10 de junho de 2026

Anistia Internacional acusa Israel de “limpeza étnica” contra palestinos

Relatório aponta deslocamento forçado de comunidades beduínas e expansão de assentamentos israelenses em áreas ocupadas da Cisjordânia
Cisjordânia - via Icarabe

Amnesty International acusa Israel de deslocar forçadamente comunidades beduínas e pastoris na Cisjordânia desde 2023.
Relatório aponta que política visa anexar territórios palestinos via expansão de assentamentos e remoção da população local.
Mais de 100 assentamentos foram aprovados desde 2022, com meio milhão de israelenses vivendo na Cisjordânia ocupada.

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A organização de direitos humanos Amnesty International acusou Israel de conduzir uma campanha sistemática de deslocamento forçado contra comunidades beduínas e pastoris palestinas na Cisjordânia ocupada.

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Em relatório divulgado nesta quarta-feira, a entidade afirma que a política tem como objetivo acelerar a anexação de territórios palestinos por meio da expansão de assentamentos israelenses e da remoção gradual da população local.

Segundo o documento, dezenas de comunidades localizadas na chamada Área C — região que corresponde a cerca de 60% da Cisjordânia e permanece sob controle administrativo e militar israelense — foram deslocadas ou enfrentam risco iminente de expulsão desde 2023.

A Anistia sustenta que o processo não ocorre por episódios isolados de violência, mas integra uma estratégia coordenada envolvendo expansão de assentamentos, restrições ao uso da terra e apoio institucional aos colonos israelenses.

Comunidades beduínas estão entre as mais vulneráveis

De acordo com o relatório divulgado pelo site Al Mayadeen, 27 comunidades beduínas e de pastoreio foram deslocadas entre 2023 e 2025 ou correm risco imediato de remoção. Essas populações vivem majoritariamente em áreas rurais remotas e possuem acesso limitado a infraestrutura, serviços públicos e proteção institucional.

A investigação ressalta que os moradores enfrentam uma combinação de demolições de residências, restrições para construção, limitações ao uso de terras tradicionais e ataques recorrentes atribuídos a colonos israelenses.

A entidade afirma que episódios de incêndios criminosos, vandalismo, destruição de propriedades, roubo de rebanhos e agressões físicas criaram um ambiente de insegurança permanente, levando diversas famílias a abandonar seus territórios.

A Anistia Internacional também vincula o aumento dos deslocamentos ao fortalecimento da política de expansão dos assentamentos durante o governo do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu.

Segundo a organização, medidas adotadas pelo governo contribuíram para acelerar a criação de novos assentamentos e postos avançados israelenses na Cisjordânia, ao mesmo tempo em que reduziram a presença palestina em áreas consideradas estratégicas.

O relatório argumenta que a violência praticada por colonos não pode ser vista apenas como ações isoladas de indivíduos, mas como parte de um contexto político mais amplo que favorece a expansão territorial israelense.

Dados citados pela entidade indicam que mais de 100 novos assentamentos e postos avançados foram aprovados pelas autoridades israelenses desde o fim de 2022.

Atualmente, mais de meio milhão de israelenses vivem em assentamentos espalhados pela Cisjordânia, território habitado por aproximadamente três milhões de palestinos.

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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