5 de outubro de 2026

Em 2027, quase 60% do Senado será bolsonarista

Michelle e Carlos Bolsonaro, Bia Kicis, Deltan Dallagnol, Derrite são alguns dos nomes. Governo perde Marina, Tebet, Manuela d'Ávila, Paulo Pimenta, Renan e Contarato.

Neste domingo, os eleitores renovaram 54 das 81 cadeiras do Senado, duas por estado, pelos próximos oito anos. O resultado da noite foi favorável ao campo bolsonarista e ao centrão, com algumas exceções importantes para a esquerda.

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Como balanço final, o PL, partido de Flávio Bolsonaro, terá um total de 28 senadores a partir do ano que vem, ou seja, mais do que 1/3 do total da Casa (são 81 cadeiras). Destes, 19 foram eleitos neste domingo (03) e ficarão no cargo até 2034.

Mas além do PL, haverá um total de outros 20 senadores com forte alinhamento ao bolsonarismo: 6 do Republicanos, 6 do PP, 5 do União e 3 do Novo. Somados ao PL, serão 48 senadores alinhados ao bolsonarismo: quase 60% do Senado.

Já o PT e partidos de esquerda e centro-esquerda contarão com somente 15 senadores a partir do ano que vem, 18,5% do Senado: 9 do PT, 4 do PSB, 1 PDT e 1 Rede Sustentabilidade.

Os novos nomes do bolsonarismo no Senado

A família Bolsonaro conquistou os dois cargos disputados: pelo Distrito Federal, Michelle Bolsonaro (PL) conseguiu junto a sua aliada Bia Kicis (PL) as duas vagas e, em Santa Catarina, Carlos Bolsonaro (PL) se elegeu junto com Carol de Toni (PL).

No Paraná, Deltan Dallagnol (Novo) levou a vaga com seu aliado Filipe Barros (PL) superando Alexandre Curi (Republicanos) e Gleisi Hoffmann (PT). Dallagnol precisará, antes, obter o aval da Justiça Eleitoral, já que ele está inelegível e não poderia disputar as eleições. Em 2023, enquanto deputado federal, Dallagnol teve o seu registro cassado.

Em São Paulo, Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL), aliados de Flávio Bolsonaro e do governador eleito Tarcísio de Freitas, venceram e deixaram de fora do Senado as duas candidatas progressistas de Lula: Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB).

No Rio de Janeiro e no Rio Grande do Sul, os candidatos do PL e Novo foram eleitos: Carlos Portinho, Carlos Jordy, ambos do PL, Sanderson (PL) e Marcel Van Hattem (Novo). Em Alagoas, o cenário foi dominado pelo centrão, apoiado por Flávio Bolsonaro: Arthur Lira (PP) e Marina JHC (PSDB) ficaram com as duas vagas.

Quem ficou: PT e aliados que seguram posições

Pernambuco foi o grande alívio do campo progressista. Humberto Costa (PT) foi o mais votado e Marília Arraes (PDT) ficou com a segunda vaga. Humberto Costa foi reeleito para o terceiro mandato consecutivo, e Marília, de 42 anos, venceu sua primeira disputa pelo Senado. Os dois formaram uma dobradinha na chapa de João Campos. Eles derrotaram o bolsonarista Mendonça Filho (PL) e Eduardo da Fonte (PP), do centrão. Somados a Teresa Leitão (PT), formam uma bancada alinhada a Lula.

A Bahia também segurou os nomes tradicionais do PT, elegendo Rui Costa (PT), com 30%, e Jaques Wagner (PT), com 27,6%. E o Ceará manteve o apoio a nomes ligados a Lula, elegendo Cid Gomes (PSB), com 31,2% dos votos, e Luizianne Lins (Rede), com 29% dos votos.

Em Minas Gerais, apesar de Domingos Sávio (PL) ter sido o mais votado, Marília Campos (PT) conquistou a segunda vaga, com 3.990.430 votos.

Perdas para a ala progressista

As eleições 2026 no Senado significaram uma importante perda para candidaturas da esquerda tradicional que disputaram e tinham boas chances de vitória, mas não conseguiram se eleger. Foi o caso de Renan Calheiros (MDB-AL), no cargo desde 1995, tinha sido reeleito em 2002, 2010 e 2018, buscava o quinto mandato consecutivo, mas ficou sem nenhuma das duas vagas.

As candidatas Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB), ex-ministras de Lula, transferiram seus domicílios eleitorais para São Paulo para compor o palanque, mas sofreram uma ampla derrota. Tebet e Marina receberam 19,2% e 18,1% de votos, respectivamente.

Pesquisas ao longo da campanha indicavam empate técnico quádruplo em São Paulo, e Fernando Haddad (PT) também perdeu a disputa pelo governo paulista no primeiro turno. O desempenho pesou para Lula porque as duas poderiam atrair eleitores além da base petista.

Em outra importante derrota dupla, Manuela d’Ávila (PSOL) e Paulo Pimenta (PT) não conseguiram se eleger pelo Rio Grande do Sul. Manuela liderava numericamente várias pesquisas, mas também tinha a maior rejeição. Eles registraram 17% e 16,3%, respectivamente.

