26 de junho de 2026

Sobre a atuação da imprensa como partido político

Por Assis Ribeiro
 
 
O problema não está na grande mídia, ela escolheu o lado dela.
 
O que causa espanto é que todos os outros segmentos da sociedade, as instituições do país, não sejam capazes de enxergar que a mídia faz , desfaz, e desinforma..
 
Enterram a cabeça e fazem de conta que nunca será a próxima vítima.
 
Atacam juízes, atacam o Ministério Público, desmoralizam individualidades, chantageiam, e muito mais.
 
É preciso que a sociedade e sua instituições democráticas cobre e apoie o Congresso Nacional para que este vote a Lei de Regulamentação da Mídia.
 
O papel da grande imprensa no Brasil é definido e claro. Além de atuar como defensora de interesses de seus patrocinadores ela se coloca como um verdadeiro partido político de oposição.
 
Neste último sentido é objetiva a declaração de Maria Judith Brito, presidente da Associação Nacional de Jornais (ANJ) e executiva do grupo Folha de S.Paulo:
 
“A liberdade de imprensa é um bem maior que não deve ser limitado. A esse direito geral, o contraponto é sempre a questão da responsabilidade dos meios de comunicação e, obviamente, esses meios de comunicação estão fazendo de fato a posição oposicionista deste país, já que a oposição está profundamente fragilizada. E esse papel de oposição, de investigação, sem dúvida nenhuma incomoda sobremaneira o governo.”

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Essa condição de atuar como partido político foi intencionalmente traçada para que a mídia tradicional (jornal, rádio e televisão) se tornasse forte na defesa dos seus interesses específicos.
 
Trata-se de uma construção ideológica alcançada por ataques constantes e muitas vezes infundados efetuados contra políticos, governantes, e a atuação do judiciário, com o objetivo de criar uma imagem negativa do agente público, associando-o invariavelmente à corrupção e à ineficiência.
 
Junto com as matérias depreciativas diárias são encomendadas pesquisas sobre a credibilidade das instituições públicas principalmente quando determinadas notícias ganham musculatura e maior ressonância e o resultado de descrédito já é esperado.
 
Essa ação diária, realizada de forma coordenada, atende a alguns interesses, entre eles:
 
1) Legitimar-se como detentora da verdade;
 
2) Tornar-se agente principal do jogo político;
 
3) Direcionar as decisões dos governos;
 
4) Influenciar para o desmonte da máquina pública;
 
5) Submeter governos, parlamentos e o judiciário.
 
Para alcançar tais objetivos a mídia promove o emburrecimento de suas matérias onde notícias que necessitariam de mais informações são oferecidas sem profundidade visando fixar nos seus ouvintes e leitores a matéria de forma pronta e acabada impossibilitando qualquer reflexão.
 
Esse formato limita a formação de uma ideia própria e quem consome as informações diárias realmente acredita que está em dia com a notícia ou com a realidade nacional, quando, na verdade, está sendo levado pela correnteza de um pensamento único, direcionado, pronto e acabado. O leitor ou ouvinte será apenas mais uma peça articulada para o consumo, engolindo, sem perceber, uma programação inócua a princípio, mas nefasta em longo prazo.
 
Essa construção ideológica é realizada ao mesmo tempo em que a grande mídia exerce o seu papel de noticiar os fatos, documentar, fiscalizar os poderes, denunciar abusos, e vai até ao ápice de criar boatos, versões, insinuações, entre outras modalidades de cerceamento do conhecimento.
 
Com essas características a mídia não apenas influencia a vida pública e os poderes do país, como passa a determinar decisões do judiciário, políticas públicas e ações do nosso Congresso.
 
Basta observarmos as valorizações ou quedas de ações na bolsa de valores de determinado grupo e das moedas em função de especulações muitas vezes iniciadas e/ou estimuladas pela mídia, recentemente enormes oscilações ocorreram com empresas como a Petrobrás após bombardeio midiático de má gestão e com as de energia elétrica por “quebra de contrato” e “insegurança jurídica”.
 
