Por Diogo Costa
ENTUSIASMO, DESCRÉDITO, RECUPERAÇÃO E UM SUPOSTO IMPASSE – Um dado político bem interessante é aquele que diz respeito às taxas de alienação eleitoral. A partir destes índices se pode verificar o estado de ânimo da população e a confiança política da mesma em diferentes períodos da história.
Em ciência política define-se a taxa de alienação eleitoral pela soma do número de votos em branco, mais os votos nulos e mais as abstenções, em relação ao total de cidadãos inscritos e aptos a votar.
Verifiquemos então os índices de alienação eleitoral havidos em nossa história recente:
Taxas de alienação eleitoral nas eleições presidenciais do Brasil (1989/2010)
1) Eleição de 1989, 1º turno: 17,6%
1.1) Eleição de 1989, 2º turno: 19,3%
2) Eleição de 1994: 33,1%
3) Eleição de 1998¹: 36,1%
4) Eleição de 2002, 1º turno: 27,1%
4.1) Eleição de 2002, 2º turno: 25,2%
5) Eleição de 2006, 1º turno: 23,7%
5.1) Eleição de 2006, 2º turno: 23,8%
6) Eleição de 2010, 1º turno: 25,1%
6.1) Eleição de 2010, 2º turno: 26,7%
A conclusão óbvia é que na eleição solteira de 1989, a primeira havida depois de um longo e tenebroso inverno que durou 29 anos (período em que os brasileiros não puderam votar para a presidência da república), houve intensa participação popular e um grande número de votos válidos.
Em 1994 e 1998 (nas duas eleições de FHC) os índices de alienação eleitoral chegaram ao ápice, sendo que em 1998 o descrédito político era tão exacerbado que Fernando Henrique Cardoso se elegeu tendo menos votos do que a soma de votos em branco, de votos nulos e de abstenções (fato inédito e jamais repetido).
A partir de 2002, e passando por 2006 e 2010, a taxa de alienação eleitoral se estabiliza entre 23% e 26% do total de inscritos nos três segundos turnos havidos nestas eleições.
Houve em 2002, 2006 e 2010 uma nítida recuperação da confiança política perdida em 1994 e 1998.
Para a próxima eleição presidencial, neste ano de 2014, não existem elementos suficientes para se afirmar que a taxa de alienação eleitoral irá repetir em números o descrédito político exacerbado dos anos de 1994 e 1998.
Tampouco se pode afirmar que alguém irá igualar o vexaminoso recorde de FHC, conquistado em 1998, no próximo pleito rumo ao Palácio do Planalto.
Enfim, em 26 de outubro deste ano saberemos com maior exatidão quais foram os efeitos políticos das “manifestações” de junho de 2013.
Pelos dados que temos hoje é correto afirmar que o descrédito político e a desconfiança nas instituições tiveram o seu triste auge nos anos 90. Nos últimos doze anos, ao contrário do que uns e outros e o senso comum erroneamente defendem, houve uma recuperação na confiança política do povo brasileiro.
Esta recuperação dos últimos doze anos está sendo posta à prova, sem dúvidas, mas é prematuro dizer que regredimos, ou que voltamos hoje ao fundo do poço que o povo brasileiro teve o desprazer de conhecer nos idos tempos neoliberais da década de 90.
Neste ínterim analisado entre os anos de 1989 e 2014, e sintetizando o período em questão, não seria errado dizer que a população brasileira experimentou as seguintes sensações políticas: entusiasmo, descrédito, recuperação da confiança e o suposto impasse atual.
¹ A eleição de 1998 foi a primeira e única em que o vencedor, no caso Fernando Henrique Cardoso, do PSDB, fez menos votos do que a soma de votos brancos, de votos nulos e de abstenções. Neste pleito de 1998 FHC fez 35.936.382 votos. Número inferior à taxa de alienação eleitoral, que somou incríveis 38.378.285 cidadãos brasileiros que votaram em branco, que anularam o voto ou que se abstiveram.
Conde de Rochester
10 de junho de 2014 3:31 pmeleição
O desinteresse e o descredito é muito maior do que apontam as estatisticas.
Os numeros do texto do post apontam a realidade de uma fotografia. Se utilizar uma radiografia a realidade que aparece é bem mais dramatica.
Sabe por que?
Se tirar destas estatisticas os que votam no menos pior e não no ideal o que sobra?
Francy Lisboa
10 de junho de 2014 4:06 pmNos mostre a radiografia a
Nos mostre a radiografia a realidade, o Blog eh aberto e com certeza o Nasif vai abrir espaco para vc. Desacreditar os numeros eh algo comum para quem nao tem voto ou acha que seu mundo eh maior do que o proprio mundo.
