Jornal GGN – Engenheiros químicos do MIT (Massachusetts Institute of Technology), nos EUA (Estados Unidos), desenvolveram uma nova maneira de gerar nanopartículas capazes de reconhecer moléculas específicas, abrindo uma nova abordagem para a construção de sensores duráveis que agiriam como anticorpos sintéticos. O feito foi alcançado por meio de nanotubos ocos de carbono: cilindros com nanômetros de espessura feitos de carbono, que se tornam fluorescentes quando expostos ao laser. O resultado do trabalho foi publicado na edição de 24 de novembro da revista Nature Nanotechnology.
Em pesquisas anteriores, os cientistas vinham explorando o fenômeno de luminescência para criar sensores para revestir os nanotubos com moléculas, tais como anticorpos naturais, que se ligam a um alvo particular (invasores, como vírus e bactérias). Quando o alvo é encontrado, a fluorescência do nanotubo de carbono ilumina ou apaga. No novo estudo, a equipe do MIT descobriu que poderia criar novos sensores revestindo os nanotubos com polímeros projetados especificamente com anfifílicos – polímeros que são atraídos tanto por óleo e água, como pelo sabão.
A nova técnica oferece uma grande variedade de locais de reconhecimento específicos para diferentes alvos, e poderia ser usada para criar sensores para monitorar a doenças como o câncer, inflamações diversas ou diabetes. “Esta nova técnica nos dá uma capacidade sem precedentes para reconhecer qualquer molécula-alvo pela triagem complexa de nanotubos para criar análogos sintéticos para a função de anticorpos”, afirma Michael Strano, professor de Engenharia Química do instituto e autor do estudo.
Anticorpos sintéticos
Os novos sensores oferecem uma abordagem de design sintético para a produção de anticorpos com habilitação de reconhecimento molecular, que, entre outras aplicações, poderiam detectar uma ampla variedade de alvos. Além disso, a técnica pode fornecer uma alternativa mais durável para os chamados sensores de revestimento, principalmente por meio da união de nanotubos de carbono com anticorpos reais – algo que poderia potencializar sua ação.
No novo estudo, os pesquisadores descrevem os locais de reconhecimento molecular que permitem a criação de sensores específicos para riboflavina, estradiol (uma forma de estrogênio) e L-tiroxina (um hormônio da tireoide). Mas agora eles estão trabalhando para que os nanotubos reconheçam outros tipos de moléculas, incluindo neurotransmissores, hidratos de carbono e proteínas.
Para a pesquisa, os cientistas usaram uma experimentação assistida por meio de um robô capaz de testar, a cada vez, a ação de cerca de 30 nanotubos revestidos com polímeros contra três dezenas de alvos possíveis. O passo seguinte será o desenvolvimento de uma maneira de prever essas interações entre os polímeros de nanotubos com base na estrutura dos alvos.
Com informações do Phys.org
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