O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu reduzir a taxa Selic para 14,25% ao ano, mas embora a decisão represente um alívio para o custo do crédito, a mensagem transmitida pela autoridade monetária foi de cautela.
Na ata da última reunião do colegiado, o BC deixou claro que os próximos passos dependerão da evolução do cenário econômico, especialmente dos impactos da crise no Oriente Médio sobre os preços globais.
Segundo o Copom, os choques geopolíticos já começaram a afetar indicadores de inflação ao consumidor e ao produtor, elevando preços acima do esperado e ampliando a volatilidade dos mercados internacionais.
O Banco Central destaca que a extensão desses efeitos ainda é incerta, especialmente em relação ao petróleo e às commodities energéticas, fatores que podem influenciar a inflação brasileira nos próximos meses.
Inflação segue distante da meta
Apesar da manutenção de uma política monetária restritiva ao longo dos últimos anos, o Banco Central reconhece que a inflação continua acima do desejado.
As expectativas do mercado para 2026 permanecem em 5,3%, enquanto as projeções para 2027 estão em 4,1%, ambas acima da meta perseguida pela instituição – a própria projeção do Copom aponta inflação de 3,7% no final de 2027, ainda superior ao centro da meta.
Esse cenário levou o Comitê a reforçar a preocupação com a chamada desancoragem das expectativas, quando empresas, investidores e consumidores passam a acreditar que a inflação permanecerá elevada por um período prolongado.
A ata também reforça um recado recorrente da autoridade monetária sobre a política fiscal: o comitê voltou a afirmar que o enfraquecimento do ajuste das contas públicas, o aumento de gastos permanentes e as dúvidas sobre a trajetória da dívida podem elevar os juros estruturais da economia e dificultar o controle da inflação.
Embora tenha iniciado a redução da Selic, o Copom evitou indicar um ritmo definido para novos cortes ao afirmar que a magnitude das próximas decisões dependerá da evolução da inflação, das expectativas dos agentes econômicos e dos desdobramentos do cenário internacional.
PHOTIOS ANDREAS
24 de junho de 2026 7:57 amUma pergunta e uma convicção: “Inflação segue distante da meta” Quando foi que esteve dentro ou abaixo da meta? Estou certo que o BC está atento à danosa inflação e aumentará os juros assim que houver um desvio de 0,000000000001 da meta
Rui Ribeiro
24 de junho de 2026 8:40 amDevia alertar para as taxas de juro escorchantes, que impactam negativamente a oferta, enquanto a procura se mantém inalterada, pois o básico do consumo de uma nação é de bens cuja demanda é pouco inelástica, por serem indispensáveis à existência dos trabalhadores.