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Os grupos de mídia e o desrespeito às religiões

Em meados dos anos 90, um bispo evangélico chutou uma imagem de Nossa Senhora Aparecida em um programa da TV Record. Houve comoção nacional. A Globo aproveitou o incidente para conduzir uma feroz campanha contra o bispo e a Record.

O episódio resultou na demissão do bispo, no seu afastamento da sua igreja e um pedido de desculpas da Record.

Em Paris, o jornal “Charlie Hebdo” publica uma charge do profeta Maomé. Segue-se o atentado terrorista. A reação francesa foi uma nova edição do jornal com uma nova charge do profeta.

Nem se discute sobre o atentado: é um ato terrorista que deve ser condenado exemplarmente. O que se discute é sobre os limites da liberdade de expressão.

***

No Brasil, os mesmos grupos de mídia que conduziram a campanha contra a Record levantaram-se em defesa da liberdade absoluta de expressão. E aproveitaram oportunisticamente do episódio para combater qualquer forma de regulação. Regulação, aliás, em curso em todos os países desenvolvidos.

***

Vamos por partes.

Não se pode comparar a forma de expressão individual de um artista, ou mesmo de um grupo em seu meio, com a penetração de um grupo de mídia, ainda mais daqueles montados em cima de concessões públicas.

A escala é totalmente diferente. Os grupos de mídia atingem milhões de pessoas, forjam o pensamento de vastas camadas de leitores ou telespectadores. Especialmente no Brasil, detém um poder de cartel imbatível.

Por isso mesmo, tem que existir limites à sua atuação. Mas uma visão vesga do Judiciário não entende essas características e tende a colocar todos os abusos ao abrigo do conceito de liberdade de imprensa.

***

Tome-se a própria Record.

Anos atrás, conduziu uma campanha pesada contra as religiões afro. O Ministério Público Federal de São Paulo abriu uma ação exigindo reparação, na forma de um programa produzido por lideranças negras, reparando os danos à imagem do negro e da religião.

Montou-se um programa digno, sem ataques à Record, mas explicando a natureza das religiões afro.

Não se conseguiu essa reparação. A sentença – absurda – dava à Record a liberdade total de veicular o que quisesse, sem que os atingidos tivessem direito à resposta.

Não há diferenças: o chute na santa, a charge do profeta, o ataque às religiões afro são atentados à religião. Por que esse tratamento diferenciado, de enaltecer o direito de Charlie Hebdo em satirizar o profeta, tirar o direito do bispo da Record de chutar a santa e conferir à mesma Record o direito de avacalhar às religiões afro?

A diferença está na ponta atingida: depende da maior ou menor influência do grupo atingido, em relação ao agressor.

***

Confira-se:

  1. No episódio da santa, os católicos eram os atingidos e os evangélicos os agressores. Prevaleceu a maior influência católica.

  2. No episódio das religiões afro, atingidos foram os seguidores de religiões afro; agressores, os evangélicos da Record. Prevaleceu a maior influência dos evangélicos.

  3. No caso do Charlie, os atingidos eram muçulmanos.

***

Há algo de muito errado nessas métricas diferentes. Católicos, evangélicos, seguidores de religiões afro, todos merecem o respeito dos meios de comunicação. E os abusos devem ser coibidos, sim, pela Justiça.

E viva o Papa Francisco, o que melhor está entendendo esses tempos nebulosos.

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261 comentários

Comentários

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Então... Se você passarem

Então... Se você passarem pela rodovia Rondon e virem uma espécie de obelisco na entrada de uma cidade escrito: AQUI JESUS REINA, é a cidade onde eu moro. Os evangélicos tomaram conta da política e da  Prefeitura. Veículos, bens  públicos, cartazes, todos são estampados com essa idiotice. De onde se deduz que mulçumanos, budistas, umbandistas e adeptos do candonblé não podem viver neste reinado.

No interior de São Paulo, especialmente nas cidades pequenas, as antigas famílias grandes puxadoras de voto foram substituidas pelos pastores das Igrejas Evangélicas e como a Igreja Catótica retirou-se da política e da atuação social após o infame e despreparado papado de João Paulo II o obscurantismo e fanatismo está tomando conta das pequenas cidades.

O promotor da cidade passa todos os dias pelo "obelisco" e não consegue enxergar nada de errado. Deve ser da facção do Dellagnol. A famíla evangélica (e eu não tenho nada contra os evangélicos mas contra o fanatismo e o preconceito) que domina a política da cidade há 16 anos estão metidos em falcaturas até a cabeça e dois deles estão com direitos políticos cassados e o atual prefeito enfrenta um processo de cassação. Mas como Aqui Jesus Reina... serão perdoados.

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Vera Lucia Venturini

A religiosidade pode ser vista de vários ângulos.

A religiosidade como expressão da fé.

A religião é uma sistematização da fé. E a fé uma característica do ser humano. Logo, em relação à fé individual ou a prática coletiva da fé, a religião, seus limites devem ser apenas os limites imposto pelo código penal.

A religião como forma de poder.

Nesse caso vale apenas uma definição: todo poder emana do povo e por ele, ou em seu nome, deverá ser exercido nos termos da constituição.

Ou seja, a religião como forma de poder é inconstitucional. E, portanto, deve ser combatida. 

Não é por menos que o Estado deve ser laico.

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A Oficina de Concertos Gerais e Poesia apoia o Movimento Golpe Nunca Mais.

 

imagem de Luiz Moraes
Luiz Moraes

Será que ele finalmente

Será que ele finalmente compreendeu que "liberdade de expressão não pode vir acima do respeito"?...

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"racismo e preconceito não são opiniões, são crimes"

Vladimir Safatle: "Liberdade de expressão nunca significou, nem nunca significará, dizer qualquer coisa de qualquer forma. Se alguém ironizar os negros como intelectualmente inferiores, tripudiar das mulheres com enunciados machistas que expressam a história de sua sujeição, fazer chacota dos judeus baseado nos velhos preconceitos que alimentam milenarmente o antissemitismo, espera-se que o Estado impeça a circulação de tal violência. Certos enunciados trazem uma história amarga de violência, humilhação social e preconceito contra grupos mais vulneráveis. Não por outra razão, todo racista hoje em dia clama pela liberdade de expressão, pelo direito de “expressar sua opinião”. Mas racismo e preconceito não são opiniões, são crimes."

Artigo completo na Carta Capital hoje, http://www.cartacapital.com.br/revista/833/palavras-e-metralhadoras-9110...

 

 

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   Está perfeito, até

 

 

Está perfeito, até aí.

Mais: aqui no Brasil, que é onde a gente pode, até a página três, influenciar e agir, é necessário aprofundar a discussão sobre os limites à liberdade de expressão para que tenhamos uma legislação que consiga ser ao mesmo tempo o mais libertária possível e que seja inequívoca e não dê margem a dubiedades quando criminosos eventualmente quiserem se valer desse argumento, o da liberdade de expressão, para externar preconceitos odiosos de quaisquer espécies.

Eu queria insistir nisso. Precisamos chegar a uma legislação que, sempre a posteriori, dê munição jurídica a quem se sentir ofendida ou ofendido por ataque à sua pessoa por conta de sua orientação sexual, de seu sexo, da cor de sua pele, de fazer parte de um povo, de ser oriunda ou oriundo de alguma região de algum país e mais alguns etc..., a serem claramente definidos em lei, para que a vítima desse ataque tenha possibilidade real e concreta de lograr êxito nos tribunais. 

O que segue no texto do Professor Safatle é que nos puxa de novo para outra discussão:  alguns, ou vários cartuns de Charlie Hebdo seriam simplesmente preconceituosos e profundamente violentos "(...) em relação à parcela da população francesa (os magrebinos e descendentes de árabes, majoritariamente muçulmanos, atualmente a mais miserável, discriminada e sem representação social."

Uma resposta a essa argumentação veio de Kenan Malik:

"Yet, hardly had news begun filtering out about the Charlie Hebdo shootings, than there were those suggesting that the magazine was a ‘racist institution’ and that the cartoonists, if not deserving what they got, had nevertheless brought it on themselves through their incessant attacks on Islam. What is really racist is the idea that only nice white liberals want to challenge religion or demolish its pretensions or can handle satire and ridicule. Those who claim that it is ‘racist’ or ‘Islamophobic’ to mock the Prophet Mohammad, appear to imagine, with the racists, that all Muslims are reactionaries. It is here that leftwing ‘anti-racism’ joins hands with rightwing anti-Muslim bigotry."(Íntegra do artigo aqui: https://kenanmalik.wordpress.com/2015/01/08/je-suis-charlie-its-a-bit-late/) 

 

Uma outra resposta, vinda de um muçulmano praticante, francês, foi dada durante o julgamento da ação movida contra Charlie Hebdo por uma organização muçulmana francesa: muitos ocidentais pensam que os muçulmanos são incapazes de entender uma piada, pensam que aos muçulmanos falta senso de humor. Encontra-se essa declaração no documentário "É duro ser amado por idiotas", cujo link eu torno a colocar: http://www.myfrenchfilmfestival.com/pt/ Está em francês com legendas disponíveis em inglês, exibição gratuita. Por fim, a discussão sobre Charlie Hebdo ser racista, preconceituosa e islamofóbica chegou a um ponto que lembra as mesas redondas de futebol que discutem se foi ou se não foi pênalti.  Que me desculpem o Galvão Bueno e o Arnaldo, mas não foi pênalti, Charlie Hebdo não é e nem nunca foi racista, preconceituosa, islamofóbica. 

