
Por Helena Chagas
No Fato Online
É bem possível que o relator do Orçamento de 2016, deputado Ricardo Barros (PP/PR), não consiga levar até o fim sua proposta de cortar R$ 10 bilhões do Bolsa Família, quase 35% de sua dotação para o ano que vem. Mas o simples fato de tê-la apresentado já foi uma espécie de provocação, destinada a expor a fragilidade e a falta de controle do Planalto no Legislativo. Politicamente, não haveria símbolo maior do fracasso do projeto petista do que o corte nas verbas de seu principal programa social.
Em seus 12 anos de existência, o Bolsa Família tirou 36 milhões de pessoas da extrema pobreza. Passou da condição de “bolsa-esmola”, como era chamado pejorativamente pela oposição em seus primeiros tempos, à de programa premiado e reconhecido internacionalmente como uma das melhores experiências de distribuição de renda do mundo.
Hoje, beneficia 14 milhões de famílias, o que equivale a mais de 50 milhões de pessoas. A última etapa, incluída no Brasil Carinhoso, beneficiou com complementação de renda as famílias com crianças até sete anos. Depois, foram incluídas as que têm adolescentes na escola e, ao final, todas as que têm renda per capita abaixo do limite.
É um programa que mudou o cenário da pobreza no país, sobretudo nas regiões mais necessitadas, como o Nordeste, onde a renda distribuída ajuda a economia a girar. Se for mantido, vai continuar mudando a vida das próximas gerações das famílias beneficiárias, pois exige como contrapartida a frequência escolar.
O Bolsa Família rendeu votos ao PT? Muitos, mas muitos mesmo, a ponto de reeleger Luiz Inácio Lula da Silva, eleger e reeleger Dilma Rousseff, sem falar nos governadores, prefeitos, parlamentares. Pode até ser uma simplificação atribuir tudo isso a um só programa. Mas o fato é que ele é hoje, simbolicamente, o coração da política social inclusiva do governos do PT, o que eles souberam fazer de melhor, o que vai ficar nos livros de história depois que eles passarem – o que não deve demorar muito.
Esse reconhecimento tem sido tão claro que até a oposição deixou de lado as críticas de clientelismo, populismo e outros “ismos” para assimilar o Bolsa Família – a ponto de prometer não só manter o programa se ganhasse as eleições, mas inclusive transformando sua obrigatoriedade em lei, como fez, por exemplo, o tucano Aécio Neves em 2014.
Os ventos da economia mudaram. O governo procura desesperadamente R$ 50 bilhões para fechar as contas deste ano e ainda pagar as chamadas “pedaladas” de 2015, escapando de mais um parecer do TCU que poderá sustentar um pedido de impeachment da presidente da República.
Em tramitação no Congresso, o Orçamento da União de 2016, então, é um amontoado de incertezas. A começar pela previsão de R$ 34 bilhões de arrecadação com a CPMF, um imposto que não existe e que dificilmente existirá dentro do clima de conflagração política que se instalou. A sociedade tem dificuldades em aceitar mais sacrifícios, os empresários não podem nem ouvir falar em novos impostos.
Só que o dinheiro para fechar as contas tem que vir de algum lugar. Todos concordam que cortar despesas de quem gasta muito é mais justo do que criar impostos e gerar sacrifícios para todos. Na medida em que não consegue cortar na própria carne e age timidamente em relação à redução da estrutura de sua paquidérmica máquina estatal, o governo torna-se vulnerável a iniciativas como a do relator Ricardo Barros.
Esse é o problema de governos fracos que demoram a reconhecer a própria fraqueza: vão entregando os anéis para não perder os dedos, mas um dia descobrem que não apenas estes se foram. Acabam perdendo o coração.
ljunior
23 de outubro de 2015 5:07 pmPedalada…
… não é motivo para impeachment.
Ponto final.
alexis
23 de outubro de 2015 5:14 pmInvestimento
O dinheiro do Bolsa Família não é despesa, mas sim investimento.
Aquele dinheiro vai para pobre, que compra arroz e leite. Trata-se de dinheiro que gira e fica no território nacional, gera alguma pequena riqueza e, ainda, recolhe algum imposto.
