16 de junho de 2026

O empresariado que estimula a revolução social no país, por J. Carlos de Assis

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O empresariado que estimula a revolução social no país

por J. Carlos de Assis

Os paulistas me surpreendem. Em especial os paulistas ricos. Conversei nesta quinta com o presidente da Abinee, Humberto Barbato, e esperava dele a manifestação de algum desconforto com os rumos da política econômica. Ao contrário, ele se mostrou exultante com a suposta recuperação da economia. Argumentou que em sua área, a indústria eletro-eletrônica, as coisas vão muito bem pelo testemunho dos seus pares. Claro que não pode haver retomada de uma vez. Isso quem pretende, sem razão, são “as esquerdas”.

Para Barbato, toda desgraça que ainda resta na economia se deve à herança dos 13 anos de governo do PT. Em especial “daquela mulher”. Obviamente que ele não inclui no espólio de Dilma a grande estupidez da isenção fiscal para a linha branca, de que os sócios da Abinee foram beneficiários diretos. Foram bilhões de reais para engordar o lucro da pauliceia rica, sem geração de um único emprego, ao contrário da forma como era justificada. Nos 13 anos o BNDES também esteve sempre aberto para os investidores produtivos.

Como foi um telefonema rápido, não tive tempo para  dizer a Barbato que fui, ao longo dos 13 anos, um crítico frequente dos governos do PT em matéria de política econômica. Achava Palocci um ignorante de economia e Mantega um frouxo. Nenhum dos dois teria condições para dar uma virada na economia brasileira no sentido de cortar as asas da especulação financeira predatória. E capitularam aos interesses do grande capital interno, associado ao internacional, que nos mantém a todos escravizados de forma permanente.

O presidente da Abinee fez largos elogios à maioria governista da Comissão de Constituição e Justiça que aprovou o projeto da chamada reforma trabalhista. Parecia exultante com a possibilidade de restaurar no Brasil o trabalho escravo, o trabalho intermitente, o trabalho de grávidas em áreas insalubres, a terceirização ilimitada, o acordo acima da lei, a destruição da Previdência Social. Em mais de 40 anos de jornalismo e de economia, jamais pensei que alguém tão reacionário, tão retrógrado, a exemplo de Paulo Skaf, pudesse representar um segmento significativo do empresariado brasileiro.

Infelizmente não tive tempo de apresentar meus argumentos sobre a marcha atual da economia, de forma que os apresento agora. A recuperação é uma falácia. Esse fenômeno de circo chamado Meirelles já refez para baixo, como previ há meses, a estimativa do desempenho do PIB este ano. Não é mais 0,5%, como orgulhosamente havia anunciado, mas menos que isso, “porém positivo”. É claro que não será positivo coisa nenhuma pois o Governo, de vontade própria, simplesmente travou a economia inteira, desde o orçamento público ao BNDES.

O fato é que o investimento, o consumo e o gasto público continuam caindo, restando para crescimento apenas o agronegócio. Entretanto, o agronegócio não pode compensar as outras quedas, mesmo porque representa apenas 5,5% da economia. A queda da inflação, muito valorizada por Barbato, se deve a um fator extremamente negativo, justamente o desabamento do investimento, da demanda e do gasto público. E pior do que tudo, a taxa real de juros aumentou, em lugar de cair acompanhando a queda da inflação, devido à política criminosa do Banco Central.

Empresários como Barbato, por sua ignorância ou má fé, representam aquela parcela de ricos financistas do país completamente indiferentes à maior mazela de qualquer economia, o alto desemprego. Estamos chegando à casa dos 15 milhões. É uma realidade social que estimula o ódio entre as classes. A continuar assim, chegaremos à situação da Rússia de 1917, na qual, por falta de mediação do interesse nacional por parte de uma burguesia ilustrada, um punhado de revolucionários fez a revolução social antes da revolução burguesa, por cima da burguesia anti-nacional.     

 

 

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Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

16 Comentários
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  1. bonobo de oliveira, severino

    30 de junho de 2017 10:47 am

    Digno representante da mediocridade dominante.

    Evidentemente não seria possível chegar à situação surrealista em que esse quase grande país chegou se existissem empresários com capacidade de compreensão das realidades acima das possibilidades do Paulo Skaf, do Pato que não quer pagar impostos, que já não paga, desse Barbato e de qualquer um que tenha restado dessa suposta e nunca revelada classe empresarial brasileira. Que, salvo melhor juízo, nunca existiu, fora dos limites dos incentivos maternais dados pelo Estado. O fato é que não há empresários, não há mais intelectuais e não há mais juízes em Berlim. Senão essa situação não teria chegado ao ponto de esculhambação terminal que chegou. 