Basta observarmos como subiram os juros Selic nos últimos meses, contra a política econômica do governo, mesmo estando dentro da margem estabelecida e aceitável e em trajetória, ainda que lenta, de queda.
 
A mudança de lado da grande imprensa em relação à cobertura do Movimento Passe Livre foi emblemática. Se no início a cobertura foi de condenação ao movimento atribuindo aos participantes os motes de vândalos, classe média desordeira, inclusive insuflando as ações violentas da polícia, a partir do momento em que pressentiu que poderia tirar proveito próprio pela musculatura que o movimento adquiriu passou a apoiá-lo e tentar direcionar as bandeiras defendidas, mesmo com as constantes manifestações contrárias à forma de atividade da grande mídia.
 
Na área da justiça a forma do julgamento do mensalão do PT e a leniência do STF em relação ao mensalão tucano, exatamente em consonância com a cobertura da mídia falam por si só.
 
A determinação do que a sociedade deve acreditar e consumir levada a cabo pela mídia atinge até mesmo a cultura do país, a era dos pagodeiros e a mais recente do sertanejo universitário servem de exemplo.

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Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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15 Comentários
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  1. Luciano Prado

    26 de setembro de 2013 11:59 am

    Imobilismo injustificável

    Parabéns pelo texto Assis. É isso mesmo.

    O problema se agrava  quando se constata que a essa estratégia se juntam partidos e políticos igualmente desonestos num jogo que só a eles interessa.

    Grave o imobilismo da sociedade diante de doença já diagnosticada.

  2. edson tadeu

    26 de setembro de 2013 12:32 pm

    SOBRE A ATUAÇAO DA IMPRENSA.

    o problema maior  esta  exatamente no proprio congresso  pois se  partidos como  PT  tivessem maioria  la  isso saria da gaveta e do  papel para a realidade. Acontece é que o congresso  nao tem interesse  de  regular a midia pois  a  sua  grande  maioria  sao de oposiçao ao governo e  vestao para a midia como a midia para eles.  é o caso de Aecio Nevere vejam o que  fez agora: lançou  um projeto para regular  os blogs  as pessoas que  fazem poster ou comentam  nas redes sociais. Ora por  acaso ele falou em marco regulatorio?Nao  falou  em  censurar  os blogueiros  onde  ele  quer  tirar  o  direito de livre expressao  mostrando exatamente  a sua  ditadura  facista . Onde ele falou que  queria  censurar a  globo,veja  folha de sp etc? Entao  enquanto o congresso brasileiro estiver  com maioria  e dominado  ple  tgang  de Aecio e os  tais  ruralistas  a coisa nao anda . so  se a sociedade for  para as ruas  e realmente  pressionar., 

  3. MRE

    26 de setembro de 2013 12:38 pm

    Rezek

    A 1a parte da entrevista do ex-ministro Francisco Rezek no último Roda Viva mostra como um juiz polido, intelectualizado, que mesmo ao dizer que o que sabia da AP-470 era via imprensa e para não ferir o espírito de corpo, permitiu ao Augusto Nunes  concluir que o rezek votaria contrário ao Celso de Mello. Permitiu também ao Reinaldo Azevedo concluir que o Rezek votaria com a voz da clamorosa ubnanimidade condenatória das ruas ???. Estranho quando questionado sobre a posição do I. Ghandra deixou transparecer que o Ghandra estava equivocado como o Lewansdovick por exigir provas condenatórias difíceis de se obter em um processo intelectualizado como a AP-470.

    Ridícula a postura intelectual de ex-ministro que disse não conhecer o processo  mas concorda com todo o PIG. O Roda Viva parece uma filial da Veja.

    1. Lionel Rupaud

      26 de setembro de 2013 1:13 pm

      Rezek

      Não se iludem, o Rezek é outro “juiz” com forte laços na extrema – direita.

  4. nininha

    26 de setembro de 2013 1:01 pm

    Obvio ululante!

