22 de junho de 2026

Multinacionais são denunciadas por obrigar funcionários a usar fraldas

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Jornal GGN – Nos Estados Unidos, a United Auto Works Union (UAW), sindciato dos trabalhadores da indústria automotiva, tem acusado a montadora japonesa Nissan de obrigar trabalhadores a usar fralda geriátrica para acabar com as pausas no banheiro, na fábrica de Canton, no Mississipi. No setor aviário, quatro empresas também foram denuncias por abusos ao trabalhador. De acordo com a Organização Oxfam América, a maior parte dos 250 mil funcionários do setor são forçados a usar fralda no ambiente de trabalho.

Outras empresas que foram alvos de denúncias similares são a rede de supermercado Wal Mart, na Tailândia, e a sul-coreana Lear, em sua fábrica em Honduras, na América Central. Leia mais abaixo:

Da Metal Revista

 
Parece história da época da Revolução Industrial na Inglaterra, mas não é. Para dar mais velocidade à linha produtiva, multinacionais de diferentes ramos obrigam seus funcionários a usar fralda geriátrica, proibindo-os de ir ao banheiro. Em pleno século XXI, casos como esses seguem se repetindo. 
 
A montadora japonesa Nissan vem sendo acusada pela United Auto Works Union (UAW), sindicato dos trabalhadores da cadeia automotiva e maior entidade sindical dos EUA, de obrigar funcionárias da fábrica situada no município de Canton, Mississipi, a usar fralda geriátrica.
 
Colaboradoras da fábrica relatam que foram orientadas pela chefia a usar fraldas, embora tenha havido resistência por parte delas. O motivo: acabar com pausas e interrupções com idas ao banheiro.

 
Em fevereiro desse ano, houve protestos no centro do Rio em frente à sede do Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos – Rio 2016 contra as condições de trabalho impostas pela Nissan nos EUA. A marca patrocina o evento esportivo.
 
Setor aviário
 
Quatro empresas gigantes do setor avícola também são alvo de denúncias por abuso ao trabalhador. São elas a multinacional Tyson Foods, a Pilgrim’s Pride, pertencente à brasileira JBS, a Perdue Farms e a Sanderson Farms. Juntas, elas controlam 60% do mercado de aves nos Estados Unidos.
 
Segundo a Organização Oxfam América, que denunciou o caso por meio de relatório publicado em maio desse ano, a imensa maioria dos 250 mil trabalhadores do setor nos EUA são forçados a usar fralda no ambiente de trabalho.
 
Foram centenas de entrevistas com funcionários da linha de produção das maiores empresas do processamento de aves. Trabalhadores que pedem para ir ao banheiro são ameaçados de demissão. Muitos, por evitar beber líquidos durante muito tempo, suportam dores consideráveis para manter seus empregos.
 
A Oxfam alega inadequação nas pausas no trabalho, o que viola as leis norte-americanas de segurança no trabalho. A organização, em seu relatório, ainda traz dados de 2013 da associação Southern Poverty Law Center do estado do Alabama sobre condições de trabalho.
 
Por lá, dos 266 trabalhadores que participaram da pesquisa, quase 80% não pode ir ao banheiro. Já no Minnesota, em material realizado pela Greater Minnesota Worker Center lançado em abril, ao norte dos EUA, 86% dos trabalhadores pesquisados afirma ter menos de duas paradas para ir ao banheiro por semana.
 
Walmart
 
A rede internacional de supermercados Wal Mart é outra a adotar a prática abusiva do uso de fraldas em empregados. Dessa vez foi na Tailândia, sudeste asiático.
 
O caso foi divulgado por pesquisadores no livro Riqueza e Miséria do Trabalho no Brasil, organizado pelo professor titular de Sociologia no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Ricardo Antunes.
 
Empresa sul-coreana
 
Em 2013, a multinacional sul-coreana Lear, fabricante de arnese (tipo de gancho usado para alpinismo), foi denunciada por impor a funcionários, principalmente mulheres, o uso de fraldas para não abandonar a posição com idas ao banheiro. O caso foi registrado em fábrica da empresa em Honduras, país da América Central, que contava com 4 mil empregados.
 
