foram fisgados, por aqui houve essa seletividade para pegar apenas o PT, bem como governo e aliados. Os aliados da midia foram poupados.
...spin
Moro
dom, 25/10/2015 - 21:50
Para mim, as ações entabuladas com este "desenho" são a demonstração cabal de que o ideário fascista é a fonte de inspiração desses falsos "salvadores da pátria", que se acham o supra-sumo da ética e da moral, que apontam o rabo dos outros, sentados sobre os seus...
EUA
qua, 21/10/2015 - 17:05
EUA
LEGADO OU LESADO
ter, 20/10/2015 - 04:10
A esta operação "Vasa Jato" (como alguem aqui ja tenha denominado-a anteriormente) resta a indagação conjuntural se deixará algo maior de LEGADO ou de LESADO. - Como no passado o Collor não passou de um caçador de "maracujá" - O nosso Moro não está passando de um zelador de RÉ, PUTAS, porém pouca AÇÃO - (RÉ, PUTAS... AÇÃO). Péssimo roteiro - Tipo um certo filmezinho do Arnaldo Jabor, em que o filho trai o pai com a madastra, e no final ainda vai para a bolívia dar o rabo para o cara que o estuprou na cadeia. DESFECHO LAMENTÁVEL.
TERRORISMOS.....E MAIS.....
ter, 20/10/2015 - 03:47
Terrorismo eleitoral, que virou terrorismo político, que virou terrorismo econômico, que virou terrorismo jurídico. E quem pagará essa conta MACRO???
Li há pouco tempo uma
seg, 19/10/2015 - 22:33
Li há pouco tempo uma entrevista de um dos procuradores que procuram para o moro, que dizia que desde o começo eles tinham um propósito. Não disse qual era mas também não precisava. Estavam atrás do Lula, da Dilma,do PT do fim do governo. Nesse caminhar, nesse propósito nenhum da ala tucana, já que todos são honestíssimos. Até o cunha pegaram com muito pesar. Me lembro do desgosto do juiz quando o delator disse que tinha medo do cunha pois ele é mafioso. Agora o cunha está aí com uma longa capivara de 20 anos e nada se faz contra ele. Se fosse petista de hoje não teria passado, estaria na Papuda. Então pode se escrever o quiser o mais caprichado que no fim é só isso. O fim do PT e não se fala mais nisso.
O Moro, a globo e os tucanos sabem que pelo voto
seg, 19/10/2015 - 20:08
eles não voltam. O alvo agora é destruir a economia do país, destruindo nosso economia eles podem ter alguma chance.
É disso que se trata, por serem corruptos não se importam de retornar ao poder de um país destroçado economicamente. Afinal o dinheiro que vai para o bolso deles é INTERNACIONAL, o Aécio isistindo no impeachment sem haver razão para isso é a rpova cabal disso.
Ana Bednarski
Resta alguma credibilidade a Moro?
sex, 16/10/2015 - 23:30
Nassif, seu artigo apresenta informações valiosas e muito bem apuradas. Mas você dá uma credibilidade enorme na conclusão do mesmo a um juiz que tem uma "mão firme" radicalmente seletiva. Ou: mão que peca pelo abuso de força para uns, como Genoíno, Dirceu e a cunhada de Vaccari, e é negligentemente frouxa pra outros - escandalosamente suspeitos e cheios de rastros, como Cunha, Aécio e cia. Sem contar a sua promiscuidade com o principal partido da oposição, para o qual sua esposa trabalha.
Diante dessas evidências, pergunto: é um ato moral e corojoso conduzir essa operação seletiva que conseguiu prender figurões que antes permaneciam blindados ou esta consiste na abertura de um novo precedente político-jurídico no Brasil, que passa agora a punir peixes grandes que se relacionam com os adversários perseguidos (e não mais apenas os tradicionais peixes pequeno ou bois de piranha)? Em outras palavras, o esforço que culminou na prisão de Marcelo Odebrecht, por exemplo, foi um ato moral e de coragem ou este foi punido por ter uma relação amistosa e estratégica com o "rei perseguido", o ex-presidente Lula? Em alguma circunstância hipotética, o juiz Moro puniria ou punirá um político do PSDB? Qual novidade, em termos éticos e morais, a operação Lava Jato apresenta em detrimento do julgamento seletivo do "Mensalão" conduzido pelo juiz Joaquim Barbosa? E resta, diante das evidências de golpe, armação, teatralização, hipocrisia e desvirtuamento, qualquer credibilidade e honra na reputação destes dois magistrados?
INVESTIGAÇÕES E LAVA A JATO
sex, 16/10/2015 - 16:02
Já houve no passado várias oportunidades de se combater esses tipos de crimes, "fazer uma limpeza, como dizem demagogicamente'.
O que impediu foram os personagens envolvidos, que foram protegidos pelo próprio Poder Judiciário e pela grande imprensa.
Não tem a menor dúvida de que tentam derrubar o PT, Lula e Dilma e só isso que motiva as investigações.
Como no passado foram contra Getúlio Vargas por causa da CLT, do 13º.
Pelo que entendi o nacionalismo foi o responsável pelos contratos, ações criminosas das empreiteieras ("Na opinião de Moro e da Lava Jato a corrupção nas obras públicas decorre de uma economia fechada, preocupada em privilegiar as empresas nacionais".)
