
Jornal GGN – Com 622 mil presos e vagas para 371 mil – ou seja, há um déficit de 250 mil vagas em presídios no Brasil – o governo Michel Temer decidiu anunciar que sua medida emergencial para tentar conter o caos no superlotado sistema penitenciário é construir cinco unidades federais que vão gerar apenas 1 mil vagas novas. Isto é, Temer vai reduzir apenas 0,4% do atual déficit de vagas.
O anúncio foi feito ontem à tarde, após Temer chamar o massacre de Manaus – onde 60 presos foram exterminados em duas prisões em meio a uma guerra entre facções – de “acidente pavoroso”. Na madrugada desta sexta (6), outros 33 presos foram exterminados em Roraima, numa possível ação de retaliação do PCC.
Segundo dados da Folha, essas 1 mil vagas projetadas pelo governo Temer não vão suprir sequer a demanda no Amazonas, onde faltam 5.438 vagas. Além disso, o ministro Alexandre de Moraes não informou quando as obras desses cinco novos prédios federais serão entregue.
O titular apenas antecipou que vai gastar R$ 200 milhões com o projeto e vai liberar outros R$ 230 milhões para aprimoramento do sistema de segurança de presídios estaduais, sendo R$ 150 milhões para transferência de tecnologia de bloqueadores de celulares e R$ 80 milhões para compra de scanners corporais. “Todos esses recursos, porém, já fazem parte do Orçamento do governo para 2017”, avisou a Folha, que chamou o plano de Temer de “requentado”.
Nesta sexta, Moraes disse que “não adianta só construir presídio. É necessário, mas temos também que verificar se aqueles que estão nos presídios deveriam estar. O Brasil prende muito, mas prende mal. Prente quantitativamente, não qualitativamente. Precivamos ver quem está na penitenciária.”
O ministro sugeriu que a União promova em parceria com os estados um mutirão para reavaliar a necessidade de manter alguns detentos que não receberam sentença e que cometeram crimes de baixo potencial agressivo encarcerados. Hoje, cerca de 250 mil presos estão em situação provisória. Isso, para Moraes, ajudaria a esvaziar os presídios, se aplicado em associação com penas alternativas.
Além das cinco novas prisões, o ministro citou o investimento de R$ 1,2 bilhão do fundo penitenciário (Funpen) para criar cerca de 30 mil novas vagas em unidades prisionais no país. Ele também não deu prazos para isso, mas afirmou que vai cobrar dos estados, como contrapartida, a separação de presos por periculosidade e outros critérios.

C.Poivre
6 de janeiro de 2017 2:18 pmA única saída
A ÚNICA SAÍDA CONTRA O GOLPE QUE AS LIDERANÇAS POPULARES SE RECUSAM A ENXERGAR:
https://caviaresquerda.blogspot.com.br/2017/01/o-golpe-sera-derrotado-nas-ruas-ou-nao.html
evandro condé de lima
6 de janeiro de 2017 2:35 pmSinceramente
O problema infelizmente é muito anterior ao Temer. A declaração infeliz mais o factóide de se criar uma merreca de vagas só expôs mais que devia. Ou alguém acredita que o problema é novo?
Fábio de Oliveira Ribeiro
6 de janeiro de 2017 2:36 pmConcordo e digo
Concordo e digo mais:
https://jornalggn.com.br/blog/fabio-de-oliveira-ribeiro/michel-temer-o-fracassado
anarquista sério
6 de janeiro de 2017 2:39 pmTemer está no governo há
Temer está no governo há meses.
O PT durante 13 anos.
O PSDB 8 anos.
E o que foi feito antes de Temer ?