    É tudo tão óbvio que acreditar nessa mídia só pode ser por má fé ou por ignorância e alienação mesmo. É preciso um grande esforço para assistir a um jornal na tv; ler os impressos já se tornou impossível.

    Parabéns e obrigada pelo texto, Assis.

  5. jluizberg

    26 de setembro de 2013 1:03 pm

    Empresas de mídia são somente isso: empresas

    Concordo com tudo o que foi dito, mas continuo achando que esse não é o problema.

    As empresas de mídia são exatamente isso: empresas. E tem o direito de defender quem eles quiserem, ou de virar partido político. É claro que a longo prazo, essa atitude afeta a credibilidade delas, e é esse o movimento que estamos vendo hoje. Como plano de negócios, não é lá muito inteligente, mas uma empresa tem inclusive o direito de ser burra.

    O mais grave porém, é que por motivos históricos, políticos e comerciais, a mídia no Brasil é controlada por um pequeno grupo de famílias e políticos, que em geral estão do mesmo lado. Então o problema não é eles serem oposição, mas sim não haver nenhum grupo de situação. Nos EUA, existem veículos que declaram abertamente apoio aos republicados e outros que apoiam os democratas. Mesmo que um dos lados seja maioria, temos algum equilíbrio, o que não ocorre aqui.

    Então a principal prioridade seria regular as concessões públicas, acabando com a propriedade cruzada, e permitindo que grupos com ideologias diferentes (ou sem ideologias, o que seria ainda melhor) fossem criados, para equilibrar o jogo e permitir pontos de vista diferentes, para que, tendo informações dos dois lados, as pessoas sejam obrigadas a pensar um pouco mais para obter suas conclusões, ao invés de assimilar algo pronto, o que ocorre quando as informações recebidas são homogêneas.

    Além de regular a propriedade, deve ser revista a postura “de mercado” da Secretaria de Comunicação. Governos não são empresas, e não devem, nem podem, ser abrigados a atuar de acordo com regras “do mercado”. Governos fazem política, e precisam ter estratégias sociais a serem alcançadas. Então continuar descarregando quase toda a verba de publicidade do país nas mídias tradicionais, para atender a um “critério técnico” significa atender ao mercado, e não às necessidades da nossa sociedade.

    Quando tivermos espaco para a criação de novas empresas de mídia, e uma estratégia de distribuição de recursos que suporte e incentive a pluralidade, aí sim poderemos dizer que somos um país democrático. E se os grupos antigos quiserem continuar com o mesmo discurso tacanho e reacionário, será problema somente deles.

    1. Jorge Ivan

      26 de setembro de 2013 6:43 pm

      Empresas de mídia são somente isso: empresas

      Parabéns pelo post. Mas meu amigo, com Paulo Bernado a frente do Ministério das Comunicações, fica muito dificil, pra não dizer impossível, aliás todos os Ministros desta área indicados pelo “PT” são, ou foram, ligados aos barões da mídia.

  6. Teo Ponciano

    26 de setembro de 2013 1:11 pm

    Parabens pelo texto.
     
    Por

    Parabens pelo texto.

     

    Por uma mídia libertária e plural!

  7. Assis Ribeiro

    26 de setembro de 2013 1:39 pm

    …subjugar a consciência de um juiz.

    Saiu no Painel, da Folha,

    “em 45 anos de atuação na área jurídica (…) nunca presenciei um comportamento tão ostensivo dos meios de comunicação sociais buscando, na verdade, pressionar e virtualmente subjugar a consciência de um juiz.”.

    Celso de Mello

    1. Raí

      26 de setembro de 2013 2:44 pm

      Resposta(inssôssa) do Celso de Melo.

      É só isso, que um juíz do Supremo, tem a dizer, e dito discretamente, a respeito desta pressão do PIG, e de parte das redes sociais, contra o seu voto constitucional ?

