23 de junho de 2026

Virada conservadora?, por André Singer

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da Folha

Virada conservadora?, por André Singer

Sob o cerco das três frentes –economia, Petrobras e presidência da Câmara– que ameaçam os avanços da última década, o semestre chega ao fim com preocupante saldo de perdas sociais, graves denúncias de corrupção e retrocessos legislativos. Ao aprovar anteontem de madrugada a redução da maioridade penal, em nova manobra suspeita, o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) produziu acorde final digno dos movimentos que se ouviram nos meses anteriores.

Caberá ao Senado, no próximo período, o protagonismo de avaliar as três medidas polêmicas preparadas por Cunha. Refiro-me à terceirização das atividades fins, à constitucionalização das doações empresariais aos partidos, e à já referida alteração na idade mínima para o encarceramento. Com certeza, Renan Calheiros, à frente da Casa revisora, fará uso do espaço na mídia que lhe cabe, mas se o ambiente social permanecer como o de hoje, não se deve esperar mudanças substantivas.

Neste ponto, a ousadia oposicionista de Cunha, fonte da unidade construída entre deputados tucanos e peemedebistas, se entrelaça com a profunda crise que atinge o governo e o PT. Tendo perdido apoio da própria base em função da condução econômica, Lula, Dilma e o Partido dos Trabalhadores deixaram órfãos os setores da sociedade comprometidos com a agenda progressista. Nesta hora se percebe o quanto, apesar de todas as contradições, o lulismo oferecia uma direção capaz de organizar maiorias.

Sem ela, a articulação entre PMDB e PSDB, muito bem urdida por Cunha, e que esteve na base das três propostas aprovadas, ameaça tornar-se hegemônica. De maneira quase infantil, o lulismo caiu na besteira de cometer estelionato eleitoral e agora, a cada aumento do desemprego e queda da renda, vê aumentar o isolamento em que se meteu. Diante do custo a longo prazo, ter perdido a eleição de 2014 seria prejuízo menor.

Tem mais. A incapacidade de responder às acusações que emergem da Operação Lava Jato ameaça manchar o petismo por tempo indefinido. Conscientes da gravidade do quadro, inúmeros movimentos e partidos buscam formar frente ampla, de modo a suprir a ausência de alternativas à esquerda. Não se trata, como acusa a direita, de esconder o PT, mas de oferecer saídas que o PT, de maneira isolada, não pode apresentar.

O ex-governador Leonel Brizola gostava de dizer que ter ou não ter programa era o de menos. Bastava encomendar a algum intelectual e chegaria pelo correio. Para a frente que está em gestação vale o contrário. Se não conseguir formular alternativa viável e que dialogue com a população, a virada conservadora, que ainda não se deu, mas está anunciada na liderança de Cunha, vai se consolidar.

ANDRÉ SINGER escreve aos sábados nesta coluna. [email protected]

 

Lourdes Nassif

Redatora-chefe no GGN

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16 Comentários
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  1. Messias Franca de Macedo

    4 de julho de 2015 2:21 pm

     
    ‘A Guantánamo do Paraná’

     

    ‘A Guantánamo do Paraná’ talvez pretenda apresentar o Marcelo Odebrecht como ‘troféu’ para o álibi fascigolpista

    ENTENDA através da ‘Folha’ “da ditabranda”!

     

    ##########################

    Preso há duas semanas, Marcelo Odebrecht dormiu quatro noites em corredor

    Por jornalista Bela Megale

    Enviada especial a Curitiba
    04/07/2015  05p9

     

    Na última quarta-feira (1º), Marcelo Odebrecht, herdeiro e presidente do grupo empresarial que carrega o sobrenome de sua família, quis falar com um policial. Pediu que deixasse aberta a porta da cela onde está preso há duas semanas, na sede da Polícia Federal, em Curitiba. Queria circular pelo menos no corredor.

    Preso sob a acusação de participar do esquema de corrupção na Petrobras, o empreiteiro utilizou esse espaço nas quatro primeiras noites que passou na cadeia. Ele foi um dos presos que dormiram nos colchões colocados no chão do corredor devido à superlotação da carceragem.

    (…)

    Nesta semana, reclamou da escuridão no local e ouviu de um agente: “Isso é uma cela. Você está preso”.

    Na noite em que chegou à carceragem da Polícia Federal, levou bronca de um agente (…) Segundo um dos presentes, ele se encostou “largado na parede” para ouvir as instruções dos policiais.

