Geraldo Pereira, compositor de quase 300 músicas, gravou pouco. Não chega a 30 o número de suas gravações. Trago aqui deliciosas interpretações do mineiro Geraldo Teodoro Pereira, que poderia muito bem ter dito: “Quando vim de Minas, trouxe ouro em pó”
A matéria abaixo, muito provavelmente, é de responsabilidade da equipe que lançou Coleção Folha Raízes da MPB – 23. Recebi-a como arquivo do word e a transcrevo na íntegra.
“A batida diferente dos sambas “Escurinho” e “Falsa Baiana” é obra de um mineiro de Juiz de Fora. Geraldo Teodoro Pereira, nascido no dia 23 de abril de 1918, é considerado o criador do estilo que passou a se chamar samba sincopado ou samba do telecoteco. Em 1938, oito anos depois de chegar ao Rio para trabalhar com o irmão mais velho, no morro de Santo Antônio, próximo à Mangueira, Geraldo Pereira compôs seu primeiro samba, “Farei Tudo”, que foi barrado pela censura. O ocorrido adiou a primeira gravação de uma de suas músicas para o ano seguinte, quando o cantor Roberto Paiva gravou “Se Você Sair Chorando”.
A convivência com os sambistas da Mangueira foi decisiva para a incursão do mineiro no mundo da música. Frequentava a casa de Alfredo Português, onde se reuniam sambistas mangueirenses como Carlos Cachaça, Nelson Cavaquinho, Nelson Sargento e Cartola. Este último foi um de seus professores de violão, ao lado de Aloísio Dias.
Em 17 anos de carreira, findada com a morte precoce em 08 de maio de 1955, estima-se que Geraldo Pereira compôs cerca de 300 músicas, a maioria delas não gravadas, cujos temas preferidos eram o cotidiano do Rio, a boemia, as mulheres e até a política. É o caso de “Ministério da Economia”, de 1951, samba no qual aborda a criação de um novo Ministério, o problema da inflação e a volta de Getúlio Vargas à Presidência. Pereira conciliava a música com o emprego de motorista de caminhões da limpeza urbana do Rio, que manteve até morrer.
“Acertei do Milhar”, parceria com Wilson Batista, foi seu primeiro sucesso na voz de Moreira da Silva, em 1940. O cantor Cyro Monteiro, que acabou virando seu amigo e um dos maiores divulgadores de seus sambas, também gravou nesse mesmo ano “Acabou a Sopa”. Nos anos seguintes, o intérprete gravou ainda “Ela Não Teve Paciência”, “Quando Ela Samba”, “Até Quarta-Feira”, “Você Está Sumindo”, “Voltei Mas Era Tarde” e “Falsa Baiana”. Este último, em 1944, consolidou o nome de Geraldo Pereira como compositor de sucesso. O jornalista Okky de Souza, em artigo publicado no Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira afirma: “Dois são os motivos que fazem de Geraldo Pereira um dos maiores sambistas de todos tempos. Primeiro: ele foi o mais brilhante cultor do samba sincopado. Segundo: em suas letras, atuou como um atilado cronista do Rio de Janeiro de sua época”.
Sua primeira apresentação no rádio ocorreu também em 1944, na Rádio Tamoio do Rio de Janeiro, experiência que repetiu outras vezes na Rádio Nacional. Dois grandes sucessos de Pereira foram gravados na década de 40: “Bolinha de Papel”, pelos Anjos do Inferno, em 1945; e “Pisei Num Despacho”, em 1947, por Cyro Monteiro. Cantores do porte de Aracy de Almeida, Patrício Teixeira, Isaura Garcia, Dircinha Batista, Déo, Odete Amaral, Alcides Gerardi, Roberto Silva, Heleninha Costa e Marlene também descobriram o talento do compositor.
Como cantor, a primeira experiência de Geraldo Pereira ocorreu em 1945 quando gravou “Mais Um Milagre” e “Bonde Piedade”, ambas de sua autoria. Voltou a atuar como intérprete cinco anos mais tarde, com “Pedro Pedregulho”. Ao todo, foram cerca de 30 gravações em sua voz. A música “Eu Vou Partir”, de sua autoria, gravada em 1954, profetizava a morte precoce meses depois.
