4 de junho de 2026

Flink-Sampa e um alerta aos desavisados: desde que o Brasil é Brasil nós temos escritores negros

Sugerido por MiriamL

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Da Caros Amigos

Festa literária em SP dá visibilidade a autores negros

Flink-Sampa ocorre em novembro, no Memorial da América Latina

Por Rafael Zanvettor
Caros Amigos

Tendo como inspiração a tradicional festa literária de Paraty (Flip), no Rio de Janeiro, a Festa Literária Negra (Flink-Sampa) conta com a participação de 25 escritores, na festa de artes, conhecimento e cultura negra que ocorre de 15 a 17 de novembro, no Memorial da América Latina, na capital paulista. A festa terá lançamentos, debates sobre literatura e trabalhos de autores negros, cujo patrono é o poeta Cruz e Sousa, introdutor do Simbolismo no Brasil.

A organização do evento coincide com a Feira Literária de Frankfurt, na Alemanha, e as polêmicas levantadas pelos autores brasileiros Paulo Lins e Luiz Ruffato, que questionaram o racismo da seleção de autores convidados (entre 70 brasileiros, apenas um, o próprio Paulo Lins, é negro) e a desigualdade no Brasil. 

Confira abaixo a entrevista concedida à Caros Amigos pelo organizador e curador da Flink-Sampa, Uelinton Farias Alves.

Caros Amigos – De onde veio a ideia de realizar o festival? Quais as principais dificuldades para realizá-lo?

Uelinton Farias Alves – Primeiro não é um “festival”, nesse sentido, mas uma Festa da Literatura. A ideia surgiu como uma forma de preencher um vazio nessa área e ao mesmo tempo reposicionar, no âmbito da cultura e do conhecimento, o Troféu Raça Negra, evento da Afrobras e da Faculdade Zumbi dos Palmares, de grande sucesso e realizado há 11 edições, como uma espécie de Oscar da comunidade negra brasileira. Quanto às dificuldades, são sempre as mesmas: falta absoluta de apoio instituicional, seja privado ou público. O descrédito da população a todo evento de caráter social negro.

Qual o valor da iniciativa para o combate ao racismo no Brasil? Porque os escritores negros pouco aparecem no cânone da literatura brasileira, e quando aparecem sofrem um “branqueamento”, como foi o caso de Machado de Assis, retratado como branco em uma propaganda da Caixa?

O valor da iniciativa visa a questão da quebra de invisibilidade do negro brasileiro; este é um ponto. O outro é uma forma do Brasil olhar-se para si próprio, como se fosse uma instigação, uma provocação, uma descoberta, como a revelação de um palimpsesto – algo que está sobre camadas sobre nós mesmos, e não percebemos.

No caso dos escritores negros. Desde que o Brasil é Brasil que nós temos escritores negros. A sua invisibilidade ou exclusão perpassa pela história do País, que demarca a população negra como uma subcategoria, independente do seu valor ou não. Por exemplo, o caso do Machado de Assis. Com este caso, aprendemos um pouco a abrir a boca, como fez Paulo Lins na Alemanha. No caso especificamente nosso, nós fomos, desde o século 19, especialmente, um Pais de negros letrados e empreendedores. Desde o primeiro romance escrito e publicado no Brasil (“O filho do pescador”, de Teixeira e Sousa, homem negro) até o simbolismo de Cruz e Sousa (poeta negro, nascido e criado numa região branca, Santa Catarina). São apenas dois exemplos pontuais. Sempre fizemos a diferença, mas isso não basta para derrubarmos os canhões do racismo e do preconceito.

O festival pretende se contrapor à iniciativa da feira de Frankfurt? De que modo?

Não pretendemos fazer nenhum contraponto. Mas, sem dúvida, mostramos para quem quer ver, ler e ouvir que temos bons escritores negros, tipo exportação: Paulo Lins, Nei Lopes, Ana Maria Gonçalves, Conceição Evaristo, Elisa Lucinda, Joel Rufino dos Santos, Éle Semog etc. Como tínhamos no passado: Gonçalves Dias, Luis Delfino, Lima Barreto, Carolina Maria de Jesus, Maria Firmina dos Reis, José do Patrocínio etc.