Maria Luisa
10 de junho de 2014 4:11 pmCoisas da oposição
Vamos esperar pela soma de nulos, brancos e de abstenção e ai veremos se o voto foi no menos pior (essa é a propaganda atual da midia ) ou se ao contrario, sera mais um voto pela continuação e melhoria do que vem sendo feito. De resto, o que sobrou mesmo, foi o FFHHCC !
Carlos Dias
10 de junho de 2014 4:36 pmParabéns Diogo
Ontem mesmo coloquei um esboço dessa análise no comentário sobre as bobagens ditas pelo Aldo Fornazieri. O professor parece viver um delírio acadêmico…
Carlos Roberto
10 de junho de 2014 4:58 pmInterpretando os números
Há um outro modo de olharmos os números. Justamente nos anos em que não houve 2º turno, os índices de alienação foram maiores.
Isso pode significar que, se o indice de alienação for alto em 2014, provavelmente o vencedor será conhecido já no primeiro turno, o que de alguma forma favoreceria a Dilma, sem dúvidas.
Conde de Rochester
10 de junho de 2014 5:35 pmA militância deveria mudar o
A militância deveria mudar o tom da defesa que fazem com o PT.
Querer enfiar guela a baixo das pessoas a preferencia que tem pelo pt inevitavelmente da resultado contrario.
As pessoas acreditam que o PT deixou de realizar o que poderia, desta maneira querer forçar que mudem de opinião não da resultado.
O PT como os outros partidos não apresentaram nenhuma ideia que fosse de encontro com os anseios populares de junho do ano passado, estão todos na inercia esperando que as coisas se ajeitem por moto proprio.
Se adotassem a humildade e reconhecessem estas deficiências e se esforçassem em criar alguma alternativa seriam muito mais aceitos, com certeza.
Montanhax
10 de junho de 2014 5:39 pmSempre que aparece esse
Sempre que aparece esse assunto, os autores nunca observam a falta de atualização do cadastro de eleitores. Sem os eleitores que já faleceram ou que mudaram de cidade etc.
Em Curitiba, a abstenção caiu (mais ou menos) de 20% para 10¨%. Creio que o mesmo deve ter ocorrido com outras cidades onde foi feito o recadastramento.
É possível até que a queda em de 2002 para 2006 (de 27% p/ 23%) tenha como principal justificativa, o recadastramento.
Nesta eleição, outras tantas cidades também passaram pelo recadastramento biométrico e devem apresentar forte queda no percentual de abstenção.
Outra motivo para as abstenções são os eventuais compromissos que os eleitores podem ter, sem nenhuma razão política. As pessoas continuam tirando férias, viajando, fazendo negócios etc, mesmo em período de eleições. As rodoviárias e aeropórtos continuam funcionando normalmente em período eleitoras
O autor deveria ter feito a análise dos brancos e nulos separado da abstenção. Apenas os votos brancos e nulos podem ser interprestados como desinteresse ou protesto..
Confrade Hariovaldiano
10 de junho de 2014 6:02 pmRepresentação política
Entendo que, pelo menos no que diz respeito à eleição para a câmara federal, a alienação está relacionada com a perda do sentimento de efetividade do voto. Até o eleitor menos esclarecido tem consciência de que o que passa a interessar para o deputado eleito é o relacionamento com os seus financiadores de campanha, já pensando no próximo mandato.,
Os senhores deputados de todos os partidos nada mais são do que despachantes de luxo dos grandes interesses e das grandes empresas.
Quem não segue as regras do grande jogo não consegue se reeleger.
Penso que uma reforma do sistema político deveria contemplar duas vertentes:
De um lado o barateamento das campanhas eleitorais com a proibição do financiamento pelas empresas e o estabelecimento de um limite máximo de contribuição para as pessoas físicas (para cada candidato).
De outro lado, a representação política de cada estado deveria ser reduzida na proporção dos votos nulos e brancos em relação ao total dos votos, observado um limite mínimo de deputados por estado.
No sistema atual se 90% dos eleitores votarem nulo ou branco, não haverá maior impacto. Os senhores deputados são eleitos com os 10% de votos válidos e vão cuidar dos seus financiadores de campanha.
No sistema proposto uma proporção de 30% de votos nulos e brancos implicaria na redução da representação estadual nos mesmos 30%, passando os votos nulos e brancos a significar votos pela não representação.
Na prática é como se surgisse um novo e forte partido que poderia chamar-se PNB – Partido dos Nulos e Brancos – caracterizado pela não representação.
Ma medida em que os votos nulos e brancos passem a ter o significado de votos pela não representação, impactando o tamanho das bancadas de cada partido e punindo a representação política como um todo, o sistema político haverá sem dúvida de procurar soluções no sentido de converter os votos nulos e brancos em votos válidos.
