5 de junho de 2026

Sobre a imprensa e a campanha contra Dilma

Por Heitor de Assis

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Mesmo o Nassif parece confundir a transbordante personalidade de Lula com algum aparelho institucional de comunicação. Dilma não é Lula, e Lula não é Dilma. Não foi o aparelho de comunicação do Presidente Lula, que ele não teve, que impôs sua presença no noticiário durante seus mandatos, ainda que a contragosto dos barões da comunicação. Foram sua inteligência, seu faro político e sua personalidade, atributos impossíveis de serem escondidos atrás de uma porta.

Quem tenta corroer a credibilidade do Governo, quem tenta esconder as ações do Governo, quem achincalha dia sim e dia também o país, são as mesmas mídias imprensa e televisiva, cevadas pela Ditadura de 1964, e continuaram existindo mesmo após a posse de Sarney, atravessaram a Constituinte incólumes e só encontraram alguma resistência após a renúncia de Collor. Itamar Franco foi tratado como se petista fôsse, até que os meios de comunicação e a imprensa achassem que o tinham destruído. Com a chegada de Fernando Henrique à Presidência, ficou aberto o caminho para o retrocesso do país, e eles.

Por outro lado, a carranca de FHC e seus comentários sobre os aposentados, por exemplo, tiveram um tratamento benevolente da mídia, quase folclórico, ao longo dos seus mandatos. Enquanto seu desastrado atrelamento e descarada submissão aos dogmas neoliberais, suas escolhas de assessores como José Serra e Armínio Fraga entre outros, todos êles artífices e porta-vozes variados – por aqui – do apocalipse que revelou-se ao mundo a partir de 2006 e explodiu em 2008, foram tratadas pelo baronato como grandes formuladores e gestores. A alienação do patrimônio público, a compra da reeleição, as sucessivas e incompetentes administrações do Banco Central em seus mandatos, foram mostradas a leitores e telespectadores do país inteiro como ações e atitudes na luta para salvar um país que eles mesmos estavam a destruir. E a mídia, vendo tudo o que ocorria como inevitável, mero acidente da natureza, que a nós apenas cabia suportar passivamente.

A prudência e a sabedoria do Presidente Lula o levaram a avaliar o quanto hostil era o ambiente em torno de si, o que lhe garantiu a condição de ser noticiado no início de seu mandato, quando pareceu domesticado. Mas a campanha para impedir sua reeleição começou tão feroz quanto a dos dias atuais. Mais uma vez, sua argúcia pessoal calou os adversários e abriu caminho para a reeleição. O sucesso do segundo mandato – a diminuição da pobreza, os investimentos na educação, a projeção do Brasil no exterior, os bons resultados da economia – abriram-lhe as portas para que escolhesse e fizesse sua sucessora.

O primeiro mandato de Dilma ocorre ao mais ou menos ao mesmo tempo em que Barack Obama inicia a reação norte-americana contra os Brics, usando o que chamam de softpower, a alternativa às espalhafatosas e caríssimas – política e economicamente – invasões militares para obter a deposição de governos hostis ao que consideram seus interesses econômicos e geopolíticos. Trata-se de insuflar os ânimos de cidadãos desavisados dos países alvos, quando em luta na defesa de seus desejos e necessidades não atendidos pelos governantes da vez, para em seguida infiltrar neste movimentos até então reivindicatórios, mercenários e baderneiros pagos para instalar o caos e desestabilizar o governo.  Tais recursos foram usados pela primeira vez pelos sérvios – até onde eu sei – na luta pela dissolução da Iugoslávia. Aquela guerra, necessária para abrir caminho para as fôrças da OTAN aproximarem-se das fronteiras russas, está agora na Ucrânia, na Síria, na Venezuela e outros lugares, e talvez no Brasil.

O desconhecimento pela mídia da recente inauguração de um trecho da Ferrovia Norte-Sul, de 1400 km solenemente ignorado por todos os noticiários escritos e televisados é, ou poderá ser, a síntese do tratamento que Dilma recebe de seus inimigos. A omissão de muitos fatos, a invenção de outros tantos, o tratamento sempre desdenhoso, as mentiras e distorções dos fatos econômicos, são os meios disponíveis nesta nova etapa da luta contra o país, travada diuturnamento pelo imperialismo hegemônico e seus acólitos, que querem ser para todo o sempre, o que hoje são. Uns, no andar de cima desfilando suas desumanidades, os subservientes a comer migalhas no andar de baixo, e a grande maioria desamparada no subsolo.

