11 de outubro de 2026

“Sujeito investido de um sentimento policialesco junto com os seus delegados”, define Gilmar sobre Mendonça

André Mendonça, que passou boa parte do julgamento tentando justificar seu posicionamento, perdeu a compostura. "Me respeite", gritou
Gilmar Mendes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). Foto: Gustavo Moreno/STF

Os ministros do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes e André Mendonça protagonizaram mais uma briga durante o julgamento da Petição 16.662, que envolve questionamentos à atuação do ministro Alexandre de Moraes no caso Master, nesta terça-feira (15).

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“É impressionante, senhor presidente, que uma pessoa da estatura do senhor Paulo Gonet sofra esse tipo de ilação [sobre a citação do Procurador Geral da República em mensagens do banqueiro Daniel Vorcaro]. Isso, sim, é leviandade. Um sujeito investido de um sentimento policialesco junto com os seus delegados. É impressionante a desfaçatez desse sujeito”, esbravejou Gilmar Mendes.

André Mendonça, que passou boa parte do julgamento tentando justificar seu posicionamento, perdeu a compostura. “A desfaçatez de vossa excelência! Me respeite, me respeite. Isso aqui não é brincadeira!”, gritou André Mendonça.

“Pode chorar, pode chorar”, disse Gilmar Mendes.

“Não estou chorando não. Aqui não tem choro não. Respeite!”, continuou Mendonça.

Rusgas

Mais cedo, os ministros já tinham protagonizado outro atrito. “Em nome de Deus, como em nome de Deus já se fez muita patifaria”, disse Gilmar, em refência a Mendonça, que é pastor e reitera sua crença enquanto evangélico nas redes sociais.

“Deixe o Supremo seguir o seu destino, e as eleições que sigam o seu destino. Contrário do que se faz aqui, e se deram muito mal porque são aprendizes de feiticeiro. Tentar arrastar o Supremo Tribunal Federal para esse tipo de prática e pensaram que iam ficar imunes e impunes. É de uma desfaçatez de corar frade de pedra, ministro Fux. Em nome de Deus, como em nome de Deus já se fez muita patifaria”.

Para Gilmar, o momento escolhido para a condução dos procedimentos contra Moraes, às vésperas das eleições, é utilizado com finalidade eleitoral.

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

4 Comentários
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  1. Rui Ribeiro

    15 de setembro de 2026 9:36 pm

    A AUTORIDADE DO ARGUMENTO VERSUS O ARGUMENTO DA AUTORIDADE*
    _A toga não é coroa_

    “Você não está falando com qualquer um.”

    A frase dita em plenário pelo Ministro André Mendonça deveria entrar nos manuais de direito constitucional como exemplo de antítese republicana.

    A Constituição é clara no artigo 5º: todos são iguais perante a lei. O poder de um ministro do Supremo não pertence à pessoa do ministro. Pertence ao cargo, que é público e existe para servir à sociedade, inclusive àquele “qualquer um” que a frase despreza – e que é, justamente, a origem e o destinatário final de todo o poder.

    Numa República, o que legitima uma decisão é a autoridade do argumento: a qualidade, a impessoalidade, a transparência e a fundamentação. Quando isso falta, sobra apenas o argumento da autoridade: o peso da cadeira, o grito da toga usada como coroa.

    A Lei Orgânica da Magistratura exige urbanidade no trato com pares e cidadãos. Urbanidade não é deferência à hierarquia. É o reconhecimento de que a liturgia do cargo é instrumento da lei, não demarcação de status.

    E por que o debate foi desviado da técnica para a vaidade?

    No caso do Banco Master, o que a sociedade cobra é simples: calendário, coerência, prestação de contas. Responder a isso com carteirada inverte a lógica do controle público.

    O interesse que impede o gesto republicano de declarar-se suspeito não precisa ser econômico. É mais profundo. É interesse em precedente.

    Se o Supremo afirmar que atos sem transparência e sem lastro técnico podem ser invalidados, toda a cadeia de atos anteriores que seguiram a mesma lógica política fica vulnerável – inclusive os atos do próprio gabinete contra o ministro Alexandre de Moraes.

