21 de junho de 2026

Do que vive a Moody’s, por Mauro Santayana

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

Enviado por Gerson C. T.

A “nota” da Petrobras e a “nota” da Moody’s

Do Blog do Mauro Santayana

(Jornal do Brasil) – A agência de classificação de “risco” Moody´s acaba de rebaixar a nota de crédito da Petrobras de Baa2 para Ba2, fazendo com que ela passe de “grau de investimento” para “grau especulativo”.

Com sede nos Estados Unidos, o país mais endividado do mundo, de quem o Brasil é, atualmente, o quarto maior credor individual externo, a Moody´s é daquelas estruturas criadas para vender ao público a ilusão de que a Europa e os EUA ainda são o centro do mundo, e o capitalismo um modelo perfeito para o desenvolvimento econômico e social da espécie, que distribui, do centro para a “periferia”, formada por estados ineptos e atrasados, recomendações e “notas” essenciais para a solução de seus problemas e a caminhada humana rumo ao futuro.

O que faz a Petrobras ?

Produz conhecimento, combustíveis, plásticos, produtos químicos, e, indiretamente, gigantescos navios de carga, plataformas de petróleo, robôs e equipamentos submarinos, gasodutos e refinarias.

De que vive a Moody´s ?

Basicamente, de “trouxas” e de conversa fiada, assim como suas congêneres ocidentais, que produzem, a exemplo dela, monumentais burradas, quando seus “criteriosos” conselhos seriam mais necessários.

Conversa fiada que primou pela ausência, por exemplo, quando, às vésperas da Crise do Subprime, que quase quebrou o mundo em 2008, devido à fragilidade, imprevisão e irresponsabilidade especulativa do mercado financeiro dos EUA, a Moody,s, e outras agências de classificação de “risco” ocidentais, longe de alertar para o que estava acontecendo, atribuíram “grau de investimento”, um dos mais altos que existem, ao Lehman Brothers, pouco antes que esse banco pedisse concordata.

Conversa fiada que também primou pela incompetência e imprevisibilidade, quando, às vésperas da falência da Islândia – no bojo da profunda crise europeia, que, como se vê pela Grécia, parece não ter fim – alguns bancos islandeses chegaram a receber da Moody´s o Triple “A” (ilustração), o mais alto patamar de  avaliação, também poucos dias antes de sua quebra.

Afinal, as agências de classificação europeias e norte-americanas,  agem, antes de tudo, com solidariedade de “classe”. Quando se trata de empresas e nações “ocidentais”, e teoricamente desenvolvidas – apesar de apresentarem indicadores macro-econômicos piores do que muitos países do antigo Terceiro Mundo – as agências “erram” em suas previsões e só vêem a catástrofe quando as circunstâncias, se impõem, inapelávelmente, seguindo depois o seu caminho na maior cara dura, como se nada tivesse acontecido.

Quando se trata, no entanto, de países e empresas de nações emergentes, com indicadores econômicos como um crescimento de 400% do PIB, em dólares, em cerca de 12 anos, reservas monetárias de centenas de bilhões de dólares, e uma dívida pública líquida de menos de 35%, como o Brasil, o relho desce sem dó, principalmente quando se trata de um esforço coordenado, com outros tipos de abutres, como o Wall Street Journal, e o Financial Times, para desqualificar a nação que estiver ocupando o lugar de “bola da vez”. 

Não é por outra razão que vários países e instituições multilaterais, como o BRICS, já discutem a criação de suas próprias agências de classificação de risco. 

Não apenas porque estão cansados de ser constantemente caluniados, sabotados e chantageados por “analistas” de aluguel – como, aliás, também ocorre dentro de certos países, como o Brasil – mas também porque não se pode, absolutamente, confiar em suas informações.

Se houvesse uma agência de classificação de risco para as agências de “classificação” de risco ocidentais, razoavelmente isenta – caso isso fosse possível no ambiente de podridão especulativa e manipuladora dos “mercados” – a nota da Moody´s, e de outras agências semelhantes deveria se situar, se isso fosse permitido pelas Leis da Termodinâmica, abaixo do zero absoluto.

Em um mundo normal, nenhum investidor acreditaria mais na Moody´s, ou investiria um “cent” em suas ações, para deixar de apostar e aplicar seu dinheiro em uma empresa da economia real, que, com quase três milhões de barris por dia, é a maior produtora de petróleo do mundo, entre as petrolíferas de capital aberto, produz bilhões de metros cúbicos de gás e de etanol por ano, em sua área, é a mais premiada empresa do planeta – receberá no mês que vem mais um “oscar” do Petróleo da OTC – Offshore Technologies Conferences – em tecnologia de exploração em águas profundas, emprega quase 90.000 pessoas em 17 países, e lucrou mais de 10 bilhões de dólares em 2013, por causa da opinião de um bando de espertalhões influenciados e teleguiados por interesses que vão dos governos dos países em que estão sediados aos de “investidores” e especuladores que têm muito a ganhar sempre que a velha manada de analfabetos políticos acredita em suas “previsões”.