A ascensão dos Brics e suas políticas não hegemônicas, inéditas no cenário internacional; da China como maior economia do mundo; o gás russo e o Pré-Sal brasileiro; o redescobrimento da Índia e da África do Sul, são as verdadeiras razões que levaram o que chamamos de elite brasileira ao papelão que ela fez no Itaquerão.

O papelão dos oportunistas Aécio Neves e Eduardo Campos, cuja chancela aos xingamentos dos VIPs presentes no estádio – convidados de empresas beneficiárias das rupturas institucionais em todos os países que são objeto de insaciável cobiça – revelam o caráter – tosco, chauvinista, burro e arcaico – de suas personalidades e o desapreço pelas mulheres e, previsível, pelo que acham que seja o resto.

A Presidenta Dilma Rousseff usou seu mandato para aprofundar as conquistas do governo Lula, continuar as gigantescas obras de infraestrutura iniciadas pelo antecessor, aperfeiçoou políticas sociais e criou outras, aparentemente ignorando a campanha midiática que nunca lhe deu trégua. Na minha opinião, se tivesse reagido antes, seu mandato teria sido reduzido a uma batalha contra o baronato. Se a Presidenta lançasse a campanha pela regulação da mídia em qualquer momento de seu mandato, no mínimo, teria lançada contra si, o que se viu no Itaquerão.

A campanha feroz da banca das finanças, da indústria, dos ruralistas, de políticos de todos os matizes que não enxergam um palmo adiante dos seus interesses de classe e pessoais, que ora expõe tais interesses sem qualquer escrúpulo, está com seus dias contados em boa medida. O horário eleitoral, a presença de Lula, as propostas indefensáveis dos opositores, a discussão da Lei dos Meios, do financiamento público de campanha e outros temas fundamentais para uma agenda progressista chegará às ruas. O resto, as urnas o farão.

 

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Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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17 Comentários
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  1. dinarte22

    16 de junho de 2014 3:50 pm

    correta a analise
    Suscinta análise toca no essencial. Acredito que a mesma populacao que adotou a copa va assistir aos programas eleitorais para se informar melhor. A copa mostrou ao povo que a midia nao respeita a veracidade dos fatos.

  2. alfredo machado

    16 de junho de 2014 4:08 pm

    Agenda progressista

    Heitor,

    Comentário excelente, sem torcida, didático e ao alcance do entendimento de qualquer um.

    Não tinha feito a ligação entre as suas verdadeiras razões que motivaram o ataque dos emergentes endinheirados no estádio, e a agressão em si, tudo a ver, embora sem nenhum sinal visível.

    Agora, resta aguardar a agenda progressista, que terá que fazer parte da rotina do Palácio do Planalto até 2018.

    E quanto à desumanidades do andar de cima, um leque delas, não nos iludamos, continuarão por aí.Questão de DNA.

    Um abraço

  3. Carlos Lima

    16 de junho de 2014 4:09 pm

    ITAMAR NADA MAIS FOI QUE UM PAVIMENTADOR PARA O PSDB, ERA UM X9

    A Figura pífia de ITAMAR FRANCO na política é notória nos dias de hoje, tinha uma habilidade sensacional de enganar todo mundo, era um camaleão. Pare se manter com o sem “CALCINHA” vivera lua de mel com a direitona fingindo ser um NACIONALISTA, mentira, ele não era nem uma coisa nem outra, vivia divagando por partidos na espreita de alguma candidatura. Cometeu o erro de pavimentar para o PSDB a presidência da república para o que havia de mais imoral na política Brasileira, paspalhos privatizadores e corruptos como agora o Metrô desnudou tudo. O PSDB se alia até a demônio se preciso for, logo após o golpe do FHC a reeleição e a covardia que o PMDB fez ao negar-lhe a candidatura a presidente novamente, após essa traição o PSDB quis lhe dar um consolo o Governo de MINAS o qual ela enquartelou-se-se e desferiu golpes de vingança ao FHC, inclusive chamando de Governo do “PAU OCO”, más para ao menos terminar o governo no estado, aceitou as migalhas de Aécio e PAVIMENTOU também em MG o Projeto de governo do PSDB. Portanto Itamar nada mais era que um oportunista e dos mais dissimulados, era amigo sem ser e era inimigo sendo amigo, era mesmo um camaleão, na política efetivamente nada deixou de legado sena sopros de mentira, pois ao mesmo tempo que defendeu a CEMIG, entregou ela para a turma do Aécio que todo dia acaba com ela um pouquinho. Itamar tirou com uma mão e entregou com a outra era um político faz de contas.