  2. Somebody

    30 de junho de 2017 10:47 am

    O empresário paulista é
    O empresário paulista é escravocrata e absolutamente incompetente. Esperavam diferente?

  3. jossimar

    30 de junho de 2017 11:20 am

    Depois de ler uma “coisa”

    Depois de ler uma “coisa” destas é que perco o quase nada de fé que ainda tenho no Brasil.

    Se umas sandices dessas vem de um representante de um setor econòmico representativo, o que esperar dos representantes de outros segmentos? Certamente a mesma coisa.

    Ou seja, os caras são uns ignorantes imbecis. Preferem ter um país para 20% da população ao invés de toda população.

    É muita burrice em uma cabeça só.

    Assim, não temos chance de futuro.

  4. mcn

    30 de junho de 2017 11:21 am

    Retrato das elites

    Tomando a parte pelo todo, a opinião deste representante industrial mostra que:

    1. A elite industrial brasileira, em especial a paulista, não entende NADA de economia. Vivem a reboque da outra elite, a financista.

    2. Ambas odeiam o país, odeiam o mundo, odeiam o povo brasileiro, só amam a si mesmas. Nenhuma fruta boa se aproveitará destes 2 cestos de laranjas podres.

    3. No particular, a elite industrial paulista é a roda presa do Brasil. Precisamos de outra elite.

    1. Renato Lazzari

      30 de junho de 2017 12:40 pm

      Para quê precisamos de uma

      Para quê precisamos de uma elite? Não é a desigualdade uma das maiores – senão a maior trava – contra a evolução de uma sociedade? Explico: enquanto as elites podem manter seus privilégios e status por conta dos próprios méritos, até que passa. Mas quando percebem que pessoas da não-elite também estão conseguindo prosperar, passam a trabalhar não pelas próprias consecuções e sim pela derrota dos outros.

      Antigamente dizia-se que quem precisa de chefe é índio. Eu diria que quem precisa de ídolo é religioso.

      http://www.dm.com.br/geral/2015/07/sem-excelencias-nem-mordomias.html

      http://www.nacaojuridica.com.br/2015/04/juiz-sueco-usa-bicicleta-e-trem-para-ir.html

  5. Marcos K

    30 de junho de 2017 11:34 am

    Isso explica o profundo

    Isso explica o profundo desprezo que tenho da maioria esmagadora do nosso empresariado. Eles pensam realmente como Barbato. Podem ser excelentes técnicos, excelentes pessoas para trocar ideias e bem intecionados. Isso como indíviduos. 

    Mas tem o outro lado. Como sujeitos pertencentes a coletividade se mostram gananciosos, preconceituosos, violentos, ignorantes. Verdadeiros analfabetos políticos e trogloditas socias. Burros o suficiente para não conseguir enxergar além do próprio umbigo e estupidos o bastante para sequer fazer coisas mais simples, como pensar o país como um todo a curto, e o que dirá, a médio e longo prazo. Aliás, sequer conhecem o mais elementar do próprio país.

    Infelizmente, são as ações do sujeito coletivo que impactam na sociedade. É dificil lidar com gente tão medíocre. São tão medíocres, aliás, que sequer conseguem vislumbrar os impactos extremamente danosos das políticas econômicas que, em sua infinita burrice ou cinismo, ousam defender.

    Triste ter que dividir um país com tanto potencial com gente tão estúpida.

  6. Stalingrado

    30 de junho de 2017 12:02 pm

    Sem surpresas

     

     A elite brasileira é essa aí.

    Olhem o que acontece na Venezuela. É o Brasil amanhã.

    Eles preferem destruir o país a distribuir um pouco da riqueza.

     

    P.S. – Será que este comentário será liberado?  Todos os outros foram censurados

     

  7. El Cid

    30 de junho de 2017 12:08 pm

    Humberto Barbato, olha o Darcy Ribeiro falando na sua cara:

    [video:https://www.youtube.com/watch?v=SX5O-IAyO38%5D

    1. naldo

      30 de junho de 2017 12:19 pm

      Como esse hoemam faz

      Como esse hoemam faz falta….

       

      e coloque nessa “classe dominante” a midia, o judiciario, o mp, empresariso, rentistas e puxa-sacos-de-toda-ordem…….