NO ENTANTO, Envolvidas na Lava a Jato existem 21 empresas estrangeiras e a Jornalista Sonia Racy publicou seus nomes. NENHUMA foi investigada, se sabe que todas também cometeram crimes, por isso estão envolvidas.
ORA, se os responsáveis pelas empresas estrangeiras forem condenados, essa tese deve ir pro lixo.
biadiatraiSônia
Excelente.
qui, 15/10/2015 - 19:19
Excelente análise que merece ser compartilhada. Abraços
Operação Mani Pulite
qui, 15/10/2015 - 18:27
Perfeito. Tudo preparado sob o manto do conluio MP/Mídia/Políticos contrarios ao PT.
E agora, o que fazer, para desmascarar essa gangue?
Moro - Di Pietro
qui, 15/10/2015 - 17:06
Moro tem tudo a ver com Di Pietro e Lava-Jato tem tudo a ver com Mani Pulite.
Para muitos analistas, Mani Pulite foi um ''golpe'' judiciario para abater um esquema de poder corrupto porque os gestores desse poder não eram dispostos a ceder a soberania nacional italiana. «A velha dirigȇncia DC-Psi, que no bem ou no mal, governava — escreve Gianni Petrosillo — não queria ceder à pressões de liquidação dos bens (assets) estratégicos e patrimoniais do país aos EUA que reposicionava-se no panorama geopolitico com a implosão da URSS». O cedimento da soberania foi possível graças aqueles que escaparam suspeitosamente do ''tsunami'' judiciário mesmo tendo ocupado cargos de grande relevo e também pelos novos partidos nascidos às pressas das cinzas dos velhos e que levaram uma rapida mão de verniz do falso moralismo para mimetizar-se entre escandalos e perseguições. Os EUA queriam uma elite tecnocrática disposta a sabotar o inteiro sistema produtivo italiano.
Di Pietro, que abandonou a magistradura imediatamente após Mani Pulite, sem explicar o motivo, foi comprovadamente usado pelos EUA para aniquilar uma velha classe política antipática aos EUA. A Casa Branca passara a odiar Craxi, Spadolini e Andreotti, lacaios (no parecer dela) que ousaram peitá-la na questão de Sigonella ao interpor militares italianos entre o avião dos terroristas da Achille Lauro, que fora obrigado a pousar naquela base NATO e a Delta Force, enviada para sequestra-los: no outono de 1985, os EUA decidiram arbitrariamente derrotar o Boeing que transportava quatro terroristas palestinos, para a base NATO, na Sicilia. Durante o coloquio telefonico entre Craxi e Reagan, um tal de Michael Ledeen intrometeu-se na tradução simultanea em ingles; à pergunta de Craxi do ''por que na Italia?'', Ledeen respondeu: ''pelo vosso clima perfeito, a vossa cozinha e as tradições culturais que a Sicilia tem pra oferecer''. O tradutor oficial Thomas Longo Junior, chefe do ITalian Desck do Departamento de Estado protestou vivamente e obteve o afastamento dele.
O então chefe do Serviço de Inteligência Fulvio Martini revelou 15 anos depois aos membros de uma comissão parlamentar (Copaco) de ter dito em 1984 ao embaixador Maxwell Raab, que Ledeen «não deve mais voltar pra Italia» porque «indesejável». Di Pietro era amigo desse Ledeen, expoente do think-tank neocon “American Enterprise Institute”, um fascista da extrema direita do partido Republicano, colaborador de Reagan e Bush, com o seu nome ligado a escândalos e atentados na Italia (sequestro do Moro, do general Dozier, das bombas na estação de Bolonha, atendado do Papa João Paulo II, etc.). Os EUA sempre souberam tudo de todos porque sempre escutaram tudo, espiaram tudo e sempre usam esse patrimônio de ''conhecimento'' pra chantagear quando bem entendem. Isso foi o que Snowden e WikiLeaks revelaram ao mundo. Essa foi a causa de Mani Pulite. Em tempo: Michael Ledeen é atualmente conselheiro do primeiro ministro Renzi. Fontes - http://www.libreidee.org/tag/antonio-di-pietro/ - http://www.libreidee.org/2014/04/stragi-e-segreti-renzi-e-lo-strano-amic...
Link Di Pietro
sex, 16/10/2015 - 03:23
O link é http://www.libreidee.org/tag/antonio-di-pietro/
questão
qui, 15/10/2015 - 15:07
a questão não é se o judiciário é ou não anacrônico para combater a corrupção das modernas democracias. a questão é que o judiciário NÃO EXISTE para combater corrupção, senão para manter estritamente dentro da ordem vigente a sociedade, como todos os outros meios de coerção do Estado, que por sua vez, existe apenas para garantir, perpetuar e viabilizar os interesses do capital.
Fora isso
qui, 15/10/2015 - 13:16
COLUNA
Verissimo
Fora issoTruman aceitou o argumento de que lançar bombas atômicas sobre populações civis teria mais efeito. O resultado foi milhares de mortes na hora. Fora isso, era um bom sujeito
Piada antiga. Na saída do teatro onde Abraham Lincoln acaba de ser assassinado, um repórter pergunta à sua mulher: “Fora isso, sra. Lincoln, o que achou da peça?”
