A guerra envolvendo o Irã ganhou um novo foco de tensão que pode aprofundar os impactos sobre o mercado global de energia: os rebeldes houthis, aliados de Teerã no Iêmen, ameaçaram bloquear o estreito de Bab al-Mandeb, uma das principais rotas marítimas para o transporte internacional de petróleo.
O estreito de Bab al-Mandeb conecta o Mar Vermelho ao Golfo de Áden e ao Oceano Índico. Embora menos movimentado que Ormuz, continua sendo um ponto crítico para o comércio mundial de energia: dados da consultoria Kpler indicam que cerca de 6,2 milhões de barris de petróleo por dia passaram pela região no último mês.
A ameaça ocorre justamente quando o fluxo de navios pelo Estreito de Ormuz — principal corredor para exportações de petróleo do Golfo Pérsico — já enfrenta forte redução devido à escalada do conflito.
Embora os houthis ainda não tenham implementado efetivamente o bloqueio anunciado na terça-feira (22), a simples possibilidade de ataques já levou parte dos navios petroleiros a alterar suas rotas, segundo informações obtidas pela CNN norte-americana.
Com o aumento dos riscos em Ormuz, a Arábia Saudita passou a utilizar intensamente seu oleoduto Leste-Oeste para transportar petróleo até o porto de Yanbu, no Mar Vermelho, permitindo que parte das exportações evitasse a região do Golfo.
Além de comprometer as exportações sauditas para a Ásia, o fechamento da rota também colocaria em risco o abastecimento europeu de diesel: aproximadamente 230 mil barris diários de diesel deixam refinarias sauditas próximas ao Iêmen rumo à Europa passando justamente por essa região.
Caso Bab al-Mandeb também deixe de operar normalmente, analistas alertam para um cenário em que praticamente desapareceriam as principais alternativas logísticas para o petróleo do Oriente Médio e o mercado voltaria a uma situação de “no way out” (“sem saída”), aumentando significativamente o risco de interrupções na oferta mundial.
O petróleo já acumula valorização superior a US$ 20 por barril desde o início da nova guerra no Oriente Médio e chegou a superar US$ 95 nesta quarta-feira.
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