6 de junho de 2026

O brasileiro é burro, finge, ou não está nem aí?, por João Sucata

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Esporte Bretão

O brasileiro é burro, finge, ou não está nem aí?

por João Sucata

De vez em quando vejo opiniões negativas sobre a inteligência do brasileiro das classes de renda mais baixa. Seriam toscos, menos aculturados, menos inteligentes, propensos a formar em torcidas organizadas e violentas, mão de obra imprestável etc.

O futebol, mais que uma paixão, desmente isso. Brasileiros desses estratos sociais, de menor renda, moradores de periferia, favelas, habitações coletivas, quando menos se espera, discutem sobre técnicas e jogadores de futebol como se comentaristas especializados fossem.

É comum encontrar pelas ruas, nos botecos, nos intervalos de trabalho, os que discutem com sapiência a escalação da seleção brasileira, quem deve ser o técnico, se tal jogador deve ou não ser escalado, levando-se em conta sua técnica, força física, idade, relacionamento com demais que jogarão próximos, táticas que o time deve usar, que jogador deve marcar o craque do adversário, táticas e características deste, placar que deverá ser perseguido (defender-se ou atacar?) e etc.

Esquemas complexos, reminiscências históricas, exemplos gratificantes ou decepcionantes, influência do campo e da torcida, até onde o jogo deve ser de conjunto ou facilitar a individualidade dos jogadores, importância da raça e outras complexidades são analisadas e debatidas com naturalidade. Todo brasileiro é um técnico em potencial, sabe escalar sua seleção, os onze nomes e até os onze que devem ficar na reserva.

Tudo isso pode demonstrar que quando o trabalhador não se aplica, não evolui, não desenvolve a contento seu trabalho, falta, é desidioso, provoca sua demissão, não é por negligência, preguiça inata, incapacidade, inapetência congênita etc, mas simplesmente por desinteresse, por não se identificar, por achá-lo alienado e alienante, por não se sentir recompensado. E quando criticado, finge que não ouve, não dá a mínima importância, pois sabe que não saberá explicar a alguém da elite, o patrão, o que se passa. A diferença entre os lugares sociais ocupados, a ideologia decorrente, formam uma barreira que inviabilizam o entendimento.

O futebol pode nos ensinar mais sobre o povo do que muitas teses de mestrado feitas no ambiente de trabalho, sobre “o despreparo da mão de obra brasileira” ou artigos da “grande mídia”. Não se pode dizer sequer que o povo é a imagem de sua elite. Seria uma injustiça.

João Sucata

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

14 Comentários
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  1. Rabelo

    26 de abril de 2016 10:46 am

    Como explicar o brasileiro?

    Esses dias que vivemos são tão absurdos, que não dá para sequer tentar entender como o povo aceita passivamente o que acontece. Não pode ser mero desinteresse, falta de identificação. Vamos aceitar que a TV Globo e sua lavagem cerebral perpetrada anos a fio por seu Jornal Nacional foi eficiente: formou um bando de zumbis políticos, repetindo mecanicamente as besteiras ditas por “jornalistas”, enquanto caminham cegos para o abismo.

    Senão, como aceitar a normalidade de Henrique Meirelles (evidente que José Serra e afins não entram em qualquer contexto de seres humanos) aceitar cargo num governo ilegítimo, que sequer ainda existe, e que só vai existir exatamente se a ilegalidade persistir? A ninguém parece um butim de hienas? Ninguém sente nojo por esses caras de pau que estão a dividir cargos em um governo nascido de golpe de estado? Ninguém fica nauseado por assistir a uma coisa tão fora do padrão ético? 

    E não estou falando somente de fascistas e energúmenos de direita, mas de pessoas que se acham normais mesmo: como elas aceitam esse dia a dia de forma tão passiva? Onde estamos? Aonde vamos parar? 

    É estarrecedor pensar no país nascido deste golpe. Porque, obviamente, haverá focos de resistência, mas o aparato jurídico-midiático não só o criminalizará, mas o esconderá do restante da população, que continuará se comportando como zumbis.

    Até que estejamos todos no inferno.

  2. Gabriel Moreno

    26 de abril de 2016 10:46 am

    Brasileiro sabe que é

    Brasileiro sabe que é explorado e por isso não adere à falsa ética meritocrática e corporativa que às vezes tentam socar aqui. Isso é um dado positivo nosso. Com estímulos de verdade, respeito, direitos garantidos, regras claras e valorização real do trabalho e do mérito, aí sim seríamos o povo mais bem desenvolvido e mais criativo e empreendedor do mundo. Mas com Cunha se consagrando como o grande vitorioso da política brasileira, e tudo o que isso representa, estamos indo para o caminho oposto, o caminho da celebração da canalhice e da malandragem. A tal da “esquerda” no país talvez seja a mais verdadeiramente capitalista, enquanto Cunha e associados representam o atraso, a predação pura e o banditismo. Ironia.

  3. Haim

    26 de abril de 2016 11:00 am

    Não é que seja burro. Ele

    Não é que seja burro. Ele sabe que nessa disputa PT Vs PMDB Vs PSDB não tem nenhum herói, muito pelo contrário.