 

 

 

 

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Isso não tem nada a ver com "liberdade de expressão"...

Mauro,  Sobre o caráter racista e preconceituoso ou não-racista e não-preconceituoso do Charlie Hebdo, estou conformada em concordar em discordar de você. Mas há um outro ponto em seu post que eu gostaria de comentar. Você continuamente coloca a quesão em termos de "liberdade de expressão", o que me parece equivocado. Já eu não acho que nada disso tenha relação com nada ligado à  liberdade de expressão, *muito menos* censura. De fato (e partindo da sua premissa de discutir a questão na perspectiva brasileira), nada disso tem a ver com criar lei alguma. No Brasil já temos lei contra o racismo, por exemplo - e por sinal, muito avançada. E (esse agora é o ponto), essa lei se aplica *onde quer que o racismo se manifeste,  seja no elevador do seu apartamento, seja num estádio de futebol, seja em uma coluna de jornal*. A lei é contra o *racismo*, e não tem nada a ver com a liberdade de expressão ou (muito menos) de imprensa. Eu entendi que o artigo do Safatle vai por aí, ao dizer que "racismo e preconceito não são opiniões, são crimes". Há algum desvio portanto nessa discussão... Os que consideram (como eu) que o Charlie Hebdo veiculava expressões de racismo, machismo e desrespeito religioso estão sendo acusados de ser contra a "liberdade de expressão", quando, na verdade, são contra o racismo, o machismo, e o desrespeito à religião. Isso tudo me parece tão claro, que me dá até desespero de explicar.

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Mc, não conheço quem defenda

Mc, não conheço quem defenda que externar racismo seja exercício da liberdade de expressão, a não ser os racistas.

Minha ignorância e minha consciência de ser ignorante me impedem de ser arrogante e afirmar que qualquer pessoa que defende e defenda a livre expressão total ou é racista ou no mínimo é conivente com práticas racistas. Quis escrever isto porque ainda não estão claras para mim, por exemplo, as posições sobre liberdade de expressão de Noam Chomsky e Gerald Thomas. O vídeo com um trecho de uma entrevista de Noam Chomsky dada em 2011 foi divulgado aqui no blog, não é necessário eu trazer novamente o link porque voce já o conhece, tanto que fez um comentário elogiando a posiçào de Chomsky, que achei dúbia pois perigosamente dá margem a mais de uma interpretação, talvez por conta da edição que foi feita (o vídeo não traz o que ele falou antes e nem o que falou depois).

A opinião de Gerald Thomas está aqui: https://geraldthomasblog.wordpress.com/2015/01/17/folha-de-s-paulo-gerald-thomas-opiniao-tendencias-e-debates/

Mas, independentemente das opiniões deles e a menos que, estudando-os e a outros que assim pensam, que os há, a sociedade convença-se do contrário, externar racismo não está amparado pelo direito à livre expressão. Acho que não dá pra eu ser mais claro que isto.

Sim, discordando de voce, é necessário um debate aprofundado visando a alterar a legislação sobre liberdade de expressão. Não é possível que Danilo Gentili ofereça bananas pelo twitter a um negro e continue solto, pra ficar só com esse exemplo.

Sim, o Professor Safatle mandou legal no trecho que voce pinçou e publicou. Destaquei isto em meu comentário. A maionese começou a desandar no restante de seu artigo, onde a gente encontra o trecho que destaquei, está entre aspas, e que para refutação eu trouxe outras duas opiniões, uma delas, conforme também destaquei, de um muçulmano praticante. Te asseguro que não me bate um desespero como o que te acomete, mas uma grande e profunda estranheza, ao constatar que dois ocidentais não muçulmanos (voce declarou que não é, presumo que o Professor Safatle, pelo que conheço de seus escritos, tampouco o seja) imaginam enxergar uma ofensa que um muçulmano afirma que não existiu. 

Para esse debate que estamos tendo agora, a questão de Charlie Hebdo ser ou não racista e preconceituosa é essencial. Pois é exatamente por saber - não estou usando a palavra "saber" por arrogância - que Charlie Hebdo não é e nem nunca foi racista que me disponho a defendê-lo, no limite de minhas fôrças e capacidade e incompetência, por mais árido e desgastante que às vezes o debate possa se tornar.

Então, veja, não represento ninguém, a galera do Je suis Charlie é composta por pessoas com mais de uma motivação, idem a galera do Je ne suis pas. A Anarquista Lúcida e eu conversamos longamente sobre isto, publicamente aqui no blog. Esse movimento não goza de "centralismo democrático".

Mc, eu não penso que ninguém que seja do Je ne suis pas Charlie seja contra a liberdade de expressão conforme os motivos que voce elencou, a não ser um.

Esse único ponto é o desrespeito às religiões, que entendi que Charlie Hebdo pratica e sempre praticou, e que diferente de voces, eu acho que tem o direito de continuar fazendo.

Pode parecer que quem pensa assim só fica repetindo os mesmos argumentos e mantém sua posição por pura teimosia, mas não é assim. O que acontece é que quando voce identifica o núcleo do teu pensamento, constrói um discurso que lhe parece lógico e o traz a público e esse discurso não é desmentido, ou melhor, superado por uma tese diferente, voce o mantém.

Minha tese é, resumindo: Charlie Hebdo é um jornal que se propõe satírico, com um olhar progressista e de esquerda. Trata dos assuntos que lhe vêm à frente, conforme e quando surgem. Considera as religiões ideologias como outras quaisquer, não entendendo que mereçam tratamento diferenciado. Não é condescendente com os praticantes da religião A, B ou C.

Charlie Hebdo julga estar no seu direito à livre expressão expressar-se satiricamente sobre quaisquer religiões. Quem pensa diferente está dizendo: não, sobre religião não, sobre religião voce não pode se expressar livremente. É evidente que voces afirmam que no tópico religiões não deve haver livre expressão. Não reconhecem que fazê-lo seria exercer um direito.

No final de seu artigo, o Professor Safatle acena que o governo francês deveria ter agido para, é o que transparece do texto, impedir que Charlie Hebdo continuasse exercendo seu direito de livre expressão também sobre religiões. Suspeito que não há consenso no Psol do Professor Safatle sobre o episódio Charlie Hebdo em geral e muito menos ainda nesta derradeira sugestão de Vladimir Safatle em particular.

 

 

 

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Em tempo 2 (alerta, texto imenso)

Caro Mauro

Relendo nossas discussões, percebi que em nenhum ponto eu declarei claramente a minha posição sobre a liberdade de expressão, e com isso, causei diversos mal-entendidos. Então para me redimir, e evitar mais explicações (ninguém deve estar nos aguentando mais aqui), vou tentar dizer claramente a minha posição:

- Eu sou a favor da liberdade de expressão plena, à la Chomsky. *Plena*: quer dizer que eu não acho que haja nenhum assunto neste mundo, ou nos mundos a serem ainda criados, que não deva poder ser discutido com toda liberdade, por quem quer que seja.

- É verdade que há coisas que, ao serem ditas, podem ofender indivíduos e comunidades. Na minha visão a liberdade de expressão *inclui* as coisas que, ao serem ditas, podem ofender indivíduos e comunidades. Repetindo: acho que devem poder ser ditas.

- Isso não quer dizer que eu ache lindo viver em um mundo no qual as pessoas ficam ofendendo as outras - e sim, quer dizer que eu acho mais importante defender que as pessoas possam dizer o que pensam do que proteger pessoas de potenciais ofensas. Porque, de um lado, a liberdade de expressão é fundamental para o desenvolvimento da ciência, para o debate político e filosófico, etc.; e, de outro lado, a separação entre o que é ou não ofensa nem sempre é clara. Em um mundo ideal, seríamos capazes de separar sempre e inequivocamente o que é debate saudável e o que é ofensa. Mas como isso é muito difícil *a priori*, é melhor não regular nada *a priori*, ou seja, o custo de regular a ofensa pesa demais em relação aos benefícios de se poder discutir tudo.

- Enquanto isso, junto com a liberdade de imprensa, acho que devemos lutar por transformações culturais e sociais que façam surgir uma sociedade na qual as pessoas não ofendam as outras - não porque seja proibido ofender, mas porque elas, em suas éticas, não querem ofender as outras.

- Dessa luta por transformação social vem o seguinte e fundamental adendo: as coisas ofensivas, ao serem ditas, devem poder ser (1) criticadas e/ou (2) punidas por lei.

- Exemplo de coisa que acho que pode ser criticada: machismo. Acho medonho, mas não acho que deva ser proibido dizer coisas machistas. E, em compensação, acho que quando eu leio uma coisa machista, devo poder dizer: "que coisa revoltante e machista, seu machista revoltante"; e: "olhem aqui que revista mais machista e revoltante, vamos boicotar", etc., sem que ninguém venha me dizer que eu estou atentando contra a liberdade de expressão. Você fala o que pensa, e eu falo o que eu penso do que você pensa. Da mesma forma como acho inaceitável a censura, acho inaceitável a repressão à crítica (que é o que eu estou vendo acontecer, nesse caso do Charlie Hebdo).