    (…)

    Na quarta anterior (24), Marcelo recebeu a visita da mulher, Isabela. No encontro, teve direito de abraçá-la, o que é permitido apenas uma vez por mês. 

     

    CACHOEIRA – perdão, ato falho -, FONTE: http://www1.folha.uol.com.br/poder/2015/07/1651677-preso-ha-duas-semanas-odebrecht-dormiu-quatro-noites-em-corredor.shtml

     

    Messias Franca de Macedo

    Feira de Santana, Bahia

    República de ‘Nois’ Bananas

  2. anarquista sério

    4 de julho de 2015 2:32 pm

    Como já ecrevi por aí: Não

    Como já ecrevi por aí: Não quero comentar nada.

       Mas sabe como é, né? Viciado não resiste.

           A frase FANTÁSTICA do artigo que nem precisaria escrever mais nada:

       ”” Diante do custo a longo prazo, ter perdido a eleição de 2014 seria prejuízo menor.”

               Bingo !

  3. NICKNAME

    4 de julho de 2015 2:35 pm

    “mas de oferecer saídas que o

    “mas de oferecer saídas que o PT, de maneira isolada, não pode apresentar”.

    O PT (que tem suas contradições internas – as várias facções) tem dificuldades em dar um desconto e puxar, trazer á aproximação, não só os peuqenos partidos à esquerda, mas também setores que estão distribuídos no PSB e até no PMDB, por exemplo. Deixar, um dia, de soberba (característica de sua trajetória)

  4. vini

    4 de julho de 2015 2:40 pm

    Não existe isso de virada conservadora…

    Eles só se cansaram do Lulopetismo que agora sofre com o seu sucesso e viram a chance de voltar ao passado.

    Se esse movimento se consolidar através de um golpe branco, como eles querem, vai ser até engraçado, é  bem capaz de EC aprovar uma emenda  constitucional para se manter no cargo, e levaremos pelo menos mais vinte anos para reverter esse quadro.

    A história mostra que não se rompe com um ciclo de repressão sem sofrimento, sem passar a limpo a história. Não se pede ajuda de quem  trabalhou diuturnamente para manter a casa grande e a senzala  em pé para derrubá-las.

    O maior erro do Lulopetismo foi não criar meios midiático e jurídico para contra-atacar, para passar a limpo o passado, rompendo de vez com o atraso, com a escravidão. Se tivesse lutado por isso, ao invés de lutar para se manter no poder num governo coalisão, não estariamos vendo o Príncipe da Privataria, Aécio blindado Neves, Eduardo Cunha e colaboraddores livres leves e soltos, a arrotar moralismo. 

    Esse foi o erro da esquerda, junto com o PT. Não criar alternativas e se afastar de sua base social, achando que o acesso ao consuma iria imunizar seus eleitores do discurso moralista contra o PT e o governo, em nome de um republicanismo que é uma jabuticaba, que não existe em lugar nenhum do mundo.

  5. Alexandre Weber - Santos -SP

    4 de julho de 2015 3:13 pm

    A virada do mundo é tipo Syriza, não conservadora

    Duvido que emplaque um arrocho à la troica por aqui, mesmo os juros pornográficos estão mais baixos e os que o comandam tremem na base só em pensar em aumentá-los.

    Cairam na real.

  6. Ingrid Mariana

    4 de julho de 2015 3:20 pm

    Considerações sobre a virada conservadora

    1) O teto de vidro dos hipócritas vai desabar sob suas cabeças. Esse pessoal radical que pede intervenção militar de trejeito fascista e antidemocrático é minoria. Não me esqueci do fracasso das manifestações de 15 de março amplificadas pela histeria midiática, mas formada por eleitores do Aécio inconformados por ter perdido a eleição.

    2) Não acredito nas pesquisas de opinião divulgadas por datafolha e ibope, fato é que a presidenta tem mais apoio do que essa gente ama dizer. Esse pessoal mentiroso e manipulador não é medida nem parâmetro confiável.

    3) Uma pessoa muito sábia disse que é próprio do Espírito do brasileiro oscilar entre a terça feira gorda e a quarta feira de cinzas. Tudo muito oito ou oitenta: otimismo alucinado ou pessimismo apocalíptico. Não, eles não tem capital político pra bancar uma ruptura institucional desse porte e sim, eles têm consciência disso. Toda essa movimentação não passa de desespero por saber que de um modo geral mídia, judiciário, oposição, MP, PF, estão sendo vistos e percebidos tal qual são pela população: um bando de fascistas mal intencionados. O rei está nu e é feio de doer!