O “fora isso”, ou uma atenção indevida ao detalhe irrelevante, pode ser adaptado.
Benito Mussolini foi o primeiro líder fascista a assumir o poder, na Europa. Seu governo despótico perseguiu opositores e minorias, instituiu a censura à imprensa e prisões arbitrárias, foi responsável pela humilhação da Itália na Segunda Guerra e por milhares de mortes no conflito. Fora isso, foi o primeiro governante a conseguir que os trens da Itália andassem no horário.
Adolf Hitler instalou um regime de ferro na Alemanha e quis levá-lo para o resto do mundo, autorizou o extermínio de milhões de judeus e outras minorias “impuras”, lançou-se numa conquista de “espaço vital” para seu país que custou milhões de vidas e terminou com o país arrasado. Fora isso, controlou a hiperinflação alemã.
Josef Stalin lançou um plano de coletivização forçada na União Soviética que é considerado o maior exemplo de engenharia social equivocada da História, com a consequente morte, pela fome ou pela repressão, de milhões de camponeses. Fora isso, gostava de balé e era uma figura interessante.
Harry Truman desprezou a recomendação de que as bombas atômicas fossem lançadas em lugar desabitado para intimidar os japoneses e aceitou o argumento militar de que lançá-las sobre populações civis teria mais efeito. O resultado foi milhares de mortes na hora, em Hiroshima e Nagasaki, e outros milhares por radiação. Fora isso, era um bom sujeito.
O “fora isso” também funciona ao contrario, quando o detalhe é o principal.
Winston Churchill era um aristocrata reacionário que incorporava, com seu corpo volumoso, o pior da sociedade de classes estanques da Inglaterra. Fora isso, como primeiro-ministro durante a Segunda Guerra, inspirou a resistência dos ingleses com sua liderança e sua oratória.
Martin Luther King era vaidoso, mulherengo, péssimo pai e marido. Fora isso, liderou a luta pelos direitos civis dos negros americanos e arrebatou o país com sua coragem e sua autoridade moral.
Qual será o “fora isso” quando se contar a história do PT no poder, no Brasil? Dependendo de quem conta, será um desastre completo redimido apenas pelo idealismo frustrado dos que acreditaram nele ou deverá incluir a inclusão social que o partido patrocinou, o seu relativo sucesso na interiorização de médicos e outros programas assistenciais e — a estatística que deveria ser o principal parâmetro para qualquer regime, em qualquer tempo e qualquer lugar — a queda nos índices de mortalidade infantil que alcançou. Fora isso, claro, houve a corrupção.
PERTO
Li que no velório do José Eduardo Dutra foram distribuídos panfletos com a frase “Petista bom é petista morto”. Me pergunto — e não me respondo porque não falo com qualquer um — se não estamos chegando perto da nossa Kristallnacht.
!!!!! Seu nível é alto.
qua, 21/10/2015 - 03:24
!!!!! Seu nível é alto. Parabéns!
Uma resenha tosca pariu a
qui, 15/10/2015 - 12:59
Uma resenha tosca pariu a lava jato. O juiz é o verdadeiro responsável pela investigação, os delegados e procuradores limitam-se a cumprir ordens.
O moleque do leblon ficará bem no papel de berlusconi. Imaginem as festas "bunga bunga" invadindo os salões do palácio do planalto.
Guerra
qui, 15/10/2015 - 09:55
Operação de guerra ao PT...
Lava Jato
qui, 15/10/2015 - 00:05
Transcrevo o texto abaixo do poeta Apparicio Silva Rillo, que acho que define bem a operação lava jato, se fosse adaptada para para história de galpão gaúcho
O COMEÇO DA BRIGA
- O senhor foi intimado para depor sobre a violenta btiga acontecida no seu armazém, no Iguariçá. Tres mortos, oito feridos, um horror...
- No meu bolicho, seu delegado. Quem sou eu para ter armazén? Armazém é o do turco Salim, que foi mascate. Por sinal que...
- Não se desvie do assunto. Como e por que começou a briga?
- Bueno, pois historiemo a coisa. Domingo, como o senhor sabe, o meu bolicho fica de gente que nem corvo em carniça de vaca atrolada. O doutor entende, peonada no más, loucos por um trago, por uma charla sobre china. A minha canha é da pura, não batizo com água de poço como o turco Salim. Que por sinal...
- Continue, continue. Deixe o turco em paz.