- Exemplo de coisa que acho que, além de criticada, pode ser penalizada: não acho nada, a lei é que diz em cada lugar, em termos mais" gerais ou mais específicos. Um exemplo de lei "geral" seria a que regula "calúnia e difamação", i.e., os indivíduos que se sentirem caluniados ou difamados podem responder às ofensas, qualquer seja a ofensa. Um exemplo de lei específica é a que remete à intolerância religiosa, no caso do Brasil.

- Por fim, essa visão da liberdade de expressão irrestrita é indissociável de um modelo democrático das mídias. Porque, se todos devem poder dizer o que querem, a mídia não pode ser concentrada - ou só o que esses querem dizer será dito.  Só entendo regulação das mídias nesse sentido: uma regulação que impeça a concentração dos meios e que assegure o direito de plena expressão (inclusive, da plena expressão dos que se sentirem ofendidos pela plena expressão dos outros). Nunca uma regulação que determine a priori o que pode ser veiculado.

Desculpe o tamanho da coisa, prometo que agora paro.

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Chomsky, Gerald Thomas, direito de crítica e penalizações

Para decifrar o que Chomsky efetivamente propõe, vamos ver onde a gente eventualmente concorda ou discorda não quanto ao mérito da proposta, mas na interpretação do texto. Ele aponta a hipocrisia de quem diz Je suis Charlie e para tal lembra uma série de fatos e uma sua (dele Chomsky) interpretação do caso Siné. Até aí acho que voce e eu fazemos a mesma leitura, ele está denunciando e atacando o "dois pesos e duas medidas.  O que ainda não estou convencido é que ele realmente proponha a livre expressão total. Ele não defendeu isso nem no texto esse publicado na página da CNN e nem no vídeo editado divulgado aqui no blog.  Sem ler sua (dele) defesa dessa proposta, se é que ele a defende, não há como discuti-la. Ainda não encontrei essa suposta proposta, está na minha fila de pesquisas na internet. A deferência para com Chomsky é por sua estatura intelectual. Se ele defende isso, quero conhecer seus argumentos. Já em relação a Gerald Thomas, também gostaria de lê-lo mais e na verdade fazer uma ou duas perguntas para não ter dúvidas sobre o que ele realmente pensa. O artigo de Gerald Thomas na Folha, cujo link eu trouxe em um dos comentários anteriores neste mesmo post, é a mais forte defesa do direito à livre expressão que li. Veja, pelo que voce escreveu, voce concorda com Chomsky menos do que voce pensa, pois a livre expressão que ele parece defender não seria passível de penalização alguma. Repetindo, não está claro para mim o que Chomsky realmente pensa a respeito do assunto e, aproveitando a oportunidade, já agradeço se voce ou alguém que esteja acompanhando a discussão souber de algum seu texto onde ele afirme e esclareça sua posição. Mc, não consigo aceitar que pessoas, alegando direito à livre expressão, agridam outras pessoas por pertencerem a outros grupos étnicos, terem outras orientações sexuais, serem de outro gênero, serem oriundas de determinadas regiões dos países, serem membros de determinados povos. Por isso é que defendo o estabelecimento em lei de limites bem claros e inequívocos sobre os limites à liberdade de expressão, o que implica em uma discussão demorada se for séria e democrática. E, para deixar bem claro, não pode haver censura prévia, as penas da lei seriam sempre aplicadas a posteriori. Quanto ao direito à crítica dos textos e cartuns, pra ficar com o exemplo de Charlie Hebdo, concordo integralmente contigo. Sempre pensei assim e se deixei transparecer que pensava diferente foi provavelmente falha minha. Há uma coisa que queria, no entanto, destacar: Charlie Hebdo publica um cartum. Alguém faz uma crítica a esse cartum. Absolutamente legítimo. Voce faz uma crítica à crítica feita por aquele alguém. Absolutamente legítimo também. Voce não está querendo tolher a liberdade de expressão daquele alguém, está apenas exercendo teu próprio direito à livre expressão. Por fim, sobre a extensão dos textos e a continuação da discussão, não creio que estejamos aborrecendo alguém. É um assunto sério, ultra-atual, está no rol das preocupações do blog, não é só de interesse teu e meu, e tanto voce como eu estamos, com todo o cuidado possível, empreendendo um grande esfôrço para clarear a discussão. Eu sinceramente até queria ouvir mais vozes.  No meu caso, sobre a extensão dos meus textos, assinaria o que Oscar Wilde escreveu como última frase de uma longa carta que dirigiu a um seu amigo: me perdoe pela extensão da minha carta, não tive tempo para ser sucinto.

 

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Chomsky... 2

Mauro, muita coisa para pensar no seu post. Mas por enquanto só queria te dizer que, numa boa, eu sou especialista em Chomsky e fã número 5.001 (no caso dele é bastante!), e acho que concordo com ele exatamente o quanto concordo :)

Tem uma bibliografia muito generosa de Chomsky sobre liberdade de expressão... eu recomendaria o seguinte para começar: 

Some Elementary Comments on The Rights of Freedom of Expressionhttp://www.chomsky.info/articles/19801011.htm

O contexto desse texto diz tudo: é o prefácio do livro que negava o holocausto (Robert Faurisson, Mémoire en défense, October 11, 1980), eposídio já mencionado em outro post. Dáuma olhada, e depois conversamos mais!

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Muito obrigado, mc

Lerei com atenção, mesmo.

Muito obrigado, mc, mesmo e mesmo.

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P.S.

Esse prefácio deu um bafafá incrível, esqueci de colocar link para uma sequela:
"His right to say it", http://www.chomsky.info/articles/19810228.htm

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P.S.: Gerald Thomas

Eu não consegui ler o artigo do Gerald Thomas que você mandou, porque não assino a Folha, e o site, como sabemos, é fechado (o que, no caso, não deixa de trazer uma bela ironia à tona...). Será que alguém que assina poderia colar aqui?

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O artigo de Thomas

Essa é a íntegra do artigo, a Folha não publicou tudo:

