Durante a sessão histórica sobre a crise do STF no caso Master, o ministro Flávio Dino admitiu que o afastamento de Andrei Rodrigues no comando da PF “atrapalhou” e “atrasou” duas Operações determinadas por ele: a Dark Horse, sobre o uso de emendas para financiar ilegalmente o filme de Jair Bolsonaro, e a Operação contra o deputado Cezinha de Madureira (PL-SP).
“Foi em nome da eficácia de duas decisões minhas: uma a Dark Horse, outra Cezinha Madureira, e os fatos mostraram que eu tinha razão [em devolver a Andrei Rodrigues a direção da PF]. Porque no caso do deputado Cezinha Madureira, houve um atraso de 5 dias no cumprimento da medida, exatamente por dificuldades operacionais”, afirmou o ministro.
Dino narrou que após ter determinado à PF o cumprimento das Operações Dark Horse e contra o deputado que tem ligações com André Mendonça e Vorcaro, conforme mostramos aqui, o ministro afastou o diretor-geral da PF. Na ocasião, contou, Dino foi ao gabinete do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) afirmar que a decisão de Mendonça “atrapalhava” as suas investigações.
“No caso do diretor-geral da Polícia Federal, não tinha outro lugar para dirimir [decidir sobre], porque eu sou da 1ª Turma e o ministro André [Mendonça] é da 2ª. Eu fui ao gabinete, disse ao ministro Fachin [presidente da Corte]: ‘Ministro, tá bom, tem a ‘decisão A’ afastando o diretor-geral da PF, considero que isso atrapalha duas Operações que eu já deferi’.”
“Eu deferi as Operações antes do afastamento do dr. Andrei: Operação Dark Horse e Cezinha Madureira. Antes do afastamento”, reafirmou Dino.
Os autos revelam que o ministro Flávio Dino autorizou as Operações Policiais no dia 5 de setembro e, três dias depois, Mendonça afastou Rodrigues, no dia 8 de setembro, Mendonça. Flávio Dino reintegrou-o ao cargo no dia seguinte, 9 de setembro. A Operação Dark Horse foi cumprida no dia 10 de setembro e a Operação contra Cezinha foi deflagrada nesta segunda, 14 de setembro.
“Se nós pegamos uma corporação armada e tiramos a chefia é um ato bastante temerário, eu diria. E como naquele momento isso significava desarticular operacionalmente a Polícia Federal, eu considerei que assim como o ministro André [Mendonça] tem [competência], e como de fato tem, e vossa Excelência [presidente do STF] tem, eu também tenho o poder geral de cautela sobre os meus processos“, disse Dino, durante o julgamento da crise do STF no caso Master, na tarde desta terça (15), referindo-se a ter devolvido a Andrei o cargo.
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