21 de maio de 2026

Judiciário como força auxiliar do golpe não é novidade, por Jorge Folena

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ABERTURA DE PROCESSO CONTRA LULA

por Jorge Rubem Folena de Oliveira

É assustador saber que um pedido de abertura de processo judicial, de natureza criminal, é expedido contra uma pessoa sem a apresentação de qualquer prova, tendo como base, somente, a mera convicção do acusador!

Em 03 setembro de 2015, quando defendi a tese de que estava em curso no Brasil uma grave politização da justiça, um dos examinadores me questionou, afirmando que tal fato não existia; o que me levou a demonstrar, diante do público presente, que a Justiça estava sendo manipulada por interesses políticos diversos, como se viu no julgamento do denominado “mensalão do Partido dos Trabalhadores”, realizado pelo Supremo Tribunal Federal, em que predominou descaradamente a famigerada e distorcida “teoria do domínio do fato”.

Naquele julgamento, salvo engano meu, o crime de quadrilha não foi configurado pelo Tribunal, mas um cidadão foi condenado por ser o “chefe da organização criminosa”, por mera presunção de que sabia de tudo, e diante da singela alegação de um dos condenados, que manifestou que o chefe da casa civil era o idealizador dos pagamentos mensais aos parlamentares, com a finalidade de que votassem com o governo do presidente Lula no seu primeiro mandato, de 2003-2007.

Hoje, um dos poucos estadistas reconhecidos pelo mundo está tendo sua vida pessoal invadida por uma acusação sem prova, segundo afirmou o acusador, que parte de sua “convicção” para pedir a abertura do processo criminal contra ele.

A história se repete como farsa, diz Marx. Assim foi também nos anos de 1964 a 1966, aqui no Brasil. O Supremo Tribunal Federal – ao contrário do que dizem muitos historiadores – manteve pessoas encarceradas e respondendo aos processos criminais em curso contra elas, simplesmente sob a suspeição de serem “comunistas”, como assim comprovamos no livro “O Poder Judiciário e as ditaduras brasileiras”.

Três anos depois do golpe, os ministros do Supremo Tribunal Federal foram cassados de suas funções, embora muitos deles tivessem pactuado com as prisões e manutenção dos esdrúxulos processos criminais de natureza política, pois pactuaram com o golpe e permitiram que a Constituição liberal de 1946 fosse rasgada no plenário da própria Corte, termo muito apreciado pelos defensores da ordem estamental.

Agora ocorre o mesmo e pode-se afirmar que o golpe de 2016 iniciou-se em 2003, quando da abertura da Comissão Parlamentar de Inquérito para apurar o desvio de comportamento de um assessor do chefe da Casa Civil, enquanto era presidente da Loterj (Loteria do Estado do Rio de Janeiro), no curto governo da vice-governadora Benedita da Silva, que sucedeu a Antony Garotinho quando se afastou do governo do Rio de Janeiro par disputar a presidência da República, em 2002.

Neste episódio despropositado, que, a princípio, nada tinha a ver com o Governo de Lula da Silva, foram dadas as armas para que os reacionários do passado iniciassem seu projeto de “conquista” sem voto do poder no Brasil, que teve no Poder Judiciário um dos seus maiores auxiliares.

O Poder Judiciário atuando como força auxiliar não é novidade. Realizando uma análise historicista deste Poder de origem feudal e que carrega até hoje as mesmas tradições das cortes do passado, poder-se-á encontrar nele o necessário suporte para a efetivação do rompimento da ordem natural da dialética, quando deveria ser o guardião da lei e da ordem.

É importante ressaltar dois fatos, que eram de conhecimento do Supremo Tribunal Federal, mas aquela Corte nada fez a respeito. O primeiro foi o vazamento da conversa telefônica entre Sérgio Machado e Romero Jucá, na qual os dois manifestaram claramente que o impeachment era para tirar Dilma Rousseff do poder, cujo áudio estava em poder do tribunal desde março de 2016, ou seja, data anterior ao afastamento de Dilma do cargo, que ocorreu em 11 de maio. O segundo, que os ministros do Supremo Tribunal Federal tiveram conhecimento explícito de que o juiz do Paraná interceptou, em 16 de março de 2016, os telefones do Palácio do Planalto, mas nada fizeram contra o juiz, perpetuando uma grave ilegalidade contra a segurança nacional e a privacidade da instituição Presidência da República.