QUEM RI POR ULTIMO, RI MELHOR !!!
(IN) Tolerância X Tolerância. A ULTIMA coisa nesse mundo que preciso é lição em direitos humanos. Durante SEIS anos trabalhei na Amnesty International (a sede da organização: International Secretariat – década de 70) em Londres trabalhando pelos presos políticos brasileiros, exilados, desaparecidos e torturados. Depois fui pra “Liga de Liberação dos Povos” do Senador Italiano, Lélio Basso. E depois disso, fui pro Russell Tribunal. Sei do que estou falando. Não é somente das celebridades presas ou exiladas, como Gabeira, Herzog, Stuart Angel e Arraes que falo. Eu visitei quase todas as prisões brasileiras em 1978 (Barro Branco, Frei Caneca, Itamaracá, etc). A lista era enorme: o Doi Codi, a Oban, etc estavam em plena operação (assim como o Fleury no DOPS) e outros esconderijos da ‘ocupação militar’ brasileira pós Ato Institucional numero 5 mandavam ver. E eu la, na sala de “telex” da Amnesty, em Southampton Street, Covent Garden, defendia os estudantes da Convergência Socialista ou dezenas de presos cujos nomes, infelizmente, hoje me fogem a cabeça. Ah sim, Alex Polari de Alverga, Nelson Rodrigues Filho, Vladimir Pomar, Pedro Pomar, Elza Monerat, Iramaya Queiros Benjamin e assim por diante. Faz um mês (ou um pouco mais), eu estava marchando nas ruas de NY (onde moro), protestando o horrendo veredicto do “Grand Jury” sobre a horrenda morte de Eric Garner em Staten Island e Michael Brown em Ferguson, Missouri. Fiz o mesmo ha dois anos quando Trayvon Martin foi assassinado na Florida e deixei flores no ‘makeshift memorial” dos dois policiais mortos em Brooklyn, Wenjian Liu (Chines, 12 anos de USA) e Rafael Ramos, hispanico. Como veem, sou ecletico nas minha homenagens. Gostaria de estar hoje em Paris – nessa marcha de 1 milhão pra ser mais um na multidão, apostando nessa utópica sociedade livre e na mais utópica ainda “liberdade de expressão”. Mas não estarei. Mas fico feliz ao ouvir que QUARENTA chefes de estado estarão: de Netanyahu a Mahmud Abas! Que ironia! A ultima “marcha de 1 milhão” da qual participei foi em Londres, 2003, pra tentar evitar que Tony Blair se juntasse a Bush na inútil, banal e estúpida invasão do Iraq ( e olha a merda que deu!) Sim, defendo toda e qualquer liberdade de expressão, mesmo depois desse trágico evento de Paris que matou os cartunistas do Charlie Hebdo e mais pessoas num mercado Kosher. Sei o que é racismo: fui criança em Erwin ,Tennessee e, confesso que vi as piores coisas, presenciei os mais horrendos comentários sobre negros – era o centro da “segregation” (junto com Alabama, etc), justamente quando o maior de todos os lideres, Dr. Martin Luther King Jr, estava marchando pra Washington e….bem… Sei o que é xenofobia: mais da metade da minha família foi exterminada em vários campos de concentração na Alemanha (de Auschwitz até Buchenwald) e nem por isso deixo de ser fã incondicional de Richard Wagner e enceno suas óperas. Sei o que significa ‘odiar o inimigo”, já que fui educado com o holocausto na cabeça mas com um pai protestante luterano que tinha uma ampla visão de mundo e – depois de ter lutado dentro da Alemanha em plena Segunda guerra (a favor da Resistência pro Forças Aliadas), olhava o mundo pasmo, assim como meu mestre Samuel Beckett, olhava o mundo pasmo, de sua janela no Boulevard St Jacques, nessa mesma Paris depois de ter feito o mesmo: trabalhou na Resistance. Mesnmo tendo minha família exterminada em Auschwitz, admito qualquer forma de cartoon, sacanagem, piada, etc a respeito dessa cultura (judaica) da qual faço parte. Nada (ou pouco) sei sobre o Judaísmo. Nem me lembro das “datas sagradas” – pois pra mim essas datas viraram uma espécie de transtorno bipolar. Não se comemora Ramadan ou Yon Kipur ou Natal pra celebrar nada. Comemoram-se as “diferenças”. Uma espécie de competição olímpica horrenda que confina cada credo ao seu guetto, afirma sua superioridade, e ataca os outros. ODEIO VACAS SAGRADAS. Eu sou a favor do FIM aos tabus e das Vacas Sagradas. Palhaçada tudo isso! Mas, MESMO assim, mesmo assim!!!, admito sátiras aos cadáveres dos meus parentes! Sou filho da contra-cultura, pus meus pés na lama de Woodstock e até hoje acredito naqueles valores “Freedom, Freedom, I’m a motherless child” e acredito (inutilmente) no Star Spangled Banner que Hendix inverteu, distorceu e transformou nas bombas que caiam sobre Vietnam. “É tanta liberdade que não há mais como provocar”, dizia o Wolinski em 1993, passando pela favela da Rocinha, no Rio.
Wolinski foi morto na quarta feira passada, na redação do Charlie Hebdo. Merda!. ODEIO qualquer forma de racismo. Sou uma figura publica e eu ja disse a que vim e a que veio (que feio!), faz mais de 4 decadas. Sou de teatro e do teatro! Da farsa ao realismo, da satrira as lagrimas, me coloco no palco “fingindo encenar a mim mesmo”, usando atores ou cantores liricos numa tentative de reinventar o “mundo ideal” – sendo que essa Torre de Babel ja deu!!! E tento escrever (sim é desespero incrivel) , tento depor sobre a minha época, sobre os conflitos do tempo presente em que vivo. Qualquer coisa DIVISIVA É HORRIVEL. Somos HUMANOS porra! To cagando se é mesquita, sinagoga, igreja católica, templo evangélico, templo bhuddista ou o caralho a quatro. Qualquer pessoa que LEVA A SERIO demais o fato de nos satirizarmos uns aos outros, que vão a merda!!! Ou se enterrem Vivos ou mortos vivos ou (quase mortos)!! Sim, sou intransigente no que diz respeito a liberdade de expressão de cada um: e sou ainda MAIS INTRANSIGENTE quanto MATAM EM NOME DE ALLAH, DE MOHHAMED, de Cristo, de comunismo, de Nazismo, de Fascismo, de qualquer “ismo”. Protestei nas ruas de Nashville e de New York na dedada de 60 e 70 contra a Guerra do Vietnam. Junto do nosso parco movimento, havia um cartunista de NY (Jules Feiffer) e tinha o Pasquim do Ziraldo e Jaguar e Francis no Brasil e tinha o Private Eye em Londres e tinha o Monty Python – que valia por todos (em especial: “THE LIFE of Bryan” – com sua sátira sobre o apredrejamento (stoning) ou a própria crucificação ou as varias milhares de dissidências entre as frentes de libertação da Palestina. Caricaturar NUNCA é crime. Caneta e lápis não matam ! Exageram, humilham, nos fazem cócegas, mas não matam. Aceito QUALQUER caricatura a respeito da minha família contida em cinzas em em cinzeiros (que tanto vi nas minhas épocas da Triligia Kafka em Vienna, no Wiener Festwochen em 1989)!!!. Posso ficar incomodado com desenhos de cinzeiros cheios com a legenda “aqui dentro, uma pilha de ex judeus” – mas não saio por ai metralhando as pessoas. E quando urram da platéia “Judeuzinho volta pro campo”, como berravam na minha platéia em Tristão e Isolda no Municipal do Rio em 2003, eu abaixo as calças e mostro a BUNDA!!!! Uma caricatura pode apagar a outra, como a borracha, lado oposto do lápis que a desenha. Sim, mostrei a BUNDA e fui processado por evangélicos hipócritas e fanáticos (Rosinha, Garotinho, essa cambada). Mas, um ano depois, e muita grana gasta com advogados, acabei absolvido pelo STF em Brasília. Eu faria tudo de novo, assim como esta em plena reunião de pauta nesse momento, a equipe que sobrou, do Charlie Hebdo. O próximo numero terá 1 milhão de exemplares. Deja vu? Talvez. Afinal, bati nas portas da Amnesty International na década de 70 porque eu havia recebido a noticia, via The Guardian, de que o Pasquim todo havia sido preso, inclusive meu futuro sogro, o Ziraldo. Tradições geram preconceitos.
A merda com as tradições! A merda com os preconceitos! Ninguém vai nos calar, jamais. Podem nos oprimir por um tempo, podem matar alguns, podem torturar com choques e waterboarding, podem tentar nos massacrar de todas as formas mas…QUEM RI POR ULTIMO, RI MELHOR !!! GERALD THOMAS
Jan 11, 2015    

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Obrigada!

Texto forte... Pensando.

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Em tempo: Chosmky

Sobre Chomsky, eu entendo que a visão dele sobre liberdade de expressão é de liberdade irrestrita: tudo deve poder ser dito, mesmo o que possa ser considerado uma atrocidade.

Mas... ele também defende que *todos* devem poder dizer o que pensam. Isso as pessoas muitas vezes "esquecem de lembrar". Inclusive, todos devem poder dizer o que pensam daquele que disse o que pensa... sem serem acusados de restringir a liberdade de expressão. 

Sobre os acontecimentos recentes na França, por exemplo, ele disse o que pensa e disse muito... veja o artigo que ele fez para a CNN (!), e que levou o seguinte título: "Chomsky: Paris attacks show hypocrisy of West's outrage": http://edition.cnn.com/2015/01/19/opinion/charlie-hebdo-noam-chomsky/

 

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Na realidade acho que

Na realidade acho que concordamos sobre um ponto, mas nos expressamos de modos diferentes: você acha que não é legítimo expressar o racismo, eu também não. Onde discordamos é que você remete isso a uma questão de limites/regulações da liberdade de expressão; eu remeto isso ao fato de que o racismo (no Brasil) é um crime, e é por isso que as expressões de racismo sofrem penas. Pode parecer que é a mesma coisa, e o resultado pode até ser o mesmo; mas são mecanismos diferentes. Por exemplo, uma pessoa sofrer as penas da lei se publicar que vai cometer um crime X não é um caso de combate à liberdade de expressão, mas sim de combate ao crime X (vide as ararinhas, concordamos nisso).

O problema é que alguns crimes se materializam *na expressão*. É o caso do racismo: ao proferir a expressão racista, você já está cometendo o crime (e não, por exemplo, apologia ao crime). Daí, algumas pessoas confundem as coisas, e passam a achar que que quem combate expressões racistas em veículos de imprensa está prejudicando a liberdade de expressão, quando não é isso: está-se combatendo um crime que se materializa naquela expressão (e de outras formas também, que aqui não estão em debate).

Nessa minha tese, portanto, o problema é determinar o que é e o que não é crime. Mas isso é um problema social, histórico, jurídico, que vai muito além aqui do nosso debate - é uma questão de o que cada sociedade normatiza como inaceitável. Alguns casos são muito claros, todos sabem que são crimes - sei lá, assassinato -  e ninguém, que eu saiba, defende que a imprensa possa fazer apologia a esses crimes. Outros casos são mais sutis, quando envolvem aspectos ideológicos, ou crimes que se materializam na expressão. Exemplos no caso brasileiro: racismo e intolerância religiosa. Entretanto, esses são crimes previstos na lei, e não deveria haver nem o que discutir quando se aplicam penas a quem expressa racismo ou intolerância religiosa por aqui.

Em outras sociedades será diferente. Pode haver por exemplo um país no qual a lei para a liberdade de expressão é semelhante à do Brasil, mas no qual quem expressar o racismo não sofre as penas da lei, porque lá o racismo não é crime. Ou, pode haver um país com restrições imensas à liberdade de expressão, uma censura ditatorial por exemplo, mas no qual também o racismo não é crime (e onde, portanto, mesmo com a censura, você poderia encontrar textos super racistas nos jornais). Para mim isso demonstra que a questão não é sobre liberdade de expressão nem liberdade de imprensa, é sobre o que é aceitável ou inaceitável em cada sociedade de um modo mais geral.

Bem, como fica então a coisa da tolerância religiosa, assunto inicial do post? Na minha tese, fica subordinada à pergunta: nessa sociedade X, há alguma normatização sobre a tolerância religiosa? Se houver, os veículos de imprensa tem que segui-la - como qualquer outra pessoa. Se não houver, obviamente, não. Ainda nesse segundo caso, mesmo sem lei, um veículo pode decidir não publicar textos ofensivos a nenhuma religião, por postura editorial.