    Por isso o julgamento deixa de ser técnico e passa a ser político. Declarar-se suspeito seria admitir o conflito. Não declarar e votar é tentar blindar o passado com uma decisão do presente.

    A cadeira é vitalícia. Mas o voto fica nos autos. E a história julgará se ali falou a Constituição ou apenas o homem que a veste.

  2. Rui Ribeiro

    16 de setembro de 2026 7:23 am

    *A AUTORIDADE DO ARGUMENTO VERSUS O ARGUMENTO DA AUTORIDADE*
    _A toga não é coroa_

    “Não está falando com qualquer um. Respeite esse Tribunal.”

    A frase, dita hoje pelo ministro André Mendonça ao decano Gilmar Mendes, não é um deslize. É a síntese de um modelo.

    A sessão extraordinária que deveria discutir se a ilegalidade do Fachin é rejeitada, ou não, degenerou em confronto pessoal, interrupções e acusações mútuas. Moraes acusou Mendonça de ter pedido que seu nome fosse incluído em delação. Mendonça rebateu: “Isso é mentira”. O presidente Edson Fachin tentou manter os casos separados, justamente para evitar contaminação processual. f3b65e23

    E é aqui que mora o ponto que você tocou.

    Por que Mendonça resiste tanto à unificação?

    Porque a unificação, defendida por Moraes, Gilmar e Dino, juntaria duas teses: a da suposta rede de influência de Moraes e a da suposta ilegalidade da própria investigação conduzida por Mendonça sem autorização do plenário. Se tudo for julgado junto, Mendonça, Fux e Nunes entram na pauta nas duas relações comno Vorcaro além dos vazamentos seletibos políticos-eleitoreiros

    Ao votar contra a unificação e com Fachin, Mendonça isola o caso Moraes. Mantém o foco no conteúdo das 50 mensagens e impede que o debate sobre sua própria conduta como ex-relator entre agora.

    Não é, portanto, interesse econômico. É interesse em precedente e em autopreservação jurisprudencial. Se o plenário firmar que um relator não pode aprofundar apuração contra colega sem aval do colegiado, todos os seus atos anteriores como relator – inclusive os que miram Moraes – caem.

    É por isso que a frase importa. Quando falta autoridade do argumento – fundamento técnico, impessoalidade, transparência de calendário e rito – sobra o argumento da autoridade: “não está falando com qualquer um”.

    Numa República, a toga é instrumento da lei. Não é coroa, não é escudo e não é salvo-conduto para blindar o passado com uma decisão do presente.

  3. Rui Ribeiro

    16 de setembro de 2026 9:20 am

    O parágrafo único do art. 664 do CPP não deixa margem para malabarismo hermenêutico: ou o presidente não votou e desempata, ou empatou e se aplica o “favor rei”. O que não existe, o que nunca existiu no devido processo legal, é o presidente votar, causar o empate e votar de novo para se auto-desempatar.

    Isso não é voto de Minerva. É voto em duplicidade. É aberração.

    É o colegiado de fachada, onde um homem vale por dois e os demais são figurantes pagos para levantar a mão. Atribuir dois votos ao mesmo indivíduo é rasgar a Constituição no capítulo da imparcialidade, é transformar o colegiado em órgão monocrático disfarçado de democrático.

    Como já sepultou Barroso: conferir influência dupla a uma mesma pessoa maximiza o risco de parcialidade em vez de minimizá-lo, e o segundo voto é mera repetição mecânica do primeiro, não é nova apreciação livre e autônoma dos autos. É fraude ao julgamento.

    Quem defende voto duplo não defende colegialidade. Defende autocracia de toga, com verniz de maioria.

  4. Carlos

    16 de setembro de 2026 5:00 pm

    Se hoje existe este carcinoma chamado bolsonarismo espalhando-se pelo país deve-se a Gilmar Mendes. Também a Globo, mas GM foi motor.
    A atitude de impedir que Lula assumisse posição ministerial respondendo ao convite de Dilma e de enviar o processo para o “conje” no Paraná abriu caminho para este câncer chamado Bolsonarismo.

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