23 de junho de 2026

Não foi o Nordeste, foi o Brasil!, por Ana Fonseca

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O noticiário dos principais veículos da grande imprensa brasileira sobre as eleições presidenciais tem uma narrativa clara: as eleições presidenciais de 2014 foram um mundo de baixarias e o Nordeste, tutelado pelo Bolsa Família, é o responsável pela reeleição de Dilma Rousseff. Conclusão, o Brasil está dividido como resultado de um processo eleitoral agressivo e nefasto, certo? Errado.

Não escrevo como nordestina e brasileira que sou e muitos sabem. Sou cearense, falo manso e minha peixeira é feita de argumentos. Escrevo por saber que toda narrativa é uma construção e um campo de disputa política. Não existe narrativa inocente. A narrativa vencedora se cristaliza e vira história.

Na noite do dia 26/10, em especial, os ânimos estavam exaltados.  Assisti brigas na rua e agressões verbais. Algumas vozes diziam: volta para o Nordeste e fica lá com o Bolsa-Família.  Outros retrucavam: eu vou é pra Minas, ganhamos na terra dele. O Nordeste é o atraso. Lá não falta água, imbecil. Vai chorar na Cantareira fio duma égua.  Vou ficar em São Paulo em missão civilizatória.

Foram muitos e variados os bate-bocas.

No entanto, reduzir estas eleições presidenciais à agressividade, desqualificar eleitores por sua localização geográfica, afirmar que é baixaria questionar o nepotismo, violência contra a mulher ou improbidades administrativas de candidatos é tentar fazer de conta que essas questões não são de interesse do eleitor. Carimbar esses “ataques” como algo de cunho pessoal em vez de político, sugere uma leitura inteiramente enviesada do processo real de disputa político eleitoral recém-concluído.

Nessa eleição foram discutidos temas incomuns como independência do Banco Central, reforma política associada à corrupção e financiamento público das campanhas. Houve debate sobre a criminalização da homofobia, modelos econômicos que incentivam o emprego e a renda, que combatem a inflação, retomam o crescimento econômico, política externa e seus diferentes alinhamentos, etc. As políticas sociais – Bolsa Família, Minha Casa, Minha Vida, Mais Médicos, Pronatec, Prouni, dentre outras – pautaram os debates com uma intensidade e frequência jamais vistas em outros pleitos.

Em suma, foi uma campanha com elevado nível de politização de temas de interesse nacional e da relação do Brasil com o mundo. Não pode ser reduzida à agressividade e ao suposto atraso do Nordeste.  Eram dois projetos em renhida disputa.

No 2º turno assistimos o engajamento de intelectuais e personalidades públicas para impedir que o projeto do adversário de Dilma Rousseff fosse vencedor. Os pronunciamentos, no TUCA, de Luiz Bresser Pereira, Roberto Amaral e do candidato ao governo de São Paulo pelo PSOL, a presença do Chico de Oliveira naquele teatro, as declarações do Chico Alencar, Jean Wyllys, a atuação discreta de Luiza Erundina e os depoimentos de tantos artistas revelam que a militância de esquerda, petista e outras, voltaram às ruas, promoveram debates e atuaram  intensamente nas redes sociais. A  alegria da juventude presente em inúmeros atividades desanca a ideia de que os jovens não se interessam por política e de quebra deram  um toque especial à disputa. Foi uma eleição mobilizadora. 

Sobre os números dessa eleição, pedi o apoio de Roberto Xavier, sociólogo por formação e vocação, que é um ás em bases de dados e em bem inquirir os números com suas boas perguntas.  Queria saber da participação do Sudeste (SE) nessa eleição, pois em relação aos eleitores e eleitoras do Nordeste (NE) está em curso uma narrativa para desqualificar os 20,2 milhões de votos obtidos pela candidatura Dilma Rousseff no segundo turno.

Mas a comparação com a votação da candidata do PT na região Sudeste (19,9 milhões de votos no 2º turno) revela um “empate técnico, na margem de erro”, para saudarmos o bom humor: apenas 300 mil votos de diferença para os eleitores dilmistas do Nordeste. A região (SE) contribuiu com 36,4% dos 54,5 milhões de votos que deram a reeleição à presidenta Dilma. Com destaque para o Estado de São Paulo (15,6%), Minas Gerais (11%) e Rio de Janeiro (8,2%). Já a região Sul participou com 12,4% dos votos (6,8 milhões).  Assim, as duas regiões (SE e SUL) participaram com 48,8% dos votos obtidos pela candidata no segundo turno.  

As regiões Centro-Oeste (3,3 milhões) e Norte (4,5 milhões) participaram com 6,0% e 8,2%, respectivamente. O percentual de participação das regiões Sudeste, Sul, Centro Oeste e Norte na composição final dos votos pela reeleição foi de 63,6%. Conclusão: a grande maioria dos votos totais recebidos pela candidata do PT vieram dessas regiões, não vieram do NE. O país não está dividido territorialmente, como faz crer o noticiário dos grandes veículos de imprensa.

Os votos dos brasileiros e brasileiras definiram um caminho para o Brasil para os próximos 4 anos. Foi uma disputa com um resultado apertado (inferior a 4%), mas não é razoável desmerece-la. Ao contrário, as lições das ruas e das urnas apontam para um amadurecimento da democracia brasileira, a consolidação de um patamar mais elevado da cidadania, eleitores mais críticos e ciosos de seus direitos, em ambos os lados.

À candidata reeleita fica posta a imperiosa necessidade de avançar e consolidar ainda melhores resultados.  