    1. marcos nunes

      26 de abril de 2016 4:11 pm

      Falta visão, sacô?

      Mas tem perdedores certos: as classes mais baixas. Não ver isso é não conseguir ou não querer ver nada.

  4. marcos nunes

    26 de abril de 2016 11:01 am

    Tamos todos
    Este realmente é o problema. Enquanto nos encaminhamos às passeatas, protestos, lemos as notícias sob variados pontos de vista, pesamos a credibilidade das fontes, pesquisamos sobre os índices econômicos, reconhecemos as plataformas políticas, filtramos dos discursos dos candidatos as reais intenções e a simples demagogia, lemos livros de história, política e filosofia, cultivamos amizades que são alimento para uma visão crítica da sociedade, o povo trabalhador… trabalha, acorda cedo, come qualquer coisa para se manter o pé, lê pouco ou nada, não tem tempo para coisa nenhuma, chega em casa e encontra a televisão ligada na Globo e lá permanece, janta ouvindo Jornal Nacional, vê programas de fofocas sobre celebridades, fecha assunto em torno do futebol, sendo homem, e das dificuldades domésticas (filhos pouco ou nada ajuizados, preços altos), sendo mulheres, quando não são trabalhadoras nos mesmos campos dos homens, levam vida ainda mais dura por dupla jornada de trabalho, e no final do dia estão as mulheres e os homens e todas as variantes possíveis de trabalhadores embotados em torno de uma cerveja, tendo o sexo como válvula de escape, a violência bruta como afirmação da potência possível, a religião evangélica como promessa de superação e último refúgio para não sofrer toda a opressão que não entende… Podemos nos estender em detalhes que nos confirmarão uma coisa só: as classes vivem vidas paralelas. O que para nós é a vida para eles é sonho, enquanto para nós a vida dos trabalhadores é tudo a que tentamos escapar, e é esse todo nosso sonho possível. Toda vez que inicio uma conversa sobre questões políticas e sociais com trabalhadores, eles viram a cara, dizem que o assunto é chato, que nada disso lhes diz respeito, como se o Estado fosse uma Ilha da fantasia e somente eles vivessem a Vida Real, enquanto a classe média se engana com a democracia supondo que suas ações políticas serão ouvidas por aqueles que eleitos foram por todos, mas principalmente todos que venderam seus votos por muito, pouco ou quase nada. Estão errados? Acho até que não. Estão certos em reconhecer a nossa ilusão, mas seriam eles mesmos menos iludidos que nós? E se conhecessem mais os meandros do Estado, sua organização, seus objetivos, suas leis, os grupos sociais que o integram, os cidadãos que contém o Estado e nele estão contidos? Se ajudassem a construir uma democracia real, de cidadão para cidadão, em uma sociedade de classes, porém justa? É um mato sem cachorro que nos integra e separa. Pobres desinformados e manipulados, uma classe média de esquerda em um lodaçal de uma classe média de direita que dificulta a ação daqueles que tentam tirar o pé do lodo, e as classes mais altas com todos os recursos à mão para fazer das leis democráticas um conjunto de palavras mortas que só brilham na defesa dos interesses dessas minorias. Dorival, aquele que encarou a guarda, ouviu o sargento da tropa, negro como ele, a frase terminal: “Tu tá fodido, criôlo!” Tamos todos.

     

    1. Wilson Dalmaso

      26 de abril de 2016 12:25 pm

      Marcos
      Gostei muito do seu

      Marcos

      Gostei muito do seu comentário. Confirma o que eu senti no domingo quando,

      ao sair de casa para ir na manifestação do Anhangabau, conversando com alguns vizinhos percebi,

      pelas suas caras e gestos,  que eu sou um bobão e ingenuo, que ao invés de perder meu tempo com essas 

      coisas de política eu deveria ir mesmo ao shoping…..

       

      1. marcos nunes

        26 de abril de 2016 4:12 pm

        Domesticados

        Todos perderemos com um governo temer, mas as classes mais baixas perderão mais, infinitamente mais. Só que não enxergam isso, alheios por domesticação que foram.

  5. alexis

    26 de abril de 2016 11:14 am

    Mais uma propaganda periódica

    Mais uma apologia ao negócio mais sujo do mundo, e ainda chamado de esporte.

    O João Sucata aparece aqui semanalmente, batendo cartão, como se pau mandado fosse da CBF.

    O futebol é apenas um negócio, onde grandes fortunas se mobilizam nas nuvens financeiras, longe dos gramados, enquanto 11 sujeitos por cada lado ficam enganando, com aquele trote manso no meio de campo, esperando que o juiz apite logo e correr para o churrasco. Os jogos e campeonatos mais importantes – inclusive a copa do mundo – são negociados previamente, como lutas de mascarados mexicanos.

  6. CB

    26 de abril de 2016 11:38 am

    Não sei por quais ruas e

    Não sei por quais ruas e botecos o autor anda. Os que dizem coisa com coisa são minoria. Nas ruas, ônibus, estabelecimentos comericias, padarias e bares por onde ando escuto as maiores asneiras proferidas pelo povão.