Da mesma forma que lançou o primeiro grande sucesso de Geraldo Pereira, “Falsa Baiana”, em 1944, o cantor Cyro Monteiro gravou, 11 anos mais tarde, o último sucesso do compositor: “Escurinho”. Três meses depois, Pereira faleceu no Hospital dos Servidores, para onde foi levado após uma briga com o boêmio Madame Satã (João Francisco dos Santos), num bar da Lapa. A causa da morte até hoje não foi explicada de forma definitiva. Durante a briga, as testemunhas contam que Pereira caiu e bateu a cabeça no meio-fio depois de ter levado um soco de Satã. Outra versão para sua morte é a de que, há alguns meses, vinha padecendo de problemas intestinais, o que pode ter se agravado.
A obra de Pereira seguiu sendo gravada por gerações de artistas da MPB nas décadas seguintes, como Roberto Silva, que regravou “Pisei Num Despacho”, em 1963; Paulinho da Viola, Com “Você Está Sumindo”, em 1971; e João Gilberto, que regravou “Bolinha de Papel”, nesse mesmo ano. Gal Costa regravou “Falsa Baiana”, em 1974. No início da década de 80, Pedrinho Rodrigues e Bebel Gilberto lançaram um disco só com músicas de Geraldo Pereira. Mais tarde, já nos anos 90, artistas como Chico Buarque e Zizi Possi também regravaram sucessos do compositor.
Em depoimento publicado no livro “Um Certo Geraldo Pereira”, da escritora Alice Duarte Silva, João Gilberto afirmou: “o samba dele era leve e cheio de divisões rítmicas, isso sempre me chamou atenção. Ele não tinha consciência disso, mas foi um inovador na música popular brasileira na década de 1940”. No mesmo livro, o compositor Cyro de Souza observa que a batida da bossa nova de João Gilberto pode ser encontrada nas síncopes do samba de Geraldo Pereira, criado duas décadas antes.
Contexto histórico
Quando Geraldo Pereira chegou ao Rio, em 1930, então com apenas 12 anos, o samba vivia seu auge na música popular brasileira. O início da carreira de compositor coincidiu com o período de maior produtividade do samba, alavancada pelo sucesso até o fim da década de 50. Já chegou inovando com a criação do chamado samba sincopado, ritmo que mais tarde influenciaria os músicos da Bossa Nova.
Pereira conviveu, desde as primeiras composições, com a política governamental que ao mesmo tempo em que valorizava a cultura nacional, censurava o que era considerado “ofensivo”. Sua primeira composição, “Farei Tudo”, de 1938, foi barrada pela censura por ter uma letra “ousada demais” para a época.
Logo depois veio “Se Você Sair Chorando”, que, ao contrário da primeira, chegou a ficar entre as finalistas de um concurso de músicas promovido pelo DIP (Departamento de Imprensa e Propaganda) do governo federal. “Ministério da Economia”, composta em 1951, retrata a volta de Getúlio Vargas ao poder, que contava com o apoio dos artistas da época, incluindo Pereira. Vinte e oito anos depois, a tentativa da cantora Leci Brandão de gravar a mesma música foi censurada.
Pereira também contrariou a tendência machista que permeava as letras de sambas da época. Mesmo falando da boemia, dos amores, das mulheres, a postura “anti-machista” pode ser vista em sambas como “Pedro Pedregulho”, “Onde Está a Florisbela” e “Ainda Sou Seu Amigo”.
Curiosidades
Versão de Satã
Em entrevista ao jornal O Pasquim, em 1971, Madame Satã contou sua versão sobre a briga com Geraldo Pereira: “Eu entrei no Capela (Bar Capela) e estava sentado tomando um chope. Ele chegou com uma amante dele, pediu dois chopes e sentou ao meu lado. Aí tomou uns goles do chope dele e cismou que eu tinha que tomar o chope dele e ele tinha que tomar o meu. Ele pegou o meu copo e eu disse pra ele: olha, esse copo é meu. Aí ele achou que aquele copo era dele e não era o meu. Então eu peguei meu copo e levei para a minha mesa. Aí ele levantou e chamou pra briga. Disse uma porção de desaforos, uma porção de palavras obscenas, eu não sei nem dizer essas coisas. Aí eu perdi a paciência, dei um soco nele, ele caiu com a cabeça no meio-fio e morreu. Mas ele morreu por desleixo do médico, porque foi para a assistência vivo.”