- Pois então bamo reto que nem goela de joão-grande. Tavam uns quinze home tomando umas que outras, uns mascndo salame para enganar o bucho, quando chegou o Faca Feia. O senhor sabe, o indio é mais metido que dedo em nariz de piá. Deu um planchaço de adaga no balcão e perguntou se havia home no bolicho. Tdo mundo coçou as bolas. Home tem bola, o senhor sabe. O Lautério - que não é flor de cheirar com pouca venta - disse que era com ele mesmo, deu de mão numa tranca e rachou a cabeça do Faca Feia. Um contraparente do Faca não gostou do brinquedo e sentou a argola do mango no Lautério. Pegou no olho - lá nele - e o Lautéwrio saiu ganiçando como cusco que levou água fervendo no lombo. Um amigo do Lautério se botou no contraparente do Faca - que já tava batendo a perninha - e enfiou palmo e meio de ferro branco no sovaco do cujo, que lo chamam Pé de Sarna. Um irmão do Sarna , acho que chateado com aquilo pegou um peso de cinco quilos da balança e achatou a cabeça do homem que faqueou o Sarna. Os óios saltaram, seu doutor. E eu só olhando, achando tudo aquilo um tempo perdido. Um primo do homem do ferro branco rebuscou um machado no galpão e golpeou o irmão do Sarna. Errou a cabeça, só conseguiu atorar o braço do vivente. Aí, eu fui ficando nervoso , puxei meu berro pro mole da barriga, pronto para um quero. Meu bolicho, écasa de respeito, seu delegado e, a brincadeira já tava ficando pesada. Mas bueno, foi entonce que o Miguelão se alevantou do banco, palmeou uma carneadeira, chegou por trás do homem do machado, pé que te pé, grudou ele pelas melenas e degolou o vivente num talho a coisa mais linda. O sangue jorrou longe como mijada de colhudo. Aí, eu e mais uns outros - tudo home de respeito - se arrevoltemo com aquilo. Brinquedo tem hora, o senhor não acha?
- Acho, sim. Mas e aí?
- Pois, como lhe disse, nós se arrevoltemo. Saquemos os talher. E foi aí que começou briga....
Quero ver a hora que o povo sacar os ""talher"", como é que vai ficar esse Brasil véio.
Vanitas vanitatum et omnia vaniyas,,,,
qua, 14/10/2015 - 22:32
Vaidades, vaidades, tudo vaidade".
Se os defeitos de Moro se limitacem á conpulsão irrestivel pelos holofotes, talvez até resultasse algo de bom, a vontade de se chegar a fundo e imparcilmente aos fatos.
Mas, o contrário disso é exatamente o que ocorre.
Moro é um juiz enviezado e prevaricador.
Vazamento é crime, quanto mais vazamento seletivo,
As denúcias contra Aecinho tinham cbrigatoriamente que ser investigadas, e omissão também é crime.
além de tudo, Moro é um dronezinho de interesses poderosos que vão muito além do notório Flávio Arns.
Moro vendeu a alma ao diabo e quando essa bolha juríca estourar - e vai estourar!, ele se veá de novo na planície e
pagará a sua cota da conta;
Veremos o que sucederá após o vazameto, este legal no sentido amplo, das gravações ilegais aplicada por policiais federais criminosos na cela do Yousseff.
Irmãos, esperemos!
Em tempo
qua, 14/10/2015 - 22:09
Só faltou dizer "operação de guerra" contra quem. Por que contra a corrupção é tudo que a Vaza Jato não é ...
A estratégia da manipulite
qui, 15/10/2015 - 02:31
"A grande contribuição à força Lava Jato foi certamente a enorme extensão da corrupção desvendada. sem paralelo na história recente do país e sem a sutileza dos movimentos de privatização e dos mercados de juros e câmbio". - Pera lá. "Sem paralelo na história recente do país"? Já ouviu falar no caso Banestado (governo FHC)? (coincidentemente, o mesmo juiz e o mesmo doleiro...) - roubo de mais de R$ 100 bilhões. Os roubos bilionários da privataria? As escandalosas doações de estatais? "...sem a sutileza dos movimentos de privatização"? - Já leu "A Privataria Tucana"? Onde houve sutileza ali? Bastou um jornalista investigar e já localizou fartas provas de contas em paraízos fiscais, sem maiores dificuldades. E os diversos escândalos que surgiram, e foram abafados, ligados à privataria, e a ostentação de dinheiro dos agentes que chefiaram a privataria? Não houve sutileza nenhuma, houve abafamento da mídia. Os roubos investigados pela Lava Jato na Petrobrás, assim como o roubo no metrô de SP, são antigos (começaram na década de 90, em governos tucanos). Você acha que têm alguma novidade, alguma diferença do que ocorre desde sempre em obras públicas ou contratos com empreiteiras, que aliás, também são as mesmas de sempre? Não, a diferença é somente o tratamento que este caso vem recebendo, tanto das autoridades quanto da mídia. Caso este, cuja estratégia de investigação, como o artigo relata, foi previamente estabelecida, antes mesmo de se saber da existência de irregularidades, tem toda uma linha político-partidária de buscar culpados a qualquer custo e de blindar aliados, e conta com a ampla cobertura da mídia, como parte dessa estratégia de manipular o processo todo, pois a mídia antecipa condenações, tirando a credibilidade dos acusados, que perdem seu direito à presunção de inocência, como no caso da cunhada do Vaccari, exposta como uma criminosa pela mídia (manipulação que, excessão à regra, acabou desmascarada), e protege os aliados, como ocorre nos casos de Aécio, Álvaro Dias, Aloysio Nunes, entre outros. A Lava Jato já nasceu com a síndrome da manipulite aguda. Moro & cia se espelham não só na manipulite, mas também no Mentirão, o maior esquema, até então, de farsa judiciária do país, que por sua vez, também deve ter sido inspirado na manipulite italiana. Esse "novo" grupo que tenta conquistar ou consolidar o poder político ("jovens juízes, procuradores, delegados") são somente uma das faces do velhíssimo grupo que comanda o poder do país desde sempre, ou seja, os representantes do poder econômico, que tem mídia, instituições e Poderes do Estado em suas mãos. Como perderam em 2003 parcialmente o Poder Executivo federal, já em 2004 começaram a elaborar suas estratégias de defenestrar o PT do poder. Só isso.