      1. Paulo F.

        30 de junho de 2017 1:18 pm

        O maior antagonista da Globo

        O engº Leonel Brizola , também!

  8. naldo

    30 de junho de 2017 12:15 pm

    Incrível como tem pessoas que

    Incrível como tem pessoas que se espantam com fatos corriqueiros,

     

    quando o empresariado nacional foi diferente?? Quando a midia foi diferente??? Quando o stf e o mp foram diferentes?? E o pior, quando o povo brasileiro foi diferente?? Se o trabalhador aceita bovinamente ter seus direitos delapidados e sua aposentaria jogada na lata do lixo não é problema dos empresários, que nunca tiveram senso de solidariedade social, atualmente os canalhas que cassaram o mandato da Dilma se dizem arrependidos, isso só os torna mais canalhas, deveriam se calar, quando ministros se revoltam com os desmandos de curitiba isso só os tornam mais cumplices, só o fazem porque a cadeia bateu no fiofó dos seus protegidos, realizando o ditame “aos amigos tudo……, essa excrecência já tem tres anos, com várias pessoas presas e humilhadas, outros que deveriam se calar. Aqui em pindorama não cabe mais “consenso”, isso é o acordo caracu, os ricos, formados por empresarios, rentistas e puxa-sacos-classe- média- sem-noção, entram com a cara, já o povo……….está na hora de ver o país como realmente é, sem mimimi tosco………

  9. nilo filho

    30 de junho de 2017 12:58 pm

    Só resta – se tudo continuar

    Só resta – se tudo continuar como hoje – um grande empreendimento empresarial futuroso a se explorar : o “turismo da seca” de Dória e em sua versão ampliada do turismo da “terra arrazada”…

    Confira:

    https://www.conversaafiada.com.br/politica/doria-quis-explorar-miseria-seca

  10. Lucinei

    30 de junho de 2017 1:15 pm

    “surpresa”

    Não sei se a “surpresa” aí é só retórica.

    Em todo caso, fica surpreso porque quer ficar. É o que dá negligenciar tanto o papel da i-de-o-lo-gi-a, dos modos de produção de crenças e valores.

    É o vetusto materialismo vulgar.

    Por gerações e gerações muita gente boa acreditou que a pobreza e a desigualdade levariam à “revolução” por simples decorrência lógica. Bastaria uma vanguarda “puxar o trem”.

    Até outro dia desses a crença passou a ser outra: que a melhoria das condições materiais automaticamente conduziria a uma “tomada de consciência da classe trabalhadora”.

    Ledo engano mais uma vez.

    Viraram o fio de novo, pra ver se “agora vai”…

    … e não entendem a autoconfiança dos golpistas…

  11. WG

    30 de junho de 2017 1:26 pm

    A “elite” sabe que

    A “elite” sabe que dificilmente haverá revolução popular. O contole social (mídia, educação, repressão) não permite. No Brasil, a revolução tem alguma chance de acontecer pela exacerbação dos males congênitos do capitalismo. A estupidez e crueldade da oligarquia paulista pode dar uma mãozinha. 

  12. Marcos Antônio

    30 de junho de 2017 1:36 pm

    Destruição premeditada!

    Coisas que dão visibilidade e esperança para os mais ricos estão funcionando!

    Outras devem ficar como os passaportes da PF, devem ficar sem verba até o fim do ano!

    Saúde, educação – as coisas menos importantes deste governo ficarão sem verba!

    Contra o caos que virá a solução(?) vai ser privatizar tudo!

    Ai vem a necessidade de vender o pré-sal, de usar as reservas e pagar a lei dos juros!

    Quem não produz está de olho na herança do povo brasileiro!

    A imobilidade deste governo não é à toa!

    É destruição premeditada, para que não hajam alternativas a não ser lançar mão das riquezas do país!

  13. Rui Ribeiro

    30 de junho de 2017 1:51 pm

    Que recuperação da economia? Que economia, Cara Pálida?

    Esse Cara Pálida não vê que o número de desempregados aumentou?

    “Em um ano, país ganha mais de 2,3 milhões de desempregados.

    Desemprego sobe e já afeta 13,8 milhões de brasileiros. Taxa de 13,3% é a maior para o trimestre encerrado em maio desde o início da série histórica, em 2012. Em fevereiro, foi de 13,2%”

    https://oglobo.globo.com/economia/desemprego-fica-em-133-no-trimestre-encerrado-em-maio-21538408

    Quer dizer que esse troglodita está exultante em razão da recuperação da economia?

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