Neste mundo absurdo que vivemos, que não é o da China, por exemplo, que – do alto da segunda economia do planeta e de mais de 4 trilhões de dólares em ouro e reservas monetárias – está se lixando olimpicamente para as agências de “classificação” ocidentais, o rebaixamento da “nota” da Petrobras pela Moody´s, absolutamente aleatório do ponto de vista das condições de produção e mercado da empresa, adquire, infelizmente, a dimensão de um oráculo, e ocupa as primeiras páginas dos jornais.

E o pior é que, entre nós, de forma ridícula e patética, ainda tem gente que, por júbilo ou ignorância, festeja e comemora mais esse conto do vigário – destinado a enfraquecer a maior empresa do país – que não passa de um absurdo e premeditado esbulho.

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

16 Comentários
...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  1. Frederico69

    27 de fevereiro de 2015 6:04 pm

    moodys,

    quem conhece não compra.

  2. KURK

    27 de fevereiro de 2015 6:18 pm

    Quando eu era pequenino lá em

    Quando eu era pequenino lá em Barbacena, “moddys” era um negócio que mulher usava, mas nunca me falaram onde, naquela época.

  3. DanielQuireza

    27 de fevereiro de 2015 6:25 pm

    Por esse artigo fica claro

    Por esse artigo fica claro que o autor desconhece tanto a avaliação financeira de países quando de empresas. Ou ele não entende mesmo de economia e politica internacional ou quer dar uma de joão-sem-braço e jogar para a platéia.

    Apesar da divida dos EUA ser maior que a nossa em relação ao PIB, o serviço da dívida, que é o que mais importa na prática, é menor lá que aqui. De forma que nossa situação financeira é pior que a deles e não melhor, como faz parecer crer o articulista.

    Com relação a Petrobrás, o lucro, as margens e o endividamento vem piorando sistematicamente desde 2010. E ainda mais agora com esta mega operação de desestabilização, lava jato, é óbvio que há razões práticas para o rabaixamento da nota. Não é nenhum fim do mundo, mas que há razões práticas evidentemente há. A própria bolsa ja antecipou esse movimento há muito tempo.

    Não faz nenhum sentido querer diminuir a atividade de uma empresa de avaliação de crédito. Ora, algumas empresas emprestam dinheiro, outras vendem carros, outras vendem pães, algumas produzem petroleo e existem as empresas de avaliação de risco e crédito. No Brasil também existem empresas desse tipo. Qual é o grande problema ? É realmente dificil de entender a natureza das críticas envolvidas nesse artigo.

    Ainda que ela tenha errado na crise de 2008 continua sendo das maiores empresas de avaliação de risco do mundo. Ora, seria o mesmo que desacreditar toda a Petrobrás por eventuais erros que ela tenha cometido.

    No mundo real (normal ou não), o autor desconhece o mundo dos investimentos. Alguns investidores levam em conta agencias de risco, outros não. Mas existem fundos que, por contrato, são obrigados a só aplicarem em empresas bem classificadas. São fatores de transparencia e governança para seus clientes.

    Ele cita números de lucro, como se fosse muito, mas não é, em relação ao tamanho da empresa. Ora, porque a empresa lucrou 10 bi de dólares as pessoas tem que investir nela ? De onde o articulista itrou isso ? Por que produz tantos barris por dia ? Claro que não. Empresas tem que ter rentabilidade boa, margens de lucro razoáveis, dívidas controladas e expectativas de continuidade destes parametros no futuro para que sejam atrativas ao investimento.

    1. Eliane Ribeiro

      27 de fevereiro de 2015 7:28 pm

      Bom Daniel. concordando que a

      Bom Daniel. concordando que a Petrobras represou os preços do combustivel.

      mesmo assim  não é o suficiente para pregar o caos.Pois saiu no PHA ,com base na grande imprensa,que o Bradesco ofereceu 3 bilhões.BB 3,7, e mais a caixa. Eu já até havia pensado nessa hipótese dos banco nacionais.

      A Petrobras recusou informando que possui 20 bilhões em caixa para pagar as despesas de 2015.

      Realmente, há razões praticas para rebaixar a nota da Petrobras,moodys é americana está fornecendo material,para a imprensa nativa visando ajudar no processo de privatização da Petrobras para seus cumpadres Petroleiros americanos  chevranos.

      E em 2008 ela não errou! ela apenas cumpriu o seu papel dentro do esquema de mercado de enganar trouxas ,especular o que não existe,e manter -se uma eterna aposta.