A melhor solução que eu vejo agora é de injetar dinheiro no povão. Sim, isso mesmo, em Bolsa Família, educação, salário mínimo e outras ações. É o povão quem assegurou o Brasil desde a época em que Lula enfrentou a “marolinha”. O povão não tem conta na suíça, não vai para Disney, não compra apartamento em Miami (como Barbosa), nem compra carro importado (o Collor tinha 4 na garagem). O povão paga a escola, compra o seu quilo de arroz ou de feijão e, olha que interessante: paga as suas contas!
O Brasil real, de povo consumidor de coisas de povo é como o jogo de “Mercado Imobiliário”, onde a cada volta pelo tabuleiro o jogador recebe mais um pouco de dinheiro, apenas para gastar dentro das opções que aquele tabuleiro (ou jogo) lhe oferece. Alguns brasileiros de Green Card tomam esse dinheiro e levam fora do jogo local, para jogar no grande tabuleiro global. Isso é um importante mal que corrói o Brasil, e a origem das perdas internacionais (como dizia com toda razão o Brizola).
Negrão
23 de outubro de 2015 5:17 pmIsso não vai
Isso não vai prosperar.
Principalmente agora com essa desindustrialização, desemprego e inflação, o Bolsa Famílai vai ser a única valvula de escape oara as pessoas que sairam do limite da probreza com R$ 100,00 mensais para sobreviver.
Oremos rs
Joao Lira Neto
23 de outubro de 2015 5:52 pmmais uma chantagem…
quando
mais uma chantagem…
quando é que esta turma vai para de chantagear o governo Dilma e procurar fazer algo que ajude a população?
Paulo Figueira
23 de outubro de 2015 6:11 pmHelena Chagas ex SECOM, pelo
Helena Chagas ex SECOM, pelo tom do artigo percebemos que Dilma dormia com o inimigo e continua dormindo em alguns setores do governo.
sergior
23 de outubro de 2015 6:37 pmA fraqueza do governo não
A fraqueza do governo não está em Ricardo Barros propor o corte dos recursos para o Bolsa-Família, mas, sim, na entrega da relatoria do orçamento de 2016 a este deputado.
Free Walker
23 de outubro de 2015 6:40 pm“Passou da condição de
“Passou da condição de “bolsa-esmola”, como era chamado pejorativamente pela oposição……..”
Helena Chagas é mentirosa.
“Eu, um dia desses, Ciro [Gomes, ministro da Integração Nacional], estava em Cabedelo, na Paraíba, e tinha um encontro com os trabalhadores rurais, Manoel Serra [presidente da Contag – Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura], e um deles falava assim para mim: “Lula, sabe o que está acontecendo aqui, na nossa região? O povo está acostumado a receber muita coisa de favor. Antigamente, quando chovia, o povo logo corria para plantar o seu feijão, o seu milho, a sua macaxeira, porque ele sabia que ia colher, alguns meses depois. E, agora, tem gente que já não quer mais isso porque fica esperando o ‘vale-isso’, o ‘vale-aquilo’, as coisas que o Governo criou para dar para as pessoas.” Acho que isso não contribui com as reformas estruturais que o Brasil precisa ter para que as pessoas possam viver condignamente, às custas do seu trabalho. ” (Lula)
lenita
23 de outubro de 2015 8:34 pmÉ por desconhecimento
do Vale-Juros que os bancos recebem e plantam o que ? além de não pagarem devidamente seus tributos. Não precisaríamos de nenhum ajuste fiscal, caso eles e as grandes empresas honrassem seus compromissos.
Eugênia Loureiro
23 de outubro de 2015 6:44 pmSe a a Câmara aprovar isso, a
Se a a Câmara aprovar isso, a vergonha será dela e não do Governo e nem do PT. A vergonha será também do relator. Controle da base? Isso será mostrado na votação. Afinal, a oposição, apesar de estúpida e, pelo visto, covarde também, existe e é capaz de tirar dos que mais precisam. Mas vergonha mesmo é atribuir isso ao Governo ou PT. A Helena Chagas em lugar de debitar da conta do Governo e do PT, deveria colocar na conta desse enrgúmeno irresponsavel do tal Ricardo Barros (nunca tinha ouvido falar nesse cara) e da oposição que certamente vai votar a favor.