  8. Raí

    26 de setembro de 2013 2:41 pm

    Direitos e Deveres da imprensa, quando age como partido político

    Constitucionalmente deve-se aceitar que os formadores de opinião tenham a liberdade de expressar-se e até de partidarizar-se, conforme suas(dos donos)convicções políticas, porem jamais extrapolar dos citados direitos, sem ter que responder pelos excessos cometidos.

    A capa de Veja, da semana anterior ao voto do Supremo Ministro Celso de Melo, é simplesmente um acinte ao Supremo juíz, e uma tentativa de jogar a opinião pública(a que segue a manada) contra a Constituição e o conhecimento dela, na visão jurídica, de um juíz do Supremo.

    E aí, fica por isso mesmo ? Aonde está o limite de cada ator neste processo ?  Você tenta cooptar um juíz do STF, e antecipadamente ameaça-o, e coloca-o contra alguns gatos pingados, que queriam, porque queriam, o voto do juíz  a seu(deles) favor, e nada acontece ?

  9. jura

    26 de setembro de 2013 3:44 pm

    Aprendizes de feiticeiro

    Não passam de aprendizes de feiticeiro…

    [video:http://youtu.be/U7mXqpblMxE%5D

    Os americanos se arrependeram de não ter confiado nele

    [video:http://youtu.be/OvUgb7Crxhg%5D

    Mas depois corrigiram o erro…

  10. Luciano Prado

    26 de setembro de 2013 4:13 pm

    Tanto Celso de Mello quanto

    Tanto Celso de Mello quanto os demais ministros não podem reclamar dessa imprensa podre porque dão quarida a esse tipo de liberdade, esse tipo de ofensiva.

    Um pede para ser entrevistado, outro adora ser considerado o salvador da pátria e fica feliz quando o comparam ao Bamtan. Outro faz dobradinha com o que há de mais nojento na imprensa: grampo sem áudio e conteúdos falsos de reuniões particulares. 

    Isso sem fala dos ministros que já deixaram o tribunal e se amancebaram com essa imprensa nojenta, prefaciando baboseiras em forma e livro e servindo de escada para argumentos tipo “poder absoluto da imprensa”.

    É uma promiscuidade sem paralelo.

    Por que reclamam, então?

    A Corte deveria, antes, se dar ao respeito.

    Dizem que ao final nas sessões é um verdadeiro desfile de vaidades nos coredores do STF onde “jornalistas” e ministros se confraternizam, enchendo seus egos de baboseiras. 

    Quem com porcos anda farelo come. 

     

  11. Ion de Andrade

    26 de setembro de 2013 4:14 pm

    A imprensa como partido – breves considerações teóricas

    É um partido político de “segunda linha”. Enquanto os partidos tradicionais se preocupam com o presente e com a disputa do poder, a imprensa se preocupa com o futuro, com a sobrevivência da proposta. Sua ação visa dar fôlego (e sustentabilidade moral) aos partidos tradicionais ou orgânicos, únicos capazes de disoutar e exercer o poder. Quando os partidos orgânicos da direita estão no poder este partido atua para estabilizar o sistema e para assegurar o futuro, Quando estão em pedaços, como agora, atua como cão de guarda e tenta assegurar o futuro, já que o presente não lhe pertence.

    Ou seja este tipo de partido está orientado pelo presente no que pode significar no plano estratégico da disputa do futuro. Quando a direita assume o poder assume certa “independência” do campo conservador, quando se torna guardiã de uma “moral” política, (hipócrita, porém estratégica na formação do consenso…). Um papel quase “materno” com a ordem conservadora. Na contraposição à terminologia “Partido orgânico” denomino estes partidos de ontogênicos.

    E quanto a nós, quem seria o nosso partido ontogênico? Quem será o guardião da política progressista quando a roda da fortuna rodar contra nós?

    A blogosfera é parte da resposta, mas a rsposta a essa pergunta é estratégica para nós. Democratizar a mídia se inscreve na disputa do futuro. Ou fazemos isto agora ou não conseguiremos fazer isto nas vacas magras.

     

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