Infelizmente, cientista sociais, historiadores e juristas chegaram a acreditar que um intenso processo de judicialização da política poderia levar à transformação de uma sociedade; mas o que se viu, conforme demonstramos no livro “Do Conflito ao Equilíbrio: política, Judiciário e audiências públicas”, é que este órgão estatal, quando muito, poderia servir de intermediário entre os poderes constituídos, em momentos de crise política.

Contudo, o que constatamos, sem dúvida, foi que a política criou um leviatã, que é a politização da justiça. Agora, caberá à sociedade – com sua organização política e social – controlar ou desfazer este grave mal que nos abateu, antes que seja tarde demais.

Jorge Rubem Folena de Oliveira – Advogado constitucionalista e cientista social

Lourdes Nassif

Redatora-chefe no GGN
lourdesnassifggn@gmail.com

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10 Comentários
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  1. cícero Lobato

    16 de setembro de 2016 11:32 am

    PGR

    O Janot Pacheco não se manifestou sobre a denúncia, significando, para mim, que está de acordo.

    Realmente estamos num país em que a presunção de inocência e provas da defesa nada significam, quando a justiça deseja incriminar alguém pelo “Domínio do Fato”, contrariando regras no “Estado Democrático de Direito” inseridos em nossa Carta Magna.

    Retrocedemos ao período militar, substituído aquele regime pela Ditadura Jurídica atual!

     

    1. Stella Pacheco Pimenta

      16 de setembro de 2016 5:23 pm

      Janot Pacheco, não

      Cícero,

       

      Apesar de não assinar, sou da família Janot Pacheco, de Belo Horizonte. E estou absolutamete assustada, aterrada mesmo, com os desmandos comandados pelo outro Janot, só que Monteiro de Barros. O atual PGR está tocando fogo no país, e sinto-me profundamente incomodada por ser um Janot.

      Atenciosamente,

       

      Stella (Janot) Pacheco Pimenta

      1. Orlando Soares Varêda

        16 de setembro de 2016 7:31 pm

         
        Sinto muito Stella Aceite

         

        Sinto muito Stella Aceite minhas condolências pela urucubaca e pela má sorte de ter uma desgraça como parente.

        Mas, não chore não moça. Você nem ninguém, escolhe uma miséria desse porte, pra parente. Vai que se trata de um “carma”. Quem sabe né?

        Eu mesmo, se fosse escolher, preferiria ter como parente o Capiroto, a ter que morar na mesma cidade desse estrupício janota do pgr. Aliás, estendo a repulsa, a toda essa turma de concurseiros de merda, que vai da pf ao pgr, judiciário e o escambau. Ressalvando-se as exceções acolhidas pela regra.

        Sei que muita gente honrada, íntegra e correta, atuam nas instituições referidas. Sei também que estes, jamais se permitiriam atuar como subordinados mamulengos, se expondo ao criminoso e ridículo show midiático patrocinado pela chamada grande imprensa instalada no país. Onde já se viu, um juiz dígno, aceitar premiações graciaosas de empresas privadas ou públicas? Claro, que se trata de um procedimento inadequado, e imoral. Como confiar no juzeco moro, julgando alguma das falcatruas dos donos da Rede Globo?

        Orlando

        1. Stella Pacheco Pimenta

          16 de setembro de 2016 9:56 pm

          Só pode ser carma mesmo. Mas… enfim

          Cícero,

          Pensamos da mesma maneira. E você não imagina a desventura que passamos por aqui por causa do sobrenome Janot. É um constrangimento atrás do outro. E eu fico pensando: por que ele não assina logo como “Monteiro de Barros”?