Em seu artigo de 2004, o juiz
qua, 14/10/2015 - 21:09
Em seu artigo de 2004, o juiz poderia estar sendo sincero em sua teoria. Ao aplicá-la, porém, ao materializá-la, não. Dadas as suas noticiadas ligações com políticos do PSDB, não é possível interpretar que esteja blindando os tucanos como uma estratégia momentânea na guerra contra a corrupção. A guerra não é contra a corrupção é contra a corrupção existente durante o governo do PT. As outras são toleradas e essa força-tarefa continuará a tolerá-las quando essa batalha esfriar. Como insinua Nassif, ao final, não se pode pensar em ingenuidade de mentes tão sofisticadas imaginar que a imprensa represente a "opinião pública esclarecida". A imprensa representa seus próprios interesses. O que talvez ele não esteja levando em consideração, nem os tucanos, é que após a saída do PT do governo federal outros grupos dessas mesmas instituições, com simpatia pelo projeto petista, formem as suas próprias forças-tarefa, mesmo sem a ajuda da imprensa, pois a internet é hoje um meio bastante eficaz de angariar o apoio da população, pois é na blogosfera que, de fato, está a voz da tal de "opinião pública esclarecida".
O Jornalista Luis Nassif
qua, 14/10/2015 - 19:34
O Jornalista Luis Nassif apresenta elementos consistentes na sua análise. Mas, parte de uma premissa equivocada, de que o juiz Moro e sua turma estariam agindo com um certo espírito de justiça ou de justiceiros. Para mim não passam de agentes da CIA com objetivos muito definidos, contando com o claro respaldo da mídia igualmente serviçal dos piores interesses contra o povo brasileiro e dos caciques tucanos, que são, da mesma forma, agentes do imperialismo. A Lava Jato teve e tem os seguintes objetivos: 1) impedir a reeleição da presidenta Dilma (em 2014), no que quase conseguiu; 2) quebrar a Petrobras e a indústria naval e da construção civil, que representam 20% do PIB brasileiro. Com isso a Petrobras seria vendida na bacia das almas e o pré-sal apropriado por grupos estrangeiros. Quase conseguiram; 3) destruir a imagem de Lula e do PT, para enterrar a possibilidade de uma possível volta do ex-presidente e facilitar a vitória do PSDB em aliança com o PMDB em 2018; 4) como não conseguiram impedir a vitória de Dilma, a etapa seguinte era desgastar ao máximo o governo, criar um clima infernal no congresso e desestabilizar a economia do país, com queda de arrecadação, possibilitando o clima para o Impeachment ou pelo menos sangrando o governo infinitamente. Este objetivo foi alcançado em grande parte. O principal mesmo, que em tese era o combate à corrupção, no fundo não passa de pretexto para os objetivos políticos da operação Lava Jato. Tanto que eles desprezaram TODAS as denúncias envolvendo os tucanos, como a delação contra Aécio de Furnas, e o saco de dinheiro que Anastasia teria recebido, além da oportunidade que deixaram escapar de estender a operação às obras regionais em SP e Minas feitas pelas mesmas empresas da Lava Jato. Quando interessou, o complô do Paraná avançou muito além da Petrobras, e teve que ser barrado pelo ministro Teori - um dos melhores do STF - que enxergou longe e percebeu que a operação queria se transformar numa espécie de estado paralelo, policialesco e golpista, além de seletivo, já que nunca atinge nenhum cacique tucano. Portanto, teremos que esperar algumas décadas para que o Pentágono, ou a CIA, ou o FBI liberem os documentos revelando as ligações perigosas desse grupo, no todo ou em parte, com interesses escusos e alheios aos do povo brasileiro. A menos que bem antes disso o WikiLeaks consiga novas revelações sobre o caso. Mas, valeu o esforço do Nassif para tentar entender pelo menos teoricamente os fundamentos aparentes - aparentes, repito - da operação Lava Jato.
Os únicos caciques de outros
qua, 21/10/2015 - 03:38
Os únicos caciques de outros partidos que eles ousam mencionar estão mortos, tais como, José Janene (PP- Paraná) e Sérgio Guerra (PSDB-Pernambuco). Essa operação é um escárnio à população deste país.
Gostaria de perguntar ao
qua, 14/10/2015 - 19:00
Gostaria de perguntar ao Moro, onde ele constatou que a operação "mãos limpas" foi um sucesso? Ele conhece a realidade hoje da Itália? já ouviu falar do "palacio dei ladri"? de que cada 7 empresas italianas 4 estão nas mãos da "mafia"?... ele sabe o que os franceses pensam das "mãos limpas" italianas?...
Ou seja, a operação foi mesmo
qua, 14/10/2015 - 21:28
Ou seja, a operação foi mesmo um sucesso. Só que não para o povo ou para o país.