ANA FONSECA, 63, é pesquisadora do Núcleo de Estudos de Políticas Públicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), membro da Plataforma Politica Social. Foi Secretária Executiva do Programa Bolsa-Família (2003), Secretária Executiva do MDS (2004)  e Secretaria Extraordinária para a Superação da Extrema Pobreza (2011)

 

Lourdes Nassif

Redatora-chefe no GGN

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

32 Comentários
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  1. Zanchetta

    30 de outubro de 2014 9:36 am

    Boa Aloysio… vc me

    Boa Aloysio… vc me representa:

     

    [video:https://www.youtube.com/watch?v=mz6o_i5sQ0s%5D

    1. Ramalho12

      30 de outubro de 2014 11:27 am

      Truculento se fazendo de vítima

      Onde estava Aloysio, O Indignado, quando seus seguidores xingaram a Presidenta da República em estádio de futebol durante evento de repercussão mundial? Ou quando ofenderam Lula de crime sexual? Ou quando condenaram sem provas e desrespeitando direitos básicos dos acusados, desrespeito que ensejará a condenação do Brasil em cortes internacionais, acusados na AP 470? Onde estava Aloysio, O Indignado, quando quando Veja, assentada em calúnia contra Dilma e Lula, tentou interferir criminosamente nas eleições? Provavelmente, açulando seus seguidores e tentando tirar proveito das infâmias.

      Aloysio, O Indignado, é um mentiroso, covardão que ofende jornalista por saber-se protegido por seguranças. Faz lembrar Bezerra da Silva, nordestino, que canta (fiz pequenas modificações): “Você, atrás de um segurança é um bicho feroz, feroz/ sem ele, vive rebolando e até muda de voz”.

      O truculento se fazendo de vítima, acredite se quiser.

       

      Bicho Feroz

    2. Francy Lisboa

      30 de outubro de 2014 4:33 pm

      rsrs. Vcs perderam. Parece

      rsrs. Vcs perderam. Parece ateh o Eurico Mirando reclamando depois da eliminacao do Vasco rsrsrrs. Faz parte…o choro eh livre!

       

       

  2. Amaro Doce

    30 de outubro de 2014 9:42 am

    Paulo H. Amorim entrevista Fernando Haddad

    Excelente entrevista: http://www.youtube.com/watch?v=Bsx12aHZnlE

  3. Gerson Pompeu

    30 de outubro de 2014 9:46 am

    Pai e mãe.

    A ignorância é a mãe do preconceito.

     

    E o pai é cada um que a fecunda.

  4. azzisem

    30 de outubro de 2014 9:57 am

    A visão que está sendo
    A visão que está sendo propalada é distorcida, já que um estado com seu peso eleitoral, distorceu a eleição. Esse estado foi São Paulo.

    1. Marly

      30 de outubro de 2014 1:52 pm

      A arte do governador!

      O governo de S.Paulo, com sua incompetência, fornece aos paulistas a água do volume morto. Verdadeiro artista, pois ao fazê-lo, levou a escuridão às mentes do povo. Povo esse, que na sua grande maioria, não conseguiu vislumbrar a luz que os libertaria!   Lamentável! 

  5. Assis Ribeiro

    30 de outubro de 2014 10:02 am

    Dividir é tática de guerra conhecida

  6. Ramalho12

    30 de outubro de 2014 10:32 am

    Comentário do 247 a propósito

    Comentário do 247 a propósito da reprimenda do Hulk ao Demétrio. Acrescento à relação de nordestinos ilustres Vavá, Marinho (lateral) e, obviamente, Hulk.

    Henrique 29.10.2014 às 21:27

    O Brasil sem o Nordeste – – – Adonias Filho, Afrânio Peixoto, Alberto Nepomuceno, Alceu Valença, Alcione, Antonio Band eira, Anísio Teixeira, Ademilde Fonseca, Aderbal Freire Filho, Ariano Suassuna, Ascenso Ferreira, Assis Valente, Augusto dos Anjos, Aurélio Buarque de Hollanda, Austregésilo de Athayde, Barbosa Lima Sobrinho, Batatinha, Belchior, Bezerra da Silva, Câmara Cascudo, Capiba, Capinan, Capistrano de Abreu, Carlos Castello Branco, Carlos Marighela, Castro Alves, Catulo da Paixão Cearense, Celso Furtado, Chacrinha, Chico Anysio, Chico César, Chico Science, Cícero Dias, Claudionor Germano, Coelho Neto, Cussy de Almeida, Daniela Mercury, Daúde, Delmiro Gouveia, Dias Gomes, Djavan, Dom Helder Câmara, Dominguinhos, Dorival Caymmi, Elba Ramalho, Eleazar de Carvalho, Ellen de Lima, Elomar, Emanoel Araújo, Epitácio Pessoa, Evaldo Cabral de Mello, Evandro Lins e Silva, Evanildo Bechara, Ferreira Gullar, Fortuna, Francisco Brennand, Francisco Julião, Frei Caneca, Gal Costa, Genival Lacerda, Geraldo Azevedo, Geraldo Vandré, Gilberto Freyre, Gilberto Gil, Gilvan Samico, Giocondo Dias, Glauber Rocha, Gordurinha, Gonçalves Dias, Graça Aranha, Graciliano Ramos, Gregório de Matos, Guel Arraes, Helonieda Studart, Henrique Dias, Heraldo do Monte, Herbert Viana, Hermeto Paschoal, Hermilo Borba Filho, Humberto Teixeira, Ivete Sangalo, K-Ximbinho, Jacques Klein, J. Borges, Jackson do Pandeiro, Jararaca, João Cabral de Melo Netto, João Câmara, João do Vale, João Gilberto, João Ubaldo Ribeiro, Joaquim Cardozo, Joãosinho Trinta, Joel Silveira, Jorge Amado, Jorge de Lima, José Américo de Almeida, José Condé, José de Alencar, José Dumont, José Ermírio de Moraes, José Lins do Rego, José Wilker, Josué de Castro, Josué Montello, Lázaro Ramos, Lêdo Ivo, Lula, Luís Americano, Luís Viana Filho, Luiza Erundina, Luiz Bandeira, Luiz Carlos Barreto, Luiz Gonzaga, Luperce Miranda, Manezinho Araújo, Mano Décio da Viola, Manuel Bandeira, Marco Nanini, Maria Bethânia, Mário Cravo Neto, Marlos Nobre, Mestre Vitalino, Miguel Arraes, Moacir Santos, Naná Vasconcelos, Nelson Ferreira, Nelson Rodrigues, Nise da Silveira, Odylo Costa, Patativa do Assaré, Paulo Freire, Pedro Américo, Rachel de Queiroz, Raul Seixas, Riachão, Rildo Hora, Rui Barbosa, Santa Rosa, Severino Araújo, Sílvio Romero, Sivuca, Solano Trindade, Sousândrade, Tobias Barreto, Torquato Neto, Turíbio Santos, Waldick Soriano, Wally Salomão, Walter Santos, Walter Wanderley, Zagalo, Zé Dantas, Zé da Velha, Zé do Norte, Zé Ramalho, Zé Trindade. – – – – – – – – Todos nordestinos. Dá para imaginar o Brasil sem eles? Obrigado e meu abraço de um cidadão brasileiro ao BRAVO POVO NORDESTINO. Precisamos muito de vocês.

