3 de agosto de 2026

Trump teve contas bancárias encerradas após suspeita de lavagem de dinheiro

Banco afirma à Justiça que decisão em 2021 partiu de análise interna sobre movimentações financeiras; presidente nega irregularidades e fala em perseguição política
Foto: @TheWhiteHouse - via fotospublicas.com

Capital One fechou contas ligadas a Trump em 2021 por suspeita de lavagem de dinheiro, segundo documento judicial.
Trump acusa bancos de perseguição política; Capital One e JPMorgan negam e citam políticas internas e riscos legais.
Trump processa JPMorgan por “debanking” e espera conclusão justa; bancos afirmam encerrar contas sem motivação política.

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O banco Capital One informou à Justiça americana que o encerramento de contas ligadas a Donald Trump, ocorrido em 2021, foi motivado pela identificação de transações com indícios de possível lavagem de dinheiro. A revelação consta em documento protegido apresentado no último fim de semana, no âmbito de um processo movido por uma das empresas financeiras do presidente contra a instituição, pouco tempo depois de ele assumir seu segundo mandato.

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Trump sustenta que o banco agiu de forma ilegal e por motivação política ao fechar suas contas, num movimento que teria ocorrido após a invasão ao Capitólio, em 6 de janeiro de 2021. O Capital One rejeita essa versão e pede o arquivamento da ação.

Segundo a defesa do banco, o fechamento das contas resultou de meses de investigação conduzida pela equipe interna responsável pela prevenção à lavagem de dinheiro (sigla em inglês AML, de anti-money laundering), seguindo tanto as políticas internas da instituição quanto as normas regulatórias vigentes.

Trump também move ação separada contra o JPMorgan Chase, alegando ter sido vítima de “debanking”, prática na qual bancos encerram relacionamento com clientes por considerá-los um risco financeiro, legal ou reputacional, logo após deixar a Casa Branca em 2021. Nesse processo, ele pede indenização de US$ 5 bilhões. O JPMorgan nega qualquer motivação política, afirmando que pode encerrar relações comerciais “com ou sem justa causa”, inclusive diante de risco legal ou regulatório.

Ambos os bancos negam ter cortado relações com Trump, seus filhos ou empresas da família por razões políticas.

Em julho, após meses de paralisação do processo original, os advogados de Trump protocolaram uma versão atualizada da ação, reafirmando a tese de perseguição política por trás do fechamento das contas. O Capital One rebateu, dizendo que as novas alegações carecem de fundamento e classificando a petição como baseada em “teorias novas construídas a partir de citações fora de contexto”.

Nesta segunda-feira, a equipe jurídica de Trump respondeu às declarações do banco, mas evitou comentar diretamente as conclusões da investigação interna. Um porta-voz da defesa afirmou que o Capital One, assim como outras grandes instituições financeiras, encerrou as contas do presidente, de sua família e de seus negócios por motivos “claramente políticos”, e disse esperar que o processo chegue a “uma conclusão justa e adequada”.

Setores conservadores nos Estados Unidos alegam há anos que bancos fecham contas de clientes e empresas ligados à direita por razões ideológicas. Essa narrativa ganhou força a partir da chamada Operação Choke Point, iniciativa do governo Barack Obama pela qual reguladores teriam pressionado bancos a restringir serviços a setores como fabricantes de armas, indústria do tabaco e empresas de empréstimo de curto prazo. Já o setor de criptomoedas alegou ter sofrido “debanking” durante a gestão de Joe Biden.

Em agosto de 2025, Trump assinou uma ordem executiva batizada de “Garantindo Serviços Bancários Justos para Todos os Americanos”, determinando que reguladores federais deixassem de fiscalizar bancos com base no perfil de clientes atendidos. Seu governo também passou a exigir de grandes instituições financeiras a entrega de documentos, como parte de uma investigação sobre supostos casos de “debanking”.

Antes do encerramento, Trump mantinha mais de 300 contas no Capital One, usadas por diferentes empreendimentos da marca, incluindo um campo de golfe e uma vinícola, em um relacionamento bancário que já durava mais de dez anos, segundo o processo.

No documento apresentado à Justiça, o Capital One afirmou não ter tido qualquer intenção de fazer um posicionamento político ao encerrar as contas em 2021, reforçando que a decisão decorreu exclusivamente da identificação de movimentações suspeitas por parte de sua equipe especializada em prevenção à lavagem de dinheiro. O banco destacou ainda que nunca tornou pública a decisão nem o processo interno confidencial que a fundamentou, e que concedeu aos autores da ação diversos meses, com múltiplas prorrogações, para que buscassem novos serviços bancários, o que efetivamente ocorreu.

*Com informações da Associated Press.

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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