  7. Somebody (temporário)

    26 de abril de 2016 11:42 am

    Eu provavelmente vou ofender

    Eu provavelmente vou ofender alguém sem querer, mas a minha humilde opinião é que vocês brasileiros em geral são alienados e culturalmente (bem) atrasados. É como se o Brasil estivesse em uma “bolha do tempo” aonde o ano vigente é 1630 ao invés de 2016.

  8. Francisco Santos

    26 de abril de 2016 12:55 pm

    É assim

    É assim: 

    A Presidente nunca roubou mas foi conivente com o roubo e o Vice-presidente está atolado em delações

    O Vice-presidente roubou mas é amigo do Procurador-Geral da República

    O Procurador-Geral da República nunca roubou mas vazou informações junto com o Juíz Federal pra acabar coma a imagem da presidente inocente

    O Juís Federal tenta caçar um ex-presidente que nunca roubou, mas foi conivente com o roubo, e livra a cara dos amigos da oposição

    O ex-presidente que nunca roubou não pôde assumir um cargo no governo federal porque um ministro do STF é amigo da oposição

    A oposição nunca vai conseguir ganhar a presidência da repúlbica de maneira legítima porque não está nem ai pros pobres e miseráveis desse país que ainda são muitos e votam no ex-presidente

    Os pobres e miseráveis do país, que votaram no ex-presidente da república e na atual, também votam nos ladrões, deputados e senadores, do Congresso Nacional escorados na popularidade do ex-presidente

    O deputados e senadores corruptos tiram a presidente do poder e colocam o vice-presidente que roubou

    O Vice-presidente roubou mas é amigo do Procurador-Geral da República

    O Procuradores da República amigos da oposição, que nessa hora já vão ser situação, entram com denúncia contra o ex-presidente, que é preso logo pela manhã…

    FIM!!!

     

     

  9. Conde de Rochester

    26 de abril de 2016 1:10 pm

    Manda quem pode, obedece quem

    Manda quem pode, obedece quem tem juízo.

    A maior desgraça da humanidade, a pior provação para os homens, e que desencadeia neles os mais nocivos instintos, impele-os para o precipício e retarda-lhes por muito tempo o avanço para a perfeição é a injustiça.

    Evidentemente que as pessoas não são iguais por natureza. Uns são mais dotados que outros, alguns possuem mais dotes, aptidões, inteligência e disposição que outros. É próprio da natureza deste mundo que assim seja.

    É certo igualmente de que uns são mais gananciosos que outros, são mais indiferentes com os direitos dos outros em prol do próprio direito, a injustiça e a ganancia geram as revoltas.

    Existem dois tipos de homens, uns resistem em silencio e aguardam a melhor ocasião de influenciar a sociedade em que vive, tem melhor compreensão do complexíssimo social e não acredita em revoluções violentas. Outro alimenta uma fé inabalável em seus direitos, sugerida pela voz incorruptível do instinto; o degradamento moral inicia-se a partir do momento da conscientização de que a lei da justiça não impede que o mais forte oprima o mais fraco. A raiz de todas as revoluções e desatinos é a injustiça. Ela é a origem da decadência dos povos, que leva inevitavelmente ao desencadeamento das leis.

    Se não fosse a ganancia e indiferença a crueldade de alguns, as riquezas existentes seriam suficientes para redimir o menos apto, aparar as diferenças, tornando a vida menos atribulada e mais civilizada. Um mundo menos violento e mais agradável para se viver.

    Mas sabendo da pouca disposição, tanto de um lado qto de outro em abrandar com o conflito, só nos resta aguardar o desenrolar inevitável dos acontecimentos, participes e testemunhas da historia.

  10. Manubhz

    26 de abril de 2016 1:28 pm

    Discordo no momento que diz

    Discordo no momento que diz ser comum e quase unãnime o interesse pelo futebol

    Uma coisa é você em um bar ver o jogo, não demostra tanto interesse assim, acho que é por mais falta de opção de lazer do que qualquer outra coisa

    Segundo, ir em estádio hoje em dia está longe de ser programa de pobre, com exceção das organizadas que ganham ingressos, prova os estádios vázios

    Terceiro a audiência da seleção Brasileira está mais para gente torcendo contra que a favor

    Quarto o interesse pelo futebol internacional esta maior que pelo brasileiro

    No fundo aquela máxima de que qualquer jogo o público se interessa foi a baixo, o que interessa é a paixão pelo clube, pelo contrário o que mais se lê em vários sites é o descontentamento coma a gesttão de clubes e da Cbf

  11. Manubhz

    26 de abril de 2016 1:31 pm

    A parte que refere ao

    A parte que refere ao trabalhador acho que esta longe da realidade da maioria, salário baixo, pouquíssimos beneficios, confrontar o empregador não é e nunca será a melhor saída, prova que a pouco tempo o que faltava era funcionário que se intreressava por salario oferecido.

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