    2. junior50

      27 de fevereiro de 2015 10:56 pm

      Rentabilidade

       Fundos de pensão, conservadores por natureza e necessidade, em contrato, são obrigados a balizar seus investimentos, em analises de risco emitidas por estas classificadoras, assim como bancos financiadores tambem as utilizam – até nossos bancos oficiais fazem isto, pois pelas normas do BC e CVM, quando do balanço dos bancos, seus créditos são sujeitos a analises ( de A a E ), com metodologia semelhante as Moody’s e Fitchs “da vida”, pois estas “analises de créditos” é que definem quanto o banco irá ter que provisionar para “recebimentos duvidosos”.

    3. Fabio Pereira

      28 de fevereiro de 2015 12:23 pm

      Errar é humano.

      Ela só não previu a maior crise econômica desde 1929!

      Seria a mesma coisa que um sismógrafo não identificar um terremoto de magnitude 9 na escala Richter, mas tudo bem, ninguém é perfeito.

       

  4. Edsonmarcon

    27 de fevereiro de 2015 7:16 pm

    quem?
    Relembrando “whatchmen”:

    who rates the rating agencies?

  5. Kepler K

    27 de fevereiro de 2015 7:29 pm

    Bando de picaretas

    Moody’s = Standard & Poor’s = Fitch = Bando de Picaretas

    Sobre essas agências, recomendo:

    http://www.forbes.com/sites/halahtouryalai/2011/12/06/sp-moodys-and-fitch-do-we-need-them/
     

    []s

  6. Fabio SP

    27 de fevereiro de 2015 7:35 pm

    Com essa análise abalizada do

    Com essa análise abalizada do Santayanna os grandes fundos de investimento internacionais vão deixar de levar em conta essa agencinhas…

    Boa, sANTAyanna, mostra prá eles…

  7. Webster Franklin

    27 de fevereiro de 2015 7:43 pm

    Brasil

    Brasil 29

     

    26/02/2015

     

    Agência de classificação que rebaixou notas da Petrobras é investigada por fraude nos EUA

     

    Globotefazdeotario

    O Departamento de Justiça dos Estados Unidos abriu uma investigação sobre a atuação da Moody’s Investors Service no período que antecedeu a crise de 2008, afirmaram fontes próximas ao caso.

    Na semana passada, a Moodys rebaixou todas as notas de classificação de risco da Petrobrás, por causa de “preocupações sobre investigações de corrupção”. Foi o terceiro rebaixamento da empresa em quatro meses, com impacto nas ações da empresa.

    O motivo da investigação nos EUA é que a agência de classificação de risco teria concedido ratings positivos a ativos baseados em hipotecas. A acusação é a mesma feita à outra agência, a Standard & Poor’s, com quem o Departamento de Justiça está próximo de um acordo.

    Segundo essas fontes, agentes teriam se encontrado com diversos ex-executivos da Moody’s nos últimos meses para discutir os critérios de avaliação desses ativos complexo, principalmente no período entre 2004 e 2007.

    Naqueles anos, a Moody’s e a S&P deram notas AAA para esses títulos, tornando-os elegíveis mesmo para investidores com perfil conservador. Quando o mercado imobiliário ruiu, perdas em investimentos relacionados a esses títulos ajudaram a aprofundar a crise.

    Esta semana, o Departamento de Estado também pode anunciar um acordo de US$ 1,37 bilhão para encerrar a investigação sobre a S&P. (Dow Jones Newswires).

    http://brasil29.com.br/veja-como-a-globo-te-faz-de-otario-agencia-de-classificacao-e-investigada-por-fraude-nos-eua/

  8. altamiro souza

    27 de fevereiro de 2015 7:47 pm

    santayana dez, moody’ sbulho

    santayana dez, moody’ sbulho zero.

  9. Rodrigo Marques

    27 de fevereiro de 2015 8:03 pm

    Quem se importa?

    Só a Globo dá importância para esta agência de risco.  Aliás, qual seria a classificação da Rede Globo, caso fosse possível atribuí-la uma nota?

  10. joão adalberto

    27 de fevereiro de 2015 8:08 pm

    Sempre foi assim

    O mundo vive “Basicamente, de “trouxas” e de conversa fiada…” Por isso, quem pode mais chora menos.

  11. henry H

    27 de fevereiro de 2015 9:37 pm

    Prefiro o horoscopo da Zora

    Prefiro o horoscopo da Zora Yonara à essa Moody’s… muito mais valia.  (Obs.: nem sei se Zora Yonara ainda está no trecho, conhecia ela da década de 1980!?…) 

    1. Fernando Holz

      2 de março de 2015 9:34 pm

      Pô a Zora Yonara ainda vive?

      Pô a Zora Yonara ainda vive?  Minha mãe não perdia um programa de radio  dela na decada de 70 ou 80 ? Não lembro bem.  Mas con certeza pra mim a Zora tem mais credibilidade !  🙂

  12. robson_lopes

    28 de fevereiro de 2015 12:36 am

    Então conversa afiada

    Então conversa afiada sustenta a Moodys? rsrs Ihhhh, PHA

Recomendados para você

Recomendados