4 de junho de 2026

A visita de Jean-Paul Sartre a Araraquara

Por Motta Araújo

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

SARTRE EM ARARAQUARA – Na proxima 2ª feira, 4 de Novembro, fará 53 anos da emblemática conferência do então maior filósofo do mundo ocidental, Jean-Paul Sartre, em Araraquara, no interior de São Paulo.
 
Sartre,  no apageu da fama e influência, veio ao Brasil a convite de Jorge Amado e sua esposa Zélia Gattai,  em companhia de Simone de Beauvoir, sua esposa e também importante escritora.
 
Chegou a São Paulo em 2 de setembro de 1960, ficou no Hotel Excelsior e fez um grande giro pelo Brasil, visitou o Rio, Salvador, Recife, Fortaleza, Manaus, Brasília e no interior de S.Paulo a cidade de Araraquara, onde proferiu uma conferência na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras. A tradução simultânea da conferência foi de Fernando Henrique Cardoso, Ruth Cardoso e Antonio Candido. O tema foi filosofia, especialmente sobre seu livro A Crítica da Razão Dialética.

<--break->

A Revolução Cubana tinha acabado de tomar o poder, Castro não se declarara ainda comunista. De S.Paulo a Araraquara, viajando numa Kombi, Sartre e Simone de Beauvoir pernoitaram em Louveira, na fazenda de Júlio de Mesquita Filho. Sartre era defensor da Revolução Cubana e o Dr. Júlio tambem, nesssa época pré-comunista.

Simone de Beauvoir não se animou por essa conferência, achava longe de carro e a Faculdade pouco importante mas Sartre fez questão de cumprir os compromissos com seus amigos intelectuais, incluindo do grupo de Araraquara Fausto Cartilho, que organizou a conferência.
 
Esse viagem de Sartre ao Brasil  foi a mais longa que ele fez no pós Guerra, o filosófo mundialmente famoso e ainda mais seria  com o Prêmio Nobel de Literatura que ganhou em 1965, era comunista mas com críticas severas ao Partido Comunista da URSS,  tinha grande influência no Brasil onde os círculos de esquerda o tinham como referência especial em se tratando da teoria marxista que Sartre dominava como poucos.
 
Esse homem grandioso foi um dos maiores filósofos do Século XX, talvez o maior, dependendo da visão de mundo de cada um, de pequena estatura e de aparência inexpressiva, era todo cérebro e pensamento, teve influência gigantesca sobre o modo de pensar de várias gerações. É incrivel que de Paris tenha vindo a Araraquara, para proferir uma conferência que marcou época em São Paulo e até hoje em lembrada, inclusive nas suas mais novas biografias.

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

11 Comentários
...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  1. robertog

    1 de novembro de 2013 11:42 am

    Pois é, foi relamente um

    Pois é, foi relamente um evento importante, muito lembrado não só em Araraquara mas tb na região toda (como em São Carlos, 40 km “antes” de Araraquara para quem vem de São paulo). Mas seria interessante alguém resgatar o conteúdo da conferência.

    1. joca

      1 de novembro de 2013 1:25 pm

      Tem em livro, e disponível na

      Tem em livro, e disponível na net.

      Neste link

      http://books.google.com.br/books/about/Sartre_no_Brasil.html?id=ecFuiQ1OIUEC&redir_esc=y

      Sartre no Brasil: a conferência de Araraquara

      CapaJean-Paul SartreUNESP, 2005 – 116 páginas1 Resenha A passagem de Jean-Paul Sartre por Araraquara, em 1960, foi uma espécie de aferição simbólica do seu perfil intelectual. Quero dizer que ela permitiu verificar a sua posição filosófica de pensador que reexaminava o marxismo à luz do que se chamou o existencialismo, quando fez na Faculdade de Filosofia a conferência onde expôs o miolo da Question de Méthode. E permitiu também verificar a sua decisão de pôr o pensamento em contato com a prática, de agir politicamente, quando falou no Teatro Municipal e debateu com o público, tendo como pano de fundo, nas galerias, as faixas trazidas pelos posseiros rebeldes de Santa Fé do Sul. O momento era de grande esperança radical, com o populismo incoordenado e generoso do Governo João Goulart. Era de entusiasmo pela Revolução Cubana, que Sartre ainda apoiava totalmente e sobre a qual escrevera um ensaio que naqueles dias apareceu em português. Tudo isso faz dos encontros de Araraquara um episódio precioso de participação do intelectual na vida da sociedade e de confiança na força do saber consciente do seu papel.

