3 de junho de 2026

Livro de Alexandre de Moraes copia trechos de autor espanhol

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Jornal GGN – O livro “Direitos Humanos Fundamentais”, de autoria do ministro licenciado Alexandre de Morais, traz passagens da obra “Derechos Fundamentales y Principios Constitucionales”, de o jurista espanhol Rubio Llorente, sem dar o devido crédito e sem explicitar que se trata de uma citação.

O professor Fernando Jayme, diretor da Faculdade de Direito da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), percebeu os trechos idênticos e afirma que o caso “é sem dúvida alguma plágio”. “Ao deixar de fazer a citação, parece que a ideia é dele, mas é de outro autor, do qual ele copiou literalmente”, disse.
 
Já o ministro, indicado neste semana para o Supremo Tribunal Federal, afirmou ,por meio de sua assessoria, que todas as citações do livro constam da bibliografia anexa à publicação.

 
Leia mais abaixo: 

Da Folha

Obra de Alexandre de Moraes tem trechos copiados de livro espanhol

Um livro de direito publicado pelo ministro licenciado da Justiça, Alexandre de Moraes, contém trechos idênticos aos de uma obra do jurista espanhol Francisco Rubio Llorente (1930-2016) que compila decisões do Tribunal Constitucional daquele país.

Moraes acaba de ser indicado pelo presidente Michel Temer para uma cadeira no STF (Supremo Tribunal Federal), na vaga do ministro Teori Zavascki, morto num desastre aéreo em janeiro.

Publicado originalmente em 1997 e já em sua 11ª edição, “Direitos Humanos Fundamentais” reproduz, sem o devido crédito e sem informar de que se trata de uma citação, passagens de “Derechos Fundamentales y Principios Constitucionales”, de Rubio Llorente, publicado em 1995 pela editora espanhola Ariel.

A obra espanhola é listada, entre dezenas de outras, na bibliografia do livro de Moraes.

Por meio de sua assessoria, o ministro disse que “todas as citações do livro constam da bibliografia anexa à publicação” (leia abaixo).

Os trechos reproduzidos por Moraes estão em passagens que tratam da dignidade humana e do princípio da igualdade.

AS DUAS OBRAS Trabalho de Alexandre de Moraes, indicado ao STF, tem trechos idênticos a livro de direito espanhol

Quem alertou para os trechos idênticos foi o professor Fernando Jayme, diretor da Faculdade de Direito da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), numa rede social.

Folha consultou a obra espanhola na biblioteca do Centro de Estudios Políticos y Constitucionales, em Madri, que Rubio Llorente dirigiu entre 1979 e 1980.

O volume reúne trechos de sentenças do Tribunal Constitucional espanhol para explicar artigos da Constituição do país. O magistrado foi vice-presidente daquela corte.

Uma decisão conjunta do tribunal, tomada em 1985 e recompilada no livro, discorre sobre a “dignidade”: “A dignidade é um valor espiritual e moral inerente à pessoa, que se manifesta singularmente na autodeterminação consciente e responsável da própria vida”, pronunciou-se o pleno, de que Rubio Llorente era parte. O trecho também aparece, sem crédito, no livro de Moraes.

Um dos principais juristas espanhóis, Rubio Llorente morreu em 2016, aos 85 anos. A reportagem não conseguiu contato com a família dele.

DIREITO AUTORAL

Para Fernando Jayme, o que houve “é sem dúvida alguma plágio”. “Ninguém pode assumir a autoria do texto alheio. Ao deixar de fazer a citação, parece que a ideia é dele, mas é de outro autor, do qual ele copiou literalmente”, afirmou à Folha.

Jayme diz que já viu, no Conselho Universitário da UFMG, o qual integra, “citações bem menos explícitas serem consideradas plágio”.

Sem conhecer o nome dos personagens em questão –tratando do caso de forma geral, a partir da descrição detalhada da situação–, especialistas na área consultados pela reportagem divergiram quanto à violação de direito autoral por parte de Moraes.

Para o advogado Daniel Campello, a cópia dos trechos configura “caso clássico de plágio acadêmico da pior qualidade, encontrado infelizmente em diversos trabalhos de conclusão de curso de graduação, mas bem raro quando se trata de uma tese de doutorado”.

Segundo Campello, os quatro requisitos examinados em acusações de plágio são preenchidos no caso: similitude entre os trechos; anterioridade da obra supostamente original; prova de acesso, ou seja, que o acusado teve contato com o texto que teria reproduzido; e comprovado dolo ou vantagem com a prática.