No Paraná, a ex-ministra Gleisi Hoffmann ficou em quarto lugar, com 13,33% dos votos. Presidente do PT de 2017 a 2025, ela deixou o ministério em 2026 para disputar o Senado. Pelo Espírito Santo, Fabiano Contarato (PT-ES) também perdeu a reeleição.

Balanço do Senado

A esquerda segurou Pernambuco, Bahia e Ceará e levou um nome de Minas Gerais, mas perdeu nos três maiores colégios onde apostou em nomes nacionais: São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul. O campo bolsonarista, em especial o PL, converteu a força de Flávio Bolsonaro e dos aliados regionais em vagas. O centrão, com Lira e Derrite, também saiu fortalecido.

Reprodução gráfico – Cubo Três

Segundo dados da Agência Senado, em todo o país, 315 candidatos disputaram as vagas, sendo que 32 deles são senadores em exercício que tentaram a reeleição. Cada unidade da federação pôde escolher 2 senadores. Veja, abaixo, a lista completa dos eleitos por estado:

Região Norte

  • Acre
    Márcio Bittar (PL) — 25,5% dos votos
    Mara Rocha (Republicanos) — 19,95% dos votos
  • Amapá
    Rayssa Furlan (Podemos) — 29,9% dos votos
    Lucas Barreto (PSD) — 24,2% dos votos
  • Amazonas
    Eduardo Braga (MDB) — 32,2% dos votos
    Plínio Valério (PSDB) — 24,6% dos votos
  • Pará
    Helder Barbalho (MDB) — 26% dos votos
    Chicão (União) — 22,4% dos votos
  • Rondônia
    Dr. Fernando Máximo (PL) — 31,9% dos votos
    Bruno Scheid (PL) — 26,5% dos votos
  • Roraima
    Nicoletti (PL) — 22,6% dos votos
    Teresa Surita (MDB) — 19,2% dos votos
  • Tocantins
    Eduardo Gomes (PL) — 27,2% dos votos
    Alexandre Guimarães (MDB) — 19,1% dos votos

Região Nordeste

  • Alagoas
    Arthur Lira (PP) — 28,8% dos votos
    Marina JHC (PSDB) — 28,2% dos votos
  • Bahia
    Rui Costa (PT) — 30% dos votos
    Jaques Wagner (PT) — 27,6% dos votos
  • Ceará
    Cid Gomes (PSB) — 31,1% dos votos
    Luizianne (Rede) — 29% dos votos
  • Maranhão
    Fufuca (PP) — 21,4% dos votos
    Lahesio Bonfim (Novo) — 20,6% dos votos
  • Paraíba
    João Azevedo (PSB) — 32,5% dos votos
    Veneziano Vital (MDB) — 22,7% dos votos
  • Pernambuco
    Marília Arraes (PDT) — 24,9% dos votos
    Humberto Costa (PT) — 27,1% dos votos
  • Piauí
    Marcelo Castro (MDB) — 35,6% dos votos
    Julio Cesar (PSD) — 26,9% dos votos
  • Rio Grande do Norte
    Styvenson Valentim (Podemos) — 29,2% dos votos
    Samanda de Lula (PT) — 17,6% dos votos
  • Sergipe
    Rogério Carvalho (PT) — 21,9% dos votos
    Delegado Alessandro (MDB) — 17,1% dos votos

Região Centro-Oeste

  • Distrito Federal
    Michelle Bolsonaro (PL) — 29% dos votos
    Bia Kicis (PL) — 27,4% dos votos
  • Goiás
    Gustavo Gayer (PL) — 24,5% dos votos
    Gracinha Caiado (União Brasil) — 21,8% dos votos
  • Mato Grosso
    Mauro Mendes (União Brasil) — 33,2% dos votos
    Zé Medeiros (PL) — 27,3% dos votos
  • Mato Grosso do Sul
    Reinaldo Azambuja (PL) — 34,6% dos votos
    Capitão Contar (PL) — 32,8% dos votos

Região Sudeste

  • Espírito Santo
    Renato Casagrande (PSB) — 24,7% dos votos
    Evair de Melo (Republicanos) — 24,3% dos votos
  • Minas Gerais
    Domingos Sávio (PL) — 24,2% dos votos
    Marília Campos (PT) — 19,4% dos votos
  • Rio de Janeiro
    Carlos Portinho (PL) — 26,7% dos votos
    Carlos Jordy (PL) — 24,5% dos votos
  • São Paulo
    Guilherme Derrite (PP) — 30,5% dos votos válidos
    André do Prado (PL) — 29,2% dos votos válidos

Região Sul

  • Paraná
    Filipe Barros (PL) — 27,2% dos votos
    Deltan Dallagnol (Novo) — 25,1% dos votos
  • Rio Grande do Sul
    Sanderson (PL) – 30,1%
    Marcel van Hattem (Novo) — 30% dos votos
  • Santa Catarina
    Carol de Toni (PL) — 33,4% dos votos
    Carlos Bolsonaro (PL) — 25,35% dos votos

Patricia Faermann

Jornalista, pós-graduada em Estudos Internacionais pela Universidade do Chile. Coordenadora de Projetos. Repórter e documentarista de Política, Justiça e América Latina do GGN desde 2013.

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