A denúncia foi feita por um dirigente sindical. Daniel Durón contou que só foi possível divulgar o caso após pressão de autoridades internacionais. Mesmo tendo repercussão no mundo todo, a Lear tentou resistir e impedir o acesso dos órgãos hondurenhos de fiscalização do trabalho.

 

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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15 Comentários
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  1. maria rodrigues

    6 de junho de 2016 11:59 am

    E com isso, alguma fábrica de

    E com isso, alguma fábrica de fraldas deve estar no lucro. 

  2. Jorge Luis

    6 de junho de 2016 12:11 pm

    E depois ainda vem gente

    E depois ainda vem gente dizer que a redução dos direitos trabalhistas vai “beneficiar” o trabalhador. Que vai gerar mais empregos, com salários maiores.

    “Nos Estados Unidos, o funcionário come o sanduíche com uma mão e opera a máquina com a outra.”

    Benjamin Steinbruch – Presidente da CSN e vice-presidente da FIESP

  3. André Oliveira

    6 de junho de 2016 12:35 pm

    Eles devem ser donos das
    Eles devem ser donos das fábricas de fraldas também, assim ganham nas duas pontas

  4. André Oliveira

    6 de junho de 2016 12:42 pm

    Isso vai muito além de uma
    Isso vai muito além de uma questão de direito trabalhista. É uma agressão a um direito fundamental de qualquer ser humano.

  5. Informado

    6 de junho de 2016 1:00 pm

    Aqui no Brasil o que mata o

    Aqui no Brasil o que mata o atendimento é a pausa para o cafezinho e para fumar.

    Mas numa linha de montagem, se um funcionário para a linha inteira para.

    Por isso em fábricas na China já se resolveu isso. Jornada de trabalho de 4 horas sem nenhuma pausa.

    Uma empresa, do ramo de confecção de roupas íntimas tentou fazer o mesmo no Brasil mas foi barrado pelo Ministério do trabalho.

  6. GalileoGalilei

    6 de junho de 2016 1:03 pm

    Lula, UAW e a Nissan

    [video:https://www.youtube.com/watch?v=MC72mFoUgsE align:center]

  7. vera lucia venturini

    6 de junho de 2016 1:20 pm

    Pro inferno com tanto

    Pro inferno com tanto desrespeito aos direitos dos trabalhadores. É a barbarie pura e simples. A classe operária foi ao paraíso do consumo e se descuidou da luta trabalho versus capital. Terá que refazer uma luta de reconhecimento de direitos que consumiu milhões de vidas e durou séculos.

  8. mello

    6 de junho de 2016 1:31 pm

    Ficam publicando eses horores

    Ficam publicando eses horores ! Vai que um ministro do “governo ” golpista lê isso e adota para integrar as CLT. Passa no congreso fácil. Tomem juizo !

  9. alvaro f

    6 de junho de 2016 1:43 pm

    Não! Não é crível.

    Deve ser mentira! Não é possível uma coisa dessas. Isso é um absurdo, isso ultrapassa qualquer limite de civilidade. Se verdade for, é melhor detonar todas as bombas atômicas do planeta e acabar com essa M…. de uma vez.

  10. sergioa

    6 de junho de 2016 2:25 pm

    Já pasou da hora
    Já passou da

    Já pasou da hora

    Já passou da hora dos trabalhadores se unirem e mandar as favas estas empresas.

    Boicote neles, para começar.

    Depois depositar as fraldas geriatricas devidamente cheias no hall das empresas.

    Depois paralisações: greves, operação padrão, operação tartaruga.

    Empresários por definiçao são MEG (Mesquinhos, Egoístas e Gananciosos).

    Só tem um jeito por para quebrar. 

    Se continuarmos calados e parados e sem solidariedade uns com os outros eles vão passar por cima

    de nós como um trator. Cada dia avançando mais e mais nos transformandos meros objetos para que uma cambada de parasita cada vez mais encha os bolsos de dinheiro. Para fazer o que não sei.