Como você vê os discursos críticos dos escritores Luiz Ruffato e Paulo Lins, que abalaram a normalidade da feira denunciando a desigualdade e o racismo?

Olha, são falas necessárias e proferidas no local certo. Não sei se realmente abalam, pois o mundo (e o Brasil) é muito hipócrita. Mas entendo que deram uma sacudida no marasmo público oficial e nas pseudo-autoridades de plantão. Mas ainda, acho que ajudou não só a mostrar escancaradamente o nosso racismo, mas que, carreado a ele, uma panela formada pela grande mídia, por grandes editoras e uma burguesa medíocre que, mesmo sem valor, arrota competência e “patusqueira de nababo”, para finalizar com um dito do genial Emílio de Menezes.

Lourdes Nassif

Redatora-chefe no GGN

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2 Comentários
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  1. implacavel

    19 de outubro de 2013 7:46 pm

    Nei Lopes já tinha batido nessa tecla

    O QUE O ESTADÃO NÃO PUBLICOU

    Nei Lopes – Blog Meu Lote

    Sobre a matéria de Roberta Pennafort, jornalista do Estadão sobre a ausência de negros na delegação brasileira à feira de Frankfurt, informamos, para memória futura, o inteiro teor de nossa declaração, reduzida a duas ou três linhas, e que é o seguinte:

    Em 2011, foi publicada pela Editora da UFMG, em 4 volumes, a obra Literatura e afro descendência no Brasil: antologia crítica, organizada pelo professor Eduardo de Assis Duarte. O segundo volume, com 442 páginas, intitulado Consolidação, repertoria escritores e escritoras afro-brasileiros, nascidos nas décadas de 1930 e 40. O terceiro, com 565 páginas, contempla a Contemporaneidade, incluindo os nascidos na segunda metade do século XX. Ao todo são cerca de 70 autoras e autores vivos (entre os quais me incluo), só nesta obra.

    Se a nossa literatura não circula no Brasil não é por falta de autores. Ela tem sido estudada e publicada no exterior, na Alemanha, na Inglaterra, nos Estados Unidos e em outros países.

    Se o MinC também acha que literatura boa é a que vende milhares de livros, eu só tenho a lamentar. E dizer que continuo fazendo a minha parte. – Nei Lopes.

    **

    PS: O mink quer mesmo é o funk forte! (Jorge Bagunça – escritor da comunidade do Lote)

  2. implacavel

    19 de outubro de 2013 7:59 pm

    As duas cores de Machado de Assis

    Machado de Assis nasceu mulato na sua essência e morreu branco no seu Atestado de Óbito!

    As duas cores de Machado de Assis

     Y.Valentim – Coletivo de Entidades Negras 

     

