
Jornal GGN – Após reunião do Fórum dos Governadores do Brasil, em Recife (PE), os governadores do Nordeste decidiram que não irão aceitar a proposta de ajuste fiscal feita pelo governo de Michel Temer. O ajuste é condição para os Estados recebam parte dos recursos do programa de regularização de ativos, conhecido como repatriação de recursos.
Em carta aberta divulgada no sábado (26), os governadores afirmam que os Estados já estão fazendo o ajuste fiscal proposto pelo governo federal e defendem a redução da taxa de juros e “medidas de combate à sonegação fiscal e de justiça tributária”.
Na última terça (22), os governadores se reuniram o presidente Michel Temer, que disse que o governo liberaria os recursos, se antecipando à decisão do Supremo Tribunal Federal. Porém, os governadores da região afirmam que as medidas anunciadas por Henrique Meirelles, ministro da Fazenda, não foram apresentadas para eles.
“A gente tinha feito a reunião para acertar compromissos gerais com o ajuste fiscal, apoio às reformas como a da Previdência e, na hora da [entrevista] coletiva, Meirelles veio com um detalhamento de questões que nunca vão ser unificadas entre os 27 Estados. É impossível”, afirmou Paulo Câmara (PSB), governador do Pernambuco .
Quase todos os Estados entraram no Supremo para exigir que o governo federal compartilhasse parte das multas da repatriação. A ministra Rosa Weber bloqueou o dinheiro arrecadado, mas o plenário ainda vai tomar uma decisão final.
Uma das exigências do governo Temer para a liberação dos recursos era que os governadores retirassem as ações. Entre, os governos estaduais agora dizem que vão voltar ao Supremo amanhã (29).
Os Estados estimam que devem receber cerca de R$ 5,2 bilhões. O caso foi para a Justiça porque há um impasse sobre o direito de Estados e municípios de receber os valores arrecadados com as multas.
“Vamos aguardar a Justiça. Temos uma liminar que já garantiu o depósito em juízo e a gente entende que a multa tem que ser repartida entre estados e municípios”, disse Câmara.
Leia abaixo a carta dos governadores do Nordeste:
Carta dos Governadores do Nordeste
Recife, Pernambuco
Reunidos na cidade do Recife (PE), no dia 25 de novembro de 2016, os governadores do Nordeste vêm a público informar a sua concordância e compromisso com o necessário equilíbrio fiscal em nossos respectivos Estados, tão necessário à retomada do crescimento, e nos associamos à preocupação do Governo Federal, mas não podemos deixar de esclarecer todo o conjunto de esforços que já vem sendo realizado pelos Governos Estaduais.
O conjunto dos Estados saiu de um deficit primário de R$ 9,5 bilhões, em 2014, para um resultado positivo de R$ 6,5 bilhões ao final de 2015. Além disso, a despesa primária, que a União pretende atrelar ao Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), cresceu apenas 2,36% entre 2014 e 2015 – bem abaixo do IPCA, que ficou em 6,41% em 2014.
Enquanto a despesa primária cresceu apenas 2,36%, a receita bruta cresceu 5,38% em 2015. Destaque-se neste resultado o crescimento de 7% das receitas de arrecadação própria. Enquanto isso, as receitas provenientes das transferências da União aos estados cresceram apenas 1% nominal no período.
Diante do exposto, chamamos atenção, também, para a importância do diálogo sobre as receitas públicas, com a redução da taxa de juros, além de medidas de combate à sonegação fiscal e de justiça tributária. Do mesmo modo, sublinhamos nosso interesse em ver o andamento de temas essenciais ao desenvolvimento da Nação e de modo especial para o povo do Nordeste brasileiro e da retomada da geração de emprego e renda, tais como:
a) ações de convivência com a seca e a retomada da Transposição do Rio São Francisco e demais obras hídricas;
b) a retomada das obras da Transnordestina e de outras obras de infraestrutura;
c) a liberação de empréstimos;
d) a liberação dos recursos do fundo penitenciário e ações de segurança pública;
e) o fortalecimento do Banco do Nordeste e do Fundo Constitucional do Nordeste;
f) a apresentação de alternativas para o subfinanciamento do SUS e o enfrentamento das arboviroses;
g) a priorização da Região Nordeste no programa de concessões e novos leilões da ANP.
Por fim, abertos ao diálogo e integrados ao Fórum dos Governadores do Brasil, defendemos ações integradas com a União e municípios, sempre respeitando a autonomia das unidades da Federação, como o direito de fazer cumprir a receita da multa da repatriação como assegura a lei, e compromisso de trabalhar pelo equilíbrio fiscal para ampliar investimentos voltados para o desenvolvimento econômico e social.
Cassio Tonsig
28 de novembro de 2016 6:22 pmRepública dos Canalhas
Temer, Meirelles & quadrilha acham que basta a mídia publicar para estar feito o que se espera de um “governo” de achacadores e proprineiros!
Querem chuchar goela abaixo.
Querem reduzir a importância do Nordeste. O que não quer dizer que o Sul/Sudeste vão ter projetos priorizados.
No fundo, fica a pergunta (sem destinatário e) sem resposta: QUEM MANDA NESTE ‘GOVERNO’ ?
maria rodrigues
28 de novembro de 2016 6:22 pmEsses governadores são um
Esses governadores são um bando de safados, pois não tinham nenhuma razão para ficarem do lado de Temer, quando do impeachment. Viram que com os governos do PT todos eles foram de algum modo agraciados, respeitados, mas preferiram o outro lado. Com raras excções, todos ficaram a favor do que está aí. Agora vem chorar o leite derramado. São tão traidores e canalhas quanto o Superior.
Edivaldo Dias Oliveira
28 de novembro de 2016 7:32 pmA hora é agora
Tem que se juntar aos estados nordestinos os estado progresistas de MG, AC.
Cesar Cardoso
29 de novembro de 2016 2:15 amUm pequeno detalhe
No parágrafo:
“A gente tinha feito a reunião para acertar compromissos gerais com o ajuste fiscal, apoio às reformas como a da Previdência e, na hora da [entrevista] coletiva, Meirelles veio com um detalhamento de questões que nunca vão ser unificadas entre os 27 Estados. É impossível”, afirmou Paulo Câmara (PSB), governador do Pernambuco .
Um governador de Estado diz mais ou menos às claras que um interlocutor do governo federal – ou seja, um ministro – combinou uma coisa e, na hora H, outro ministro rasga todo o combinado.
Fica complicado qualquer coisa quando o interlocutor muda de opinião conforme o humor de quem está escalado para uma reunião.