E assim o eleitor pode passar do estado atual de pária para o papel de um efetivo protagonista no processo eleitoral.
gentilhomme
10 de junho de 2014 6:14 pmmuito interessante
Tu não tens dados de outros países pra compararmos?
Montanhax
10 de junho de 2014 6:20 pmEm 1988, começou o voto
Em 1988, começou o voto facultativo dos jovens de 16 a 18 anos (facultativo).
E, a eleição de 1994 foi a primeira a sofrer o impacto integral (jovens de 16 e 17 anos) dessa novidade.
Esse fato pode, talvez, justificar a subida de patamar observada a partir de 1994.
BRUNO ANDRE Alves
10 de junho de 2014 6:32 pmLembro me muito bem em 1998.
Lembro me muito bem em 1998. A poderosa GLobo queria reeleger FHC e nao havia uma campanha negativa e sistematica contra o governo tucano, como ocorreu na reeleicao de Lula e da Dilma. Queria passar a ideia aos eleitores de que a reeleicao era certa. Assistia ao JN e nem parecia que havia uma campanha politica para a presidencia. Como fhc estava na frente nas pesquisas, o JN so noticiava a campanha diaria dos candidatos em tempos iguais so aguardando o dia da eleicao.
janes salete
10 de junho de 2014 9:05 pmCom o faceburro, a alienação
Com o faceburro, a alienação política aumentou muito. Vejo, na faculdade, que 99,99% das colegas têm essa ferrmenta como informação e desconhecem qualquer outr tipo de corrupção a não ser o mensalão. Pergunto, se elas sabem, conhecem o trensalão, a corrupção nos estados de sp e outros…nadica. Vão participar, algumas, de protestos na copa e contra a copa, mas desconhecem a história política do Brasil (aliás, não só política. O grande “saber”, é sobre futilidades estrelares). Tem uma colega que se idenfifica como Maria Molotof e fala só coisa negativa sobre o país, vai participat das passeatas sem saber das corrupções “alheias”. Pois bem, ela se acha politizada porque particpa dos protestos. Sou de índole mediadora, mas não deixo de chamá-la de vira-lata em plena sala de aula, porque é ali que ela se posiciona com frequencia. Senta ao meu lado e convivemos bem, porque não misturo as coisas, colega é colega, posição política é outra coisa.: Hoje mesmo, levei vários artigos sobre o que ela desconhecia: sobre jb, psdb, as corrupções nos estados, governo de fhc, a exclusão dessa época colonial que esse ser instalou em nosso país da década de 90. Ela tem 45 anos, não é nenhuma jovenzinha para ser tão desconhecedora desses fatos, mas a mídia é poderosa com os analfabetos políticos. Minha professora, também, é contra a copa e faz parte do secular pensamento que tem que se ensinar a pescar e não dar o peixa. Minha porf,,tem 47, mas não resisti quando ele usou esse “ditado” secular e disse que o país teve 500 anos para ensinar a pescar e nunca ensinou, então essa não era já época de mudar de “intenção” e partir para a prática? Bom, como eu falo manso, como quem não quer nada, vou colocando minhas opiniões e elas ficam quase sem respostas.
Lucinei
10 de junho de 2014 10:18 pmMeu palpite é que vai
Meu palpite é que vai amentar.
A guerra de informação da oposição e da imprensa vai ser TODA concentrada para conseguir o segundo turno. Se a campanha da oposição não conseguir mostrar queda de dilma muitos eleitores do lado da própria oposição vão desanimar mais ainda. Só basta a campanha da dilma acertar um pouquinho, um pouquinho só e acho que a oposição vai ter menos votos que branco, nulo e abstenção somados.
Se essa hipótese se confirmar, vai ser curioso ver as “análises” que vão ser publicadas pela imprensa.
Carlos Dias
10 de junho de 2014 10:57 pmVão dizer que o PT comprou o POVO
com o dinheiro desviado da Visanet!! kkkkkkk
Lucinei
11 de junho de 2014 6:51 amNão me surpreendo com mais
Não me surpreendo com mais nada dessa “imprensa” brasileira. Menos ainda dos que a têm como matrix. De fato, a minha curiosidade é o quê um vai falar com outro.
Jaime Balbino
11 de junho de 2014 4:27 amEm 1998 FHC cooptou todo
Em 1998 FHC cooptou todo mundo e isolou o PT+`PDT do outro lado. Tirando o estreiante Eneias como direita caricata por não ter tempo para se revelar, não foi oferecida grande fauna para escolhad o eleitor. Daí a abstenção recorde.
Este ano caminhamos para outro mais do mesmo. com poucas opções como em 1998 boa parte vai se abster, mas os números devem ser mais modestos que em 1998.