          Você leu a carta do Eugênio Aragão? Fiquei estupefata. De resto, estendo minha indignação ao restante da súcia dessa Farsa a Jato que jamais teve o intuito de combater a corrupção, mas de enfraquecer a própria Petrobrás e entregá-la a preço de banana ao capital internacional.

          Tem muita gente honrada na PGR e no próprio MPF. O problema é que devem estar acuados, só vemos o Aragão se pronunciar no momento. Cadê o restante da turma, Ela Wiecko inclusive.

           

          Stella

        2. Stella Pacheco Pimenta

          16 de setembro de 2016 10:01 pm

          Só pode ser carma mesmo. Mas… enfim

          Orlando,

          Pensamos da mesma maneira. E você não imagina a desventura que passamos por aqui por causa do sobrenome Janot. É um constrangimento atrás do outro. E eu fico pensando: por que ele não assina logo como “Monteiro de Barros”?

          Você leu a carta do Eugênio Aragão? Fiquei estupefata. De resto, estendo minha indignação ao restante da súcia dessa Farsa a Jato que jamais teve o intuito de combater a corrupção, mas de enfraquecer a própria Petrobrás e entregá-la a preço de banana ao capital internacional.

          Tem muita gente honrada na PGR e no próprio MPF. O problema é que devem estar acuados, só vemos o Aragão se pronunciar no momento. Cadê o restante da turma, Ela Wiecko inclusive.

           

          Stella

  2. Waldomiro Pereira da Silva

    16 de setembro de 2016 11:45 am

    Nada tenho contra os

    Nada tenho contra os evangélicos, mas começo a ter medo, um medo estranho. Antes vinham a minha porta fazere, sua pregação, eu os ouvia pacientemente e respeitosamente. Mas hoje, me barram nas ruas e querem me obrigar a seguir sua religião, como se fosse este o único caminho a seguir. Estamos entrando na fase SANTA INQUISIÇÃO novamente. Seriam os mesmos retornando? Abriram-se as portas do inferno novamente?

    Estariam também os da farda tomados deste sentimento, acreditando que poderão controla-los também no futuro.

    Teria o também ministro Gilmar se aliado aos “santos evangelicos”? 

    Serão estes os cavaleiros do apocalipse?

    Há algo de muito podre no reino do BRAZIL.

    Reabriram as portas do inferno.

  3. James Gresslerj

    16 de setembro de 2016 12:30 pm

    min

    O procuradorzinho convicto sem provas deveria tem perguntado a uma estagiária da pedagogia como se postar durante uma projeção, sem competir com ela.  Lá vai: convictocracia.E o PIG babando;um clímax após o outro.

  4. James Gresslerj

    16 de setembro de 2016 12:31 pm

    min

    O procuradorzinho convicto sem provas deveria tem perguntado a uma estagiária da pedagogia como se postar durante uma projeção, sem competir com ela.  Lá vai: convictocracia.E o PIG babando;um clímax após o outro.

  5. alexis

    16 de setembro de 2016 12:33 pm

    Soberania popular

    Tudo para driblar a soberania popular, para governar pela TV e fazer o Brazil que sempre desejaram.

    A única resposta está nas ruas, pois, nos gabinetes e salões do poder, esta luta não apenas foi perdida, mas os golpistas agem sem mais nenhum pudor.

    Agora, só uma revolução em liberdade, pela consciência popular, pelo voto  e pela cobrança de direitos. Naturalmente, com o lado progressista da população em unidade de ação.

  6. Mauro Segundo

    16 de setembro de 2016 3:19 pm

    Não nos esqueçamos do papel

    Não nos esqueçamos do papel fundamental de Joaquim Barbosa: sem origem na plutocracia, negro, de origem humilde, nomeado por Lula, tendo vencido diversas adversidades para chegar onde chegou: o álibi perfeito, o personagem perfeito para dar origem ao Golpe, já que não se pode acusá-lo de “coxinha”, “elite”…foi só mais um traidor, não de Lula, mas do povo Brasileiro, o seu povo….não sei se por vaidade, por desvio de personalidade, por deslumbramendo, por messianismo….mas para mim, ele que começou e é responsável por tudo isso aí.

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