    Em 2008, o Brasil os 100 anos da morte de Machado de Assis, mulato que se tornou o maior escritor brasileiro de todos os tempos. No entanto, Machado nunca quis ser afrodescendente. Sempre teve duas “cores”.
    “Mulato, ele foi de fato, um grego da melhor época. Eu não teria chamado Machado de Assis de mulato e penso que nada lhe doeria mais do que essa síntese. (…) O Machado para mim era um branco e creio que por tal se tornava; quando houvesse sangue estranho isso nada alterava a sua perfeita caracterização caucásica. Eu pelo menos só via nele o grego” (Joaquim Nabuco, em carta a José Veríssimo, após a morte de Machado de Assis).
    por Carlos Nobre 
    Em 30 de setembro de 1933, o escritor Humberto de Campos, ao escrever um artigo para o ” Diário de Notícias”, traçou o seguinte perfil do colega Machado de Assis, a maior glória da literatura nacional de todos os tempos:
    “Era miúdo de figura, mulato de sangue, escuro de pele, e usava uma barba curta e de tonalidade confusa, que dava ares de antigo escravo brasileiro, filho do senhor e criado na casa de boa família. Era gago de boca, límpido de espírito e manso de coração. E tornara-se pelo estudo e pelo trabalho o mais belo nome, e a glória pura e mais legítima, das letras nacionais”.
    No entanto, 25 anos antes desta classificação racial empreendida por Campos, Machado de Assis era considerado um integrante da elite carioca, e portanto, um homem branco. Isto foi o quê anotou no atestado de óbito de Machado de Assis, o escrivão Olimpio da Silva Pereira. Esta anotação fora feita, após a morte do autor de “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, em sua casa, no Cosme Velho, em 29 de setembro de 1908.
    O fato é muito significativo, pois, a obrigatoriedade do registro cor nos documentos fúnebres só fora estabelecida 75 anos mais tarde, em 1973, em função provavelmente da luta dos movimentos negros. Por que, então, o escrivão se apressou em acrescentar o item cor no atestado de óbito de Machado de Assis, se tal prática inexistia na época? Seria uma tentativa para impedir no futuro qualquer polêmica em relação a cor de nosso maior escritor? Qual das duas cores – a citada por Campos e a anotada pelo escrivão – valeria hoje, depois de 100 anos da morte de Machado?
    Quem responde a este dilema racial é a cientista social Simone da Conceição Silva, em sua monografia final de curso ( 2001), intitulada O preto-e-branco do escritor brasileiro. Machado de Assis, no plural ou no singular?, apresentada, no Instituto de Ciências Humanas e Filosofia da Universidade Federal Fluminense (UFF).
    Origem afro
    Simone mostra que, paralelo à consagração do escritor dos “Contos Fluminenses”, “Dom Casmurro” e “Iaia Garcia”, e outras obras de vulto, ocorreu um processo de embranquecimento da figura de Machado. O atestado de óbito, segundo ela, é um dos exemplos flagrantes deste processo. Segundo Simone, as elites intelectuais da época em que viveu Machado – entre meados do século XIX e início do século XX – não admitiam que o maior nome das letras nacionais fosse de origem africana já que as ideologias racistas em plena voga na época mostravam o negro adaptado para o trabalho manual e incapaz para o trabalho intelectual.
    Filho do pintor de paredes mulato Francisco José de Assis e da lavadeira portuguesa Maria Leopoldina Machado, o escritor nasceu em 21 de junho de 1839, no morro do Livramento, na Saúde , isto é, na ” Pequena África”, local de forte presença de africanos, cujo denominação fora dada pelo sambista Heitor dos Prazeres, filho de uma das famosas tias baianas que habitavam o local.
    Epiléptico e gago, Machado de Assis foi vendedor de balas e sacristão da Igreja Nossa Senhora da Lampadosa, uma irmandade negra, na Avenida Passos, no Centro. Ele nunca freqüentou escola ou faculdade, mas foi considerado um dos mais brilhantes autodidatas do seu tempo. A imagem de um escritor elegante, fino, bem vestido, cabelos ondulados, brilhantes, pela embranquecida – que aparece numa fotografia de Machado, quando ele, está, por volta dos 60 anos – e que é a mesma anexada em milhares de escolas, bibliotecas e livros didáticos – não corresponde com a história de um mulato pobre, órfão na adolescência, bisneto de escravos e que ascendeu nas letras e no serviço público a custa somente de seu talento. Segundo Simone, havia uma intenção de esconder o passado de Machado. Ele reforça seus argumentos citando um articulista da “Gazeta de Notícias”, que, após a morte do escritor, escreveu a frase que procura legitimar a supressão do passado pobre e negro de Machado: “Do morto de ontem não se precisa fazer biografia”.