  7. alvaro marins

    30 de outubro de 2014 10:35 am

    Isso tudo que os colunistas

    Isso tudo que os colunistas amestrados andam dizendo pela mídia é para esconder o fato de que o PSDB não podia apresentar de peito aberto o seu programa de governo: redução do estado para cortar os investimentos nas áreas sociais; aumento do desemprego e dos juros para diminuir a inflação e beneficiar os rentistas; reduzir a participação dos investimentos públicos para beneficiar as grandes empresas; desestimular a indústria nacional para beneficiar as multinacionais; privatizar a Petrobrás e os bancos públicos para beneficiar os bancos e petroleiras internacionais; e aderir à ALCA para beneficiar as empresas estadunidenses nas compras governamentais. O problemas é que, apesar da mídia tentar escondê-lo, a maioria dos eleitores já o conhecia ou tomou conhecimento dele, e o rejeitou nos urnas. O resto, como diria o poeta, “é o luar de Paquetá”.

  8. Ramalho12

    30 de outubro de 2014 10:40 am

    Bovinos

    Hoje, a escola forma analfabetos políticos funcionais, gente que decodifica o discurso político mas que não consegue interpretá-lo. Ironicamente, é precisamente essa a gente que tem o comportamento bovino atribuído por Mainardi aos eleitores de Dilma, os nordestinos em particular. Essa gente, os analfabetos políticos funcionais, é capaz de ler o que Mainardi, por exemplo, escreve, mas incapaz de interpretar criticamente o que ele diz. São os seguidores de Mainardi os que têm comportamento bovino e do qual Mainardi se aproveita para viver (dizem que bem)

    Analfabetos políticos funcionais confundem posicionamento político com torcida. Escolhem um partido político com base em preconceito, ouvir dizer, medos e motivações inconscientes e torcem, torcem, torcem cegamente como o faz torcedor de time de futebol. Os xingamentos de que Dilma foi vítima em campo de futebol são emblemáticos por isso, afinal, Dilma é do outro time. Igualmente a votação retumbante concedida a Alckmin em São Paulo, não obstante a crise hídrica sem precedentes por que passa o estado; as denúncias abafadas de corrupção no governo paulista que espocaram na Suíça(!); as enchentes crônicas em Sampa, jamais solucionadas; a poluição vergonhosa dos rios do estado. O torcedor paulista, mesmo assim, reelegeu Alckmin com votação espetacular pois Alckmin é do time. Os analfabetos políticos funcionais paulistas seguiram bovinamente (crédito a Diogo Mainardi) os mandamentos de Veja, Folha, Estadão e, até, do Globo, que é do Rio, e votaram contra os próprios interesses (Alckmin deve estar gargalhando). Torcedor bovino torce pelo time em qualquer circunstância, é  “fiel”, como a torcida do Corinthians, mesmo que isto implique em ficar contra si próprio.

  9. Valdir K

    30 de outubro de 2014 10:50 am

    A distorção realmente veio de São Paulo…

    Concordo com AZZISEM, pois só São Paulo deu 15 milhões de votos a Aécio e 8 milhões à Dilma.  Observem que se tivessem dado 17 milhões à Aécio e 6 milhões à Dilma, mudariam totalmente o resultado da eleição.  Aí sim teríamos consolidada uma distorção na eleição, onde o maior colégio eleitoral do Brasil decidiria, sozinho, quem deveria ser o novo Presidente.

    Sob outra ótica, analisando as 5 regiões, percebo que a única região que fez sua escolha foi o Nordeste (escolheu claramente Dilma).  Vejam o Sul, Sudeste, Centro-oeste e Norte.  Nenhum destes estados decidiu claramente quem queria que fosse o Presidente.  Sudeste e Sul tinham 62 milhões de votos (58,7%), mas nenhum dos dois decidiu, com clareza, por Dilma ou Aécio, visto que nenhum deles atingiu sequer os 60% de votos para Aécio.  Isto demonstrou claramente que, apesar da expressiva votação de Aécio, Dilma teve significativa aprovação nessas regiões.  Não se trata apenas de Bolsa Família, como tantos inssistem em afirmar, os governos de Lula e Dilma investiram massisamente no Nordeste para compensar dezenas de anos de descaso com essa região.  Quem conhece o povo daqui sabe como o Nordestino é trabalhador (pau pra toda obra).  É um povo criativo e calejado que, além de grande capacidade de se adaptar às mudanças do mundo globalizado, é persistente e resiliente (não desiste nunca).  Quando digo isso, é com conhecimento de causa que afirmo.  Apesar de ter nascido em Santa Catarina, vivo aqui à 17 anos e vi, de perto, como o nordeste está mudando.  O Nordeste votou em Dilma pois não podia e não devia trocar algo Concreto por promessas de campanha de quem nunca investiu um tostão por aqui.  Creio que o Sul ou o Sudeste não fariam diferente de nós.

