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O que vai pior a economia brasileira ou a bancada ruralista?, por Rui Daher

(Para o GGN)

Quebrado estou há 20 anos, desde que eu e minha mulher avalizamos e assinamos cartas de fiança para uma empresa da qual não tínhamos uma só ação. Respondemos por outrem com nosso patrimônio pessoal. Velho sinto-me há dois anos, desde que virei para os 70 e ninguém mais me alertou “ô moço”! Burro desde ontem, após ler o editorial do jornal Valor, “Sinais de recuperação se disseminam pela economia”. O título me fez pensar de qual país o texto trataria. Num raro rasgo de lucidez me veio a Federação de Corporações. Depois de possuído pela demoníaca Organizações Globo, o impresso, até então o menos desequilibrado do País, se dedicou ao humor macabro com seus leitores.Lá, vivemos entre os mergulhos de Tio Patinhas em sua piscina de moedas, bebemos a água da Fonte da Juventude, e vencemos jovens matemáticos brasileiros em qualquer competição. Leia mais »

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A eterna compulsão brasileira em destruir seus ídolos, por Rui Daher


Foto: Rafael Ribeiro / CBF

Por Rui Daher

Não mais pelo complexo de vira-latas, como quis Nélson Rodrigues, mas por espírito malévolo, de ódio, inveja e implicância.

Chega-me às mãos a edição impressa desta semana de CartaCapital, com Henrique Meirelles na capa. Nela a matéria “Por que não gostamos de Neymar”, assinada por Nirlando Beirão.

Vou à leitura, pois a lide repete o que, um dia, falou o técnico Raul Simões: “estamos criando um monstro”. O jornalista vai na mesma levada, “é o único craque brasileiro, dizem os hermeneutas da bola. Pode ser, mas não basta para construir um ser humano”.

Diante da má construção do texto de Beirão, unanimidade ente quem milita no jornalismo, penso possível Neymar ser um urso, uma formiga, caranguejo das praias santistas.

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Um best-seller no Piauí, por Rui Daher


Reprodução de cena do filme Viramundo (1965), de Geraldo Sarno, sobre migração de nordestinos à São Paulo

Por Rui Daher

Já foi mais, proporcionalmente, muito mais, diria. Lembram do trecho falado por Bethânia ou Nara Leão em “Carcará”, do show “Opinião”. É obrigação citar os autores dessa obra antológica: Oduvaldo Vianna Filho, Paulo Pontes, João do Valle, Armando Costa, e o diretor Augusto Boal.

Mas assim sempre continuou. Até hoje. Um pequeno intervalo, entre 2005 e 2015, quando se ensaiou um movimento de reversão pelo desenvolvimento de renda, emprego e programas sociais dirigidos para aquela região por Lula.

A imigração nordestina para o Sudeste, principalmente São Paulo, é um fenômeno que construiu a metrópole, hoje “amargarinada” por Doriana Júnior, mas ainda entronizada em nossas periferias e mesmo em âmagos burgueses.

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Um País que se recusa ao desenvolvimento, por Rui Daher

Um País que se recusa ao desenvolvimento

por Rui Daher

(Para o GGN)

Quando vi Luís Nassif se referir a APL logo pensei em, à direita, Associação dos Procuradores Lobotomizados, e à esquerda Amplificadores do Pensamento Livre. Mas, não. Qual minha surpresa ao ver que ele, ao mencionar Nova Serrana (MG), tratava dos Arranjos Produtivos Locais, modelo que, durante anos (podem pesquisar), defendi como caminho vital para o desenvolvimento do Brasil? Se nosso forte é a produção de bens primários, principalmente os agrícolas, e em nossos mais de cinco mil municípios a grande maioria parte dessa atividade, por que não “arranjá-la” para um mercado interno e externo de maior valor agregado e de melhor renda para as populações locais?

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Os meus leoninos, por Rui Daher

Leoninos queridos, durante anos estivemos juntos, em algum dia do mês de agosto, em minha casa, para festejar nossos aniversários. A primeira amiga, Ticha Godoy, é do dia12. É, pois, a primeira a ser homenageada. Depois, viriam o Dino (15), churrasqueiro, chapeiro e leitor inveterado; Eduardo (também, 15), o mais lúcido agrônomo do Brasil; eu (16); e o Betinho (18), o mais antigo amigo que, aristocrata de Higienópolis, não fosse um lorde, hoje, cortaria várias cabeças que por lá habitam. Quando estamos a sós, o confessa com ferozes grunhidos e murros gestuais na direita medíocre.