  11. Juliano Santos

    6 de junho de 2016 2:44 pm

    Caraca! Mais um item para a

    Caraca! Mais um item para a agenda de “redirecionamento” das leis trabalhistas do (des)governo interino Temer. Perguntinha: A fralda é para o número 1 e número 2?

    Para dizer a verdade, deveria ser engraçado, mas não é

     

  12. João de Paiva

    6 de junho de 2016 2:53 pm

    O PL 4330 e outros.

    Prezados leitores,

    Mesmo que os autores da matéria tenham ‘carregado nas tintas’,  o nível de exploração dos trabalhadores em fábricas, sobretudo em países asiáticos, é esse mesmo. Nos EUA também existe essa exploração, como demonstram as manifestações dos que trablahm em famosa rede de lanchonetes com sede nesse país.

    Em nosso País, durante a gestão de Eduardo Cunha, várias leis aprovadas na Câmara precarizam o trabalho, como ofamigerado PL-4330, que intitui a terceirização em qualquer atividade, inclusive naquela que é a principal de uma empresa. O governo golpista nem bem começou, extinguiu  Ministério da Previdência e Assistência Social. A CLT está ameaçada, pois o gverno golpista propõe que o ‘acordado’ prevaleça sobre o legislado. ANturalmente o PIG esconde a gravidade de tais medidas; para desespero nosso, nem os blogs progressistas têm dado o devido destaque a essas graves medidas tomadas pelo governo golpista e que afetam milhões de brasileiros trabalhadores, contribuintes ou  beneficiários da previdência social. O SUS está ameaçado. A Educação Pública também.

    Até a Lei que tipifica o crime por manter trabalhadores em regime análogo ao da escravidão está ameaçada por esse governo golpista. Ao mesmo tempo que temos esses ataques aos direitos dos trabalhadores e cidadãos perpetrados, temos a reinstituição do SNI (agora eufemìsticamente rebatizado de GSI), serviço de arapongagem contra movimentos sociais e partidos de Esquerda, visando reprimi-los. A dupla sérgio Etchegoyen, do recriado SNI, e do Alendre Nazimoraes, nomeado ministro da “justiça” pelo tridor-golpista-usurpador que hoje ocupa o Palácio do Planalto, evidenciam a gravidade da situação.

  13. Edivaldo Dias Oliveira

    6 de junho de 2016 2:59 pm

    Aposto! Mais uma idéia genial de Tio San

    Voltando ao início da Era industrial.
    Naquela época ainda não havia fralda descartável, mas operários e operárias eram acorrentados ao pé da máquina, como escravos aos troncos, pra produzir mais e por mais tempo, em média trabalhavam de 12 a 18 horas.
    Agora a modernidade chegou.

    É só colocar uma fralda geriátrica e dispensar o uso do banheiro.
    Idéias de Tio San, certamente.
    Eles são muito criativos nessas coisa.

  14. MAAR

    6 de junho de 2016 3:23 pm

    SELVAGERIA LIBERAL ESCRAVOCRATA

    Obrigar funcionários a usar fraldas geriátricas para suprimir interrupções nas linhas de produção é uma violência absurda tão grotesca quanto desumana. E esta selvageria liberal escravocrata constitui a evidência gritante da absoluta conivência criminosa da legislação trabalhista e do poder judiciário dos malsinados países onde tais fatos têm sido praticados e reiteradamente denunciados. O pior é que este é modelo que a direita brasileira almeja implantar no Brasil com o desmonte do estado social agora em marcha.

  15. resistente

    6 de junho de 2016 4:05 pm

    é a barbárie;;;
    tipo

    é a barbárie;;;

    tipo fascista-nazista…

    coisificação do ser humano na mais exrtremada subjetividade e, agora,  objetividade…

    alma e corpo devassados pelo capital….

    lembro, década de 70. brasil, firma alemã, o diretor geral com cao ferocíssimo assustava

    os funcionáfios pelo pátio, chamava a atenção para os usuários do banheiro,

    duvidava da honestidade dos funcionárfios, investigava, o diabo…

    hoje continua, mas apénas mais uma  empresa medíocre….

    há que resistir através do boicote, talvez…

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