  4. Dan Moche Schneider

    16 de junho de 2014 4:23 pm

    Assim seja, Heitor. Discordo

    Assim seja, Heitor. Discordo apenas da oportunidade do enfrentamento da ditadura midiatica. Estamos bem atrasados, em plena midiotização, que está a criar e alimentar muchos y muchos cuervos.

  5. CARLOS FM

    16 de junho de 2014 5:03 pm

    O pré-sal e a água!

    Excelente!

    Nessa guerra em prol da concentração da riqueza mundial nas mãos dos “eleitos pelo destino” de sempre, o Brasil é/será o palco das batalhas do pré-sal e da água. Quem viver, verá — e terá de escolher um lado!

  6. Luciano Prado

    16 de junho de 2014 5:06 pm

    Valeu

    Quanta lucidez. Belas reflexões sobre fatos incontestáveis.

    Obrigado, Heitor!

  7. Vantuil Barbosa Filho

    16 de junho de 2014 5:08 pm

    fico a imaginar,

    qual dos jornalistas independentes e livres, teram a coragem de se expor a achar que Aécio, ou Campos é a melhor opção para o futuro e o desenvolvimento da comunicação no Brasil.

  8. Taneamara

    16 de junho de 2014 5:23 pm

    Belo texto, em amplo sentido.

    Belo texto, em amplo sentido. Quando for tocado o assunto, Lei dos Meios, na campanha, aí é que a coisa vai pegar. 

  9. Carlos G P Lenz

    16 de junho de 2014 5:28 pm

    P E R F E I T O …

    … PARABÉNS !!!

    Não teria escrito melhor.

    Só espero que seja realmente como está escrito no final, após o horário eleitoral…

    … não sei até que ponto temos uma juventude antenada para entender o que está em disputa.

    Quanto aos mais velhos, ou eles já estão definidos em apoio ao PT e sua agenda progressista / social desenvolvimentista, ou já estão com ódio de tanto ler “veja” e assistir a rede “golpe de sonegação” (entre outros meios de informação  mentirosos)

     

  10. Fábio de Oliveira Ribeiro

    16 de junho de 2014 6:19 pm

    Se Globo, Folha, Estadão e

    Se Globo, Folha, Estadão e Veja fizessem campanha para Dilma eu certamente não votaria nela. 

  11. lenita

    16 de junho de 2014 6:19 pm

    Muito bom Heitor ! Exatamente

    Muito bom Heitor ! Exatamente o que pensam aqueles não iludidos pelo PIG e pelo Partido Supremo Da Baixaria.

  12. serralheiro 70

    16 de junho de 2014 6:55 pm

    Muito bom!

    O texto de Heitor traz completa avaliação do conluio “mercado”- mídia- oposição que se estabeleceu entre nós deste a posse de Lula como presidente, até a raivosa e incivilizada manifestação da Arena de Itaquera..Mentir, omitir, esconder, caluniar viraram aprofissão da desregrada mídia nacional. Até onde isto será tolerado?

  13. Sta Catarina

    16 de junho de 2014 7:37 pm

    Campanha

    Apesar de meu candidato nestas eleições já estar escolhido, votarei novamente na presidente Dilma, com certeza, faço questão de ver as bobagens dos outros dois candidatos durante a campanha. São duas figuras patéticas e retrógadas que, com a benção de Deus, continuarão restritos à seus currais eleitorais.

  14. Francy Lisboa

    16 de junho de 2014 7:54 pm

    Muita gente que hoje acha que

    Muita gente que hoje acha que o Brasil é está pior do que nunca está fazendo a viajem do saco para a útero quando o INOMINÁVEL  fez aquele Governo que alguns teimam em dizer: “deixou as BASES SÓLIDAS”.