  10. Henrique Finco

    30 de outubro de 2014 11:00 am

    Quem elegeu

    De fato, quem elegeu Dilma foi o Brasil. Mas, verdade seja dita, quem elegeu o Collor (mais 70% dos votos) foi São Paulo, assim como Maluf, Ademar de Barros (“roubo mas faço”), Tiririca….

  11. Emma

    30 de outubro de 2014 11:03 am

    EU TAMBÉM!

    Ana,

    Está se cristalizando que “apenas” o Nordeste elegeu Dilma. Se o fosse, continuaria legítimo. Mas não foi, como você bem demonstrou em números. Sou sulista e votei  convictamente na Dilma, por exemplo. Assisti a um desabafo indignado do jornalista Guga Chacra , no “Em Pauta” da GloboNews (!!!!!!!) sobre as manifestações preconceituosas contra os nordestinos após o resultado das eleições. Notou-se que não foi “da boca pra fora”. Ele espumou de ira e falou sobre a vergonha que sentiu dos conterrâneos paulistas. Tive total empatia por  ele. Pena que os demais colegas de programa fizeram “cara de paisagem” quando ele explodiu. Não devemos “deixar barato” essa tentativa de desmoralização do nosso voto, seja do Nordeste ou de qualquer outra região do país. Opositores:cresçam e aceitem a derrota com dignidade!

     

     

     

  12. Emma

    30 de outubro de 2014 11:11 am

    ???????

    Alguém me explica o que é “rede social petista” ???

     

     

  13. maria rodrigues

    30 de outubro de 2014 11:14 am

    Zanchetta, eu vi o discurso

    Zanchetta, eu vi o discurso de Aloysio Nunes no Senado. Subiu  a tribuna claudicando, com as mãos trêmula, vozembargada, o, pra variar, como coração cheio de ódios e ressentimentos. Tudo por ter lido nas redes acusações medonhas sobre ele, e que coloca tudo na Rede Social Petista. 

    Ontem foi a vez de Inácio Arruda. Este fez um discurso pra ninguém botar defeito. Queria saber se o comentarista poderia trazê-lo para este blog, pois não saberia fazê-lo. 

    1. Ramalho12

      30 de outubro de 2014 12:12 pm

      Discurso do Inácio Arruda

      Querida, é este o discurso? Abraço.

      1. Marly

        30 de outubro de 2014 2:39 pm

        Obrigada, Ramalho!


        Maravilhoso! Como é gratificante, reconhecermos o caráter de alguns políticos!  Falou com a lucidez nas palavras, e no olhar, a singeleza dos justos! Amei! Quanta diferença! Como é bom podermos, com muito orgulho, elogiar esse nobre Senador!  Esse vídeo deveria ser visto por todos os brasileiros, principalmente pela maioria de nossos irmãos paulistas, que permitiram que lhe pusessem uma venda nos olhos! Muito bom, Ramalho!

    2. Marly

      30 de outubro de 2014 1:28 pm

      O ensandecido…

      Discurso alucinado de quem mente. Quem denunciou os “predicados” de Aécio, não foram os petistas. Os próprios amigos de Aécio, o fizeram através da Folha de S. Paulo. Também foi através de jornal, que soubemos da agressão à namorada. Quanto à vida desregrada de boèmio no Rio, há anos que há comentários a respeito.O famoso caso do bafômetro, saiu nos jornais e foi notiiciado nas rádios, na época. E o próprio Aloysio Nunes, é uma criatura abominável, pois com palavrões, agrediu o blogueiro que o entrevistava. E que ele, Aloysio saiba, que se não fosse a ajuda da mídia, durante anos, culminando com a criminosa reportagem da Veja a dois dias da eleição, e a não menos criminosa atitude do seu partido em fazer cópias da capa imunda e, distribuir por várias cidades, a votação em Dilma seria muitíssimo maior. Saber perder, senhor Senador, é honroso e dá-nos a oportunidade de conhecer os homens DÍGNOS de nosso país!!!!!  

  14. EduardoR

    30 de outubro de 2014 11:57 am

    Números, números, números…

    Números: a gente pode fazer (quase) tudo o que quiser com eles. 

    Já que a direitona está usando os % de votos por região e estados pra tentar desqualificar a sua derrota, eu preifro ver a votação por estados desta maneira:

    Aécio ganhou em 12 estados. NENHUM com votação maior ou igual que o dorbo dos votos em Dilma

    Dilma ganhou em 15 estados, SETE com votação maior que o dobro dos votos em Aécio.

  15. Oliveira.com

    30 de outubro de 2014 11:59 am

    Mas isso é típico da classe

    Mas isso é típico da classe media. Não  ler, quando muito ler manchetes,  emprenha pelos ouvidos e fica repetindo idiotices.

  16. Roberto Xavier

    30 de outubro de 2014 12:01 pm

    Resultados do 2º turno

    Concordando até com as virgulas do texto de Ana Fonseca gostaria de acrescentar apenas um ponto que se refere ao modelo do Sistema Eleitoral.