Agora sim voltando ao Charlie. Pelo que temos lido, não há na França uma lei como a do Brasil, que normatiza a tolerância religiosa no geral. Nesse caso, o jornal pode publicar, pela lei, a ofensa religiosa que quiser. A discussão sobre se isso é bom ou ruim fica então inteiramente fora do âmbito legal - torna-se uma questão de ética, gosto, etc. Sobre o racismo: eu entendi (posso estar enganada) que também não há na França uma lei geral sobre o racismo (apenas sobre anti-semitismo). Novamente, a discussão vai para o âmbito da ética. Esse é o âmbito no qual o Safatle está tratando a questão, no artigo que enviei (pelo menos no meu entendimento). E eu não vejo porque ela não possa ser feita, nesse âmbito da ética. Não consigo entender por que cada vez que alguém aponta o caráter preconceituoso das charges do Charlie, por exemplo, o assunto gira para a liberdade de expressão. Eu posso não estar discutindo liberdade de expressão nenhuma, mas sim apenas discutindo o racismo...

Ficou enorme isso, me desculpe - era apenas para tentar responder todos os pontos que você colocou (coisa que aliás ainda nem fiz; vamos conversando).

 

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Tolerância religiosa

Mc, há alguns pontos em teu texto que me obrigam a refletir mais e outro ou outros que penso haver abordado em meu outro comentário de hoje à tarde.

Queria abordar o que voce chama de tolerância religiosa. Tanto no Brasil como na França, pelo que sei, a Lei garante a tolerância religiosa. Nesses países, como em outros e não todos, o Estado não proíbe ninguém de praticar quaisquer religiões e nem mesmo persegue quem não tem religião alguma. 

Quem no Brasil, por exemplo, pratica a intolerância, o faz ao arrepio da lei. Vide o exemplo trazido pelo Nassif, o do clérigo de uma religião chutando um símbolo religioso de outra religião. Vamos lembrar as declarações de certos religiosos de algumas igrejas atacando violentamente as religiões de matriz africana. E lembremos também do episódio Datena, quando atacou duramente os ateus e as atéias em uma edição de seu programa e foi obrigado a se retratar. São só alguns exemplos, há mais.

Isto também é verdade na França. Tanto lá como aqui penso que eventual restrição a alguma determinada cerimônia religiosa ou prática religiosa se deva à eventualidade de determinada religião descumprir o que as leis do país estabelecem como de obrigatório cumprimento por toda a sociedade ou como proibição para toda a sociedade. Se um casal religioso não permitir, por motivos religiosos, que seu filho de cinco anos de idade receba transfusão de sangue e se por causa disso houver risco de morte, o médico, mais que autorizado, é obrigado pela lei a não seguir a vontade expressa pelos pais da criança, não importando que com essa atitude esteja desrespeitando um preceito religioso.

A tolerância religiosa não deve ser confundida com proibição de exame crítico e satirização das religiões. A intolerância religiosa é a proibição de alguém ou algum grupo exercer a prática de sua fé, ou a falta dela. Alguns países perseguem sistematicamente os cristãos por serem cristãos. Alguns países têm a pena de morte para quem se declara ateu. Isto é intolerância religiosa.

A crítica e a satirização das religiões estão no mesmo pé de igualdade da crítica e satirização de quaisquer ideologias.

 

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Tentativa de metáfora: ararinhas azuis

Para aplacar meu desespero em explicar, tento uma metáfora. Imagine que um jornal publique um comentário de um colunista assim: "Eu odeio as ararinhas azuis. Eu quero mesmo que as últimas ararinhas azuis do Brasil sejam engaioladas. Eu cada vez que vejo uma ararinha azul na floresta, atiro nela, ou no mínimo, prendo numa gaiola. E acho que você deveria fazer o mesmo". Daí, alguém ao ler isso acha um absurdo, uma incitação ao crime (porque matar ou prender ararinhas azuis, no Brasil, é um *crime*), processa quem escreveu, e quem escreveu sofre as penas da lei. Te pergunto. Isso teria sido um caso pertinente à legislação sobre "liberdade de expressão", ou pertinente à legislação sobre crimes ambientais? Eu acho que teria sido um caso de desrespeito à legislação sobre crimes ambientais, e nada a ver com liberdade de expressão. Enfim. Só uma tentativa de metáfora, porque, gente, que desespero.

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Esse cara não é Charlie Hebdo

Mc, antes de mais nada, respire fundo e não se desespere, pois, além de não adiantar nada, se voce for do desespero à fúria na certa digitará aplicando excessiva fôrça física nas teclas e quem acabará pagando a maior parte da conta é o pobre teclado, que é o menos culpado nessa história toda, que é teu amigo, faz tudo que voce quer, e depois que voce vai dormir o coitadinho desabafa com o monitor e chora nos ombros do mouse.

Olha, não sou operador do Direito, só posso especular. Te respondo, então, que ele responderia à acusação de fazer apologia de crime ambiental, de cara.

Quando ele confessou que quando vê uma ararinha, ele atira ou no mínimo prende, ele está confessando dois crimes ambientais que já cometeu.

Então, acho (é puro achômetro, mc, repito) que ele pode ser acusado de três crimes: os dois atos praticados e fazer apologia do crime.

 

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Pronto, concordamos

Concordamos, não? Você também não acha que processar o cara das ararinhas azuis é atentar contra a liberdade de expressão dele. Portanto também, acredito, não acha que simplesmente criticá-lo seria atentar contra a liberdade de expressão dele. É isso que eu estou querendo dizer desde o começo, Mauro, criticar o que as pessoas escrevem não é reprimir sua liberdade de escrever... E, em alguns casos, condenar as pessoas a partir de algo que escreveram também não tem nada a ver com liberdade de expressão.

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Alejandro

Democracia

Democracia inclui liberdade de expressão. Mas Liberdade de expressão não significa agressão para ninguém. Nesse caso em particular, houve um ataque de expressão por parte da imprenta francesa agredindo ao profeta Maomé. Depois em represália houve o atentado à gráfica matando X pessoas. 

Vamos por parte, às proporções de ataque não são iguais, uma foi gráfica e a outra foi carnal com morte. Desproporcionada como todo fanatismo, não somente muçulmano,mas também há fanatismo católico, na idade média se queimava em praça pública aos que atentassem contra os princípios imposto pela igreja católica, na Inglaterra católicos e protestantes já tiveram guerras com mortes por diferencias religiosas, em fim, Fanatismo não é bom para ninguém.

Agora me parece que também houve um reação desproporcional com os presidentes da Europa se juntando em passeata para defender os chargistas. Sem nem criticar os chargistas, como se estivessem certos na suas propostas, só enxergaram o lado contrário, do ataque. Aí tem!

Parece-me que o mundo esta se preparando para um controle mundial, dividido em cinco partes: Europa; Asia; América; África; Oceania. Baixo um único Comando Mundial.

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Falando nisso...

... 21 de janeiro é o Dia do combate à intolerância religiosa. Boa matéria na Carta Capital:
http://www.cartacapital.com.br/sociedade/no-dia-de-combate-a-intoleranci...

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Obrigado, mc

A resposta que mais gostei foi a do Sheik Khaled.

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Luiz Moraes

"Liberdade e libertinagem são

"Liberdade libertinagem são dois conceitosrelacionados e que muitas pessoas confundem. Os dois são fulcrais no processo de tomada de decisão do ser humano, e revelam atitudes diferentes dos indivíduos.

A liberdade consiste no direito de se movimentar livremente, de se comportar segundo a sua própria vontade, partindo do princípio que esse comportamento não influencia negativamente outra pessoa. De acordo com a filosofia, a liberdade é a independência, autonomia e espontaneidade do ser humano.

Por outro lado, a libertinagem é fruto de um uso errado da liberdade, porque demonstra irresponsabilidade, que pode prejudicar não só a própria pessoa, mas outras pessoas também. Quem age com libertinagem, revela não se importar com as consequências que o seu comportamento pode ter. Em muitos casos, a libertinagem é traduzida por uma ausência de regras. Desta forma, alguém que bebe e depois dirige, é um exemplo de alguém cuja atitude evidencia libertinagem, pois está colocando em risco a sua vida e a vida de outras pessoas.

A famosa frase  "A liberdade de cada um termina onde começa a liberdade do outro.", atribuída por muitas pessoas ao filósofo inglês Herbert Spencer, indica que a verdadeira liberdade respeita o próximo, e o seus direitos.

Na Bíblia, mais concretamente em 1 Coríntios 6:12, o apóstolo Paulo afirma: "Tudo me é permitido, mas nem tudo convém. Tudo me é permitido, mas eu não me deixarei dominar por coisa alguma." Esta passagem revela que nós temos a capacidade de fazer muitas coisas, mas que nem tudo o que podemos fazer é bom, porque as nossas ações têm consequências.

Já a libertinagem assume uma mentalidade oposta: "Eu posso fazer tudo o que eu quiser, ninguém tem nada a ver com isso e ninguém pode me impedir." Um libertino é alguém rebelde, egocêntrico, embrutecido, escravo de todos os desejos que surgem na sua mente, e por esse motivo a libertinagem é a principal causa de barbaridades. A libertinagem escraviza e mutila o ser humano, enquanto o oposto - a liberdade - o capacita a ter uma convivência saudável com o seu próximo."

_______ [ Dizer mais o que?...] _______

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Nào aprofundando o exame dos

Nào aprofundando o exame dos conceitos de liberdade e libertinagem e mesmo da conveniência e pertinência desse debate nesses têrmos, vamos aceitar que a comparação seja necessária e que os conceitos que o senhor traz sejam corretos e completos, apenas para fim de discussão.

"A liberdade de um termina onde começa a liberdade do outro."

Quem determinou ou determina onde termina a liberdade de um? E quem determinou ou determina onde começa a liberdade do outro?