ZERO.
heitor pr
6 de janeiro de 2017 4:06 pmO Temer teve todo o tempo do
O Temer teve todo o tempo do mundo para antes de assumir o governo para lotear o governo conforme as forças políticas no congresso. Teve tempo para jogar no nosso colo a PEC 55, uma reforma do ensino médio sem o debate com a sociedade, aumentar as verbas para jornais, TV e revistas, para perdoar as dividas das Teles, para acabar com vários ministérios que não tinham muito orçamento, Temer teve tempo para atender os pedidos do Geddel, Temer teve tempo para segurar a Selic na altura, Temer teve tempo de colocar uma equipe econômica conservadora, Temer teve tempo de fatiar e ir vedendo a Petrobras. Temer teve tempo para acabar com a aposentadoria.
Temer só não teve tempo de ser presidente dos brasileiros.
C.Poivre
6 de janeiro de 2017 3:00 pmOs lobistas do massacre são todos golpistas de 1ª hora
“Os lobistas do massacre” (Leandro Fortes). Os interesses que estão por trás da privatização dos presídios. Não precisa acrescentar que todos foram a favor do golpe, pois este é o naipe típico dos golpistas:
https://noticia-final.blogspot.com.br/2017/01/lobistas-do-massacre-por-leandro-fortes.html
jose adailton v ribeiro
6 de janeiro de 2017 3:01 pmFracassos
O sistema carcerário brasileiro desde sempre foi caótico . Pouco ou quase nada foi feito para resolver o problema em todos os governos passados.Construir cadeias não dá voto, é o que os políticos supõem. Temer ou qualquer outro governo do futuro seguirão os mesmos passos dos antecessores. Este pais em todas as esfera de governo sempre foi mal administrado , não temos mínima chance de acreditar em mudanças. Nasceremos, viveremos e morreremos com a bandeira da esperança. Da minha parte são 60 anos de desenganos. Viva o Brasil !
ze sergio
6 de janeiro de 2017 4:20 pmfracassos….
Temer está tentando ser uma espécie de Itamar (um país que não conhece sua história….) pavimentando o caminho para a volta do PSDB paulista. Retornou com a aberração de Privatarias. Faz igual ao tucanato, some e finge que não é o Chefe de Governo em exercício quando de acontecimentos trágicos e medievais (está aprendendo com Geraldinho Picolé de Chuchu). Quando aparece não diz nada e suas atitudes serão tão superficiais que não mudarão nada também. E a “cereja do bolo” trouxe Alexandre de Moraes, direto da Secretária de Governo paulista para o Ministério da Justiça. As autoridades que afirmavam que PCC não existia e que se omitem descaradamente em dezenas de chacinas no estado de SP, para levar toda esta omissão e incompetência ao Governo Federal. “Loucura é fazer as mesmas coisas sempre da mesma forma e esperar resultados diferentes”. FÉ Brasil, 2017 está apenas começando.
ferssa
7 de janeiro de 2017 12:45 pmNão faltam vagas no sistema. Suas bases precisam ser mudadas.
Peço que levem em consideração que um sistema de justiça que encarcera em massa pessoas sem julgamento talvez não tenha carência de vagas no sistema penitenciário. Assim, falar que a proposta do governo não faz cócegas acaba por legitimar o sistema. Não dêem corda para o que está agravando a situação da injustiça no país. O sistema carcerário é um monstro cuja fome, além de não cessar, cresce à medida em que ele é mais alimentado.
Tem de haver um esforço concentrado para repensar o sistema de justiça, o penitenciário e as lógicas de criminalização nas periferias. Isso não é utópico. Simplesmente não é possível nutrir esse sistema do jeito tronxo em que ele se implantou e ainda acreditar que estamos buscando soluções. Os jornalistas poderiam mudar o foco das questões, inclusive os que se dizem progressistas. Não é mais possível pensar em sistema de justiça se não atrelar esse debate ao modo como as crianças são socializadas nas periferias a partir das dinâmicas do mercado. Se não houver uma integração entre essas questões, a busca de soluções seguirá um rumo ilusório e reconfortante apenas para uma parcela da população que não se dedicou aos detalhes do problema, inclusive de setores que moram em periferias que, muitas vezes, legitimam a ação truculenta da polícia ou são pressionadas a andar diariamente no fogo cruzado entre essas duas forças complementares, a policial e a ilegal armada.