    4) Os milhões de brasileiros que tiveram sua dignidade resgatada nessa década de inclusão social não vão aceitar retrocessos. Os jovens, os tals dos “millenials” então… Quero ver quem vai segurar… Não há aparelho repressor do Estado que segure o tamanho do levante. Junho de 2013 vai parecer uma coisinha pequena.

    5) Os fascistinhas que recebem pra promover discurso de ódio na Internet e palhaços como aquele que ameaçou a presidenta em Stanford são minoria. Esse pessoal é barulhento, mas é minoria, é organizado, mas é minoria. São inflados virtualmente, histéricos e pagos. Parece que são muitos, mas muitas vezes é um palhaço que controla dez quinze perfis desses…

    Não vamos piscar! Que eles pisquem! Esse pessoal quer causar medo, mas não tem força! Não há força na covardia de quem se comporta com palavrões e bravata. Se fosse assim, eles teriam ganhado no grito em 2014… Estar pronto para o enfrentamento com serenidade espanta o “bicho papão”.

    Ah, sim… Um último detalhe: O Brasil não é a Ucrânia! 202 milhões de pessoas espalhadas em 27 estados. E essa canalha entreguista não tem o apoio das forças armadas dessa vez…

    1. Fabio Pereira Veloso

      4 de julho de 2015 5:11 pm

      Falou com muita propriedade

      Concordo com tudo que você escreveu, Ingrid.

      Mas pelo caminhar das coisas, não vejo como evitar essa catástrofe.

      O povo está anestesiado, no ponto em que chegamos, deveria haver conclamação às massas para evitar isso.

      Parece que o PMDB já se articula com o PSDB para haver uma “transição meio que pacífica”.

      Mas não há como prever os acontecimentos de uma ruptura do processo democrático.

      Pode estar sendo gestado um novo bebê de Rosemary…

       

       

       

    2. jose antonio santos

      4 de julho de 2015 6:52 pm

      gostaria ser otimista

      porem as pessoas com quem convivo diariamente e são dezenas têm tido um comportamento muito anti-pt, anti-esquerda. Não sabem mnuito bem o que é ser de esquerda mas são contra. Há ai influencia muito grande do PIG, pastores tipo malafaia e outras cretinises. Eles se espantam por não compartinhar com essa neurose. Como pode um cara classe media alta não ser da direita!!!! As vezes me irrito com as cobranças mas não mudo de opinião.

    3. Emilia Silva

      5 de julho de 2015 12:43 am

      Também acho que os

      Também acho que os fascistinhas são uma minoria de palhaços mal intencionados, inflados virtualmente, histéricos e pagos. Acontece que mesmo a maioria que está vendo isso não vai fazer nada para impedir, caso os políticos do mal, em conluio com os prevaricadores e a grande mídia, consIgam derrubar o governo legitimamente eleito. Para piorar, parece que até o Banco Central agora está tentando desestabilizar ainda mais a economia com políticas de juros inexplicáveis. Acho que estão alimentando artificialmente a crise, para gerar desemprego e atemorizar o povo, inibindo a sua reação.  

    4. SandraSRO

      5 de julho de 2015 8:34 pm

      Considerações sobre a virada conservadora

      Espero muito que você tenha razão porque acompanho tanto as ações do governo quanto as falcatruas do Congresso. O que estão fazendo com a Dilma é de uma covardia sem tamanho. Desde 2003 nunca vi o Brasil crescer tanto e nunca vi um desenvolvimento social dessa magnitude. Meu temor é porque a classe dominante nunca aceitou e nem aceitará dividir aeroportos com pessoas mais pobres, nunca aceitou ou aceitará que filhos de pobres ou negros frequentemente a mesma universidade que seus filhos, nunca aceitará que sua empregada possa estudar e, quem sabe, usar o mesmo perfume que ela. O Brasil mostrou a cara: é um pais preconceituoso e não só de raças, mas tem um enorme preconceito contra os pobres.

  7. Carlos Hums

    4 de julho de 2015 4:12 pm

    Caco Barcelos dando uma aula

    Caco Barcelos dando uma aula em Eliane Catanhede – https://www.youtube.com/watch?v=o79VPhf_2UE

  8. Juliano Santos

    4 de julho de 2015 4:31 pm

    O Singer tem mania de

    O Singer tem mania de “lulismo para cá, lulsimo para lá”. A atual crise que está permitindo essa onda conservadora avassaladora é causa direta do vácuo político, por inação e inabalidade da presidenta.