Com eles, vinham cônjuges, agregados e amigos eventualmente convidados, ou mesmo não, que assim é este “turco” festeiro. Entravam nas nossas diversões, folias, risadas, e o parabéns-toada coletivo que terminava no assopro de alguma vela – a do Klink, talvez, quando minha resistência alcoólica ainda não havia atingido o zero. No dia seguinte, nunca lembrei se alguém havia ficado para o café-da- manhã.

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Sopa de Jabuti e Jabá, por Rui Daher

Sopa de Jabuti e Jabá, por Rui Daher

Queridos seguidores, queridas seguidoras, fui avexado, situação que sempre me faz acionar a AK-47 verborrágica.

Talvez, leonino pretencioso, mas incentivado por amigos, nem todos leoninos, passei chateações quando resolvi inscrever o “Dominó de Botequim” para concorrer ao 59º Prêmio Jabuti, para livros publicados em 2016, na seção “crônicas”.

Quem me lê lembra que fui parar num hospital de Campinas até que a Câmara Brasileira do Livro (CBL) me concedesse o ISBN.

Inscrito, fiz tudo o que pediram. Taxas de inscrição, correios, tudo foi pago.

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De cartas, capitais e todos os Brasis não utópicos, por Rui Daher

De cartas, capitais e todos os Brasis não utópicos

por Rui Daher

(Para o GGN)

Leio o artigo de Luís Nassif “Xadrez de como os músicos vieram salvar a utopia Brasil”. Peça literária brilhante, multidimensional, que une passado, presente e futuro, e apenas se engana quando o autor menciona utopia no título que, de prima, me fez pensar frequentaria boa parte dos comentários.

Claro que para fazer uma linda canção, que é disso que o texto trata, algumas passagens precisariam ser idílicas, mesmo utópicas. Mas se estivéssemos no País que vigorou entre 2003 e 2015, estaríamos convivendo com utopias ou caminhando para torna-la real?

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Facebookspan, alívio imediato para a dor, por Rui Daher

Facebookspan, alívio imediato para a dor

por Rui Daher

Em excelente texto, “Redes sociais e catarse coletiva”, Ion de Andrade, primeiro, “rouba” o tema que eu analisaria neste irresistível GGN; segundo, deixa espaço para algumas observações do BRD, meio no desvio, no vai-não-vai, sem a colaboração de Nestor e Pestana (N&P), que fecharam contrato de exclusividade com o Facebook depois de árdua disputa com o PSG.

O clube árabe-francês queria contratá-los para contarem quantas pessoas acessarão as bilheterias da Tour Eiffel usando a camisa de Neymar Jr. Ofereciam: dois meses num albergue de 10 euros por dia, camas separadas, banheiro no corredor, vigiado noite e dia por um liberiano que já estivera no Brasil e fora extraditado por assédio sexual a jotnalistas, mulheres ou não. Para a refeição uma baguete por dia para cada um, sobras de uma boulangerie. Salário: fixo mensal de 150 euros e prêmio de 10 euros a cada gol de Neymar Jr.

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De cartas, capitais e todos os Brasis, por Rui Daher

De cartas, capitais e todos os Brasis

por Rui Daher

(Para o GGN)

Posso ter errado, mas das postagens de 03/08, no GGN, até as 18:50 haviam sido postados mais de 30 textos, sendo que apenas 3 não tratavam da pornografia de ontem. Correto. Caso é que o meu dia foi diferente. Volto ao hotel e mudo de assunto, escrevendo acompanhado de opções como Brahma ou Skol, que onde me hospedo nada das caríssimas "artesanais ou estrangeiras". 