De Paula
23 de outubro de 2015 8:14 pmMas a mídia, como vem
Mas a mídia, como vem demonstrando, tem o poder de inverter a direção dos dedos apontados, mesmo que para isso precise torcê-los.
José Ayres Lopes
23 de outubro de 2015 7:49 pmÉ tiro no governo do PT !?…
Para mim é tiro no Brasil, nos brasileiros de bem, honestos e que trabalham.
País rico é pais sem miséria!
edna baker
23 de outubro de 2015 7:54 pm“O que vai ficar nos livros
“O que vai ficar nos livros de história depois que eles passarem – o que não deve demorar muito” Demorou um pouco mas apareceu, a “dor de cotovelo” da Helena Chagas.
lenita
23 de outubro de 2015 8:27 pmHelena Chagas ?
Não entendo o pq do “Seo” Nassif ter colocado isto aqui. Qual a importância dessa mulher ?
Lobato Vaz
23 de outubro de 2015 8:42 pmRicardo Barros, aliado de
Ricardo Barros, aliado de Beto Richa, cuja esposa é vice-governadora do Paraná. Precisa dizer mais alguma coisa?
Nilva de Souza
23 de outubro de 2015 9:01 pmA Dilma dormia com o inimigo
A Dilma dormia com o inimigo ou a Helena Chagas virou sua inimiga após sair do governo? Criticar ê uma coisa, espicaçar é outra e é o que temos visto em todos seus artigos. A crítica deixou de ser política e virou pessoal.
antonio francisco
23 de outubro de 2015 10:01 pm86 veículos por R$ 8,2 milhões, para o TJMG: economizar?
Menos de dois anos após gastar R$ 2,6 milhões em automóveis para uso de desembargadores e membros da diretoria, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) prepara nova compra de 86 veículos para substituir parte da frota utilizada pelos magistrados. O custo será de R$ 6,2 milhões dos cofres públicos para a aquisição de modelos mais caros e luxuosos. Hoje, a frota total do órgão possui 588 veículos. Existem 128 desembargadores atuando no Estado e 202 carros à disposição da categoria. Cada um deles possui um veículo com motorista da Corte.
Leia mais no link, a reportagem de Angélica Diniz publicada hoje no jornal O Tempo, MG:
http://www.otempo.com.br/capa/pol%C3%ADtica/tjmg-troca-frota-de-carros-por-modelos-mais-caros-e-luxuosos-1.1147236
Ze Guimarães
23 de outubro de 2015 10:11 pmExcelente artigo
Dilma paga centenas de bilhões em juros selic aos especuladores por ano,e vai cortar 10 bilhões dos mais pobres. Eu creio que se isto não mostra nitidamente que Dilma virou a casaca, passou par o lado da elite, nada mais mostrará.
O pior é que este desastre social será creditado não só a Dilma, mas ao PT inteiro, e até ao Lula, que a escolheu como sucessora, e até hoje a apoia.
Calvin
24 de outubro de 2015 12:30 amQuem chamava de esmola era Lula
36 milhóes? #SQN
http://mercadopopular.org/2015/06/nao-foi-o-pt-quem-tirou-36-milhoes-de-pessoas-da-miseria/
Severino Januário
24 de outubro de 2015 1:29 amJá conseguiram o que queriam.
Já conseguiram o que queriam. Queriam inquietar a população pobre do país, e atingiram este objetivo. Esta maquiavélica farsa já conseguiu destituir a Dilma do posto de guardiã do Bolsa Família. Agora ela poderá ser vista pelos pobres como inimiga do Bolsa e deles, pobres. Se o golpe fosse dado agora, o ditador poderia dizer ao povo que salvou o Bolsa Família que a Dilma quis acabar. A paz social ficaria por um cala-boca bem barato. Rádios e emissoras de televisão já se encarregaram, durante todo o dia de hoje, de fazer grande terrorismo por todo o Nordeste, onde se propaga todo tipo de boatos. Milhões de pobres estão de cabelos em pé e de boca aberta.
