14 de junho de 2026

A Copa de 1970 vivida atrás das grades

Mesmo comemorando a vitória do Brasil sobre a Tchecoslováquia, presas foram acusadas de torcer contra o país e voltaram a ser privadas de acompanhar a seleção na disputa
Crédito: Arquivo pessoal

Cinco mulheres presas políticas assistiram ao jogo do Brasil na Copa de 1970 em uma cela do Hospital Central do Exército.
Elas foram autorizadas a assistir ao jogo, mas foram proibidas dos seguintes após acusação de torcerem contra o Brasil.
Vera Sílvia foi libertada após troca de presos políticos; relato destaca resistência e emoções mesmo sob repressão.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

Em junho de 1970, enquanto o Brasil caminhava para conquistar o tricampeonato mundial no México, cinco mulheres presas políticas assistiram ao primeiro jogo da seleção em uma cela do Hospital Central do Exército, no Rio de Janeiro. O que deveria ser um momento de alívio virou mais uma perseguição.

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O relato é da professora Regina Toscano, presa e torturada durante o regime militar. Ela estava entre as primeiras mulheres a serem mantidas no HCE, um prédio separado das demais alas do hospital, originalmente reservado a soldados que cometiam infrações e adoeciam. Junto com Vera Sílvia, Bia, Dalva e Cristina, Regina vivia sob vigilância armada permanente, em um pequeno cômodo. Para ir ao banheiro, precisavam de escolta. Alguns policiais ficavam do lado de fora; outros entravam junto.

“Não me perguntem se me sentia envergonhada. Já tinha passado por tantas violências e intimidações no DOI-CODI que isso não tinha tanta importância: apenas mais uma”, escreveu Regina.

O jogo permitido

As famílias das presas pediram ao coronel diretor do HCE autorização para que elas assistissem à estreia do Brasil na Copa. Ofereceram-se para levar uma televisão. Para surpresa de todas, ele autorizou. Era o primeiro contato com algo próximo ao mundo externo: Regina e Vera Sílvia estavam presas havia três meses; Dalva e Bia, havia cinco; Cristina, havia um.

O Brasil venceu a Tchecoslováquia por 4 a 1. As cinco comemoraram. Os próprios policiais que as vigiavam assistiram ao jogo na mesma cela.

Mas a alegria durou pouco. Os vigilantes reportaram ao comando do DOI-CODI que as prisioneiras tinham torcido contra o Brasil e a favor da Tchecoslováquia. A punição foi imediata: nenhuma das cinco poderia assistir aos jogos seguintes.

“Nossos vigias comunicaram ao comando do DOI-CODI que tínhamos torcido contra o Brasil e a favor da Checoslováquia”, relatou Regina. “Resultado: não permitiriam mais que as prisioneiras assistissem os jogos pela TV.”

Um sopro de alegria

A tristeza só foi interrompida cerca de uma semana depois, quando as presas receberam a notícia de que Vera Sílvia seria libertada, ela integraria um grupo de presos políticos trocados pelo embaixador alemão sequestrado por militantes da resistência.

Décadas depois, ao revisitar a memória diante de uma nova Copa do Mundo, Regina encerra seu relato com a mesma frase que atravessou aquela cela em 1970: Viva o Brasil.

“No meio de tanta tristeza e violência, o ser humano não perde seus sentimentos, suas emoções”, escreveu a professora.

Confira o post original neste link.

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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