4 de julho de 2026

O ímpeto demolidor de Eduardo Cunha, por Janio de Freitas

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da Folha

Os derrubados, por Janio de Freitas

Michel Temer foi apeado do poder de presidente do PMDB, assumido de fato por Eduardo Cunha

O ímpeto demolidor de Eduardo Cunha, o novo presidente da Câmara, faz mais do que impor a Dilma Rousseff e ao PT as derrotas que até ousa anunciar com farta antecedência. Derruba também à sua volta. Neste caso, em silêncio. Mas com o mesmo efeito: atingido também por derrubadas, o seu PMDB está tão atônito quanto o PT, embora com menos evidência por não suscitar o mesmo interesse do noticiário político que os petistas.

Ninguém disse, mas Michel Temer está apeado do poder de presidente do PMDB, assumido de fato por Eduardo Cunha. Avalista moral e político da aliança peemedebista com Dilma Rousseff, Temer atravessou o mandato anterior sem falha alguma na lealdade de aliado e com valiosas colaborações. Michel Temer está emudecido.

A voz de comando do PMDB é a de Eduardo Cunha. O PMDB avalizado por seu presidente põe-se como oposição ao governo sem, no entanto, romper a aliança com Dilma e com o PT e, menos ainda, sem deixar os cargos que tem no governo a que hostiliza. Michel Temer nada diz nem como vice-presidente da República: o que diga em discordância com o governo e Dilma, situa-o contra a aliança de que é avalista; o que diga em discordância com a linha peemedebista hostil a Dilma e ao governo, deixa-o contra o partido de que é presidente de direito.

O PMDB parece não ter governadores nem senadores. Seguir posições contra o governo não é a mais conveniente das posições para os governos estaduais, todos com necessidade da boa vontade federal. No Senado, os peemedebistas Renan Calheiros e Romero Jucá falam por suas funções de presidente da Casa e, o outro, por suas múltiplas relatorias e articulações de projetos. Aí, porém, a apreciação silenciosa da avalanche Eduardo Cunha não é equivalente à dubiedade amordaçante de Michel Temer. É resistência, é discordância. É espera tática.

Com a ausência de Sarney, que não buscou a reeleição, e como ocupante da presidência do Senado e do Congresso, Renan Calheiros chega à situação de tornar-se a mais influente figura da vida parlamentar. O que implica dizer, também, do PMDB. Imaginá-lo cedendo essa oportunidade à voracidade de um recém-chegado é esquecer batalhas piores que Calheiros transpôs, para chegar onde está. O mesmo pode ser dito de Romero Jucá, talvez o mais sagaz e por certo um dos mais habilidosos em todo o Congresso.

Mesmo na bancada peemedebista da Câmara não falta perplexidade, entremeada na euforia que Eduardo Cunha injeta. Como demonstrado na sua pressa de providências contra o plano do ministro Gilberto Kassab, de atrair deputados para um novo partido governista: é sabido que foram percebidos, na bancada do PMDB, aderentes potenciais ao PL governista de Kassab.

A propósito, a quarentena de cinco anos para a fusão de um novo partido a um outro, conforme projeto incentivado por Eduardo Cunha para inviabilizar a integração PSD/PL de Kassab, é pouco menos do inócua. Pode impedir a criação de um partido tão numeroso, ou quase, quanto os maiores atuais, mas não impede que o novo partido integre e aumente, com o mesmo efeito, a bancada do governo.

O PMDB não é avaro: o que causa para fora, causa também para dentro.

Lourdes Nassif

Redatora-chefe no GGN

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12 Comentários
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  1. Zanchetta

    12 de fevereiro de 2015 10:24 am

    Seria essa rebelião do PMDB

    Seria essa rebelião do PMDB uma ação contra a tentativa pelo Governo (ou o PT) de fazer o Kassab quebrar a hegemonia do mesmo fundando mais um Partido?

  2. CB

    12 de fevereiro de 2015 11:17 am

    …e se Cunha sofrer uma

    …e se Cunha sofrer uma overdose de poder e exposição? Tem vários bumerangues soltos por aí…

  3. Alan Souza

    12 de fevereiro de 2015 11:24 am

    Desse jeito que a coisa vai…

    O Eduardo Cunha vai acabar aprovando uma nova constituição abolindo a República, instaurando a Monarquia e o proclamando rei do Brasil*.

    E o PT vai ficar olhando…

    *Para delírio dos monarquistas do blog, que finalmente terão um rei para chamar de seu… 

  4. Sergio Saraiva

    12 de fevereiro de 2015 11:45 am

    Brilhante.

    Mestre Janio em um dos seus melhores momentos.

  5. Severino Januário

    12 de fevereiro de 2015 12:11 pm

    Tudo se resume a dinheiro,

    Tudo se resume a dinheiro, muito, muito dinheiro. Está chuvendo dinheiro grosso em alguns recintos brasilienses. De onde vem tanto dinheiro?

  6. Lucinei

    12 de fevereiro de 2015 12:15 pm

    O mais perigoso nesse Eduardo

    O mais perigoso nesse Eduardo Cunha é que ele sabe que tem rabo preso e, portanto, está disposto a qualquer coisa para não jogarem seus podres no ventilador. Todos sabem que é assim que a direita opera, na base da chantagem. O Michel Temer sabe bem disso e o Eduardo Cunha sabe que ele sabe. Não acredito que ele baterá de frente com o Michel Temer, portanto.

    O Eduardo Cunha está ali para causar o maximo de estrago ao PT e somente isso. É um Severino Cavalcanti mais ardiloso. Todos sabem que o Severino caiu logo na primeira balançada da árvore. Na hora certa o Eduardo Cunha também volta para o segundo plano.

  7. Anna Dutra

    12 de fevereiro de 2015 1:07 pm

    O senhor em questão é útil,

    O senhor em questão é útil, pois se expõe e age em nome dos que preferem as sombras. Enquanto servir, e me parece tem fôlego para permanecer ainda um bom tempo sob os holofotes, estará blindado.

  8. Gilson AS

    12 de fevereiro de 2015 2:55 pm

    Tem um ditado que diz “

    Tem um ditado que diz ” Malandro demais se atrapalha, tropeça nas prórpias pernas e ainda é abatido por um otário”

    Esse Cunha com a capivara que ele tem(processos), não vai muito longe, é só uma questão de tempo.

    Ou ele acha mesmo que nesse covil de cobra, só ele é mais esperto que os outros, o resto é um bando de otário ?

    Não demora muito e vão arrumar uma casa de caboclo para ele deitar.

    Malandro demais … tá bom !!!

  9. morallis

    12 de fevereiro de 2015 4:02 pm

    Cunha é um arcanjo…sem luz.

    Cunha é um arcanjo…sem luz.

  10. wendel

    12 de fevereiro de 2015 4:51 pm

    Somente……………………

    Estará abanando o rabo somente até quando interessar a seus patrões.

    Quando não interessar mais, cairá no ostracismo tal qual o joaquinzão! E por falar no tal, onde andará ?

  11. sergior

    12 de fevereiro de 2015 10:54 pm

    Ainda nos anos 90, no início

    Ainda nos anos 90, no início do governo Collor, Jânio já denunciava Eduardo Cunha, quando este era ainda presidente da Telerj. Portanto, conhece plenamente a personagem. Há um erro em sua análise, no entanto: Cunha foi, durante todo o segundo mandato de Lula, incensado por Temer para demonstrar o poder do PMDB, presidido por ele. Nunca foi, de alguma maneira, detido em sua ação. O silêncio de Temer diz muito, portanto.

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