12 de junho de 2026

Recuo na pressão de Cunha é sinal de que segue atuante no governo?

 
Jornal GGN – O resultado de uma inicial pressão de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) para entregar o jogo do esquema de corrupção do PMDB na Petrobras e em outras estatais, supostamente sob a anuência de Michel Temer, teve uma pequena mudança nos últimos dias. 
 
Agora que o processo na Justiça de Brasília retornou a uma fase anterior (leia aqui), o advogado de Cunha admitiu que não sabe se voltará a arrolar o presidente como testemunha e enviar as perguntas que poderão trazer indícios de acusações contra o mandatário.
 
A mudança pode ser um sinal de que, com isso, Cunha conseguiu o que queria: emplacar aliados em posições estratégicas. Foi Renan Calheiros (PMDB-AL), líder do governo no Senado e um dos considerados dissidentes do ex-presidente da Câmara dentro do partido, que chegou à essa análise.
 
“Os últimos sinais emitidos pelo governo com as nomeações mostram que há uma disputa entre o PSDB e o núcleo da Câmara ligado a Eduardo Cunha pelo comando do governo”, foi a afirmação de Renan Calheiros, na última quarta-feira (08), logo após se reunir com o ministro da Secretaria-Geral do Governo, Moreira Franco.
 
Abaixo, o GGN reproduz uma segunda análise sobre o episódio pela CartaCapital:
 
 
Renan Calheiros diz que deputado cassado tenta tomar o governo de dentro da prisão. E o TRF-1 barra perguntas de Cunha a Temer

De dentro de sua cela no Complexo Médico-Penal de Pinhais (PR), onde cumpre prisão provisória, o deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-PR) chantageia o governo Michel Temer e consegue emplacar aliados em posições estratégicas. O diagnóstico é de Renan Calheiros (PMDB-AL), líder do governo no Senado e desafeto de Cunha. 

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“Os últimos sinais emitidos pelo governo com as nomeações mostram que há uma disputa entre o PSDB e o núcleo da Câmara ligado a Eduardo Cunha pelo comando do governo”, afirmou Renan na quarta-feira 8, após encontrar Moreira Franco, ministro da Secretaria-Geral do governo.

“Os sinais são, de um lado, o fortalecimento do PSDB, que é legítimo porque faz uma sustentação importante no governo, e o fortalecimento do grupo originário da Câmara ligado a Cunha”, afirmou Renan.

Entre as nomeações obtidas por Cunha estariam a do deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR) como novo ministro da Justiça, de André Moura (PSC-SE) como líder do governo no Congresso, e de Aguinaldo Ribeiro (PP-PB) como líder do governo na Câmara.

Todos são ligados a Cunha, assim como o subchefe de Assuntos Jurídicos da Casa Civil, Gustavo Rocha, cotado para assumir a pasta em substituição a Eliseu Padilha, que está em licença-médica e afundado em denúncias de corrupção. “Eu disse ao Moreira: fala com o Padilha para voltar imediatamente porque senão o Eduardo Cunha senta lá na cadeira dele o Gustavo Rocha”, afirmou Renan.

Mas como Cunha tem conseguido a proeza de manobrar o governo de dentro da cadeia? Ao que parece, por meio de chantagens. “Há 20 dias, o juiz Sérgio Moro foi solidário com Temer, dizendo que ele estava sendo chantageado e vetando as perguntas de Cunha ao presidente”, lembrou Renan.

A frase era uma referência às 41 perguntas formuladas pela defesa de Cunha a Temer, em um dos processos da Lava Jato que o deputado cassado responde. Moro barrou 21 dos questionamentos, entre eles os que tratavam de José Yunes, ex-assessor de Temer posteriormente apontado como intermediário de propina que teria sido solicitada por ele à Odebrecht.

No início de fevereiro, ao negar um pedido de liberdade de Cunha, Moro trouxe o episódio à tona e disse que Cunha não abandonou o “modus operandi de extorsão, ameaça e chantagem”. “Não se pode permitir que o processo judicial seja utilizado para essa finalidade, para que parte transmita ameaças, recados ou chantagens a autoridades”, escreveu o juiz em seu despacho.

De fato, Cunha não abandonou essa prática. Em um outro processo derivado da Lava Jato, que corre na 10ª Vara Federal de Brasília, o deputado cassado apresentou uma nova leva de 19 perguntas a Temer, novamente arrolado como testemunha. Desta vez, Cunha fez questionamentos citando Moreira Franco, a atuação deste na Caixa Econômica Federal, e as relações de Temer com delatores da Lava Jato, como Benedito Júnior (Odebrecht), Léo Pinheiro (OAS) e Fábio Cleto (Caixa), entre outros.

Na semana passada, o juiz Vallisney de Souza Oliveira, responsável pelo caso, determinou o envio das perguntas a Temer, salientando que o peemedebista poderia não responder a perguntas “impertinentes e autoincriminatórias”. 

Na quarta-feira 8, entretanto, Temer recebeu um alívio. A Terceira Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) cancelou o envio das perguntas. Foi uma consequência de um pedido feito pelo próprio Cunha, para que o Ministério Público Federal junte aos autos da ação as provas que ainda não tenham sido apresentadas. Com isso, Cunha terá mais tempo para apresentar sua defesa prévia. Nesta ocasião, o deputado cassado poderá reapresentar as perguntas a Temer.

 

Patricia Faermann

Jornalista, pós-graduada em Estudos Internacionais pela Universidade do Chile. Coordenadora de Projetos. Repórter e documentarista de Política, Justiça e América Latina do GGN desde 2013.

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4 Comentários
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  1. Viking

    10 de março de 2017 10:13 pm

    Apenas cadeia não é o suficiente.

    Marcola continua comandando sua quadrilha, mesmo estando preso.  Fernandinho Beira-Mar continua comandando sua quadrilha, mesmo estando preso.  Cunha continua comandando sua quadrilha, mesmo estando preso.  Conclusão: colocar esses bandidos na prisão não é o suficiente para fazer cessar suas atividades criminosas.  Tem de ser aprovadas leis que efetivamente retire-os do comando de suas “organizações”.

  2. +almeida

    10 de março de 2017 10:37 pm

    o núcleo do mal

    Parece que “tá tudo dominado” por Cunha. Ele mandou indiretas, mandou diretas, chantageou legalmente sem mostrar chatagem e, ainda que trancafiado, retoma o seu poder no quartel general dos malfeitores. Ele se mostra como se fosse o verdadeiro Capo, o cérebro, o arquivo, o gerente e o estrategista, que faz alguns beijar suas mãos, para não conhecerem a sua ira. Não é um amador e deve estar cobrando muito caro pela sua colaboração a causa e, também, pelo silêncio e os segredos da causa, que guarda a sete chaves, enquanto se sentir seguro e com poder.

  3. Almeid

    11 de março de 2017 12:28 am

    Quem são os advogados do

    Quem são os advogados do Temer en TSE? do Paraná? tem entre eles alguem que lança livro com prefacio do Moro?

  4. ritace

    11 de março de 2017 11:01 pm

    Cunha quer indicar aliado num

    Cunha quer indicar aliado num cargo chave no Ministério da Justiça.

    http://www.brasil247.com/pt/247/poder/284341/Cunha-indica-aliado-a-cargo-chave-para-a-Lava-Jato.htm

     

    mais um capitulo do caso O Primeiro Amigo

    http://www.revistaforum.com.br/blogdorovai/2017/03/10/tabapua-pappers-empresas-de-yunes-e-mabel-nao-funcionam-de-fato-em-predio-de-santana/

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