Há trinta anos, até 1985, mais ou menos, a liberdade do senhor e a minha liberdade de criticar alguma atitude do governo terminava no cérebro. Se a gente falasse, ou escrevesse, o que pensava, estaria invadindo a "liberdade" do governo, e poderíamos ter sérios problemas.

Quando os primeiros cristãos começaram a fazer proselitismo e questionaram os deuses romanos, exerciam liberdade ou libertinagem? Ultrapassaram os limites ao atacar a crença comum daquela época e lugar. Desrespeitaram quem pia e sinceramente acreditava num panteão de deuses,  desrespeitaram sua fé.

Se o senhor disser que foi um caso diferente, porque era uma religião monoteísta combatendo a idolatria, eu pergunto: e a conversão forçada sob a espada de muçulmanos e judeus?

Ou a prática atual de missionários cristãos levarem a Palavra, como eles dizem, a países muçulmanos e a Israel, isso é o quê?

Cada qual define onde começa e termina a própria liberdade e a liberdade dos outros?

Ou esses limites têm que estar muito bem definidos em lei, que seja uma mesma lei para todos?

Charlie Hebdo era e é obrigada a cumprir a única lei cabível, a lei francesa. E respondeu e responderá por eventual abuso na justiça francesa, como deve acontecer em qualquer sociedade civilizada.

 

 

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Libertinagem é cultura ?...

Libertinagem é cultura ?...

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Libertinagem é um conceito

Libertinagem é um conceito relativo e subjetivo. O senhor possa talvez considerar normal mulheres irem à praia  usando fio dental, eu posso talvez considerar libertinagem ( não penso assim, foi só um exemplo).

O atual rei da Arábia Saudita tem quatro esposas. Para muitos do Ocidente, além de polígamo, ele é um libertino. Para muitos ele é um homem pio e devoto, tanto que se assim não fosse não lhe seria permitida a honra de ser o Guardião das Duas Portas, cargo único na religião muçulmana, referente ao fato de Meca e Medina estarem na Arábia Saudita.

 

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...."publicam um jornal onde

...."publicam um jornal onde escrevem e desenham o que lhes dá na veneta"...

 Saiu barato, já imaginaram se fosse um 747?... 

 ..... "liberdade de expressão não pode vir acima do respeito" .....

___ Senão, vira  [LIBERTINAGEM DE EXPRESSÃO].

 

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E publicam assim porque o

E publicam assim porque o país onde vivem tem leis que lhes reconhece esse direito.

Ninguém é obrigado a fazer ou deixar de fazer algo a não ser por fôrça de lei. E a Lei francesa diz que o Estado é laico.

Religião é uma ideologia como outra qualquer. E como qualquer ideologia - fascismo, comunismo, etc... - está sujeita a críticas. E a sátiras. 

Quem desrespeita quem? Quem faz um desenho para um jornal de circulação restrita, e que ninguém é obrigado a comprar, ou religiões que ao longo da história chegaram até a promover guerras, como o próprio Papa admitiu no caso da Igreja Católica? E se a gente estudar a fundo os motivos dessas guerras religiosas, aí é que a gente vê que lindo que foi.

Os terroristas gritaram que vingaram o Profeta. Que fé é essa dos terroristas em seu profeta que acharam que um desenho poderia machucá-lo, ofendê-lo? Isso, pra quem tem fé verdadeira, presumo, é impossīvel. Eles em vez de vingar, pelo contrário, ofenderam o Profeta!

Não, não saiu barato. Foi um crime hediondo e estúpido.

 

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Queria entender

É crível que o cartum que está na capa da mais recente edição da Charlie Hebdo tenha provocado tanta revolta em algumas comunidades muçulmanas?

Em que exatamente esse cartum é ofensivo? Mostra o Profeta Maomé, com uma lágrima a lhe cair da face, semblante triste, segurando um cartaz do Je suis Charlie. A legenda do cartum diz: Está tudo perdoado.

Esta legenda também convida à reflexão. Significaria que os sobreviventes perdoam os asassinos e quem os enviou e ajudou? Que o Profeta Maomé perdoa tanto os assassinos como os cartunistas por terem feito desenhos a seu respeito? Ou as duas coisas e mais alguma outra?

A reação do Profeta desenhada no cartum é a de alguém que ficou triste com o ocorrido, de alguém que pensa "não precisava ter acontecido isso". Sua fisionomia, somada ao fato de também estar dizendo Je suis Charlie, representa uma condenação inequívoca do atentado. E então lê-se a frase "Está tudo perdoado".

Isto tudo é ofensivo à religião muçulmana, ou a qualquer religião, em quê? Pra ficar com o exemplo trazido pelo Papa, esse cartum equivale a falar mal de mãe? Pois se está mostrando um lado compassivo, solidário, do Profeta! Se elogiar a mãe do Papa, a gente leva porrada também?

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Mas Mauro...

Mas Mauro... é o que a gente comentava no outro tópico, sobre o machismo ou não machismo. Eu também acho IN-crível (até meio ridículo, para falar a verdade) que alguém se ofenda com aquela imagem. Mas... eu não sou muçulmana, aliás não sou crente em nada... portanto, não me cabe julgar. Quem sabe o grau da ofensa é o ofendido... não dá para argumentar dessa maneira.

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mc (escrevo em minúsculas

mc (escrevo em minúsculas porque é assim que voce assina, mas te confesso meu desconforto em começar um parágrafo com minúsculas e conciliá-lo com meu costume de iniciar uma resposta pelo nome de minha interlocutora ou de meu interlocutor; tudo bem que ema, ema, ema, cada um com seu problema, mas voce talvez pudesse me autorizar, excepcionalnente, e por período experimental, e sujeito à revogação a qualquer momento sem necessidade de apresentação de justificativas, eu te chamar, quando começar um parágrafo, de Mc, ou Madame mc, que seria abreviado assim: Mme.mc, ou de outra forma de tua preferência cuja primeira letra seja maiúscula, o que voce acha?), as cenas que vi, dos protestos, estão me sugerindo outra leitura do que está acontecendo.

Não tive tempo de ler sobre isto nos últimos dias, é pura sensação e palpite de mesa de boteco, mas me parece cada vez mais que essa indignação está sendo trabalhada, não é uma manifestação espontânea de reação de uma comunidade que teria se entendido ofendida.

Em outras palavras, me deu a impressão que agentes políticos, por motivos políticos, "panfletaram" essa última capa da Charlie Hebdo, se é que não pegaram charges antigas para fazê-lo. As reações foram muito exacerbadas. Como é que um protesto contra uma revista feita por ateus acaba com incêndio de igrejas cristãs, por exemplo?

Bem, isto à parte, é pura especulação minha que pode ser desmentida daqui a dez minutos, há essa questão em que ambos concordamos, quem sabe o grau da ofensa é o ofendido. Mas como viver com essa realidade, a gente concorda só até a página sete, acho, porque nem todo ofendido, só por ter sido ofendido, está certo, penso eu.

Historinha real a título de exemplo: um parente meu, cristão evangélico devoto fervoroso e eu conversávamos na sala da minha casa. Tirei um maço do bolso, tirei um cigarro do maço, peguei o isqueiro. Pra que que eu fui fazer isto. Ele parou de falar no meio da própria frase, olhou pro chão, fez silêncio por alguns segundos, olhou pra mim e perguntou: "Voce vai fumar?". Respondi: "Sim. Se te incomoda a fumaça, vamos ficar lá fora." Aí, já com voz alta e visivelmente perturbado, ele disse: "Não. Voce vai lá fora." Fiquei atônito. Eu estava com um maluco dentro de casa, além de mim. Bom, o que se seguiu não é importante pra minha tese, basta dizer que não saímos na porrada, convenci-o a caminhar comigo até um mercadinho aqui perto e lá fomos nós, eu fumando e ele me contando onde, como e por que a Bíblia proíbe o cigarro, o que aliás não é verdade.

Meu ponto é: ele realmente se ofendeu porque eu "ousei" acender um cigarro perto dele? Sim, ofendeu-se, é verdade. Não foi na casa dele. Foi na minha. Ofendeu-se? Sim. Teria eu que acatar sua "autoridade" ofendida? Não.  Não, mc, não vejo assim.

Charlie Hebdo é um jornal satírico francês, feito para ser vendido na França, que é um país laico, e é uma publicação que cumpre as leis francesas referentes aos limites da liberdade de expressão. O que é que os Imãs que não sejam franceses, o Papa, os rabinos e os padres que não sejam franceses têm a ver com isso? Não querem ler, não assinem o jornal. Só iriam ler se assinassem. Todas essas religiões têm representação na França. Quem se sentir ofendido, pode procurar a justiça.

Pra terminar, nunca te dei nada de aniversário, trouxe uma lembrancinha, espero que voce goste, se não servir me avisa que vou lá trocar:

http://youtu.be/Q9RO7_21DE0

 

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mauro chazanas (hehehe),

mauro chazanas (hehehe), obrigada pela música, muito bonitinha.