    Imagem refinada
    No entanto, a dúvida persiste: como um homem de origem negra se transforma visualmente num branco como naquela foto de Machado aos 60 anos (possivelmente) quer nos assegurar? Como é possível mudar de cor numa fotografia e esconder os traços mais originais de uma pessoa? Para a pesquisadora, a foto “oficial” do escritor – aquela em que aparece em todos os livros e na mídia, com Machado, por volta dos 60 – sofreu um processo de depuração.
    Citando Gilberto Freyre, em Sobrados e Mocambos, Simone diz que era comum, no Brasil imperial, o fotógrafo alterar a cor dos olhos e a cor da pele ao gosto do freguês ao receberem encomendas para renovação química no laboratório de fotografias antigas, já amareladas. Isto pode ter acontecido com a foto ” oficial” do escritor que aparece com a pele mais clara e barba e cabelos brilhosos.
    A morte de Machado de Assis serviu para fundamentar o processo de consagração e embranquecimento do escritor, cuja infância e adolescência pobre, no morro do Livramento, na Saúde, são suprimidas das louvações que são feitas na mídia à figura do então fundador da Academia Brasileira de Letras, morador do Cosme Velho, um bairro de elite.
    Noutra foto de Machado, com 30 ou 40 anos, mostrando o escritor com cabelos crespos, em estilo asa-delta, bigode, feições africanas, Machado parece ser como ele era naturalmente. No entanto, poucas vezes, os editores de cadernos culturais lançam mão dessa foto para ilustrar matérias com Machado de Assis. Trata-se da foto mais “afro” do escritor, uma espécie de denúncia das origens machadianas.
    A partir de 1939, ano da comemoração do centenário de nascimento do escritor, as elites intelectuais se mostram mais inquietas e céticas em relação à história de um mulato que se tornou em todos os tempos a maior glória da literatura brasileira. Nas retrospectivas machadianas organizadas por entidades literárias da época e pelo governo Getúlio Vargas, o passado oculto de Machado saiu da obscuridade e ganha o proscênio. Em exposições, são apresentadas fotografias do escritor do período onde morava no morro do Livramento, quer dizer, surgem, finalmente, as tais origens afro de Machado. Uma exposição, por exemplo, apresenta Machado, desde sua saída do Livramento até seus momentos finais, no Cosme Velho, como um alto funcionário da burocracia estatal.
    “O ponto principal da questão não era apresentar Machado como o maior escritor e fixá-lo numa posição de consagração, até porque isso já fora feito em 1908. O holofote estava sob a ascensão do mulato e do mestiço dentro daquela sociedade. A memória de Machado como escritor tinha se consolidado, isso não implica dizer que as memórias são inalteráveis, mas naquele momento as imagens estavam relacionadas ao interesse em apontar o processo de ascensão social do escritor”, explica Simone.