Assim Luís Nassif começa prefáciio para o "Dominó de Botequim": "A crônica sempre foi a literatura do banal, a capacidade de dar um tratamento literário a cenas do cotidiano, de tirar um retrato de momentos, nos quais ficam desenhados sentimentos, informações, estados de espírito pontuais". Magistral, acerta na mosca o que sou, espero ser e que fiz hoje. Visito novamente clientes do Povoado do Moçambo, nas montanhas cafeeiras de MInas Gerais. Antes de sair, peço que me indiquem um alambique de boa cachaça. O técnico agrícola me leva a um amigo, pai e ele cafeicultores, mas guardaram uns hectares de cana e montaram um alambique. Da branca e da amarela, Marco Antônio, o técnico, e Rafael, o produtor não têm mais de 20 anos. Espertos, educados, solícitos, voluntariosos. Faço a prova e aposso-me de 5 litros. O pai desce da roça e se interessa em gastar 50% menos do que lhe cobram as multinacionais dos agroquímicos e obter melhor e maior produtividade.

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Lucy Kellaway, please be back soon, por Rui Daher

Lucy Kellaway, please be back soon, por Rui Daher

Em 1967, fui à rua Martins Fontes, ao lado do edifício do Estadão, em São Paulo, para tirar minha primeira carteira de trabalho. Estudava no período noturno, o que me permitia ser um celetista, carteira assinada por uma empresa da família Maluf. Museus aceitam doações.

Nestes cinquenta anos, trabalhando em chãos de fábricas, galpões, escritórios, campos de lavouras, vi de tudo e a todos. Volta e meia, passagens e pessoas do período vêm-me à lembrança. Alguns me assustam, a maioria faz-me rir. Causos e gentes. Tristeza e saudade pelos que trilharam caminhos diversos ou caíram em combate, que trabalho é sempre isso. Nunca mais os vi.

Em 2004, quando o falecido amigo, jornalista e escritor Fritz Utzeri me convidou para escrever em seu jornal eletrônico, o Montbläat, a primeira ideia foi retratar as patacoadas que presenciava no ambiente de trabalho. Um batalhão de paspalhões. Seria moleza. O arsenal verdadeiro era farto e o ficcional imenso. Não lembro por que mudei de ideia. O anzol da política, talvez.

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O BNDES e a pesquisa no agronegócio, por Rui Daher

na CartaCapital

O BNDES e a pesquisa no agronegócio

por Rui Daher

Não, não fui a Portugal para perder o lugar, nem acredito que Nestor&Pestana, fieis depositários do BRD no Facebook, tenham deixado de pagar a parte que cabe à Redação no latifúndio chamado IPTU, mas pés inchados de tanta quilometragem mineira, sentado no carro, peço à sócia Viviane parar um pouco para eu tirar as botinas e relaxar. Foi num empório de roça, entre Guaxupé e Muzambinho, onde vendem o mais saboroso curau e a melhor farinha de milho do PT, País de Temer. Ah, é não? As cachaças são médias e, como não posso dirigir  por obra cega de uma oftalmologista do Poupatempo - história aqui já contada - perguntei a um senhor negro, barba grisalha, gorro com o símbolo da Nike, qual deveria provar. "Todas", disse ele. "Aí num guento", respondo. "Se guenta o cocô que virou o Brasil com esse turco, pode tomar a garrafaiada toda que nem vai sentir". Viviane: "o senhor tocou nos dois pontos fracos dele, política e cachaça. Não vê ele tomando essas notas? É que ele gosta de escrever, mas agora deu uma parada". Levantou a cabeça e em voz alta, um tanto alterada: "São jornalistas? E justo agora é hora de parar e denunciar? Sabe quanto tão me pagando para apanha do café com a saca a quinhentos contos"? Interrompo: "não sou jornalista". Triste: "Mesmo assim não pare de escrever - quem não é visto não é lembrado".

Frio do cão, pés desinchados: "Vamos, Vivi, ainda temos dois clientes para visitar. A colheita não para, tchau seu Damião ... Como? Desculpe-me, seu Simião". 

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Até breve, ou não, por Rui Daher

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Foto: Pixabay

Por Rui Daher

Diz a lenda que meus textos começaram a alimentar o BRD – Blog/Boteco Rui Daher, em 25 de setembro de 2013, às 14:34 horas, neste GGN, certas vezes Luís Nassif Online, outras “Revista”. Passado mais um mês e estaria escrevendo aos 72 anos, outro mês, e aqui incomodando há quatro anos. Foram cerca de 180 textos ou, como vocês preferem, postagens.