Bom, acho que eu não sei mais nada. O seu exemplo do cigarro me deixou confusa. Isso porque eu também fumo, e ia ficar muito fula da vida com o seu parente evangélico nessa siuação que você relata. Ou seja, por aí me identifico com você. Mas por outro lado, não entendo bem a comparação. No caso de eu acender um cigarro e o evangélico ficar "ofendido", ele está ofendido por uma coisa que eu estou fazendo comigo. No caso de eu (digamos) gritar pra ele, "Esse seu Jesus é um canalha sacana", ele ficaria ofendido também, mas por uma coisa que eu estou fazendo com o deus lá dele (= chamando de canalha sacana). Certo? Se eu gritasse isso seria uma agressão gratuita a uma coisa que ele acredita, um ataque sem motivo nenhum além da minha vontade de deixar o crente  bravo, ou talvez, de "desabafar". E eu acharia meio inútil e babaca da minha parte fazer isso, ofender o deus do outro à toa. E para mim o desenho do Charlie cairia no segundo caso ("Jesus é um canalha sacana"), não no primeiro (fumar). Então, mesmo achando errado o evangélico ficar bravo se eu fumar, não acho comparável.

Tou doida? dOiDa?

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Mc! São três canções! E o vídeo tem fotos!

 O exemplo que eu trouxe foi só pra ilustrar a tese de que não é só porque a pessoa ficou ofendida é que ela está certa. Não foi para equiparar os casos. (se bem que o modo como ele ficou perturbado não me pareceu mesmo preocupação com minha saúde; pareceu-me pessoalmente atingido com meu gesto) Mas esse episódio serve também para outra reflexão. Ele não estaria certo nem se o fato tivesse acontecido em local público, a não ser que fosse em um desses locais públicos que a lei local hoje proíbe. Mas a ênfase que eu dei em destacar que aconteceu na minha casa, foi para comparar com o fato de Charlie Hebdo estar na França, sua casa. A política editorial de Charlie Hebdo não desacata as leis francesas.  Nós não somos obrigados a seguir a lei que regula a vida na Arábia Saudita, por exemplo. Por que faríamos isso? Eu, voce se concordar, podemos escrever aqui no GGN que as autoridades religiosas da Arábia Saudita são cruéis, pra dizer o mínimo, por conta do que está acontecendo com o blogueiro saudita, dez anos de cadeia e mil chibatadas, em nada suaves prestações de 50 chibatadas semanais, que ele já começou a pagar: http://noticias.trra.com.br/mundo/asia/condenacao-de-blogueiro-sera-reavaliada-na-arabia-saudita,681d683cbd3fa410VgnVCM4000009bcceb0aRCRD.html Se fizermos isso, estaremos insultando o Islã. E, veja, sujeitos a julgamento por algum grupo de terroristas pretensamente religiosos, e execução aqui no Brasil! Foi isso que aconteceu com Charlie Hebdo. Cidadãs e cidadãos franceses, vivendo na França, publicam um jornal onde escrevem e desenham o que lhes dá na veneta, sem com isso descumprir a lei francesa, que reconhece e ampara esse direito. Dois sujeitos, que nem dizem serem eles os ofendidos, o ofendido teria sido o Profeta, vão e matam os jornalistas. Pronto. Profeta vingado. Sobre o exemplo que voce trouxe, mc, o mais aproximado seria, talvez, imaginar uma rodinha de amigos e amigas, que estão na casa de um deles ou de uma delas, todos e todas não religiosos e não religiosas, contando piadas, sobre os mais variados temas, e também sobre religião, que não é um tema tabu para eles. Relembrando: a circulação de Charlie Hebdo era restrita para os padrões franceses, e mesmo assim quem comprava na banca era quem queria, custava 3 euros. Tem assinantes no mundo inteiro, não muitos, mas assina quem quer. Divulgava apenas a capa de cada edição em seu site na internet. Depois do atentado é que houve esse dilúvio de cartuns na rede, dando a falsa impressão que era de divulgação massiva e que só tratava de religião, e gratuitamente (só abordavam esse assunto quando no mundo havia acontecido ou estava acontecendo algo relacionado), e que todos esses cartuns eram de amplo conhecimento mundial. Não é verdade.   

 

 

 

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Mas os terroristas eram

Mas os terroristas eram franceses também... Não atacaram na casa dos outros, e sim na casa deles mesmo. Enfim, acho que esse teu argumento da casa de um e casa de outro não cabe nesse caso. É verdade que eles estão sendo tratados como se fossem estrangeiros, imigrantes, etc., mas é uma imprecisão... São franceses também, então, a coisa da cultura da França versus outras não se aplica nesse caso. Certo? Enfim, espero não ser ser mal interpretada nisso que disse, não estou querendo defender nada, só acho que esse ponto é importante para entender tudo um pouco melhor.

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Mc, se não estou me perdendo

Mc, se não estou me perdendo em algo, acho que os exemplos são válidos. 

O "invadir a casa dos outros" cometido pelos irmãos não foi porque eles não tivessem nascido na França, eles nasceram. Mesmo se fossem imigrantes, que não são, não seria por isso que eles seriam invasores. 

Eles foram invasores porque se prepararam para agir, e agiram, segundo um código de leis que não é o da França. O código de leis que seguiam não era o dos demais cidadãos franceses, nem dos franceses muçulmanos. Estes, quando incomodados com um determinado cartum, acionaram Charlie Hebdo na justiça, eu coloquei o link aqui no blog para um documentário em francês com legendas em inglês sobre um dos processos, o mais famoso. 

Veja a diferença. Os franceses muçulmanos julgaram, corretamente, estar em pé de igualdade com os jornalistas. E estão. São todos franceses. É uma mesma justiça para todos. E é uma justiça laica em um país laico para uma sociedade que assim escolheu ser. Os irmãos que cometeram o crime não se enxergavam cidadãos em um país assim, jamais iriam à justiça francesa, porque para eles Justiça é a justiça conforme alguns pregadores islamistas a descrevem.

Em certo momento de suas vidas, ou após um longo processo, não sei, eles se exilaram da França, mesmo continuando a morar lá. Não tinham mais compromissos com o Estado laico. Sua lealdade, sua pátria, sua razão de ser, de viver e de morrer por, era um mítico Islã.

Esse Islã mítico, é bom lembrar, não é unanimidade entre os muçulmanos. Um Imã francês declarou no dia do atentado: "Eles disseram que vingaram o Profeta. Que profeta? Quem é o profeta deles? É Satã?" Decorei sem querer essa fala, pela contundência.

O maior número de vítimas dos terroristas que se dizem muçulmanos se encontra nas comunidades muçulmanas. Dia sim, dia não, é uma bomba que mata vinte, outra hora é quarenta, e assim vai, e estou me referindo apenas ao Iraque.

Das três fôrças político-guerreiras que aplaudiram o atentado, a Al-Qaeda, o Estado Islâmico (que divulgou um outro vídeo terrível ontem, ameaçando executar dois cidadãos japoneses) e o Boko-Haram, este último é o que patrocina crianças-bomba. No sábado 10 de Janeiro uma criança que testemunhas estimaram ter por volta de dez anos de idade se explodiu em um mercado numa cidade da Nigéria, vinte mortes. No dia seguinte, mais duas meninas-bomba, uma de dez e outra de dezenove anos, sete mortes. O Boko-Haram asassinou por volta de 2.000 pessoas, segundo a ONU, nas duas primeiras semanas deste ano, e este número ainda pode aumentar porque havia, há, muita gente desaparecida.

Mc, esses caras não são muçulmanos. Não é possível que sejam. Ou então todos esses outros muçulmanos que condenam isso é que não são.

Na relação custo-benefício, pra ser bem prático, eu acho que toda e qualquer religião mais atrapalha que ajuda o progresso da humanidade, tanto no atacado ( intervenção das religiões na vida da sociedade) como no varejo ( a psique de cada uma, um). Ateìsmo fanatizado militante, também. Se puxar o prontuário de todas as maiores religiões, é enorme. Quem delas teve mais poder por mais tempo sobre mais gente, mais crimes cometeu. 

Mas nesse caso Charlie Hebdo, os assassinatos não foram obra de alguma cúpula da religião muçulmana, foram planejados e executados por organizações terroristas que inteligente e brilhantemente, do ponto de vista deles, se valeram de pretextos religiosos.

 

 

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Mas esses homens eram criminosos

Mas esses homens eram criminosos, ou seja, evidentemente não agiram conforme as leis da França, nisso estamos de pleno acordo. Se pareceu que eu disse alguma coisa diferente disso no comentário, foi falha minha, me desculpe (relendo, vejo que fui muito pouco clara mesmo). Não era esse o meu ponto: quando chamei atenção ao fato da nacionalidade foi apenas para contrapor o argumento de que alguém não pode se sentir ofendido quando está "na casa dos outros", que foi o que eu entendi que você tinha dito no exemplo do evangélico. Não pretendi focar no ato do crime em si, seja na casa dos outros, na sua própria casa, em lugar nenhum; o ponto da discussão, na minha visão era o potencial de ofensa das charges - essa era a sua pergunta inicial, "dá para acreditar que alguém se sinta ofendido com aquela charge", etc. 

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Complementando

Só mais uma coisa, para esclarecer de vez - também na questão da ofensa religiosa, em si, não se trata necessariamente de uma discussão em termos de leis. Pois você tem razão, se nos restringirmos ao aspecto da lei, a lei na França permite a blasfêmia sobre qualquer religião. Mas não é só a lei que regula essas coisas, são também as decisões pessoais, o gosto, a ideologia, etc. A lei não se discute, se é essa, pronto - mas a decisão e gosto, esses é que eu estava discutindo.