Trabalho e música
Tendo cursado apenas o primário, antes se tornar motorista de caminhão da limpeza urbana do Rio, Pereira trabalhou numa fábrica de cerâmica, onde sofreu um acidente que quase esmagou sua mão. Também foi soprador de vidro na fábrica José Scaroni. Na música, começou compondo para a escola de samba Unidos de Mangueira.
Mania de brigão
Em 1954, quando participou de um show em comemoração ao quarto centenário da Cidade de São Paulo, foi protagonista de mais uma briga. Ao lado dos músicos Buci Moreira, Raul Marques, Arnô Carnegal, Barão, Geraldo Pereira liderou um quebra-quebra na boate Esplanada porque o empresário que os contratou não queria pagar o que era devido.
Saúde debilitada
Pouco antes de morrer, o compositor já vinha sofrendo com problemas de saúde. Perdeu muito peso e, durante sua festa de aniversário, em 1955, passou mal com crises de vômito e suores. Também já apresentava problemas no fígado e estava evacuando sangue. O laudo do Hospital dos Servidores afirma que ele morreu por causa de uma hemorragia intestinal.
Casamento e amor
Casou, em 1938, com Eulíria Salustiano, a Nininha. Teve um filho com ela, Celso Salustiano. No entanto, seu grande amor foi a mulata Isabel Mendes da Silva, que trabalhava como pastora em programas de rádio. Viveu com ela até sua morte precoce. Para Isabel dedicou alguns de seus sambas como “Escurinha”.
O lado ator
Geraldo Pereira chegou a fazer pontas como ator em filmes da época. O primeiro foi em 1942, gravado pelo diretor norte-americano Orson Wells no Brasil, que nunca foi finalizado. Depois participou de “Berlim na Batucada”, dirigido por Luiz de Barros, em 1944. E, em 1952, atuou em “O Rei do Samba”, também com direção de Luiz de Barros.”
jns
5 de dezembro de 2013 1:10 pmA gente goza
quando uma baiana samba direitinho, de cima, embaixo, revira os olhinhos…
[video:http://youtu.be/o7cba7tVTyI%5D
Cafezá
6 de dezembro de 2013 2:18 amQue coisa linda! Geraldo
Que coisa linda! Geraldo Pereira e Mariene.
jns
5 de dezembro de 2013 1:49 pmO Rei do Samba
Avisa lá
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‘O Rei do Samba filma o compositor Geraldo Pereira sem a praga narrativa e a mis-en-scène da telenovela, que é a fábrica do esquecimento e a morte da memória nacional.’
A GNOSE DO GOGÓ
Gilberto Felisberto Vasconcellos | Cinema Crítica |18 Maio 1999 | Especial para a Folha
Qualquer reflexão estética sobre a contemporaneidade há de trazer à tona a fatal e complexa relação do cinema com a TV, porque é esta e não mais o cinema que faz a cultura no final deste século neurótico.’
O Brasil não foge à regra. Com o seguinte detalhe: implantada de Norte a Sul, na seqüência do golpe de 64, a TV não apenas atropelou o cinema como também substituiu a escola, ou seja, a letra foi alijada com o domínio do visual televisivo, de modo que é preciso ir além da abordagem perfunctória que estigmatiza o crítico cultural de telefóbico ou apocalíptico, pois antes de tudo reconheçamos que é por meio dos videolhos, tal qual num exame de sangue, que se detecta o câncer no corpo humano.
Os dois filmes “Orfeu”, de Cacá Diegues, e “O Rei do Samba”, de José Sette, vieram a público quase que simultaneamente, embora “O Rei do Samba”, sobre o compositor mineiro Geraldo Pereira (1918-1955), tenha passado apenas na TV Cultura do Rio de Janeiro.
Estética
É óbvio que não é a quantidade de dinheiro ou a audiência do público que determina o valor estético de um filme. Pouco importa se a obra é mais importante do que o artista. Em se tratando do veterano Cacá Diegues, acho que ele deveria ter feito um belo filme sobre a sua vida, e não um remake (de Vinicius e Marcel Camus) caudatário da estesia televisiva dominante.
Cacá Diegues traz em sua vivência meio século de história brasileira: CPC, cinema novo, bossa nova, televisão, romance de Jorge Amado. Saravá, Jorge de Lima.
