O governo do presidente Donald Trump avalia ampliar significativamente a ofensiva militar contra o Irã por meio de ataques direcionados à infraestrutura energética do país, segundo informações publicadas nesta sexta-feira (31) pela Axios e pela emissora norte-americana CBS News, que citam autoridades americanas familiarizadas com as discussões.
De acordo com as reportagens, a Casa Branca considera realizar uma campanha de bombardeios nos próximos dias contra refinarias, usinas de energia e outras instalações consideradas estratégicas para a economia iraniana e para a capacidade operacional do governo de Teerã. Apesar do planejamento em curso, as fontes afirmam que Trump ainda não autorizou formalmente o início da operação.
Caso sejam confirmados, os ataques representariam uma mudança importante na estratégia militar americana ao ampliar o foco para ativos de infraestrutura econômica, e não apenas para instalações militares ou nucleares.
Segundo a Axios, a intenção da Casa Branca seria aumentar a pressão sobre o governo iraniano durante as negociações de cessar-fogo atualmente em andamento.
Na avaliação de autoridades americanas ouvidas pelo veículo, atingir a infraestrutura energética reduziria a capacidade econômica do país e elevaria o custo da continuidade do conflito para Teerã.
Durante reunião de gabinete realizada nesta sexta-feira, Trump fez referência à possibilidade de uma nova escalada militar. “Vamos atingi-los com muita força. Em algum momento eles vão dizer: ‘Não conseguimos mais suportar isso'”, afirmou o presidente.
Segundo a CBS News, autoridades americanas e israelenses vêm coordenando cenários para uma eventual operação conjunta. As discussões incluem ataques contra refinarias, usinas elétricas e outras estruturas ligadas ao setor energético iraniano.
Fontes consultadas pela emissora afirmam que havia expectativa de que uma eventual campanha militar fosse concluída antes da abertura dos mercados financeiros na segunda-feira, diante das preocupações com possíveis impactos sobre os preços internacionais da energia e sobre os mercados globais. Entretanto, nenhum cronograma definitivo havia sido aprovado até a tarde de sexta-feira.
Apesar da coordenação entre os governos, um alto funcionário israelense afirmou à CBS News que Israel ainda não recebeu ordem para retomar operações militares em larga escala nem foi oficialmente convocado para participar de uma ofensiva contra o Irã.
Irã promete retaliar
As informações provocaram rápida reação em Teerã. Segundo a agência iraniana Tasnim, ligada ao Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), um alto funcionário da área de segurança classificou uma eventual ofensiva americana contra infraestrutura civil como “um ato de loucura”.
Ainda de acordo com a autoridade iraniana, o país preparou um plano de resposta que incluiria ataques contra infraestrutura crítica de Israel e contra instalações energéticas americanas localizadas no Oriente Médio.
Caso uma ofensiva seja autorizada, analistas avaliam que o risco de uma escalada regional aumentará significativamente, com possibilidade de novos ataques iranianos contra Israel e impactos sobre rotas estratégicas de transporte de petróleo, especialmente na região do Estreito de Ormuz.
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