       

    2. Luiz Eduardo Brandão

      1 de novembro de 2013 2:13 pm

      A conferência de Araraquara

      Roberto, a conferência foi reeditada, está disponível nas livrarias, pelo menos na Travesa do Rio. Também está aqui, online:

      http://books.google.com.br/books?id=ecFuiQ1OIUEC&printsec=frontcover&hl=pt-BR&source=gbs_ge_summary_r&cad=0#v=onepage&q&f=false

       

      Espantosa a afirmação de que o Sartre era comunista. Ninguém nunca soube disso, nem ele próprio. Alguma invencionice pós-macartista. Sartre era um defensor encarniçado da liberdade. Os exemplos são inúmeros, presenciei um deles, quando vivia em Paris. O jornal maoísta La Cause du Peuple foi proibido, quem ousasse vendê-lo iria em cana. Sartre se indignou, em nome da liberdade de expressão, e saiu pelas ruas vendendo o jornal, junto com outros intelectuais franceses, como o Godard, o Truffaut, a Simone de Beauvoir. Vejam as fotos. Algum macartista saudoso dos bons tempos (para eles) da Guerra Fria vai sapecar: tudo comunista disfarçado, pau neles!

      http://www.google.com.br/search?q=sartre+et+la+cause+du+peuple&nord=1&tbm=isch&tbo=u&source=univ&sa=X&ei=OLNzUv7UKY20kAfe1oDADQ&ved=0CDMQsAQ&biw=1067&bih=488

       

      Me lembrei agora de outra passeata do Sartre, com que cruzei, logo que cheguei a Paris. Morava numa mansarda na rue du Faubourg Saint-Denis. Voltando um dia para o quartinho, cruzei com uma passeata. À frente, o Sartre. Querendo saber do que era, perguntei para um manifestante. Era o seguinte. Depois de muita briga e muito protesto, ia ser desmontada a linda construção de ferro forjado do mercado (Les Halles), para dar lugar ao que se vê hoje por lá, uma espécie de shopping center claustrofóbico. Um milionário americano quis arrematar o histórico pavilhão, que remontaria na sua fazenda, no Texas se bem me lembro. Comoção nacional! Nosso patrimônio ninguém tasca! A passeata era para isso: já que haviam perdido na briga para conservar o belo pavilhão em seu lugar, batalhavam agora para que a histórica construção permanecesse na França. Ganharam. O pavilhão Baltard foi levado para a beira do Marne, creio que comprado pela cidade de Nogent. Vale a visita. Depois de visitar, atravessem o rio e vão dançar na célebre guinguette Chez Gégène.

      1. Motta Araujo

        1 de novembro de 2013 4:35 pm

        Espantosa é a sua ignorancia,

        Espantosa é a sua ignorancia, Sartre era um dos mais ilustres membros históricos do Partido Comunista Francês, foi um dos poucos homes de importancia na intelectualidade francesa que apoiu publicamente a violenta repressão sovietica

        da Revolução Hungara de 1956, quando mais de 1.000 hungaros foram executados, inclusive o Primeiro Ministro Imre Nagy, posição de Sartre que lhe custou pesadas criticas da intelectualidade francesa e mundial e em função dessa atitude Sartre perdeu admiradores e até amigos antigos.

        Sartre era amante da liberdade na França, o que não o impediu de ser um admirador de Stalin por longo tempo, tendo depois mudado essa admiração para critica, um ajuste ideologico onde tambem havia oportunismo politico.

