8 de julho de 2026

Entre guerras e tecnologia, economia mundial enfrenta recuperação desigual, aponta FMI

Conflitos no Oriente Médio pressionam inflação e cadeias produtivas, enquanto investimentos em IA impulsionam países integrados à nova fronteira tecnológica
Foto de Jason Leung na Unsplash

FMI projeta crescimento global de 3% em 2026, equilibrado entre impactos da guerra no Oriente Médio e avanço da IA.
Preços da energia seguem altos, com aumento de até 30% na gasolina em Ásia emergente, pressionando inflação global para 4,7%.
IA impulsiona exportações tecnológicas na Coreia do Sul, Taiwan e Sudeste Asiático; riscos geopolíticos e expectativas da IA preocupam FMI.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

A economia global entrou em uma nova etapa de incerteza, marcada por duas forças opostas: de um lado, os impactos negativos dos conflitos geopolíticos, especialmente a guerra no Oriente Médio; de outro, o impulso provocado pelo avanço da inteligência artificial (IA) e pela expansão da cadeia tecnológica.

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A avaliação consta no relatório World Economic Outlook (WEO) 2026, elaborado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), que projeta crescimento mundial de 3% em 2026 e 3,4% em 2027.

A previsão representa uma desaceleração em relação à média de crescimento observada em 2024 e 2025, de cerca de 3,5%, mas permanece próxima das projeções anteriores do organismo.

Segundo o FMI, o resultado reflete o equilíbrio entre dois movimentos contrários: o choque negativo provocado pela guerra e o efeito positivo do ciclo tecnológico impulsionado pela inteligência artificial.

Guerra e tecnologia dividem o mundo em trajetórias diferentes

Para o FMI, os impactos do atual cenário não são distribuídos igualmente entre os países. Economias produtoras de energia fora das regiões diretamente afetadas pelos conflitos podem se beneficiar de preços internacionais mais elevados, enquanto países fortemente conectados à cadeia tecnológica conseguem capturar ganhos do avanço da IA.

Na outra ponta estão economias dependentes da importação de energia e com baixa participação no setor tecnológico.

Esse grupo inclui muitos países de baixa renda, que enfrentam simultaneamente custos energéticos maiores, menor capacidade fiscal e dificuldades para incorporar novas tecnologias.

O relatório destaca que a economia mundial passa a operar em um ambiente de crescimento mais desigual, no qual a posição de cada país dentro das cadeias globais de produção se torna decisiva.

Energia mais cara mantém pressão sobre inflação

Apesar de a economia mundial ter absorvido o choque energético melhor do que o inicialmente esperado, o FMI alerta que os efeitos da guerra ainda não desapareceram.

Os preços da energia permanecem elevados e o petróleo continua negociado acima dos níveis anteriores ao conflito.

Segundo o relatório, os preços da energia estão aproximadamente 25% acima dos valores registrados antes da guerra.

O Fundo estima que o preço médio do petróleo em 2026 fique próximo de US$ 78 por barril, abaixo do cenário mais pessimista projetado anteriormente, de US$ 100.

A moderação ocorreu porque estoques estratégicos ajudaram a compensar parcialmente a redução dos fluxos de petróleo, evitando uma pressão ainda maior sobre os preços. Mas os efeitos variam conforme a região.

O FMI aponta que, desde o início da guerra, os preços da gasolina subiram cerca de:

RegiãoAlta nos preços da gasolina
Ásia emergente30%
América Latina15%

A diferença ocorre porque cada país possui estruturas distintas de tributação, subsídios, contratos internacionais e mecanismos de repasse ao consumidor.

Inflação interrompe trajetória de queda

O relatório também chama atenção para a interrupção do processo de desinflação observado desde o início de 2024: o FMI projeta que a inflação global, que ficou em 4,1% em 2025, avance para 4,7% em 2026, antes de recuar para 3,9% em 2027. A principal pressão vem dos preços de energia.

Apesar da alta, o organismo afirma que ainda não há sinais generalizados de perda de controle das expectativas inflacionárias. O desafio dos bancos centrais será equilibrar o combate à inflação sem comprometer ainda mais o crescimento econômico.

Inteligência artificial cria novo polo de crescimento

Enquanto energia e conflitos pressionam a economia, a inteligência artificial aparece como principal força positiva do cenário. Segundo o FMI, países inseridos na cadeia tecnológica global tiveram desempenho superior ao esperado.

Economias exportadoras de equipamentos relacionados à IA, como semicondutores e componentes eletrônicos, registraram forte expansão. O relatório cita como exemplos:

  • Coreia do Sul, beneficiada pelo crescimento das exportações de semicondutores;
  • Taiwan, centro global da produção de chips avançados;
  • Malásia e Tailândia, integradas às cadeias de tecnologia.

O caso sul-coreano é destacado pelo FMI: apesar da forte dependência energética do Oriente Médio, o país cresceu acima das expectativas graças ao boom das exportações de hardware relacionado à inteligência artificial.

China, Japão e Alemanha surpreendem

O relatório também registra desempenho melhor que o esperado em algumas grandes economias.

A economia chinesa apresentou crescimento superior às projeções, impulsionada por investimentos públicos em infraestrutura, produção tecnológica e exportações.

O Japão teve desempenho favorecido pelo comércio exterior e pela recuperação do consumo privado. Na Alemanha, o crescimento foi apoiado pelas exportações.

Já os Estados Unidos mantiveram ritmo sólido, com destaque para investimentos empresariais em equipamentos e propriedade intelectual — especialmente ligados à tecnologia.

Riscos continuam concentrados na geopolítica

Apesar dos sinais positivos, o FMI mantém uma avaliação cautelosa. O principal risco permanece sendo uma nova escalada dos conflitos no Oriente Médio.

Segundo o organismo, uma deterioração do cenário poderia provocar:

  • nova alta nos preços das commodities;
  • interrupções nas cadeias de fornecimento;
  • aumento da inflação;
  • piora das condições financeiras internacionais.

Outro risco destacado é uma eventual correção das expectativas exageradamente positivas em torno da inteligência artificial. Caso os investimentos no setor não entreguem os retornos esperados, mercados financeiros poderiam sofrer ajustes relevantes.

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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