O advogado Caio Mariano diz que a questão é cheia de nuances, apontando a lei brasileira de direito autoral (9.610, de 1998). Em seu artigo 8º, a lei inclui decisões judiciais entre os textos que “não são objeto de proteção como direitos autorais”.

Já em seu artigo 46º, a lei de direito autoral diz que “não constitui ofensa aos direitos autorais a citação em livros (…) de passagens de qualquer obra, para fins de estudo, crítica ou polêmica, na medida justificada para o fim a atingir”, com uma ressalva: desde que “indicando-se o nome do autor e a origem da obra” –o que não é feito no caso de Moraes.

A ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) dá diretrizes para citações: se têm menos de três linhas, devem vir entre aspas; se têm mais de três, devem ser destacadas com recuo da margem esquerda do texto e com letra menor, sem as aspas; se incluir texto traduzido pelo autor, deve-se incluir, após a transcrição, a expressão “tradução nossa” entre parênteses etc.

“Em tese, não há problema em pegar trechos de decisões judiciais. Mas se alguém se faz passar por autor de obra que não é sua, isso poderia sim configurar plágio, pois ultrapassa o limite da citação”, observa Caio Mariano.

OUTRO LADO

Alexandre de Moraes afirmou, em nota, que “todas as citações do livro [de sua autoria] constam da bibliografia anexa à publicação”. Questionado, ele não comentou as particularidades do caso.

“O livro espanhol mencionado é expressamente citado na bibliografia”, respondeu, na nota enviada pela sua assessoria de comunicação.

Moraes observou ainda, na nota, que a sua obra “é um comentário acerca dos direitos humanos brasileiros, à luz da Constituição Brasileira”.

À espera de ser sabatinado pelo Senado -o que deve ocorrer até março-, Moraes está licenciado do cargo de ministro da Justiça. 

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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17 Comentários
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  1. Ivan de Union

    9 de fevereiro de 2017 12:45 pm

    (o primeiro nao consta como

    (o primeiro nao consta como plagio pois eh uma citacao de documento oficial do autor e nao de Moraes)

    1. Ludibriado

      9 de fevereiro de 2017 1:14 pm

      Valeu!!!

      1. Orlando Soares Varêda

        9 de fevereiro de 2017 5:37 pm

        Êita zorra! Pelo jeitão de

        Êita zorra! Pelo jeitão de intelectual, dá pra notar que se trata de um parrudo troglodita. O sujeito tem o perfil mais que ajustado para advogado de porta de cadeia, ou, para carcereiro de presídio brabo.

        No entanto, a sábia intuição do rufião, recém indicado para ocupar a cadeira surrupiada da Presidenta Dilma. Pois muito bem, o usurpador miShell temer, por razões desconhecidas, escolhe o “renomado constitucionalista,” provavelmente de merda , como ele próprio o é, justamente para ser premiado com uma das mais desejadas sinecuras dessa republiqueta dominada por marajás inescrupulosos. Mas, se errou no varejo, o traíra acertou em cheio no atacado.

        Só um povo retado, para dar um basta nesta enorme esculhambação tocada por canalhas tão abjetos.

        Orlando

  2. Manu Guitars

    9 de fevereiro de 2017 12:50 pm

    Nada de supreendente…..

    O espantoso seria tal brucutu ser um intelectual de “alto padrão”………..e se ele tiver duvidas o Gilmar explica…….varias vezes……muitas…..ate ele + ou – entender…

  3. maria rodrigues

    9 de fevereiro de 2017 12:52 pm

    Mexer com indicado ao STF

    Mexer com indicado ao STF justo agora não poderia dar noutra coisa: vai sobrar Hermenêutica. 

  4. Rui Ribeiro

    9 de fevereiro de 2017 1:05 pm

    A casa caiu mas o Mini$tro tem bagagem

    O Alexandre Moraes age como os latifundiários: colhe onde nunca semeou:

    “Os proprietários fundiários gostam, como todos os homens, de colher onde não semearam e exigem renda inclusive pelo produto natural da terra.” – Adam Smith

  5. Fábio de Oliveira Ribeiro

    9 de fevereiro de 2017 1:05 pm

    Nenhuma novidade.
    Alexandre

    Nenhuma novidade.