    Ambiguidades
    Machado de Assis, mulato que nasceu livre, e se educou pelos próprios esforços, numa sociedade abalada repetidamente por crises sociais – da metade do século XIX em diante. Era época em que um dos maiores movimentos sociais – envolvendo mulatos livres e intelectuais liberais – era a libertação dos escravos. Como ele se livrou desse debate?
    Sua vida política é tida como passiva. Ele fora repetidamente acusado de omisso e um dos seus críticos mais freqüentes era o jornalista mulato José do Patrocínio, um dos militantes mais duros da causa abolicionista. Patrocínio achava que o escritor deu as costas para as lutas sociais e fez vistas grossas ao movimento abolicionista.
    Seus biógrafos mais famosos – Eloi Pontes, Peregrino Jr e Lúcia Miguel Pereira – concordam que Machado procurou outro caminho, mantendo relações com gente poderosa.
    Sua rede de amizades era composta por livreiros, políticos, escritores e servidores públicos importantes da época. Sua timidez e introspectividade foram apontados, segundo Simone, de serem resultantes da dor oculta por ser mulato, estigmatizado pela gagueira e epilepsia, numa sociedade que fez de tudo para não aderir ao trabalho livre.
    Os biógrafos o acusam ainda de ter abandonado a madrasta negra Maria Inês, que se encontrava viúva, depois que se tornou escritor conhecido. Machado tinha trauma do passado pobre, e por isto, tendia a se afastar de tudo que remetia a ele. Ou como escreveu o crítico Álvaro Moreyra, em “A Notícia”, 29/8/1939: ” O descendente de africanos não quis receber o legado de sua miséria. Disparou da origem. Substituiu a condição humana pela condição literária. Foi um grande escritor. Não foi um grande homem. O povo nunca o compreenderá”.
    Segundo ainda a “A Gazeta de Notícias”, 29/9/1908, citada por Simone, Machado sempre se pautou por um relação com os outros de “não contrariar ninguém”. Nunca dava opiniões polêmicas sobre política e literatura e nunca destratava os escritores jovens quando abordado pelos fãs na livraria Garnier.
    Seus personagens de impacto poucas vezes foram pobres ou os miseráveis que ele viu no morro do Livramento. Ao contrário. Eles eram burgueses com altas crises existenciais, como Bentinho, de ” Dom Casmurro”.
    As mulheres machadianas não eram as resistentes quilombolas dos morros da Saúde, mas mulheres elegantes, dominadoras, sensuais, mais encontráveis na badalada Rua do Ouvidor. Mesmo assim, Machado produziu uma literatura de alto nível, universalista, que até hoje encanta o mundo, e é o autor brasileiro mais estudado no Brasil e no exterior.

    Omissões machadianas
    O escritor e ensaísta goiano Martiniano José Silva, na obra “Racismo à Brasileira: Raízes Históricas”, (Editora Popular, Goiânia, 1985), dedica um dos capítulos do livro a estudar a literatura de Machado de Assis em contraposição a sua situação racial. Martiniano, mais contundente que Simone, faz uma análise impiedosa do escritor, mostrando diversas facetas de sua negação a sua cor. Selecionamos alguns trechos da obra de Silva para quer possam ser comparados e refletidos num tópico tal como ” Literatura e relações raciais no Brasil”. Vejamos alguns trechos de sua análise sobre Machado:
    “Enbranquecimento
    (…) se omitiu no que escreveu sobre o tema relacionado ao drama de sua ascendência étnica. (…) Sem amigos negros e mantendo-se com o cabelo pixaim amaciado, branquificou a própria alma e toda a sua louvada e cultuada literatura, modelando a sua arte pela européia.
    “A escrita machadiana
    (..) Por isso, é que preferiu escrever sobre os brancos e seus dramas existenciais só vez por outra colocando um negro em suas histórias, para desempenhar, porém, o papel que se espera dos negros – boçais, sofridos, resignados. É por isso também que mesmo sendo a escravidão um tema central de seu tempo, nunca colocou o dedo nesta do mesmo modo que esteve sempre alheio aos negros escravos na eclosão do movimento abolicionista, que convenhamos, consolidou uma abolição da lisonja.
    “Mulher portuguesa
    Sentiu na pele a estupidez do racismo, ao presenciar a tenaz resistência da família da esposa – Carolina Xavier de Novais – ao seu casamento pelo fato de ser mulato. E não raro, não se rebelou.
    “Brancos ou mulatos?
    Instalou-se no elenco dos mulatos que mais recentemente seriam tecnicamente chamados de brancos.
    “Os outros Machados
    Ousamos indagar: porque a obra panfletária de Luiz Gama e Lima Barreto, com toda a força político-literária também existente no século XIX, não alcançou de imediato e mesmo destino e conceito da obra de Machado de Assis ? Ou por outra: por que a posição política e literária desses autores não obteve reconhecimento e prestígio desde logo ? Não é só porque mantinham uma coloração mais negra. Nem somente porque eram pobres, como quer Gilberto Freyre em análise sobre Lima Barreto. Não. Acontece que as ações e as atitudes político-sociais desses escritores negros, defendendo o componente africano de nossa civilização foi mais firme, incomodando muito aos pais da pátria.
     

    Fonte: Aldeia Griot

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