Barusco: começou em 1997
qua, 14/10/2015 - 18:16
Quando o delator Pedro Barusco disse que a corrupção na Petrobrás começou em 1997, atravessando portanto os anos eleitorais de 1998 e 2002, e isso, sem motivo aparente, deixou de ser investigado pelos policiais, procuradores, e portanto pelo juiz, eu deixei de acreditar em qualquer outro aspecto dessa operação, por considerá-la seletiva e parcial sem qualquer fundamento constitucional ou legal para isso. Aliás, a investigação é algo indisponível para o MPF. Muitas pessoas até viram aí motivação meramente político-partidária. Não chego a tanto, mas seja como for a credibilidade se perdeu. Exceto, é claro, em foruns como do pré-candidato a prefeito de São Paulo, Sr. Dória (PSDB) e na mídia. Pena! Poderiam ter feito realmente a diferença.
Quando se utiliza de um feito
qua, 14/10/2015 - 17:59
Quando se utiliza de um feito para realizar outro há de se adptar para a realidade onde irá se aplicar os conceitos.No caso do Brasil o rei a ser perseguido não seria o Lula e sim FHC e seus seguidores.Com relação as empresas,elas jamais poderiam ser afetadas,seus proprietários sim e finalmente partindo o princípio que o Brasil demorou a criar seu parque industrial,as empreiteiras,desmontar tudo isso foi um ato que acabou fragilizando a economia do país haja visto que o Brasil é dependente dessas empresas juntamente com a Petrobrás.O erro dessa operação está aí.Foco político de um lado só e quebradeira das empresas,pilar hoje do desenvolvimento nacinal.
é golpista
qua, 14/10/2015 - 17:26
de fato, esse 'toga' não é ingênuo, e a lava-jato, como disse zaffaroni, é golpe.
por isso, entre os alvos a se mirar no contra-golpe estão todos os membros dessa força-tarefa golpista.
essa gente segue roteiro externo, especificamente de washington; são quinta-colunistas, a soldo ianque, contra os interesses nacionais brasileiros; são bandidos, mas serão, certamente, encarcerados, pelos crimes que cometeram.
em verdade, esses fascistas deveriam ser enforcados por lesa-pátria e isso provavelmente acontecerá com a ruptura institucional que eles mesmo fomentam contra o brasil.
fazem parte da turma que escreve brasil com "z", e vai 2 vezes ao ano visitar o mickey na dineylândia, com paradinha obrigatória em miami, para tomar um "cafezinho" na casa do ricardo teixeira.
é tudo a mesma água de fossa.
mas o feitiço virará contra o feiticeiro. basta a centelha.
Faltou combinar com os russos...
qua, 14/10/2015 - 17:01
Moro, sem dúvida, arquitetou toda essa estratégia. Contudo, qual mídia é essa, aliada do juíz? Na Itália havia uma mídia poderosa, surfando na onda da universalização da televisão nos anos 80 e 90. Mas com a internet, os grupos midiáticos brasileiros estão todos com suas audiências em queda, sem falar nas falências imintentes de grupos como a Abril. Não vejo essa estratégia tão eficiente assim sem que haja diversas supressões da lei. O caso do "grampo do mictório" deixa bem claro o quão longe podem ir esse juízes. No frigir nos ovos, nada mudou nessa "nova" realidade. A elite continua no poder judiciário, condenando inimigos e absolvendo seus amigos. Nem as leis de Hamurabi eram para todos.
Portanto, faltou combinar toda essa estratégia com o povo, entendido como a grande massa, que não assiste televisão como a Globo imagina (ou infla seus dados pra encarecer seu espaço de propaganda) porque está trabalhando, estudando ou se divertindo. Converter convertidos é o grande problema da elite brasileira e da oposição. Não acredito que a estratégia de Moro seja tão eficiente e infalível.
SOBRE ISSO SUGIRO LER COM URGÊNCIA
qua, 14/10/2015 - 16:27
O ÚLTIMO ARTIGO DO MAURO SANTAYANA, "O BRASIL E A REPÚBLICA DE SALÉM" - http://www.maurosantayana.com/2015/10/o-brasil-e-republica-de-salem.html
Parabéns pelo tema levantado
qua, 14/10/2015 - 16:07
Parabéns pelo tema levantado e explorado, Nassif!!!
Aos leitores, acho que vale uma leitura rápida do deste link: https://pt.wikipedia.org/wiki/Silvio_Berlusconi.
Tamo junto!!!
Lava-jato
qua, 14/10/2015 - 14:56
Conheci a operação Mãos Limpas como turista, quando visitei a Itália pela primeira vez, em 1992, Entre um passeio e outro, percebi o ódio da população aos políticos tradicionais, principalmente àqueles que estavam no poder como Andreotti da DC e Craxi do PSI (e não do PCI como está na matéria). Estes e outros corriam o risco de ser apedrejados se saíssem às ruas, como aconteceu diversas vezes, enquanto o mais festejado dos Procuradores que deflagaram a operação, Antonio di Pietro, era considerado um semideus pelos italianos.
