Revista GGN

Assine

poesia

ovos no vestido bordado, curitiba, paraná, por romério rômulo

ovos no vestido bordado, curitiba, paraná

por romério rômulo

 

meu bolo de 6 andares

minha parede de rosas

12 lustres de cristal

 

sua panela vazia

sua falta de emprego

sua mão a me pedir

Leia mais »
Média: 5 (3 votos)

por portugal, camões e outros pessoas, de romério rômulo

por portugal, camões e outros pessoas

de romério rômulo

 

te entrego a minha febre -que me roas!-

venho de tantos rudes navegares

por portugal, camões e outros pessoas

 

eu só espero o rasgo dos teus mares.

 

fosse eu, agora, o cálido que sobra

sobre teu corpo, esfera prenha e rude

no incêndio todo a comer tua dobra

 

eu me deixei no mar mais do que pude.

Leia mais »
Média: 5 (1 voto)

meu coração é o mundo, por romério rômulo

meu coração é o mundo

por romério rômulo

 

1.

todo sábado eu inundo

a ponta do meu desejo

no rio onde eu me vejo

o mais exato e profundo.

2.

todo sábado amanheço

com o coração duro e fundo

dos amores que padeço.

 

meu coração é o mundo.

Leia mais »
Média: 5 (7 votos)

o corpo de joesley, um trocadilho sem rumo, por romério rômulo

o corpo de joesley, um trocadilho sem rumo

por romério rômulo

 

quantas estradas devo remover

com meu canhão de rosas alteradas

pra ver, rever e ainda reviver

as carnes que se vão abandonadas?

 

nas noites que me chegam já gravadas

pelos planaltos idos de não ser

entrego o olhar em doces emboscadas

por todos que a mim hão de querer

Leia mais »
Média: 5 (2 votos)

meu anjo do sertão, 1, por romério rômulo

Manuelzão e Romério Rômulo - foto de Germano Neto

meu anjo do sertão, 1

por romério rômulo

 

sobre mim há um olhar de só paixão

e um olhar bem maior que me odeia.

 

manuelzão traz cavalos numa peia

com as éguas, estrelas do desvão.

sua mão me defende e me rodeia.

 

fui benzido nas águas do sertão.

Leia mais »
Média: 5 (4 votos)

"o resto não pode ser o silêncio", por romério rômulo

"o resto não pode ser o silêncio"

por romério rômulo

 

quando o mundo acabar

vou mutilar meus braços

meu hálito, meu desacerto

 

quando o mundo acabar

vou desatar a glória

dos deuses correntes

Leia mais »
Média: 5 (2 votos)

a vida só é bela para os ressuscitados, por romério rômulo

"a vida só é bela para os ressuscitados"

por romério rômulo

 

o meu verso é um estrago

na linha do meu pescoço

o meu dente, só um bago

o meu corpo, puro osso

 

minha boca de ariranha

minha mão atropelada

minha ferida medonha

a minha pele rasgada

Leia mais »
Média: 4.2 (5 votos)

clarice arrancou os meus segredos, por romério rômulo

clarice arrancou os meus segredos

por romério rômulo

 

cachorros e cavalos do meu corpo,

meus olhos, minha estrada, meus enredos,

são vastas as entranhas desta casa:

 

clarice arrancou os meus segredos.

Leia mais »
Média: 5 (3 votos)

pedaços de paixão morrem na estrada, por romério rômulo

Foto Sebastião Salgado

pedaços de paixão morrem na estrada

por romério rômulo

 

sou outro. minha carne se remonta

ao pleno da canção tumultuada

onde uma vida pode pouco ou nada

quando a morte embebeda e tonta.

 

pedaços de paixão morrem na estrada.

Leia mais »
Média: 5 (3 votos)

eu só entrego a margem do meu rosto, por romério rômulo

eu só entrego a margem do meu rosto

por romério rômulo

 

quem se rendeu à sólida manhã?

 

perdeu-se  pela carne e pelo rito

todo que viu a luz ser habitante

da sua pele escassa e já dormida.

Leia mais »
Média: 5 (1 voto)

por candeia e por cartola, por romério rômulo

Portinari

por candeia e por cartola

por romério rômulo

 

a áfrica me chega pelas vozes

a áfrica me chega pelos couros

 

são duras as paixões. e são atrozes.

Leia mais »
Média: 5 (2 votos)

navio da minha armada, por romério rômulo

navio da minha armada

por romério rômulo

 

por onde vai a estrada

da mulher que me atropela?

 

caminha num quase nada

navio da minha armada

como se eu fosse ela.

Leia mais »
Média: 4 (4 votos)

tem um reino sem um rei, por romério rômulo

tem um reino sem um rei

por romério rômulo

 

nesta vila de ouro preto

onde sempre eu naveguei

tem um mar obsoleto

tem um reino sem um rei

 

na rua do meu tormento

faça sol, escuro ou vento

a vida é força de lei

Leia mais »
Média: 4 (8 votos)

De como traduzi 'Os Gatos', de Eliot, por Ivo Barroso

Apresentação de Gilberto Cruvinel

Ivo Barroso, entrevistado pelo Jornal GGN no início de abril, aqui, em vista do grande interesse que o assunto tradução tem despertado, decidiu abrir as portas da oficina dele aos coleguinhas tradutores e por isso escreveu o artigo “De como traduzi ‘Os Gatos’ de Eliot”. Esta tradução remonta ao período em que Ivo viveu na  Inglaterra, entre 1983 e 1984, quando dedicou-se à poesia de T. S. Eliot. É considerada pelos especialistas como um dos momentos mais altos da tradução literária no Brasil e foi premiada com o Prêmio Jabuti (1992). O Prêmio de Tradução da Academia Brasileira de Letras (2005) foi para a a tradução do "Teatro completo" de Eliot. Este artigo é publicado com exclusividade pelo GGN.

 

 

DE COMO TRADUZI OS GATOS, DE ELIOT

por Ivo Barroso

Já contei esta história algumas vezes: eu morava em Londres nos anos ’80 e, em companhia do douto José Guilherme Merquior, fomos assistir à estreia do musical “Cats”, de Andrew Lloyd Weber, mais para ver como o compositor se havia comportado diante daqueles versos de    Eliot, que tanto admirávamos. Ficamos surpresos por ver que ele havia conseguido levar à cena os principais lances do livro sem alterar em nada os versos. Merquior argumentou comigo que seria, portanto, possível fazer uma tradução sem deturpar seus elementos constitutivos (métrica, rima, jogos de palavras, etc), desde que se encontrassem, evidentemente, equivalências de linguagem e situações que correspondessem às glosadas pelo autor. Da hipótese à intimação foi só um momento, que passou a se materializar em cobranças quase diárias sobre o andamento dos trabalhos.

Leia mais »

Média: 4.4 (7 votos)

meu agudo teorema, por romério rômulo

meu agudo teorema

por romério rômulo

 

se eu te encontrar, mulher

e me comeres

se eu te falar, mulher

e me beberes

serei, então, o prato principal?

Leia mais »
Média: 5 (4 votos)