8 de julho de 2026

Discurso de Yellen derruba mercados; Ibovespa cai 0,71%

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Jornal GGN – A bolsa brasileira inverteu o movimento de alta visto no começo do dia e fechou em baixa, em meio à apreensão do mercado diante do pronunciamento da presidente do Federal Reserve (o Banco Central dos Estados Unidos) de que os juros no país podem realmente começar a subir em dezembro. O Ibovespa (índice da Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros de São Paulo) terminou o dia em queda de 0,71%, aos 47.710 pontos e com um volume negociado de R$ 7,429 bilhões. Com isso, o índice tem ganho acumulado de 4,01% na semana, e perde 4,59% no ano e 12,27% em 12 meses.

O principal evento do dia foi o depoimento da presidente do Fed, Janet Yellen, no Congresso Americano, o primeiro depois reunião da semana passada, quando decidiu pela manutenção da taxa dos FED Funds em níveis historicamente baixos. Janet Yellen reafirmou que a autoridade monetária vê a economia se desenvolvendo bem, e que se os dados (principalmente inflação) mostrarem aceleração até a próxima reunião, em dezembro, um elevação na taxa de referência é “possibilidade real”.

“Diante desse cenário, mais propenso a um aumento do prêmio de risco, e depois da forte alta de ontem, hoje foi dia de realização de lucros na bolsa paulista. A queda do preço do petróleo no mercado internacional (Brent em Dezembro a U$ 48,66, -3,72%) também contribuiu para a queda dos papéis de energia em várias praças, como a Petrobras (PETR3 -5,40%, PETR4 -4,48%)”, diz o BB Investimentos, em relatório assinado pelo analista Fabio Cesar Cardoso. Também pesaram no índice BRF Foods (-3,27%) e Setor Financeiro (BBDC4, -2,00%, CIEL3, -1,54%), além de Vale (VALE5, -2,22%). Entre as altas, destaque para Smiles (SMLE3, +6,63%), que divulgou resultado depois do pregão, e JBS (JBSS3, +3,83%).

O dia também foi de instabilidade no câmbio: a cotação do dólar comercial chegou a operar em queda, mas inverteu ao longo do dia e fechou em alta de 0,70%, a R$ 3,797 na venda. Além do discurso de Yellen, a divulgação de dados acima do esperado para o setor de serviços norte-americano aumentaram as apostas de que os juros podem começar a avançar ao fim deste ano. Contudo, a expectativa está em torno da publicação dos números do mercado de trabalho do país, que serão divulgados na sexta-feira.

No Brasil, o mercado seguia incerto. O Conselho de Ética da Câmara dos Deputados deu início nesta terça-feira (03) a um processo por quebra de decoro contra o presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que pode resultar, em última instância, na perda de mandato do parlamentar. A votação de um projeto que permite a regularização de bens brasileiros não declarados no exterior também pode gerar instabilidade nos negócios, por conta da expectativa em torno do aumento do volume de capital a ingressar no país.

Nesta manhã, o Banco Central manteve o processo de rolagem dos swaps cambiais (equivalentes à venda futura de dólares) com vencimento em dezembro, vendendo a oferta total de até 12.120 contratos. Até agora, o BC já rolou US$ 1,186 bilhão, ou cerca de 11% do lote total, que corresponde a US$ 10,905 bilhões.

Para quinta-feira, os agentes aguardam a publicação do índice antecedente de emprego e do IPC-Fipe (Índice de Preços ao Consumidor, medido pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) e o PMI (índice dos gerentes de compras, na sigla em inglês) no Brasil; encomendas à indústria e o PMI do varejo na Alemanha; vendas no varejo da zona do euro; decisão monetária do Banco da Inglaterra; e os pedidos semanais de seguro-desemprego nos Estados Unidos.

 

 

(Com Reuters)

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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2 Comentários
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  1. rcneves

    4 de novembro de 2015 11:41 pm

    too big to fail

    A dívida americana é grande demais para que se aumentem os juros da própria.

    Estão cozinhando o galo.

    E nossas galinhas cozinham juntas. 

    Delfim, metereologista previu uma tempestade perfeita que não veio.

    Insatisfeito inventou uma contabilidade criativa que, posteriormente foi chamada de pedalada fiscal. Delfim é um gênio com duas personalidades, a primeiro é a de um organizador da civilização brasileira e a segunda é a de um político com o rabo preso no espírito animal galinácio.

    Quando o empresário brasileiro vira um rentista, não há mais motivo para defendê-lo.

    É só pena que voa e alguns títulos de papel.

  2. C.Paoliello

    5 de novembro de 2015 1:25 am

    Juros assim não são normais

    Juros altos como os do Brasil não indicam um sistema financeiro sadio, diz  STIGLITZ:

    http://www.vermelho.org.br/noticia/272330-2

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