Também aplaudi de pé. Afinal, a coligação que governou a Itália desde o pós guerra, estava encurralada e deveria ceder lugar, finalmente, a um governo de esquerda. Nem a preocupação com o nascimento de um novo partido racista e separatista, um pouco antes do Mãos Limpas, mas se firmou nas eleições de 1992, com 10% dos votos - a Lega Nord, diminuiu meu otimismo. Estranhei um pouco quando vi em Roma uma passeata da CISNAL, central sindical fascista. Disseram-me que a central e o partido de Mussolini, o MSI, ganharam boa musculatura depois do Mãos Limpas, mas isso deveria ser algo passageiro.
Deixei a Itália com Giulano Amato no poder. Embora o lugar de "capo" do estado fosse reservado a Craxi ele, com pesadas acusações contra, cedeu lugar a um companheiro. Depois disso, os partidos que dominaram a Itália por quase 50 anos não resistiram às acusações de corrupção movidas pelo MP italiano e viraram pó. Amato caiu em 93, houve um governo de transição de um ano com Ciampi e novas eleições em 1994.
Seria a hora da esquerda no poder? Seria, se não fosse o surgimento de um novo partido político, a Forza Itália, comandada por um grande empreendedor: Silvio Berlusconi, que montou sua base política com os escombros dos partidos destruídos e a aliança com a Lega Nord no norte e os neo fascistas no sul da Itália. Entre 1994 e 2013 governou o país por mais de dez anos, revezando-se com governos técnicos e de esquerda.
Desde a ascenção de Berlusconi, a Itália perdeu espaço em relação aos países do Mercado Comum em produtividade industrial, emprego, PIB, exportações... Ao invés de a Itália melhorar depois das mãos limpas, como era de se esperar, o país piorou.
Isto a obra de Moro não aborda, e acho que nem seria o caso. A preocupação deve ser de economistas, sociólogos, politicólogos. Seria interessante estudar porque o CCC - Comando de Caça à Corrupção foi um fracasso na Itália e usar antídotos, como, por ex, uma reforma política digna desse nome e uma redistribuição de impostos, para que o nosso CCC não seja visto apenas como a tentativa de destruir um grupo que está no poder para trocar por outro sem que se crie medidas para dar mais eficiência e eficácia ao Estado.
Parabéns para Moro!
qua, 14/10/2015 - 13:53
Acertou em cheio a máfia vermelha.
Pena que vai tudo virar pizza. Mas talvez fique algo para o futuro, para o povo acordar.
O sistema político atual não está a serviço do povo, mas à serviço dele mesmo e da elite econômica.
Tirando poucos nomes, o resto pode jogar no lixo. Ou na cadeia, lugar merecido por muitos deles.
Bolivariano dos Alpes
qua, 14/10/2015 - 21:51
Deve estar falando dos suíços, que pegaram o Cunha, e cuja bandeira é VERMELHA.
Deixa de ser bobo!
qua, 14/10/2015 - 17:54
Vai tirar a quem tu chamas de "máfia vermelha" e colocar a turma do impiche. o cunha dos milhões?
A italia e hoje tão melhor assim que o Brasil?
qua, 14/10/2015 - 14:25
Estive ha pouco na Italia. Cerca de 3 semanas por la me levaram a concluir que - salvo a fantastica obra renascentista preservada e ali guardada e a fantástica vocação agrícola de várias regiões - a Italia é um (dos poucos) países europeus dentre os quais eu jamais moraria. Vê-se pobreza, vê-se a malandragem que aqui tao bem conhecemos, vê-se meios de transportes capengas - em regiões turísticas ou nao - vê-se imigrantes em estado maltrapilho, vê-se gente pobre, moradores de rua e mendigos, vê-se claramente que não é uma terra rica, como o excelente marketing italiano apregoa e com o encanta nosso imaginário.
Enfim, com a distância do tempo, o que realmente a operação mãos limpas trouxe de melhorias ao País que justificasse tanto barulho?
PS: a comida é legal, mas também tem 60% de marketing.
Pior que é verdade...
qua, 14/10/2015 - 17:47
E lá eles são bem menos eficientes que do que nós... Imagina se eles tivessem tanta gente como no Brasil, hehehe, o país parava...
Hoje até a Grécia
qua, 14/10/2015 - 14:55
tá melhor de morar que o Brasil
Tá maluco?
qua, 14/10/2015 - 17:30
Quantas pessoas vc conhece que perderam o emprego por causa da "crise"? Conheço e falo com MUITA gente, todos os dias, e não conheço ninguém.
Só um exemplo. Tenho um amigo que é atacadista no Brás e abre às 7h da manhã. Chega todo dia às 5h45 pra distribuir senhas para a fila de compradores que se forma na sua porta. Todos os dias.
Em país vc vive? No país que produz, tá todo mundo trabalhando.
Ouço muito pessimismo com o futuro e muita gente falando mal do governo, tipo assim, falando por falar, sem conteúdo, repetindo asneiras.
No Brasil há problemas econômicos (Lava Jato é um deles), mas nada parecido com o que se passa na Grécia, Espanha, Itália hoje: água batendo no pescoço, desemprego, FMI, imigrantes chegando...
Se não tá bom aqui, vá pra lá. Ou pra Miami. Ou pra Cuba.
