Empresa recolheu o dinheiro em espécie com Paulo Preto e usou conta no exterior indicada por dono da Brasif, um amigo de Serra

Jornal GGN – A delação de Benedicto Junior, que tinha acesso ao chamado departamento de propinas da Odebrecht, revelou mais detalhes sobre como pessoas próximas a José Serra pediram ajuda ao grupo, então controlado por Marcelo Odebrecht, para remeter misteriosos 7 milhões de reais ao exterior.
BJ contou à Lava Jato que, em 2011, foi procurado por Paulo Preto, já ex-diretor da Dersa (ele foi exonerado quando José Serra deixou o governo paulista para disputar o Palácio do Planalto), que queria ajuda para remeter ao exterior os R$ 7 milhões.
Paulo Preto informou que a Odebrecht seria procurada por Jonas Barcellos, dono do grupo Brasif (o mesmo que ajudou FHC a custear a permanência de Mirian Dutra no exterior, disse a jornalista). O empresário, “dono de free shops em aeroportos, indicaria uma conta” à Odebrecht, para onde o dinheiro deveria ser enviado.
A amizade entre Serra e Barcellos foi objeto de nota assinada pelo jornalista Lu Lacerda em 2012, que reportou uma visita do tucano à loja de calcinhas da mulher de Barcellos.
Em 2016, o GGN também lembrou que “todas as lojas da Brasif [em aeroportos] eram concessões obtidas nos anos anteriores na Infraero – foram concessões públicas entregues de graça à empresa. E concessões únicas junto à Secretaria da Receita federal.” Praticamente, não houve concorrência à Brasif, que lucrava vendendo produtos importados sem impostos e na locação de espaços para lojas, também em áreas isentas de tributação.
Segundo BJ, a Odebrecht não sabe da origem dos R$ 7 milhões que estavam em posse de Paulo Preto. O ex-diretor da Dersa havia dito ao delator que mantinha o montante em casa, “em espécie”. BJ disse que achava que era verba “ilícita”.
O delator ainda afirmou que o setor de Operações Estruturadas da Odebrecht cuidou do assunto. Ou seja, pegou os R$ 7 milhões de Paulo Preto e o devolveu em pagamento no exterior. Porém, ele não pôde dar garantia de que o dinheiro foi enviado para fora. Presume que sim, porque nem Paulo Preto nem Barcellos voltaram a procurá-lo.
BJ ainda disse que era importante manter contato com Barcellos porque a Odebrecht estava interessada na privatização de aeroportos.
AS PROPINAS DO GOVERNO SERRA
Além disso, revelou que enquanto Serra era governador de São Paulo, a Odebrecht recebeu pedidos de pagamento de propina pelas obras do Rodoanel e de caixa 2 para a campanha de Gilberto Kassab ao Paço paulistano, em 2008.
Nos anos de 2006 e 2007, houve pagamentos de propina em função das obras da linha 2 do Metrô e de projetos da Dersa.
Outro delator, Luiz Eduardo da Rocha Soares, disse à Lava Jato que em 2011 foi procurado por um “operador do PSDB” (o lobista José Amaro Pinto Ramos) para ajudar a justificar ao Ministério Público da Suíça os pagamentos feitos pela empreiteira à empresa do operador, a Circle Technical Company Inc, em Los Angeles.
O delator disse que Serra foi o “beneficiário final” de 753 mil euros da Odebrecht em 2006, pelas obras do Metrô. Em 2007, houve pagamento de mais 853 milhões de euros pelas obras do Rodoanel à mesma empresa nos EUA. O delator não informou se Serra também era o destinatário final desses recursos.
Na planilha da Odebrecht, Serra era o “vizinho”, por morar perto do ex-presidente do grupo, Pedro Novis.
O “Vizinho” também teria recebido, em 2009, mais R$ 6,2 milhões da Odebrecht, pagos através da Offshore HTW Energy, por obras da Dersa na rodovia Governador Carvalho Pinto.
O delator ainda corroborou as informações de BJ sobre o pedido de Paulo Preto para remeter dinheiro ao exterior. Mas ao invés de R$ 7 milhões, segundo a delação de BJ, Luiz Eduardo da Rocha Soares fala em R$ 4 milhões.