Nem tudo começou aí. Quando o landlord deixou a Folha, como assinante, fui seu leitor assíduo e grato. Quando descobri seu blog, interagi frequente comentarista. Conquistei amigos jurássicos, confrontados aos milhares que, felizmente, hoje aqui escrevem.

Fernando J, Raí, Marco Santo, Désirèe, Maria Luiza, Cafezá, Sérgio Troncoso, Nilva, Anna, Odonir, Roberto G – meu orientador informal na GV e na USP - e tantos mais. Me senti gostado e abduzido. Com o final do Terra Magazine, do Bob Fernandes, vim pra cá expressar minha liberdade.

Na época, contávamos o número de adesões. Chegamos a ... membros. Festejávamos as metas em saraus ao som do bandolim de Nassif, grandes chorões, e “canjas” dos músicos que por lá apareciam. Se alguma vez saí de lá apoiado por algum amigo ou familiar, não foi efeito de produtos salineiros, mas por ter entrado em alguma roda de samba, arrastado as sandálias com o amigo nordestino Portela, ou ouvido Juliana Ladeira interpretar “Geni e o Zeppelin”, do Chico.

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Etanol e Embrapa: como dilapidar o patrimônio nacional, por Rui Daher, em CartaCapital

O combustível e a empresa deveriam ser as joias da coroa, mas são tratados como bijuterias. De muitas coisas já sabia, outras intuí. Andanças agropecuárias capitais valem por uma boa universidade. No momento em que na 1ª classe da Federação de Corporações se diverte em escatologia festejada em fezes, este artigo, publicado originalmente em CartaCapital, recebeu várias manifestações pessoais de pesquisadores e funcionários da Embrapa, que pretendo divulgar na próxima coluna. Verão a diferença entre dilapidar e reduzir a zero.

Na safra 2016/17, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB), a produção brasileira de cana-de-açúcar atingiu 660 milhões de toneladas, colhidas em área de 9 milhões de hectares. Daí saíram 28 bilhões de litros de etanol, redução de 9% sobre o período anterior, assentada na parte baixa de sua eterna gangorra com o açúcar, que cresceu 16% devido à melhor rentabilidade proporcionada. Leia mais »

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Sérgio Moro, "The End", por Rui Daher

Montagem: fotos do site Lula.com

Sérgio Moro, "The End"

por Rui Daher

Luís Nassif, assim finaliza seu texto sobre a condenação de Lula pelo juiz Sérgio Moro: “Mas o tempo dirá que você perdeu, playboy”!

Se equivoca, meu caro Nassif. Discordo, já está feito. Tão humilhante, tão descarado, tão sem efeito provável, o vaticínio jurídico tão instantâneo como qualquer achocolatado. Não precisará de tempo ou história. Nasceu desmoralizado. Viverá, talvez, dois dias. Quem assim não esperava? Achavam o quê? Assim:

- Desculpem-me, eu realmente não tenho provas. Baseei-me em ilações, delações pagas a criminosos.

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O populismo bem entendido, por Rui Daher

Há pouco mais de três anos, perdíamos o cientista político argentino Ernesto Laclau. A partir da leitura de “A razão populista” (2005 - Editora Três Estrelas, 2013), me enfurecia sempre que luminares do jornalismo político nacional tratavam o termo populista de forma pejorativa, na base do Pires, um mal em si.

No Brasil, contraposta à oligarquia rural, a condução populista foi benéfica ao desenvolvimento e, portanto, em certas circunstâncias, necessária a relação direta entre um líder carismático e as massas. Mesmo em períodos quando fora dos preceitos da democracia representativa. Foi entre 1950 e 1980, em meio a ditadores, caudilhos e militares populistas, que o Brasil mais avançou em modernização.

O que veio depois foi alucinação ignorante sobre o que acontecia no mundo da globalização e, em seguida, a polarização daqueles que atônitos tentavam segurar o acordo secular de elites e os que, também atônitos, cediam à governabilidade para poder soltar franjas de emprego, renda e assistência à inserção social. Com pitadas de populismo, ainda bem. Leia mais »

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