    Tenho visto muita gente dizendo que este ou aquele Estado/Região reelegeu a Presidente Dilma. Em geral, eleitores do PSDB. 

    Acho que a paixão platônica desses eleitores pelo “american way of life” não os deixou perceber algo muito simples: o sistema eleitoral brasileiro não é igual ao americano, felizmente.

    Vi a mídia, tanto eletrônica quanto impressa, repetir incansavelmente um mapa do Brasil colorido em azul e vermelho mostrando em quais Estados a vitória foi de Dilma Rousseff e quais foi de Aécio Neves como se utilizássemos o deplorável sistema americano de eleições indiretas.

    Naquele sistema o candidato que vence as eleições diretas, que eles chamam de Primárias, em um determinado Estado dá direito ao seu Partido a indicar todos os Delegados (sim, TODOS os Delegados e não apenas a proporção correspondente ao seus votos) que representarão a aquela Unidade Federativa no Colégio Eleitoral, onde não necessariamente se repetirá a vontade da maioria dos eleitores, aliás isso já ocorreu três vezes. Em 1876, 1888 e no caso mais recente em 2000 o mais divulgado e emblemático quando Al Gore teve a preferência da maioria dos eleitores, mas perdeu a eleição junto aos Delgados.

    No sistema eleitoral brasileiro, a eleição do Presidente se dá por voto direto, ou seja não faz a menor diferença a vitória nos Estados. Sejam eles do Sul ou do Norte. 

    No nosso sistema todos os votos são iguais, sejam de homens ou mulheres, brancos ou pretos, nordestinos ou sulistas, ricos ou pobres. Não importa a qualificação do eleitor, seu voto é igual ao voto de todos os demais eleitores.

    Portanto, para o bem ou para o mal, a reeleição de Dilma Rousseff é responsabilidade de todos os brasileiros que nela votaram, inclusive deste paulista que escreve. E também é responsabilidade dos mais de 50 milhões de eleitores de Aécio Neves. 

    Isso mesmo, se você que está lendo este texto votou contra o PT, cancelou ou anulou seu voto, você legitimou o processo e consequentemente seu resultado. 

    Se alguém pode dizer que não tem responsabilidade sobre o resultado são os cerca de 30 milhões que se abstiveram, mas esses não deverão reclamar de nada porque sua abstenção, ou seja, seu manifesto desejo de não participar da escolha, não deveria lhe dar o direito de se manifestar sobre o pleito, mas aí já é cobrar uma coerência que poucos tem.

    E vamos parar com esse papo que já deu. Como bem disse a Ana Fonseca: não foi o Nordeste, foi o Brasil

    Completamente sem respaldo nos fatos e nos numeros esta tenatriva de desqualificar os votos de Dilma.

  17. JB Costa

    30 de outubro de 2014 12:22 pm

    Acho que o Brasil está

    Acho que o Brasil está dividido, sim: de um lado uma minoria acéfala, ignorante, preconceituosa, abestada até dizer chega; de outro, uma maioria que trabalha, ama seu país e que admira, como é o caso desse “cabeça-chata”, todas as diferenças – físicas e antropológicas – entre estados e regiões. 

    Nossa riqueza é termos unidade no que é preciso e necessário: língua, miscigenação, religiosidade e misticismo, aversão à radicalidades, amor à família e ao futebol, ao tempo em que preservamos diferenças que no fazem também compromissados e ligados ao “local”, aos mais próximos e preservamos valores e costumes que se assentaram ao longo da história. 

    Lembro que quem primeiro colocou essa bobagem de divisão foi “ela” (sempre “ela”) após a eleição de 2006 entre Alckmin e Lula. “Ela”, a indigitada VEJA. 

     

    1. Zanchetta

      30 de outubro de 2014 12:55 pm

      Vem com historinha em cima do

      Vem com historinha em cima do último pronunciamento do Lula…

      Veja como ele pensava…

       

      [video:https://www.youtube.com/watch?v=NrO7BMky41I%5D

  18. Avelino de Oliveira

    30 de outubro de 2014 12:56 pm

    Caro Nassif e demais
    Acabei

    Caro Nassif e demais

    Acabei de ler em um comentário;

    “Os tucanos até parecem gente, mas quando abrem a boca, meusdeuses, haja bobagem, preconceito, ódio e deformação de notícias.” 

    Saudações

  19. Henrique O

    30 de outubro de 2014 1:15 pm

    Votos de SP: Não se pode esconder um elefante debaixo do tapete

    Todas as análises estão tentando esconder a votação de São Paulo, diluindo o resultado na região Sudeste, ou junto

    com a região sul.

    Está na hora de São Paulo asssumir em quem votou para Presidente nestas eleições, e demonstrou com força sua

    vontade conservadora.

    Será que não viram ainda que não dá para esconder um elefante de votos debaixo de um tapete?

    Estão tentando esconder o resultado do maior colégio elitoral do país, cujo o número de votos é igual aos votos do

    nordeste, menos o colégio elitoral do Ceará.

    No estado paulista pra presidente Aécio/PSDB obteve 15.296.289 (quinze milhões de votos, duzentose noventa e seis

    mil e duzentos e oitenta e nove votos) (64,31%) e Dilma Rousseff (PT) 8.488.383 (oito milhões, quatrocentos e oitenta e

    oito mil, trezentos e oitenta e tres) sufrágios(35,59%). Diferença pró candidato da direita (PSDB) 6.807906 votos.

    No estado de Santa Catarina o resultado proporcionalmente foi quase igual. Até no Paraná Dilma teve melhor votação

    proporcionalmente que São Paulo. No Rio Grande do Sul a diferença foi de 455 mil votos a favor do candidato tucano.