    Agora pensem. Imagina se a Espanha troca de Governo com as mesmas “bases” deixadas por FHC, como o Heitor detacou tão bem? Com certeza o Governo que sai poderia evocar a lógica FHceana e dizer: “Nós deixamos a base”.

    A base é milhões sem emprego: Essa é a base para mão de obra barata né? Quem não se lembra da fila gigante na Sapucaí pra vaga de gari?

    Outra base alegada seria uma divida monstruosa com os organismos internacionais: Isso sim é BASE SÓLIDA né?

    Nós estamos acompanhado e não conseguimos entender como esses governos europeus que sofrem do mesmo que o Governo FHceano não conseguem sair do buraco, já que as BASES SÃO SÓLIDAS, né?

     

    Enfim, parabéns pelo texto Heitor.

  15. wendel

    16 de junho de 2014 8:07 pm

    Obrigado ao Heitor de Assis,

    Obrigado ao Heitor de Assis, pela análise perfeita do que foi o governo Lula e a continuação do governo Dilma!

    Eu sempre soube, e acredito que vários também, que não podemos analisar o governo progressista de Lula/Dilma, sem atrelar o que também se passa no exterior! O interesse das Corporações, do Império em desestabiliar governos hostis, como você bem colocou, mostra o quanto nosso pais está vulnerável!

    A privatização da  PETROBRAS e da PDVSA, são suas proximas presas, e o pré-sal, foi o tendão de Aquiles com os quais pretendiam se apossar, e foram impedidos pela forma com que foi licitado, até agora não se conformam!!!

    A canalhada, pou melhor os saqueadores, aliados a quinta-coluna neoliberal, tudo farão para retornarem ao poder e continuarem saqueando, como sempre fizeram!

    Meu receio é que, embora tenhamos conquistado vários trunfos sociais, os menos favorecidos e atualmente os mais beneficiados, sejam manipulados, e coloquem tudo a perder.

    Há um ditado que sempre cito – ” a mesma mão que aplaude, é a mesma que apredeja!!!!!

    Todo cuidado é pouco, pois ainda têm o poder midiático, e embora tenhamos hoje a internet,  isto só aumenta nossa responsabilidade de contrapor na Web, os fracos argumentos deles!!! 

     

  16. maria barros

    16 de junho de 2014 9:21 pm

    Parabens!  Eh um aliviio e um

    Parabens!  Eh um aliviio e um alento ler um texto tao bom , quanto raro, nos dias de hoje. Obrigada. Maria

  17. Romeu wolf

    17 de junho de 2014 2:35 am

    recado a elite.

    Aos revolucionarios do facebook, guerilheiros de shopingcenter, militantes das baladas, ativistas da internet a serviço da direita raivosa, enquanto vaiam a DILMA, criticam o programas sociais, acham terrivel ter q dividir espaços nos avioes com os ¨nao bem nascidos¨ fica a pergunta, criticar o bolsa familia pode, e o BOLSA IMPRENSA,  nao dizem nada. Ja  viram alguma vez qualquer comentario na GLOBO, VEJA,  e outros da mesma laia a esse respeito, pois saibam no ano de 2013 a conta foi de 43 bilhoes com publicidade no Brasil no ambito federal, estadual e municipal, o bolsa familia no mesmo periodo foi de  12 bilhoes, dividido entre milhoes de famintos, enquanto q os 43 acima foram para engordar porcos gordos, entre eles colunistas-criminosos da veja, apresentadores da globo, ( faustao, huck, JN,) entre outros e so ver os comerciais. O recado e muito simples, vamos explodir, e quando isso acontecer muitos vao cair, e um dia vira o julgamento, entao os culpados deverao ser procurados no andar de cima, entre eles, REINALDO AZEVEDO, AUGUSTO NUNES, DIOGO MAINARDI, , J.R. GUZZO, CAIO BLINDER, LUCAS MENDES, e outros mais ou menos cotados, que servem de capachos aos seus mandantes, e tornaram-se envenenadores da opiniao publica criando versoes aos inves de divulgarem fatos, estimulando a luta de classes, o preconceito, e o racismo. Se nao pela justiça, um dia esses malditos serao julgados pela historia, e devidamente arquivados no lixo de suas existencias.

     

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