         

        1. Luiz Eduardo Brandão

          1 de novembro de 2013 6:24 pm

          Sartre e o PCF

          Prezado Motta, suas informações estão equivocadas. Sartre jamais pertenceu aos quadros do PCF, jamais foi militante, muito menos histórico portanto. O que o levou a se tornar o que os franceses chamam de “compagnon de route”, o que aqui equivale mais ou menos a simpatizante, foi bem típico das suas atitudes libertárias, como a que narro sobre La Cause du peuple. Quando da Guerra da Coreia, o PCF organizou uma manifestação antimilitarista (v. vai dizer certamente que o antimilitarismo do PCF era apenas uma máscara para encobrir sua defesa da posição soviética — no que concordarei integralmente com v.), que foi violentamente reprimida. Isso foi em 1952. Sua posição de defender intransigentemente as liberdades e direitos democráticos, entre estes o de manifestação, acaba levando-o a se aproximar do PC, mas, como v. escreve, sem se alinhar com isso ao stalinismo. Ao contrário do que v. diz, a brutal intervenção soviética em Budapeste, em 1956, levou-o a rever sua simpatia e a romper com o PCF, como ocorreu com muitos intelectuais franceses . A entrevista que deu nessa época ao L’Exprès (9/11/1956) comprova isso. Seu relacionamento — e não militantismo — durou 4 anos apenas, portanto. Na verdade, as divergências com o PCF vinham de antes: da posição, que Sartre julgava pouco veemente do partido em relação à Guerra da Argélia. Tudo isso está amplamente documentado.

          1. A.Araujo

            1 de novembro de 2013 8:43 pm

            http://www.live2times.com/195

            http://www.live2times.com/1956-rupture-de-sartre-avec-le-parti-communiste-e–9328/

            Artigo sobre a RUPTURA de Sartre com o Partido Comunista Frances, depois da repressão sovietica à `rebelião hungara, ação da URSS que ele inicialmente apoiou.

            A filiação de Sartre ap PCF é um fato oficial e consta de TODAS suas biografias, membro filiado ao Partido e ativo militante, como se pode negar se está inserido nas muitas biografias de Sartre, no verbete da Larousse, nos incontaveis ensaios e criticas , artigos, reportagens?

  2. Durvaldisko

    1 de novembro de 2013 12:58 pm

    D.Rute  e FHC, estavam la’ ,

    D.Rute  e FHC, estavam la’ , na fila do gargarejo. A destacar    ,segundo  testemunho dos anfitriões, a intocabilidade das toalhas de banho oferecidas  ao casal de filósofos convidados.

    1. A.Araujo

      1 de novembro de 2013 2:28 pm

      Não estavam no gargarejo,

      Não estavam no gargarejo, eles eram os anfitriões, Dona Ruth era de Araraquara, de uma ilustre familia de lá, os Correia Leite e a então nova Faculdade de Filosofia, Ciencias e Letras de Araraquara, fundada em 1958, tinha a mão dela. FHC, Ruth Cardoso e Antonio Candido fizeram a tradução simultanea da palestra de Sartre, tarefa dificil porque Sartre falava muito rápido, o pensamento corria mais velz que a fala.

  3. André Paulistano

    1 de novembro de 2013 1:25 pm

    Não fossem verdadeiras estas

    Não fossem verdadeiras estas histórias, seriam de-li-ci-o-sos contos!!

    Não perco um!

  4. Luiz Eduardo Brandão

    1 de novembro de 2013 2:40 pm

    A chegada em Araraquara

    Me lembrei da história que me contaram lá em Araraquara. O Sartre chegou num dia de jogo de futebol. O Ferroviária, time local, havia vencido a partida. Os torcedores saíram comemorando pelas ruas. A “comitiva” do Sartre cruza com a multidão. O desligado filósofo, a quem devo boa parte da minha cabeça, comenta espantado: “Puxa, não sabia que eu era tão querido assim no Brasil!”

  5. HenriqueFFC

    1 de novembro de 2013 3:50 pm

    Fausto Castilho

    No link abaixo há uma entrevista com o Prof. Fausto Castilho. Nesta entrevista ele conta como foi a Conferência de Araraquara.

     

    Revista Educação e Filosofia v.27, n.53 (2013) – Universidade Federal de Uberlândia

    http://www.seer.ufu.br/index.php/EducacaoFilosofia/article/view/22697 (arquivo PDF)

Recomendados para você

Recomendados