    Por que todas as tendências políticas querem esconder a votação querem esconder o resultado de São Paulo.

    A única explicação é que os que escrevem sobre o tema devem julgar que o voto de São Paulo é mais esclarecido,

    é um voto de grife, é o voto da locomotiva, é o voto de um estado rico.

    Uma ova em Sào Paulo é a sede da TFP. Opus Dei, Veja, Estadão, Folha.

    Agora querer  esconder a votação de São Paulo usando a votação do Rio de Janeiro e Minas Gerais, aí passou dos

    limites.

    É a mesma coisa que fazer  a média entre duas pessoas uma comeu duas galinhas e a outra nenhuma e dizer que a

    média cada uma comeu uma galinha.

    O estado de São Paulo, elegeu Adhemar de Barros, Jânio Quadros, Fernando Collor, Cardoso, Malluf, Pita.  Agora

    quiz eleger Aécio.

    Em 1989 no primeiro turno Leonel Brizola obteve 1,51 % por cento dos votos em São Paulo e fez 15,45%.

     

  20. Henrique O

    30 de outubro de 2014 1:40 pm

    No primeiro turno 1989, São Paulo: Brizola 1,51% e Ulysses 1,98%

    Eleição para Presidente Primeiro Turno 1989./
    São Paulo/
    /Candidato-Partido-Votos- Participação/
    Fernando Collor,PRN,4.080.754/24,39%/
    Mário Covas,PSDB,3.801.106/22,72%/
    Luís I. Lula da Silva,PT,2.920.569/17,46%/
    Leonel Brizola,PDT,252.484/1,51%/
    Paulo Maluf PDS,3.931.42/,23,50%/
    Guilherme Afif,PL,807.40/4,83%/
    Ulysses Guimarães,PMDB,330.802/1,98%/
    Roberto Freire,PCB,140.480/0,84%/
    Aureliano Chaves,PFL,69.243/0,41%/
    Outros quatorze candidatos,394.948/2,36%/
    /Total válidos16.729.209/

    /Votos Brasil:/
    /Collor: 28,52%/
    /Lula:  16,08%/
    /Brizola: 15,45%/
    /Covas: 10,78%/
    /Maluf:8,28%/
    /Afif: 4,53%/

  21. altamiro

    30 de outubro de 2014 1:47 pm

    exclente post. mas acho

    exclente post. mas acho que

    tá faltando um posto analisando o que a

    dilma perdeu de votos por casusa do golpe midiático.

  22. Alexandre Tambelli

    30 de outubro de 2014 2:45 pm

    Uma conversa franca com parte dos eleitores de Aécio

    Muitos de nós fez uma pausa no Blog e se embrenhou de corpo e alma na campanha via Rede Social e nas ruas. 

    A sensação pós vitória da Presidenta Dilma acabou nos mostrando uma parte do eleitorado do Aécio descontrolados, desrespeitosos com a vitória e os eleitores de Dilma, e, juntando a isto, parece que ficaram sem noção dos limites da Democracia. 

    Escrevi, ontem este texto, vou compartilhar aqui. Falo da campanha e do pós-eleição. 

     

    UMA CONVERSA FRANCA COM PARTE DOS ELEITORES DE AÉCIO.

    Terminada a Eleição e a vitória da Presidenta Dilma, reeleita, assistimos a um festival de ódio e intolerância, feito por parcelas do eleitorado de Aécio e jorrado nas timelines do Facebook e Twitter pregando a separação do Brasil do Nordeste (e Dilma teve mais votos no Sudeste que no Nordeste) porque os moradores de lá sobrevivem de “esmolas do Governo”; outros dizendo que vão embora para Miami porque são ricos; outros dizendo que quem vota em Dilma é ignorante, que corrobora com bandalheira e corrupção, citadas como desenfreada (segundo qual parâmetro?); que apoia governos ditadores; que está dando espaços para a implementação do comunismo no país; para o fortalecimento do bolivarianismo; para a cubanização de nossa pátria; que está apoiando o aumento do ócio de muitos brasileiros via Bolsa Família, até torcida para que o Ebola dizime os nordestinos, e ouvi na rua esta pérola: “se São Paulo se separar do Brasil o resto de nosso País morreria de fome”, etc.

    Toda uma xenofobia contra os pobres, os nordestinos, os “supostamente” não escolados-estudados se concentrou em diversas timelines aecistas. Pedidos de impeachment da Presidenta reeleita, imagens, nada democráticas da Presidenta Dilma, etc.

    A quantidade de ódio e a ausência de qualquer limite para mostrarem o sentimento, que é justo ter, da derrota de Aécio ficaram em evidência. Tudo concentrado em 24, 48 horas seguidas de verdadeira barbárie coletiva. Sem nenhum limite para a razão e para o respeito ao eleitor de Dilma, para com quem venceu no voto, o que numa Democracia é saudável e condição essencial de sua existência. Democracia que se renova a cada Eleição.

    Toda uma coleção de imagens, notícias, comentários, vídeos feitos e divulgados com “sangue nos olhos”, com raiva e histeria coletiva. Sem nenhuma capacidade de exalar Amor, de respeitar o próximo, de valorizar a Democracia, de refletir sobre os acontecimentos dados, de compreender que a vitória e a derrota fazem parte do jogo da Democracia.

    Tornou-se o Facebook uma realidade que me assusta. Um descaso para com o humanismo e a solidariedade, elementos bonitos, que não se deixam aflorar, mas apenas se deixaram levar ao extremo e sem nenhum freio os maus modos, a desinteligência e a deseducação. E sem nenhum valor às amizades, aos parentes, e aos amigos que cultivamos na estrada da vida.

    O que anda faltando é um tanto mais de reflexão, de lucidez, penso eu.