Liga não, quem raciocina com
qua, 14/10/2015 - 17:42
Liga não, quem raciocina com o fígado não consegue distinguir o fato de boato.
A situação econômica em que o País atingiu nos últimos dez anos, permite até boicote de todos os setores cartelizados à presidenta.
A verdade tem folego.
qua, 14/10/2015 - 17:44
A verdade tem folego.
Só para lembrar: Moro, a
qua, 14/10/2015 - 13:52
Só para lembrar:
Moro, a mulher do Cunha não tem imunidade parlamentar.
438 parlamentares atingidos
qua, 14/10/2015 - 16:07
438 parlamentares atingidos durantes dois anos de Mãos Limpas
A força-tarefa, numa cópia piorada da Mãos Limpas, já afirmou que a Lava Jato vai durar uns dois anos. Cá prá nós, nem mesmo seguindo o Direito Penal do Inimigo para fisgar petistas com base em delação caluniosa e sem provas, não atingirão a meta almejada. Prá atingir a meta de botar muitos atrás das grades, a Guatánamo do Paraná tem que quebrar a inimputablidade dos aliados da mídia mas, como dizem, não vem ao caso...
...spin
Alguns pontos
qua, 14/10/2015 - 13:45
1 - As obras no Brasil são caras demais para a sociedade. Depois da Lava Jato, vão ficar baratinhas, baratinhas. Talvez exceto em São Paulo e em outros locais governados por tucanos, onde está tudo liberado!
2 - Com toda essa turma de Moro em ação, quem ainda se preocupa com militares?
3 - Opinião pública "esclarecida" é aquela que votou no Aécio, a exemplo daqueles delegados do Facebook mostrados pela Juliana Dualibi no Estadão.
4 - O PSDB e algumas de suas principais lideranças marcam bobeira ao pensar que poderão ser beneficiados dos estragos da Lava Jato. Tal erro é o mesmo cometido pela UDN e alguns de seus principais líderes, como Carlos Lacerda, ao patrocinar o golpe de 1964.
5 - Ninguém faz "tabelinha" com a mídia impunemente. Não é possível que um juiz de tamanha envergadura acredite na isenção e desinteresse dos meios de comunicação.
6- Ainda que, digamos, filosoficamente, Moro considere mesmo importante a associação com os meios de comunicação, deveria levar em conta a nossa realidade, ou seja, a gritante oligopolização do setor no Brasil: se a economia fechada é ruim para a coisa pública, uma vez qua ajudaria a promover a corrupção, por que acreditar que a economia fechada no mundo das comunicações possa ser boa para a democracia?
7 - Maldade achar que a Lava Jato mira Lula. O fato de se recusar investigar fatos anteriores a 2003, mesmo com delações que apontem propinas desde pelo menos 1997, é mera coincidência. Quanta conspiração!
8 - E, finalmente, com tantas Varas Federais em Curitiba, foi muita sorte essa ação ter caído justamente no colo do juiz Moro, que tanto sonhava com uma "Mãos Limpas" no Brasil. Conforme diria o procurador Dellagnol, Deus deve ter dado uma mãozinha para o sistema de Distribuição do Fórum Federal da capital paranaense!
Por isso Sérgio Moro vai ser punido por seus pares...
qua, 14/10/2015 - 13:45
... quando acabar esses holofotes, a magistratura não vai poupá-lo.
Ele vai responder processo administrativo atrás de processo admninistrativo, até ser obrigado a se aposentar.
E vai acabar legislando no Twitter, com seu amigo Barbosa.
Já dizia meu pai: Passarinho que voa muito toma pedrada.
Só tenho uma pergunta nessa história: ele acredita mesmo que prendendo Lula ele vai acabar com a corrupção no Brasil?
"Se você não for cuidadoso, os jornais farão você odiar os oprimidos e amar os opressores." - Malcom X
"Com o tempo, uma imprensa cínica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma." - Pulitzer
Tanta tinta e bytes gastos na lavajato...
qua, 14/10/2015 - 13:42
enquanto a Zelotes, que desviou muito mais recursos, dorme em berço explêndido!
Isto sim é manipulação!!
Apavorante
qua, 14/10/2015 - 13:15
Apavorante o plano de trabalhos da lava jato. Esta mais para ' tutorial do fascismo ' .
Apesar do dito abaixo, não há
qua, 14/10/2015 - 11:57
Apesar do dito abaixo, não há nada de “pobre Nassif”. A busca das informações é rica em detalhes e busca através do seu concatenar a construção de uma lógica. O mundo precisa de mais Nassifs. So acrescento um detalhe, aos poucos a presidenta Dilma foi trazendo para si o mérito da operação como um combate pessoal contra a corrupção e que sempre foi ação do governos petista (so comparar as ações da PF). Já o custo econômico que essa operação representa cairá as custas dos justiceiros do Paraná. Estimo que grande parte da queda PIB é consequência da LJ, com diz o Prof Sims, em seu trabalho “macroeconomia e realidade”. Se observarmos, os choques são recuperáveis já que a pressão se dilui no tempo, voltando ao seu equilíbrio natural. Eh pena que os procuradores e juízes da LJ parecem (ou não querem) não se preocupar com isso.
Comentar