Por outro lado, o que me chamou atenção no filme de José Sette foi a ausência de atores profissionais. Dir-se-ia que no filme “O Rei do Samba” a vedete é o povo. Por isso mesmo a acústica é direta e anônima como o negão que faz o sambista Geraldo Pereira cantando sem dublagem, vestido com o mesmo terno branco de malandro durante o todo o filme.
Esse repórter sambista do cotidiano brasileiro parece o cineasta Orson Welles. “O Rei do Samba” é um documentário em que desfilam os líderes Getúlio, Juscelino e Jango.
De resto, toda boa ficção é também um documentário. O filme de José Sette tira leite das pedras, é a ficção da ficção, porque não está baseado em nenhum texto literário, nem tampouco em letras de músicas. Nem prosa, nem poesia.
A imaginação foi a sua única quimera e fonte de filmagem, misturando o Geraldo Pereira músico e trabalhador, ressaltando evidentemente a distinção fundamental entre emprego e trabalho. Eis aí diante dos olhos do espectador o específico fílmico, porém alicerçado na memória histórica.
O filme “O Rei do Samba” possui o inegável mérito de aproximar-se menos da UDN do que do PTB, o que significa andar à contramão do cinema brasileiro a partir da década de 50.
É por conta disso que “O Rei do Samba” filma o compositor Geraldo Pereira sem a praga narrativa e a mis-en-scène da telenovela, que é a fábrica do esquecimento e a morte da memória nacional.
Elenco: Gerson Rosa e Rosana Silva | Direção: José Sette | Fotografia: Mauro Pianta
O ator operário Gerson Rosa, sambista, interpreta Geraldo Pereira no filme “O Rei do Samba” 1999
A Nossa Presidenta Dilma disse, na abertura da 37a. Jornada Internacional de Cinema da Bahia, que “precisamos acabar com a invasão dos nossos espaços audiovisuais pelos produtos made in USA”. E acrescentou: “a Lei Ianque de dominação através do cinema e da televisão, criada no Governo Roosevelt com a célebre ‘aonde vão nossos filmes, vão nossos produtos, nossa maneira de viver…’, não pode continuar a ocupar os olhos, os ouvidos, as mentes e os corações do nosso povo. Queremos a diversidade artística e cultural. Vamos abrir nossos portos, aeroportos, vídeo locadoras para todas as manifestações, de todo o mundo. O monopólio da comunicação está com seus dias contados. Os programas de nossas TVs, que são verdadeiras bases de lançamentos de foguetes audiovisuais, para destruição em massa dos nossos melhores cérebros – com filmes subsidiados pela indústria da guerra – vão ter que mudar.”
lucianohortencio
6 de dezembro de 2013 12:58 amQuem Bate, Esquece!
[video:https://www.youtube.com/watch?v=Zl-fOY5vEi0%5D
morallis
5 de dezembro de 2013 8:11 pmNa minha opinião um gênio,
Na minha opinião um gênio, sua noção de “divisão assusta até hoje deveria inclusive estar nas escolas.
lucianohortencio
6 de dezembro de 2013 12:56 amPara Morallis
[video:https://www.youtube.com/watch?v=tY0yEdp3xJo%5D
Lucinei
5 de dezembro de 2013 10:05 pmRitmo marcante
Muito muito bom! Algumas músicas não sabia o título; vou atrás.
Um dos gigantes do samba daqui do rio (nem sabia que ele era mineiro também).
lucianohortencio
6 de dezembro de 2013 12:54 amPara Lucinei!
[video:https://www.youtube.com/watch?v=7mPVzlP0kn4%5D
lucianohortencio
6 de dezembro de 2013 12:52 amViva o Barão do Pandeiro!
Dom JNS,
O Barão do Pandeiro presenteou-me com mais oito arquivos com o Geraldo Pereira cantando. Bom demais. Vou fazer uma play list só com o Geraldão intérprete.
Abraço do luciano[video:https://www.youtube.com/watch?v=aepcCvzRnGU%5D
jns
10 de dezembro de 2013 7:23 pmO REI DO PANDEIRO
Sabe tudo e um pouco mais.
Este tu-BARÃO beijoqueiro é dos meus.
A cantora paulistana ILANA VOLCOV e o veterano sambista BARÃO DO PANDEIRO comandam o projeto cênico-musical “Rapsódia em Samba” no Ópera Buffa, em São Paulo, capital.