    Fico imaginando essas postagens todas e vou refletindo algumas coisas:

    1) Como dizer que se quer implementar o Comunismo no Brasil se o que mais se destaca no Brasil são os lucros astronômicos dos Bancos privados Itaú e Bradesco? Se o que mais se vê são multinacionais enviarem seus lucros obtidos no Brasil para suas sedes nos EUA, Japão, Coréia, Europa, etc.? Desde quando no comunismo existem meios de produção privatizados? Bancos privados? E todo mundo aqui já teve aula de Geografia e História, certo?

    2) Como se pode falar em “ditadura” no Brasil com as capas de revistas falando o que querem da “suposta” ditadora Dilma? Que liberdade é esta? Numa ditadura ninguém fala mal do ditador, estaria esta pessoa presa e torturada, sendo muito bonzinho aqui.

    3) Como se pode acreditar que alguém não vá mais querer trabalhar recebendo 70 reais/mês do Bolsa Família? E as estatísticas sobre o Bolsa família são claras, mais gente em idade de trabalhar que recebem Bolsa Família trabalham do que pessoas que não recebem o benefício.

    4) Como se pode deduzir ser corrupta a Presidenta da República, a pessoa que deu autonomia para as investigações da Polícia federal e que redundaram na Operação Lava-jato, operação que descobriu a existência de um esquema de propina na Estatal Petrobrás? Alguém, com culpa no cartório iria dar autonomia para a Polícia Federal investigar o seu próprio Governo com a possibilidade de ir parar detrás das grades? Refletir antes de divulgar as coisas faz bem.

    E, raciocinemos, os dois delatores da moda (e suas delações premiadas) são pessoas desesperadas a procura de diminuição de suas penas, que podem ultrapassar os 50 anos. Eles para se ganhar uma Eleição viram pessoas confiáveis e profundamente verdadeiras?

    As delações estão sendo realizadas em segredo de Justiça, mas se sabe, supostamente, o conteúdo delas, o que seria um crime, pois, não se poderia saber o que está em segredo de Justiça, certo? E o pior, sem se investigar se nas falas dos delatores existem fatos verdadeiros, sem provas reais, só a fala de dois “bandidos” confirmadas por “sujeitos fantasmas e sem nome” numa reportagem qualquer já servem para se estufar o peito e dizer: “Dilma e Lula sabiam de tudo”, Impeachment da Presidenta já? Em que mundo estamos?

    Existe cabimento em fazer uma acusação grave destas sem nenhuma prova, sem investigação conclusiva do Judiciário, sem o cuidado de não atingir a imagem de pessoas, da Presidenta Dilma, que sabemos é uma pessoa honesta e que tem dado todas as ferramentas para o combate à corrupção no Brasil? E tudo milimetrado em período eleitoral?

    Qual o senso de Justiça a ser buscado? Alguém gostaria de ser acusado de roubar, de ser conivente com alguma corrupção sem ter provas de que é corrupto, só para fins eleitorais? Vamos sair acusando pessoas sem provas reais, sem a Justiça julgar e punir, se for o caso?

    É inimigo vale tudo? É aliado só depois do julgamento se pode acusar de algo?

    Etc.

    De onde vem toda essa ausência de reflexão, todo esse ódio contra as diferenças, toda essa falta de solidariedade com os mais pobres? O que anda lendo, ouvindo, assistindo, compartilhando, parte do eleitorado de Aécio?

    Ele acredita que pode sair falando o que quiser sem nenhum respeito ao diferente? Sem respeito ao que votou na candidatura Dilma? Sem respeito à figura institucional da Presidenta da República, cargo máximo da nossa República Federativa do Brasil?

    Assim se faz, porque só enxergam (ou são levados a enxergar) o mundo de maneira unidirecional, penso eu. E não se preparou para a diversidade de opiniões, nem para ouvir outros lados, além dos que são seus companheiros diários na busca por informação (estes, sujeitos inquestionáveis no quesito informar). E não parou para refletir que há limites e Leis, que podem seus atos ser passíveis de um Processo e até de condenação e de terminar indo para a cadeia.

    E, é tão fechado este mundo de parte do eleitorado de Aécio, que fatos documentados tornam-se mentiras se forem fatos que digam respeito ao seu candidato, dizê-los é mentir. (Claro que a própria marquetagem da campanha incentivou a essa opinião). E os fatos reais, que existiram nesta campanha, incidem sobre a candidatura Aécio, e a construção de aeroporto com dinheiro público em terras da família, com uso particular; a recusa ao teste do bafômetro e a carteira de habilitação vencida; a rádio recebida de presente por Sarney em seu Governo nos anos 80; o presente dado pelo Tio de Diretor de Loterias da Caixa Econômica Federal aos 25 anos; a carteira de Policial ganha do outro Tio, mais famoso: o Tancredo Neves, sem prestar concurso e sem estudar na Academia de Polícia; o repasse menor da verba para Saúde e Educação do que o previsto na Constituição; a nomeação do pai para um conselho da Cemig, Estatal Mineira do ramo de energia elétrica, etc.

    Alguma dessas informações acima são mentiras?

    Estes foram os fatos que coloquei na minha timeline durante a campanha.

    Encontramos as informações em sites oficiais do Governo, em confirmação do Legislativo, em reportagem documentada por toda Imprensa e com imagens reais, como é o caso do teste de bafômetro, e em fatos visíveis a olho nu, como é o aeroporto de Cláudio.

    Todos os fatos verdadeiros. Nenhuma irresponsabilidade minha, nem invenção para favorecer a minha candidata. Esta foi a minha Ética. Coloquei estas informações, que considerei justas, aliada da discussão de propostas e programas, do modelo de economia e visão do papel das relações internacionais do Brasil defendida pela minha candidata. Não transpirei ódio, busquei foi o diálogo de ideias.

