A Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) divulgou nota pública em que cobra transparência sobre arquivos da ditadura militar e denuncia a ocultação de documentos oficiais por décadas. O posicionamento ocorre após reportagens da série “Bandidos de Farda”, da jornalista Juliana Dal Piva, que revelaram materiais inéditos sobre a estrutura da repressão e casos de violência, incluindo tortura e estupro.
No texto, a comissão elogia o papel do jornalismo investigativo por trazer à tona informações mantidas fora do alcance do Estado e critica a versão das Forças Armadas de que tais registros teriam sido destruídos. Segundo a CEMDP, a existência de documentos em acervos privados de ex-militares configura violação ao dever de transparência e afronta às famílias de vítimas.
A nota também anuncia a criação da campanha “Arquivos da Memória: Onde Estão?”, com um canal permanente para recebimento de documentos que ajudem a esclarecer mortes e desaparecimentos durante o regime (1964-1985). A comissão orienta que materiais digitalizados sejam enviados por e-mail e informa que acervos físicos poderão ser encaminhados ao Arquivo Nacional.
Com caráter humanitário, a iniciativa busca incentivar a colaboração da sociedade, especialmente de familiares de ex-agentes do regime, para localizar informações que permitam encerrar o luto de famílias que aguardam respostas há mais de 50 anos. A CEMDP afirma que a revelação da verdade é dever do Estado e não pode permanecer como “segredo de família”.
Leia a nota a seguir:
Deixe um comentário