O governo federal está ampliando as medidas de prevenção e combate aos incêndios florestais diante da expectativa de um novo episódio do fenômeno climático El Niño nos próximos meses. Segundo o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, quase R$ 600 milhões foram destinados aos corpos de bombeiros e às estruturas de resposta que atuarão nas regiões mais vulneráveis às queimadas, especialmente Amazônia, Cerrado e Pantanal.
Em entrevista ao programa Voz do Brasil nesta terça-feira (9), Capobianco afirmou que o governo já iniciou uma operação de monitoramento climático e preparação operacional para enfrentar os impactos previstos para o segundo semestre do ano.
De acordo com o ministro, mais de 4.630 profissionais federais estarão envolvidos em ações de vigilância, prevenção e combate ao fogo. Além do reforço no efetivo, os recursos financeiros foram direcionados para fortalecer a capacidade de resposta dos estados localizados em áreas consideradas de maior risco.
“O maior número de brigadistas da história estará atuando no enfrentamento dos incêndios florestais”, afirmou Capobianco durante a entrevista.
Além do reforço operacional, o governo pretende intensificar campanhas de conscientização para reduzir focos de incêndio provocados por atividades humanas.
Capobianco alertou que práticas como a queima de lixo, a limpeza de terrenos com fogo e a renovação de pastagens representam riscos ainda maiores em períodos de estiagem severa.
Segundo o ministro, impedir o surgimento dos focos continua sendo a estratégia mais eficiente. Quando os incêndios são identificados logo no início, as equipes conseguem agir rapidamente e evitar que as chamas atinjam grandes proporções.
“Não use fogo a partir de agora de junho”, recomendou o ministro, ao defender maior participação da população nas ações de prevenção.
El Niño pode intensificar secas e aumentar risco de queimadas
As projeções climáticas acompanhadas pelo governo indicam a possibilidade de um El Niño de forte intensidade. O fenômeno é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial e costuma provocar alterações significativas no regime de chuvas em diferentes regiões do Brasil.
Segundo o Ministério do Meio Ambiente, os efeitos mais severos devem ser sentidos nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, onde há previsão de secas mais prolongadas e temperaturas elevadas, fatores que favorecem a propagação de incêndios florestais.
Ao mesmo tempo, a Região Sul pode enfrentar chuvas acima da média, aumentando o risco de enchentes e outros eventos climáticos extremos, cenário semelhante ao observado nos últimos anos em estados como Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná.
O monitoramento das condições climáticas começou em janeiro e reúne especialistas e meteorologistas que acompanham mensalmente a evolução dos indicadores atmosféricos para orientar as ações preventivas do governo.
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