    Senti o mesmo dos amigos dilmistas que tenho mais contato, eles, também, se valeram destas premissas, acima de tudo. E estavam prontos para o diálogo de ideias. Nós fizemos uma campanha pró-Dilma e não contra Aécio. Prontos estivemos para dizer por que do voto em Dilma, com lucidez e argumentos baseado nas propostas e programas da candidata e nos seus feitos no Governo Federal.

    E digo algumas palavras mais para finalizar:

    Ao sair desse mundo fechado, abrindo-se para o contraditório, boa parte do eleitorado do Aécio se tornará mais leve e mais crítico, respeitoso e consciente dos atos praticados, acredito eu. Capaz de ouvir além do mundo fechado que proporciona a si mesmo.

    Desculpa pela sinceridade, mas existem pensamentos belíssimos, pessoas brilhantes e falando verdades para além do costumeiro mundo de só ouvir quem nos diz tudo aquilo que queremos ouvir. E que nos condiciona a crer numa verdade única e irrefutável. E muitas das vezes egoísta.

    Eu juro que me assustei com o que vi pós-reeleição da Presidenta Dilma.

    Tomara que da próxima vez, em 2016, tenhamos outra postura, outro comportamento vindo de parte dos eleitores de Aécio. E eleitores que saibam por que votam no candidato que escolheram, sem fazer da Eleição o processo do anti-PT (num vale tudo sem fim) e sim, o inverso, uma campanha pró-candidato escolhido. Uma campanha baseada nas propostas do seu candidato, defendendo-as.

    Quando Alckmin venceu para Governador no primeiro turno eu respeitei a decisão popular, fiz até um questionamento plausível de que quem gerou o problema da ÁGUA em São Paulo foi o escalado para resolvê-lo. E fiz de maneira educada, sem xingamentos, sem ódio e civilizadamente. Argumentei com honestidade e democraticamente.

    Cabe ao democrata saber ganhar e saber perder. É valioso o cidadão exercer o seu direito de externar um descontentamento pela derrota, porém, a civilidade e o respeito ao próximo não podem ser esquecidos jamais. E não se deve pautar o cotidiano de nossas vidas pelo ódio.

    Eu fico no aguardo de dias melhores e de uma nova civilidade entre as diferentes formas de enxergar a realidade. Diálogo se faz com respeito, sabedoria e argumentos. E vitórias devem ser construídas com honestidade, responsabilidade, reflexão dos atos e Amor no coração.

    Sem AMOR no coração não se construirá um Brasil e um Mundo melhor!

    Alexandre!

    1. alvaro marins

      30 de outubro de 2014 3:04 pm

      Tudo isso com o beneplácito e

      Tudo isso com o beneplácito e o incentivo da mídia, o que torna tudo mais grave.

  23. Fabio Nogueira

    30 de outubro de 2014 4:04 pm

    Questão-pegadinha do próximo
    Questão-pegadinha do próximo ENEM: “É um lugar quente, seco, onde as pessoas mal têm água para beber e onde os coronéis recebem muitos votos”.

  24. Bruno GH

    30 de outubro de 2014 5:54 pm

    Confusão

    Mais um post esclarecedor sobre os resultados das eleições.

    Parabéns à Ana e ao sr. Roberto Xavier.

    O que não aceito é chamar todos os eleitores que não foram PT de reacionários e preconceituosos.

    Como alguns PTistas mesmo já perceberam, grande parcela da população não está mais confortável com o jeito que o PT escolheu para governar, afastando-se das promessas de Lula até 2002. E eu me enquadro nisso.

    Assim, o voto no PSDB não significa que seja reacionário, preconceituoso etc. Mas sim, tem gente que votou que é. Assim com tb tem eleitor do PT que é extremista ao oposto, e odemos ver pelo nível de xingamentos nos comentários nesse mesmo blog.

    Duvido muito que a maioria seja contra os avanços sociais, não são. E tb não eram contra os avanços econõmicos do Plano Real. Tanto que mantiveram o PSDB na época. Em 1998, o governo já não atendia à população e estava desgastado, com n coisas erradas. O povo trocou. Agora, tb está desgastado e quase foi trocado. O voto no PSDB foi p mostrar essa insatisfação, e não por ser reacionário. Essa interpretação está errada, embora exista, sim, uma minoria que seja.

    Sou a favor das bolsas, mas que haja um mecanismo p que a família não precise mais da bolsa.

    Sou a favor das cotas, mas idem, precisamos melhorar as escolas públicas.

    Sou a favor de muitas coisas que o PT fez, mas não sou a favor de defender os corruptos como Lula está fazendo com seus amigos Dirceu e cia. E se o PSDB tb tem corruptos, isso não livra o PT, que historicamente teve discurso de ética muito mais forte que os demais partidos, de punir seus membros sem ficar de xororo. Não aceitar que teve desvio, que até a Dilma já admitiu, é um erro. Precisa é apurar. Isso pode trazer parcela da sociedade de volta a apoiar o PT.

    Assim como em 1998 o PSDB perdeu a confiança por causa dos escândalos de privatizações etc.

    Na época, a mesma imprensa hj tratada como PIG, tb noticiou. A imprensa é igual urubu, vai onde tem carniça. É preciso entender isso. Gostam de manchetes que repercutem.

    Aí, vem extremistas de direita e e esquerda xingarem-se reciprocamente na internet e quem perde é o país.

    O BraSil precisa ser, e é, maior do que esses casos de preconceito dos 2 lados.

    Continuamos um só país, nem vermelho e nem azul, em algum tom de roxo, mais puxado pro vermelho, por 3%.

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