Assim Falou Golbery
24 de outubro de 2015 3:17 am[ Em seus 12 anos de
[ Em seus 12 anos de existência, o Bolsa Família tirou 36 milhões de pessoas da extrema pobreza ] 52 milhões de vidas sairam da miséria. Pois uma em cada 3 famiílias tem um cachorro de estimiação e esse faz pate da família.
-Charlie-
24 de outubro de 2015 3:33 amO relator do orçamento de
O relator do orçamento de 2016 (da base aliada, porsupuesto), propõe um corte de 10 bi no bolsa família.
Só pra efeito de comparação, no orçamento de 2015 UM TRILHÃO E TREZENTOS BILHOES (47% do Orçamento total) foram destinados ao pagamento da dívida e de seus juros (ou seja, dinheiro para banqueiros e rentistas).
Aí, o que fazem os comentaristas do blog? Criticam o governo, que permite esse absurdo?
NAAAAAO, criticam a jornalista que denuncia o absurdo. Afinal, é uma ex-petista, e ex-petista é pior do que nazista para a militância, pois quem se desvia do caminho da virtude tem mais é que ser achincalhado, não é mesmo?
Sinceramente, eu não sei se quem faz esse tipo de comentário é idiota fanático aluno da FFLCH que não enxerga um palmo diante do nariz, ou se é soldista safado que comenta só pra tentar convencer a meia duzia de tontos que ainda crê nesse desgoverno.
Joao Maria
24 de outubro de 2015 9:12 amNao me surpreende a atitude
Nao me surpreende a atitude de Ricardo Barros em propor acabar com bolsa familia. Os Barros de Maringa, sao inimigos ferrenhos do PT.
José Muladeiro
24 de outubro de 2015 1:20 pmE imaginar que esta mulher comandava a distribuição
de dinheiro do governo para os grupos de midia. Dito de outro modo, era ela quem pagava o bolsa imprensa para a corja toda. Vem ela agora falar do PT e do governo como se nunca tivesse estado dentro. Onde estava a cabeça da Dilma em ter uma pessoa desta como ministra?
Ramalho12
24 de outubro de 2015 6:54 pmCínica e politiqueira
Nossas interpretações da realidade, mesmo que hipotética, revelam muito de nós mesmos. Testes que têm por propósito dar a conhecer as características das pessoas levam isto em conta. A aplicação de uma pergunta de um teste destes foi bastante comentada há alguns anos. A pergunta era a seguinte e foi feita a dois candidatos a emprego:
“Se você ao chegar em casa à noite encontrasse sua mãe no colo de um homem, o que você faria?”
O primeiro respondeu: “Tiraria minha mãe do colo desse homem e o poria para fora da casa aos sopapos!”
Já o segundo replicou o seguinte: “Diria boa noite, papai”.
Realmente, quando falamos de algo, mostramos muito de nós mesmos.
Nossa querida Helena Chagas, comentarista política, desnuda-se por completo ao interpretar as consequências do corte no Bolsa-Família. Não é que a querida Chagas, em vez de perceber que os prejudicados verdadeiramente com um eventual corte no Bolsa-Família seriam os milhões de assistidos que voltariam a passar fome, as crianças que morreriam precocemente, as crianças que abandonariam a escola, as moças e rapazes que se entregariam à baixa prostituição e à criminalidade; percebe e nos diz que o corte no Bolsa-Família equivaleria a tiro no coração do PT. Mas do PT, Dona Chagas?! Não seria um tiro no coração dos beneficiários do programa? Não são eles que estão em causa?
Para Helena Chagas, as consequências sociais do Bolsa-Família não vêm ao caso.
A introjeção que Chagas faz do desdobramento da ameaça de corte no Bolsa-Família nada mostra das reais consequências do corte, mas revela claramente alguns traços do caráter dela: trata-se de pessoa insensível, sem grandeza, desumana, politiqueira, que padece de cinismo em altíssimo grau [diz-se do cínico que é o sujeito que sabe o preço de tudo, mas não sabe o valor de nada]. Helena Chagas é cínica, cínica e politiqueira.
O colunismo político, dado que a política lida com os valores éticos de toda uma sociedade, não deveria ser praticado por pessoas como Chagas que nada entendem de valores éticos. Infelizmente, o colunismo político está infestado de gente como Chagas.