Com informações do Valor
aleminas
17 de abril de 2017 2:55 pmMAS .. MAS .. SÓ QUE … HUM
Serra é Senador ,, tem fôro privilegiado. Tem mandato até 2022. Quem bota a mão nesse cara? Tem hoje 75 anos. Sabe quando veremos esse relevante tucano na Cadeia? NUNCA!
Beto Filho
17 de abril de 2017 3:18 pm…
Gostaria de ver um jornalismo imparcial, não tendencioso. Engraçado que postam as propinas criminosas ao PSDB e travestem as propinas pagas ao PT de lobby, palestras legítimas etc.
alcides carpinteiro
17 de abril de 2017 4:53 pmQuer jornalismo parcial? vai
Quer jornalismo parcial? vai para a globo, a cbn, a JP.
Paulo M.
17 de abril de 2017 5:14 pmQuer ver jornalismo imparcial?
Assista ao Jornal Nacional e assemelhados.
Lá eles são imparciais.
Ora batem em Lula, ora em Dilma.
E quando a imparcialidade deles parecer manjada, aí eles batem no PT.
MarFig
17 de abril de 2017 6:56 pmCoxinha leitor do PIG pedindo
Coxinha leitor do PIG pedindo imparcialidade
Antonio Carlos Silva - Brasil
17 de abril de 2017 3:37 pmPor um bom tempo (creio,
Por um bom tempo (creio, 2008/2013) a Brasif era um dos principais anunciantes das inserções de comentaristas políticos da Rádio CBN (se não me engano, merdal, Míriam ou sardenberg) .
Seria interessante se algum comentarista tiver paciência em pesquisar e trazer o áudio aqui para o blog .
Eu sempre achei muito estranho uma empresa que administra lojas em aeroportos anunciar em emissora de rádio .
Qual seria o retorno para essa empresa ao fazer anúncios ? Ela tinha concorrentes ?
ze sergio
17 de abril de 2017 3:53 pmcomo….
Ou seja o “Dossiê Cayman” era verdadeiro. Mas a PF no bolso do Tucanato nunca quis investigar. Ou seja, levamos mais de 40 anos, para comprovar que BANDIDOS fizeram carreira política acusando Paulo Maluf. Usando suas indicações políticas no Poder Judiciário e nas Forças Policiais e do Ministério Público, para encontrar o que nunca foi encontrado nem denunciado por empreiteiro algum. Mas bastou poucos anos e um único mandato para que todas estas forças tivessem que acusar a quem tndicou a elas mesmas. Tamanha era a bandidagem. Nada como um dia após o outro. 40 anos de ladrões e farsantes. Como acreditar em bandidos?
Renato Lazzari
17 de abril de 2017 4:53 pmNão entendi
Ué, “setor de Operações Estruturadas da Odebrecht”?
Não era apenas firmas como “Globo” ou acusadores como Sérgio Moro que tentavam fazer colar a história de que a construtora tinha esse departamento? Só porque é cúmplice de Serra nesse crime de evasão de divisas a Odebrecht passa a ser demonizada aqui, no GGN, também?
ze sergio
17 de abril de 2017 5:02 pmué….
Caro sr. Renato, a bipolaridade está sem controle. E parece que não inventaram remédio ainda. abs.
peregrino
17 de abril de 2017 5:29 pmo natural dos tucanos é que todos sejam esquecidos…
mas, para entender, basta folhear qualquer investigação decente……………………….
e, ao folhear, rir à beça ao concluir que a única salvação para lava jato será mandar prender preventivamente Serra e Aécio
Guilherme Souto
17 de abril de 2017 8:25 pmCom tudo que se revela,
Com tudo que se revela, descortina-se que esse senhor está longe de ser senil e despreparo político, como defendido por LN.
Desta forma, a história da necessidade de se esconder por trás da figura do fhc, munúsculo mesmo, pois mediocre, é um engodo e, sendo assim, ou o ex-presidente é cúmplice, ou não merece o título de príncipe.