    Alexandre de Moraes se encaixa perfeitamente no perfil “cidadão de bem bandido”, síntese produzida pela civilização/barbárie brasileria: https://jornalggn.com.br/blog/fabio-de-oliveira-ribeiro/cidadaos-de-bem-bandidos-sintese-da-civilizacao-barbarie-produzida-no-brasil

    A julgar pela atual composição do STF (9 orcs e o troll Gilmar Mendes), Alexandre de Moraes estará entre iguais (o plágio prova satisfatoriamente que ele não é um elfo de Valfenda).

  6. Inforo

    9 de fevereiro de 2017 1:16 pm

    STF poderia abrir mais duas vagas

    Só faltam o Fernandinho Beira Mar e o Marcola.

  7. Rui Ribeiro

    9 de fevereiro de 2017 1:16 pm

    O Brasil é conhecido mundialmente por sua dançarinas

    O Brasil não é conhecido internacionalmente por seus juristas, mas por suas bailarinas. O Jatomorismo é a maior contribuição do Brasil para as Ciências Jurídicas Ocidentais.

    Que dia o nosso Mini$tro Jabuticaba Ctrl+T/Ctrl+V será sabatinado?

  8. Panthro

    9 de fevereiro de 2017 1:17 pm

    Mais uma prova de que todo

    Mais uma prova de que todo tucano é LADRÃO.

  9. CezarRl

    9 de fevereiro de 2017 1:21 pm

    Plágio é a regra dele.

    Há um boato, mais ou menos difundido no meio jurídico, notadamente entre os concurseiros, que o festejado livro de Direito Constitucional do Sr. Morares é fruto das anotações de aula monistrada por colega seu, no Curso Damásio de Jesus, preparatório para consursos públicos..

  10. Orlando Soares Varêda

    9 de fevereiro de 2017 1:27 pm

     
    Vá ter uma conduta ilibada,

     

    Vá ter uma conduta ilibada, lisa, de brilho sem jaça, e com tal teor de pureza alardeada, na casa da PQoP seu morais… que merda é essa de copiar ideias alheias e as publicar na surdina. Coisa feia!  Isso também pode ficar de graça? Ou, sua ilibada de araque vai pro brejo?

    O usurpador da República miShell temer, de fato, é de uma temeridade incrível. O gajo, ou é de uma burrice incomensurável, ou, de afoiteza e leviandade sem par na história da humanidade. O sujeito só atrai para junto de si, rebotalho de gente, aquilo que realmente não presta. Neste governo, ao que se vê, só escapa o rapaz do cafezinho. E olhe lá, hem!

    Orlando

  11. WG

    9 de fevereiro de 2017 1:29 pm

    Gilmar e os castelos de areia.

    A ética desse cidadão é a mesma do Gilmar “Dantas” : desmorona como “Castelos de Areia” . 

  12. Manoel Junior

    9 de fevereiro de 2017 1:30 pm

    Cara e corôa.

    Êle é a cara e a corôa do STF. O STF é uma farsa ,um engôdo , é o resumo da ópera da malandragem , travestida de honras e méritos. O Alexandre entrando no saguão do STF escancalha o que de há muito estava escondido. Mostra aos brasileiros como funciona os descaminhos que os leva a mais falsa das ribaltas. Parabéns Alexandre ,por nos mostrar o que há de mais imundo em Brasilia. Fico agradecido.

  13. Urariano Mota

    9 de fevereiro de 2017 1:37 pm

    Alexandre de Moraes tem ghost-writer por trás

    É mais grave. Pela qualidade da tradução, o caso é mais que  plágio. É uma falsa autoria, pois entre as qualidades do ex-ministro não se encontra o bom conhecimento da língua. Tudo indica: Alexandre de Moraes não foi o autor do livro plagiado. Uma reportagem investigativa deveria avançar para descobrir quem é o ghost-writer do ex-ministro.

    Pista: procurem  o autor entre os assessores de  Alexandre Moraes.

  14. romulus

    9 de fevereiro de 2017 2:34 pm

    Moraes no STF?? Eu digo “ótimo”, ora!


  15. Jofran Oliva

    9 de fevereiro de 2017 7:50 pm

    Plagiador também?!. . .

    Plagiador também?! O que falta mais falarem desse rapaz? Truculento. Péssimo administrador da crise dos presídios. Vazou notícias sobre operações sigilosas da Polícia Federal, no caso da prisão de Pallocci, só para se aparecer para alguns jornalistas. O currículo dele não é nada bom. Vai ser lamentável se for aprovado para uma cadeira no STF.

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