    Pode-se até discutir a crise da aliança capital produtivo/trabalho urdida pelo “lulismo”, como um fenômeno independente do atual governo. Mas isso é coisa para teorizações mais longas.

    O fato urgente agora é que Dilma se recusa a fazer política, no que a cambada liderada pelo Cunha aproveita para fazer barba, cabelo e bigode. A grave conjuntura atual tem que botar na conta do “dilmismo” ou “republicanismo” como gosta o Cardoso

  9. arkx

    4 de julho de 2015 7:03 pm

    os “nossos” intelectuais

    André Singer faz parte de um grupo de intelectuais lulistas, inclusos entre outros Marilena Chaui e Emir Sader, sempre prontos a colocar seu arsenal teórico na defesa daquilo que denominam “o nosso governo”. foram dos principais sustentadores da interdição de toda crítica ao lulismo, sob argumentação de se “fazer o jogo da Direita”.

    agora não conseguem elaborar argumentação convincente para justificar o “ajuste fiscal” dos banqueiros, implementado por Joaquim Levy. tampouco são capazes de apontar caminhos para a superação da crise. sem saber como equacionar apoiar  “o nosso governo”  executando o programa derrotado nas urnas, decidiram interditar a si mesmos com uma eloqüente mudez.

    foram muito úteis quando se tratou de abafar todas as tentativas de crítica ao lulismo, para fazê-lo avançar num momento em que Lula, no auge de sua popularidade, desfrutava de condições favoráveis para tal.

    com a virada conservadora, pouco ou nada tem a acrescentar… é nos momentos de crise que as pessoas se revelam como de fato são.

    .

  10. Sergio J Dias

    4 de julho de 2015 7:39 pm

    Virada conservadora

    Até quando vamos ficar nos enganando. Nos últimos anos vimos crescer nas periferias brasileiras o “medo” de lideranças populares legítimas de disputar eleições. Milicianos, ajudados pelo clima de insegurança pública, se tornaram políticos, disputaram eleições e ganharam. Eles se espalharam por várias casas legislativas deste país, inclusive pelo Congresso e Senado. Com eles, o conservadorismo e o obscurantismo se fortaleceu. Os “Datenas e os Marcelos Rezende da vida” diariamente os incitam a continuarem sua trajetória. Três filmes mostram bem como este processo se deu e vêm se dando. São eles: “O Homem do Ano”, de José Henrique Fonseca, “O Som ao Redor”, de Kleber Mendonça Filho e “Tropa de Elite 2”, de José Padilha. Ficamos aqui, falando e discutindo, exercendo nossa retórica, quando a situação é muito mais grave. Quando Hitler chegou ao parlamento lá já estavam suas forças assentadas. A diferença, em relação a nós, é que eles, os SSA, usavam uniformes. Era mais fácil distingui-los.

  11. M Gaspar

    5 de julho de 2015 2:47 am

    André Singer é da cota da

    André Singer é da cota da Marta Suplicy. 

  12. arkx

    5 de julho de 2015 10:22 am

    os “nossos” intelectuais

    André Singer faz parte de um grupo de intelectuais lulistas, inclusos entre outros Marilena Chaui e Emir Sader, sempre prontos a colocar seu arsenal teórico na defesa daquilo que denominam “o nosso governo”. foram dos principais sustentadores da interdição de toda crítica ao lulismo, sob argumentação de se “fazer o jogo da Direita”.

    agora não conseguem elaborar argumentação convincente para justificar o “ajuste fiscal” dos banqueiros, implementado por Joaquim Levy. tampouco são capazes de apontar caminhos para a superação da crise. sem saber como equacionar apoiar “o nosso governo” executando o programa derrotado nas urnas, decidiram interditar a si mesmos com uma eloqüente mudez.

    foram muito úteis quando se tratou de abafar todas as tentativas de crítica ao lulismo, para fazê-lo avançar num momento em que Lula, no auge de sua popularidade, desfrutava de condições favoráveis para tal. com a virada conservadora, pouco ou nada tem a acrescentar…

    é nos momentos de crise que as pessoas se revelam como de fato são. .

    p.s.: o que “os nossos intelectuais” tem a dizer sobre a Grécia? nada! afinal, não é “o nosso governo”. enquanto isto, os portugueses ocupam as ruas entoando “Grândola, vila morena”.

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