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Continuando a conversar, queria responder teus 2 comentários

Não quis trazer esse tema para ser apenas uma discussão em termos de leis. Como tentei dizer, e não sei se consegui, o que houve cada vez mais me parece ter sido um ato terrorista que se valeu de pretextos religiosos. Ou, em outras palavras, se nunca tivesse existido Charlie Hebdo, quem ideou o atentado teria escolhido outro alvo sob outros pretextos, religiosos ou não. Só talvez o futuro poderá confirmar isto.

Estamos tentando tirar do episódio as lições possíveis. Nesse sentido estamos discutindo o direito de Charlie Hebdo publicar os cartuns e textos que julgar expressarem sua opinião, e responder por eventuais abusos na justiça francesa. Voce defende que não apenas a lei francesa deva ser levada em conta, mas também outros fatores. Pela obrigatória conclusão a que se chega se pusermos em prática o que voce coloca em teu comentário de 19.01 às 19:09, aqui mesmo neste post, Charlie Hebdo, jornal satírico que pretende ser, deve se abster por completo de abordar qualquer religião. Estou com a posição oposta e para defendê-la procuro trazer vários argumentos, sem ordem de valor ou importância.

Esse ponto de invadir a casa do outro para impor sua própria lei está inserido neste contexto. Neste sentido, não se tratou de um crime apenas, uma infração da lei francesa que a exemplo das outras proíbe matar. Foi além. 

Vamos exemplificar de outra maneira. Voce declarou-se atéia. Voce pode ser atéia aqui no Brasil, a lei brasileira lhe reconhece esse direito. Eu, que também nasci no Brasil e aqui moro, me converti à religião muçulmana, e integro a corrente mais extremada, que trata as mulheres como trata. Tenho um conjunto de valores que para mim são sagrados, que para mim definem o que sou, fazem parte da minha alma. Certo dia nossos caminhos se cruzam, te vejo sair de um automóvel que voce mesma dirigia, voce está usando saia e, para cereja do bolo, acende um cigarro em plena rua, em plena luz do dia. Voce me ofendeu profunda e dolorosamente com tuas atitudes. Te interpelo para te admoestar que voce não pode fazer isto que está fazendo, voce está vivendo fora do papel que minha interpretação da religião muçulmana diz que voce deve seguir. Voce responde que está no Brasil, que tem o direito de fazer tudo que a lei brasileira lhe permite, que eu é que não tinha o direito de lhe chamar a atenção e que além de tudo isso voce é atéia.

Te dou um tiro. Eu ajo conforme a Lei que escolhi seguir, a lei de minha pátria espiritual. Sou sujeito às leis deste Islã mítico, não às leis de uma sociedade ocidental degenerada, como para mim é o Brasil. Na minha cabeça, estou certo.

Mnha atitude foi explicada, mas, está justificada? Voce realmente provocou o que lhe aconteceu? Voce teria que, aqui no Brasil, me ouvir quietinha, apagar o cigarro, pedir desculpas, prometer que só usaria doravante um vestuário mais de acordo com o que eu penso que voce deva usar, deixar o carro lá mesmo e voltar a pé pra tua casa? 

Voce vive como vive porque está segura que não está desrespeitando nenhuma lei de tua casa, o Brasil. Eu não posso impor meu código de leis. Não posso invadir tua casa e te obrigar a fazer o que eu quero que voce faça, em nome de uma lei que voce não reconhece.

Voce diria que uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Que não dá para comparar a postura de Charlie Hebdo, que com seus desenhos teria ofendido Deus, seus profetas e seus fiéis, com a tua postura, que não desenhou ninguém nem nada e não falou nada de ninguém. Mas não concordamos a sério que cada um é que sabe o que lhe ofende e o grau da ofensa?

Os limites da liberdade de expressão foram expandidos ao longo da história, é uma epopéia escrita com muita dor e muito sangue. Não se tem registro histórico de quando, como e onde a primeira luta por mais liberdade, inclusive de expressão, se deu, mas se sabe que passou pelo questionamento de que a existência e a escolha de reis e rainhas são por vontade de uma Entidade Superior a que se deu o nome de Deus, pelo questionamento da infalibidade papal, pelo questionamento à autoridade rabínica, etc... e etc..., culminando, por exemplo, com o blogueiro saudita que questionou a religião muçulmana conforme as atuais autoridades religiosas a entendem e se atreveu a dizer que muçulmanos, cristãos, judeus, ateus, etc..., são iguais e por esta e outras declarações libertárias foi condenado a dez anos de prisão, U$ 200,000.00 de multa e mil chibatadas, 50 por semana. Este episódio do blogueiro é de agora, voce sabe.

Mc, a existência de um jornal como Charlie Hebdo é necessária para toda a humanidade. Para evitar que tenhamos retrocesso, que percamos conquistas. Para que o blogueiro saudita seja solto, para que voce continue levando tua vida como voce bem entende.

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Mas eu não acho que não deva

Mas eu não acho que não deva ter Charlie(s) Hebdo(s)! Quando eu disse isso? O que me incomoda é acharem que jornais satíricos estão acima da crítica... Que existam, que publiquem, e que se possa criticar depois. Me parece absurdo e prepotente que, em contrapartida à liberdade de expressão, não se aceite a crítica. E os debates nesse caso parecem estar indo por aí (i.e.: "ninguém pode se ofender"). É só isso Mauro, exatamente a mesma coisa que eu disse sobre o machismo, estou dizendo aqui sobre a ofensa religiosa (que, por sinal, não me importa pessoalmente). Desculpe se respondo bem menos detidamente do que o seu longo comentário merece, sobre o restante, estou refletindo.

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Mc e m.c. fumam o cachimbo da paz

Mc, se entendi corretamente esta tua última resposta estamos de acordo em tudo que é o mais importante: Charlie Hebdo tem o direito de existir assim como é e assim como qualquer órgão de imprensa está sujeito à crítica, Charlie Hebdo também está.

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Ha diferenças

Isso so explica a tosca reação brasileira em relação ao feito de que religião e fé são intocaveis e podem sim ser criticadas e até ridicularizadas e a reação oportunista de sua imprensa aos feitos.   Na França ninguém vê o jornal CH como que atacando muçulmanos ( mais essa agora!). Ha enorme diferença entre dizer que se pode sim desenhar e caricaturar um profeta, o papa (Bento XVI foi bastante caricaturado) ou ainda os ortodoxos do judaismo que ja levaram suas bordoadas, com ataques à um povo e sua religião. Charlie Hebdo sempre defendeu o povo palestino ao contrario de toda a imprensa brasileira, sempre ao lado do sionismo!  O pobre arabe-muçulmano, corretor de Charlie Hebdo que morreu no ataque, que o diga!  

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Muito bem, Maria Luísa.este

Muito bem, Maria Luísa.

este post está cheio de comentários de quem nunca leu e não gostou do Charlie Hebdo. Atacam ao Charlie sem conhecê-lo, quando na verdade deveriam estar denunciando os oportunistas e hipócritas da imprensa brasileira, que dizem "je suis Charlie" - o que beira o absurdo para quem conhece minimamente o CH! (como fez a revista de esquerda Marianne, na edição dessa semana)

o mais engraçado é que, na época das eleições, atacavam os evangélicos por suas posições extremistas... e agora condenam o CH por fazer exatamente o mesmo, só porque os atacados, no caso, são extremistas islâmicos.

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Filme pacifista mulçumano-judeu

Só encontrei no castelhano (que parece com português): Multimídia do DIa, em 20 jan. 2015

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"A fidelidade muitas vezes não passa de falta de imaginação " - Oscar Wilde

Produção francesa

Produção francesa. Bonita.

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"A fidelidade muitas vezes não passa de falta de imaginação " - Oscar Wilde

Equívocos de (muitos) marxistas sobre a religião:

https://www.youtube.com/watch?v=oFY_poT0X6U&list=PL2P2pRRmLiJYqP8DFQOg7x_s44b5HUnkE&index=1

(o programa complelto tá ao "More" lá no youtube. Boitempo/USP/Programa Escola de Altos Estudos da CAPES ). Em português.

 

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"A fidelidade muitas vezes não passa de falta de imaginação " - Oscar Wilde

Chega a ser inacreditável o

Chega a ser inacreditável o autoritarismo de alguns discursos pretensamente libertários sobre este tema. Respeitar as religiões deveria ser algo básico em uma sociedade democrática. Antes que alguém me agrida verbalmente, deixo claro que sou atéia, e exijo respeito da sociedade frente a essa minha posição. Em troca, respeito também todas as religiões, apesar de não concordar com nenhuma delas. Aliás, como eu poderia querer respeito, se não estivesse disposta a respeitar também? É de uma prepotência imensa achar razoável que um veículo de comunicação possa zombar publicamente da crença (ou falta de crença) das pessoas...

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Ao Nassif Equipe: outro 'bug':

Anna Dutra fez comentário sob um meu e não recebi notificação no meu e-mail. Foi o mais abaixo "Como Vencer Um Debate Mesmo Sem Ter Razão", Schopenhauer.

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"A fidelidade muitas vezes não passa de falta de imaginação " - Oscar Wilde

Obrigada por me avisar Nickname!

Pode haver algum problema sim... Minha configuração de visualização dos comentários foi perdida - tive que refazê-la - e não recebi realmente o aviso por email de todas as mensagens mencionadas; apenas de algumas (desta recebi). Não é grave, mas se aconteceu com outras pessoas pode truncar o fluxo da comunicação.

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Anna

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