Juntos, os dois cantores interpretaM sambas, marchas e canções de Nelson Cavaquinho, Henricão, Mário Lago, Ary Barroso, Lamartine Babo, GERALDO PEREIRA, Custódio Mesquita e Noel Rosa, entre outros compositores.
Ilana e Barão são acompanhados por Serginho Arruda (violão) e Rui Kleiner (bandolim e violino).
A direção artística é de Heron Coelho.
RAPSÓDIA EM SAMBA
Todos os domingos, dias 8, 15, 22 e 29 de junho às 19h.
Opera Buffa – Praça Franklin Roosevelt, 82, Consolação – tel: 3237-1980
Ingresso: R$ 20,00 (meia entrada para estudantes)
Este portentoso BARÃO, chegado em mé, muié & cabaré – mui digno de ser honrado – tá promovido a REI.
A CANJA DO IMPERADOR DO PANDEIRO
[video:http://youtu.be/SWQF6gjmAqQ%5D
[video:http://youtu.be/nndedjf1nUg%5D
jns
10 de dezembro de 2013 10:09 pmDona Edith do Prato
As Vozes da Purificação
Edith Oliveira Nogueira, mais conhecida por Edith do Prato, nasceu em Santo Amaro da Purificação, na Bahia, em 1916.
Cantora, percussionista e festeira inveterada, Edith é hoje reverenciada como uma das riquezas da cultura baiana e grande dama do samba de roda do recôncavo.
Ela começou a sua trajetória artística, como cantora amadora em sua terra natal, onde era convidada a tocar em aniversários e carurus.
O pai, ao perceber a alegria e satisfação da menina. permitia e, nas festas, conheceu tanto o primeiro quanto o segundo marido (ambos já falecidos).
Com um timbre peculiar, entoa samba-de-roda como ninguém, raspa a faca no prato com maestria, numa cadência única que esta prática lhe valeu o nome artístico.
[video:http://youtu.be/gBaI8Otg77Q%5D
Sua estréia nos palcos ocorreu no início dos anos de 70, quando os cantores e compositores César e Roberto Mendes a levaram para participar com eles em um espetáculo em Feira de Santana (BA).
A coroação do seu talento aconteceria anos depois quando, no teatro Castro Alves, em Salvador, BA, dividiu o palco e os aplausos com Caetano Veloso (de quem foi ama de leite), Chico Buarque e MPB4.
Dona Edith do Prato, com sua alegria, paixão pelas festas e sambas-de-roda, é uma das artistas baianas que inscreveu a cidade de Santo Amaro no mapa cultural musical da Bahia.
***
[ Nas palavras do poeta Hermínio Bello de Carvalho, Dona Edith do Prato é uma espécie de cartão postal sonoro da Bahia. Nascida há 87 anos em Santo Amaro da Purificação, região do Recôncavo Baiano, Dona Edith surgiu para a música brasileira há exatas três décadas, com uma participação indelével no disco Araçá Azul, de Caetano Veloso.Na faixa de abertura do álbum, Dona Edith fazia o que mais sabe: entoar samba de roda (no caso Viola meu bem, D.P.) e raspar a faca no prato, num suingue personalíssimo que lhe valeu o nome artístico. A partir daí, Dona Edith tornou-se referência para diversas gerações de cantadores. ] – Biscoito Fino
[video:http://youtu.be/I7TsTrFRYMY%5D
***
A Ninho Nascimento, seu neto do coração, Edith pediu que o carro de som deveria, quando morresse, anunciar o fato com a música “Luzes da Ribalta”, de Chaplin, versão de Antônio Almeida e Braguinha, que ela ouvira, na voz de José Augusto.
“Ela não tinha preconceitos… ouvia de tudo. Ela me confidenciou que queria essa música”, e assim foi feito, conta Ninho, também produtor cultural.
Santo Amaro da Purificação, localizada a pouco mais de 70 quilômetros de Salvador, acordou com a triste notícia da partida de Dona Edith, que ecoou na Bahia, onde o Brasil nasceu.
[video:http://youtu.be/cHQP4j1EQ9k%5D
A filha de Oxum, que incorporou o caboclo Sultão das Matas, até os 90 anos, não está mais entre nós.
Dona Edith do Prato morreu em Salvador no dia 08 de janeiro de 2009.
Deus do céu – quem pode mais? – a levou.
Fonte:
http://www.mulher500.org.br
http://www.biscoitofino.com.br/
http://www.gazetadopovo.com.br/